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GRÃO-MESTRE – “SER OU NÃO SER”

Camisa Roxa, segundo me falaram, ao ser indagado num evento realizado em Siribinha – BA sobre o título de Grão-Mestre que recebera havia pouco tempo, respondeu: “existem tantos mestres de capoeira hoje em dia, que parece com a areia de um oceano! Eu sou apenas um grão desta areia”.

Muito interessante e sábia a resposta!

Conhecendo mestre Camisa Roxa, como o conheci, pois na década de 70 tive o prazer do primeiro contato com ele, quando precisou da ajuda para montar um show do seu grupo folclórico “Olodumaré”, aqui em Brasília, show do qual também participei e que depois fomos nos apresentar em Belo Horizonte. Entretanto, quando o grupo foi para o exterior, apesar do convite do Camisa, eu amarelei, fiquei no Brasil.

Interessante registrar um episódio que aconteceu, no momento em que fui recebê-lo na antiga rodoviária de Brasília, junto com mestre Adilson, quando numa daquelas coincidências ímpares, vem na nossa direção caminhando, o grande mestre Bimba, que também tive a oportunidade de ser apresentando pelo próprio Camisa, que em tempo, de maneira nervosa me disse: “não diga ao mestre qual o motivo da minha vinda aqui em Brasília”.

Naquele momento eu ainda não sabia das intenções do Camisa, uma vez que tinha acabado de conhecê-lo!

A preocupação do Camisa Roxa era a de que o mestre Bimba soubesse que ele estava montando um espetáculo de capoeira, perto do show que ele iria dar! Diga-se de passagem, que esse “perto” correspondia a 200 km de distância, que é a distância de Brasília à Goiânia, onde seria o seu show!

O que eu pude observar desse comportamento do Camisa Roxa, claro, foi o grande respeito e consideração que tinha para com o mestre Bimba!

Tenho certeza que se pudéssemos criar uma atmosfera desse encontro que já se passou o que hoje é impossível, uma vez que os dois estão no andar de cima, com toda certeza mestre Camisa Roxa, teria me pedido: “não fale nada ao mestre Bimba do título de Grão-Mestre que recebi”, pois como poderia ele explicar que seu título era superior ao do Mestre Bimba!

Por esta razão, achei interessante a resposta do mestre Camisa Roxa a respeito do grão de areia, que na verdade é um daqueles “bom rolê” do capoeira, visto que, no universo da capoeira, esse título ainda nem existe.  Portanto, a resposta em forma de brincadeira, faz sentido, tem sabedoria!

O fato de existirem muitos mestres de capoeira hoje em dia, não acho que deva ser um motivo de incomodo, como alguns mestres assim enxergam.   Isso porque, assim como existem “artistas” e artistas, “médicos” e médicos, “mestres” e mestres, assim como também existem “cachorros vira-lata” e cachorros vira-lata, quero dizer que em todos esses exemplos, sempre se sobressaem os que são “especiais”!

Mestre é um título de ofício, de trabalho, de um pescador que se destaca dentre todos na sua comunidade e é consagrado por todos! E assim acontece com todos: pintor, músico, capoeira, etc. É preciso que haja uma força maior a fim de que defina quem deva ter essa consagração dentro da comunidade que atua!

Grão-Mestre, para mim, é um título místico, dado principalmente pela maçonaria, entidade que existe há muito na nossa sociedade e que de forma secreta e fechada, tem uma normatização própria que confere esse título a alguém dos seus membros.

Recentemente um discípulo meu, que também é mestre, mestre Skysito,afirmou que o que está acontecendo na capoeira: é porque ela não tem dono!

Respondi ao “gafanhoto”, que era isso que eu achava interessante na capoeira, ela não precisa de dono, nós que vivenciamos dentro da sua energia, percebemos de maneira empírica, quando ela determina, adequa as normas, mesmo de maneira implícita, mas que sentimos que tem força de fato!

Percebo que não é preciso ser doutor na capoeira para entender isso, a grande maioria sabe diferenciar muito bem, por terem um olhar crítico natural, a capacidade de identificar o que é certo e desconfiar do que é errado!

Trago essa discussão à tona antes que algum aventureiro embarque neste navio, quando ainda há tempo de não cair nesta cilada.

Também chamo a atenção essa inversão de valores que está começando a aparecer no nosso meio! Quem está graduando o Grão-Mestre, são os próprios alunos daquele mestre e isso é no mínimo estranho, pois nesse momento, essa consagração é reconhecida somente por aqueles que estão envolvidos diretamente com o seu mestre, o universo da capoeira, não participa deste evento!

Vamos esperar meus camaradas, que como um capoeira de coração e atitude, sejamos algum “Capoeira Especial”!

