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Escola de Capoeira Angola Resistência comemora os 125 anos de história do Mestre Pastinha

Entre os dias 31 de março e 6 de abril, a Escola de Capoeira Angola Resistência comemora os 125 anos de história do Mestre Pastinha, um dos principais mestres de Capoeira da história, com uma semana de diversas atividades.

Na programação da semana está uma exposição de fotos retratando um pouco da vida do Mestre Pastinha, a exibição do filme “Mestre Pastinha, Uma vida pela capoeira”,  roda de conversa, aula aberta de Capoeira Angola com professores, além de muita roda de capoeira.

As atividades acontecem em diferentes locais da cidade de Campinas e também em Hortolândia. Haverá rodas de capoeira na Praça Rui Barbosa, na Lagoa do Taquaral, na Estação Cultura, onde fica a sede da escola em Campinas, e nos núcleos de Hortolândia, Pirassununga e Barão Geraldo.

Mais informações em nosso site: www.escolaresistencia.com.br

Roda da Amizade: Homenagem a Antenor Barbosa o “Papagaio”

CAPOEIRAS DE BARRA DO CORDA FARÃO A “RODA DA AMIZADE” EM HOMENAGEM A ANTENOR BARBOSA o PAPAGAIO

Os capoeiras de Barra do Corda farão novamente a Roda da Amizade organizada pelo Grupo Angoleiros da Barra, o GABA Capoeira Angola, coordenado pelo Professor Irapuru. A roda tem como objetivo principal, congregar todos os cordinos praticantes da Capoeira, independente de grupos e estilos. A concentração está marcada para porta da casa da senhora Alda Brandes na Rua Arão Brito, próximo a Caixa Econômica, no Centro da cidade, a partir das 16 horas de sábado 4 de fevereiro. Da casa de Dona Alda os capoeiras realizarão um cortejo de berimbaus que subirá o morro do Calvário onde acontecerá a Roda.

Os alunos do Trabalho Educacional Ação Roda Mundo Capoeira Angola da Secretaria Municipal de Educação, o Grupo Mundo Capoeira através de Mestre Macaco, o Grupo Vo2 Max do Professor Mateus e o Grupo Passos da Liberdade através de Boca Rica, todos de Barra do Corda, já garantiram suas participações no movimento, que também será realizado em homenagem ao professor ANTENOR BARBOSA falecido em 31 de dezembro.

A Roda da Amizade estava marcada para o dia 31 de dezembro, data que aconteceu a primeira Roda da Amizade em 31 de dezembro de 2009, oportunidade em que ficou firmado pelos capoeiras de Barra do Corda, que o dia 31 de dezembro seria a data da manifestação acontecer todos os anos seguintes, mas infelizmente em 2011, o falecimento de Antenor, ocorrido na manhã do dia 31, deixou todos consternados com a perda de um dos nossos melhores capoeiras, que desistiu da vida aos 23 anos e nos deixou uma imensa tristeza de não poder mais vê-lo vadiar em nossas brincadeiras.

Intercâmbio de capoeira em Criciúma

O Projeto Berizabu, difusor da capoeira, reúne todos os núcleos neste sábado, às 9h30min, para um intercâmbio no centro comunitário do Bairro Tereza Cristina, em Criciúma. A atividade incluirá aulões e rodas de capoeira com o mestre Falcão, de Goiânia, e os contramestres Fabinho e Chiquinho, de Florianópolis.

O grupo faz esse evento com o intuito de divulgar ainda mais a modalidade e o convite está aberto a todo o público interessado. De acordo com o facilitador e professor de capoeira da Casa da Família (Cras) do Bairro Santa Luzia, Lucas Barbosa, o Berizabu possui ramificações espalhadas pelo Brasil e até outros países. “Nosso objetivo também é que as pessoas conheçam a nossa linhagem de capoeira, além de fortalecer o vínculo dos próprios alunos da cidade nessa integração”, diz.

 

Fonte: http://www.atribunanet.com

Samba Vivo Botequim homenageia Adoniran Barbosa

Estréia dia 08/12, a opção de começar a noite em alto estilo, em Itapuã, no Espaço Verde, sempre na 2ª quarta feira do mês, a partir das 19h.

