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Pernambuco: Roda à Fantasia – Capoeira São Salomão

Em Pernambuco, que é um dos pólos históricos da Capoeira, uma das características dessa manifestação é a ligação dos seus sujeitos com os festejos populares e em especial com o carnaval. O passo do frevo é uma invenção dos capoeiras (conhecidos como brabos e valentões), que a frente das bandas de música desfilavam nas ruas estreitas do Recife. Suas coreografias seguiam o ritmo das marchinhas e dobrados que se aligeiravam e misturadas aos ritmos da moda (habanera, polca, maxixe, entre outros), acabaram por criar uma música própria que fazia o povo ferver (frever).

Música e dança nascem como expressão da liberdade do povo na rua. Sendo assim, nós do Centro de Capoeira São Salomão temos em nosso sangue esse sentimento carnavalesco, por sermos pernambucanos e por sermos capoeiristas.

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Há quatro anos atrás incorporamos em nosso calendário a roda à fantasia que tem a intenção de festejar a festa de momo, ao mesmo tempo que serve como forma de manter as nossas tradições e nossos elos com a ancestralidade da capoeira pernambucana viva e pulsante, que faz o passo no compasso fervente de um ritmo que é nossa marca .

Recife, 07 de março de 2011.

Mestre Mago

Capoeira Gospel

Já faz um tempo que eu queria saber o que é Capoeira Evangélica, mas em uma primeira tentativa, não encontrei muito sobre o assunto. Ao ler alguns dias atrás no site Bem Paraná sobre um encontro de Capoeira Gospel, lembrei dessa curiosidade e fui novamente atrás de informação.

Não encontrei nenhum texto destinado a dizer com todas as letras o que é a Capoeira Gospel, como surgiu e quais suas características, então resolvi eu mesma criar um texto sobre o assunto, o mais esclarecedor possível.

Para isso contei com a ajuda dos mestres Chocolate e Pantera, com quem conversei via e-mail, além de informações espalhadas por esse mundão que é a internet. O resultado vale a pena conferir.

Mas afinal, o que é a Capoeira Gospel?

A Capoeira Gospel, Capoeira Evangélica ou Capoeira Cristã não é um novo estilo de capoeira, mas um movimento de evangelização. Como disse Altair José dos Santos, o Mestre Chocolate, a capoeira é e sempre será capoeira, a forma de uso é que pode ser diferente. Neste caso, trata-se da capoeira que nós conhecemos, usada para os fins cristãos de evangelizar e louvar à Deus.

Não sendo um estilo, também não há como definir características específicas. Cada grupo cristão tem a sua forma de adaptar a capoeira à finalidade de evangelização, alguns de forma mais radical, outros de forma mais cuidadosa, com a preocupação de manter ao máximo as tradições da capoeira, mas sem ferir os princípios religiosos do praticante.

De uma forma geral, as músicas são o principal foco de mudanças, mas enquanto alguns grupos trocam as cantigas de capoeira por cânticos evangélicos, outros apenas excluem da roda músicas que citam santos e orixás. Obviamente não são utilizados sinal da cruz nem qualquer símbolo ritual ao entrar na roda e, em alguns casos, até mesmo as chamadas são evitadas.

História

É difícil definir com precisão quando surgiu a Capoeira Evangélica pois, ao que tudo indica, o movimento não teria originado de um único criador e se espalhado, mas teria surgido e se desenvolvido em locais, grupos e igrejas diferentes, conforme alguns capoeiristas foram se convertendo mas sem abandonar a nossa arte. Uma história nascida da soma de histórias pessoais.

Citado como um dos precursores do movimento pelo site da Eclésia – A Revista Evangélica do Brasil, Mestre Chocolate já era capoeirista quando se converteu em 1988, mas abandonou a capoeira por nove meses pois não via coerência entre o que viveu e o que presenciava no meio da capoeira e a nova vida que estava vivendo.

Mas Mestre Chocolate conheceu o ex-piloto de fórmula 1 Alex Dias Ribeiro, que na época era o líder da Atletas de Cristo, e com ele aprendeu a ver o esporte e a capoeira de uma forma diferente, como um presente de Deus.

No final de 1988, depois de procurar sem êxito algum grupo no Brasil com o qual se identificasse em seu novo modo de vida, começou seu trabalho ensinando capoeira e falando e Deus a garotos rebeldes e drogados.

