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A Origem do Escudo do Centro de Cultura Física Regional

Durante o longo período de luta pela regulamentação da capoeira pela FBP, para enquadrar a “academia” na legislação vigente, que não permitia o uso do termo academia, bem como de escola, em entidades esportivas sugeri a substituição do nome clássico para “Centro de Cultura Física”, mais expressivo e abrangente, complementado pelo atributo de “Regional Baiano”, alusivo à luta regional baiana.
Por ocasião da formatura da minha turma (Decanio, Nilton, e Maia) o uniforme de formatura da academia de Mestre Bimba era calça branca, camisa listada azul e branca e sapato de tênis branco, como se pode observar numa fotografia publicada em vários clássicos da literatura do nosso esporte.

Nota


Nosso quadro de formatura  incluiu o meu compadre Luizinho, servente de pedreiro, com a mão esquerda esmagada por acidente de trabalho, pertencente ao grupo de alunos do mato , mais antigo, formado sem solenidade.

Escolhemos como padrinho o nosso contramestre, Ruy Gouveia.
Compadre Luizinho era um testemunho vivo de que os defeitos físicos não impedem a prática da capoeira desde que podem ser contornados pela vontade do praticante.
Morreu tragicamente em acidente de trabalho, durante pintura do Elevador Lacerda, ao cair do andaime sem a proteção do cinto de segurança…

… na tentativa desesperada para se agarrar…
… às paredes ásperas da construção…
… desgastou os dedos e carpo…
… chegou à marquise onde encerrou sua carreira…
… de operário e de atleta…
… sem as mãos…
… cujos fragmentos marcaram….
… com sangue e pedaços de carne…
o seu protesto no concreto do edifício…

A dificuldade em aquisição das camisas listadas; vendidas em lotes de 11 jogadores, alguns reservas e goleiros, sem opção de escolha de tamanho por serem usadas pelos times de futebol, nos obrigou a procurar uma solução menos penosa.

Em torno de 1945 Mestre Bimba, atendendo a sugestão que lhe fiz, decidiu adotar a camisa de malha de algodão branca para os formados, conservando a antiga camisa listada azul e branca como distintivo para o mestre.

Para completar o uniforme e quebrar a monotonia da camisa branca, desenhei então um escudo com o signo de São Salomão consoante a tradição dos capoeiristas, que me acostumei a ver gravado pelos carroceiros na estrutura dos seus veículos de carga, com a troca da estrela de cinco pontas pela de seis pontas, para melhorar o efeito estético, acrescentando na área central, um pequeno círculo contendo a letra R, abreviação de Regional.

Optei pela estrela de seis pontos, formada pela superposição de triângulos equiláteros, pela simetria dentro do campo circunscrito pelo escudo ogival, forma que melhor se prestava ao efeito estético desejado.
Nos intervalos entre as pontas das estrelas apliquei traços arciformes azuis, circunscrevendo a estela central e, na parte superior da ogiva, dois traços verticais para quebrar a monotonia do fundo branco.
Naquela ocasião desenhei vários modelos, com molduras diferentes, bem como símbolos e siglas, dos quais as mãos habilidosas de Da. Berenice, minha Mãe Bena ( então Rainha e Senhora da Casa de Bimba) confeccionou os protótipos; modelos em tamanho natural, bordados em azul à mão, sobre tecido branco; dentre os quais a escolha do Mestre, e dos alunos consultados, recaiu, por unanimidade, no atual escudo.

Reforçava a escolha do signo de São Salomão como símbolo da regional o desenrolar da lenda da capoeira conforme Cisnando.
Para melhor efeito estético o escudo deve ser usado na região peitoral, e à esquerda, “do lado do coração”, pelo simbolismo sentimental!

A cruz desenhada acima da imagem estelar é a demonstração da aptidão inata da cultura africana para aceitar os conceitos estranhos sem perder  sua autenticidade  e assim sobreviver dentro dum ambiente hostil !

Cristianizando a Sabedoria de Salomão pela coroação crucial, o povo brasileiro criou um símbolo, a “Estrela de São Salomão”, capaz de pacificar o encontro de duas culturas conflitantes e que pode unir todos os capoeiristas do mundo!

