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Aos 80 anos, Mestre Boca Rica, continua cantando e encantando.

Aos 80 anos, Mestre Boca Rica, continua cantando e encantando.

Nascido em Maragogipe, no recôncavo baiano,  em 26 de novembro de 1936, Manoel Silva, o Mestre Boca Rica,  veio para Salvador aos 15 anos e se filiou na Academia de Mestre Pastinha, acompanhando-o até seus últimos dias.

Com vários CDs gravados, Mestre Boca Rica, literalmente já deu a volta ao mundo… com seu berimbau na mão… e sua forma única e inigualável de cantar a capoeira.

      Mestre Boca Rica - Pelourinho AO VIVO - Mestre Boca Rica

Ganhou o apelido de “Boca Rica”, do próprio mestre Pastinha, devido ao uso de dentes de ouro na parte superior da boca… na década de 60 era questão de status (não utiliza mais a dentição por conselho medico).

O Mestre tem enorme preocupação com a musicalidade na capoeira e tenta orientar seus alunos e aqueles que tem a humildade de lhe perguntar sobre o assunto… Boca Rica também passou algum tempo frequentando a academia de Mestre Bimba, o criador da “Capoeira Regional” desta forma pode vivenciar e apreender todos os toques e as regras que Bimba incorporou a sua capoeira.

 

“Os grandes mestres, como Bimba, Pastinha, Valdemar, se acabaram na maior lástima. O que se vende da Bahia é a capoeira e o candomblé, mas cadê os poderes públicos que não apóiam, não ajudam? É um descaso com os mestres antigos”.

 

 

Para as novas gerações, Mestre Boca Rica relembra:

Mestre Pastinha falava: Eu sei que vou morrer, mas quero ver a capoeira no lugar dela, no teatro, na televisão, no cinema, na escola, na universidade… Aí eu falava comigo: será que esse velho tá ficando maluco? E não deu outra, a capoeira veio crescendo, hoje tá em mais de 200 países pelo mundo afora. Nós já estamos descendo a ladeira e são vocês que têm que levar essa capoeira de angola pra frente, não a deixar morrer, se acabar”.

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Manoel Silva, o Mestre Boca Rica é um exemplo de dedicação  a Capoeira.

Mestre Boca Rica, fez parte da presidência da ABCA e mantém sua academia no Forte da Capoeira – Salvador, Bahia.

“DEZEMBRO DE JOÃO 2016”

Feliz de Ser Aluno do Mestre João Pequeno

A Academia de João Pequeno de Pastinha – CECA tem o prazer de convidar á todos para participar das nossas Homenagens em memória ao Mestre João Pequeno de Pastinha, que completaria este ano, 99 anos de vida.  Neste ano traremos algumas vivências de Oficinas, Samba de Roda, Mostra de Vídeo, Roda de Diálogo, Caminhada e Roda de Capoeira Angola. Nos dias 10, 22, 26 e 27 de Dezembro de 2016.

Esperamos contar com a sua presença em especial no dia 27/12/2016, data dos 99 anos de vida do Mestre.

Sua presença é indispensável.

Desde já agradecemos a atenção.

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O DEZEMBRO DE JOÃO, é um encontro que homenagea a memória do MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA, através de seus discípulos, mantendo viva a memória e história desse grande mestre, que nasce em Dezembro de 1917 e vem a falecer em Dezembro de 2011. E assim seus Discípulos dando continuidade ao CECA AJPP Matriz em Salvador, tem a honra de dar continuidade a esse evento, que acontece anualmente, no qual é um mês que o próprio mestre fazia sua festa para a capoeira no geral, e hoje damos continuidade e homenageando ao nosso Saudoso Mestre.

Feliz de Ser Aluno(a) do Mestre João Pequeno de Pastinha.

Nani de João Pequeno

 

 

I n f o r m a ç õ e s:

Tel: (71) 3323-0708
Zaps: 98833-1469 / 98746-6141                 Emails: mestrejoaopequeno@gmail.com/nanidejoaopequeno@gmail.com;

Facebook: Ceca-Ajpp Matriz-Salvador

Localizado: Praça Barão do Triunfo, S/Nº. Largo Santo Antônio (Forte Santo Antônio Além do Carmo) Bairro: Santo Antônio, Salvador – Bahia – Brasil

Pierre Verger

 

Sua obra fotográfica, baseada nas mais de 64.000 fotografias cadastradas em seu acervo, foi construída a partir das viagens que ele fez aos cincos continentes entre o ano de1932 e o final dos anos 1970. Nos primeiros anos, suas fotos foram publicadas apenas em livros de viagens, jornais e revistas franceses e, a partir do final dos anos 30, suas fotos foram utilizadas também em publicações de países de língua inglesa, espanhola e alemã. Nessas primeiras publicações, ele contribuiu apenas como fotógrafo, não interferindo na concepção e produção dos textos.

 

Biografia:

Pierre Edouard Léopold Verger (1902-1996) foi um fotógrafo, etnólogo, antropólogo e pesquisador francês que viveu grande parte da sua vida na cidade de Salvador, capital do estado da Bahia, no Brasil. Ele realizou um trabalho fotográfico de grande importância, baseado no cotidiano e nas culturas populares dos cinco continentes. Além disto, produziu uma obra escrita de referência sobre as culturas afro-baiana e diaspóricas, voltando seu olhar de pesquisador para os aspectos religiosos do candomblé e tornando-os seu principal foco de interesse

Verger nasceu em Paris, no dia quatro de novembro de 1902. Desfrutando de boa situação financeira, ele levou uma vida convencional para as pessoas de sua classe social até a idade de 30 anos, ainda que discordasse dos valores que vigoravam nesse ambiente. O ano de 1932 foi decisivo em sua vida: aprendeu um ofício – a fotografia – e descobriu uma paixão – as viagens. Após aprender as técnicas básicas com o amigo Pierre Boucher, conseguiu a sua primeira câmera fotográfica, uma Rolleiflex. Com o falecimento de sua mãe, sua última parente viva, Verger decidiu se tornar naturalmente um viajante solitário e levar uma vida livre e não conformista. Apesar de esse desejo ter surgido tempos antes, Verger tomou essa decisão apenas após a morte da mãe no intuito de não magoá-la.

De dezembro de 1932 até agosto de 1946, foram quase 14 anos consecutivos de viagens ao redor do mundo, sobrevivendo exclusivamente da fotografia. Verger negociava suas fotos com jornais, agências e centros de pesquisa. Fotografou para empresas e até trocou seus serviços por transporte. Paris, então, tornou-se uma base, um lugar onde revia amigos – os surrealistas ligados a Prévert e os antropólogos do Museu do Trocadero – e fazia contatos para novas viagens. Trabalhou para as melhores publicações da época, mas como nunca almejou a fama, estava sempre de partida: “A sensação de que existia um vasto mundo não me saía da cabeça e o desejo de ir vê-lo me levava em direção a outros horizontes”, afirmou ele.