 

Brasília, DF, 1 de janeiro de 2014

HÉLIO TABOSA DE MORAES- Mestre Tabosa

Fonte: http://mestretabosa.blogspot.com.br/

A Origem do Escudo do Centro de Cultura Física Regional

Durante o longo período de luta pela regulamentação da capoeira pela FBP, para enquadrar a “academia” na legislação vigente, que não permitia o uso do termo academia, bem como de escola, em entidades esportivas sugeri a substituição do nome clássico para “Centro de Cultura Física”, mais expressivo e abrangente, complementado pelo atributo de “Regional Baiano”, alusivo à luta regional baiana.
Por ocasião da formatura da minha turma (Decanio, Nilton, e Maia) o uniforme de formatura da academia de Mestre Bimba era calça branca, camisa listada azul e branca e sapato de tênis branco, como se pode observar numa fotografia publicada em vários clássicos da literatura do nosso esporte.

Nota


Nosso quadro de formatura  incluiu o meu compadre Luizinho, servente de pedreiro, com a mão esquerda esmagada por acidente de trabalho, pertencente ao grupo de alunos do mato , mais antigo, formado sem solenidade.

Escolhemos como padrinho o nosso contramestre, Ruy Gouveia.
Compadre Luizinho era um testemunho vivo de que os defeitos físicos não impedem a prática da capoeira desde que podem ser contornados pela vontade do praticante.
Morreu tragicamente em acidente de trabalho, durante pintura do Elevador Lacerda, ao cair do andaime sem a proteção do cinto de segurança…

… na tentativa desesperada para se agarrar…
… às paredes ásperas da construção…
… desgastou os dedos e carpo…
… chegou à marquise onde encerrou sua carreira…
… de operário e de atleta…
… sem as mãos…
… cujos fragmentos marcaram….
… com sangue e pedaços de carne…
o seu protesto no concreto do edifício…

A dificuldade em aquisição das camisas listadas; vendidas em lotes de 11 jogadores, alguns reservas e goleiros, sem opção de escolha de tamanho por serem usadas pelos times de futebol, nos obrigou a procurar uma solução menos penosa.

Em torno de 1945 Mestre Bimba, atendendo a sugestão que lhe fiz, decidiu adotar a camisa de malha de algodão branca para os formados, conservando a antiga camisa listada azul e branca como distintivo para o mestre.

Para completar o uniforme e quebrar a monotonia da camisa branca, desenhei então um escudo com o signo de São Salomão consoante a tradição dos capoeiristas, que me acostumei a ver gravado pelos carroceiros na estrutura dos seus veículos de carga, com a troca da estrela de cinco pontas pela de seis pontas, para melhorar o efeito estético, acrescentando na área central, um pequeno círculo contendo a letra R, abreviação de Regional.

Optei pela estrela de seis pontos, formada pela superposição de triângulos equiláteros, pela simetria dentro do campo circunscrito pelo escudo ogival, forma que melhor se prestava ao efeito estético desejado.
Nos intervalos entre as pontas das estrelas apliquei traços arciformes azuis, circunscrevendo a estela central e, na parte superior da ogiva, dois traços verticais para quebrar a monotonia do fundo branco.
Naquela ocasião desenhei vários modelos, com molduras diferentes, bem como símbolos e siglas, dos quais as mãos habilidosas de Da. Berenice, minha Mãe Bena ( então Rainha e Senhora da Casa de Bimba) confeccionou os protótipos; modelos em tamanho natural, bordados em azul à mão, sobre tecido branco; dentre os quais a escolha do Mestre, e dos alunos consultados, recaiu, por unanimidade, no atual escudo.

Reforçava a escolha do signo de São Salomão como símbolo da regional o desenrolar da lenda da capoeira conforme Cisnando.
Para melhor efeito estético o escudo deve ser usado na região peitoral, e à esquerda, “do lado do coração”, pelo simbolismo sentimental!

A cruz desenhada acima da imagem estelar é a demonstração da aptidão inata da cultura africana para aceitar os conceitos estranhos sem perder  sua autenticidade  e assim sobreviver dentro dum ambiente hostil !

Cristianizando a Sabedoria de Salomão pela coroação crucial, o povo brasileiro criou um símbolo, a “Estrela de São Salomão”, capaz de pacificar o encontro de duas culturas conflitantes e que pode unir todos os capoeiristas do mundo!

Mestre Bimba

 


41-Quadro com os retratos e os nomes dos formados, paraninfo e homenageados, de modo similar ao costume das escolzs superiores. Nem sempre correspondem ao ano da graduação, pois esperavamos juntar 4 a 5 para completar o elenco, deste modo num mesmo quadro podemos encontrar alunos de diversas turmas.

 

42-Que não pertenciam a escolas superiores

 

Texto retirado do Livro:
A Herança de Mestre Bimba
Filosofia e Lógica Africanas da Capoeira
COLEÇÃO SÃO SALOMÃO

Donwload: http://portalcapoeira.com/Downloads/View-document-details/23-A-Heranca-de-Mestre-Bimba

 

Angelo A. Decanio Filho – Mestre Decanio

 

Iê dá volta ao mundo camará!

