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Mestre Marinheiro: “Aqui, sou o Barack Obama”

Mestre Marinheiro: “Tudo funciona pelo querer e amor ao próximo”

Sábado cedinho, o menino desperta e vai com o irmão mais velho para o saveiro que sai do pequeno píer de Salinas da Margarida rumo a Salvador. A embarcação vai carregada de frutos do mar para vender a comerciantes do Mercado Modelo.

O irmão é marinheiro do saveiro, e o menino vai olhando o mar da Baía de Todos-os-Santos, ansioso para ver chegar a capital, onde no pátio do imenso  mercado o som do berimbau e o cântico de negros impõem-se na balbúrdia como algo hipnótico.  

É fim da década de 60 (século XX) e na capital a capoeira ferve sob o sol do meio-dia no mercadão. O menino contempla os grandes da capoeira que ali fazem roda: mestres Cacau, Dois de Ouro, Gajé…

“Eu vi a nata da capoeira jogando”, lembra Valcir Batista Lima, hoje, na altura dos 47 anos e mais conhecido como mestre Marinheiro na comunidade onde mora, no Engenho Velho da Federação. Mais precisamente na Baixa da Égua, um dos locais onde a violência é grande e jovens se expõem ao tráfico de drogas.

“Eu vi muitos jovens expostos nas esquinas. Muitos entraram na capoeira e se encaminharam na vida”, diz Marinheiro, que já ensinou a arte da capoeira a 500 pessoas e formou cinco  mestres.

No miolo do bairro, construiu o centro de cultura Ginga e Malícia, vinculado à União Internacional de Capoeira Regional (Unicar), e hoje também um dos Pontos de Cultura identificados pelo Ministério da Cultura (Minc), que investiu no local R$ 180 mil. É ali que muitos jovens e crianças, por meio de atividades culturais, conseguem driblar a escolha de um futuro inseguro. Pelas ruas do bairro, todos o respeitam: “Aqui, sou o Barack Obama”, brinca.

Infância – Marinheiro sabe bem o que é nascer pobre. Ele lembra de quando, menino, levantava às cinco da madrugada para ajudar a mãe, dona Regina Célia, a mariscar nos mangues de Salinas para ter não só o que comer mas também o que vender e sustentar a família. Foi assim até a mãe  morrer. O pai, que vivia de biscate, há tempos passava dias em Salvador. A irmã mais velha, Rosa Maria, nem pensou duas vezes para trazer os meninos para a capital, em 1975.

Foram morar no Engenho Velho de Brotas. Tentava frequentar a escola, mas a vida urgia e passou a carregar sacola de mercado para “as madames”. “Ia pouco para a escola porque tinha a necessidade da sobrevivência”. Quem conversa com Marinheiro hoje, porém, não diz que ele ainda tenta concluir o 2° grau.

O fato é que Valcir fez de tudo um pouco para ganhar dinheiro, até como assistente de cozinha de restaurante chique no Hotel Meridien trabalhou. Também cozinhava no Sesc ali de Piatã. Era quando via os salva-vidas treinarem, na piscina olímpica do clube.

Um dia, no ano de 1983, decidiu fazer o teste para ser salva-vidas. Passou numa das cinco vagas entre 80 concorrentes. Foi na praia que conheceu mestre Orelha, também salva-vidas, que o incentivou a entrar para a capoeira.

Foi ali na Associação de Capoeira Regional, no Pelourinho, que Valcir conheceu mestre Bamba, que viria a batizá-lo como Marinheiro – o porquê da alcunha é guardado a sete chaves por Bamba –  e criá-lo também mestre. Muitos anos se passaram entre o ofício de salva-vidas, a capoeira e o casamento que lhe deu três filhos: Valcir Junior, Amanda e Luanda – esta, que é o braço direito do pai no centro de cultura na Baixa da Égua. Mestre Marinheiro já nos anos 90 se esforçava em busca de espaço para ensinar capoeira à meninada do bairro, onde até hoje mora.

Conseguiu o primeiro espaço na Escola Municipal do Engenho Velho da Federação. Mas o sonho de Marinheiro era ter uma sede própria. Foi num dos encontros de capoeira com estrangeiros – sim, Marinheiro sempre recebeu gente da Europa e EUA para ensinar a capoeira –, que conheceu um inglês, Henrique Franklin, que se tornaria um dos seus melhores amigos e seu “amuleto da sorte”.

Quando Henrique voltou para a Inglaterra, tratou de promover festas nas quais arrecadou fundos em prol da instituição de Marinheiro. Foi assim que ele comprou o terreno e construiu o galpão. Mas a capoeira foi apenas o motivo para transformar o local num verdadeiro centro de cultura, arte e cidadania. Ali os jovens aprendem informática, teatro, capoeira e tem até brinquedoteca para crianças.