As coisas começaram a mudar no dia em que Verger desembarcou na Bahia. Em 1946, enquanto a Europa vivia o pós-guerra, em Salvador era tudo tranquilidade. Ele foi logo seduzido pela hospitalidade e riqueza cultural que encontrou na cidade e acabou ficando. Como fazia em todos os lugares onde esteve, preferia a companhia do povo e dos lugares mais simples. Os negros, em imensa maioria na cidade, monopolizavam a sua atenção. Além de personagens das suas fotos, tornaram-se seus amigos, cujas vidas Verger foi buscando conhecer com detalhes. Quando descobriu o candomblé, acreditou ter encontrado a fonte da vitalidade do povo baiano e se tornou um estudioso do culto aos orixás. Esse interesse pela religiosidade de origem africana lhe rendeu uma bolsa para estudar rituais na África, para onde partiu em 1948.

Foi na África que Verger viveu o seu renascimento, recebendo o nome de Fatumbi, “nascido de novo graças ao Ifá”, em 1953. A intimidade com a religião, que tinha começado na Bahia, facilitou o seu contato com sacerdotes e autoridades e ele acabou sendo iniciado como babalaô – um adivinho através do jogo do Ifá, com acesso às tradições orais dos iorubás. Além da iniciação religiosa, Verger começou nessa mesma época um novo ofício, o de pesquisador. O Instituto Francês da África Negra (IFAN) não se contentou com os dois mil negativos apresentados como resultado da sua pesquisa fotográfica e solicitou que ele escrevesse sobre o que tinha visto. A contragosto, Verger obedeceu. Depois, acabou se encantando com o universo da pesquisa e não parou nunca mais.

Apesar de ter se fixado na Bahia, Verger nunca perdeu seu espírito nômade. A história, os costumes e, principalmente, a religião praticada pelos povos iorubás e seus descendentes, na África Ocidental e na Bahia, passaram a ser os temas centrais de suas pesquisas e sua obra. Ele passou a viver como um mensageiro entre esses dois lugares: transportando informações, mensagens, objetos e presentes. Como colaborador e pesquisador visitante de várias universidades, conseguiu ir transformando suas pesquisas em artigos, comunicações e livros. Em 1960, comprou a casa da Vila América. No final dos anos 70, ele parou de fotografar e fez suas últimas viagens de pesquisa à África.

Em seus últimos anos de vida, a grande preocupação de Verger passou a ser disponibilizar as suas pesquisas a um número maior de pessoas e garantir a sobrevivência do seu acervo. Na década de 1980, a Editora Corrupio cuidou das primeiras publicações no Brasil. Em 1988, Verger criou a Fundação Pierre Verger (FPV), da qual era doador, mantenedor e presidente, assumindo assim a transformação da sua própria casa na sede da Fundação e num centro de pesquisa. Em fevereiro de 1996, Verger faleceu, deixando à Fundação Pierre Verger a tarefa de prosseguir com o seu trabalho.

WIKI:

Pierre Edouard Leopold Verger (Paris, 4 de novembro de 1902 — Salvador, 11 de fevereiro de 1996) foi um fotógrafo e etnólogo autodidata franco-brasileiro. Assumiu o nome religioso Fatumbi.

Era também babalawo (sacerdote Yoruba) que dedicou a maior parte de sua vida ao estudo da diáspora africana – o comércio de escravo, as religiões afro-derivadas do novo mundo, e os fluxos culturais e econômicos resultando de e para a África.

Após a idade de 30 anos, depois de perder a família, Pierre Verger exerceu a carreira de fotógrafo jornalístico. A fotografia em preto e branco era sua especialidade. Usava uma máquina Rolleiflex que hoje se encontra na Fundação Pierre Verger.

Durante os quinze anos seguintes, ele viajou os quatro continentes e documentou muitas civilizações que logo seriam apagadas através do progresso. Seus destinos incluíram:

 

  • Taiti (1933)
  • Estados Unidos, Japão e China (1934 e 1937)
  • Itália, Espanha, Sudão, Mali, Níger, Alto Volta (atual Burkina Faso), Togo e Daomé (atual Benim) 1935)
  • Índia (1936)
  • México (1937, 1939, e 1957)
  • Filipinas e Indochina (atuais Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã, 1938)
  • Guatemala e Equador (1939)
  • Senegal (como correspondente, 1940)
  • Argentina (1941)
  • Peru e Bolívia (1942 e 1946)
  • Brasil (1946).

 

Suas fotografias foram publicadas em revistas como Paris-Soir, Daily Mirror (com o pseudônimo de Mr. Lensman), Life, e Match.

Na cidade de Salvador, apaixonou-se pelo lugar e pelas pessoas, e decidiu por bem ficar. Tendo se interessado pela história e cultura local, ele virou de fotógrafo errante a investigador da diáspora africana nas Américas. Em 1949, em Ouidah, teve acesso a um importante testemunho sobre o tráfico clandestino de escravos para a Bahia: as cartas comerciais de José Francisco do Santos, escritas no século XIX.

As viagens subseqüentes dele são enfocadas nessa meta: a costa ocidental da África e Paramaribo (1948), Haiti (1949), e Cuba (1957). Depois de estudar a cultura Yoruba e suas influências no Brasil, Verger se tornou um iniciado da religião Candomblé, e exerceu seus rituais.

Definição de Verger sobre o Candomblé: “O Candomblé é para mim muito interessante por ser uma religião de exaltação à personalidade das pessoas. Onde se pode ser verdadeiramente como se é, e não o que a sociedade pretende que o cidadão seja. Para pessoas que têm algo a expressar através do inconsciente, o transe é a possibilidade do inconsciente se mostrar”.

Durante uma visita ao Benin, ele estudou Ifá (búzios – concha adivinhação), foi admitido ao grau sacerdotal de babalawo, e foi renomeado Fátúmbí (“ele que é renascido pelo Ifá”).

As contribuições de Verger para etnologia constituem em dúzias de documentos de conferências, artigos de diário e livros, e foi reconhecido pela Universidade de Sorbonne que conferiu a ele um grau doutoral (Docteur 3eme Cycle) em 1966 — um real feito para alguém que saiu da escola secundária aos 17.

Verger continuou estudando e documentando sobre o assunto escolhido até a sua morte em Salvador, com a idade de 94 anos. Durante aquele tempo ele se tornou professor na Universidade Federal da Bahia em 1973, onde ele era responsável pelo estabelecimento do Museu Afro-Brasileiro, em Salvador; e serviu como professor visitante na Universidade de Ifé na Nigéria.

Verger se apaixonou pela Bahia lendo “Jubiabá” e se tornou amigo das maiores personalidades baianas do século XX, como o próprio Jorge Amado, Mãe Menininha do Gantois, Gilberto Gil, Walter Smetak, Mário Cravo, Cid Teixeira, Josaphat Marinho, dentre outros notáveis. Seu trabalho como fotográfo influênciou notadamente nomes consagrados da fotografia contemporânea como Mário Cravo Neto, Sebastião Salgado, Vitória Regia Sampaio, Adenor Gondim e Joahbson Borges, sendo que este foi seu último assistente, apontado pelo próprio Verger como sucessor natural.

Na entidade sem fins lucrativos Fundação Pierre Verger em Salvador, que ele estabeleceu e continuou seu trabalho, guarda mais de 63 mil fotografias e negativos tirados até 1973, como também os documentos dele e correspondência.

No Brasil, foi homenageado como tema de carnaval (Rio de Janeiro, 1998) do GRES União da Ilha do Governador, cuja letra fala da Trajetória de Pierre Verger a Fatumbi.

