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Festas e rituais da Bahia são homenageados em samba enredo da Portela

“Madureira sobe o Pelô, tem capoeira / Na batida do tambor, samba ioiô / Rola o toque de olodum… lá na Ribeira / A Bahia me chamou”.

Era esse o som que se ouvia na quadra do River Futebol Clube na tarde deste sábado (03/12), no Rio de Janeiro. O estado da Bahia, representado pela Bahiatursa – na pessoa de Domingos Leonelli, secretário de turismo da Bahia -, foi homenageado pela escola de samba Portela no samba enredo do Carnaval 2012.

Na feijoada do Grupo Recreativo Escola de Samba Portela, a Bahiatursa e mais de 200 operadores e agentes de viagens baianos eram convidados especiais. Com muita alegria, Leonelli contou que a Bahia será destaque na “passarela do samba” durante 160 minutos no Carnaval do ano que vem.

“Em 2012, nosso Estado será homenageado por duas escolas de samba cariocas. A Portela homenageia com o enredo sobre rituais e festas baianos. Já a Imperatriz Leopoldinense destaca a Bahia ao homenagear Jorge Amado. É uma exposição extraordinária, além de ser uma honra, é claro”, disse.

Muito além do enredo, que deixa o Estado em evidência na mídia internacional por conta da visibilidade do Carnaval do Rio, a Secretaria de Turismo da Bahia tem realizado muitas ações para aproveitar ao máximo a exposição.

“É uma sorte muito grande e precisamos maximizar os efeitos desse momento. Estivemos com a Portela na última Abav, no Soccerex e,hoje, na feijoada. Convidamos mais de 200 agentes e operadores da Bahia. Em breve, a Bahiatursa também estará na reinauguração da quadra da Portela. E a Portela, aliás, também tem participado de ações na Bahia e participará do Salão de Turismo em março do ano que vem. Ontem, o Diogo Nogueira, sambista e portelense, participou de uma ação no Elevador Lacerda, em Salvador. E não pararemos por aí. Estamos trabalhando nas ações para o pós-Carnaval”, contou o secretário.

A presença da Bahia no Carnaval carioca atrai atenção para o Estado, divulga sua cultura e agrega benefícios econômicos. Entretanto, Leonelli destaca outro aspecto que é beneficiado. “É muito bom ver a Bahia, que é terra do samba, presente no Carnaval do Rio. O turismo se beneficia, é claro, mas essas oportunidades despertam o que o setor tem de melhor: as relações interpessoais”, comentou.

Quem estava presente também era Luiz Carlos Brasileiro, secretário de Cultura e Turismo de Maragojipe, a 120 quilômetros de Salvador. Ele contou que o a cidade terá uma ala exclusiva no desfile da Portela. “Nosso Carnaval é muito tradicional, com mascarados e tudo mais. A essência do samba nasceu no recôncavo baiano e agora tem reconhecimento internacional”, contou.

“Está ouvindo? Esse é o melhor samba enredo do Carnaval de 2012. Vai ganhar, com certeza!”, despediu-se Leonelli. Eram esperadas 3 mil pessoas no evento, que contou com a presença de representantes da Bahiatursa; da diretoria, bateria e musas da Portela; da rainha de bateria e atriz, Sheron Menezes; e do compositor baiano Nelson Rufino, além de show de Gilsinho e Seus Capangas.

 

Fonte: http://www.mercadoeeventos.com.br

Grupo Coquinho Baiano lança CD

Foi lançado nesta quinta-feira o CD Produção de Saberes – Cantigas de Capoeira, do Grupo de Capoeira Coquinho Baiano.

O grupo de Campinas, interior paulista, produziu o CD com apoio do Fundo de Investimentos Culturais da cidade e da Prefeitura de Municipal.

A partir da segunda-feira, dia 12 os interessados poderão adquiri o CD por R$ 7 pelos telefones (19) 9227-2948, 9212-4824 e 3521-7147, pelos e-mails macacocoquinho@gmail.com, stu@stu.org.br ou pessoalmente no STU.

