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Cultura negra e diversidade sexual são temas do 9º Ciclo de Debates

Nesta semana, os debates do 15º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo dialogam sobre as relações entre as diversas formas de discriminação, sexualidades e inclusão. O Hip Hop, o breaking e o grafite marcam presença e apresentam a arte como ferramenta de transformação social.

De acordo com o decreto da Organização das Nações Unidas (ONU), que estabeleceu 2011 como o Ano Mundial do Afrodescendente, o Ciclo de Debates do 15º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo discute a relação entre as diversidades racial e sexual. Nos próximos dias 14 (quarta-feira) e 15 (quinta-feira), as duas mesas abordam a problemática da discriminação, machismo e homofobia, além de apresentar um panorama da cultura Hip Hop como ferramenta de inclusão social. As atividades são gratuitas.

“Co-responsabilidade com a juventude negra” é o tema de quarta-feira, que ocorre às 18h30 no Centro de Integração à Cidadania (CIC) Norte, localizado no distrito de Jaçanã. Participam da discussão a militante Chindalena Barbosa, membro da Associação Frida Kahlo, da Articulação Política da Juventude Negra, e das Negras Jovens Feministas; e o coordenador de Relação Internacional da Rede Afro LGBT, Edmilson Medeiros.

Na quinta-feira, às 18h, o Sindicato dos Bancários é o palco do debate “Hip Hop com a boca no trombone”, que abre com a exibição do documentário “Com a Boca no Microfone”, que narra a recente cena de rap gay em ascensão nos Estados Unidos. Na mesa, presença dos militantes Davison Nkosi – do grupo Kilombagem – Valéria Mota e a produtora do projeto Hip Hop Mulher, Tiely Queen. Ao final, os MCs Correia e Dena Hill Hahim se apresentam com o grupo de breaking B.Girls Art’Culando na Praça do Patriarca.

Ambas as atividades integrantes do 9º Ciclo de Debates são promovidas pela APOGLBT, em parceria com a Associação Frida Kahlo e a Articulação Política de Juventudes Negras. Toda a programação conta com o apoio do Grupo ELES o GATTA e o CTA.

Na próxima semana, os debates prosseguem com os temas “Eros e Psique” (segunda-feira, 20) e “Made in Brazil: gata tipo exportação” (terça-feira, 21).

Ano IX

A 9ª edição do Ciclo de Debates vem aprofundar a reflexão acerca do tema proposto para a 15ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo: “Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia! – 10 anos da Lei 10.948/01, rumo ao PLC 122/06”. De 6 de junho a 6 de julho, o público confere gratuitamente diversas mesas de discussão, além de seminários, apresentações culturais e lançamentos.

Em diálogo com a atual conjuntura nacional e internacional na esfera dos Direitos Humanos de lésbicas, gays bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), a programação propõe uma reflexão participativa entre os movimentos sociais, sociedade civil, autoridades e os expoentes dos mais diversos campos da intelectualidade.

Entre os assuntos, destaque para o posicionamento do Estado em relação ao fundamentalismo religioso, o papel da espiritualidade na construção das sexualidades e o redimensionamento dos aspectos jurídicos de instituições como família, casamento e os direitos para as minorias definidos através de políticas públicas.

 

Transmissão ao vivo

Resultado de uma parceria inovadora entre a APOGLBT e a Rede BeWEB TV, toda a programação do 9º Ciclo de Debates será transmitida ao vivo e na íntegra pela web. Lançado no último dia 1º, o web canal BeGAY TV faz a cobertura em tempo real das atividades e possibilita a participação de pessoas em todas as partes do mundo.

Para acompanhar, basta acessar o site da BeGAY TV: www.beweb.tv/begay. Os usuários podem ainda fazer comentários e enviar perguntas aos debatedores através do Facebook.

Além do 9º Ciclo de Debates, a programação do 15º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo reúne a 11ª Feira Cultural LGBT (23 de junho, no Vale do Anhangabaú), o 11º Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade (24 de junho, na Academia Paulista de Letras), o 11º Gay Day (25 de junho, no Playcenter) e a 15ª Parada do Orgulho LGBT (26 de junho, na Avenida Paulista).

