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João Pequeno foi para Terras de Aruanda

“Quando eu aqui cheguei, a todos eu vim louvar…”

Deve ter sido assim que mestre João Pequeno de Pastinha cantou quando chegou em terras de Aruanda, lugar mítico, para onde se acredita vão os mortos…que nunca morrem…como se crê em África !

Assim como João cantou tantas vezes essa mesma ladainha, onde quer que chegava para mostrar sua capoeira angola aos quatro cantos desse mundo … êita coisa bonita de se ver ! O velho capoeirista tocando mansamente seu berimbau e cantando…dando ordem pra roda começar. Os privilegiados que puderam compartilhar com João Pequeno esses momentos, sabem bem do que estou falando.

Foram 94 anos bem vividos. Aposto que daqui não levou mágoa, não era de seu feitio. Inimigos também não deixou, sua alma boa não permitiria. Partiu como um passarinho, leve e feliz, como vão todos os grandes homens: certeza de missão cumprida.

Deve estar agora junto de seu Pastinha, naquela conversa preguiçosa, que não precisa de muita palavra, que só os bons amigos sabem conversar. E seu Pastinha deve estar orgulhoso de seu menino. Fez direitinho tudo que ele pediu: tomou conta da sua capoeira angola com toda a dignidade, fazendo com que ela se espalhasse mundo afora. A semente que seu Pastinha plantou, João soube regar e cultivar muito bem. Êita menino arretado esse João Pequeno !

Nunca foi de falar muito. Só quando era preciso. E nessa hora saía cada coisa, meu amigo ! Coisa pra se guardar na mente e no coração. Mas muitas vezes falava só com o silêncio. Do seu olhar sempre atento, nada escapava. Observava tudo ao seu redor e sabia a hora certa de intervir, mostrar o caminho certo, quando achava que o jogo na roda tava indo pro lado errado. Até gostava de um jogo mais apertado, aquele em que o capoeira tem que saber se virar pra não tomar um pé pela cara. Mas só quando via que os dois tinham “farinha no saco” pra isso. João nunca permitiu que um jogador mais experiente ou maldoso abusasse de violência contra um outro inexperiente ou mal preparado.

Quando tinha mulher na roda então, aí é que o velho capoeirista não deixava mesmo que nenhum marmanjo tirasse proveito de maior força física ou malandragem pra cima de uma moça menos avisada no jogo, coisa comum na capoeira que é ainda muito machista. A não ser que ela tivesse como responder à provocação na mesma moeda. E era cada bronca quando via sujeito tratar mal uma mulher na roda, misericórdia ! Afinal, ele sempre dizia que “a capoeira é  uma dança, então como é que você vai tirar uma mulher pra dançar e bater nela ?“. Não pode !

A simplicidade, a generosidade, a humildade, a paciência, a sabedoria, a fala mansa e contida, sem necessidade de intermináveis discursos de auto-promoção, eram as características mais notáveis de João Pequeno, próprias de um verdadeiro mestre. Muito diferente do que se vê na grande maioria dos mestres da atualidade, diga-se de passagem, que auto-proclamam sua importância para a capoeira, que fazem e acontecem… que batem no peito e falam, falam, falam.

Nesses quase 20 anos de convivência muito próxima a João Pequeno, tive o privilégio e a oportunidade de aprender algumas das mais caras (e raras) lições de vida e humanidade, que jamais teria aprendido em qualquer universidade, nem sequer poderia obter através de algum diploma qualquer que fosse. Esse homem analfabeto que nunca frequentou os bancos da escola, foi responsável por um legado de ensinamentos que orientam milhares e milhares de pessoas em nosso país e também no mundo todo, que reconhecem o valor de João Pequeno como um dos mais importantes mestres da cultura popular e da tradição afro-brasileira de todos os tempos.

João Pequeno representa a voz de todos os excluídos, marginalizados, oprimidos que através da capoeira encontraram uma forma de lutar e resistir, manter viva a tradição de seu povo e dar legitimidade a uma cultura que foi sempre perseguida e violentada nesse país. O velho capoeirista soube conduzir muito bem sua missão de liderança, responsável pela recuperação da capoeira angola a partir da década de oitenta do século passado, quando após a morte do Mestre Pastinha, se encontrava em franca decadência. Quando se instalou no Forte Santo Antonio em 1981, João iniciou a partir de sua academia um movimento importantíssimo de revalorização da capoeira angola, fazendo com que ela se difundisse e se consolidasse como expressão da tradição popular afro-brasileira, presente hoje em mais de 160 países.