Marinheiro já viajou à Europa mais de 10 vezes. Numa dessas viagens batizou o filho de Henrique. Teve oportunidades, se fosse de seu feitio, de ganhar dinheiro. Mas os planos de Marinheiro são pela coletividade. Seu ganha-pão ainda é o ofício de salva-vidas.

“Tudo funciona pelo querer e amor ao próximo. Não é discurso bonito, é prática”, diz. São muitos os projetos do centro de cultura precisando de dinheiro. Mas desânimo é palavra que não existe no vocabulário de Marinheiro.

Fonte: http://www.atarde.com.br/cidades

Évora, O Nosso Encontro

Foi com muito prazer que participei nos últimos dias 11, 12 e 13 de setembro, na bela cidade de Évora, na região do Alentejo em Portugal, de um encontro de capoeira muito peculiar e também muito especial. Não por caso, esse evento foi batizado de “Nosso Encontro” e chegou agora à sua décima edição.

São 10 anos de uma idéia que surgiu do Mestre Beija-Flor e tornada realidade através da competência e esforço do nosso querido Mestre Umoi, no qual mestres, contra-mestres, professores, alunos ou simplesmente “capoeiras” de Portugal e de vários países da Europa, se reúnem num local belíssimo, para se confraternizarem, trocarem idéias e experiências, jogar muita capoeira – de todos os estilos e matrizes – fazer samba e enfim, recarregar suas baterias para continuar na luta cotidiana pela preservação e valorização da capoeira, na qual todos ali estão firmemente envolvidos.

Évora é uma cidade muito antiga, com registros no século II D.C., provavelmente fundada pelos Celtas e depois conquistada pelos Romanos, que deixaram ali belíssimas marcas da sua civilização como o Templo de Diana, a Grande Muralha que protege a cidade ou o imponente Aqueduto. Posteriormente foi tomada pelos Mouros e depois reconquistada pelos Cristãos no século XII. A cidade tem algo de especial e logo na chegada, o visitante percebe uma certa “magia” no ar, o que levou o grande escritor português José Saramago a dizer que “…Evora é principalmente um estado de espírito, aquele estado de espírito que, ao longo da sua história, a fez defender quase sempre o lugar do passado sem negar ao presente”.

E é nesse belo e mágico lugar, que todos os anos acontece o “Nosso Encontro”, que além dos mestres que há muitos anos são responsáveis pela disseminação da capoeira em terras européias, teve como convidado especial o Mestre Plínio do Grupo “Angoleiros Sim Sinhô” de São Paulo, que fez uma palestra muito envolvente e esclarecedora, principalmente para os praticantes de outros estilos, sobre o universo da capoeira angola, suas tradições e peculiaridades. E demonstrou também suas habilidades de um bom sambista, entoando pérolas do Samba-de-Roda do Recôncavo Baiano, enquanto tocava o seu pandeiro, regado com aquela boa “espremidinha”, na qual tive o prazer de acompanhá-lo.

Encontros como esse, permitem um interessante diálogo e uma rica convivência entre os participantes, e mais do que isso, permite uma conscientização cada vez maior sobre a importância de se conhecer a capoeira com mais profundidade, de se respeitar sua diversidade, de compreender e valorizar as tradições dessa arte, sem ignorar as transformações pelas quais a capoeira também passa, pois capoeira é cultura e como tudo que é cultura, é dinâmico e se transforma constantemente. Por isso vale aqui lembrar novamente as sábias palavras de Saramago: “…defender o lugar do passado, sem negar o presente“.

Fica aí  a sugestão: em 2010, vamos todos à Évora !!!

Coluna: “Crônicas da Capoeiragem” por Pedro Abib

Mais um envolvente texto da Coluna Crônicas da Capoeiragem, sob a tutela do nosso grande camarada e parceiro, Pedro Abib, enfocando histórias, casos, experiências, opiniões, críticas, enfim, um texto de uma lauda sobre o universo da capoeiragem.

Bahia: Forte protegido

Vigilante, a capoeira tem no Santo Antônio uma espécie de lar com o qual mantém relação de amparo mútuo

“Nasci para ser contestadora”, diz a capoeira, sentada aqui em frente, personificada sobre o banco de madeira no salão que aguarda os pingos de suor se tornarem muitos na roda de logo mais. Ela agora está tranqüila, é mestre Moraes, honra e glória do Forte do Santo Antônio, seu lar. Quase um quartel de convivência naquele quadrilátero que um dia foi erguido para defender a cidade, ocupado por gente que queria manter a arte nobre, negra, necessária para deixar acesa a chama da História da Bahia. Hoje são tempos melhores e o mestre abre o sorrisão durante a conversa. Mas nem sempre foi assim.

