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Fly Away Beetle (O Voo do Besouro) disponível no i-Tunes

Fly Away Beetle (O Voo do Besouro)

Finalmente disponível no i-Tunes o premiado filme Capoeira: Fly Away Beetle!

Sinopse:

Três renomados mestres (Olavo dos Santos, Boca Rica e Cobra Mansa) reúnem-se neste documentário para contar sobre as condições histórico-culturais que ajudaram a dar forma à Capoeira. Apresentando diferentes perspectivas, seus depoimentos falam desde a violência na Capoeira durante os seus primórdios até os benefícios que a mesma oferece na atualidade à jovens vítimas da exclusão socioeconômica.

O documentário também conta a história real de Roque Batista, um ex-menino-de-rua que encontrou na Capoeira a chance de escapar da pobreza e da violência das ruas. Em sua luta para melhorar de vida, Roque se torna um professor de Capoeira com a missão de ajudar outros jovens em situação de risco.

Alternando entre entrevistas, filmagens raras e exibições contemporâneas de Capoeira, Fly Away Beetle conta as histórias desses indivíduos e, ao fazê-lo, conexões com a escravidão, Candomblé e magia são trazidas à tona. Alusões ao legendário Besouro Preto nos levam a um encontro com esta figura mística e enigmática, tão lenda quanto personagem histórico, detentor dos segredos da magia africana.

Fly Away Beetle é um daqueles filmes que mescla lindas imagens, ação e documentação à uma mensagem relevante e pertinente, não só aos capoeiristas, mas à sociedade como um todo. Para além de um documentário em formato tradicional, Fly Away Beetle nos leva para dentro da vida desses indivíduos, de forma que possamos perceber, ao menos por um breve momento, o que realmente é a Capoeira. Mais do que um relato histórico, é uma penetração artística na Capoeira.

O filme pode ser adquirido via i-Tunes no seguinte link:

https://itunes.apple.com/us/movie/capoeira-fly-away-beetle/id619870821

Fabricando uma estética da Capoeira : uma visão do documentário Fly Away Beetle

Verificamos que tem havido, nos últimos anos, uma produção crescente de documentários e filmes sobre a capoeira. Contudo, essa produção desde sempre existiu, embora circunscrita ao âmbito nacional e quase sempre envolta a outras temáticas da cultura afro-brasileira. Não era de espantar que esse crescimento exponencial se verificasse se tomarmos em conta o processo acelerado de globalização da capoeira e as apropriações diversas que a indústria cultural faz da cultura popular no mundo.

Um dos melhores exemplos de difusão da capoeira através dos meios audiovisuais foi o filme Only the Strong, lançado em 1993 e que no Brasil ganhou o nome de Esporte Sangrento. Visto em todo mundo, por milhares de jovens, o filme inspirou uma geração de praticantes que, não tendo acesso ao ensino formal da capoeira, deram início à sua prática através do filme. Mas não é isso que nos interessa de todo no filmes sobre a capoeira, se não a sua capacidade de gerar uma estética performativa que prende-se à invenção de um certo exotismo, de uma etnicidade, de uma tradição e uma certa tropicalidade que se reinventa ao longo dos tempos. O que seria do samba sem a figura eminente de Carmén Miranda, que ajudou a projetar o estilo musical por além-fronteiras e subscrever-lhe a certidão de nascimento como símbolo nacional brasileiro. Na década de trinta a cantora realizou, entre outros, dois filmes importantes, A voz do Carnaval e Banana da Terra, onde canta a celebre canção “O que é que a baiana tem?”, de Dorival Caymi. O mesmo ocorreu com o tango, que reforçou a sua argentinidade com os filmes realizados por Carlos Gardel na primeira metade do século XX. Nos exemplos citados do samba e do tango, observamos que, já em tempos idos, as indústrias cinematográfica e fonográfica andavam de braços dados na fabricação de símbolos e imaginários de uma certa estética da cultura popular que se, por um lado, levava audiências ao cinema, por outro, vendia discos. No que toca a capoeira, as trocas simbólicas tem favorecido, por conveniência, ambas as partes. Em verdade, podemos dizer que, de uma maneira geral, as artes visuais sempre se valeram da capoeira como elemento de exploração artística e estética ao mesmo tempo que fabricavam uma esteticidade para a capoeira. Veja-se os exemplos das pinturas de Carybé e as fotografias de Pierre Verger, tão famosas, hoje, em todo mundo.