Fonte: http://capoeiradevenus.blogspot.com

 

Grupo de Capoeira Coquinho Baiano – Historia

Ao longo da década de 60 vieram para São Paulo muitos capoeiristas baianos, que chegando aqui, na dura batalha pela sobrevivência estabeleceram-se nos mais diversos ofícios. Por volta de 1967, os mestres Suassuna e Brasília abriram juntos uma academia de capoeira, a Cordão de Ouro. Na medida em que foram conseguindo alguma estabilidade, os migrantes baianos incentivaram parentes e amigos a fazerem o mesmo.
Suassuna, baiano de Itabuna, pretendendo, no início dos anos 70, abrir uma frente de expansão do ensino da capoeira em Campinas, enviou para essa cidade o capoeirista Tarzan que tinha acabado de migrar da Bahia para São Paulo.

Era 1974 quando os mestres Godoy e Maya iniciaram o aprendizado de capoeira. Ambos treinaram durante um tempo relativamente curto com o mestre Tarzan, pois este se desentendeu com a proprietária da academia e resolveu desenvolver trabalho autônomo com o nome de “Academia Beira-Mar”. O Jurema, que era professor formado pelo mestre Suassuna, ficou no lugar, com o nome de “Academia Senhor do Bonfim”. Quando o Professor Jurema parou com a prática de capoeira, em 1975, Godoy, Maya e Wilton assumiram a função de professores no mesmo espaço físico, ainda sob o nome de “Academia Senhor do Bonfim”. O trabalho cresceu e, em 1976, Godoy e Maya decidiram fundar a “Academia de Capoeira Coquinho Baiano”.

Desde então, passaram inúmeros capoeiristas, dentre os quais muitos se formaram a mestres, contramestre e instrutores. A Academia de Capoeira Coquinho Baiano tornou-se referência de capoeira e palco para encontros e discussões das mais variadas manifestações culturais brasileiras.
Desde 2005, o Grupo de Capoeira Coquinho Baiano passou a ser representado pelos Mestres Paulão, Tozinho e os contramestres Dito, Tuim, Macaco, Marcelo, preservando sua própria história como uma das poucas Associações formadas na década de 70 que resistiram ao tempo.

Atualmente a Coquinho Baiano mantém vários núcleos principalmente no Estado de São Paulo e em alguns paises da Europa, contribuindo para a valorização e o reconhecimento social, cultural e educacional da Capoeira, cultivando a relação Mestre-discípulo, vivenciando a complexidade da Capoeira luta, jogo, dança, música, esporte, expressão corporal, filosofia de vida.


“Não diga o que a Coquinho Baiano pode fazer por você e sim o que você pode fazer por ela”

Sucesso
Mestre Carlos Macaco
Fone: 19 92124824 – 92272948

http://www.coquinhobaiano.org.br/

A Revolução de 2 de Julho de 1823

Às margens do Ipiranga nada. Foi no Recôncavo que o Brasil se libertou.

Se não fosse pela Bahia, a independência do Brasil não teria ocorrido. Duvida?

Em 7 de setembro de 1822, quando D. Pedro lançava para a História o seu famoso mote, apenas um pedaço do país podia se considerar de fato livre. “Independência ou morte” ainda era a sangrenta aspiração de várias outras províncias. As batalhas tomaram conta da Bahia em fevereiro daquele ano, e só terminariam em 2 de julho de 1823.

Por que, então, os baianos deveriam celebrar o Sete de Setembro? Dois de Julho é sua festa oficial — a maior e mais popular. As comemorações têm início no município de Cachoeira, onde é acesa uma tocha simbólica em homenagem aos heróis. Prosseguem pelas cidades de Saubara, Santo Amaro da Purificação, São Francisco do Conde, Candeias e Simões Filho até chegar ao bairro do Pirajá, em Salvador, ainda no dia 1º. Ao amanhecer do dia 2, o cortejo segue para a Lapinha onde ocorre o “encontro dos caboclos”. Após percorrer as ruas do Centro Histórico, terminam no Campo Grande, com o acendimento da pira dentro do Parthenon, junto aos restos mortais do general Pedro Labatut – mártir da independência.

Em 2008, pela primeira vez a capital do estado é transferida simbolicamente para Cachoeira, principal núcleo de resistência às tropas de Lisboa. Lá, o governador se reúne com representantes dos municípios que à época reconheceram a autoridade soberana do príncipe D. Pedro. Para os próximos anos, a transferência da capital está incorporada ao calendário da festa.

E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilha mesmo é no céu do Recôncavo.