Mestre Bimba

 


41-Quadro com os retratos e os nomes dos formados, paraninfo e homenageados, de modo similar ao costume das escolzs superiores. Nem sempre correspondem ao ano da graduação, pois esperavamos juntar 4 a 5 para completar o elenco, deste modo num mesmo quadro podemos encontrar alunos de diversas turmas.

 

42-Que não pertenciam a escolas superiores

 

Texto retirado do Livro:
A Herança de Mestre Bimba
Filosofia e Lógica Africanas da Capoeira
COLEÇÃO SÃO SALOMÃO

Donwload: http://portalcapoeira.com/Downloads/View-document-details/23-A-Heranca-de-Mestre-Bimba

 

Angelo A. Decanio Filho – Mestre Decanio

 

Entrevista: Mestre Adilson

 

Mestre Adilson concede entrevista a Mestre Kadu, no I Encontro Interno do Grupo Gunganagô, em dezembro de 2012.

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Herança Brasil grava DVD Ieee Camará 2013, no Encontro Nacional de Capoeira

Nos dias 16 e 17 de março os capoeiristas paranaenses realizam o Encontro Nacional de Capoeira e a gravação do DVD “Ieee Camará 2013!”. Promovido pelo Grupo de Capoeira Herança

Brasil e Casa da Capoeira, o evento reunirá na cidade de Wenceslau Braz capoeiristas de várias regiões do Brasil e convidados que atuam no exterior. A TV Portal Capoeira e a Revista Capoeira vão estar presentes com suas equipes de jornalismo pra fazer a cobertura do evento, alem da imprensa tradicional.

Entre os convidados que ministrarão aulas e oficinas, estão: Mestre Adelmo (Grupo Origens do Brasil), Jacaré do Lobo (Grupo Emboscada), Mestre Coité Linhares (Grupo Caymã Capoeira) e Contramestres Xandinho e Xandão (Grupo Angoleiros do Sertão).

Organizado Professor Escorpião Branco, o evento colocará a disposição dos participantes ampla estrutura que inclui Shopping de Capoeira, Praça de Alimentação, Alojamentos e Espaço para Bate Papo.

 

Veja a programação


Sábado (16 de Março)

1- Abertura, café da manhã e entrega de kits

2- Aulão de “Cantos e Toques de Capoeira”

Ministrante: Jacaré do Lobo (Emboscada)

3- Cursos de Benguela e São Bento Grande

Ministrante: Mestre Coité Linhares (Caymã Capoeira)

4- Curso de Angola

Ministrantes: Contramestres Xandinho e Xandão (Angoleiros do Sertão)

5- Roda de rua (Aberta apenas para quem estiver com a camiseta do evento)

 

Domingo (17 de março)

1- Café da manhã e entrega de kits

2- Curso de Movimentação e lançamento do 1º Áudio-Livro de Capoeira com Mestre Adelmo

(Origens do Brasil)

5- Lançamento do CD Promocional da Casa da Capoeira – Nina (Graduada Cabaça, da Irlanda)

6- Lançamentos dos livros “A ginga dos mais vividos”, “Eu, você e a capoeira” (versões em inglês,

espanhol, francês e português) e “Capoterapia, minha história, minha vida”, do jornalista Mano Lima.

7- Campeonato de Acrobacias

8- Apresentações de Maculelê e Puxada de Rede

9- Apresentação Família Herança Brasil e Homenagens

10- Roda dos Graduados

11- Roda de Graduação e Formaturas

12- Rodas Livres para alunos

13- Encerramento oficial

 

Informações e reservas: Professor Escorpião Branco, (43) 9687-1313

escorpiaobranco.hb@gmail.com

Aconteceu: Campeonato Acreano de Ladainhas Canto das Senzalas

1° Campeonato Acreano de Ladainhas Canto das Senzalas promete se consolidar como parte do calendário cultural da cidade de Rio Branco.

Evento vai reunir na capital mestres capoeiristas de outos Estados e  aconteceu no Cine Teatro Recreio – Acre

A realização foi da Federação Acreana de Capoeira (FAC), através do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura, financiado pelo governo do Estado, por meio da Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour (FEM).