Poderíamos aqui trazer um elenco muito vasto de filmes nacionais e internacionais que trataram a capoeira: Barravento, O pagador de Promessas, Dança de Guerra, Cordão de Ouro,, Pastinha: uma vida pela capoeira, Capoeira Iluminada, Mandinga in Manhattan, Besouro, entre outros tantos que escapam a essa lista. Fly Away Beetle surge na sequência desses filmes e, de uma certa forma, como uma extensão de todos, sobretudo os de caráter documental, embora na sua linguagem estética se afaste deles.

O documentário traz o depoimento de alguns mestres respeitados como guardiões, ainda vivos, da capoeira, a exemplo de Boca Rica, Olavo dos Santos e Cobra Mansa. Para além disso, traça o percurso de vida de Roque Batista, jovem que tendo saído dos meios mais desfavorecidos da capital baiana, foi resgatado da marginalidade para tornar-se um professor de capoeira. O enredo não é de todo desconhecido para nós capoeiristas: a capoeira como prática de resgate dos mais desfavorecidos e a capital baiana, abrigo dos principais interlocutores da tradição da capoeira, em verdade a Meca da capoeira para alguns e epicentro da cultura afro-brasileira.

Para além dos renomados mestres e de Roque Batista, destacamos que o filme tem muitos outros personagens secundários que, apesar da sua pouca visibilidade, desempenham um papel importante no discurso que o filme apresenta em suas entre-linhas. Falo dos capoeiristas que, em visualização mais acelerada, deferem golpes num bailado típico da capoeira contemporânea. A exibição dos corpos e dos cenários urbanos da capital baiana ressaltam uma estética da capoeira morena e tropical. Chama a atenção que grandes partes das tomadas são feitas ao ar livre, nas praças, Igrejas e locais públicos onde se joga bola, onde a baiana vende seus produtos e coexiste a capoeira. São essas mesmas cenas que, em  Fly Away Beetle, contrastam com os depoimentos dos mestres mais antigos, Boca Rica e Olavo dos Santos, os quais, por meio de suas próprias histórias, nos transportam para uma época de uma capoeira marginal, violenta, perseguida, desvalorizada, repudiada pela sociedade. É através dessa relação que Fly Away Beetle nos apresenta um paradoxo e ,certamente, o que o filme trás de mais importante. A capoeira, prática desenvolvida no Brasil por escravos africanos e seus descendentes diretos – assim como o samba e outras manifestações de matrizes africanas, até pouco tempo relegadas ao status de “coisa de preto” – completou a sua transição entre polos opostos, deixando de ser vista pelas elites como “um dos fatores da nossa inferioridade como povo”, alcançando os meios artísticos e constituindo, hoje, um dos símbolos da nossa identidade nacional. No entanto, a história de Roque Batista aparece no filme para nos lembrar que, apesar da capoeira ter chegado em Hollywood, a população afro-brasileira continua confinada à marginalidade, à pobreza e à miséria, carentes de projetos sóciais ou de uma tábua-de-salvação como o samba, o futebol ou a capoeira, que lhes resgate da exclusão social.

No mais, vale a pena estabelecer uma relação entre Fly Away Beetle e o filme Besouro, lançado no ano passado. Besouro, cuja história se passa na velha Bahia, trás a figura de Mestre Alípio, que tal como os Mestres Olavo, Boca Rica e Cobra Mansa, representam o mestre ancião, guardião das tradições, mestre de Besouro. Recordamos também que Besouro passa grande parte do tempo na mata selvagem, onde entranha-se com os seres da floresta e a sua tropicalidade espiritual. O Besouro de Fly Away Beetle é Roque e a sua mata é a selva urbana de Salvador, recheada de perigos que conduzem o homem a desordem social, ao caos e a entropia. O seu elemento de metamorfose de homem em inseto voador é a capoeira, mágica, negra, mestiça, tropical, ancestral, ritualizada num mundo cada vez mais secularizado.

Apesar da obviedade e da natural desconstrução que se impõe, não posso deixar de enfatizar que em grande parte a capoeira tem de fato estado a serviço da cidadania e do resgate da cultura afro-brasileira. Roque Batista é um entre tantos brasileiros a quem a capoeira deu existência, seja por que tornou-se um dos divulgadores da arte, seja por que o filme inventou-lhe o personagem na vida e em particular no mundo da capoeira.

A conversão do popular em objeto estético é uma magia que o cinema bem sabe fazer, adoçada pelas imagens da não menos mítica capoeira, em tempos pós-modernos. Não espanta que a estreia do filme na Europa fez-se em duas grandes metrópoles pós-coloniais como Lisboa (Universidade de Lisboa) e nos auditórios de Londres, onde as platéias globalizadas consomem o que na periferia mundial se produz. Roque and roll, afinal, são produtos globais.

