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Quilombos, terreiros, juventude e alternativas para erradicação da pobreza e desenvolvimento sustentável

O lugar das práticas culturais afrodescendentes e os modelos de desenvolvimento que delas se originam, funcionando como alternativas para a erradicação da pobreza e a preservação do meio ambiente. Este foi o eixo do diálogo promovido pela Fundação Cultural Palmares na tarde do último sábado (16), na programação da Rio+20, no Galpão da Cidadania, um dos espaços preparados pelo Ministério da Cultura, na Zona Portuária da capital fluminense.

Para favorecer o tom mais informal, o diálogo foi organizado no estilo de talk show, para o qual foram convidadas personalidades expoentes nos temas diversidade, justiça social e exclusão – atributos diretamente relacionados à população e à cultura afro-brasileira. Assim como no debate sobre a Convenção 169 da OIT, realizado pela manhã, o público superlotou o auditório. Quilombolas, indígenas, lideranças jovens discutiam sobre as práticas culturais tradicionais, não ocidentais e não eurocêntricas como elementos que merecem lugar acentuado na definição de sustentabilidade. Também entraram em pauta as ações efetivas que são necessárias para promover justiça ambiental em favor desses grupos populacionais.

Quilombos e terreiros – Constituídas sobre o legado dos negros escravizados no Brasil, seja sob o aspecto familiar ou religioso, as comunidades remanescentes de quilombos e os terreiros religiosos de matriz africana tradicionalmente primam pelo respeito à natureza e, consequentemente, pela sua conservação. Valores associados à economia e ao mercado vêm se incorporando à discussão ambiental. Apesar da pouca visibilidade, não são poucos os produtos, espalhados pelo país, gerados a partir de práticas ancestrais. Um simples exemplo foi apresentado por Maria Rosalina dos Santos, que trouxe para a Rio+20 sabonetes de aroeira produzidos em sua comunidade quilombola no Piauí. Esta e outras práticas têm potencial estratégico para a redução da pobreza, com impacto expressivo sobre as relações comerciais que envolvem serviços e bens culturais.

Como destaca o presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, os quilombos e terreiros são segmentos com pouco acesso a bens culturais e econômicos, mas também os que menos agridem o meio ambiente.

Juventude – Na linha de frente do “rolo compressor desenvolvimentista” e das desigualdades sociais para as quais uma conferência como a Rio+20 busca resoluções, são os jovens que sofrem os efeitos mais perversos. Os impactos sobre a juventude abrangem oportunidades de educação e trabalho, atividades produtivas sustentáveis, participação comunitária e fragmentação identitária, e os resultados variam entre dependência química, perda do vínculo com seu território, êxodo rural, expropriação, perda da cultura e identidade, violência social e de gênero.

Os participantes do debate foram praticamente unânimes em apontar que a padronização de espaços e territórios, simbolizadas por usinas, minerações e monoculturas, por exemplo, resultam em injustiças ambientais, o que significa riscos e danos para as camadas sociais mais vulneráveis, que, assim, não só são excluídas do que se propõe como desenvolvimento, como também capitalizam os ônus decorrentes.

O Talk Show da FCP teve como moderadora a coordenadora municipal de Igualdade Racial em Guarulhos (SP) e especialista na implementação da Declaração e Programa de Ação de Durban, Edna Roland. Como demais convidados, participaram o professor Robert Bullard, da Texas Southern University Houston (EUA); Tânia Pacheco, da Fiocruz; Maria Rosalina dos Santos, vereadora quilombola do Piauí; babalaô Ivanir dos Santos, do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas – CEAP; e Bruno Pinheiro, da Rede de Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade – Rejuma.