O exelente texto de Filipe Monteiro e Mariana Benjamin ( Revista de História da Biblioteca Nacional), acima apresentado, foi a inspiração para acionar o amigo e parceiro, sediado em Salvador, prof. Acúrsio Esteves o qual acompanhado pelo Prof. Luciano Meron nos brindou com esta fantástica reflexão sobre o contexto histórico e a Independência da Bahia.

Matéria Especial de Aniversário.

 

A Revolução de 2 de Julho de 1823

Prof. Acúrsio esteves / Prof. Luciano Meron – Julho 2009

A Missão

Recebi de Milani a tarefa de verificar possíveis indícios de participação de capoeiristas nas lutas pela independência da Bahia. Diligente, fui pesquisar nas bibliotecas de Salvador e no Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, presidido pela historiadora professora Consuelo Pondé, e não encontrei um registro sequer de tal participação de forma organizada ou reconhecida, como foi na Guerra do Paraguai.

É óbvio, porém, que as batalhas acontecendo em Salvador e recôncavo baiano, – Cachoeira, São Félix, Maragogipe, Santo Amaro, Itaparica, São Francisco do Conde dentre outras cidades – berço dos capoeiristas mais famosos da Bahia, eles estavam com certeza presentes nas referidas contendas. Esta certeza se dá porque as tropas brasileiras eram compostas de pessoas comuns, brasileiros baianos que se revoltaram com a situação de jugo e literalmente “partiram pra cima” dos lusitanos. Entre eles, é claro, devia haver muitos capoeiras.

Porém, não temos elementos factuais, históricos, para afirmar que esta participação foi resultado de uma ação organizada dos capoeiras. Eles também estavam lá como o lavrador, o boiadeiro, o sapateiro e o escravo.

Porém, temos a certeza de que se não tivesse havido a revolta dos baianos contra os portugueses que insistiam em permanecer no Brasil após o grito de independência dado por D. Pedro I às margens do riacho Ipiranga, o mapa do nosso país seria hoje muito diferente do que é.

Um Pouco de História

Madrugada de 2 de julho de 1823. As tropas portuguesas que permaneceram no Brasil ocupando a Bahia após o “grito de independência” dado por D.Pedro I em 7 de setembro de 1822, desocupam a cidade do Salvador e evadem pelo porto. Depois de 18 meses de batalhas os cidadãos baianos voltam a ter controle sobre sua capital, a segunda mais importante cidade do Brasil no século XVIII. As tropas de Madeira de Melo perdiam a batalha.

Os gritos de independência ecoavam na Bahia décadas antes do movimento separatista de 1822. A Conjuração Baiana, de 1798, já conclamava a população a lutar pela independência. A ebulição política provocada pelo retorno de D. João VI, em abril de 1821, a Portugal e a posição das elites lusitanas de manter o Brasil como colônia ressuscitaram o velho ideal separatista.

À medida que se formava um bloco político ao redor de D. Pedro I, no intuito de consolidar os interesses nacionais, as relações entre portugueses e brasileiros se deterioravam. Autoridades portuguesas, especialmente militares, se colocavam abertamente contra lideranças brasileiras que criticavam o domínio lusitano. Na Bahia os atritos chegariam às ruas e confrontos entre unidades militares portuguesas e brasileiras começaram a ocorrer. Populares baianos apedrejavam portugueses em ruas da cidade. O clima era tenso.

Prevendo o pior, as autoridades portuguesas modificam o comando das forças estacionadas na Bahia, em janeiro de 1822. É nomeado o brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo como Comandante das Armas da província. Este procuraria apoio nos portugueses que viviam na cidade, especialmente comerciantes, que eram favoráveis á manutenção da dominação. Os primeiros atritos ocorreriam neste período, com a guarnição do Forte de São Pedro se rebelando e tiroteios sendo deflagrados pela cidade. À caça de revoltosos, tropas portuguesas invadiriam o Convento da Lapa, acarretando na morte da abadessa Joana Angélica.

Os conflitos provocaram o esvaziamento da cidade e a chegada de tropas – vindas do Rio de Janeiro – para reforçar as unidades lusitanas apressaram o processo. A guerra estava a um passo.

Cachoeira: Adesão à D. Pedro

A tensão política e os primeiros conflitos na Cidade do Salvador culminaram com a ruptura em relação à metrópole. A vila de Cachoeira manifesta-se favorável a que a Bahia passasse para a regência de D. PedroI, no Rio, ato que é logo seguido por outras vilas do recôncavo.