Ricardo Nascimento

Geógrafo

Mestre em Sociologia da cultura

Doutorando em Antropologia

Professor de capoeira

Besouro – Fly Away Beetle

Besouro mangangá, ou se preferirem Besouro Preto, Besouro Cordão de Ouro, está mais uma vez sob as “luzes da ribalta”. Depois de fantástico documentário de amigo e colaborador Pedro Abib: “Memórias do Recôncavo: Besouro e Outros Capoeiras”, depois do exelente longa-metragem do diretor João Daniel Tikhomiroff Besouro : Nasce um herói”, nosso exaltado “herói”, Manoel Henrique (1897-1924), está novamente na grande tela, desta vez em um novo documentário produzido pela Bluedot Productions, rodado nas ruas de Salvador – Bahia.

Desejamos a toda a equipe de Besouro – Fly Away Beetle, muito sucesso e felicidade e que seja mais uma grande valia para a nossa capoeira.

Luciano Milani

Besouro – Fly Away Beetle

Pode um ritual nascido da escravidão tornou um movimento moderno?

Capoeira, dança composta de combate, ritual estilizado e segue a música sacra do berimbau. Nascida na escravidão e renasce nas ruas modernas do Brasil, o produto Capoeira do desejo incessante de liberdade. Com fotografia deslumbrante este documentário de longa metragem de BlueDot capta a beleza da dança, como Capoeira e ao mesmo tempo a explorar a história, mito e simbolismo atrás de seus movimentos graciosos.

Através de entrevistas, exposições e seguimos a vida de três renomados Mestres de Capoeira de Salvador, Brasil, casa de grande parte da história controversa da arte. Nós vemos como o seu trabalho, juntamente com a dos seus colegas e alunos estão trazendo esperança para as suas comunidades, ea libertação eo respeito a uma geração sem direitos. A fim de melhor compreender o estado actual da Capoeira O filme traça-lo de volta às suas raízes Africano.

Ao fazê-lo, encontramos os Africanos deuses do candomblé (religião indígena animista do Brasil), o cristianismo, bem como a escravidão a partir da qual surgiu a Capoeira. Ouvimos histórias místicas do Besouro lendário (o capoeirista que vôo), bem como as contas do homem histórico por trás dos contos. Encontramos um jovem estudante que ela navega os perigos do seu bairro, transformando a arte da Capoeira.

Em caso de necessidade um é atirado para a luta. No âmbito da luta alguns aprendem a dançar.

(Tradução google)

Fonte: Blog Rabo de Arraia – http://www.rabodearraia.com/capoeira/blog/

 

Can a ritual born out of slavery become a modern day movement?

Capoeira, comprised of stylized dance and ritual combat takes its cue from the sacred music of the berimbau. Born from slavery and reborn on the modern streets of Brazil, Capoeira proceeds from the timeless urge for freedom. With stunning cinematography this feature length documentary film from BlueDot captures the ballet-like beauty of Capoeira while also exploring the history, myth and symbolism behind its graceful moves.

Through interviews, and exhibitions we follow the life of three renowned Capoeira Mestres from Salvador, Brazil; home to much of the art’s contentious history. We see how their work, together with that of their colleagues and students are bringing hope to their communities, and liberation and respect to a disenfranchised generation.

In order to better understand the present state of Capoeira the film traces it back to its African roots. In so doing, we encounter the African gods of Candomble (the indigenous animistic religion of Brazil), Christianity as well as the slavery from which Capoeira has emerged. We hear mythic stories of the legendary Besouro, (the flying capoeirista); as well as accounts of the historical man behind the tales. We meet a young student as she navigates the dangers of her neighborhood by turning to the art of Capoeira

Out of necessity one is thrown into the fight. Within the fight some learn to dance.

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Filme: Besouro Preto – Black Beetle

Besouro Preto, valente capoeirista de Santo Amaro no Recôncavo Baiano, tema que está sob a luz do holofote nos últimos tempos, acaba de ganhar uma versão para o teatro escrita por Paulo César Pinheiro (ver matéria), um cordel escrito pelo camarada Victor Garcia, mais conhecido na capoeira como Lobisomem (ver matéria), já foi alvo de um filme/documentário de 2003, dirigido por Salim Rollins, muito interessante e bem estruturado o filme trás grandes personagens da nossa capoeira assim como relatos de diversos estudiosos e pesquisadores.
 