Por Jacqueline Freitas
Com colaboração de Daniel Brasil

http://www.palmares.gov.br

Mestre de Capoeira Marajoara fala sobre cultura afro-brasileira no japão

Nesta primeira viagem ao Japão, Bira Marajó falou a estudantes universitários sobre os projetos mantidos pela Associação Cutimboia (Pará), e jogou capoeira com os japoneses

O jogo começa cadenciado com um canto que quase sempre fala da escravidão. Assim é o estilo de Angola, muito próximo de como os negros escravos jogavam a capoeira. Além de história, hoje ela carrega projetos sociais. “A gente não trabalha só a movimentação do corpo, que dá a estética na visão externa. OS elementos que existem na capoeira fazem a gente estudar um pouco da história, de onde a gente veio, onde estamos e para onde vamos”, explica o mestre Bira Marajó.

Através da capoeira de Angola, ele ajuda as comunidades quilombolas, formadas por descendentes de escravos, que no passado fugiram dos engenhos para formar pequenos vilarejos.

A oficina de capoeira é uma parte do trabalho. “Eu acredito muito na capoeira, no trabalho que a gente vem fazendo, na socialização, lição de vida, espírito, respeito e meio-ambiente também”, conta. As crianças aprendem a fabricar seus próprios instrumentos e recebem lições de preservação do meio ambiente e respeito aos mais velhos.

Nesta primeira viagem ao Japão, Bira Marajó falou a estudantes universitários sobre os projetos mantidos pela Associação Cutimboia, e jogou capoeira com os japoneses. “Quando a gente vê eles praticando, a gente não consegue ver uma diferença, a gente consegue ver uma integração só. Eu quando estou aqui, na prática da capoeira, é como se estivesse no Brasil”, finaliza. Ele também deve participar de uma oficina para crianças brasileiras neste domingo, dia 17. Começa 12h30 no prédio Lounge de Tsurumi, em Yokohama, Kanagawa.

http://www.ipcdigital.com

Uma rasteira na obesidade

Emagrecer. Este é um dos objetivos de muitas pessoas que procuram à capoeira, especialmente mulheres. E não é à toa.

A eficiência da Capoeira no emagrecimento é comprovada e a modalidade já é recomendada inclusive em revistas e sites voltados ao público feminino, como Boa Forma, Cyber Diet e Dieta Nunca Mais.

Uma das atividades físicas mais completas, a Capoeira inclui em seus treinos exercícios aeróbicos, anaeróbicos e alongamento, queimando de 500 a mil calorias em uma hora, dependendo da intensidade do treino, fortalecendo a musculatura e modelando o corpo.

E os ganhos vão muito além da estética. A capoeira melhora a postura, a flexibilidade, a resistência cardiovascular e respiratória, o equilíbrio, os reflexos, estimula a auto estima, entre outros benefícios.

Tudo isso de uma forma agradável, em um ambiente animado pelo som do berimbau, do pandeiro e atabaque, que aumenta o pique de qualquer pessoa.

Links:

Boa forma: http://boaforma.abril.com.br/tv-boa-forma/fitness/capoeira-186b5e1502467ee25f620ce1eeab7958.shtml

CyberDiet: http://cyberdiet.terra.com.br/cyberdiet/colunas/010423_fit_capoeira.htm

Dieta Nunca Mais: http://www.abril.com.br/blog/dieta-nunca-mais/2010/02/ficha-tecnica-dos-exercicios-emagrecedores-que-nunca-saem-de-moda/

Portais da Moda:  http://www.portaisdamoda.com.br/noticiaInt~id~19804~n~lutas+sao+uma+opcao+de+exercicio+para+emagrecer+neste+verao.htm

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Bahia: Grupo de capoeira desenvolverá atividades ambientais

Salvador – Aliar capoeira a educação ambiental. Este é o objetivo da parceria entre a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e o Grupo de Capoeira Ginga e Malícia. Com duração de três meses, o convênio vai permitir ao grupo – que atua há 18 anos com aulas de capoeira – desenvolver atividades socioambientais para jovens e crianças do Engenho Velho da Federação e bairros vizinhos.

De acordo com Valcir Batista Lima, conhecido como Mestre Marinheiro, o objetivo é despertar nos jovens a importância da preservação do meio ambiente através da capoeira.