Jérôme Souty publicou um ensaio muito documentado sobre a obra e a vida de Verger : Pierre Fatumbi Verger. Do olhar livre ao conhecimento iniciático, São Paulo, Terceiro Nome (446 p., 23 fotos, em português) ; Pierre Fatumbi Verger. Du regard détaché à la connaissance initiatique, Paris: Maisonneuve & Larose, 2007 (520p., 144 fotos, em francês).

 

Bahia: Revolta dos Búzios é inspiração de CD de capoeira

Na ocasião, o cantor, compositor e mestre de capoeira Tonho Matéria, presidente da Associação Sociocultural, agradeceu a possibilidade de mostrar ao povo baiano e brasileiro como a Capoeira foi fundamental na luta pela igualdade racial e pela independência do Brasil. O evento contou ainda com uma peça de teatro encenada por crianças sobre a Revolta dos Búzios, apresentações de dança e o afoxé dos Filhos do Congo.

Com o intuito de fortalecer a memória da Revolta dos Búzios, que completou 215 anos no último dia 12 de agosto, a Associação Sociocultural de Capoeira Mangangá lançou o CD Capoeira das Antigas no Eco da Revolta dos Búzios, durante um evento na semana passada no Forte da Capoeira, no Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador. O produto é fruto do edital Agosto da Igualdade, promovido pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia.

O lançamento do CD integrou a programação do XIII Encontro Cultural e Intercâmbio Internacional de Capoeira Mangangá, do Projeto Artes em Movimento, desenvolvido pela Associação. O encontro busca promover a socialização e o intercâmbio entre adeptos, estudantes e praticantes de capoeira, através de atividades socioculturais, educacionais, musicais, esportivas e de cunho turístico.

O projeto conta com a presença de renomados capoeiristas do cenário local, nacional e internacional, além de profissionais de diversos segmentos, e recebe em torno de 1.500 participantes.

Estiveram presentes no lançamento do CD a chefe de gabinete da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Olívia Santana, o secretário de Promoção da Igualdade Racial, Elias Sampaio, o representante da Fundação Cultural Palmares na Bahia, Fábio Santana, entre outros.

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A Associação Sociocultural de Capoeira Mangangá lançou, na sexta-feira (16), o CD “Capoeira das Antigas no Eco da Revolta dos Búzios”, durante evento no Forte da Capoeira, no Santo Antônio Além do Carmo.

O produto é fruto do edital Agosto da Igualdade, promovido pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial com o objetivo de fortalecer a memória da Revolta dos Búzios, que completou 215 anos no dia 12 de agosto deste ano.
O cantor, compositor e mestre de capoeira Tonho Matéria, presidente da Associação Sociocultural, abriu o evento agradecendo a possibilidade de mostrar ao povo baiano e brasileiro como a Capoeira foi fundamental na luta pela igualdade racial e pela independência do Brasil.

Estiveram presentes no lançamento do cd o secretário de Promoção da Igualdade Racial Elias Sampaio; Fábio Santana, representante da Fundação Cultural Palmares na Bahia; a secretária municipal da Reparação, Ivete Sacramento; Olívia Santana, chefe de gabinete da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), além do presidente da Comissão da Igualdade Racial da Assembleia Legislativa, deputado estadual Bira Coroa (PT), de mestres, representantes de rodas de capoeira e convidados.

A festa teve peça de teatro encenada por crianças sobre a Revolta dos Búzios, apresentações de dança e o afoxé dos Filhos do Congo. O secretário Elias Sampaio ressaltou a importância do Agosto da Igualdade e convocou os presentes a participarem da III Conferência De Promoção da Igualdade Racial do Estado da Bahia (COnepir), que acontece de 28 a 30 de agosto.
Com o CD em mãos, Sampaio lembrou que parte da população não leva em conta a importância da Revolta dos Búzios. “Além do nosso compromisso institucional para lembrar a Revolta, temos agora, com esse CD, também um registro histórico. Nossos heróis ficarão agora na Bahia, registrados”.

Projeto Artes em Movimento – O lançamento do CD integrou a programação do XIII Encontro Cultural e Intercâmbio Internacional de Capoeira Mangangá, do Projeto Artes em Movimento, desenvolvido pela Associação.
O III encontro busca promover a socialização e o intercâmbio entre adeptos, estudantes e praticantes de capoeira, através de atividades socioculturais, educacionais, musicais, esportivas e de cunho turístico.

O projeto conta com a presença de renomados capoeiristas do cenário local, nacional e internacional, além de profissionais de diversos segmentos, e recebe em torno de 1.500 participantes

Nota de Falecimento: Frede Abreu

Morreu hoje o Professor Frede Abreu, aos 66 anos, em Salvador, vítima de Hepatite C

Considerado por muitos o maior estudioso de capoeira do mundo, morreu ontem o pesquisador Frederico José de Abreu, 66 anos, que faria aniversário amanhã, faleceu hoje no Hospital Portugês. Autor dos principais livros sobre capoeira do país.

A memória dos principais mestres de capoeira da Bahia deve a ele, que nas últimas décadas se tornou referência internacional. Fundador do Instituto Jair Moura, Frede tinha um acervo com mais de 40 mil títulos, entre livros, recortes de jornais, revistas, CDs, fotos e vídeos. A partir de documentos e jornais antigos, Frede construiu obras obras importantes como Capoeiras: Bahia Século XIX, Bimba é Bamba: capoeira no ringue, Pastinha, Cobrinha Verde, Mestre Canjiquinha, o Barracão do Mestre Waldemar, Macaco Beleza e o Massacre do Tabuão… Mesmo doente nos últimos meses, Frede não parou de produzir. Tinha pelo menos três livros editados para ser lançado:  Manuscritos do Mestre Pastinha, Como Eu Penso (Livro de poesias de Pastinha), além de Mestre Najé, o capoeirista que Lutou até a Morte.

Trabalhou no projeto Axé, ajudou financeiramente e intelectualmente mestre João Pequeno, Fundação Mestre Bimba, Projeto Mandinga e diversos outros grupos…

Frede foi consultor do inventário que tombou a capoeira como patrimônio cultural do Brasil, em 2008.

Ultimamente, trabalhava na biblioteca do Instituto Mauá, no Pelourinho… Frede lutava havia um ano contra uma hepatite C. Ontem, não resistiu a uma infecção generalizada.

O corpo será cremado amanhã (sexta) no Cemitério Jardim da Saudade, as 13hs.

 

O Legado e a Obra de um dos mais carismaticos personagens da nossa capoeiragem... Mestre Frede

Compilação da Imagem: Vinícius Heime

Amigos lamentam a morte de Fred Abreu

  • Hélio, morador do Rio Vermelho:

“A Capoeira perde um grande capoeirista, o amigo Fred Abreu. Um capoeirista pertencente a todos os grupos e a elite da grande roda das idéias. Um pesquisador, escritor, amigo, orientador, detentor de um grande acervo de Capoeira, sempre de bom humor e acolhendo com seu dialogo amigo brasileiros e estrangeiros. Fred entre tantas homenagens pertence ao QUADRO DE HONRA DA FUNDAÇÃO MESTRE BIMBA, homenagem recebida no último dia 7/7/2013. Mas, a grande homenagem é pertencer ao coração de cada capoeirista por ser um homem de bem. Uma perda imensurável para a Capoeira.”