Uma Junta Conciliatória de Defesa é formada na cidade, aonde voluntários vindos do interior passam a ser treinados e defesas começam a ser organizadas em pontos estratégicos. As tropas profissionais que havia no Brasil eram predominantemente portuguesas, o que criou uma série de dificuldades para os separatistas. Era necessário treinar homens sem a menor experiência militar para lutar contra soldados experimentados e protegidos por fortalezas que cercavam a cidade. Daí a razão para a contratação de militares estrangeiros, como o oficial francês Pierre Labatut.

Ainda no recôncavo baiano seriam travados combates e escaramuças do tipo guerrilha, onde estes voluntários teriam grande importância. É nesta época que surge a figura de Maria Quitéria, que se travestiria de homem para se juntar às unidades que combatiam os portugueses.

Ainda em Cachoeira é organizado um novo governo, para comandar a resistência, a 22 de setembro de 1822, sob a presidência de Miguel Calmon do Pin e Almeida, futuro Marquês de Abrantes.

A Luta por Salvador

O Gen. Madeira de Melo tinha a vantagem de ter o porto como uma porta de entrada e saída da cidade em seu poder, mas, em contra partida tinha a península sob a ameaça das forças que vinham do recôncavo.
Neste contexto, dominar a Estrada das Boiadas era fundamental para sitiar a cidade. Esta estrada ligava Salvador ao norte da Bahia, num ponto em que hoje é conhecido como Pirajá, além disso, o domínio dessa região permitiria controle sobre a enseada de Itapagipe.

Desenho alusivo à Independência da Bahia, representando a participação do nativo brasileiro nas batalhas que levaram este estado à completa emancipação de Portugal. A Mesmo mal armados, com tropas heterogêneas _ contanto até com escravos _ predominando pessoas do povo, as forças patrióticas resistiram e aos poucos fecharam o cerco sobre a cidade. Soldados convergiam de várias áreas no esforço contra as unidades lusitanas, que tinham a confiança na vitória, já que predominava a inexperiência entre os brasileiros.  

No início de novembro de 1822, Madeira de Melo tentou romper o cerco: Ao amanhecer de 8, a Infantaria portuguesa desembarcou em Itacaranha e Plataforma; Ao mesmo tempo outras tropas atacaram Cabrito, ameaçando a retaguarda brasileira. Após cinco horas de violentos combates, sem um resultado decisivo, as tropas brasileiras começaram a recuar. Temiam um envolvimento e, conseqüentemente, um cerco. Neste instante ocorreu um fato duvidoso, mas extremamente curioso. O corneteiro Luis Lopes ao invés de tocar o recuo, ordenou o avanço da cavalaria com o som de “avançar e degolar”.

As forças lusitanas se aterrorizaram, acreditando haver reservas de cavalaria entre os nacionalistas. A confusão foi geral. Os oficias brasileiros perceberam a oportunidade de passaram à posição ofensiva, forçando as unidades de Madeira de Melo a abandonarem o campo de batalha.

Desesperado e na defensiva, Madeira de Melo ainda tentaria um assalto à Ilha de Itaparica, em janeiro de 1823, mas as forças locais resistiram ao assalto das embarcações de guerra e da infantaria lusitana. No mês seguinte algo parecido seria tentado pela região de Itapoã, mas, mais uma vez, as forças sitiadas fracassaram. O fim era uma questão de tempo.

A reviravolta se deu plenamente com a chegada de uma frota, vinda do Rio de Janeiro, com oito embarcações que apoiariam os baianos. Como ocorreu com o exército patriótico, a força naval necessitava de homens e oficiais experimentados, assim à frente dessa pequena esquadra estava o almirante inglês Lord Thomas Cochrane.

Com um cerco de mais de 11 mil homens e vários navios, Madeira de Melo se via sem alternativas. Em fins de junho decide por abandonar a cidade e aproveitando brechas no cerco naval evacua seus homens. Salvador passava novamente às mãos dos brasileiros e o Brasil, verdadeiramente livre.

 


  • Outras Informações (Fontes Externas):

Personagens Relevantes:

Caboclo e Cabocla:

Estas figuras simbólicas foram criadas para homenagear os batalhões e os heróis de 1823 que, pela bravura e coragem, lutaram pela liberdade do Brasil. A história conta que o povo resolveu fazer sua própria comemoração e, em 1826, levou uma escultura de um índio para representar as tropas, já que não poderia ser um homem branco, porque lembrava os portugueses, nem os negros que, na época, não eram valorizados. Vinte anos depois, a Cabocla foi incluída nas comemorações.