“A idéia é retirar eles das ruas e integrá-los a uma iniciativa para que tenham noções básicas de educação ambiental. Preservar o meio ambiente é uma base para o viver. Quem cuida garante uma qualidade de vida melhor”, expressou Mestre Marinheiro, fundador do grupo de Capoeira Ginga e Malícia.

No grupo, a produção do berimbau – instrumento básico da capoeira – é feita pelos próprios jovens. Segundo Marinheiro, a biriba é a melhor madeira para fabricação do berimbau e é no Recôncavo que se encontra a de melhor qualidade.

Por conta disso, ele pretende expandir a iniciativa para a região. “No local, a procura pela madeira é grande e as pessoas irão entender a importância de retirar e manusear a madeira de forma correta, sem provocar agressões ao meio ambiente”, disse.

Segundo Tatiana Matos, assessora especial da Sema, o objetivo pretendido pelo convênio é formar uma consciência socioambiental junto à comunidade do Engenho Velho da Federação e bairros vizinhos.

Instrumento de educação – Criado em 1992 pelo Mestre Marinheiro, o grupo de Capoeira Ginga e Malícia, além da capoeira, disponibiliza em sua sede aulas de capoeira, teatro, inglês, artes plásticas, e artesanato, além de palestras educativas.

De acordo com o Mestre Marinheiro, a proposta é democratizar o acesso ao conhecimento, trabalhar a cidadania, disciplina, companheirismo e envolver crianças e adolescentes em atividades socioeducativas. Na sede, são ministradas ainda aulas de informática para as crianças do Engenho Velho e bairros vizinhos.

Fonte: http://www.jornaldamidia.com.br

Tres Lagoas: Esporte e meio ambiente apresentados em praça pública

A Praça Senador Ramez Tebet foi palco de evento voltado para o esporte e meio ambiente, numa parceria da Escola de Capoeira Atleta do Bem e Secretaria da Juventude, Esporte e Lazer (Sejuvel). Conforme o professor Mário Márcio, organizador do evento, no sábado (14) foram entregues 400 mudas de plantas às pessoas que estiveram curtindo o logradouro.

Ainda segundo ele, escolas da cidade foram visitadas, onde o principal tema abordado foi a preservação do meio ambiente nos próprios estabelecimentos de ensino.

Por volta das 16 horas de sábado, uma árvore foi plantada na Circular da Lagoa, simbolizando o esporte local. “Temos que ter consciência de que o meio ambiente concorre para que tenhamos saúde para praticarmos esportes”, comentou Mário Márcio, acrescentando que o professor de capoeira Riskin, do Pantanal, se encontra na cidade para ministrar um curso na modalidade.

Mestre Adelmo e Curso de Emboscadas em São Paulo

As emboscadas de mestre Bimba , que aconteciam nas matas da "chapada do rio vermelho" era uma  verdadeira guerra, verdadeiro treinamento de guerrilha… o aluno que estivesse sozinho, tinha que lutar até quanto pudesse e depois  correr, saber correr, correr para o lado certo … era como se fosse uma briga de rua, só que muito pior, pois todos adversários eram exímios capoeiristas…
sabiam bater, derrubar  e ainda traziam  cassetetes à mão, cassetetes estes feitos por Bimba, de gomos de bananeira, não machucavam mais ardiam pra valer…
 
Nunca vi o mestre explicar este treino…
 
Quando perguntei o objetivo, ele apenas riu e disse: "calma Itapoan a fruta só da no tempo…"
 
César, Raimundo Itapoan, O Perfil do Mestre pg. 53; 1982 Bahia-Brasil
Acredito que a emboscada dentro de um ambiente rural, matas cercas e rios  ou valas ajuda o capoeirista amadurecer um sentimento de alerta . A surpresa da tensão emocional de adentrar num ambiente hostil sozinho e sabendo que vários outros capoeiristas estão escondidos a sua espera com cassetetes, onde seu único recurso é correr e se esquivar o que dá ao participante uma perspectiva de como o negro escravo se sentia quanto era caçado e acuado pelos capitães de mato.
 
