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Opinião: Capoeira Capitalista

Dia destes um companheiro propôs reflexão sobre ter lá a Capoeira se transformado numa vergonha, a Capoeira capitalista.
Achei interessante a proposta de reflexão, embora a frase não se possa aplicar a toda Capoeira, mas sim a grandes porções dos estilos hoje massificados, a Angola, Regional e Contemporânea-Senzala. Sei bem que a caracterização desses estilos ainda não foi empreendida, mas, afora diversos outros itens, a simples observação das respectivas gingas, fornecerá elementos para considerá-los estilos massificados. Devo acrescentar aqui que massisficação em si não considero defeito.

Voltando ao ponto, a Capoeira de hoje é capitalista, sim, mas qual o significado disto? Porque agora essa novidade de Capoeira capitalista? Está muito custosa, cara, a Capoeira? Estilo novo?

Não! Não! É capitalista não por ser cara, não por ser custosa, mas por reproduzir, timtim por timtim, aspectos fundamentais da ideologia do sistema em que vivemos que não é outro senão o nosso vigoroso sistema capitalista, com todas as suas mazelas e benesses.

E que aspectos ideológicos são esses que a Capoeira capitalista reproduz?

Por exemplo, no sistema capitalista o respeito à autoridade, à hierarquia, é necessário ao funcionamento das instituições, certo? O dono é quem define as políticas do empreendimento.

Pois é, o respeito aos mestres de Capoeira, instrutores, treineís, contramestres, professores, etc, encaixa-se perfeitamente nos ditames daquele respeito à hierarquia. Respeito no sentido de que um manda e os outros obedecem, respeito no sentido de que os supostos saberes dos de hierarquia mais alta prevalecem, necessariamente, sobre a suposta ignorância dos de hierarquia mais baixa.

Essa história vai longe, se quisermos. Por exemplo, vez por outra são colocados alguns assuntos em votação nos grupos de Capoeira. Isto certamente que dá a eles alegre cunho democrático. Certo! E o que faz o sistema capitalista no Brasil? Mantém milhares de casas legislativas para, de maneira semelhante àquela, decidir democraticamente sobre assuntos de interesse das pessoas.

Para não me alongar muito, ficam aqui duas sugestões e um resumo.

Que cada um procure descobrir aspectos mórbidos típicos do sistema capitalista, e verifique a presença desses aspectos nos grupos de Capoeira que conhece.

A outra sugestão, e sei que não é fácil, é cada um colocar em prática ações não reprodutivas da ideologia do sistema, sem, contudo, bater de frente com as demais instituições apoiadoras da Capoeira e do sistema.

O resumo é que a Capoeira da atualidade vem funcionando como fiel reprodura das relações sociais correntes na sociedade, e aqui se incluem a exploração do trabalho alheio, autoritarismos, formas de distribuição de benefícios, escamotear a divulgação de contas, descasos diversos com as pessoas, etc. Certamente, não é essa a Capoeira que queremos.

Mestre Fernando Rabelo – http://capoeiracambara.blogspot.com/

Pesquisa: Incubadora Cultural Gênesis da PUC

Depois de quase tres anos, o camarada Mozart Ribeiro, responsável por um trabalho de pesquisa cujo "target" era a nossa capoeira, acaba de publicar os resultados em seu BLOG: http://www.capoeiristadealma.globolog.com.br.

Mesmo com o atrazo na publicação dos resultados, justificados pela enorme demanda profissional, a pesquisa poderá ajudar a compreender diversas facetas e possiveis mercados para a nossa arte-luta.

PESQUISA

Em 2005 fiz uma pesquisa sobre a capoeira para apresentação de uma trabalho na Incubadora Cultural Gênesis da PUC. A publicação tardia foi por motivos de ordem profissional que me impediram, na ocasião, de dar continuidade ao trabalho de tabulação e análise dos dados coletados. Contudo finalmente pude retormar do ponte de onde parei. Embora tenham se passado três anos é possível verificar que as informações ainda são bastante atuais. Na ocasião algumas pessoas ajudaram na divulgação desta pesquisa que está publicada abaixo, agradeço principalmente ao Mestre Jerônimo Capoeira que divulgou a pesquisa na [email protected] Virtual, ao Vitor Lobisomem e ao Luciano Milani do Portal Capoeira que também deram uma grande ajuda na divulgação.
Confiram!!!

