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Niterói vai ser palco do primeiro Intercâmbio Cultural Terranossa

De 26 a 31 de Agosto Niterói recebe mais um evento da Associação Terranossa de Capoeira. O Intercâmbio Cultural, que comemora os sete anos de existência do grupo, tem em sua programação palestras, cursos e troca de cordas.

“O evento irá possibilitar a integração entre os membros dos seis estados brasileiros e dos sete países do mundo. A ideia é garantir que o grupo todo fale a mesma língua, mesmo em continentes diferentes.”, explicou Mestre Cid, presidente do grupo e organizador do evento.

A programação terá início com aulas nos principais centros de treinamento do Rio de Janeiro. No dia 26 o Professor Naja recebe os integrantes do grupo para uma aula em sua academia, em Campo Grande. No dia 27 é a vez do Mestre Cid comandar o treino em Niterói. Para fechar o ciclo de aulas, Professor Minhoca ministra aula em Vicente de Carvalho no dia 28.

Na sexta-feira, dia 29, as atividades ficam concentradas em Niterói. Pela manhã Eco Terranossa, em Itacoatiara e a noite tem roda na Praia de Icaraí.

No sábado as atividades começam mais cedo para os integrantes do grupo, com a capacitação e os exames para as trocas de corda. Após o almoço haverá Seminário com Mestres convidados. Entre os já confirmados, Mestre Polaco, Mestre Genaro e Mestre Gegê. No fim da tarde é hora de receber os amigos para a formatura e troca de cordas.

São esperados cerca de 200 capoeiristas para o sábado 30/08, quando acontece a troca de cordas e a formatura, a partir das 17h. Mestre Cid pretende entregar cerca de 40 cordas, entre elas, cordas de Contramestre, Professor, instrutor e Monitor.

 

 

Programação:

 

26/08

19h – Treino em Campo Grande – Professor Naja

Academia Terranossa

Rua Seabra Filho, 377. Inhoaíba. Campo Grande. Rio de Janeiro/RJ

 

27/08

20h – Treino em Icaraí – Mestre Cid

Complexo Esportivo Caio Martins

Av. Roberto Silveira esquina com Rua Presidente Backer. Icaraí. Niterói/RJ.

 

28/08

19h – Treino em Vicente de Carvalho – Professor Minhoca

Colégio Isa

Rua Iere, 23. Vicente de Carvalho. Rio de Janeiro/RJ

 

29/08

Eco Terranossa

Praia de Itacoatiara

20h – Roda

Praia de Icaraí

 

30/08

8h – Cursos, Palestras e Exames

Complexo Esportivo Caio Martins

14h – Seminário com mestres convidados

Complexo Esportivo Caio Martins

17h – Formatura, Batizado e Troca de cordas

Complexo Esportivo Caio Martins

31/08

10h – Confraternização

Complexo Esportivo Caio Martins

Camaçari: Projeto Social Crianças “Cabeludas”

O Jogo (de empurra) da Capoeira em Camaçari?

No próximo dia 29 de Agosto, o Grupo de Capoeira Regional Porto da Barra estará realizando o IV Batizado e V Troca de Graduações no Projeto Social Crianças Cabeludas, na comunidade do Parque das Mangabas.

Nosso projeto já é mais que conhecido em Camaçari (e no mundo!). Desde o ano de 2006, utilizamos a Capoeira Regional do saudoso Mestre Bimba como forma de apresentar um novo viés a crianças e jovens daquela comunidade. O Crianças Cabeludas já dá sinais de muitos bons frutos, como a ida de alguns alunos para fora do país. Todavia, mais importante que qualquer possibilidade dessas crianças “viverem da capoeira” é o viverem de forma digna, justa e socialmente responsável. Isso, sem dúvida, é o que de melhor podemos ensiná-los.