No início, sem infra-estrutura e enfrentando muitas dificuldades dentro e fora do meio evangélico, mas logo em janeiro de 1989, já com academia, seu trabalho foi oficializado, nascendo assim a Associação de Capoeira Nova Visão.

Por coincidência, foi também em 1988 que José Pereira, o Mestre Pantera se converteu.

Pantera já treinava capoeira desde 1978 no Grupo Angolinha, onde continua até então, mas foi em 1995, graças ao interesse e a curiosidade de amigos evangélicos, que foi criado o Filhos de Jahveh, um núcleo gospel que faz parte do Grupo Angolinha e treina nas dependências da Primeira Igreja Batista de Santo André.

Quem souber mais sobre a origem da Capoeira Gospel ou tiver qualquer informação sobre este movimento, antes de 1988, não pense duas vezes: deixe seu comentário, ou envie via e-mail (capoeiradevenus@gmail.com), para compartilhar-mos conhecimento.

Polêmica

Pelo que pude perceber pesquisando, a Capoeira Gospel vive no meio de um “campo de batalha”, sendo atacada por ambos os lados. Tanto o lado da capoeira, sob acusação de abandono às tradições, quanto pelo lado da Igreja, que ao que me parece pode ser até mais dura.

No site Vivos!, entre definições sobre a capoeira e citações de textos bíblicos se entende claramente uma interpretação de que a Capoeira Gospel estaria fazendo a “comunhão da luz com as trevas”.

Mas a Capoeira Gospel é uma semente plantada que, aos poucos, deve gerar cada vez mais tolerância e respeito entre capoeiristas e evangélicos.

 

Neila Vasconcelos – Venusiana – http://capoeiradevenus.blogspot.com

Crônica: “A Arca da Capoeira”

Ela está com a rampa aberta para você subir!
 
Indivíduos estimulados a agirem sozinhos! Foi assim comigo, contigo e acontece com as mais novas gerações. Lembrem-se das avaliações escolares. Os castigos mais severos recaiam sobre os alunos que mais conversavam. Nossas classes de aulas, ainda possuem cadeiras enfileiradas, isoladas, ou seja, umas atrás das outras. O que se enxerga são as costas de nossos colegas quando deveríamos olhar nos olhos. Fomos, e ainda somos objetos em que se busca o sucesso, o status, e o dinheiro. Desde os primeiros anos na vida escolar, e até nos próprios berços, cercados de “caros badulaques” para que não choremos; o que espera é um cidadão “vencedor” que irá ter um ótimo emprego com altos salários e vivendo todo o capital que Karl Marx já havia previsto.
 
Nas escolas passamos em média 15 anos sentados em um espaço de aproximadamente meio metro quadrado ouvindo, ouvindo e ouvindo. Às vezes falamos, mais aí somos advertidos. Quando estamos prontos para começar a ter o tão sonhado sucesso, viramos máquinas. Máquinas de produzir, bater metas e buscar “benz” materiais. Mercedes-Benz!!! Se for BMW está valendo. Ah, e na maioria dos casos ainda continuamos sentados por mais 30 ou 40 anos. Só iremos levantar quando não temos mais idade nem para caminhar durante dez minutos.
 
Manfred Eigen, Prêmio Nobel de química em 1967, citou em seu livro O jogo: as leis naturais que regulam o acaso, que a sociedade humana organizada seria algo que superaria a individualidade. Não desmerecendo a conquista da individualidade, mas afirmando que é necessário superar o estado atual, autocentrado no indivíduo, para atingir o estado de descentralização, na qual se vive cooperativamente, de modo que o individual jamais é superior ao coletivo, e o coletivo, por sua vez, não suprime o indivíduo. Mas infelizmente não é isso que aprendemos em nossos caminhos cognitivos.
 
E será que é isto que ensinamos enquanto educadores, professores, mestres, doutores e porque não sonhadores? Será que estamos atentos à necessidade do coletivo em contrariedade ao individualismo? Pausa para análise… continuando… Mesmo próximo aos nossos olhares, o treino para vivermos a sós é alimentando fora das escolas e das salas,ou melhor; “senzalas de aula”. Os alunos passam boa parte de seu tempo fora das escolas em frente a computadores e televisores. Num aparente contato com o mundo. Frio e sem emoção. Infelizmente (e não gostaria de escrever novamente esta palavra ao menos neste ensaio) condicionados a não fazer bom uso dos avanços que a tecnologia nos possibilita.
 