PESQUISA – ANÁLISE RESULTADO

Esta pesquisa foi realizada, no final de 2005, buscando tirar uma “fotografia” da capoeira e dos capoeiristas a fim de entender de maneira bem ampla de que forma esta cultura vem sendo difundida na sociedade. Buscou-se uma abordagem simples e bastante generalizada nas questões elaboradas para termos uma idéia de como poderemos fazer pesquisas futuras.

Apresentação dos Resultados
Os resultados do estudo serão apresentados neste relatório em duas grandes perspectivas:

1. Perspectiva Geral – Análise geral dos dados apurados.
2. Perspectiva por Assunto – Resultados considerando os agrupamento dos assuntos
definidos para a pesquisa:

I) Distribuição geográfica e forma de atuação
II) Origem das informações procuradas
III) Tipo de informações procuradas
IV) Despesa média com produtos relacionados à capoeira

1) PERSPECTIVA GERAL:

A pesquisa foi respondida pela internet por 368 pessoas tanto no Brasil quanto no exterior, com a seguinte distribuição por localidade, sexo e idade

a) Localidade
a1. Brasil – 83% dos que responderam
a2. Exterior – 17% dos que responderam

Comentário: Como a pesquisa foi feita em português estes números refletem mais a realidade dos capoeiristas brasileiros.

b) Sexo
b1. Feminino – 33% dos que responderam
b2. Masculino – 67% dos que responderam

Comentário: A participação do universo feminino já começa a ser significativa em um meio que até alguns anos atrás era predominantemente masculino.

c) Idade
c1. Entre 16 e 20 anos – 11%
c2. Entre 21 e 30 anos – 51%
c3. Entre 31 e 35 anos – 18%
c4. Acima de 35 anos – 20%

2) PERSPECTIVA POR ASSUNTO:

2.1) DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA E FORMA DE ATUAÇÃO

Comentários:
– Pode-se observar uma grande oportunidade para atuação em empresas. Vale lembrar que muitas têm programas de Ginástica Laboral para seus funcionários.
– No Brasil o trabalho em academia é bastante difundido e competitivo e é o mais explorado, já no exterior tem a mesma representatividade que os trabalhos desenvolvidos nas instituições de ensino.
– As aulas em instituições de ensino também vêm ganhando espaço como opção alternativa às aulas em academias.

Vale lembrar que cada local de aula, seja academia, escola ou ong, possui sua especificidade o que exige uma preparação diferenciada do instrutor de capoeira para cada um destes locais.

2.2) ORIGEM DA INFORMAÇÃO PROCURADA

Comentários:
– Hoje como já era de se esperar a grande fonte de busca de informações é a internet, seguida por revistas. As bibliotecas mesmo com o grande acervo histórico que possuem são as menos procuradas.

2.3) TIPO DA INFORMAÇÃO PROCURADA

Comentários:
– Observa-se uma distribuição equilibrada pelos tipos de assuntos procurados com grande destaque para Música seguida por História, educação, Técnicas de treinamento/aulas e somente depois os assuntos relacionados aos Mestres de Capoeira.

2.4) DESPESA MÉDIA COM PRODUTOS RELACIONADOS À CAPOEIRA

Quero lembrar que as informações acima cobrem apenas o universo da internet, o que excluiu muitas pessoas nesta primeira iniciativa. Temos planos de fazer algo mais inclusivo no futuro e espero contar com a colaboração e participação de todos que queiram ajudar.

 

Milani,
 
Após um longo tempo afastado por motivos profissionais estou de volta e como havia prometido estou divulgando o resultado da pesquisa de capoeira que realizei em 2005 e você me ajudou a divulgar. Esta é a primeira – ponto de partida – de muitas outras enquetes que virão no futuro. Criei um blog onde publiquei o resultado do que foi coletado, abaixo segue o endereço do mesmo para divulgação. Espero poder manter contato.
 