Mas João Pequeno nunca precisou ficar afirmando isso por aí, nem tampouco dizer da sua importância para a capoeira. João é considerado um dos grandes baluartes da capoeira angola, mas ele nunca saiu proclamando isso para ninguém. Na sua humildade nos ensinou que o reconhecimento de valor do mestre tem que vir dos outros, da comunidade da qual faz parte e nunca do próprio discurso muitas vezes carregado de vaidade e arrogância. João simplesmente jogava e ensinava sua capoeira. E por isso era grande !

E de lá, das terras de Aruanda continuará a iluminar os caminhos de todos nós.

João Pequeno não morreu !

por Pedro Abib

discípulo do mestre João Pequeno

 

Dica do Editor:

Portal Capoeira recomenda uma visita: 
Mestre João Pequeno de Pastinha

Nota de Falecimento: Mestrando Provolone

 

A Federação Alagoana de Capoeira – FALC – Vem por meio desta, informar o Falecimento de Jorge Lourenço dos Santos, 32 anos- Mestrando Provolone – Da Associação de Capoeira Guerreiros de Aruanda, residente na cidade de Luziápolis – Alagoas.

 

O falecimento ocorreu após acidente de moto na cidade de Luziápolis – Alagoas.

 

 

O Mestrando Provolone iniciou a prática da Capoeira em 1996 com o Mestre Metralha em Santa Barbara do Oeste – São Paulo. Em Alagoas, começou a ensinar capoeira em 2002 na cidade de seu nascimento, dividindo a responsabilidade do grupo, aqui em Alagoas, com o Contra-Mestre Ceará e Instrutor Alemão.

 

 

Aos seus familiares, alunos, professores e Mestre da Associação Guerreiros de Aruanda o nosso pesar e profundos sentimentos.

 

A Capoeira de Alagoas perde um excelente capoeirista, ser humano e cidadão.

 

 

Marco Baiano

Presidente da Federação Alagoana de Capoeira – FALC

Capoeiras de Olímpia se apresentaram na Argentina

Grupo ‘Guerreiros de Aruanda’, do mestre Zé Kokão, esteve em Puerto Iguazu

O grupo de capoeira “Guerreiros de Aruanda”, do mestre Zé Kokão, participou do encontro de capoeira realizado na cidade de Puerto Iguazu, na Argentina. Os capoeiristas olimpienses levaram para a região da tríplice fronteira a capoeira regional praticada no município. O evento permitiu a troca de experiências e vivências com representantes de outros países presentes no encontro.

A delegação brasileira, que integrou o grupo “Guerreiros de Aruanda”, contou ainda com a participação do mestre Metralha, organizador dos eventos regionais no Brasil e responsável pela organização do encontro na Argentina.

José Roberto Pimenta, batizado mestre Zé Kokão, mostrou uma capoeira com seus métodos típicos, em especial o acompanhamento do berimbau, porém com técnicas mais direcionadas ao esporte, cuja categoria já está inserida nas competições oficiais dos jogos Regional e Aberto.

Essa prática tem em sua base os mesmos elementos e símbolos, porém se diferencia dos fundamentos da capoeira tradicional, trazida da Bahia e originária de uma cultura de resistência dos brasileiros negros escravizados, conhecida como capoeira Angola. Inúmeros eventos estão agendados para este ano nas cidades de Jales, Bebedouro e Monte Alto, onde acontecerão os encontros regionais.

O grupo ainda representará Olímpia, em junho, no Mato Grosso do Sul, em julho, em Americana, em setembro, no Paraná, outubro, em Rondônia, novembro, em Bebedouro e Monte Alto, e em dezembro acontece o encerramento das atividades da capoeira em 2009, com o “brasileirão”, que reúne praticantes da maioria dos estados e alguns países convidados.

O Carimbó e o Mestre Verequete

Um homem simples, de chapéu na cabeça e voz firme se transforma em rei quando está em meio a tambores, numa roda de carimbó. Esse é Augusto Gomes Rodrigues, o Mestre Verequete, ícone da cultura paraense.

No próximo dia 15, nessa sexta feira, Tv capoeira (Instituto Jair Moura) exibirá o documentário chama Verequete falando sobre Carimbó com comentários do historiador Luis Augusto Leal….
 
Contamos com a presença de todos.

 

O CARIMBÓ E O MESTRE VEREQUETE

O termo "carimbó" aparece em seus primeiros registros como o nome de um instrumento musical de percussão. Sua definição mais antiga consta no Glossário Paraense de Vicente Chermont de Miranda, publicado em 1905. Conforme Chermont, o carimbó seria um “tambor feito de madeira oca e coberto, em uma de suas extremidades, por um couro de veado”. Tal definição, ainda hoje, serve para explicar o formato do instrumento e apresentar suas principais características.