O Ato Institucional no5 fazia pipocos ecoarem pelas avenidas, mas Pedro Moraes Trindade estava em alto-mar, na viagem entre a sua terra e o Rio de Janeiro, o fuzileiro naval segue para fazer curso pela Marinha. Na recém-destituída capital federal, iria dar seqüência ao que tinha aprendido anos antes, nas ruas ocupadas por prostitutas e meliantes. Era ali, em uma portinha original de um casarão remanescente, no Largo do Pelourinho, 17, na academia do mestre Vicente Ferreira, o Pastinha, hoje restaurante do Senac, que os mestres João Grande e João Pequeno o ensinaram a voar no molejo da luta batizada com aquele país irmão-colônia. “Mas lá no Rio ninguém conhecia Angola”, reverbera, indignado, com o estilo que o acompanha até hoje. A solução foi passar o conhecimento, estava formado o primeiro grupo para fluminenses, que começaram a perceber que a Bahia é mais África do que aparenta. O som do berimbau no clube Gurilândia, escola primária de classe média, ecoava em Botafogo.

O AI-5 pára tudo no país, mas ela avança. E já em 80, ainda no Rio, mestre Moraes funda o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho, o GCAP. “Não me interessava perder a identidade com as minhas origens”, diz como quem dá um martelo, marca terreno. Três anos depois, volta às raízes e busca, em Salvador, um espaço para dar continuidade ao grupo. É o pós-ditadura, o recomeço.

O forte é legal, é mais ou menos perto do velho largo, mas está repleto de moradores de todos os becos imaginários, verdadeiros sem-tetos que ocupam e fazem a história em Salvador. Ainda assim, foi entrando. “A escola funcionava ali em cima, era o lugar de mestre Ezequiel antes de ele morrer”, aponta para o céu, na direção do antigo primeiro andar, onde existiam celas, derrubado na mais recente reforma do espaço, motivo de controvérsia, conforme dito.

A situação era difícil. “Teve dia de eu entrar aqui e o tiroteio começou a acontecer”, lembra ele, resistente.

Abandonado, o forte vivia ao léu, não havia chaves para trancar o portão principal. Cada um tinha a da sua cela, da sua sala.

A essa altura, já havia acontecido a transferência dos presos, realizada em 1978, para o Presídio Regional, no bairro da Mata Escura. O Estado inicia as investidas, como uma batalha na qual, dessa vez, o forte não é parte na contenda, e sim, o objeto a ser conquistado. Em 80, é feita a proposta de transformar o forte em centro de cultura popular, sob o projeto do arquiteto Paulo Ormino. No ano seguinte, são iniciadas as obras de limpeza e reparo para o centro, que não vinga.

E os anos passam. Ilê Aiyê deixa a senzala do Barro Preto e ali faz os ensaios. Grupos de rock encontram no lugar palco bom para shows. Antes, o bloco carnavalesco Os Lord’s também ensaia para, na época, os três dias de Carnaval. A capoeira dali não sai, sempre à espreita, vigilante. Assiste a tudo, certa. “Foram cortadas água, luz, não tinha segurança. E a gente segurou a onda”, orgulha-se o mestre Moraes.

Em 97, surge novo projeto que tenta transformar o forte em casa das filarmônicas. Após o início das obras, são descobertos elementos de valor arquitetônico, como a cisterna que hoje ocupa o centro do pátio. Nova paralisação dos trabalhos.

A bandeira angolana, pregada que está no teto do salão, começa a tremular justamente quando acontece a virada da história da capoeira no Forte de Santo Antônio. Finalmente, as tratativas são iniciadas com a Secretaria de Cultura para transformar o lugar em forte da capoeira, em 2004, ano em que Moraes, multi-artista, concorreu ao Grammy – um dos prêmios mais importantes da música mundial –, com o disco Brincando na roda. Dessa vez, as obras seguem em ritmo alucinante para, no final do ano passado, estarem prontas.

Nesse ínterim, nem tudo são flores. Relações tensas nasceram naturalmente. E briga boa é com ela. Quiseram criar crachás para quem fosse jogar no forte. “Dizer quem é quem? Para um capoeirista? Todos são capoeiristas e basta”, esbraveja o mestre. “Ela não é para ser vista como folclore. Ela questiona a postura do poder”, abre a meia-lua inteira, sopapo, ele que é professor da língua inglesa, na rede estadual de ensino médio e fundamental, além de mestrando em história social na Ufba, o que o também credencia para aqui falar o idioma da sua gente, vencedora.

E ao lado de Moraes, no salão ali ao lado, está o mestre João Pequeno de Pastinha, o discípulo nonagenário. Completou no último dia 27. A dupla da salvação. “Se não fossem esses dois capoeiristas, o forte já estaria destruído”, altiva a voz outra personificação. Agora, estamos no vale que um dia foi palco de manifestações do candomblé, terreiro famoso, lá está outro adepto. José Leal trabalha hoje na Cesta do Povo do Ogunjá e traz na lembrança aquelas recordações de quando ficou à frente das obras para a recuperação do forte como o burocrático gerente de patrimônio imobiliário do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac). “Eram diversas famílias entre drogados, homicidas, prostitutas, traficantes e alguns por necessidade que ocupavam o local”, lembra. “Algumas famílias tiveram indenização pecuniária, enquanto outras foram relocadas para outras partes da cidade”.