 
Vale a pena assistir!!!
*Matéria sugerida por André Luiz, depois de ter comentado a matéria original da peça de teatro que fala sobre Besouro.
 
Escrito por André Luiz em 2006-12-08 22:28:38
 
"Só espero q acertem na contextualização histórica e não coloquem Besouro jogando Luta Regional Baiana e tão pouco Abada Style of Capoeira. Sejamos genuínos, não caiamos nos estereótipos amercianóides. Besouro e o Brasil agradecem. Axé!"
 
Escrito por Luciano Milani em 2006-12-08 22:33:44
 
"Sem dúvida é uma questão onde será preciso grande esmero e estudo do criador e da equipe de profissionais que estão preparando a peça…
 
Besouro, de Santo Amaro, é uma lenda entre nós capoeiristas.
 
Dica de um ótimo filme sobre Besouro: Black Beetle."
 
Escrito por André Luiz em 2006-12-09 20:10:58
 
"Olá Luciano;
 
O "post" acima é de minha autoria. Esta questão da identidade cultural de nosso povo é polêmica e apaixonante. É preciso tratar com muita lucidez o tema para que não nos equivoquemos.
Obrigado pela sugestão do filme "Black Beetle". Vc pode facilitar-me mais informações sobre o filme tais como Direção, produção ou mesmo um meio de consegui-lo de preferência pelo melhor preço do mundo?
 
Axé."
Caro André, leitores e visitantes do Portal Capoeira, abaixo maiores informações sobre o filme  BESOURO PRETO – "BLACK Beetle"
 
 
Besouro Preto
 
Dirigido por Salim Rollins
 
 
No estado da Bahia, nordeste do Brasil encontra-se uma região das terras férteis espalhadas em torno da cidade do Salvador, chamada o Recôncavo.  Durante o período da escravidão, a área foi reconhecida por seus rendimentos elevados do cultivo de Cana de Açúcar.   Da pequena cidade de Santo Amaro, situada no Recôncavo Baiano, vem a lenda de um homem embebido na tradição espiritual africana, um Capoeirista valente que desafiava as autoridades.   Alguns dizem que era nobre, outro um criador de problemas e confusões.  
 
Não há nenhuma dúvida que Besouro Preto (besouro preto) era uma figura histórica e respeitada no Recôncavo baiano. Mas onde a figura histórica e o mito começam?  
 
Besouro Preto olha profundamente o mundo misterioso de Capoeira, a evolução histórica, suas tradições espirituais/religiosas, sua filosofia, e a vida de um dos mais misteriosos capoeiristas: Besouro Preto. 
 
As entrevistas foram realizadas com os alguns dos mestres dos mais importantes da capoeira, assim como historiadores e religiosos.   Poucos documentários tentaram envolver o lado místico da Capoeira.   Com as histórias que são reveladas, uma nova luz vertente na história da Diáspora africana e tradições espirituais no Brasil.
 
Direção: Salim Rollins
Produtor Executivo: Gordon Parks
Fotografia: Joshua Bee Alafia
 
(No português com subtítulos em ingles)  
 
 


Besouro Preto
 
Directed by Salim Rollins
 
In the northeastern state of Bahia, Brazil lies a region of fertile lands spread around the city of Salvador, called the Reconcovo.  During slavery, the area was recognized for its high yields of sugarcane.  From the small town of Santo Amaro, located in Bahia’s Reconcovo, comes the legend of a man steeped in African spiritual tradition, a Capoeirista (practitioner of the movement/martial art Capoeira) who took it upon himself to challenge those who abused their  power.  Some say he was noble, others a troublemaker who disrespected the powers of authority. 
 
There is no doubt that Besouro Preto (Black Beetle) was a historic figure in Bahia’s Reconcovo. But where does the historic figure end and the myth begin? 
 
Besouro Preto looks deeply into the mysterious world of Capoeira, it’s historic evolution from Africa to Brazil, its spiritual/religious traditions, its  philosophy and then into the life of one of its biggest enigmas: Besouro Preto . 
 
In depth interviews were conducted with some of the most important Masters of the discipline as well as historic and religious scholars.  Few documentaries have attempted to delve into the world of Capoeira mysticism.  Through the stories and historic findings that are revealed, new light is shed on African Diaspora history and African spiritual traditions in Brazil.
 
Noted filmmaker Gordon Parks served as Executive Producer and Joshua Bee Alafia was the director of photography for Besouro Preto .
 
(In Portuguese with English subtitles)