Maria Quitéria:

A maior heroína nas lutas pela independência do Brasil, na Bahia. Maria, ao ficar sabendo das movimentações sobre as lutas da independência, conseguiu uma farda do exército e se alistou para combater as tropas portuguesas. Participou de diversas batalhas e foi consagrada solenemente na chegada do exército à Salvador.

Joana Angélica:

Abadessa no convento da Lapa, Joana tentou proteger os soldados brasileiros contra a invasão do convento, mas acabou sendo morta.

Brigadeiro Ignácio Luiz Madeira de Mello:

Vindo de Portugal, assumiu o governo das Armas por imposição portuguesa. Tomou posse utilizando a força bruta e dominando a cidade de Salvador. Fortaleceu a relação entre Portugal e Bahia. Lutou contra o exército brasileiro.

General Pedro Labatut:

Foi quem assumiu o exército brasileiro das mãos do coronel Joaquim Pires de Carvalho e começou a enfrentar o exército português. Um homem duro, Labatut conseguiu reestruturar as tropas e reerguer a vontade pela liberdade do Brasil.

Coronel José Joaquim de Lima e Silva:

Assumiu o comando geral do exército brasileiro depois da prisão do general Pedro Labatut. Fez uma intensa ofensiva às tropas portuguesas. Conseguiu derrubar Madeira de Mello e assumir de volta a cidade de Salvador, vencendo a guerra.

 

O Brasão:

Com a independência política da Bahia foi necessário criar um Brasão de Armas. Ele tinha que representar os valores materiais e simbólicos da conquista, sem esquecer das batalhas e lutas que foram necessárias. Muitos estudos foram realizados e o povo teve a oportunidade de interferir. As idéias populares tornaram-se projetos na Assembléia Legislativa, em 1947.

Depois de analisados os projetos, a Câmara dos Deputados teve,em mãos, um projeto que reunia todos os pontos de vista, quer heráldico, político, espiritual ou tradicional e assim foi criado o Brasão ao 2 de Julho.

Curiosidades:

Uma luta tão duradoura, tão visceralmente ligada às aspirações de um povo, deixou um variado legado no folclore.

O historiador José Calasans registrou algumas quadrinhas que eram cantadas, de ambos os lados (portugueses e brasileiros):

Alegoria do “Caboclo”
* Dos portugueses, parodiando o Hino do Brasil:

Brava gente brasileira
Do gentio da Guiné
Que deixou as cinco chagas
Pelos ramos do café.

“cinco chagas” referia-se à bandeira portuguesa
“ramos do café”, alusão à bandeira adotada por Pedro I.

* Dos brasileiros, contra seus adversários, as quadrinhas:

Labatut jurou a Pedro,
Quando lhe beijou a mão,
Botar fora da Bahia
Esta maldita nação!

O Madeira queria
se coroar!
Botou uma sorte,
Saiu-lhe um azar!

 

Fontes:

http://www.revistadehistoria.com.br

http://ibahia.globo.com/especiais/2dejulho/

Reconhecimento da capoeira

Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em solenidade recente em Salvador, com as presenças do presidente da Senegal Abdoulaye Wade e do governador Jaques Wagner no Dia Mundial da África, passou uma significativa parte de seu discurso se referindo a importância da capoeira; seus atores e o saldo positivo que a arte-luta nascida nos canaviais do Recôncavo da Bahia, trás para a imagem da cultura do Brasil e, segundo ele hoje praticada “em mais de 170 países”, não vimos no palco, nem na platéia de um mil e quinhentos lugares do Teatro Castro Alves, nenhum dos tradicionais mestres baianos da arte citada pelo presidente. Estaria ele e seus assessores, na frente da Fundação Palmares, o “braço afro” do Ministério da Cultura e organizadora do evento?