Confira a programação completa em www.paradasp.org.br. Siga a parada no twitter (twitter.com/paradasp) e curta no Facebook (facebook.com/paradasp).

 

SERVIÇO

9º Ciclo de Debates – 15º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo

De 06 de junho a 06 de julho, diversos horários e locais

Entrada gratuita

Mais informações com Cléo Dumas, pelo telefone (11) 3362-8266 ou pelo e-mail ciclodebates@paradasp.org.br.

 

  • 14 de junho, às 18h30

Co-responsabilidade com a juventude negra

Centro de Integração à Cidadania (CIC) Norte – Rua Ari da Rocha Miranda, nº 36, Jova Rural, Jaçanã

18h30 – Exibição de documentário

19h – Debate

Chindalena Barbosa (Estudante de Pedagogia da FEUSP)

Edmilson Medeiros (Coordenador de Relação Internacional da Rede Afro LGBT)

21h30 – Coffee break

 

  • 15 de junho, às 18h

Hip Hop com a boca no trombone

Sindicato dos Bancários e Financiários – Rua São Bento, nº 365, 19º andar, Centro

18h – Exibição do documentário “Com a boca no microfone”.

18h30 – Debate

Davison Nkosi (Gr

Valéria Mota

Tiely (Coordenadora do Projeto Hip Hop Mulher e produtora cultural)

20h40 – Coffee break

21h – Apresentação dos MCs Correria e Dena Hill Mahin com o grupo de breaking B.Girls Art’Culando

 

Erika Alexandra Balbino

Baobá Comunicação, Cultura e Conteúdo

Rua Porangaba, nº 149, Bosque da Saúde

04136-020 – São Paulo – SP

+55 11 3482-2510 | +55 11 3482-6908

10º Batizado de Capoeira e Formatura Companhia Pernas Pro Ar

Na semana da Consciência Negra:

Nos dias 18 a 21 de novembro de 2010 a Associação Cultural Companhia Pernas Pro Ar (CPPA) realizará  nas cidades de Belo Horizonte e Pedro Leopoldo, o 10º Batizado e Troca de Cordas e Formatura.

O evento organizado pelo Contra-Mestre Boca de Peixe (Danny Lopes) tem como objetivo realizar um encontro esportivo-cultural, comemorar os dez anos da Associação e celebrar a semana da Consciência Negra. Além dos capoeiristas de Belo Horizonte, o evento receberá convidados de outras cidades e estados; e como convidado especial, o Contra Mestre Porquinho da Alemanha.

Participarão do 10º Batizado e Troca de Cordas cerca de 400 crianças e adolescentes de vários projetos sociais: Projeto Jabuti e Ação Social Paula Francinette de Belo Horizonte, Projeto Vem Ser e Educação com Arte de Pedro Leopoldo.

A programação conta com Festival de musicas, exposição de fotos dos 10 anos da CPPA, exibição de vídeos,

workshops de capoeira, Batizado, Troca de cordas e Formatura. O grande atrativo do evento é a formatura do Contra Mestre Boca de Peixe como Mestre e do Instrutor Jabuti como Professor.

Mais informações pelo site www.cppa.com.br ou twitter @Boletim_CPPA.

 

A Associação Cultural Companhia Pernas Pro Ar

A Associação Cultural Companhia Pernas pro Ar foi fundada em 24 de março de 2000, pelos Contra-Mestres Boca de Peixe (Danny Alexandro Lopes de Oliveira) – graduado em Educação Física pelo UNI-BH e pós-graduado em Ed. Física Escolar pela UGF, e Porquinho (Nayro Ângelo Lopes de Oliveira) – residente em Köln (Alemanha) desde 1997, onde desenvolve um importante papel na divulgação da cultura Brasileira.

No Brasil, está presente em Belo Horizonte, Pedro Leopoldo, Confins, Sete Lagoas, Mateus Leme, Matozinhos e São João Del Rei. No exterior, está presente na Alemanha, Polônia, Grécia, Síria e Bulgária.