O grupo Botequim retorna com o Samba Vivo, prestando uma homenagem aos grandes sambistas do Brasil, tendo como homenageado nessa noite de estréia o saudoso Adoniram Barbosa, em homenagem ao centenário de seu nascimento.

A partir de uma extensa pesquisa sobre a obra dos principais compositores de samba brasileiros, o Grupo Botequim, propõe o show “Samba Vivo” que prevê a realização de um espetáculo musical a cada mês, homenageando um grande sambista brasileiro, através da interpretação de suas músicas e também traçando um perfil do homenageado, contando histórias e fatos sobre sua vida e sua carreira.

Essa idéia nasceu no ano de 2005, idealizado por um dos integrantes do Grupo Botequim – o sambista e compositor Pedrão – e foi apresentado durante dois anos em alguns bares da cidade, onde os shows revisitaram a obra de sambistas como Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Noel Rosa, Adoniram Barbosa, Batatinha, Chico Buarque, Candeia, Geraldo Filme, Ataulpho Alves entre muitos outros

O Grupo Botequim é formado por músicos experientes no universo do samba e tem se destacado na cena cultural da cidade de Salvador, por promover um movimento de rodas de samba que tem tido a participação de um público jovem e crescente, interessado em conhecer um pouco mais sobre os grandes clássicos do nosso samba. Recentemente o Grupo Botequim apresentou alguns shows, vencedores de editais públicos da FUNCEB, homenageando grandes sambistas, como o “Tributo à Batatinha”, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves e na Praça Tereza Batista, e “Cartola no Botequim” no Teatro XVIII no Pelourinho. No Largo do Santo Antonio Além do Carmo, na última sexta feira do mês, tem Botequim, no Forte do Santo Antonio, com um público considerável de mais de 1500 pessoas.

Apareçam e comecem a noite com a festa viva do samba!!!

Do quilombo ao Leblon

Na semana em que comemoramos os 120 anos da Lei Áurea, a coluna “Histórias do Rio” visitou um lugar na Zona Sul da cidade que guarda a marca dos abolicionistas. O repórter Márcio Gomes foi até o Alto Leblon, onde no fim do século 19 foi criado um movimento de resistência à escravidão. ( Para ver o vídeo da matéria, clique aqui )

O som que invade as ruas estreitas e íngremes do Alto Leblon ecoa pelo tempo. O instrutor de capoeira Leonardo Dib Boiadeiro sabe que, mais do que ensinar a ginga, está mantendo uma tradição que começou aqui no século 19.

A história do Quilombo do Leblon veio à tona quando o escritor Eduardo Silva lançou o seu livro “As Camélias do Leblon e a abolição da escravatura – uma investigação de história cultural”. Na ocasião o instrutor de capoeira Leonardo Dib conhecido como Boiadeiro, estava desenvolvendo um trabalho de capoeira e valorização da cultura afro brasileira nas dependências do Clube Campestre da Guanabara. Ao tomar conhecimento do livro percebeu que o espaço onde estava atuando estava intimamente ligado as suas propostas de trabalho. Assim começou o projeto Camélias do Leblon. Em sua primeira edição que foi realizada no dia 13 de maio de 2006 o capoeirista realizou o plantio de uma Cameleira para marcar o retorno das “Camélias da Liberdade”. O evento foi seguido de apresentações de Jongo, Capoeira, Samba de Roda, Maculêlê e uma feijoada, desde então sempre no dia 13 de maio é realizado o “Camélias do Leblon” que este ano homenageou em sua 3ª edição o grande poeta negro, Solano Trindade, que faria 100 anos.

Solano Trindade era poeta, pintor, teatrólogo, ator e folclorista. Nasceu no dia 24 de julho de 1908, no bairro de São José, no Recife, capital de Pernambuco. Era filho de Manuel Abílio, mestiço, sapateiro, e da quituteira Merença (Emerenciana). Estudou até completar um ano de desenho no Liceu de Artes e Ofício. A partir de então, começa a escrever.