 

 

  • Vinicius Heime, Professor e Discipulo de Gladson

 

Fez sua passagem hoje o Mestre Frede Abreu, um dos mais atuantes ativistas, pesquisador, estudioso e escritor da Capoeira. Autor de uma vasta obra sobre temas diversos relacionados à Capoeira, todas escritas com muita competência e dedicação! Idealizador e gestor do maior acervo (com mais de 40 mil títulos) em livros, jornais, revistas e documentos relacionados à Capoeira. 

Entre suas obras estão os livros Bahia Século XIX, Bimba é Bamba: Capoeira no Ringue, Pastinha, Cobrinha Verde, Mestre Canjiquinha, O Barracão do Mestre Waldemar, Macaco Beleza e o Massacre do Tabuão, entre outros. Participou de diversos projetos relacionados à Capoeira! 

O seu legado estará sempre vivo como exemplo de dedicação, de valorização, de zelo e de amor pela Capoeira, sua história e seus atores! Que Mestre Bimba, Pastinha, Canjiquinha, Ezequiel e tantos outros lhe recebam de braços abertos numa grande Roda lá no céu! Axé e Luz!

 

  • Luciano Milani, Editor do Portal Capoeira:

Pesquisador incansável, e confesso, um dos pilares motores do meu trabalho, Frede nunca irá deixar de estar presente em todas as rodas, encontros e onde quer que a nossa capoeira se fizer presente…

Frede era uma destas pessoas que fazia tanta pela nossa capoeiragem… fazia sem olhar a quem… fazia pelo simples e mais lindo dos motivos… fazia apenas por que tinha um coração enorme de capoeirista… repleto de vontade de compartilhar suas preciosidades… era capaz de abrir as portas de sua casa de forma apaixonada podia passar horas falando sobre a nossa cultura, nossa arte…

Foi assim que conheci Frede e me deslumbrei com o seu acervo, sua generosidade, a sua paixão e pluralidade por todas as manifestações da cultura popular….

 

  • Pedro Abib, Professor, Pesquisador e Colunista do Portal Capoeira:

O grande FREDE ABREU nos deixou na tarde de ontem. Tristeza enorme !!!

Um dos maiores conhecedores da nobre arte da capoeiragem…mas acima de tudo, um homem generoso, que a todos acolhia e ajudava. Minha dívida com ele é enorme !!!

Um ser humano daqueles que deixam marcas que não se apagarão jamais na sua passagem pela terra. Fique em paz, aí nas terras de Aruanda !!!!

 

Nós do Portal Capoeira prestamos a nossa homenagem assim como as mais sinceras condolências a todos os amigos e principalmente a família Abreu…. por esta perda.

Nota de Falecimento: Mestre Camisa Roxa

Capoeira Chora com o Falecimento do Mestre Camisa Roxa…

Nossos mais profundos sentimentos a toda família Abada-Capoeira pela perda deste grande Mestre, Camisa Roxa Ao que Sabemos o Mestre Sofreu uma queda de uma Laje resultando em sua Morte, mais uma triste noticia para a Capoeira, assim que tenhamos mais noticias informaremos a todos.

Lembrando: Edvaldo Carneiro e Silva (Mestre CamisaRoxa)
Mestre Camisa Roxa foi considerado o melhor aluno de Mestre Bimba. Grão-Mestre é Abadá-capoeira, título vida para o qual foi escolhido por um conselho de notáveis Mestres do conhecimento. Sua função é mentor e consultor,e seu título o mais alto grau na Abadá-capoeira. É o mais relatado capoeira Capoeira pelo mundo, viajou para mais de 50 países, trazendo uma manifestação da arte Capoeira e da cultura brasileira. 

Camisa Roxa nasceu em 1944, na Fazenda Estiva, no interior da Bahia. Ele começou a praticar capoeira aos 10 anos de idade como forma de entretenimento, que mais tarde foi copiado por todos os seus outros irmãos. Na década de 60, foi para Salvador para fazer o grau científico e começou a treinar na Academia de Mestre Bimba, onde ele treinou e foi considerado o melhor aluno de Mestre. Seus irmãos Ermival, Pedrinho e uma camisa também formaram na Academia de Bimba.

O Grão Mestre apelido surgiu devido ao fato de que ele sempre frequentava rodas de Capoeira da Bahia vestindo uma camisa roxa (roxa em Português), que ele gostava. Ela também gostava de jogar no tradicional Capoeira rodas de Mestre Pastinha academia eo rhodes de Mestres Waldemar e Traíra Rua Pero Vaz, onde era muito respeitado pela sua postura e possuidor de grande conhecimento dos fundamentos da Capoeira.
Camisa Roxa Capoeira pensar como um todo, reunindo Regional e Angola. “Na verdade, poucas pessoas entendem a verdadeira intenção de Mestre Bimba”, diz o Grão Mestre. “Primeiro ele ensinou seu método de Capoeira novamente elevado, mas com o tempo a pessoa deve aprender a jogar em” completa.

Camisa Roxa é responsável pela coordenação Abadá-capoeira na Europa, e realiza regularmente oficinas de reciclagem para instrutores e professores que agem dessa forma. Ele também é o organizador do Encontro de Primavera Capoeira na Europa e Jogos Europeu Abadá-capoeira. Estes eventos têm como objetivo a integração e atualização dos capoeiristas na Europa através de aulas teóricas e práticas ministradas por professores convidados do Brasil.

Hoje o Grão Mestre dedica grande parte de seu tempo para pesquisar a capoeira, sempre à procura de novas maneiras e aumentar a sua visibilidade no mundo. Para ele, no Brasil deveria ser mais unidade entre os diferentes grupos, para que seja possível estabelecer uma ordem nas atividades e ensinamentos. “Talvez uma Capoeira mais disciplina e unidade entre os líderes, produzindo uma Capoeira com mais responsabilidade e profissionalismo”, diz ele. Camisa Roxa diz passar sua experiência procura recompensar tudo o que deu Capoeira hoje.

 

Fonte: Equipe Rabo de Arraia – http://www.rabodearraia.com

Lançamento 2ª edição do livro “Mestres e capoeiras famosos da Bahia” – Pedro Abib

Mestres e capoeiras famosos da Bahia (2ª edição), de Pedro Abib, no Lançamento Coletivo EDUFBA – Abril de 2013

Realizado através de pesquisa coordenada por Pedro Abib, Mestres e capoeiras famosos da Bahia é um dos livros que compõe a programação do Lançamento Coletivo EDUFBA – Abril de 2013. Dando continuidade às comemorações dos 20 anos da Editora, o lançamento coletivo deste mês acontecerá no auditório da Faculdade de Comunicação (FACOM-UFBA), das 17h30 às 20h30, no dia 02 de abril. Além de sessão de autógrafos, o evento contará com uma mesa-redonda, na qual autores e organizadores poderão interagir com o público. O acesso é gratuito.

“Sem a lembrança dos antepassados (serão ancestrais?), a capoeira não tem (en)canto”, afirma Frederico José de Abreu no prefácio da obra, e tal lembrança é a principal característica do livro. Ao longo de seus capítulos, são trazidos diversos nomes de importantes mestres para a história da capoeira baiana, como Besouro, Bimba, Pastinha, Bobó, Ferrerinha de Santo Amaro, entre outros.