Da senzala para o mundo, a capoeira conquistou nações com sua arte, história, força e malandragem. Hoje, é o ritmo que o planeta não consegue deixar de amar

“Esta é a prova de que o mar leva… e o mar devolve: saímos dos porões amargurados dos navios negreiros e voltamos consagrados pela fraternidade da arte. Resistência da Capoeira… “, essas palavras fazem parte de um discurso do então Ministro da Cultura, Gilberto Gil, na sede da ONU em Genebra. E naquele dia, 19 de agosto de 2004, a Organização das Nações Unidas foi presenteada com uma roda de capoeira, com a presença de capoeiristas de várias partes do mundo. Mestres de capoeira e figuras políticas entusiasmaram-se com o ato, considerado o início do reconhecimento do movimento para a história do Brasil.

Desde que Getúlio Vargas retirou do código penal a punição pela prática da capoeiragem, considerada crime pelos anos de 1890, os capoeiristas resistiram às imposições governamentais de transformar a sua prática cultural em mero desporto regulado em papel, o que poderia descaracterizar o jogo de suas origens. Durante o período da ditadura, entre os anos de 1964 e 1985, houve uma série de projetos dos militares para os esportes em geral, inclusive a capoeira. Criou-se o Departamento Especial de Capoeira, vinculado à Confederação Brasileira de Pugilismo, coordenado por um militar. A Aeronáutica promoveu simpósios no Rio de Janeiro com o objetivo de homogeneizar as nomenclaturas de golpes e graduações para unificar a capoeira como arte de campeonato, como explica a historiadora e doutoranda, pela Fundação Getúlio Vargas, Vivian Fonseca.

– Ela foi reconhecida durante a década de 1970 como esporte, foi feito um regulamento técnico; não encontrou muito eco dentre os capoeiristas, mas de qualquer maneira foram ações que estiveram em pauta. Eu costumo dizer que neste período houve uma atuação muito autoritária sobre a capoeira. Nos simpósios foram chamados os mestres pra ouvir o que eles pensavam, só que havia uma proposta independente das opiniões divergentes. Na verdade, ele não conseguiu se concluir, mas houve essa tentativa de levar à frente e não teve uma consulta pública pra esse campo.

Após a ditadura, a capoeira já fazia sucesso no Brasil e no exterior e muitas vezes suas apresentações integravam parte dos cronogramas oficiais de grandes eventos, inclusive do governo, mas sem obter uma proposta de valorização para a arte genuinamente brasileira, como esclarece Vivian. Para a historiadora, a partir do governo Lula há um novo olhar pra capoeira, com uma maior percepção dos atores envolvidos, buscando a discussão e construção de uma política não autoritária, de cima pra baixo: “A partir do mandato da presidente Dilma, as ações ficaram meio desarticuladas, mais em função de cortes de orçamentos, rearranjo de prioridades, mas ainda há mobilização”.

Quatro anos depois do Ministro discursar na ONU, a capoeira finalmente se tornou Patrimônio Cultural Brasileiro, reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN. Antes disso, porém, os capoeiristas ainda precisaram se organizar para ter suas demandas respeitadas. É o que conta a pesquisadora Vivian.

– Houve uma disputa com os conselhos de educação física sobre quem teria o direito de ministrar aula de capoeira, se seria o bacharel em Educação Física ou o mestre de capoeira. A partir daí houve um rearranjo no campo e os capoeiristas começaram a se articular um pouco mais politicamente.

 

ORIGEM E LEGADO

A capoeira surge com a escravidão, tendo seus primeiros registros encontrados a partir dos anos 1810. Ela se desenvolve na senzala como forma disfarçada de brincadeira, mas que serviria para a própria defesa dos escravos. A prática de jogos como a capoeira se desenvolveu em diversas partes do país, cada qual ao seu jeito, inspirada em diferentes lutas africanas.

No início do século XX, Manoel dos Reis Machado, mais conhecido como mestre Bimba, começou a desenvolver um novo estilo de jogo, que fundia movimentos da capoeira antiga, conhecida como Capoeira Angola, com o Batuque, jogo violento de pernadas praticado por seu pai. Mestre Bimba desenvolveu uma prática de capoeira mais voltada para a luta, atraindo muitos alunos, inclusive filhos de doutores e universitários, para sua academia. A esse estilo, mestre Bimba chamou Capoeira Regional. Ele desenvolveu técnicas e disciplinas e foi consagrado por seus discípulos como grande homem, lutador e sábio, que tornou aceitável para a sociedade brasileira muitos aspectos da cultura negra. Bimba cultivou 7 toques que determinavam o jogo de sua capoeira: São Bento (jogo rápido e duro), Cavalaria (também violento), Santa-Maria (que permite os floreios, acrobacias), Benguela (mais próximo da Capoeira Angola), Idalina (jogo alto e malicioso), Amazonas (sutileza e variação) e Iúna (para a exposição dos conhecimentos em ocasiões de festas). Bimba preservava as práticas do Candomblé e outros costumes antigos como, puxada-de-rede, samba-de-roda e maculelê.

Por outro lado, Vicente Ferreira Pastinha, mestre Pastinha, conseguiu manter viva a tradicional Capoeira Angola, sendo atualmente as principais vertentes praticadas da Capoeira aquelas preservadas ou desenvolvidas por ele ou Mestre Bimba, a Angola e a Regional.