Leal informa que o forte encontra-se situado na área poligonal traçada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o tombamento do Centro Histórico de Salvador. “Lá é o ponto limítrofe”, explica ele, que participou das terceira, quarta e quinta etapas de reforma do Pelourinho.

Recorda de dois grandes aprendizes e braços-direitos do mestre Pastinha. João Pequeno e João Grande, que resolveu mudar de ares e hoje está na Califórnia, nos Estados Unidos. De Pequeno, reverencia-o como o pioneiro no espaço ao fundar, em 1982, o Centro Esportivo de Capoeira Angola (Ceca). “Tudo aquilo ali é fruto da capoeira, ela e o forte historicamente se complementam”, diz.

O mundo também é uma roda. Jogam capoeira aproximadamente oito milhões de pessoas no mundo em mais 180 de países. Só na rede mundial de computadores, já são mais de três mil sítios.

O entusiasmo cresce. A idéia é criar uma forma compartilhada de gestão entre o Estado e a Capoeira, com maiúscula mesmo, elevada à condição agora oficial de transformadora da sociedade. E recrudescem os esforços para que ele se torne uma política pública, independente do governo que esteja aí. “É uma obrigação constitucional preservar a memória de um povo e a capoeira está nesse contexto”, advoga Leal.

Existem ainda propostas nobres a serem postas em prática como a preservação da biriba, árvore da qual se faz o berimbau. “Se não for dela, o instrumento é falso”, determina.

A agora vibração está presente ao falar dos mestres que hoje dão seqüência à arte e à luta dos irmãos Moraes e João Pequeno: Curió, Boca Rica, Nenel. E, claro, dos trabalhos de reforma.

“Eram mesmo lendas as histórias de túneis que ligam o forte de Santo Antônio ao do Barbalho e para o Comércio, que teriam sido feitos pelos jesuítas, não tem nada lá.”, esclarece. “E a cisterna descoberta tem autonomia para até 750 mil litros de água”. E conclui, conclamando: “a capoeira não aceita tutela, ela parte para o confronto. Que agora é o político”.

De volta ao forte, em uma confortável sala recém-inaugurada na antiga administração, sente-se o choque térmico com o ar-condicionado trabalhando bem. O atual gestor do lugar, Magno Neto, representante da Secretaria da Cultura, rabisca as prováveis futuras atrações do Santo Antonio, que não se resumirão à capoeira. “Vamos fazer alguns shows aqui, mas nada muito pesado, algo mais intimista para preservar o lugar”, adianta.

A presença constante de um representante do Estado dentro do forte é algo novo. E, antes de se ajustarem – capoeira e o Poder Público, – tensões se formam. Os capoeiristas ainda não engoliram a rusga criada no último 20 de novembro, dia da Consciência Negra. Com uma programação definida, com várias rodas para comemorar a data, receberam ofício 48 horas antes solicitando que a programação fosse suspensa para que fosse realizada uma premiação de uma regata internacional que acabava de acontecer. “Foi um desrespeito e não mudamos nada”, reclama o mestre Moraes. Os dois eventos aconteceram simultaneamente.

Um mês depois, a paz está selada. Ou não, pode ser apenas uma trégua. E a renovação é necessária e aí gritam lá do largo perguntando ao seu vigia se o espaço está aberto à visitação.

Resposta afirmativa, lá vem curioso o carpinteiro Leonardo Cruz, já sem as mãos dadas com o filho Júnior, 9 anos. Pára na cisterna recém-descoberta, espia as grandes fechadas que dão acesso aos salões. “Quero que meu filho seja capoeirista”, diz ele. “Já joguei muito, gostava daquela capoeira malandra”, sorri.

A noite chega. Com ela, mestre Moraes.
O Forte de Santo Antônio terá ainda muitos anos de vida.

Fonte: Correio da Bahia, Brasil – http://www.correiodabahia.com.br

Roda de Rua ou Roda na Rua?

