Blog

análise

Vendo Artigos etiquetados em: análise

De São Gonçalo – Rio de Janeiro (Brasil) a Espanha: a volta do mundo de Cinzento

Quer ser universal, fale de sua aldeia – dizia o poeta russo León Tolstoi. Cinzento segue essa sugestão. Ao escrever “Interpretando a capoeira”, verdadeiro e inédito estudo semiótico da capoeira, ele foi buscar no seu torrão natal, a cidade de São Gonçalo (Rio de Janeiro), as lições para entender e explicar os signos, ícones e símbolos da capoeira. Assim, o autor fez das lições dos velhos mestres do subúrbio fluminense a sua água de beber.

Numa análise apurada, Cinzento, pisa firme na literatura de capoeira, recorrendo aos referenciais teóricos da Semiologia para interpretar a liturgia, o ritual e os fundamentos da capoeira. Ao analisar o “jogo da capoeira dentro do sistema nervoso”, o autor mergulha com coragem no terreno da neurolinguística e nos lega uma verdadeira pérola teórico- metodológica, que ajuda capoeiristas e pesquisadores a compreender significados, ícones e símbolos da capoeira:

“O lado esquerdo do cérebro sabe situar-se dentro do tempo do jogo e procura situações seguras. Já o lado direito abstrai-se do tempo e gosta de se arriscar. Para o hemisfério direito não existe a expressão “perder tempo”. O esquerdo costuma imitar, representar, fingir; o direito é criativo e autêntico. É o que é. Por ser racional e crítico, o lado esquerdo do cérebro não se aventura a criar, inventar, sonhar. Prefere a segurança do conhecido, do lógico, do aceito pela sociedade capoeiristica em que vive. Já o lado direito solta a imaginação, viaja pelas asas do sonho, cria, inventa, recria e assume ser livre”.

Na análise de Cinzento, mitos vão se desmanchando no ar, como tudo que é sólido, pois como ele próprio diz, significante e significado não tem relação estática. Ao contrário, quando interpreta a realidade, um estudioso acaba por modificá-la, pois a própria interpretação é um processo dinâmico que distorce e/ou modifica a realidade, podendo aumentar, diminuir ou acrescentar alguma coisa ao significado anterior:

“A capoeira é momento e lugar, método e estilo, estratégia e destreza, história e hipótese, perceptível sobre distintos planos de análise interpretativa”.

Então, partidário de uma capoeira laica, Cinzento ajuda-nos, com sua lucidez, a dar rasteira em paradigmas já superados na capoeira, onde para ele, não há verdade única. E, com coragem, dá rasteira em mitos:

“Afora o aspecto místico, fazer o sinal da cruz não é certo nem errado e pode ser positivo em determinados momentos, basta que uma pessoa tenha crença nele. Mesmo assim, interpretamos que o sinal da cruz está claramente conectado com a religião e não com capoeira”.

Muitos aspectos descritos neste livro são fruto das inquietudes do estreante autor, que aqui organizou suas idéias com o intuito de responder as dúvidas frequentes expressadas por seus alunos brasileiros e europeus.

Para o autor, nem todo discurso é falso, assim como nem tudo é verdadeiro e válido para a capoeira, porque cada geração exige um comportamento único do capoeirista. Por isso, a única forma possível de verificar a verdade da capoeira é interpretando cada geração capoeirista dentro de seu tempo correspondente. E é justamente isso, aponta, que faz a capoeira seguir viva e sui generis, em plena época de massificação cultural provocada pela globalização e pelo processo da revolução científico-tecnológica que está em curso.

Para Cinzento, a internacionalização da capoeira é prova de que ela se alastra em processo de simbiose e multiculturalidade:

“O jogo pode sofrer mudanças em seu ritmo por meio dos estímulos externos da roda (toques ou a canções). E ele é vivido por muitas culturas dentro de uma mesma localidade ou país, cada um com seus valores, costumes e estilo”.

A obra, ao esclarecer dúvidas, tem caráter para-didático, pois, longe de estabelecer novas controvérsias na seara já complexa e multifacetada da capoeira, busca, ao contrário, diminuir a confusão teórica em torno dos mitos, rituais e símbolos da capoeira. “Interpretando” tem valor histórico e talvez não seja, ainda, um clássico na interpretação semiótica da velha e boa “arte da malandragem”. Mas é, com certeza, um manifesto em defesa da capoeira e dos capoeiristas:

“Neste jogo que imita a vida, além de termos um coração que pode sentir a música, é primordial uma mente e um olho que saibam evoluir de oitiva para absorver as informações de um círculo mágico chamado roda. Uma alma que saiba cultivar as emoções e mãos que possam tocar um instrumento com discernimento e sabedoria para impulsionar o jogo dos camaradas com motivação”.