 
No início de outubro deste ano o consultor de recursos humanos Ary Itnem Whitacker, de 46 anos, saiu em pleno horário de almoço na Avenida Paulista, a mais movimentada de São Paulo, carregando uma placa em que se está escrita, em letras garrafais, a frase “Dá Um Abraço”. Fazendo uma alusão de como a tecnologia criou um mal chamado de “inércia do afastamento”. O leitor deve estar se perguntando onde quero chegar com este papo de individualismo, isolamento tecnológico e rede de ensino equivocada. É simples, basta pensar em quanta gente nós conhecemos sem ao menos ouvir a voz. Pense, reflita!!! Loucura esta realidade que até certo tempo atrás não passava de ficção. Os avanços tecnológicos são positivos para nosso momento. Sim, são excelentes! Estas palavras só chegam até vocês através deles. Só precisamos utilizar estes recursos para um lugar comum. Um lugar bacana que talvez tenha o nome de “United City”, ou melhor, a Cidade da União. Particularmente para a nossa classe de trabalhadores braçais e gladiadores urbanos, os capoeiristas, esta “cidade” seria muito promissora, independente de partidos políticos e com legislação autônoma criada por nós. Será que estou viajando muito??? Voltando á www, quanta gente bacana eu não conheci pela tal internet. Quer dizer, tal sou eu, pois a internet é mais conhecida que qualquer um de nós. Talvez eu não possa dar um abraço num amigo virtual ou até mesmo desenrolar um jogo, numa roda real; concreta. Mas posso fazer uma chamada para um laço que há tempos está atado. Um laço que se desfaz com uma boa negaça levando ao chão as mãos de nossos nobres capoeiras e indo de encontro ao nosso sentido de coletividade. É aquele mesmo ideal coletivo que nos negaram há certo tempo atrás. Não podemos nem culpar ninguém por isso. Não houve estimulo para caminharmos todos juntos. Mas ainda há tempo!
 
O cérebro está em perfeita atividade e o coração ainda bate forte e compassado e estamos todos no mesmo barco. Talvez ele nos lembre um conhecido por aí como Arca de Noé. Um barco que não quer contar com tripulação distinta ou desunida. Não tem brasão ou escudo definido. Mas sim um barco que nos conduz para uma vida mais gratificante. Um barco que deve seguir mesmo que para isto tenhamos que empunhar os remos e trabalhar em sincronia. Um grande barco que apesar do “cheiro” de navio negreiro deve ainda carregar esta história. Não a negando; mas sim a enaltecendo. Uma embarcação que tem nos seus porões gente de todo tipo, não amarradas mas desamarrando tristeza, ódio e vaidades. Um grande barco para o ensino, os estudos e a reflexão e porque não para a recolocação social para ser simplista. Talvez Zumbi dos Palmares tenha tentado construir este barco e aguardava no quilombo, juntamente com sua tripulação, o momento certo de levá-lo ao mar. Um barco que seguirá o seu rumo dependendo de nossas metas e de como estabelecemos esta rota.
 
Um grande e lindo barco chamado apenas de CAPOEIRA!
 
Professor Beija-Flor
São Bernardo do Campo/S.P
Link: http://bfcapoeira.vilabol.com.br
e-mail: beijaflorcapoeira@yahoo.com.br
Projeto Beija-Flor Capoeira Para Todos e Grupo de Capoeira Macungo

ESPANHA: Capoeira, Dança, Futebol e F1

OVIEDO, ESPANHA – Campeão mundial de Fórmula 1 em 2005, o espanhol Fernando Alonso foi a grande atração da oitava edição do “Dia da Solidariedade”, evento realizado na manã deste sábado, em Oviedo, para arrecadar recursos em benefício de crianças carentes da região. A partida de futebol de salão entre esportistas locais, incluindo jogadores do Oviedo e Sporting de Gijón, foi o momento mais esperado do dia. O piloto da Renault participou do evento em 2004 e este ano repetiu o feito de distribuir brinquedos para as centenas de crianças que compareceram ao Palacio de los Deportes, todas atrás também de um contato mais próximo com o ídolo. Mas a festa não se resumiu ao jogo entre os famosos, com os colégios de Oviedo realizando apresentações. O evenco começou com uma demonstração de capoeira e houve ainda apresentação de dança do Colegio Ventanielles, partidas de futebol entre alunos de escolas municipais, competição de ginástica realizado pelo Gimnasio Oviedo Sport, show de artes marciais e diversos eventos com as crianças de Oviedo.