Muniz Sodré, jornalista e emérito professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está entre aqueles que treinaram com Mestre Bimba na juventude. Ele escreveu o livro Corpo de Mandinga, que inspirou o documentário sobre o capoeirista lançado em 2007. Há uma grande admiração pelo mestre de Capoeira, sendo indiscutível o consenso entre seus alunos, doutores ou não, sobre a inteligência e sabedoria de Bimba. Muniz Sodré compara seu mestre ao filósofo alemão, quando diz em seu livro que “Bimba jamais ouviu falar de Nietzsche, mas filosofava de jeito parecido, porque jogava do lado do corpo, do pensamento não-conceitual, do sentimento do instante”. E, com empolgação, o ex-Diretor da Biblioteca Nacional discorre sobre a cultura de sua origem e de seu mestre:

– Eu percebi que, mesmo na esfera do que é ágrafo, que não tem escrita, do analfabeto, na esfera mais rudimentar aparentemente da cultura popular, há uma erudição. A capoeira tem um aspecto erudito por detrás. Bimba era analfabeto, mas era um sábio, realmente sábio, até falando, no comportamento dele. A capoeira junto com o candomblé me mostraram a força da cultura do povo. E isso mudou a minha vida… Porque eu estudei na Europa, sou professor de cultura europeia, mas minha visão, minha perspectiva vem daí, do candomblé e da capoeira.

Além de Muniz Sodré, Bimba fez discípulos que permanecem na capoeira até hoje, tanto na Bahia, preservando a capoeira Regional, tal como ele criou, como pelo resto do país e mundo afora. Hoje, nome dos mais conhecidos da capoeira e grande propagador da arte pelo mundo, Mestre Camisa, que também foi aluno de Bimba – seguindo mais que os passos, a forma inovadora de pensar de seu mestre – é o fundador do grupo Abadá Capoeira, conhecido por ter um jogo próprio, que mescla as sequências de Bimba com novos estilos de esquiva e de golpes. Ele chegou ao Rio de Janeiro em 1972, com 17 anos, e logo começou a ensinar o que sabia de capoeira, um pouco do que tinha aprendido com o mestre somado à capoeira de rua que praticava antes da mãe permitir que frequentasse a academia. Mestre Camisa diz que a proibição de treinar com Bimba por parte de sua mãe era uma espécie de castigo, “não tá indo bem na escola, então não vai pra capoeira”.

Camisa começou ensinando aos colegas no bairro da Lapinha, em Salvador o que tinha aprendido na rua e, ao adquirir mais conhecimentos na escola de Bimba, reforçou para seus primeiros alunos como se jogava a capoeira. Bimba desenvolveu seu método em 8 sequências básicas, de onde resultava todo o jogo da capoeira Regional, e era isso que Camisa ensinava na primeira escola em que começou a dar aula, assim que chegou ao Rio. Ele conta que sentia falta de alguma coisa, de um jeito novo, esclarecimento, experiência, porque era muito jovem:

– Comecei a dar aula numa escola aqui no Rio e fui adaptando ao meu jeito, pela deficiência… ele tinha uma estrutura lá, com vários alunos formados e aqui eu não tinha nada. Passei a dar aula em outros lugares e a encontrar capoeiristas também, que jogavam de uma forma diferente. E com o tempo, eu fui tirando a experiência e o resultado de cada lugar. Fazia as rodas no fim de semana e cada um ia trazendo alguma coisa, de forma espontânea e fui estudando em cima disso, da necessidade, porque era meu ganha-pão. Tinha que ter resultado.

Mestre Camisa, ora questionado por alguns capoeiristas, que o consideram um transgressor da Capoeira tradicional, ora admirado como uma extensão de Bimba, por continuar a criar e instituir formas e regras numa nova escola de aprendizagem, faz crescer por todo o mundo a Abadá Capoeira, criando mecanismos de comprometimento social e ambiental, pensando formas de expandir a profissionalizar a capoeira. Um de seus próximos planos é criar uma escola profissionalizante da Abadá Capoeira, com categorias que atendam aos diversos níveis de escolaridade de seus capoeiristas, e que seja reconhecida pelo Ministério da Educação. Dentre aqueles que o apoiam e enxergam em Camisa um eco do grande espírito de Bimba, está o professor Muniz:

– Mestre Camisa tem no mundo mais de 40 mil alunos, é mais que uma universidade! Onde estão esses alunos? Na China, no Japão, em Israel, na Rússia, na Hungria. São alunos de alunos e ele é chamado constantemente pra fazer batizado, pra dar curso nesses lugares, vive viajando. É uma universidade invisível que ele comanda. Eu vi na Alemanha, na França, moças jogando capoeira muito bem e cantando chulas de capoeira sem saber falar português, mas cantando sem sotaque em português. Isso foi uma coisa que me emocionou muito, aqueles gringões grandes, fortes, jogando capoeira. E você vê que é uma coisa que não se enraizou, não foi a partir de adido cultural de embaixada, não foi a partir do nível escrito, foi dessa prática que não envolve dinheiro – claro que se eles vão dar um curso, eles vão cobrar, mas não é dinheiro que se contabiliza como investimento, é o salário dele. É uma arte que se propaga sem dinheiro, não é como o espetáculo do futebol… E isso vai penetrando. Já se disse que a capoeira ia acabar, com a vinda dessas artes marciais, como karatê, jiu-jitsu, mas, pelo contrário, a capoeira vai crescendo porque ela tem esse fundo cultural. A capoeira não é só luta. É luta, dança, canto… Talvez seja a única arte marcial que se pratica de forma alegre… Todo capoeirista que jogou com Bimba era um fominha de jogar. É como o Camisa conta, quando subia a escada e ouvia o berimbau tocar, o coração começava a bater bum bum bum bum bum bum… Todo mundo queria jogar!

 

DO BRASIL PARA O MUNDO

Lila Sax é americana e reside na Alemanha há 12 anos, mesmo tempo em que começou a jogar capoeira. Ela conta que estranhamente a capoeira foi a sua porta de acesso para a sociedade alemã, tendo inclusive aprendido o idioma a partir do esporte. Foi na capoeira que fez seus primeiros amigos e que encontrou um espaço naquele país. Hoje ela é antropóloga mas seus planos são de prosseguir com o jogo e se profissionalizar cada vez mais no esporte. Ela é uma das mulheres mais graduadas na Europa e, por conta de suas viagens pelo continente para competições e eventos, tornou-se muito conhecida no meio, inclusive no Brasil. Ela faz parte do grupo Abadá Capoeira. A principal bandeira levantada por Lila tem relação com o fato de ser mulher. Ela acha importante que as pessoas saibam que todo mundo pode jogar capoeira, que uma mulher estrangeira é capaz de jogar bem, cantar bem, tocar instrumento, como qualquer outro capoeirista.

– A diferença da capoeira, e eu acho que isso que atrai muito as pessoas, é que tem um lugar pra todo mundo. Se você não gosta de lutar, você vai dar mais ênfase ao lado musical da capoeira, vai aprender as músicas, as acrobacias e a história da capoeira; se você não gosta de música nem da acrobacia, vai dar mais ênfase ao lado da luta, vai chutar, dar galopante, banda… E é por isso que o pessoal lá fora, que faz judô, muay thai, eles vem pra capoeira e veem que tem um espaço pra todo mundo e que todos são aceitos, o que muitas vezes não é possível em outros esportes. E o legal que, independente de idade, altura, de flexibilidade, de deficiência, as pessoas fazem capoeira.

Já Luiz Carlos dos Santos Sobrinho, mais conhecido como Cao Capoeira, saiu do interior do estado do Rio, Campos dos Goytacazes, em busca de oportunidades para desenvolver suas ideias que desde muito jovem envolvem a Capoeira. Por causa do jogo, ele se formou em Educação Física e, no meio de sua graduação, fez um intercâmbio pela Alemanha, onde conheceu excelentes universidades que, segundo ele, valorizam bastante a pesquisa, principalmente na área técnica. No Brasil, ele chegou a conseguir uma bolsa para pesquisar na área de História da Capoeira, mas o projeto não conseguiu ir adiante, por falta de apoio. Após concluir o bacharelado, retornou à Alemanha e apresentou uma proposta de projeto para mestrado ao Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, uma universidades de elite no país. Sua ideia, que logicamente envolvia capoeira, foi aceita. Morando há quase dois anos na Alemanha, ele já pensa em temas para prosseguir com o doutorado em Karlsruhe:

– Infelizmente no Brasil a gente vê que não tem assim um apoio tão grande pra essa área de pesquisa. O conhecimento que tenho desenvolvido no Instituto, aplico na minha dissertação de mestrado, que é sobre capoeira, suas esquivas e o nível de lesão mecânica que essas esquivas podem causar principalmente nas articulações do joelho e do tornozelo. É do senso comum que capoeira faz mal pro joelho, pelos seus movimentos baixos, de chão. E a minha ideia é quantificar a lesão mecânica que ocorre nas articulações quando o capoeirista realiza esquivas específicas, entender isso melhor. Esse é um primeiro passo para mais tarde a gente otimizar a técnica, talvez alterar pequenas coisas, adaptar a capoeira para que pessoas de mais idade ou com problemas articulares também possam praticar de forma menos lesiva e, quem sabe mais à frente, usar esse conhecimento no desenvolvimento de uma metodologia de capoeira reabilitativa, para pessoas que tem problemas em joelho, tornozelo, aplicar a capoeira de forma adaptada e dosada como forma de reabilitação.