Lendo algumas matérias sobre outros esportes apoiados pela gestão pública municipal, não pude me furtar a questionar-me: por que a Capoeira ainda continua “debaixo do pé do boi”, em Camaçari? Ora, não nos venham falar em apoios esporádicos, verdadeiras migalhas dadas a uma arte-luta que representa tanto o nosso país. A Capoeira é o maior legado herdado dos acorrentados trazidos do além mar. A Capoeira é negra, criada pelos pobres, que a praticavam nas senzalas e matos rasteiros das fazendas dos senhores e sinhazinhas. Será essa a razão histórica para tanto desprezo? Quero crer que não. Todavia, conheço mestres consagrados no município que têm que, praticamente, passar sua cuia na SEDEL, ou na SECULT, para poder realizar seus eventos. Outro dia, em visita a um deles, este me disse: “Crente, só consegui água mineral” – eu também! – bom, de sede não vão nos matar, rebati, num misto de sarcasmo e revolta!

Nosso pequeno evento, realizado numa comunidade carente, repleta de problemas sociais e cuja Capoeira é a única fonte de lazer, esporte e disseminação da cultura popular brasileira, não teve o apoio do chefe do executivo e seus comandados, nem tão pouco da “casa do povo”. Estes fingem nada acontecer nas Mangabas, fingem não ver a molecada no meio do asfalto, se esquivam com seus jargões ultrapassados e hipócritas, batem em minhas costas e dizem: “que trabalho bonito”, mandam seus candidatos tentarem tirar proveito da moçada que “segue em frente e segura o rojão”1. Mas ano após ano, sentimos o gosto amargo do abandono e o sangue derramado pelas feridas abertas no asfalto quente. Todos sabem disso, todos mesmo, não nos digam que não sabiam.

O Mestre Cabeludo sempre nos diz que Capoeira é resistência, que devemos lutar, protestar e nunca deixar de fazer acontecer o que acreditamos. Eis aqui, mais uma vez, o nosso protesto. Um protesto consciente, de quem nunca deixou se abater, de quem tem a Capoeira no peito e que realiza os sonhos na raça.

Receberemos cerca de 30 estrangeiros em nosso humilde evento, e mais uma vez será difícil explicar como em seus países o governo, as empresas, a sociedade organizada e as escolas abrem suas portas para receber a Capoeira brasileira, mas, contraditoriamente aqui, onde ela foi concebida, esses atores nos relegam ao esquecimento, ou melhor, como disse em outra visita a um antigo mestre camaçariense, nós só somos lembrados quando querem nos usar como “dançarinos” em seus circos políticos particulares.

A Capoeira é cultura, ou é esporte? É SEDEL, ou é SECULT? Até quando essa discussão? Até quando as migalhas? Até quando o maciço apoio será para os “esportes brancos” e importados?
É preciso agir. Nós, capoeiristas de Camaçari, já estamos saturados de discurso e fóruns que nada resolvem e que só servem para dizer: “estamos elaborando políticas públicas para isso, ou para aquilo”. Ação já!

Precisamos das escolas abertas, do apoio para os eventos, de centros especializados, de valorização dos mestres antigos, de empregabilidade para os professores dessa arte, enfim, há muitas coisas a serem feitas.

Convocamos a todos os simpatizantes, alunos, instrutores, monitores, formados, professores, contra mestres e mestres camaçarienses a não se calarem, a exporem publicamente o seu repúdio a esta gestão medíocre que pouco ou nada fazem pela Capoeira e ainda querem nos usar como fantoches.
Cansamos, senhores “dono do engenho”, já está mais que na hora de vocês nos levarem a sério.
Como diz o Mestre Otto (formado do Mestre Bimba): “o capoeirista pode até apanhar, mas jamais poderá deixar-se dominar”.

Axé, paz e luz para todos!
Salve,
Formado Crente
Caio Cultura
(Caio Marcel Simões Souza, Formado Crente, é Administrador de Empresas, formado pela Faculdade Metropolitana de Camaçari. É formado em Capoeira Regional, pelo Grupo de Capoeira Regional Porto da Barra. Atua profissionalmente como Analista Administrativo, é professor de curso técnico, em Camaçari; responsável e mantenedor do Projeto Social Crianças Cabeludas, no bairro do Parque das Mangabas, é escritor entusiasmado, além de desenvolver fortemente ações na área de cultura popular, onde quer que a estrada empoeirada o leve).
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1 Trecho de “E Vamos a Luta”, de  Gonzaguinha.

Prof. Caio Marcel
Adm. de Empresas
(71) 8841-9199