O livro é resultado das pesquisas realizadas pelo Grupo MEL – Mídia, Memória, Educação e Lazer da Faculdade de Educação da UFBA. Atualmente, Pedro Abib é coordenador do Grupo GRIÔ: Culturas Populares, Diásporas Africanas e Educação, da Faculdade de Educação da UFBA

 

Serviço

O quê: Lançamento Coletivo EDUFBA – Abril de 2013

Quando: 02 de abril, terça-feira, das 17h30 às 20h30

Onde: Auditório da Faculdade de Comunicação – UFBA (Campus Ondina, Rua Barão de Jeremoabo, s/n, Ondina – Salvador, Bahia)

Quanto: entrada gratuita

 

Informações adicionais sobre o livro

ISBN: 978-85-232-0562-1

Ano: 2013

Área: Artes cênicas e recreativas; esportes

Número de páginas: 188 p.

Formato: 17 x 24 cm

Preço de lançamento: R$ 30,00

 

Daniele Marques
Assessoria de Comunicação
Editora da Universidade Federal da Bahia

O Fenomemo da Exportação – Onda 1

Turismo e Grupos Parafolclóricos

Dentro do contexto e da dinâmica da Exportação da capoeira é possível estabelecer um paralelo entre as “ondas do desenvolvimento humano” – que Alvin Toffler* nos colocou em seu Best-seller A Terceira Onda e as “quatro ondas de projeção” internacional da capoeira, cronologicamente encadeadas em analogia as “Ondas de Toffler”. Este paralelo foi o que norteou e alimentou um delicioso estudo e pesquisa direcionada que culminou em uma Importante Palestra ministrada na Europa pelos Professores e pesquisadores Acúrsio Esteves e Luciano Milani, ambos integrantes da equipe do Portal Capoeira. O caminho da capoeiragem das senzalas às universidades pode ser entendido e até enumerado dentro deste contexto sob o prisma das Ondas de Projeção que podem e certamente acabarão por ser mais do que quatro… pois estas ondas assim como escreveu Toffler, são dinâmicas, difusas e vivas…

 

As Ondas de Projeção

  1. Turismo e Grupos Parafolclóricos
  2. Academias e Boa Forma (Febre das Academias)
  3. Pesquisa e Produção Academica/Cientifica (Entidades de Ensino, Mestrados, Livros…)
  4. TIC´s – Web – Games – Mídia (Toda a rede digital e suas ramificações em função da divulgação e dissiminação da capoeira**)

Nesta primeira abordagem iremos tratar apenas da primeira onda: Turismo e Grupos Parafolclóricos. Em tempo, iremos também abordar, as restantes ondas de projeção internacional da capoeira (Onda 2, 3 e 4).

 

Uma Semente Africana…

“A capoeira, tem origens e raízes africanas…seu ventre, sua mãe… é conhecida como cultura negra… seu pai a liberdade… mas nasceu e foi criada no brasil, algures no recôncavo Baiano… cercada de malandragem e brasilidade… quando jovem foi rebelde, mal vista, perseguida… na adolescência se desenvolveu, cresceu… ganhou o mundo e respeito… tirou o seu passaporte…
Hoje, mais madura esta presente em todos os lugares… nos quatro cantos do mundo e tem o orgulho de dizer SOU BRASILEIRA.“
Luciano Milani

 

Uma História recente…

A capoeira, nasceu a cerca de 500 anos, foi criada em solo Brasileiro, tem origens e semente africana, cultivada e adubada pela magia da miscigenação e do pluralismo de saberes de culturas e raças… “Excluida e Criminalizada” no Governo Mal. Deodoro da Fonseca (Infração prevista no Código Penal – Artigo 402  de  1890), sua essência libertária, resistência e riqueza cultural fomentam ainda mais a suas quase infinitas possibilidades.

Bimba e Pastinha, ícones contemporâneos, influenciaram a forma como praticamos e vivenciamos a capoeira. Ambos os mestres tiveram um papel fundamental principalmente na década de trinta com a criação da Luta Regional Baiana e da Capoeira Angola… Impulsionados pelo cenário “politico/social/economico da época”, assim como outros importantes nomes dos mais diversos setores tiveram e continuam tendo um peso enorme neste emaranhado tão complexo e multi cultural turbilhão chamado capoeira

“A capoeira é um organismo vivo, ela evolui de acordo com as suas necessidades…”
Mestre Camisa

Fazendo uma analise ao cenário politico/social/economico da época (Governo Populista de Getúlio Vargas e o processo de Legalização da Capoeira), temos uma maior participação da classe média e dos universitários (classe academica) da Bahia, em maior sintonia com a “Capoeira Regional” de Manuel dos Reis Machado, cujo o legado e o método, revolucionaram a forma de praticar capoeira (Lazer, Esporte e Folclore  em Ambientes Fechados / Metodologia de Ensino) e uma maior aproximação da Esquerda e da classe artística/cultural (Jorge Amado, Pierre Verger, Caribé) com a “Capoeira Angola” de Vicente Ferreira Pastinha, que usou com maior enfase a vertente da Filosofia, Cultura e Ancestralidade.

Não devemos esquecer outras importantes frentes da dinâmica de disseminação e expansão da capoeira em outros estados como por exemplo a forte presença marcial da capoeiragem Carioca e Pernambucana e porque não citar a “Capoeira Utilitária” do Paulista-Carioca mestre Sinhozinho e até mesmo a Tiririca Paulista… todo bom estudioso da cultura popular sabe que as manifestações raramente ocorrem em regiões de forma isolada geográfica e temporalmente. Tanto é que Edison Carneiro, excelente folclorista, fez questão de deixar bem claro no título de um de seus livros (Dinâmica do Folclore), que tudo acontece dinamicamente. Em alguns casos manifestações se fundem, resultando em novas manifestações… correlatas e interligadas… com a proibição da capoeira em Pernambuco, aliado a questões político-social da época, nasce o Frevo!!! O bom capoeira sabe perceber que a “malícia” do bom “frevista” está ligado à ginga de um bom capoeira. E é isto que eram no passado: capoeiras. No Rio de Janeiro, a perseguição à capoeiragem (que, funcional e socialmente não é o mesmo que capoeira) resultou na Pernada Carioca. Digamos que era a “capoeira que não se chamava capoeira”, mas que tinha a eficiência da mesma, tanto enquanto luta, como também como lazer.

 Bimba e Getúlio Vargas

Segundo Liberac em sua analise sobre o surgimento da capoeira moderna baiana: “O Rio de Janeiro foi um ponto alto no que concerne à difusão de idéias sobre formas de aproveitamento da capoeira como esporte nacional e que foi a base política ao movimento em direção às academias (Onda 2 ) . Este cenário mostra o afastamento total da capoeira com o corpo cultural exibe um campo fértil para a transformação em luta marcial, diferentemente do contexto que a capoeira baiana moderna é construída.”