Nesta crônica o autor apresenta ponto de vista sobre a utilização dos termos “roda de rua” e “roda na rua”
A Verdadeira Roda de Rua
Roda de rua ou roda na rua?
Miltinho Astronauta
Jornal do Capoeira – maio/2005

É comum nas entrevistas realizadas por algumas revistas especializadas perguntar-se, em certo momento, se o interlocutor freqüenta Roda de Rua. O mais curioso é que, sem pensar duas vezes, a resposta é unânime:
“Claro que sim… com muita freqüência…
Em toda cidade que eu passo sempre participo de rodas de rua…”
Alguns chegam a dizer que viajam pelo mundo inteiro – Europa, Japão, Estados Unidos, Noruega etc – sempre participando de “Capoeira de Rua”. Ao que lhes pergunto: será que eles estão falando de “roda na rua” ou “roda de rua”? Existe uma (não tão) suave diferença essas duas condições.
Até onde a história demonstra, Roda de Rua é aquela que acontece tradicionalmente em locais públicos, sem vínculo direto com grupos, academias ou associações. São ambientes aonde capoeiras errantes vão se achegando, ninguém sabe quem vem da onde, pra que veio e o que acontecerá durante a Roda. Não se usa uniformes, tampouco regras pré-estabelecidas, sendo que a o único preceito a ser seguido é – ou pode ser – a ética da malandragem, o fundamento da mandinga e a astúcia de um bom Capoeira.
Roda na Rua, por outro lado, acontece geralmente entre mestres e alunos de grupos conhecidos, todo mundo uniformizado, simulando, muitas vezes, as condições de uma academia convencional, chegando, às vezes, até ter árbitros apitando para início e fim de jogo. Seria como se em um sábado à tarde, calor forte, um grupo convoca seus alunos, todos bem alimentados, bem trajados, escolhem uma praça, chamam dois ou três amigos, armam o berimbau e pronto: ai está o exemplo de uma roda na rua.
Quase ia me esquecendo: instrumentos e capoeiras seguem, geralmente, de carro, não tem que pegar trem, tampouco ônibus, pois a praça não é tão longe, mas se pode chegar melhor – e impressionará mais – chegando “montado”. Vez ou outra, integrantes de algum dos grupos, ou amigos visitantes, se empolgam quando vêem uma bela moça passando e, sem pensá nem imagina, resolvem mostrar serviço. Daí para um golpe com conseqüências maiores é um pulo – valendo ressaltar que, geralmente, o capoeira que sofre a pior é o mais fraco e menos experiente. Quando um dos alunos sofre um acidente, alguém, de pronto, grita:
“Eu não falei que Roda de Rua é perigoso”
(ou seria roda na rua?)

Vamos agora dar dois bons exemplos e Capoeira de Rua, ou como queiram chamar Roda de Rua de verdade.
1. A Roda de Rua da República, São Paulo
Na Praça da República, centro de São Paulo, desde as décadas dos 50/60 acontecia Capoeira de Rua da melhor qualidade. O auge da República, salvo engano, foi de meados dos anos 60 ao início da década dos 80. Neste momento (anos 80), as academias já estavam estabelecidas, diversos mestres já formados e ensinando de forma sistematizada, quando a Capoeira de Rua deixa de ser alternativa socialmente interessante para os grupos. Não era interessante por diversos motivos:
a)      Os mestres não queriam arriscar de seus alunos apanharem em rodas perante o publico assistentes;
b)      Os alunos dos grupos próximos à região central, muitas vezes de classes mais favorecidas econômico-socialmente, não se consideravam preparados para entrar em rodas de capoeiras errantes.
Mas, ali na República, e também na Praça da Sé e alguns outros pontos turísticos e populares da região central, acontecia Capoeira da melhor qualidade. Naquelas rodas não tinham representantes de academias ou grupos. Tinha-se, na verdade, um conjunto de Capoeiras que ali se encontravam, informalmente, para testarem suas Capoeiras – alguns eram especialistas em outras lutas e artes marciais. Outros ali se apresentavam para vadiar, ou para matar a saudade da Capoeira de sua Terra-Natal.
A nata da Capoeira Paulista, na sua maioria vinda do Rio ou da Bahia, se reunia para brilhar no Palco da República. Diversos capoeiras fizeram-se, ou foram imortalizados, naquelas rodas de rua: Paulo Limão, Djamir Pinatti, Miguel Machado, Paulo Gomes, Zé de Freitas, Brasília, Silvestre, Suassuna, Ananias, Joel, Gilvan  e muitos outros.
2. Roda de Rua de Caxias – Rio de Janeiro
Uma outra roda de rua internacionalmente conhecida é a Roda de Caxias, mais especificamente na Praça dos Pacificadores, Rio. Não é raro ali acontecer, além de muita capoeira, alguns “mini-congressos” entre os mestres e praticantes apaixonados pela arte.
Já estive vadiando por aquelas bandas, e o capoeira, para por ali chegar, tem que se garantir no jogo, na manha, na mumunha, e no ritual de uma capoeira cheia de malicia e malandragem, onde tudo mundo joga e se deixa jogar. É um lugar onde é bom ter noção de uma cantiga especial de Capoeira:
“Pisa caboclo
Quero ver você pisa
Pisa lá qu´eu piso cá
Quero ver você pisa”
Mestre Russo e seus discípulos do Grupo Kosmo Capoeira (Gato Félix e Uso, apenas para citar dois excelentes alunos), todos os domingos, estão com os instrumentos aquecidos para a Capoeira que acontece à tarde, não raramente passando pela noite adentro. Além de Mestre Russo, muitos outros mestres se achegam para vadiar e comandarem, juntos, aquela Roda de Rua! Mestres Casquinha, Levi, Camaleão, Marrom, Formiga, Angolinha, Bába são alguns dos grandes Capoeiras que por ali aportam – ou já aportaram. Seguramente Mestre Arerê – atualmente comandando rodas mensais espetaculares no Circo Voador, Lapa, todo segundo domingo do mês – certamente deve ter sua passagem registrada por aquela roda.
Para não ser injusto, cabe também  lembrar que Mestre Pedrinho de Caxias – o apelido já diz tudo! – foi “criado” naquela roda, e hoje mantêm seu “Terreiro Mandinga de Angola” (TMA) com representações na Argentina, México e alguns outros paises Latino-Americanos.
A própria Bahia mantém algumas rodas de rua que merecem ser conhecidas pelos capoeiras interessados. Mestre Dominguinhos, angoleiro formado por Mestre Jequié (discípulo de M. Paulo dos Anjos), conta diversas façanhas do valente e saudoso Mestre Dois de Ouro que, em termos de capoeira de rua, não deixava nada a desejar. O próprio Mestre Lua Rasta, discípulo de Mestre Canjiquinha, também organiza uma excelente roda de rua no Terreiro de Bogum.
Certamente, depois desta nossa crônica, alguns jovens mestres deixaram de dizer que vivem em rodas de rua, ao perceberem que roda de rua e na rua não é a mesma coisa.
“Uma capoeira
Que valia ouro
Que saudades
Do Mestres Dois de Ouro”
Miltinho Astronauta