Quantos mestres baianos e do Brasil, têm em seus passaportes dezenas de carimbos, para levar a capoeira ao mundo, mas, ao retornarem, vivem em condições precárias? Uma contradição com a dignidade e conforto com que são recebidos nas universidades internacionais onde lideram grupos e academias com estrutura dificilmente encontradas aqui! Respondendo a esta pergunta e corrigindo este erro cruel como a escravidão, de onde surge a capoeira, a Associação Brasileira de Capoeira Angola, ABCA – fundada em 1987 por mestres como João Pequeno de Pastinha, Paulo dos Anjos, Valdemar da Paixão, Boca Rica, Ferreirinha de Santo Amaro, Nô, René, Curió, Papo Amarelo, Calazans, – se organiza para lutar por uma lei que existe desde 2002,  já em vigor apenas em Pernambuco, Alagoas e Piauí. A Lei do Patrimônio Vivo. Organizam-se para dar uma contribuição no sentido de que equívocos como estes cometidos no evento de lançamento do Festival Mundial das Artes Negras, não mais aconteçam. Para que as palavras do presidente Lula não estejam à frente das ações locais e nacionais.

Em 1966, quando foi realizado o primeiro festival em Senegal, que hoje nos homenageia, o Itamaraty convidou Olga de Alaketu, Camafeu de Oxossi e Vicente Ferreira Pastinha com seus alunos, entre eles mestre João Grande, homenageado na Casa Branca e hoje a meu pedido, o único convidado oficial representando a capoeira, para o FESMAN 2009.  A ABCA, com apoio da prefeitura de São Francisco do Conde, um portal da cultura e das tradições do Recôncavo Baiano;  deputados e vereadores comprometidos com a cultura popular, abrem os caminhos para tirar o nefasto atraso do reconhecimento dos mestres dos saberes, com seus violeiros, repentistas, mestres de saveiros; da culinária; das danças; dos bumbas-meu-boi; mestres dos artesanatos; da capoeira. A capoeira substantivamente reconhecida pelo presidente Lula na Bahia. Preparam o Fórum que deverá redigir o texto da lei que será entregue ao governador, em solenidade com convidados que cultuam a beleza das manifestações populares.

Lucia Correia Lima – luciacorreialima@hotmail.com é jornalista, fotógrafa, roteirista e capoeirista.  Diretora de Projetos e Comunicação da ABCA