 

Apenas na segunda metade do século XX (década de 60/70),  já com a capoeira “reorganizada sob a nova otica da Angola e Regional” que a nossa vasta e “multifacetada arte”  tirou o seu passaporte. Este processo teve início de forma ímpar e quase que inconsciente… Foi através dos grupos parafolcloricos e do turismo que a capoeira ganhou o mundo… Então vamos “surfar na onda 1…”

Onda 1

Emília Biancardi, uma das principais fagulhas da “Exportação da Capoeira”, folclorista, professora, pesquisadora, escritora e responsável pelo magnifico trabalho do Grupo Folclórico Viva Bahia,criado em 1962, reuniu importantes representantes das manifestações culturais afro-brasileiras para integrar a equipe de base do “VIVA BAHIA”.  Entre os professores estavam Mestre Pastinha e João Grande (capoeira), Mestre Popó do Maculelê (foi com o grupo parafolclórico que pela primeira vez o Maculelê foi apresentado para o grande público e divulgado no exterior,  Emília escreveu a obra prima do Maculelê – Olê lê Maculelê), Neuza Saad (dança), D. Coleta de Omolu (Candomblé), Sr. Negão de Doni (Candomblé) e Mestre Canapun (puxada de rede). Muitos outros mestres de capoeira passaram pelo grupo. Consagrado internacionalmente, serviu de inspiração e incentivo para a formação de outros grupos de prestígio no Brasil e exterior, inclusive para o Balé Folclórico da Bahia, cujo criador foi discípulo da professora Emília Biancardi.

O “VIVA BAHIA”, foi sem dúvida alguma, um dos principais responsáveis pela internacionalização e exportação da capoeira e suas manifestações correlatas. Muitos mestres que viajaram com o grupo não retornaram das viagens. Amém ficou na Califórnia, Jelon e Loremil introduziram a capoeira em Nova York, nos anos 1970.

Somente em 1966 que a “capoeira fez seu primeiro voo transatlântico”, convidados pelo Ministério das Relações Exteriores que reuniu uma comitiva de capoeiristas, dentre eles mestres Pastinha, João Grande, Gato, Gildo Alfinete, Roberto Satanás e Camafeu de Oxossi, para representar a cultura popular afro-brasileira no I Festival Mundial de Artes Negras – África – Dakar.***

mestres Pastinha, João Grande, Gato, Gildo Alfinete, Roberto Satanás e Camafeu de Oxossi, para representar a cultura popular afro-brasileira no I Festival Mundial de Artes Negras - África – Dakar.

A participação de Vicente Ferreira Pastinha nesta celebração da cultura afrodescendente é e sempre será lembrada pois está gravada em versos na memória musical da capoeira
“… Pastinha já foi à África, pra mostrar capoeira do Brasil…”.

Para a comunidade capoeirística este fato representa o momento de encontro muito especial entre o mestre e os irmãos africanos,  evocando encontros também acontecidos na diáspora da população africana, que no Brasil enriqueceu de forma bastante evidente os campos artístico, cultural e econômico. Mesmo já estando cego, mestre Pastinha conseguiu a realização do sonho de conhecer a África…

 

Do Brasil para o Mundo

O crescimento da capoeira a nível mundial tem sido um fenômeno importantíssimo de divulgação e valorização dessa arte-luta que durante muito tempo sofreu uma perseguição, por vezes “velada”, porém implacável no brasil. Contudo essa “globalização” da capoeira traz também consequências negativas.

“O capitalismo e a política sabem muito bem como se apropriar dos bens produzidos pela sociedade – sejam eles materiais ou imateriais – para adequá-los às suas lógicas perversas.”
Acúrsio Esteves

Percebemos assim, uma tendência global que vem crescendo nos últimos anos, de transformação da capoeira em mais uma mercadoria na prateleira dos “shopping centers das culturas globalizadas”.

Se por um lado, isso garante a disseminação e divulgação dessa manifestação para um público cada vez maior, por outro faz com que ela perca muito dos seus traços identitários que a caracterizam como cultura popular, tradicional, libertária e de resistência.

“A capoeira não tem credo, não tem cor, não tem bandeira, ela é do povo, vai correr o mundo”.
Mestre Canjiquinha


* Alvin Toffler (3 de Outubro de 1928) é um escritor e futurista norte-americano doutorado em Letras, Leis e Ciência, conhecido pelos seus escritos sobre a revolução digital, a revolução das comunicações e a singularidade tecnológica.

** A Roda em Rede – Mariana Marchesi  (http://portalcapoeira.com/Publicacoes-e-Artigos/a-roda-em-rede-a-capoeira-em-ambientes-digitais)

*** Video do Festival Mundial de Arte Negra – Dakar – 1966 http://www.youtube.com/watch?v=YVZJwvzt8dY

O Berimbau

A Lenda do Berimbau

Uma menina saiu a passeio. Ao atravessar um córrego abaixou-se e tomou a água no côncavo das mãos. No momento em que, sofregamente, saciava a sede, um homem deu-lhe uma forte pancada na nuca. Ao morrer, transformou-se imediatamente num arco musical: seu corpo se converteu no madeiro, seus membros na corda, sua cabeça na caixa de ressonância e seu espírito na música dolene e sentimental.

(Conto existente no leste e no norte africano)
(Texto retirado da Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia) nº 80 de 1956.

Origem:

A introdução deste instrumento no Brasil foi feita com a chegada dos negros Bantos, mais precisamente pelos Angolanos, cuja a cultura é uma das mais antigas de África.

No entanto, vale a pena salientar que, apesar do Arco Musical ter chegado ao Brasil por intermédio dos negros africanos, isto não implica que tenha sido criado por estes.

Emília Biancardi, na obra Raízes Musicais da Bahia, diz acreditar-se que o arco musical já estava em uso há 15.000 anos antes de Cristo, porquanto aparece em pinturas rupestres da época, como a que foi encontrada na caverna Les Trois Frèmes, no sudeste da França. Albano Marinho de Oliveira, em pesquisa publicada na revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia de 1956, diz que, de entre os instrumentos de corda conhecidos no mundo, os mais antigos são a harpa, o Alaúde e a Cítara.

Estes Instrumentos existem há cerca de 4.000 anos antes de Cristo e foram encontradas gravuras em pinturas e relevos do antigo Egipto. Todos estes três instrumentos retratados, tiveram a sua origem num arco musical, que tinha como característica, uma corda fixada nas suas extremidades e tendo como amplificador de som, uma caixa de ressonância, podendo até mesmo ser um buraco no chão.

O arco musical foi, com toda a certeza, o ponto de origem da Harpa, opinião dominante entre os musicólogos. Hugo Riemann, na sua obra História La Música – 1930, diz acreditar que o som produzido pelo arco de caçador ao disparar a flecha foi, sem dúvida, segundo a lenda, a causa da invenção do arco musical. Teoria esta, contestada por Curt Sachs, na obra História Universal de Los Instrumentos Musicales.
De qualquer forma, torna-se impossível fixar o ponto e época exacta do seu aparecimento, pois a extensão geográfica da sua expansão dificulta certezas. Curt Sachs, anota a sua existência no México, na Califórnia, na Rodésia, no Norte e no Este Africanos, na ilha de Pentecostes, e na Índia; Carlos Vega, entre Índios da parte mais meridional da América do Sul e Ortiz, na ilha de Cuba.

Albano de Oliveira resume que:
“dos instrumentos de corda primitivos, a harpa provém de um arco, semelhante ao de caçador. E como referências antigas dão como a arpa originária do Egito, lítcito é se adimitir que o arco musical dalí partiu, espalhando-se a princípio pelo Oriente Próximo, Sul da Índia, onde Curt Sachs acredita existir a forma mais primitiva do arco musical, Indostão, Oceania, Continente Africano e somente nos tempos modernos, Europa e América.”