Apulcro de Castro nos Pasquins

Além das maltas, há indícios de outras formas coletivas de organização dos capoeiras, nos instantes finais da escravidão no país. Observa-se, por exemplo, nítida aproximação entre capoeiristas e abolicionistas no depoimento do jornalista Carl Von Koseritz (Imagens do Brasil, publicado na Alemanha em 1885) ao comentar o linchamento do negro Apulcro de Castro, proprietário do pasquim de escândalos Corsário:
 
"(alguns dias depois do linchamento) ao cair do crepúsculo, grandes quantidades de capoeiras (negros escravos amotinados) e semelhantes ‘indivíduos catilinários’ se reuniram na praça de São Francisco e começaram, ali e na rua do Ouvidor, a apagar os bicos de gás, e, logicamente, a destruir os lampiões, enquanto gritavam alto e bom som "Viva a Revolução" (…) o Rio tem nos seus capoeiras um mau exemplo e deles se aproveita a propaganda revolucionária dos abolicionistas, sublevando os homens de cor pela morte do negro Apulcro (…)."

Mestre Traira

Mestre Traira
José Ramos Do Nascimento, Capoeira de fama na Bahia, marcou época e ganhou notabilidade ímpar na arte das Rasteiras e Cabeçadas. Nodisco fonográfico, produzido pela Editora Xauã, intitulado "Capoeira" – hoje uma das raridades mais preciosas para os estudiosos e adeptos desta Arte – tem presença marcante envolvendo a todos os ouvites. Sobre a beleza e periculosidade do seu jogo, assim se referiu Jorge Amado: "Traíra, um cabloco seco e de pouco falar, feito de músculos, grande mestre de capoeira. Vê-lo brincar é um verdadeiro prazer estético. Parece bailarino e só mesmo Pastinha pode competir com ele na beleza dos movimentos, na agilidade, na rigidez dos golpes. Quando Traíra não se encontrana Escola de Waldemar, está ali por perto, na Escola de Sete Molas, também na Liberdade". Mestre Traíra também teve importante participação no filme "Vadiação", de Alexandre Robatto Filho, produzido em 1954, junto aos outros grandes capoeiristas baianos como Curió, Nagé, Bimba, Waldemar, Caiçara, Crispim e outros."
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Literatura de Cordel – Zumbi e o quilombo de Palmares