Diagnosticar e valorizar a trajetória da capoeira, principalmente o seu nascimento é, de alguma maneira, dar continuidade à interpretação reflexiva daqueles que foram, em sua geração, imprescindíveis para a mesma. É entender que os problemas que encontramos hoje em dia dentro dela não surgem do nada, mas sim da atitude do próprio capoeirista. Portanto, este trabalho tem como ponto de partida o entendimento capoeirístico que o escritor construiu durante sua trajetória e com uma enorme preocupação com futuro das próximas gerações.

“Interpretando a Capoeira” é uma ferramenta que ajudará o capoeirista, o orientador e o educador desta crescente arte e, principalmente, aos jovens, a entender as interpretações, o marco e as micro e macro-estruturas organizativas e ideológicas da capoeira. Cinzento ainda não recebeu a corda preta de Mestre Guigui, seu mano de sangue e pai na capoeira. Mas ao nos brindar com essa obra de valor inestimável já é mestre que dá lição.


O Livro será lançado no “Pernada Carioca”, encontro internacional de capoeira realizado na cidade de Valência-Espanha pela Aluá capoeira.

 

Pernada Carioca 2013

O encontro além de ser uma forma encontrada para homenagear a capoeira praticada antigamente pelos mestres do Rio de Janeiro, é também uma forma de despertar a curiosidade de todos em relação a capoeira carioca e a sua mutação até os nossos dias contemporâneos.

Completamente diferente dos anos anteriores, este ano, o encontro terá a abertura feita no dia 26 de abril com vários representantes da capoeira que darão workshops e a finalização no dia 28 do mesmo mês com a celebração do batizado e troca de cordas, e um espetáculo dirigido a todos os públicos da capoeira e simpatizantes de nossa arte.

O encontro conta também com a apresentação e lançamento oficial do primeiro livro de uma trilogia “Interpretando a Capoeira” do mestrando Cinzento (presidente fundador da Aluá). Por uma parte o livro é fruto de uma investigação transcultural, e por outra, nele, o jogo da capoeira é explicado mediante processos psicofisiológicos.

Aluá capoeira acredita que com um evento dessa magnitude, a capoeira na cidade de Valência sempre será bem vista e digna de receber seu valor como arte marcial brasileira.

Fluxos e refluxos da capoeira. Brasil e Portugal gingando na roda

A revista Análise Social n.º 174 inclui um artigo de José Luiz Cirqueira Falcão, investigador do Centro de Desportos da Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil), que desenvolveu um estudo sobre as dinâmicas culturais e intercâmbios de práticas de capoeira entre o Brasil e Portugal. O autor analisou experiências da prática e do ensino de capoeira em Portugal, dando-nos conta de uma diáspora da capoeira brasileira e da existência de fluxos e de trajectórias migratórias associados à prática da capoeira enquanto forma específica de inserção laboral. Disponibiliza-se aqui o resumo deste artigo.
 
Análise Social, n.º 174, Vol. XL, Primavera de 2005
Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS/UL)
Fluxos e refluxos da capoeira. Brasil e Portugal gingando na roda
José Luiz Cirqueira Falcão
 
Resumo
 
"Neste artigo analisamos os fluxos e refluxos da capoeira entre Brasil e Portugal, evidenciando os deslocamentos, a complexidade e a dinamicidade deste processo. O carácter conflituoso das relações inter-étnicas construídas por meio de práticas culturais significativas consolida a formação de processos identitários que articulam o geral com as singularidades locais, com sujeitos dirigindo e buscando o sentido às suas próprias vidas, ainda que submetidos aos condicionantes estruturais que influenciam as produções culturais específicas."
Mais informações sobre outros números da Revista Análise Social disponíveis em  http://www.ics.ul.pt/publicacoes/analisesocial/index.htm

Seminário Análise Conjuntural – Direitos das Crianças e Adolecentes

 
Convite

 

Seminário Análise Conjuntural
“15 Anos de Luta pela Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente”
 
O Fórum de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do DF convida para o Seminário Análise Conjuntural “15 Anos de Luta pela Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente”, a realizar-se no dia 13 de julho de 2005, às 9:00 hs, no Auditório da Legião da Boa Vontade, Quadra 915 Sul, Lote 75/76  Brasília/DF.
 
Solicitamos confirmar presença nos telefones (61) 3347 8524, ou por e-mail: forumdcadf@terra.com.br.
 
Programação:
9:00    Abertura
9:15    Conferência Magna “ Conjuntura dos 15 Anos de Criação do Estatuto da Criança e do Adolescente”
10:00  Desafios para Implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente no âmbito do Congresso Nacional
10:30  Coffee Break
10:45  Avaliação da Implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente no olhar dos Jovens
11:45  Posse do Fórum DCA-DF
12: 15 Encerramento      
 

Gilvan Alves de Andrade

Secretário Geral