Endereço:
 
Obrigado
Mozar Ribeiro.

Capoeira: na essência da informação

É com imenso orgulho e felicidade que nós do Portal Capoeira, site Irmão e parceiro do Jornal do Capoeira (www.capoeira.jex.com.br) publicamos esta  Crônia especial de inauguração do contramestre Eurico para o Jornal do Capoeira, onde o jovem mestre relata de forma apaixonada e integral a sua dedicação e seu respeito pela nossa arte…
O Contra Mestre Eurico está iniciando uma parceria em prol da capoeiragem com o excelente Jornal do Capoeira, que esperamos que seja duradoura e que os frutos sejam suculentos e saborosos!!!
Boa Sorte Eurico, sucesso em sua jornada que esta experiencia de troca e soma possa fomentar a vontade e a "sede" de saber em nossos camaradas.
Aproveitando para agradecer a inclusão de nosso Portal como referencia de Informação e seriedade.
Luciano Milani

Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

Edição 70 – de 23 a 29 de Abril de 2006
 
Nota do Editor:
 
        Há algum tempo que o professor de Educação Física e contramestre de Capoeira Eurico Barreto Viana, do grupo Cordão de Ouro de Brasília, DF, tem acompanhado e contribuído com "releases" para este nosso Semanário Capoeirístico. Neste processo, Eurico e eu passamos a "papoeirar" sobre assuntos diversos envoltos à nossa arte. Fiz o convite para que Eurico passasse a compor nosso time editorial e ele, de pronto, assumiu um dos gungas deste Jornal. O contramestre Eurico assumiu, mais precisamente, uma coluna para escrever sobre assuntos diversos de nossa arte e, é claro, escreverá também um pouco sobre as capoeiras que acontecem em Brasília. Nas próximas edições Eurico escreverá sobre o "Projeto Social Aprendendo com a Cultura Brasileira"; sobre a Capoeira como instrumento de integração social, num contexto de intercâmbio Brasil-Suécia; e sobre a Capoeira como elemento de Educação e Inclusão Social.
        Aos camaradas do Distrito Federal, nosso grande Axé! Ao camarada Eurico, bem vindo à Roda da Informação!
 
            Capoeiristicamente,
 
                    Miltinho Astronauta

Crônia especial de inauguração do contramestre Eurico:

Eurico Barreto Viana
Brasília, Distrito Federal
 – 16 de Abril de 2006 –
Camaradas,
 
É com grande prazer que escrevo ao nosso Jornal do Capoeira. Após acompanhar algumas publicações e receber apoio deste Jornal para divulgação de um evento que realizamos ano passado, passei a acompanhar mais de perto as notícias e artigos publicados no site.
 
Recentemente estive em contato com o Miltinho, e aproveite a oportunidade para parabenizá-lo pelo excelente trabalho em prol da Capoeira. Acabamos por discutir a escassez de periódicos que levassem mais a sério a Capoeira como meio de educação e expressão cultural. Dessa conversa surgiu a idéia de realizarmos uma parceria para noticiar assuntos referentes a esses temas, numa tentativa de incentivar outras iniciativas e a troca de experiências que tanto fortalecem a nossa cultura.
Com a massificação da Capoeira e a reprodução de modelos opressivos, do mais forte contra o mais fraco, veiculados em alguns meios de comunicação, os jovens perdem a chance de se expressar dentro da cultura da capoeira. O que contribui para a perda gradativa de sua cultura de resistência e sapiência popular. A informação veiculada sobre esses aspectos da Capoeira não pode ser igualmente alienada. Faltam-nos periódicos que tratem da capoeira de modo a desfazer este processo adverso que de tempos em tempos se instaura na capoeira.
 
Temos excelentes trabalhos de mestres e pesquisadores que se dedicam a produzir material de qualidade com a esperança de contribuir para o crescimento e evolução da Capoeira. Mas a maioria dos canais de divulgação que atingem o público jovem e disposto a aprender são também desprovidos de integridade no que compete à formação dos referenciais culturais pela experiência e dedicação. Nestes, a capoeira torna-se pouca e a propaganda muita!
 