 

A CAPOEIRA EXPORTADA

Segundo o professor Acúrsio Esteves, formado em Educação Física pela Universidade Católica de Salvador e pesquisador da arte da Capoeira, o jogo começou a ganhar asas para fora do país a partir da década de 1950. Ele conta que mestre Bimba, mestre Pastinha e alguns outros mestres de Salvador, começaram a fazer, além da capoeira que eles ensinavam em suas academias, shows folclóricos que tinham como público-alvo os turistas que vinham conhecer o Brasil. Com uma visão crítica sobre a exportação da capoeira como elemento exótico do nosso país, o professor escreveu o livro A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento. Ele sintetiza suas conclusões sobre a origem da difusão mundial da capoeira, a partir da formação de grupos parafolclóricos, formados no Brasil e levados para outras partes do mundo, a convite de estrangeiros. Para Acúrsio, esses grupos começaram a se estabelecer no exterior e seus integrantes iniciaram uma nova vida nesses países, dando aulas de capoeira para estrangeiros. O professor elenca o que considera os grandes difusores da capoeira pelo mundo afora, em ordem cronológica:

– Elas saíam do grupo e começavam a desenvolver uma atividade própria, particular. Depois vieram as academias de capoeira, que foram criando filiais no Brasil inteiro. E o processo foi esse, de uma forma bem resumida: primeiro pelo viés da cultura, depois pelas academias e, em terceiro plano, começaram a vir as publicações, os livros, e por último o cinema. Outro viés muito importante e bem recente é a divulgação pela internet, através de sites como o Portal Capoeira, do Professor Luciano Milani. Desde 2005 que Luciano Milani, capoeirista brasileiro, residente em Portugal há 10 anos, criou o Portal Capoeira, principal meio de comunicação direcionado ao capoeirista na atualidade, com uma média de 3 a 4 mil acessos por dia, segundo o editor do site. Atualmente, o Portal possui cerca de 20 colaboradores, sendo os mais atuantes o jornalista de Brasília Mano Lima e os professores baianos Pedro Abib e Acúrsio Esteves. Desde quando criou o site, ele mantém contato com capoeiristas do mundo todo, principalmente do Brasil, a fim de fortalecer as trocas sobre toda a cultura que envolve a capoeira. Dessa forma ele desenvolveu uma sólida amizade com mestre Decânio, discípulo de Bimba e médico em Salvador, foi o grande responsável e incentivador que possibilitou a criação do portal, diz Milani:

– A ideia básica do Portal é reunir o maior número de informações possíveis. Nós temos trabalhos de teses, mestrados, doutorados, livros, músicas, vídeos, matérias mesmo, subdivididas em diversas categorias. A nossa ideia é criar esse núcleo de cultura e conhecimento da maneira mais vasta possível, porém com coerência e muita responsabilidade. Aqui na Europa eu percebo que há muita preocupação com a pesquisa. Tenho muitos amigos desse meio que são professores, bastante preocupados com a disseminação da capoeira no sentido cultural mais aprofundado. Foi a partir de 2007 que o site ganhou importância, por conta do filme mestre Bimba, Capoeira Iluminada. O filme Mestre Bimba Capoeira Iluminada é um documentário de 2007 realizado pelo carioca Luiz Fernando Goulart que conta a história de Bimba através de seus antigos discípulos, historiadores e antropólogos, suas ex-esposas. Ele é rico em imagens antigas, inclusive vídeos feitos do próprio mestre. Ele é inspirado no livro Corpo de Mandinga, do Muniz Sodré. Sobre o Mestre Pastinha existe o documentário “Pastinha! Uma Vida Pela Capoeira”, realizado por Antonio Carlos Muricy, no ano de 1998.

 

CAPOEIRA E FILOSOFIA

Em 12 de junho de 1996, a Universidade Federal da Bahia concedeu, após 22 anos de sua morte, o título de Doutor Honoris Causa a Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba. Por tudo que aquele negro forte e mitológico representou para o reconhecimento da capoeira, desde a atração que exerceu sobre os doutores que depois vieram a ser capoeiristas, até o reconhecimento por Getúlio Vargas da capoeira como cultura popular e não mais crime, conforme registrava o código penal. Pela institucionalização da capoeira com regras e disciplina, sem perder, no entanto, a alegria.

O professor Muniz Sodré, que parece simpatizar bem com o alemão Friedrich Nietzsche, principalmente quando fala de mestre Bimba, também diz em seu livro que o filósofo “jogava capoeira com o pensamento, em especial quando se referia ao corpo como ‘um edifício coletivo de diversas almas’”. E Muniz prossegue no mesmo livro: “Na capoeira, assim como na filosofia de Nietzsche, o corpo pensa. Pensamento e corpo pertencem à ordem do diverso, isto é, a uma simultaneidade de coisas compreensíveis e incompreensíveis que raramente passam pela consciência. “

 

 

Áurea Maria Xavier Pereira Gomes

aureamariaxavier@gmail.com

 

RJ: Festival Internacional da Arte Capoeira

A ABADÁ – Capoeira realiza entre os 19 e 25 de agosto o Festival Internacional da Arte da Capoeira e o IX Jogos Mundiais realizados pelo Mestre Camisa.

O evento comemora os 25 anos da Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte – Capoeira (ABADÁ – Capoeira), um dos mais tracionais grupos de capoeira do Brasil. O Festival terá em sua programação; cursos, palestras, shows das Artes, os Jogos Mundiais de Capoeira, lançamentos de livros e CDs, troca de cordas, formaturas, reconhecimento de Mestres e finalizando com o tradicional Aulão em Copacabana, enfim, a maior festa da Arte Capoeira.