Mestre Pastinha em sua infinita sabedoria já dizia: o "capoeirista tem que se calmo" eis um dos segredos dos benefícios da emboscada, a busca pelo controle emocional  Na roda de capoeira é um "contra" o outro , ou melhor, um pelo outro , na emboscada são vários 5,10 contra um. Agilidade, sangue frio, determinação e são exigidos ao Maximo do participante, alem é claro e toda sua capacidade cardiovascular!
 
Pois bem, boa sorte…você vai precisar.                                                                                                         
 
Mestre Adelmo
 
 
Regras:
 
Os bastões são confeccionados pelo Mestre Adelmo  seguindo regras de segurança.
 
Os botões são chamados de carinho de Bimba. Ou botões de Bimba. No final o  resultado é o mesmo.
 
Todos os integrantes são denominados de quilombolas que estão no primeiro posto chamado de Senzala (lugar de escravidão).
 
Sua finalidade é fugir da Senzala e chegar ao quilombo posto principal e destino dos homens livres.
 
Só que entre a Senzala e o quilombo existe a vala, a mata onde se da a emboscada. Os capitães de mato se escondem no caminho a espera do quilombola para então o surpreender.
 
Na emboscada não se agarra não se da golpes nem desequilibrantes (na época de mestre Bimba estes elementos existiam) para preservar a integridade física do participante.
 
A intenção maior do capitão do mato na embosca é fazer com que o quilombola desista de sua fulga e retorne a senzala.
 
Não se bate no rosto. Nos homens mira-se mais nas costas e pernas, nas mulheres  procuramos ter o cuidado de mirar mais as pernas , pois sendo de constituição mais frágil, seus braços podem ficar marcados ou ate com hematomas podendo causar constrangimentos perante a família, amigos e no trabalho.
 
Do investimento: Cada participante devera investir R$ 8.00 . Se desejar  a camiseta do evento será R$ 20.00
 
Da arrecadação: Ficara a equipe da Rabo de Arraia , a cargo da arrecadação do investimento que devera ser feito por cada um dos integrantes.
 
Da Produção: Os bastões serão feitos e supervisionados pelo mestre Adelmo. Ficaram armazenados na loja RABO DE ARRAIA ate o dia do evento.
 
Do evento: A disposição dos participantes  será organizados pela partes envolvidas e distribuídos através do ambiente a ser usado.
 
Dos participantes: As inscrições são limitadas (60 inscritos)
 
Todos deverão fazer uma previa inscrição.
 
No dia marcado todos deverão fazer o reconhecimentos do ambiente.
 
Não haverá individualismo, o trabalho em equipe é a meta principal.
 
Não haverá ressentimento, estaremos revivendo uma cultural ancestral, criada por mestre Bimba.
 
Os mestres e lideres poderão optar em passar ou não pelos caminhos da EMBSOCADA.
 
Todos participantes deveram estar  de calca jeans (de preferência) calcado ante derrapante e qualquer acessório de proteção, luva, capacetes cotovelera etc.
 
O clima do dia do evento não interferira no andamento,sol ou chuva só trarão mais elementos positivos para o evento.
Mestre Adelmo e Curso de Emboscadas em São Paulo
 
Boa sorte e viva a cultural do Brasil
 
Mestre Adelmo

Crônica: Capoeira, uma escola de cidadania.

A Capoeira no processo de educação…
 
{curveimage}Em 1990, um acidente de automóvel consumiu 2 meses no hospital e quase 1 ano de fisioterapia. Conforme indicação médica iniciei na Capoeira em 1992, após finalização do processo de reabilitação. Acreditava-se que uma das pernas, devido à atrofia muscular, seria menor que a outra… Enfim, dei a volta por cima, e em 1994 fui convidado pelo Mestre a ajudá-lo em suas aulas… Em 1998, iniciei a primeira participação voluntária… na Associação do Bairro Granja Verde, em Betim, Região Metropolitana de Belo Horizonte… A Capoeira realmente é envolvente… em ambiente hóstil, onde o tráfico de drogas e a violência fazia parte do cotidiano daquela comunidade…
 
A Capoeira veio como processo educacional. Visualizei alguns benefícios. Entretanto, ainda era jovem para definir um rumo ao projeto adotado. Em 2002, as crianças tornaram-se parte em minha vida, 2 vezes por semana, realizava trabalhos em escolas infantis e desenvolvi uma metodologia para adequar minha "curva de aula" ao ambiente. Devido à dedicação à Ciência Contábil me afastei. Passei então a me dedicar à pesquisas e fóruns sobre Capoeira, quando fui convidado para ser da equipe Portal Capoeira, atualmente a maior divulgadora da Capoeira na Internet.
 