Mestre Boca Rica no Forte da Capoeira

Nascido em Maragogipe, no lendário recôncavo baiano, Manoel Silva veio pra Salvador aos 15 anos e se filiou na Academia de Mestre Pastinha, acompanhando-o até seus últimos dias. Com vários CDs gravados, depois de percorrer diversos países, ele questiona: “Os grandes mestres, como Bimba, Pastinha, Valdemar, se acabaram na maior lástima. O que se vende da Bahia é a capoeira e o candomblé, mas cadê os poderes públicos que não apóiam, não ajudam? É um descaso com os mestres antigos”.

Para as novas gerações, Mestre Boca Rica relembra: “Mestre Pastinha falava: Eu sei que vou morrer, mas quero ver a capoeira no lugar dela, no teatro, na televisão, no cinema, na escola, na universidade… Aí eu falava comigo: será que esse velho tá ficando maluco? E não deu outra, a capoeira veio crescendo, hoje tá em mais de 200 países pelo mundo afora. Nós já estamos descendo a ladeira e são vocês que têm que levar essa capoeira de angola pra frente, não a deixar morrer, se acabar”.

Mestre Boca Rica, que recentemente se afastou da presidência da ABCA, mantém sua academia em Salvador, Bahia no Forte da Capoeira.

 

Utilidade Pública:

Segunda à sexta:  Aula de Toque/Ritmo e Movimento
Quarta: Roda aberta ás 19:00 hrs

Local: Forte de Santo Antônio além do Carmo (Forte da Capoeira) Salvador – BA

 

Contato: mestrebocarica@hotmail.com

II Circuito Mineiro de Capoeira Companhia Pernas Pro Ar

As cidades de Belo Horizonte, Confins, Pedro Leopoldo e Sete Lagoas recebem, entre 2 e 6 de dezembro o II Circuito Mineiro de Capoeira Companhia Pernas Pro Ar.

O evento organizado pelo Contra-Mestre Boca de Peixe (Danny Lopes) tem como objetivo realizar um encontro esportivo-cultural entre os capoeiristas de Belo Horizonte e região, além de promover a arte da capoeira, que recentemente foi tombada como Patrimônio Histórico-Cultural Brasileiro.

O evento compreenderá Batizado e Troca de Cordas, workshops e rodas de capoeira. Além dos mais de 300 alunos participantes, o evento contará com a participação de outros capoeiristas da região, de mestres e de professores convidados.

Serviço

Evento: II Circuito Mineiro de Capoeira Companhia Pernas Pro Ar

Data: 02 a 06 de Dezembro de 2009

Local: Belo Horizonte, Confins, Pedro Leopoldo e Sete Lagoas.

 

A Associação Cultural Companhia Pernas pro Ar

A Associação Cultural Companhia Pernas pro Ar foi fundada em 24 de março de 2000, pelos Contra-Mestres Boca de Peixe (Danny Alexandro Lopes de Oliveira) – graduado em Educação Física pelo UNI-BH e pós-graduando em Ed. Física Escolar pela UGF, e Porquinho (Nayro Ângelo Lopes de Oliveira) – residente em Köln (Alemanha) desde 1997, onde desenvolve um importante papel na divulgação da cultura Brasileira.

Ambos, com mais de vinte anos de prática, possuem ampla vivência na capoeira. O grupo tem como filosofia de trabalho a formação de valores humanos e éticos baseados no respeito, na socialização e na liberdade, utilizando a capoeira como um poderoso meio artístico, cultural e pedagógico para a disseminação e a valorização da cultura afro-brasileira.

No Brasil, está presente em Belo Horizonte, Pedro Leopoldo, Confins, Sete Lagoas, Mateus Leme e São João Del Rey. No exterior, está presente na Alemanha, Polônia, Síria e Bulgária. Atualmente, seus integrantes totalizam cerca de 400 alunos no Brasil e 700 alunos no exterior.

A Associação Cultural Companhia Pernas pro Ar tem como objetivos desenvolver, disseminar, estudar e jogar a capoeira. Para isto nos propusemos a desenvolver um exercício de cidadania culturalizadora, tendo como referência as diversas manifestações que constituem a cultura da capoeira. Está envolvida em projetos sociais, oportunizando a capoeira a crianças e adolescentes carentes.