Bahia: Profusão de sotaques e mercadorias vira emblema da identidade cultural

A primeira configuração do Mercado Modelo, consumida por um dos quatro incêndios
No burburinho que envolvia um sem-número de idiomas, era quase impossível distinguir alguma frase com sentido. Mas, incrivelmente, toda aquela confusão de sotaques dava certo. Na linguagem universal do comércio e do negócio popular, portugueses, espanhóis, árabes e mais uma infinidade de trabalhadores, recrutados de Itapuã a Itapagipe, davam vida e alma ao Mercado Modelo, enchendo-o de uma confusão sonora. Eles chegavam pela manhã e preparavam aquela enorme babel para mais um dia na embaixada popular.
No bairro Comercial, que concentrava função portuária, a Torre de Babel se não atingiu o céu, seduziu baianos, boêmios ou não, turistas, intelectuais e gente do povo. Hoje, a pronúncia por lá não é única. O mercado continua sendo parada obrigatória para estrangeiros que fazem do passeio uma experiência de descoberta sobre o comportamento local. Quando foi criado, no entanto, o seu público era formado basicamente por baianos e apenas curiosos viajantes.
A primeira versão do Mercado Modelo foi construída em 1912, no governo de J.J. Seabra. Ficava entre a Praça Visconde de Cairu e a Escola de Aprendizes da Marinha – atualmente representado pela fonte-escultura de Mário Cravo Júnior – e correspondia a um exemplar do remodelamento urbanístico da época.
Ali, bem em frente à rampa, o mercado magnetizava. À primeira vista, a simplicidade do lugar camuflava a riqueza de nacionalidades, de produtos e mercadorias, atitudes, modos de ver o mundo. Lá, "se entrava nu e saía comido e vestido", conforme ditado popular corrente das primeiras décadas do século XX. De quebra, poder-se-ia fazer um jogo, atualizar-se na literatura de cordel, comprar folhas para um banho e provar da mais límpida e irresistível cachaça aos desejosos pratos da comida baiana.
Sua força aglutinadora o transformou em um dos grandes centros de abastecimento da capital e não só dela. Era entreposto de escoamento de toda a produção do recôncavo. Os saveiros vindos de lá e de Itaparica, carregados de mercadorias, retornavam com os mastros inclinados cheios de novas experiências e histórias. Sem esquecer, claro, da farinha de trigo, querosene e gêneros alimentícios de outras regiões, após a estadia encerrada com samba-de-roda, jogo e capoeira.
No mercado era possível encontrar comerciantes dos ramos de secos e molhados, verduras e frutas, armarinho e confecção, bares, carnes, animais silvestres, mariscos e peixes. Se não dentro do edifício retangular – que surpreendeu o imaginário barroco da época ao ser construído todo em metal, nas barracas que se espraiavam ao longo da rampa ou cercando-o. Outra infinidade era a de personagens: saveiristas, comerciantes locais e estrangeiros, donas de casa, sambistas, malandros, carregadores, mulatas, crianças, artistas, políticos e personalidades mundiais.
Babilônia da cultura popular, era a "Porta de Deus" – do assírio báb-ilu – com exemplares variados e surpreendentes da fauna e flora regionais e também de espécimes originárias do outro lado do Atlântico: noz de cola, orobôs, panos-da-costa, miçangas, que ocupavam as barracas de fundamentos de candomblé, variedade comandada por iniciados e figuras simbólicas como mãe Senhora, proprietária da emblemática A Vencedora, e Camafeu de Oxóssi, que antes do famoso restaurante, era visto em sua Barraca São Jorge.
"O Mercado Modelo era um exemplo de alegre confusão, onde se acotovelavam comerciantes de legumes, de charque, carne-de-sol e farinha de mandioca, as bancas de peixe, as de ervas medicinais, imagens religiosas e objetos para o candomblé, velas e literatura do cordel, roupas, calçados, chinelos, arreios, correias, cintos e sacola de couro, cestos e objetos de vime, fumo de rolo em forma de corda e charutos feitos de mão", escreve no livro Retratos da Bahia, Pierre Verger, que focalizou ainda a dormência dos peões depois do expediente, recostados na balaustrada defronte ao Mercado.
No ramo de verduras, os portugueses, em grande parte, estavam à frente. Já os imigrantes árabes respondiam pelo ramo de armarinhos, confecções e sapatos. Quem não podia pagar por roupas novas tinha a opção dos "belchiores", espécie de bricabraque de roupas e sapatos usados, geralmente vendidos por viúvas recentes a comerciantes italianos e brasileiros. Cereais, charque, toucinho e similares eram vendidos em estabelecimentos comandados por brasileiros, espanhóis e portugueses. Os espanhóis dominavam ainda o comércio de bares, instalados em lojas que se abriam para o exterior. Foi numa dessas que o personagem Joaquim Soares da Cunha, o Quincas, ganhou a alcunha de berro d´água, imortalizado na prosa de Jorge Amado.
Aos 16 anos, em uma dessas firmas, a Antônio Garcia Couto, começou Américo de Oliveira Lopes como balconista. Hoje com 84 anos, empresta o nome, seu Américo, a uma das ruas do Mercado Modelo atual, na Praça Visconde Cairu, onde funcionou até 1958 a terceira Alfândega. "Comecei na firma dos espanhóis que vendiam cereais. E fiquei trabalhando com eles por 28 anos. Todo comerciante tinha morada para os funcionários. Eu morava na república, que era então atrás do Mercado", recorda-se seu Américo, proprietário da Cantina Imbé Preto.
Para ele, a simplicidade, o bom tratamento dado pelos negociantes aos clientes, a oferta indescritível de produtos e a feira de mariscos e peixes eram os responsáveis pela atração de uma clientela de intelectuais, plebeus e nobres, como a rainha Elizabeth II que fez uma visita ao estabelecimento em 1968. Mas, por modéstia, o próprio seu Américo esqueceu de elencar aquelas figuras e personagens que, como ele, davam ao Mercado uma cor única.
Para o jornalista Odorico Tavares, freqüentador assíduo da rampa e de uma das mesas do Restaurante Maria de São Pedro no Mercado Modelo, na primeira metade do século XX, aquilo não era bem uma feira: "É uma exposição permanente dos produtos da terra". E não só deles, como também de gente da terra. Afinal, era no mercado que se dava "à conversa solta e sem pressa, ao trago de cachaça, ao caldo da lambreta, ao vatapá oloroso, ao sarapatel de miúdos de porco", resume assim Jorge Amado um centro de vida popular, em Bahia de Todos os Santos: Guia de ruas e mistérios.
Seu Américo é um dos poucos remanescentes do antigo mercado ainda na ativa. A maioria já morreu e os pontos foram passados para outras pessoas ou são gerenciados por descedentes, como Leopoldo Carrera, 57 anos, neto de espanhol e filho de Leopoldo Carrera Pinheiro, 82 anos. Ele herdou do pai, que dá nome à rua onde está instalado o bar, um local de resistência ainda freqüentado por baianos.
O encantamento resistiu a três incêndios no antigo mercado, nos anos de 1922, 1943 e 1969, e ao último, em 1984, já quando instalado no prédio atual. Envoltos em mistério e contradições nunca foram totalmente esclarecidos. O mercado acompanhou as alterações da vida econômica e social da cidade e quando é forçado a mudar para o imponente prédio da Alfândega, em 1971, passa a vender apenas artesanatos e produtos de lembranças da Bahia.
Com novo ramo, muitos continuaram acreditando. O marchand e colecionador Dimitri Ganzelevitch, francês, nascido em Marrocos e de ascendência russa, sentiu aquela energia magnetizante e fez história, como os demais estrangeiros, ao abrir a primeira galeria de arte dentro do Mercado Modelo na década de 80. "O Mercado Modelo me ajudou a entender melhor a Bahia: a convivência harmoniosa entre diversas classes sociais. Foi uma experiência humana muito forte. Eu sempre me interessei por arte popular, mas a cultura popular brasileira, o conjunto de bens imateriais se impôs para mim nas portas do mercado", contou Ganzelevitch, proprietário por 16 anos da Galeria Flecha, que divulgava artistas locais. Mistério e descobertas fazem parte deste universo do Mercado Modelo. Onde encanto e magia reinaram absolutos e crenças e superstições alimentam a saga de seus novos habitantes. Nas palavras do sambista Riachão que tão bem canta as peculiaridades da Bahia: era mercado da felicidade.
 