 Há 2 anos sou voluntário do Projeto Escola Aberta, juntamente com um amigo que também é professor de Capoeira. A Capoeira no processo educacional, o esporte-cultura-lazer, a amizade, a importância, a história, as tradições, o crescimento intelectual… sobre relatos, sou uma prova viva… muitos amigos voltaram-se ao tráfico… ao crime… e assim, à morte… posso dizer, sem sobra de dúvidas, que a Capoeira me fez ser uma pessoa melhor… o que sou hoje devo a Capoeira… e esse amor que sinto pela Capoeira que expresso à todos os participantes quando leciono…
 
Hoje, acredito que minha participação no projeto já forma bons frutos… e que devo continuar semeando, plantando outras sementes, propondo a amizade, respeito e união… em outras comunidades… A Capoeira é uma escola de cidadania…
 
Axé…digo… Força… continuamos rumo ao social!!!!
 
 
Túlio Henrique Tubarão 
Estudante do Curso de Graduação em Ciências Contábeis, Professor de Capoeira e Colaborador do Portal Capoeira
Belo Horizonte  – MG

CAPOEIRA ANGOLA: Uma discussão sobre turismo e preservação de recursos naturais

CAPOEIRA ANGOLA: UMA DISCUSSÃO SOBRE TURISMO E PRESERVAÇÃO  DE RECURSOS NATURAIS A PARTIR DE TRADIÇÕES CULTURAIS


Rosa Maria Araújo Simões
Professora do Departamento de Artes e Representação Gráfica – FAAC – Unesp/Bauru
Doutoranda em Ciências Sociais – UFSCar
Membro do LEL-UNESP/Rio Claro
Orientadora: Profa. PhD. Marina Denise Cardoso
Av. Eng. Luís Edmundo Carrijo Coub, s/n – Bauru/SP – CEP 17033-360
(DARG/FAAC/UNESP)
[email protected]

 

Introdução 

A roda de capoeira angola é um processo ritual1 do qual se apreende um sistema de valores que aponta para uma cosmovisão sobre a relação homem-ambiente (capoeirista-roda).
A partir dos objetos utilizados (instrumentos musicais), da música produzida, dos movimentos corporais e do próprio significado da roda (que representa ‘O mundo velho de Deus’), o presente trabalho objetiva ilustrar, por um lado, a lógica subjacente a tal manifestação a partir de discursos de seus guardiães (mestres de capoeira angola da cidade de Salvador – BA) e apontar diferentes significações e/ ou re-significações ao considerar, por outro lado, os discursos de turistas em Salvador que, quando questionados sobre o que é a capoeira afirmam: ‘capoeira é um folclore da Bahia’, ‘é uma luta baiana’, ‘uma dança africana’, ou ainda, quando abordados no Mercado Modelo e questionados sobre o porque de seu interesse pelo berimbau, respondem que é para dar de presente como lembrança da Bahia, ou, para enfeitar a parede de sua sala etc. Assim, no que diz respeito à produção de instrumentos musicais, por exemplo, podemos citar a técnica de extração da biriba, madeira utilizada para a confecção de um ‘bom berimbau’. A percepção estética de grandes mestres de capoeira, não só relacionada a uma audição aguçada para a afinação do instrumento, mas também para a plasticidade do mesmo, os permitem salientar a diferença existente entre o berimbau para turista, vendido, sobretudo, no Mercado Modelo e utilizado como objeto de decoração e/ou lembrança da Bahia e o berimbau utilizado na roda (objeto ritual).
 

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