Solano Trindade foi o poeta da resistência negra por excelência.

História:

Quilombo na Zona Sul produzia as camélias, símbolo do movimento abolicionista

Existia no Alto Leblon, no século XIX, um "sítio encantador, de cujo plateau se descortinava um dos mais belos e dos mais empolgantes panoramas (…), em cujo meio vicejavam camélias brancas, aparecidas nas festividades promovidas com escopos liberatórios", na época do movimento da Abolição da escravatura no Brasil. Era na verdade, segundo o depoimento do jornalista Brício Filho, "a afamada chácara – batizada sob o nome de Quilombo do Leblon – benéfico esconderijo dos perseguidos pela ferocidade dos escravocatas". A história desse pequeno, mas fundamental quilombo – criado numa época em que havia centenas de outros no país, formados por escravos que naqueles anos fugiam em massa de seus senhores – é contada pelo historiador Eduardo Silva em As camélias do Leblon e a abolição da escravatura – Uma investigação de história cultural (Companhia das Letras), que será lançado na Bienal do Livro (entre 15 a 25 de maio).

Pela primeira vez, os segredos da camélia, o símbolo do movimento abolicionista, são desvendados. Quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, ganhou de presente dois buquês de camélias: um de flores artificiais, da Confederação Abolicionista, e outro de flores naturais, cultivadas pelos negros do Quilombo do Leblon. Quem a presenteou foi o dono da chácara subversiva, o comerciante de malas José de Seixas Magalhães, um português que mantinha uma loja na elegante Gonçalves Dias. Na sua pesquisa, Silva, historiador da Casa de Rui Barbosa, logo viu que o mistério das camélias nunca seria desvelado se ele não destrinchasse as atividades clandestinas do quilombo que Seixas protegia, na então bucólica Zona Sul do Rio.

– Foi um quilombo fundamental para a assinatura da Lei Áurea – afirma o historiador, que começou a se interessar pelo assunto quando reparou, certo dia, com olhar de suspeita, os três pés de camélias do jardim da casa de Rui Barbosa, até hoje no mesmo lugar onde floresciam, com sua beleza desafiadora, quando o eminente intelectual lá vivia: dois na frente, avistados por quem passa pela São Clemente, e outro embaixo da janela do quarto dele.

Assim como eram uma senha para os abolicionistas se identificarem, exibidas na lapela, as camélias foram a porta que o historiador abriu para se lançar na pesquisa sobre o quilombo, que teve, como conta o livro, uma ligação secreta com a influente Confederação Abolicionista. O jornal A Gazeta da Tarde, chefiado por José do Patrocínio, era o órgão oficial da Confederação, que "por detrás dos panos ajudava a organizar e a manter o Quilombo do Leblon".

– É importante fazer essa ligação entre a elite, que defendeu a Abolição no Parlamento e nos jornais, com a luta dos negros, nos quilombos. A Abolição foi uma conquista, não uma benesse da princesa. Foi a elite e o povão negro que fizeram a Abolição – diz Eduardo Silva.

Sendo flores delicadas e "cheias de melindres com o sol dos trópicos", segundo o historiador, as camélias exigiam técnicas modernas e cuidados especiais: para o seu cultivo, "somente um trabalhador livre de todas as amarras".

– Ninguém tinha levado tão a sério o simbolismo das camélias, a ponto de estudá-lo. Mas, por trás do simbolismo, está o Quilombo do Leblon. Para pesquisar algo tão secreto, só mesmo encontrando uma porta, como foram as camélias da casa de Rui Barbosa no meu caso. É um livro bem pequeno (140 páginas, boa parte de apêndices), mas deu muito trabalho. Para mim, foi também uma revelação – conta Silva.

O quilombo das camélias é mencionado en passant em cartas, como na correspondência entre Seixas e Rui Barbosa, citado em charges de Ângelo Agostini – muitas das quais ilustram o livro -, descrito em depoimentos orais que tiveram alguma forma de registro. Até a literatura ajudou Silva. Em A conquista, Coelho Neto, que trabalhou na Gazeta da Tarde, escreve que "para os lados da Gávea, em frente ao mar, havia um quilombo mantido pela Confederação Abolicionista e, no escritório da Gazeta da Tarde, (…) negros e negras sentados melancolicamente fumavam esperando que lhes dessem destino".