O Nome:

Hoje em dia não nos é possível definir com exactidão a origem do vocábulo Berimbau, nem tão pouco sabermos quando este arco musical perdeu o nome de origem e herdou o termo conhecido actualmente.

A ideia mais aceite, é a de que o nome Berimbau venha do termo vindo do quibundo m`birimbau, existem ainda os que defendam sua origem vinda do termo Balimbano, de origem mandinga, ambos os termos estão registados no Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado. De outra forma, acredita-se que seja um termo vindo da palavra de origem Ibérica Birimbau, que, no Dicionário da Real Academia Espanhola, é definido como sendo um pequeno instrumento, composto de arame ou madeira, com uma lâmina fina fixa ao meio.
Segundo Albano de Oliveira, em pesquisa na obra “Viagem Pitoresca e Histórica do Brasil” de Jean Baptiste Debret, artista Francês que morou no Brasil de 1816 até 1831, o nome de origem do nosso conhecido arco musical, o berimbau, era Urucungo, termo angolano, comprovando assim a origem angolana do instrumento.

De outra forma, encontramos vários outros termos que definem o berimbau de barriga, são estes Uricundo, Urucungo (este último também registrado por Edson Carneiro, como já referido, sendo de origem Angolana), Orucungo, Oricungo, Lucungo, Gobo, Rucungo (registrados por Arthur Ramos), Bucumba, Macungo, Matungo e Rucumbo, bem como outros termos ainda não conhecidos.

O emprego do Arco Musical:

Segundo a ordem cronológica da história dos instrumentos, os de percussão surgiram primeiro, sendo utilizados pelos povos guerreiros, seguidos dos de cordas e posteriormente, os de sopro.

O arco musical teria nascido no Egipto, ou segundo Curt Sachs, no sul da Índia, em épocas muito remotas, e atravessou tempo e fronteiras, sendo conhecido em todos os continentes. O seu uso deveria ser apenas para a satisfação humana nas horas de lazer, ou ainda para manifestações religiosas, pois segundo consta, toda a história da música, está retratada em registros e documentos religiosos, como as gravuras tumulares egípcias, onde os instrumentos aparecem como forma de reverência aos Deuses, ao que o arco musical não seria excepção.

Provando isso, Curt Sachs, em pesquisa sobre o arco musical, encontrou povos em ainda estágios primitivos de civilização, no qual o arco musical está ligado a religião, misticismo ou lenda, como, por exemplo, a dos povos do Norte e Este Africano, que narram a história da menina que bebia água num córrego, retratada no início desta pesquisa. Povos do México, como os Covas, utilizam um arco musical com uma caixa de ressonância separada. Esta caixa é na verdade o símbolo da deusa da Lua e da Terra, e entre algumas tribos deste mesmo povo, só as mulheres podem tocá-lo. Na Rodésia, o arco musical é tocado na iniciação das meninas. Já os Washam Balás, do Leste Africano, acreditam que o homem não poderá casar se, quando estiver fabricando o instrumento, se partir a corda, pois trata-se de um instrumento sagrado.

O emprego do arco musical com característica religiosa, tende a diminuir entre os povos com níveis diferentes de cultura, é o que acredita Albano de Oliveira. No Tongo, o arco musical é tocado pelos velhos anciãos nativos apenas como forma de recordarem os tempos áureos da juventude. É o que faziam, segundo relato de Alfredo Brandão, quando os negros de alagoas, tocados pelos sentimentos de saudade e tristeza, aproveitavam a calada da noite nas senzalas para tocarem o berimbau.

No Brasil, o berimbau não esteve, nem está ligado, a religiosidade, no entanto, sabemos do emprego do mesmo em missas, ou momentos que relembrem velhos mestres, sendo esta uma prática particular dos capoeiristas. Na bahia, durante as festas de largos em dias santificados, era costume aparecerem tocadores de berimbaus.

Retratado ainda pelos viajantes Rugendas e Debret como instrumento utilizado para atrair fregueses, ou mesmo, como forma de um cego pedir auxílio, o berimbau exercia várias funções.

Hoje em dia, no Brasil, o berimbau é encontrado especialmente nos grupos de capoeira, onde exerce um papel importantíssimo na manutenção do jogo. É ainda usado por músicos e grupos de danças como instrumento de percussão.

A introdução na Capoeira:

Como sempre, esbarrando na carência de documentos que comprovem com exactidão o uso do berimbau na capoeira, pesquisadores e historiadores, baseiam-se em gravuras, desenhos, pinturas, crónicas, anotações e narrativas da época, sendo estas as únicas fontes existentes para a pesquisa, que por si só, não nos garantem certezas.

Sabendo que a capoeira nasceu primeiramente como luta, podemos deduzir que o berimbau não tenha tido, nesta época, relação com a mesma, cabendo este papel aos batuques e atabaques, que possuem uma identificação maior com as lutas e rituais afros, é o que prova a gravura intitulada “Kriegsspiel” (Brincadeira de Guerra), registrada na obra “Viagem Pitoresca Através do Brasil”, livro lançado em 1763, de Jean Maurice Rugendas. Nesta gravura, não se verificou a presença do berimbau, e sim de um pequeno atabaque, e em volta dos lutadores, pessoas animando e a baterem palmas, num local, que, segundo Albano de Oliveira, é provavelmente o trecho onde é hoje Monte Serrate, na Bahia. Outra obra publicada entre 1834 e 1839, do francês Jean Baptiste Debrete, intitulada “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, retrata um arco musical nas mãos de um cego. Temos ainda a ilustração de Joachim C. Guillobel (1787 – 1859), que registra a presença de um berimbau a ser tocado por um vendedor ambulante, como forma de atrair os fregueses, não vinculando assim o instrumento com a capoeira.

Sabemos ainda que as maltas de capoeiras no Rio de Janeiro foram perseguidas, sendo, desta forma, extinta a capoeiragem na antiga capital, e que, no Rio, se desconhecia a presença deste arco musical. Na Bahia, segundo Emília Biancarde, na segunda metade do século XIX, o berimbau foi introduzido na arte, pois a capoeira só se perpetuou graças ao seu uso, e ao dos demais instrumentos, pois, quando alguém estranho ao grupo se aproximava, era fácil transformar o jogo em dança, como por exemplo, o samba de roda. Com o passar do tempo, o berimbau passou a comandar a roda, sendo até hoje indispensável o seu uso. Emília Biancardi diz ainda que, segundo Mestre Pastinha, na década de 40, se costumava ver a presença de uma viola de doze cordas nas rodas, e que a presença do berimbau já se fazia sentir.

Existem, no entanto, aqueles que acreditam que o Berimbau já era usado na arte capoeira desde a época colonial, dentro das senzalas, segundo alguns relatos, como o que Rosangela Peta descreve na matéria sobre capoeira, na revista Super Interesante, lançada no mês de Maio de 96. Henry Koster (Inglês que se radicou em Pernambuco, virou senhor de engenho e passou a ser chamado Henrique Costa), escreveu nas suas anotações de 1816 que, de vez em quando, os escravos pediam licença para dançar em frente as senzalas, e divertiam-se ao som de objectos rudes. Um deles era o atabaque, outro “um grande arco com uma corda, tendo uma meia quenga de coco no meio ou uma pequena cabaça amarrada”, trazendo assim, a utilização do berimbau nos momentos em que os escravos, supostamente, estariam treinando a capoeiragem, em meio a festa.