É através do diálogo harmônico entre luta, dança e musicalidade que surge uma das mais belas expressões de arte e cultura, a capoeira. Genuinamente brasileira, traz em suas raízes as histórias de batalha e sofrimento de um povo, que mesmo subjugado por uma sociedade escravocrata transformou tristeza em alegria ao som de palmas e cantorias, acompanhadas por berimbaus e tambores, em um gingado único que reflete toda nossa brasilidade.

Há quem diga que um bom capoeirista é aquele que valoriza a musicalidade em meio à atividade que pratica, e foi pensando justamente nisso que a Federação Acreana de Capoeira elaborou um campeonato focado na faceta musical, tão própria dessa expressividade cultural, que além de luta e dança é também música.

A programação comporta uma série de atividades, sendo elas realizadas em diferentes espaços: cerimônia de abertura (Cine Teatro Recreio), oficinas (sala de artes marciais do Sesc), batizado integrado (miniginásio do Sesi) e o campeonato propriamente dito(Cine Teatro Recreio).

As oficinas são destinadas aos alunos das sete associações ligadas à federação: Capoeira Educar, Capoeira Nagô, Cordão de Ouro, Abadá Capoeira, Acre Brasil, Capoeira Cajueiro e Grupo Candeias. Da mesma forma, o batizado integrado é um grande encontro, uma confraternização entre os mais novos e os mais experientes capoeiristas de Rio Branco. Em média serão 350 crianças e adolescentes a serem batizados, entre eles meninos e meninas da APAE e do Centro de Ensino Especial Dom Bosco.

O Campeonato de Ladainhas está aberto a todos aqueles que queiram participar, e as inscrições só se encerram uma hora antes do início da competição. Além dos concorrentes, o evento conta com a participação especial de mestres como Luiz Renato (SP), Suassuna (SP), Catitu (SP), Kao (DF), Onça (GO), Risadinha (BA), Coruja (SP), Professor Gibi (SP) e Professor Invertebrado (SP).

Fundada em 1992, a FAC tem como objetivo difundir a cultura afro-brasileira, através da Capoeira. “E isso só é possível pela união dos grupos em busca de um bem maior, a capoeira” relata o contramestre Caju, da Capoeira Cajueiro.

 

Cristiane Albuquerque (Assessoria FEM)

Palmares promove exposição de arte africana

Em comemoração ao Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, a Fundação Cultural Palmares promoverá, de 13 a 20 de outubro, a exposição Expressões Africanas, com o acervo de 15 embaixadas do Continente Africano. Serão expostas peças artesanais, artefatos, quadros, móveis e esculturas que retratam a cultura da África do Sul, Angola, Botsuana, Benin, Cabo Verde, Cameroun, Costa do Marfim, Egito, Gana, Guiné-Equatorial, Guiné-Bissau, Mauritânia, Moçambique, Namíbia e Quênia.

O curador é o professor do Instituto de Artes e Coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade de Brasília, Nelson Inocencio. Segundo ele, as peças que compõem a exposição foram escolhidas de acordo com o que cada objeto representa para o seu país e o significado de cada uma. A intenção é explorar o sentido dos objetos para cada uma das sociedades representadas.

“Existe uma ideia de que a arte africana é uma arte primitiva. Nosso propósito é defender um outro olhar, proporcionar uma perspectiva didática e educativa com suas características e referências estéticas”, disse.

Além de celebrar o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, a exposição pretende mostrar que a África não é uma referência somente para os africanos. “Divulgar a África é promover a pluralidade, a diversidade e importância da Diáspora Africana, que tanto contribuiu para a formação da identidade de vários países”, explica Inocencio.

Para o presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Araujo, a exposição se destaca por ser uma das principais ações da Palmares, dentro do Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, e conta com a participação do Ministério da Cultura (MinC), da Câmara dos Deputados e das Embaixadas dos países africanos no Brasil. “ Esta mostra terá a riqueza, a beleza, a criatividade de artistas africanos, cuja criação encanta e sensibiliza povos de todos os matizes”, destaca.

A exposição Expressões Africanas foi desenvolvida pelo Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra da Fundação Cultural Palmares e será aberta no dia 13 de outubro, às 17 horas, no Salão Branco do Congresso Nacional, em Brasília.

Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes – Essa proposta está de acordo com o fato de que o ano de 2011 foi eleito pela Organização das Nações Unidas como o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, com o objetivo de erradicar a discriminação racial contra o africano e seus descendentes, que são os povos mais vitimados pelo racismo. Neste ano, ganham destaque as medidas relacionadas à maior participação do negro nas políticas públicas, bem como as ações que têm por objetivo fornecer uma maior informação cultural sobre os povos, as tradições e a diversidade cultural da África e seus descendentes.

Serviço

O quê: Exposição Expressões Africanas
Onde: Salão Branco do Congresso Nacional
Quando: de 13 a 20 de outubro
Visitação: A partir do dia 14/10 (Segunda à sexta-feira, das 9h às 19h / Sábados e domingos, das 9h30 às 17h30. Entrada Franca)
Mais informações: (61) 3424-0165/ 3424-0166

Acre: “Eu Pratico o Melhor Esporte do Mundo: Capoeira”

Projeto existente há dez anos leva o esporte para a periferia de Rio Branco

Aconteceu nessa quarta-feira, 1, o lançamento do projeto “Eu Pratico o Melhor Esporte do Mundo: Capoeira”, na Paróquia Cristo Libertador. O projeto existe há cerca de 10 anos e possui um grande legado de capoeiristas, todos oriundos da periferia de Rio Branco. A iniciativa foi financiada pela Fundação Garibaldi Brasil e cerca de 80 alunos serão contemplados pelo projeto.

O objetivo do projeto é proporcionar aulas de capoeira três vezes por semana para jovens e adultos da comunidade, além de contribuir no processo educacional, religioso e cultural do público alvo, trabalhando valores sociais a esta prática popular, como cidadania, coletividade, solidariedade, parceria, afetividade, respeito, disciplina, organização e responsabilidade. Os alunos também serão contemplados com uniformes e incluídos no batizado.

Assim como todos os anos acontece, este ano a capoeira já iniciou seu plano de aula de 2010 na Paróquia Cristo Libertador, de forma voluntaria, já que os projetos só cobrem seis dos 11 meses de trabalho. O projeto é uma forma de garantir sua continuidade e nos últimos anos vem ganhando credibilidade por sua seriedade e importância junto à sociedade.

“Queremos também garantir um maior numero de alunos treinando na paróquia, contemplando-os com uniformes, camisas e cordas, e fazer a inclusão deles no batizado”, conta Ithamar Silva Souza, presidente da Liga Acreana de Capoeira. O batizado é uma festa promovida todos os anos de forma coletiva, tendo em vista que os grupos participam.

 

Fonte: http://www.agencia.ac.gov.br/

Fotografia: Arte da resistência por André Cypriano

O fotógrafo documentarista André Cypriano andou por onze comunidades negras remanescentes dos quilombos no Brasil. Nenhuma delas fica em Pernambuco, mas todas vivenciam realidades que trazem à tona questões culturais, sociais, econômicas. As fotos resultantes dessas viagens estão na mostra Quilombolas – Tradições e cultura da resistência, que será aberta hoje, às 19h, no Centro Cultural Correios, no Recife Antigo. “Encontrei lugares diferentes, alguns urbanos, outros na mata, no Sertão, com culturas diversas, mas todos volltados à preservação da tradição afro-brasileira’, comenta.

São 27 fotografias em preto e branco no formato 50 cm x 75 cm; sete fotografias panorâmicas (40 cm x 440 cm); seis no tamanho 30 cm x 40 cm, além de dois mapas, painéis de textos e legendas. A mostra tem fotos, por exemplo, do grupo quilombola Mocambo, na comunidade Porto da Folha, em Sergipe; da comunidade Tapuio, em Queimada Nova (PI); da comunidade Cafundó (SP). “Lá encontrei três pessoas que ainda falam uma língua africana; umalíngua fluente, mas que só existe ali. A tribo deles inclusive já foi extinta”.

O principal problema das comunidades visitadas, atesta Cypriano, ainda é a questão da legalização dos seus territórios. “Além disso, é interessante notar o quanto a realidade é distinta da nossa, principalmente nos quilombos que não tem tanto acesso à urbanização. São comunidade mais felizes. De tardinha, ao invés de estarem na frente da televisão, brincam ciranda, jogam futebol”, diz. A escolha por fotos em preto e branco, explica o fotógrafo, é por conta da “impressão mais forte. Vejo o preto e branco como uma interpretação e o colorido como reflexo da realidade”.