Diferentemente da maior parte dos quilombos, que Silva chama de "quilombos-rompimento", lugares para onde os escravos fugiam para se esconder e morar, o Quilombo do Leblon seria do tipo abolicionista, que contava com a proteção de pessoas influentes. Rui Barbosa, que lançou em 1869 a tese de que a escravidão era ilegal, foi uma dessas pessoas, segundo os indícios levantados por Silva. O livro mostra que a tese de Barbosa fez a Abolição, no Brasil, ser decretada sem indenização aos proprietários de escravos. Outro quilombo-abolicionista seria o de Jabaquara, em Santos, organizado em terras cedidas por um abolicionista, abrigo para milhares de negros.

Nova história do negro muda Brasil pela raiz: Ação de José do Patrocínio e de André Rebouças e o destemor dos escravos foram decisivos para a Abolição

Resgatar a história dos quilombos, segundo Eduardo Silva, é uma maneira de modificar o Brasil pela raiz.

– É humilhante para os negros, na sua condição atual, dizer que eles não tiveram papel na Abolição. Porque eles tiveram um papel preponderante. O lado subversivo do abolicionismo, esse lado secreto, tem de ser destacado. O fim da escravidão foi conquistado. E a elite negra, liderada por José do Patrocínio e André Rebouças (engenheiro que foi tesoureiro da Confederação Abolicionista), desempenhou papel muito importante. Eles influenciaram a princesa Isabel e ela adotou, corajosamente, a causa abolicionista – diz o historiador.

Com o respaldo dos abolicionistas, aumentou o destemor dos negros.

– Os escravos fugiam em massa. As fazendas amanheciam vazias – destaca Silva.

Curiosidade sobre os quilombos cresceu em 1988
A curiosidade sobre os quilombos, no Brasil, tem crescido desde a Constituição de 1988, que reconheceu, no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o direito à posse da terra de remanescentes de quilombos. Em alguns casos, há comunidades negras que vivem há 300 anos em seus lotes. Eram pessoas que permaneciam invisíveis para a sociedade e que passaram a se reconhecer e a se identificar, orgulhosamente, como quilombolas. Sua história, que também estava invisível, começa a ser contada. Nas biografias de Patrocínio, por exemplo, não há referência ao Quilombo do Leblon.

– É uma história invisível, até porque eles não queriam ser descobertos. Mas isso mudou de forma perceptível. É por isso que cada geração precisa reescrever a História. O movimento negro avançou muito, e isso é um sinal da transformação da sociedade brasileira – destaca Silva, que em As camélias do Leblon sugere muitas outras pesquisas a serem feitas sobre quilombos e mocambos.

No momento em que os quilombolas travam batalhas judiciais pela posse de terras, o livro de Eduardo Silva ganha um contorno social.

– Eu tenho esse compromisso. É preciso fazer a política de ação afirmativa no sentido simbólico, porque os negros não entraram na nossa História – destaca o historiador, autor de Dom Obá II d’África, o príncipe do povo, no qual conta a história do príncipe africano que foi um personagem pitoresco do Rio, no fim do Império, muito ativo na conquista da sua liberdade. – O que tento fazer, e isso também no livro sobre dom Obá, é contar a nova história do negro, porque ele foi um agente ativo na História. É impossível, hoje, continuar a se ter a interpretação tradicional. É preciso rever o racismo entronizado na nossa História.

E como sinal de que a releitura do passado pode mudar a cultura popular, a história de dom Obá, embora tenha sido tema de uma tese de doutorado, inspirou o samba da Mangueira de 2000. Se Zumbi é símbolo de luta pela liberdade, não pode ser considerado um símbolo do movimento abolicionista. Já a nova história dos quilombos pode ajudar a compreender o papel dos negros naquele momento crucial da História do Brasil.

Fonte: http://rjtv.globo.com/