Buscando a cada dia trabalhar baseado em alguns diferenciais dentro e fora da capoeira (tais como companheirismo, socialização, diversão e pesquisa), realizamos eventos voltados para a socialização e integração dos nossos componentes, além de termos implantado, em 2009, o Boletim Eletrônico CPPA, que oferece mensalmente à comunidade capoeirista, informações sobre o grupo e a capoeira em geral, e o Grupo de Estudos CPPA, que realiza encontros mensais para estudar e discutir trabalhos já publicados, e realizar pesquisas sobre a capoeira e todo o seu universo cultural.

Com isto, sempre guardando e recordando os nossos objetivos, vamos sustentando e aprofundando uma proposta de vida mais justa para nós e aqueles que convivem ao nosso lado.

Atenciosamente,
Contra-Mestre Boca de Peixe

Informações

Priscila Soares de Paiva C Moreira
pripaiva@gmail.com
(31) 8813-3352

Acesse o site: http://www.cppa.com.br/

CV-Em que canto ficou o fundamento

Uma crítica por Fabinho, Porto Alegre

A capoeira encontra em nosso imaginário infinitas e incontáveis versões e interpretações. Do leigo ao mestre, incorpora-se a cada dia um pouquinho do toque de cada um que passa por ela. Alguns deixam marcas profundas na alma da Capoeira, outros deixam cicatrizes, outros ainda, simplesmente sopram por suas vicinais apenas como uma brisa passageira.

Ecoa nos modernos resgates da capoeira contemporânea o tal do "fundamento". Os bravos guerreiros de não muitas décadas atrás, alguns ainda vivos, mitos vivos, ícones perenes de nossa capoeiragem atentam para o fundamento. Onde está o fundamento da capoeira? Ou os fundamentos? Em uma nova visão de capoeira globalizada vê-se a capoeira, ora deturpar a regional como capoeira moderna, ora a angola com o mau uso do parafrasear Pastiniano de que a "capoeira é tudo que a boca come".

A cantiga é fundamento de capoeira, sim senhor. Ouso em afirmar que tem relação com a filosofia da capoeira. Muita gente, inclusive mestres, dizem que a capoeira não tem filosofia, como se isso fosse privilégio de intelectuais ou atributo das artes marciais orientais. A herança oral que tanto se invoca e remonta a nossa história recente brasileira intercede por uma cantiga dentro do fundamento.

Sabemos nós, capoeiristas de 2004, que a chula que se canta hoje é distinta da chula de capoeira de 50 anos atrás. Isso é muito delicado e de região para região do Brasil se percebe nuances distintas. No exterior, também os "sotaques" mudam de idioma como se fosse apenas uma formalidade, como se a musica da capoeira fosse apenas uma expressão de musicalidade ou de interpretação ou de arte. Simplismo de mais.

Capoeira é luta? Sim. É dança? Sim. É música? Sim. Ela é tudo no seu bojo e não é nada em particular desmembrada de seu contexto.

Soa-me difícil entender, por mais esclarecido que pretensiosamente tente ser, por que a "torpedeira Piauí" é diferente de Aírton Senna (na cantiga de Mestre Gegê / RJ)? São contos e são encantos vislumbrados pelos mestres compositores. Mas, em que momento esta visão do cotidiano, passado e repassado oralmente na fundamentação da cantiga, toma rumos completamente distintos na capoeiragem?

A pouco, meu amigo, Mestre Jerônimo, brasileiro e pioneiro da capoeira na Austrália, lançou seu terceiro CD. O primeiro trabalho como escrevi no jornal eletrônico Capoeira Virtual era um belo CD de "World Music", o segundo, da mesma forma, se mostrava um CD de capoeira mais preocupado com a estética da angola "tradicional". Mas, seu terceiro trabalho, mescla questões que entram em conflito tácito com o que se entende por fundamentos. Neste trabalho (Buxada de Bullshit), Mestre Jerônimo trás muitas coisas de sua realidade de capoeira na Austrália (não capoeira australiana). Mestre JC faz um outro CD de "World Music" com tiradas de reggae, xaxado, baião, repente e outros ritmos contidos no sangue brasileiro do músico profissional Jerônimo. Todavia, neste trabalho " e o enfoque é pelo lançamento de um CD " ele comete o erro crasso: há um aluno cantando uma ladainha em inglês. Não adiantou o Mestre Lucas de Sergipe ter "avisado" em seu Lp.