André Cypriano abraçou o projeto a convite da curadora da exposição, Denise Carvalho. Além da mostra, as fotos também viraram livro (R$ 78), com textos, mapas e pesquisa de Rafael Sanzio Araújo dos Anjos. A mostra já percorreu mais de 15 cidades brasileiras, oito cidades da América Latina e depois do Recife ainda deve seguir para lugares como Macapá, Teresina e Natal.

Lugares remotos – “Aceitei de primeira esse projeto porque é um tema que tem muito a ver com o meu trabalho, lugares remotos e ainda uma tendência para o raro e extraordinário”, comenta. Com o livro sobre os quilombos, já são quatro na carreira do fotógrafo. O último deles é O caldeirão do diabo, sobre um presídio já extinto na Ilha Grande. Cypriano também fotografou a favela da Rocinha e favelas da América Latina, e a capoeira. “Fiz imagens dos grandes mestres do Brasil, inclusive em Pernambuco. É uma exposição que também deve ser levada ao Recife”, aposta.

Apesar dos temas sociais sempre terem permeado as imagens de Cypriano, “os problemas sociais acabam sendo uma consequência, mas não é a minha intenção retratá-los. Meu projeto não é promover mudanças. A Rocinha, com todos os problemas que ela tem, pra mim, naquele momento da foto, é o ideal”. O mais importante é que a fotografia retrate emoção. “Se ela mexer com as emoções, é uma boa foto. Os americanos tem até uma expressão, it’s all about emotion”. (Pollyanna Diniz)

Serviço

Quilombolas – Tradições e cultura da resistência, até 18 de abril

Local: Centro Cultural Correios (Av. Marquês de Olinda, 262, Recife Antigo)
Visitação: De segunda a sexta, das 9h às 18h; e sábados e domingos, das 12h às 18h
Entrada franca

 

Fonte – http://www.diariodepernambuco.com.br/

Batizado Arrepiado Capoeira Cordão de Ouro Acre

A capoeira na Apae – Ac, nasceu de um programa da Secretaria de Esporte do Estado, mas só durou um ano. Desde então atendo os alunos especiais de forma voluntária. Durante seis mêses do ano, o projeto ganha um incentivo da Prefeitura de Rio Branco, através da Lei Municipal de  Incentivo à Cultura, mas para isso escrevo um projeto com todas as exigências do edital.

Esse ano vamos trazer o Mestre Brasília. Ele nunca veio ao Acre, está muito ancioso. O Professor Espirrinho já veio 3 vezes (com essa).

O legal deste ano é que o evento caiu na mesma data da Consciência Negra, que também é bem difundida pelas entidades do movimento e apoiadas pela Prefeitura e Estado. Com certeza vai ser um grande evento!

A capoeira na APAE tem um foco diferente, mais específico. Por ser multidisciplinar e multicultural, a modalidade se relaciona bem com os alunos, que se expressam sempre de maneira sincera e bem expontâneas. Isso mostra que com eles não se brinca, mas oportuniza-se as formas de brincar, com a ludicidade própria da capoeira. Vemos que a cada dia suas limitações viram possibilidades, da forma que bem entenderem e antes, suas “classificações”, viram qualificações.
Temos então um leque, extenso e variado de formas de trabalho através da prática da capoeira, com seus rituais, cantos e códigos. O batizado é o ponto alto do trabalho, um momento de confraternização. Colocam em evidência tudo o que conseguiram aprender durante o ano de treinamento. Toda sociedade vem prestigiar, eles dão entrevistas, tiram fotos, brincam, jogam, cantam, são vistos e isso para eles faz com se sintam incluídos, mesmo que por um dia, pois sabemos que a realidade é bem diferente.

Mesmo assim vale a pena, pois damos um alição de superação, uma verdadeira inspiração para uma maior valorização da vida.
Esse é o meu trabalho, minha vida. Não faço outra coisa a não ser trabalhar com projetos (especiais e crianças em risco social). Se não tenho apoio, trabalho mesmo assim. Tenho 28 anos e 20 de capoeira, faço parte da família Cordão de Ouro.

Um grande abraço.