HISTÓRIA DE ZUMBI E OS QUILOMBOS DOS PALMARES
Desde do princípio do mundo
que existe escravidão
e a África forneceu
de negros grande porção
todos vendidos no mundo
pra aumentar a produção.
Além de escravizarem
os índios tão cruelmente
e o pobre negro também
pacífico e obediente
que trabalhava obrigado
ao chicote e à corrente.
Os negros eram vendidos
como qualquer animal
pra trabalhar nos engenhos
fazenda ou canavial
para manter dos senhores
a riqueza colossal.
Negro não falava alto
e não tinha garantia
tinha somente o dever
de trabalhar noite e dia
sem sossego e sem descanso
na maior selvageria.
E ali não se indagava
se eram seres humanos
reinava o preconceito
dos senhores desumanos
que castigavam os escravos
com castigos mais tiranos.
Não acreditavam que
escravo tinha coração
separavam pais e filhos
a irmã e o irmão
sem a menor piedade
sem dó e sem compaixão.
Mas tudo tem seu limite
e assim pôde chegar
o momento que os negros
não puderam suportar
a dor e o sofrimento
e começaram alarmar.
Começaram dando gritos
de revolta e ironia
e na hora que encontravam
facilidade fugia(m)
internavam-se no mato
durante a noite e o dia.
Mas isso adiantava
muito pouco aos escravos
porque os seus senhores
com os seus jagunços bravos
traziam como se os pobres
fizessem grandes agravos.
Até que chegou o dia
de um a um entender
que uma só criatura
nada podia fazer
e muitas pessoas unidas
lutando têm que vencer.
Começaram fugir em grupos
todos espertos e atentos
fugiram para as florestas
formavam agrupamentos
pra ver se um dia acabavam
com seus grandes sofrimentos.
Destinados a todo custo
enfrentarem uma desgraça
e só por meio desse grupo
é que resistiam à caça
que os senhores faziam
por vingança e por pirraça.
A esses agrupamentos
davam o nome de quilombos
andavam juntos iguais
a revoadas de pombos
e quem enfrentava a eles
saía de lá aos tombos.
E houve muitos quilombos
de Norte a Sul do Brasil
tinha um mais resistente
perigoso e mais sutil
alcançou mais longa vida
e heroismo a mais de mil.
E mais de 50 anos
este quilombo durou
e durante este período
o governador lutou
junto aos fazendeiros
e nada disto adiantou.
Por mais de 30 quilombos
o Palmares era formado
medindo umas 30 léguas
de matas por todo lado
com cerca de 30 mil
pessoas era habitado.
Palmares tinha seus reis
um rei pra cada cidade
mas havia o rei dos reis
Gangazumba na verdade
esse vivia em Macacos
capital da majestade.
Cercado dos seus ministros
que lhe davam bons conselhos
pra falar com Gangazumba
só se falava de joelhos
um homem de pele preta
de sangue e olhos vermelhos.
Em Palmares havia leis
com ordens e disciplina
um exército fortificado
pra não cair em ruína
e quando morria um chefe
outro assumia a rotina.
Veio muitos lutadores
no tempo dos holandeses
e os negros combatiam
fazendeiros portugueses
nas armadilhas dos negros
os brancos eram fregueses.
Durante uns 50 anos
houve muita guerra fria
negros não tinham sossego
enfrentando rebeldia
em busca da liberdade
lutavam de noite e dia.
Veio Domingo[s] Jorge Velho
e também Gomes Carrilho
enviado dos holandeses
seguindo do bosque o trilho
os escravos brigavam unidos
tio, sobrinho, pai e filho.
1655
data de muita esperança
quando os escravos lutavam
sem ter ódio e sem vingança
a fim duma liberdade
que quem luta sempre alcança.
Todos escravos lutavam
sem se arredarem dali
dizendo ao inimigo
se for forte venha aqui
e nesse ano nasceu
o futuro chefe Zumbi.
Num dos 20 mocambos
daquela localidade
do quilombo dos Palmares
terra da Felicidade
nasceu Zumbi a esperança
de toda comunidade.
Comunidades quilombolas
cobertas de matagal
desde a Serra da Barriga
à zona do litoral
até próximo a Garanhuns
sofriam do mesmo mal.
Nesse ano ali chegou
uma grande expedição
mandada contra Palmares
com armas e munição
para vencer os escravos
ou lhes dá voz de prisão.
Mas não puderam vencer
aquela luta renhida
prenderam entre outra presa
uma cria recém-nascida
era o garoto Zumbi
no primeiro ano de vida.
Por incrível que pareça
este garoto foi salvo
por um expedicionário
um soldado alto e alvo
que trouxe o menino e deu
ao padre de Porto Calvo.
E o padre que era humano
de bondoso coração
dispensou ao pretinho
uma amorosa afeição
foi criando e foi-lhe dando
cuidadosa instrução.
Para ser religioso
se dedicou sem porém
aprendeu bem o Latim
e o Portuguës também
e muitas outras matérias
pra ser um homem de bem.
Com 15 anos de idade
o Zumbi abandonou
ao padre de Porto Calvo
para Palmares voltou
e foi legalmente livre