Um dos pontos altos do evento será o Show das Artes, na 5ª feira, dia 22 de agosto no palco da Fundição Progresso. Com assinatura do “poliartista” Mestre Camisa, capoeiristas da Abadá – Capoeira, farão toda a encenação apresentando as Artes que compõem a Arte Capoeira de uma forma nunca vista pelo público. Artesanato,canto, poesia, luta, jogo, acrobacia e outras surpresas, serão os um dos elementos desse show inédito.

Além do Show, o evento terá uma exposição de instrumentos, mostrando a riqueza do artesanato que envolve a Capoeira, apresentando a várias possibilidades de fabricar os instrumentos usados no cotidiano de um capoeirista. Outro momento marcante será a Formatura com o reconhecimento de três Mestres de Capoeira, entre eles, duas mulheres que ministram aulas de Capoeira há mais de 20 anos nos EUA.

Fonte: http://lanalapa.blogspot.pt

Baiano radicado no Rio, Mestre Camisa levou a capoeira a mais de 60 países

O peregrino capoeirista foi para o campo e fundou ‘quilombo moderno’

RIO – “Não tem erro. É só dirigir até Itaboraí e pegar a estrada para Cachoeiras de Macacu. Me liga quando estiver chegando que eu espero vocês na segunda queijaria”, diz o Mestre Camisa, pelo telefone, informando as coordenadas do sítio onde ele mora e organiza encontros nacionais e internacionais e aulas de capoeira. O sotaque é a mistura equilibrada de um baiano radicado no Rio que, há 16 anos, foi morar no interior do estado. Encontramos o capoeirista na RJ-116 e seguimos sua picape numa estradinha de barro espremida entre uma encosta e um charco. Logo depois de um enorme pé de açaí, fica a entrada do sítio, um lugar idílico, onde pavões, araras, gansos e papagaios ficam soltos o tempo todo. Voam embora, mas voltam. Há uma capelinha de São Jorge no pé de um pequeno morro e, espalhados num imenso gramado, amplos quiosques construídos para o treino da arte que, como define Camisa, “engravidou na África e nasceu no Brasil”.

 

 

— Este lugar é um quilombo moderno, de resistência contra o estresse da cidade grande — explica José Tadeu Carneiro Cardoso, de 58 anos, que batizou o local de Centro Educacional Mestre Bimba, em homenagem ao criador da chamada capoeira regional e seu mentor na adolescência em Salvador. — Luto para preservar a memória dele. A capoeira é patrimônio imaterial do Brasil. A melhor forma de manter sua história é cuidar do legado dos mestres.

Camisa deixa seu pequeno paraíso e vem ao Rio pelo menos duas vezes por semana, para acompanhar aulas e participar de reuniões. Está sempre confabulando algo. No momento, organiza o recém-criado Instituto Mestre Camisa e trabalha na produção do festival que, em agosto, vai comemorar os 25 anos da Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte-Capoeira (Abadá-Capoeira), criada por ele. Mais de cinco mil “seguidores” estarão na Fundição Progresso, na Lapa, para três dias de shows e atividades envolvendo as artes da capoeira (dança, luta, música, artesanato etc).

Vai ser uma celebração da própria vida de Camisa. Ele tinha 16 anos quando veio parar no Rio ao final de uma turnê que costurou o país com apresentações de capoeira e música baiana. Antes de criar seu próprio método de ensino e filosofia, o nordestino integrou o Grupo Senzala durante anos. O primeiro aluno foi um gaúcho que tinha visto o show do “Furacões da Bahia”. Na época, Camisa ainda morava num quartinho da academia em Laranjeiras onde dava aulas. Hoje, ele bate no peito ao dizer que ensinou capoeira a milhares de pessoas no mundo.

O capoeirista já esteve em mais de 60 países para ministrar palestras e cursos. Este ano, foi inaugurado o Complexo Residencial Mestre Camisa, conjunto habitacional na cidade de Romilly-sur-Seine, na França. Por causa do seu trabalho de pesquisa e divulgação da cultura brasileira, recebeu até título de doutor honoris causa da Universidade Federal de Uberlândia. Além disso, a Abadá-Capoeira está envolvida em mais de 150 projetos sociais. São cerca de 15 mil pessoas beneficiadas com aulas gratuitas. Há ainda campanhas sociais, com nomes como “Capoeirista sangue bom”, de doação de sangue para o Hemorio, e “Meu berimbau pede paz”, contra a violência. Mestre Camisa virou uma espécie de diplomata da cultura nacional.

— Pessoas de vários países aprendem a jogar e querem saber como surgiu nossa arte. A história da capoeira é mais importante que o jogo. O que é mais bonito que o homem lutar pela liberdade? — argumenta Camisa, referindo-se ao nascimento da luta, criada por escravos para se defender dos feitores dos engenhos. — Como eu só falo português nas aulas, os gringos aprendem até o idioma. Não tem tradução para palavras como ginga e manha.