 
Fonte: Correio da Bahia – http://www.correiodabahia.com.br

A ORIGEM DA CAPOEIRA DA BAHIA SEGUNDO MESTRE NORONHA

O trecho abaixo reproduzido (escaneado) dos manuscritos de Noronha confirma a nossa versão da origem do jogo da capoeira ou, como preferimos chamar, da capoeira da Bahia

Transliteração datilográfica:

…"PORQUER E NOSSO PREVILEGIO. ACAPOEIRA VEIO DA AFRICA TRAZIDA PELLO AFRICANO TODOS NOIS SABEMOS DISCO POREM NÏ ERA EDUCADA QUEM EDUCOR ELLA FAMOS NOIS BAHIANO PARA SUA DEFEISA PESSOAL QUE ESTAR NOIUS MEIOS ÇOCIAL PORQUE É O ESPORTE MAIS ATRAENTE DO MUNDO"…

Versão em linguagem corrente

"Porque é nosso privilégio. A capoeira veio da África, trazida pelos africanos; todos nós sabemos disto; porém não era educada. Quem educou ela fomos nós, os baianos para sua defesa pessoal, que está no meio social, por que é o esporte mais atraente do mundo"…

Comentários

Apesar da baixa escolaridade, Noronha, era inteligente, observador e arguto, como a maioria dos mestres e capoeiristas de sua época, observando, analisando, deduzindo e concluindo a propósito da sua grande paixão, a capoeira.
Inserido em ambiente de cultura predominantemente oral, repetia a tradição, sem deixar de indagar a credibilidade das informações, cotejando-as com sua experiência pessoal e tentando inclui-las no contesto da época.

A tradição oral brasileira associava, naquela época, a capoeira aos africanos, especialmente angolanos, por ser praticada pelas classes populares, especialmente portuários e marítimos, constituída em sua grande maioria por africanos, seus descendentes (puros ou mestiços), indígenas e brancos pobres, aculturados ou boêmios; porém o Mestre Noronha percebeu que os componentes locais que lhe emprestavam um cunho regional, nitidamente distinto das manifestações angolanas.
Assim é que, apesar de a reconhece-la como fundamentada em elementos originalmente africanos, a capoeira é orgulhosamente encarada pelo Mestre como desenvolvida pelos baianos nos seus aspectos mais nobres, aqueles que lhe dão conteúdo educacional, social e permitem aplicações práticas (aptidão física, defesa pessoal, terapêutica) e lhe emprestam identidade própria.

Concorda portanto, o Mestre com tese por nós desenvolvida no início dos anos quarenta, da origem reconcaveana da capoeira.