Na minha própria residência em conversa informal com Jerônimo, disse que era um absurdo. Mas, fundamentos à parte, qual o problema de se gravar um CD de capoeira em Iorubá, improvisar em francês, cantarolar em inglês ou em chinês?

No filme Blade Runner (O Caçador de Andróides)de Ridley Scott existe uma língua ou dialeto futurista que trás elementos de português, inglês, francês, espanhol, etc. Mas, além de ficção científica é uma projeção artística de futuro. Cantar capoeira em outra língua que não o português, além de violentar uma essência, fundamento da arte, fere um princípio básico de comunicação: se a "mensagem" que parte do "emissor" para o "receptor" não é compreendida, a comunicação está incompleta. Ruídos semânticos ou físicos à parte, conversar em idioma desconhecido do interlocutor já se basta em falta de educação. Quando se desce em um preceito ao pé do berimbau, independente da nacionalidade ou idioma, a essência é a mesma. Segundo o Dr. Decânio, os três "Rs" são inerentes à prática e a vida capoeirística: são eles: RITMO, RESPEITO e RITUAL. Isso é tão próprio da capoeira que imaginar uma roda fora desta "simplicidade", me parece tudo menos a capoeira.

Saber cantar, o que cantar e o que se "chama" para a roda constitui atributo tão inerente à figura do mestre que muito me causa estranheza certos "mestres" mal saberem bater em um berimbau ou permitir que "microfones"ou CDs tomem conta de uma bateria.

Sou do tempo – embora jovem – que descer no pé do berimbau fora do preceito, merecia um belo puxão de orelhas. Sou do tempo que comprar errado era diferente do "cair de pára quedas" na roda. Ainda estão em minhas jovens reminiscências que aluno não comprava jogo de mestre. Tenho claro para mim que tem hora pra cantar, comprar e jogar (ou não jogar). E que o capoeira deve fazer tudo isso sabendo chegar "e estar bem chegado" em qualquer roda. Cantar martelo, desafio, MPB, Chula "moderna", "Hino de Grupo" está virando uma "nova" fundamentação de roda que está aí para os capoeiras de hoje.

Parafraseando Mestre Waldemar: "Todo mundo quer ser bom, mas ruim ninguém quer ser", ganho um espaço interessante na argumentação que trago a baila. Porém, direciono-me no mesmo erro que acabo de criticar, quando se usa de forma vã, deturpada e fora do contexto a idéia de Pastinha de que a capoeira é "tudo que a boca come". Capoeira não é "tudo que a boca come" quando tange permissividade e visões pessoais. A capoeira está além e adiante de qualquer pessoa que queira adulterá-la. Ela é 100% sábia e identifica historicamente quem direciona efetivamente seu caminho natural e desinteressadamente. O rumo da maré.

Não é por que temos CDs, DVDs, mídias mil que esqueceremos a mão e o pé no chão, o pau pereira e a brincadeira. Não é por que se dá aula "on-line" e por que o Mestre vídeo está aí, que vamos fazer de nossa capoeira, Mc Donald"s pra gringo consumir. Viver de capoeira não significa explorá-la. Quem está no exterior deve pensar em uma visão comensal e quem está chegando agora deve se preocupar com "seu lugar na fila" e não esquecer de quem tem cabelos brancos.

Ainda acredito na "comunidade capoeirística".

Fabinho

Web site: www.capoeirafabinho.cjb.net

Aconteceu: 2º Festival de Capoeira – Associaçao Sportiva Axé Capoeira Firenze

A Associaçao Sportiva Axé Capoeira Firenze realizou o 2º Festival de Capoeira aqui na Italia nos dias 23, 24, e 25 maio que contou com a presença de nomes da capoeira baiana como: Mestre Orelha , Mestre Raimundo Dias, Mestre Braga e Mestre Del bruto, contou também com a presença de vários professores de toda Italia, o evento foi organizado pelo Mestre Boca Nua, com o apoio da prefeitura da cidade de Firenze. ( Essa Associaçao existe desde 1995 registrada aqui na Italia ).