Axé

Everton Silva Leodegário
CM. Arrepiado
Rio Branco-Acre

Programação do Evento CDO CM. Arrepiado – Acre
(Supervisão Mestre Suassuna CDO-SP)

Dias 20 e 21 de novembro

V – Batizado e Troca de Cordas “Capoeira na APAE – AC”.
I – Batizado “Academia CDO CM. Arrepiado”
I – Batizado de Capoeira “Espaço Cultural Neném Sombra”

Presença confirmada do Mestre Brasília, um dos renomados Mestres que fundaram o Grupo Cordão de Ouro!

E Instrutor Espirrinho, de São Paulo.

Programação

Dia 20 de novembro (sexta-feira)
Escola APAE-AC (Conj. Esperança)
Hora: 9h Cerimônia de entrega de instrumentos e uniformes.
Roda e mesa de frutas

Mercado Velho
Hora: 18h  Em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra a Academia CDO CM. Arrepiado fará uma programação Especial em parceria com entidades ligadas ao movimento Negro de Rio Branco.

Aulão, Roda e muito AXÉ!

Dia 21 de novembro (sábado)
Usina de Arte  
Hora: 17h
V – Batizado e Troca de Cordas “Capoeira na APAE – AC”.
I – Batizado “Academia CDO CM. Arrepiado”
I – Batizado de Capoeira “Espaço Cultural Neném Sombra”
Rodas, palestras e muito mais!

Contatos:
9977-4990
arrepiadocdoacre@hotmail.com

Apoio:
Lei Municipal de Incentivo a Cultura – FGB

Patrocínio:
Banco do Brasil
Hotel João Paulo
ABRASEL

Aniversário de Mestre Brasília, 67 voltas ao mundo e muita capoeira…

Antônio Cardoso Andrade, Mestre Brasília, nascido em 29-05-1942, é também um dos pioneiros da Capoeira paulista. Aprendeu com mestre Canjiquinha, de quem foi discípulo e amigo dedicado.

Veio para São Paulo, gostou, acabou ficando. Praticava capoeira na antiga CMTC, com mestre Melo, e na academia do mestre Zé de Freitas, no Brás. Conheceu então mestre Suassuna, e juntos fundaram uma academia, a “Cordão de Ouro”, que viria a se tornar no pólo principal da Capoeira paulista. Joga com extrema elegância e habilidade.

Atualmente, Mestre Brasilia está ministrando suas aulas no Galpão do Circo, R. Girassol, 323, Vila Madalena, SP. É vice-presidente cultural da Federação de Capoeira do Estado de São Paulo, entidade filiada à Confederação Brasileira de Capoeira e à Federação Internacional de Capoeira; atualmente, é presidente do Conselho Superior de Mestres – seção São Paulo.

O Portal Capoeira presta esta singela homenagem a um dos precursores da capoeira em São Paulo e deseja muita paz, saúde e muita capoeiragem para este grande mestre!!!

Fica aqui também um abraço especial pois gostaria de deixar registrado o quanto é importante para mim ter tido em meu batizado… + – 1988/89 na Escola Paulista de Medicina em SP, sob a organização dos Mestres Flavinho Tucano e Dal, CDO a presença ilustre de Mestre Brasilia, por quem tive a honra de ser batizado… ainda lembro como se fosse hoje: Terno branco… sapato branco… chapeu branco… a elegancia e o bom gosto de um grande mestre…

Felicidades Mestre Brasilia!!!

Homenagem Portal Capoeira
Luciano Milani
Portal Capoeira

Doce de encanto de um velho felino

Bimba é Bamba

Estilo àgil do capoeirista atraía multidão ao ringue armado na Praça da Sé, palco de lutas e apostas que levavam soldados, estivadores e estudantes ao Parque Odeon.

Soldados, estivadores, estudantes e operários se paertavam nos bancos emtorno do ringue armado na Praça da Sé. Um cheiro forte de suor inundava a noite de inauguração do Parque de Odeon, um verdadeiro parque de lutas e apostas, naquele 6 de Fevereiro de 1936. Cercada pelas sombras das Igrejas centenárias, chegava a hora da luta mais esperada da noite, a que valia pelo título de campoeão baiano de capoeira. Enquanto os lutadores – Manoel dos Reis Machado, o Bimba, e Henrique Bahia – subiam no tablado, a multidão gritava em êxtase: “Bimba ´é bamba”. Numa das filas, um grupo de americanos se impressionava com o jogo cadênciado, cheio de passes de agilidade e contorções felinas de Bimba, que projectou seu adversário no chão com uma benção no peito, antes mesmo do final do primeiro round.