No entanto, a palavra carimbó, na atualidade, significa muito mais do que apenas o nome do tambor. Abrange, na verdade, todo um conjunto musical que vai do instrumento à dança. Corresponde a um tipo de manifestação específica de algumas áreas do Pará e mesmo do Maranhão. Ele se caracteriza pela utilização de dois tambores (carimbós), que deram nome à música e à dança, além de outros instrumentos próprios como a onça (nome local dado à cuíca), o reco-reco (instrumento dentado feito de bambu), a viola, etc. Também se conhece uma variante musical do carimbó que possui o mesmo nome (chamado de “carimbó eletrônico”), mas que, ao invés da marcação rítmica com os tambores característicos, utiliza uma bateria eletrônica e guitarras.
 
Augusto Gomes Rodrigues – mestre Verequete nasceu em um lugar conhecido por "Careca" que fica localizado próximo à Vila de Quatipuru, no município de Bragança, em 26 de agosto de 1926. Seu pai, Antônio José Rodrigues, era oficial de justiça, marchante de gado e músico. Sua mãe, Maximiana Gomes Rodrigues, faleceu quando Verequete tinha apenas três anos de idade. Tal acontecimento antecedeu a primeira migração de Verequete para outro município. Ele, juntamente com seu pai, passou a residir no município de Ourém. Aos doze anos de idade mudou-se sozinho para Capanema, onde trabalhou como foguista, e em 1940 chegou a Belém, indo morar em Icoaraci (antiga Vila de Pinheiro). Neste período, Verequete trabalhou como ajudante de capataz na Base Aérea da cidade e subiu de posto até chegar a ser ajudante de agrimensor. Quando deixou de trabalhar na Base, Verequete exerceu outras atividades para garantir sua subsistência. Foi arremate de vísceras, açougueiro, marchante de porco e outros, no entanto a experiência de trabalho na Base Aérea marcaria para sempre sua vida, pois foi durante este trabalho que ele perdeu seu nome original (Augusto Gomes Rodrigues) e passou a ser identificado como Verequete. Por trás deste nome tão diferente existe uma história muito interessante que pode ser contada pelo próprio Augusto Gomes Rodrigues, ou Verequete. Uma história que ele não se cansa de contar:

 
Eu gostava de uma moça; então ela me convidou para ir ao batuque que eu nunca tinha visto. Umas certas horas da madrugada o Pai de Santo cantou "Chama Verequete". Eu era capataz da Base Aérea de Belém, na época da construção, cheguei na hora do almoço e contei a história do batuque… Quando acabei de contar, me chamaram de Verequete.

Chama Verequete, ê, ê, ê, ê
Chama Verequete, ô, ô, ô, ô
Chama Verequete, ruuuum
Chama Verequete…
Chama Verequete, oh! Verê
Oi, chama Verequete, oh! Verê
Ogum balailê, pelejar, pelejar
Ogum, Ogum, tatára com Deus
Guerreiro Ogum, tatára com Deus
Mamãe Ogum, tatára com Deus
Aruanda, aruanda, aruanda, aruanda ê
Mandei fazer meu terreiro
bem na beirinha do mar
mandei fazer meu terreiro
só pra mim brincar
 
Augusto Gomes Rodrigues - Mestre Verequete

 

Fonte: Instituto Jair Moura e Overmundo 

Paraná: Professores querem acabar com “picaretagem” na capoeira

Aconteceu em Guaraniaçu no último dia (15) a Oficina de Capoeira promovida pelo grupo Guerreiros de Aruanda. O evento contou com a presença de 50 alunos dos municípios de Guaraniaçu, Campo Bonito e Diamante do Sul que tiveram orientação do professor “Contra-Mestre Coringa” de Engenheiro Beltrão-PR. Segundo o professor Sidnei Ramos “Tangerina” coordenador em Guaraniaçu e região o objetivo é promover além da confraternização o aperfeiçoamento. “O evento foi gratuito aos participantes, que puderam aperfeiçoar as técnicas, através de palestras, apresentações e rodas”, explicou Tangerina.
 
O grupo Guerreiros de Aruanda conta com 55 alunos com idade a partir dos seis anos sempre objetivando o bom caráter destes alunos. “Nosso principal objetivo é levar os jovens e adolescentes para o caminho certo, evitando o contato com a marginalidade e as drogas”, disse Tangerina. Paranaense No próximo dia 23 de julho os professores Sidnei “Tangerina” e Luciano Rodrigues “Timão” estarão participando do Paranaense de Capoeira que será realizado em Paranavaí-PR. A intenção é buscar novas técnicas. “O aperfeiçoamento é o principal objetivo com este paranaense. Nosso objetivo é acabar com a picaretagem da capoeira na região”, finalizou Sidnei.