Os tipos de Berimbaus na capoeira:

Na capoeira, são conhecidos três tipos de berimbaus, que possuem individualmente funções diferentes na bateria, que têm de ser bem executadas de forma a criar uma perfeita harmonia na roda. Na Bateria da capoeira angola usam-se três berimbaus, na charanga da regional, apenas um, sendo este acompanhado pela marcação dos pandeiros.

O Gunga:

É o berimbau que possui o som mais grave, tem como característica possuir uma cabaça (caixa de ressonância) grande. Alguns autores acreditam que o seu vocábulo venha da palavra angolana hungu. É também conhecido por muitos como berra boi. Este tipo de berimbau é mais utilizado no estilo de capoeira angola, onde é normalmente tocado pelo mestre ou capoeirista responsável em manter o ritmo da roda, pois é o gunga quem comanda a base do ritmo, ditando o toque e a cadência a serem executados.

O Médio:

Como o próprio nome refere, é o que possui uma cabaça com tamanho intermediário aos outros dois, tendo no som a mesma característica, tem como função acompanhar a base do toque do berimbau gunga, podendo no entanto, pontualmente, executar algumas variações. É o tipo de berimbau mais utilizado na formação dos instrumentos da Capoeira Regional, porém, é também parte integrante da bateria da Capoeira Angola.

O Viola:

Conhecido também como violinha, é responsável pelo improviso, dando o chamado “molho” ao ritmo. Quando um bom tocador está a manuseá-lo, seu som agudo, é de uma vibração inigualável, fazendo com que a assistência escute o lamento ou mesmo uma saudação alegre e feliz, através de sua música. É dos três tipos o que possui a menor das cabaças.

A constituição do Berimbau:

Um instrumento monocórdio, constituído por uma verga arqueada, um arame estendido, uma cabaça, que tem o papel de caixa de ressonância, uma baqueta de percussão, um dobrão ou seixo, e ainda é acompanhado pelo uso do caxixi.

A Verga:

A madeira que deve ser usada para a confecção do berimbau tem de ser flexível e resistente, a mais usada e conhecida é a Biriba, que deve ser cortada no mato, na lua quarto minguante. Em viagem pela Bahia, perguntei ao Mestre Marinheiro, residente em Feira de Santana, artesão e vendedor de berimbau e caxixi, que se encontrava na capital baiana, se, com tanta extracção de Biriba, ela não correria o risco de se extinguir, ao que ele respondeu que, normalmente quando extraída da mata, passados dois a três anos ela renasce do mesmo ramo cortado.
Alguns artesãos cozinham a biriba, como forma de torná-la mais resistente. O Berimbau ainda pode ser feito com outros tipos de madeiras, tais como o cunduru, o pau d´darco, o pau pombo, a tapioca, o bambu e outras. Em Portugal, como forma de suprir a carência de espécies encontradas somente na Mata Atlântica, usa-se o eucalipto, ou o pau de lodo, sendo este último utilizado no tradicional Jogo do Pau Português. No caso do eucalipto, este deve ser tirado quando ainda está pequeno e verde, e antes de o cortar, deve-se primeiro vergá-lo a fim de não proceder a um corte desnecessário, ficando a verga inutilizável e sem uso. Depois de verificada a resistência e feito o corte, deve-se retirar a casca, quando esta ainda se encontra verde e húmida, logo depois deixa-se secar à sombra durante cerca de uma semana e meia, e só depois se poderá proceder ao trabalho de acabamento.

A Corda:

Em tempos remotos, eram usados como fio para este instrumento, sipó ou vísceras de animais, só muito tempo depois se introduziu o uso do arame comum (recozido), para só depois então, com a chegada dos primeiros automóveis importados a Salvador, segundo mestre Pastinha em relato a Emília Biancarde, os tocadores, que na sua maioria trabalhavam como estivadores nas docas de salvador, descobrirem que o arame temperado existente nos pneus dos carros produziam um som melhor que o sipó-timbó ou arame comum, e passaram a utilizá-lo.

A Cabaça:

(Cucurbita Lagenaria, Lineu) É uma planta rampante. De uso múltiplo e secular entre os utensílios domésticos, herdados da indiaria. Deve ser utilizada quando bem seca, cortada no caule, lixada por dentro a fim de limpá-la das sementes e vestígios de fibras encontrados no seu interior, para depois serem feitos dois furos, onde passará um cordão a fim de fixá-la na verga, esta terá a função de ampliar o som do arame percutido. Mestre João Pequeno, quando do término de sua roda na academia João Pequeno de Pastinha, localizada no Forte Santo António, utiliza-se da cabaça como forma de ampliar a sua voz, para proferir a sua palavras aos capoeiristas e público presente na sua academia.

O Dobrão:

Segundo relato de Mestre Pastinha, nos primitivos berimbaus, os músicos utilizavam as unhas do dedo polegar, como forma de obter efeito sonoro, colocando-a próxima ou distante da corda. O nome dobrão, tão caro ao Mestre Noronha, é tomado da moeda de 40 reis, sendo essa uma peça de cobre com cerca de 5 centímetros. No entanto, muitos capoeiras preferem o uso dos seixos como forma de modular as notas e, segundo Dr. Decânio, os africanos costumam utilizar-se desta mesma pedra. Em Portugal os seixos são encontrados em abundância, nas margens das suas praias com características rochosas, moldados pelo mar, tomando uma forma cilíndrica quase que perfeita, óptima para o manuseio.

A Baqueta:

medindo cerca de 40 centímetros, é utilizada para percutir no arame montado na verga e, dependendo do gosto do tocador, ela pode ser leve ou pesada, tem de ser feita com material resistente, como ticum, lasca de bambu, ou até mesmo eucalipto.

As partes do Berimbau:

Em visita a Associação de capoeira Mestre Bimba, presidida e orientada pelo Mestre Bamba, tive o prazer de conversar com o já citado Mestre Marinheiro, que definiu os nomes das partes do berimbau como sendo:

Birro:

acabamento na parte inferior da verga, onde o arame é fixado, alguns capoeiristas chamam-no de “casa”. Existem diferenças na forma como são encontrados os Birros, na Capoeira Regional, pode ser pontiagudo, e na angola, feito com uma saliência.

Argola:

Extremidade da parte inferior do arame, onde será fixo no birro.

Presilha:

É na verdade, o cordão que serve para prender a cabaça na verga e no arame.

Couraça de protecção ou couro:

É um pequeno disco de cabedal grosso, fixo na extremidade superior da verga, como forma de evitar que o arame penetre na verga inutilizando-a.

Ponteira:

extremidade superior da corda (arame), onde este se encontra moldado como uma argola, e onde é preso um cordão de algodão ou sisal, que irá tencionar o fio de arame, e fixá-lo na verga.

Outras partes do Berimbau:

Verga, cabaça, baqueta, dobrão ou seixo, arame de aço, e ainda como complemento o caxixi.

 

Fonte: Blog Capoeira Alto astral