No dia seguinte, os jornais da capital baiana noticiavam com destaque a vitória. Esses mesmo jornais, um mês antes, haviam publicado, a pedido de Bimba, um desafio dele a todos os capoeiristas baianos no ringue. E as lutas no Parque Odeon continuaram. Em Março, Bimba venceu José Custódio dos Santos, o Zeí, em uma noite que teve público recorde. O jornal O Imparcial publicou: “Bimba é o favorito em vista de sua técnica inigualácel”. No mesmo mês, enfrentou o angoleiro Vitor Lopes, o Vitor H.U., que para surpresa do público, abandonou o ringue depois de receber de Bimba, logo no começo do combate, um galopante – nome técnico para um violento murro na cara – que o fez cair e sangrar. “Assim não vale!” gritou, apavorado. Bimba respondeu: “Isto aqui é luta, não é roda”, e foi apoiado pelo juiz. Sobre as disputas no ringue, anos depois Bimba diria, com orgulho: “O que mais durou ficou um minuto e meio.”

O Parque Odeon, apesar do sucesso, durou pouco tempo e foi desactivado em Julho do mesmo ano. Já a fama de Bimba, essa apenas começava a se alastrar e já trazia consequências, como contou um dos seus mais antigos discípulo, o Mestre Atenilo, morto em 86. “Perguntavam: é discipulo de Bimba? Bimba não ensina capoeira, ensina barulho”. O grupo de alunos, aos poucos, foi sendo banido da maioria das rodas da cidade. “A gente ficava na Roça do Lobo (onde Bimba dava aula), jogando uns com os outros, não tinha mais onde jogar.” No livro O relâmpago da capoeira regional, do Metsre Itapoan, Atenilo conta que, ao contrário do que muita gente pensava, Bimba e Pastinha (o grande Mestre de capoeira angola) tinham um bom relacionamento. “Pastinha tomou muita amizade com Bimba, que ele também tinha o segredo da capoeira”.

Um segredo que Bimba relutou em passar adiante, mas começou a compartilhar quando um jovem cearense branco, chamado Sisnando, foi procurá-lo em seu depósito de carvão no Curuzu, querendo aprender capoeira. O Mestre foi logo dizendo que aquilo não era coisa para branco, mas como o jovem insistiu, Bimba lançou o desafio: “Se você resistir por três minutos a uma gravata no pescoço dada por mim, eu te ensino”. Sisnando, que lutava jiu-jítsu, aceitou e, para surpresa de Bimba, resistiu bravamente. Era o começo de uma parceria que teve papel importante na criação da capoeira regional.

Mistérios da luta

Se antes os negros tinham que passar pelo suplício do tronco levados por mãos brancas, agora um negro desafiava com a sua força o branco que quisesse aprender os mistérios da capoeira. Teriam que provar que eram “raçudos”, suportando uma gravata no pescoço. Uma vez aprovados, seguiam os padrões de uma organização negra, a comando de um mestre negro. Integrantes de famílias influentes – Sisnando, por exemplo, era amigo do interventor Juracy Magalhães – “eles contribuíram para que Bimba oficializasse a primeira academia, difundisse seu método de ensino, penetrasse nos salões, ensinasse nas escolas e nos quartéis, profissionalizasse o seu ofício, viabilizasse economicamente os serviços da capoeira, se aproximasse do poder político”, explica Frede Abreu.

Mestre BimbaMas este “branqueamneto” e elitização da capoeira fez muita gente torcer o nariz para Bimba. Um exemplo da discriminação em relação ao criador da regional foi o 2º Congresso Afrobrasileiro, que foi considerado, nos anos 30, um dos mais importantes acontecimentos relacionados com os estudos do negro brasileiro. Durante o congresso, foi prevista a fundação da União dos Capoeirístas da Bahia, que não se concretizou, e houve apresentações do que se chamou do “melhor grupo de capoeira da Bahia, chefiado por Samuel Querido de Deus”. Na época foram divulgadas pelo pesquisador Edison Carneiro e pelo jornal Estado da Bahia listas com os nomes dos principais capoeiristas baianos, mas o nome de Bimba (e de qualquer outro praticante da regional) não aparecia em nenhuma delas.