de alegre ele vibrou.
A sua ascensão política
veio na flor da idade
assumiu a direção
de uma comunidade
denominada mocambo
Zumbi foi autoridade.
Zumbi com 15 anos
ainda quase menino
recebeu um grande posto
por capricho do destino
e ficou sendo o maioral
do estado palmarino.
Ele era o chefe máximo
em cima daquela serra
era o grande comandante
feito o ministro da guerra
pra defender sua pele
sua gente e sua terra.
Nesse tempo houve uma série
de derrotas militares
o prestígio de Gangazumba
abalou por todos lares
e Zumbi foi nomeado
comandante dos Palmares.
Naquele mesmo tempo
Zumba foi assassinado
pelas mãos de seus ministros
isto assim foi comprovado
e Zumbi assumiu o posto
que Zumba havia deixado.
Com a morte de Gangazumba
as pazes foram frustradas
com o poder colonial
e Zumbi sempre às caladas
planejava uma guerra
com o povo de mãos armadas.
E Zumbi logo tornou-se
um "revolucionário"
formou uma ditadura
executou os falsários
os aliados de Ganga
que lhe seriam contrários.
Fortificou os principais
mocambos destes lugares
transferiu populações
com seus planos militares
e 10 anos moveu guerra
no quiombo dos Palmares.
Essa guerra era implacável
ao poder colonial
Zumbi era o comandante
com sua força brutal
em busca da liberdade
para seu povo em geral.
Atraiu o inimigo
com sua força sensata
e levou as suas tropas
para a Zona da Mata
e os negros ali faziam
verdadeiro mata-mata.
E faziam nas fazendas
uma rápida invasão
com suas tropas armadas
e levou à perfeição
a tática de Gangazumba
para ser mais valentão.
Ele se valia das
manobras e emboscadas
fazia espionagens
aparições inesperadas
e com isso todas tropas
inimigas eram lesadas.
Zumbi enfrentava a luta
sem desânimo nem fadiga
findou atraindo as tropas
para Serra da Barriga
a capital fortificada
contra as forças inimigas.
E ali enfrentou mais forte
a força colonialista
que era irregular
comandada pelo paulista
Domingos Jorge Velho
que não saía da pista.
Domingos Jorge que veio
junto a seus militares
infligir uma derrota
lutando junto a seus pares
previa ver uma queda
definitiva em Palmares.
Palmares era protegido
por uma forte barreira
uma muralha segura
de pedra, barro, madeira
e nem um tropa inimiga
rompia aquela trincheira.
Jorge Velho descobriu
que a muralha era cercada
por valados e estrepes
não permitindo a entrada
e foi procurar um meio
pra fazer sua cilada.
E assim aconteceu
numa noite de neblina
ele achou a solução
pra sua fúria ferina
levantando outra muralha
pra ver a carnificina.
Levantou a contramuralha
feita em diagonal
que esta lhe protegesse
do fogo do seu rival
na madrugada atacou
com o seu bando infernal.
Ele atacou com as armas
com o ódio e a vingança
nos combatentes palmarinos
ele fez grande matança
matou também as mulheres
animais, velho e criança.
Zumbi tentou escapar
num valado descoberto
e Deus protegeu a ele
dando-lhe o caminho certo
quando morreu encontrou
o caminho do céu aberto.
E Domingos Jorge Velho
o diabo carregou
botou ele nas profundas
nunca mais ele voltou
o branco ruim foi ao inferno
o preto bom se salvou.
O Estado palmarino
desta vez foi destruído
vamos dá viva a Zumbi
o herói preto e querido
que viveu sempre em guerra
pra ver seu povo abolido.
Agora falo no índio
que primeiro habitou a terra
a terra pertence a ele
mas seus direitos se encerra
e para ele viver hoje
é preciso fazer guerra.
Índio não tem egoísmo
nem luxo nem vaidade
ele precisa viver
na sua propriedade
e não viver como escravo
sem calma e sem liberdade.
Quando o índio está sofrendo
nem um branco lhe socorre
nas armas dos brancos ricos
sempre um pobre índio morre
enquanto o sangue do índio
na veia do branco corre.
Zumbi morreu sendo herói
recordista Brasileiro
venceu 40 batalhas
no tempo do cativeiro
e seu nome se registrou
na bola do mundo inteiro.
O índio vive na terra
honesto a sua pureza
não tem maldade consigo
mas vive na incerteza
lutando pelo que é seu
dado pela natureza.
Assim como o negro um dia
recebeu a liberdade
vamos deixar que o índio
viva em paz e à vontade
que ele é um ser humano
sem ter ódio e sem maldade.
Aqui eu termino os versos
de Zumbi o veterano
que enfrentou o exército
do governo pernambucano
e hoje é considerado
o herói alagoano.
Resta saber quem me ajuda
neste livro que escrevi
contando as fortes batalhas
do nosso herói Zumbi
que se fosse vivo hoje
estava com nós aqui.
(Em O cordel; testemunha da história do Brasil. Rio de Janeiro, Fundação Casa de Rui Barbosa, 1987. Literatura popular em verso, antologia – nova série, 2)