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Carnaval na Bahia: “A mão que afaga e a mesma que apedreja…”

“A MÃO QUE AFAGA E A MESMA QUE APEDREJA…”
Ou a ascensão e decadência do trio elétrico no carnaval da Cidade da Bahia
  
       Fim do século XIX, a Bahia testemunha uma mudança de costumes na sua maior festa popular. Estou me referindo ao nascimento do carnaval e à morte do entrudo. Se o preconceito e a segregação social além da violência física eram as notas destoantes desta manifestação de origem portuguesa, o carnaval recebe este dote como herança e até intensifica o seu caráter hierarquizado concebendo, porém, novos paradigmas lúdicos, estéticos  e capitalistas.
 
       No entrudo, negros “brincavam” ao lado de brancos, e estes podiam atingi-los com as famosas laranjinhas, farinhas, água fétida e toda a sorte de armas podres, enquanto aqueles só poderiam fazê-lo entre si. Já no carnaval do início do século XX, a ”inconveniente”  presença dos afrodescendentes e pobres foi alijada do nobre circuito do corso, (onde o préstito trazia a “nata” da sociedade baiana em suntuosos desfiles), e nem sequer imaginada nos seletivos bailes dos salões do Theatro São João, Teatro Politeama, Cruz Vermelha e Fantoches da Euterpe.
 
       Formaram-se (a exemplo de hoje) dois circuitos distintos no carnaval de Salvador. Na Rua do Palácio (hoje Chile) acontecia bem comportado o eurocêntrico dos citados clubes e na Baixa de Sapateiros a farra de entidades negras como Guerreiros d´África, Embaixada Africana, Pândegos d´África, evocando e reverenciando suas origens.
 
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