Até breve e muito Axé,

Mestre Boca Nua

mestrebocanua@gmail.com

Crônica: Quem é você que vem de lá?

Dizem que cheguei aqui em condições precárias, e sem saber quem eu era. Que passei dias de fome, sede e frio. Não sei se é verdade, mas a verdade que tenho dentro de mim é que sou fruto do encontro de três raças.

Sou mandinga, malícia e jogo, porque sei ganhar e perder.
Sou homo, porque não tenho sexo definido, ou seja, sou homem, menino e mulher.
Sou inodoro, porque não tenho cheiro.

Dizem que tenho minhas origens na pele preta, mas acredito que sou incolor, pois não tenho cor e sou de todos.

Sou fera, porque deixo o meu rastro por onde passo.
Sou fruto daqui desta terra.
Sou sua, e você é meu.

Sou vida porque vivo dentro de você, então você sou eu.
Sou pagã, derradeira e escudeira.
Sou a exclusão de uma sociedade e sou aceita pela mesma.
Sou uma escória. Por que me rotularam assim? Não importa,
sou a história deste povo.

Dizem que me libertaram em 1930, mas acho que sempre fui livre, sou dona de mim, por isso sou assim, ágil, lenta, rasteira, malandra, adulta e infantil, eu sou brasileira.

Sou cúmplice daqueles que me querem.
Tenho a minha própria sina, pois sou gentil e amorosa.
Sou cortês, acho que tenho que ser sempre assim, afinal a "cortesia é contagiosa".
Sou irreverente e equilibrada.
Assim sou eu, altamente minuciosa.

Transpassei o transcurso do meu tempo e acredito que viverei eternamente porque sou passada de boca em boca, de geração à geração.

Assumo que tive meus dias de repressão, mas me fiz vitoriosa, tenho meus fundamentos baseados na minha própria tradição, fiz a minha própria lei.

Sou luta, pois estive na guerra. Guerreei junto com o meu povo.
Sou arte porque sou bela e talvez a mais bela de todas elas.
Sou dança porque me mecho mediante a música e me solto no compasso da minha ginga.
Sou cultura, sou a estrutura de um povo.

Peço a você que me identifique,
Você me dirá como quer me pintar.
Com licença, permita que me apresente.
Meu nome é capoeira.
Sim, sou eu, sou eu camará.

Agora lembre-se sempre que sou daqui desta terra.
Estive na colheita do café, cortei cana nos canaviais.
Estive amordaçada nas senzalas e violada por maus feitores, mas rodei minha baiana e dei a volta por cima.
Me tornei a coqueluche daqueles que diziam ser meus senhores.

Sou eu, sou eu camará.
Eu sou capoeira.

Sou o brilho e o ofuscar das nuvens escuras que sobrevoavam sobre mim naqueles tempos, tempos de tristeza, maldade e desasossêgo. Como? Remordimento? Nunca!

Fui acorrentada, e por mim muitos foram sacrificados.
Reconheço o esforço de todos.
Mas o que passou, passou e esse tempo já é passado.

Hoje sou plena e agradecida, mas para chegar a esse ponto tive que viver na noite, na esbórnia, na boemia e na malandragem. Nesse tempo todo mundo já me conhecia e nele eu dei cabeçadas e rasteiras.

Vaguei pelos becos, tive minha morada no gueto, me transformei em cineasta, hoje deleito de uma vida vasta.

Sou eu, sou eu camará.
Sou eu capoeira.
Sim, sou agradecida e rebelde, pois estive um período à merce da delinquência.

Mas, me informei, me graduei e no meu diploma queriam que contasse que fui vadia por ter me refugiado na alegria das ruas. Sim, é verdade! Queriam também que contasse o perfil de uma das profissões mais antigas do mundo.

Lembre-se, vivi nas ruas, rodei dentro de grandes círculos e centros, dei a volta ao mundo, mas não sou vagabunda.