Apesar de estar havendo uma comercialização de subprodutos atrelados à informação inexpressiva da cultura da capoeira, é possível ter acesso a material de qualidade sem sermos expostos à tanta propaganda! Exemplos disto são portais como o do Mestre Doutor Decânio – Capoeira da Bahia – ( paginas.terra.com.br/esporte/capoeiradabahia ), o Portal Capoeira, Editado por Luciano Milani ( www.portalcapoeira.com ) e este Jornal do Capoeira ( www.capoeira.jex.com.br ), que disponibilizam notícias e textos gratuitamente, incluindo obras completas.
 
Muitos capoeiristas ainda não possuem os recursos que a Internet exige, mas o meio virtual tem sido importante na divulgação da prática e trabalho com a Capoeira. Divulgar trabalhos sérios como o deste Jornal deve ser uma atitude freqüente em prol de uma Capoeira mais inteligente, mais educativa e informativa.
A essência da Capoeira transmitida pelos mestres que fazem desta arte-educação um ofício precisa de mais meios de comunicação para chegar aos vários praticantes e educadores que se formam a cada dia. Veicular esta informação a todos os capoeiras sem perder a qualidade depende de uma estratégia simples!: Tratar da capoeira com o mesmo respeito – sagrado – que os Mestres mais antigos têm, buscando seus fundamentos e filosofia, com ética e cidadania.
 
Através da divulgação de eventos de intercâmbio, aulas práticas, periódicos, portais ou qualquer outra forma de fruição do conhecimento, o importante é que os meios de comunicação possibilitem que todos fiquem em sintonia com os Mestres de Capoeira, com suas agendas de atividades e eventos, com seus objetivos e linhas de trabalho e com sua produção cultural. É assim que ficamos sabendo dos trabalhos sérios que se desenvolvem em cada lugar, através da mídia que possui responsabilidade com o seu público e com o objeto  noticiado.
 
Em Brasília são vários os Mestres que estão trabalhando com artigos, palestras e movimentos de conscientização sobre a Capoeira, seja como instrumento de arte-educação, ou como objeto de pesquisa histórica. Dentre eles podemos citar o Mestre Squisito (Cia Terreiro) que têm batalhado junto ao governo para a implantação do ensino obrigatório da Capoeira em todos os níveis do ensino público e o Mestre Cláudio Danadinho (Fundador do Grupo Senzala) que tem promovido em suas aulas e palestras um conhecimento histórico específico sobre a Capoeira Carioca, o Batuque e os trabalhos dos Mestres Waldemar e Bimba, com os quais conviveu muito em sua juventude. Além destes podemos citar ainda, os bate-papos informais com o Mestre Angoleiro (aluno do Mestre Bimba) que são verdadeiras aulas de cultura popular.
 
Coloco-me, desta forma, à disposição dos camaradas que acessam o Jornal do Capoeira, para discutirmos estes e outros assuntos tão importantes à formação de nossos profissionais e capoeiras juntamente com todos os colunistas e Mestres parceiros deste Jornal. Será um prazer discutir e somar para uma prática mais consciente da Capoeira.
 
Parabéns ao Jornal do Capoeira pelo seu compromisso e qualidade de trabalho com a Capoeira.
Grande abraço e axé a todos os irmãos de jornada!


Contra-Mestre Eurico
O Contramestre Eurico Neto é Professor de Educação Física, com especialização pela Universidade de Brasília. Aluno do Mestre Suassuna, coordena o Grupo Cordão de Ouro em Brasília. Fundou o Instituto Volta Por Cima – Capoeira, Educação e Cultura, através do qual realiza o Projeto Social – Aprendendo com a Cultura Brasileira e o Programa de Intercâmbio Brasil – Suécia. Para mais informações visite www.cordaodeouro.org
 
Academia Cordão de Ouro | Instituto Volta por Cima | CLN 107, Bloco "A", Ap. 208
CEP 70743-510 Brasília DF, Brasil | +55 61  3443.8450 | 8111.0647