O Mestre Waldemar da Paixão, senhor do conhecido reduto de angoleiros localizado no Corta-Braço, o Barracão de Waldemar, reconhecia o valor de Bimba, mas o questionava por ter abandonado a angola. “Ele abandonou a cor dele. Mas sabe o que é? O preto, para dar uma miçanga ao mestre, é um deus-nos-acuda. Não tinha dinheiro para pagar. O branco dava boa vida a Bimba”, afirma, em um depoimento no livro O Barracão do , de Mestre Waldemar, de Frede Abreu.

O exame de admissão à força foi dando lugar, nos tempo da academia, a um outro tipo de selecção: para aprender capoeira era preciso estar estudando ou trabalhando. Foi o que aconteceu com Jair Moura, que até hoje se recorda da primeira vez que viu Bimba jogando capoeira, em uma apresentação promovida pelo grémio do colégio onde estudava, o Carneiro Ribeiri, em 1947. “Aquilo me marcou muito, fiquei impressionado com os golpes magistrais, e como a minha turma tinha rivalidade com outros meninos do bairro, a capoeira me interessava por motivos práticos”, conta. Bimba, como era de praxe, exigiu uma autorização dos pais por escrito, mas o garoto Jair sabia ser impossível a façanha de conseguir tal permissão, afinal a capoeira ainda era vista com desconfiança pela sociedade. Só alguns anos depois, em 53, é que conseguiu entrar no grupo de Bimba, e onde só saiu em 1960, quando se mudou para o Rio de Janeiro.

Assim como Jair, mais e mais pessoas apareciam para aprender a capoeiragem com Bimba, em grande medida porque ele foi o primeiro a criar um método de ensino pedagógico para a capoeira. O começo de tudo, ainda na primeira aula, era um momento inesquecível para os futuros capoeiristas: Bimba pegava na mão do iniciante para ensiná-lo a gingar. Era quando o aluno sentia em si mesmo a energia do Mestre. Essa mesma forma de passar a experiência vem sendo seguida até hoje por um de seus filhos, Mestre Nenel, em sua academia no Pelourinho, que tem as paredes cheias de fotografias de discípulos de Bimba. “Aqui vêm pessoas do mundo inteiro, chegam entrevadas e em poucos dias estão em condições de jogar”.

Mestre BimbaSe há algo em comum entre todos os ex-alunos de Bimba é que não há um deles que não tenha ficado marcado pela personalidade do Mestre. “A academia era como se fosse uma extensão da casa da gente e ele era como se fosse um paizão, o cara que dizia o que era, como era, quais as atitudes a tomar na rua, como viver em sociedade, os perigos que tinha, toda aquela coisa da malandragem”, recorda outro discípulo de Bimba, o Mestre Itapoan. Ele conta que conseguiu o dinheiro para se matricular no judô, mas foi levado por um amigo para assistir à aula do Mestre, na academia do Centro Histórico e, na mesma hora, se matriculou na capoeira. “Ele era aquela figura forte, a academia lotada e ele sozinho, com o berimbau, comandando aquilo tudo, um respeito retado. Como eu tinha perdido o meu pai, aquela figura dele me encantou realmente”.

A simples presença do Mestre impunha respeito: quando ele entrava na sala, todos se calavam e esperavam sua ordem. Outras vezes, quando os alunos estavam brincando, ele só fazia olhar, que a brincadeira cessava. “Era um negócio muito forte”, afirma Itapoan, deixando perceber nas entrelinhas que a figura de Bimba ainda hoje lhe causa um certo arrepio, um nome que soa quase como um mito. Uma imagem que corresponde à que Mestre Acordeon, outro discípulo de Bimba, que hoje dá aulas nos Estados Unidos, projectou em uma de suas músicas em homenagem a Bimba: “Ele era forte na alma, tinha uma faca no olhar, que cortava agente de cima a baixo, quando ensinava a jogar”.

Artigo da Revista "Memórias da Bahia II" – Mestre Bimba – Rei Negro