Meu nome é capoeira
Sou eu, sou eu camará.
Sou a digestão de "tudo o que a boca come".
Sou aquilo que você quiser.

Mas lembre-se, que eu bato com a mão, a cabeça e o pé.

Sou anjo e criatura, porque fui a própria desordem, e hoje eu sou camará, a ordem e progresso do meu povo.

Para concluir deixe-me resumir toda uma vida de persistência e experiência.

"Desde a noite que me envolve, negra como um poço escuro de polo a polo, agradeço aos deuses, quaisquer que sejam, por minha alma indomável. Nas garras dos ferozes das circunstâncias, não me entreguei, nem gritei com voz alta, de baixo dos açoites injustos. Tenho a cabeça ensanguentada, não inclinada. Para mim não importa que a porta seja estreita ou que eu tenha um pergaminho carregado de condenas. Eu sou a dona da minha sorte, eu sou a capitã do barco em que navega o meu espírito". Eu sou capoeira.

 

Texto de:
Wellington de O. Siqueira.
Mestrando CINZENTO.
Tel: 600072978
cinzentocapoeira@hotmail.com
www.aluacapoeira.com

ENCONTRO CAPOEIRA BERIM BRASIL 2007

Um grande evento com participações especiais
de dois dos maiores ícones da capoeiragem da Bahia:

Mestre Boca Rica e Bigodinho

Não Perca!!!

Clique para ampliar o cartaz…

 

Dia 22/11/2007
À partir das 19:00 Vivência com:
Mestres Boca – Rica e Bigodinho da Bahia
Aula com Mestre Plínio Angoleiro Sim Sinhô.

Dia 23/11/2007
20h00 – Roda de Amigos jogando com… não contra

Dia 24/11/2007
09h00 às 12h00 – Aulas com:
Mestre Adelmo Origens do Brasil
C. Mestre Monise Berim Brasil – destaque feminino revista Praticando
Capoeira N° 39
C. Mestre Wandola Berim Brasil

13h30 às 16h45 – Aulas com:
Mestre 1° Wellington Berim Brasil
C. Mestre Paulo Renato N´Golo
Professor Busca Longe Muzenza

À partir das 18h00 – Batizado e Troca de Cordas Berim Brasil.

INVESTIMENTO:

Aulas do dia 22 à 24/11: R$30,00 (Até o dia 19/11)
No dia: R$35,00.
Com direito à camiseta.

Somente as vivencias com Mestres Boca-Rica e Bigodinho e Aula com Mestre Plinio:
R$ 15,00 (Até o dia 19/11)
No dia: R$20,00

Mais informações:


www.berimbrasil.com.br/evento2007

Contas para depósito entrar em contato nos telefones: (11) 6607.0050/6601.3123

Cinema: “Zé Malandro, o capoeirista”

Diretor de Moro no Brasil fará próximo filme sobre capoeira
Kaurismaky contou que Zé Malandro, o capoeirista tem roteiro de Marcos Bernstein

CANNES – Outro diretor que participa do Festival de Cannes, Mica Kaurismaky anunciou que irá rodar seu próximo filme no Brasil. "Vai ser uma comédia de ação chamada Zé Malandro, o capoeirista, e quem escreveu o roteiro foi Marcos Bernstein.
 

Estou muito animado com esta parceria", disse o finlandês, que em 2002 dirigiu o documentário sobre a música brasileira Moro no Brasil.
 

Bernstein é autor do roteiro de Central do Brasil, de Walter Salles. Desta vez, criou uma história que envolve capoeira e um turista francês que viaja para Bahia para procurar seu filho que desapareceu, após ter ido ao nordeste para aprender capoeira. Quem o ajuda a encontrar o garoto é o mestre capoeirista Zé Malandro.

"O Brasil é minha segunda casa. Me apaixonei pelo País nos anos 90 e estava mesmo querendo rodar outro filme lá. Foi ótimo que o pessoal da Boca a Boca Filmes (a produtora brasileira do filme) me procurou e vamos ter co-produção da francesa France´s Chic Film", disse Kaurismaky.
 
Fonte: www.estadao.com.br – São Paulo – BR