Sob a perspectiva da divulgação da capoeira, o sociólogo e professor Muniz Sodré atribui ao baiano lutador a sucessão do Mestre Bimba, de quem também foi pupilo.

— Camisa tem uma cabeça universitária sem nunca ter passado por faculdade. Sabe misturar a prática do jogo com o sentido de preservar a cultura. Além disso, é um “poliartista”, que luta, canta, compõe e toca bem o berimbau — elogia Sodré. — A capoeira faz mais pela cultura brasileira no exterior do que adidos culturais em embaixadas.

Em suas viagens, sempre como convidado para eventos, Camisa viveu de tudo. Terremotos no Japão a bombardeios em Israel. Durante um voo doméstico em Angola, ficou sabendo que o aeroporto da cidade de Benguela, para onde estava indo, havia sido atacado (o país africano estava em guerra civil). Hoje, a frequência das viagens diminuiu bastante. O mestre prefere ficar perto da mulher e dos três filhos, com idades de 33, 23 e 13 anos, todos de casamentos diferentes.

— Eles moram no Rio, mas passam o fim de semana comigo. Chega de viajar tanto. Sem gastar um centavo do meu bolso, percorri o mundo. Agora, deixo as pessoas virem ao meu quilombo respirar ar puro.

O retorno ao campo

A ida de Camisa para o interior foi a volta ao campo do menino de Jacobina, no extremo norte da Chapada Diamantina. Ele passou a infância “brincando de capoeira na rua”. O irmão mais velho, Camisa Roxa, foi quem mostrou que o assunto era coisa séria. Depois da morte do pai, quando o garoto tinha 9 anos, a família foi toda morar em Salvador. Camisa se formou com Mestre Bimba e, aos 16, partiu na turnê nacional organizada pelo irmão. O Rio era a última parada. Eles se apresentaram em locais como o Canecão e o Teatro Opinião e, ao final, parte da trupe partiu num navio rumo à Europa. O adolescente ficou para trás.

— Chorei quando vi o navio zarpar, no cais do porto. Mas rasguei ali mesmo a passagem de volta para Salvador. Cheguei a dormir na rodoviária, fingindo que estava esperando ônibus. Mas consegui me fixar.

Décadas se passaram até Camisa decidir que o campo é seu lugar. O intuito da mudança foi levar o trabalho social ao interior. No sítio, ele dá aulas a crianças e forma professores. Também promove encontros com centenas de pessoas, que além de treinar capoeira, fazem trilhas e cavalgadas. Tudo faz parte do conceito da capoeira ecológica. O mestre promove rodas no meio do mato e planta árvore para fazer berimbau. Criou até um “berimbau vivo”, amarrando a corda no tronco de uma árvore.

— O Camisa sempre descobre o caminho para fazer. No festival, em agosto, ele quer lançar o título de “notório fazer” — diz Perfeito Fortuna, presidente da Fundição Progresso e amigo do mestre desde que ele se apresentou no Circo Voador, em 1982, quando a lona estreou no Arpoador. — Não existe a expressão notório saber? Às vezes, quem sabe fazer não faz. Mas quem faz sempre sabe. E o Camisa faz.

Fonte: http://oglobo.globo.com

Nota de Falecimento: Mestre Camisa Roxa

Capoeira Chora com o Falecimento do Mestre Camisa Roxa…

Nossos mais profundos sentimentos a toda família Abada-Capoeira pela perda deste grande Mestre, Camisa Roxa Ao que Sabemos o Mestre Sofreu uma queda de uma Laje resultando em sua Morte, mais uma triste noticia para a Capoeira, assim que tenhamos mais noticias informaremos a todos.

Lembrando: Edvaldo Carneiro e Silva (Mestre CamisaRoxa)
Mestre Camisa Roxa foi considerado o melhor aluno de Mestre Bimba. Grão-Mestre é Abadá-capoeira, título vida para o qual foi escolhido por um conselho de notáveis Mestres do conhecimento. Sua função é mentor e consultor,e seu título o mais alto grau na Abadá-capoeira. É o mais relatado capoeira Capoeira pelo mundo, viajou para mais de 50 países, trazendo uma manifestação da arte Capoeira e da cultura brasileira. 

Camisa Roxa nasceu em 1944, na Fazenda Estiva, no interior da Bahia. Ele começou a praticar capoeira aos 10 anos de idade como forma de entretenimento, que mais tarde foi copiado por todos os seus outros irmãos. Na década de 60, foi para Salvador para fazer o grau científico e começou a treinar na Academia de Mestre Bimba, onde ele treinou e foi considerado o melhor aluno de Mestre. Seus irmãos Ermival, Pedrinho e uma camisa também formaram na Academia de Bimba.

O Grão Mestre apelido surgiu devido ao fato de que ele sempre frequentava rodas de Capoeira da Bahia vestindo uma camisa roxa (roxa em Português), que ele gostava. Ela também gostava de jogar no tradicional Capoeira rodas de Mestre Pastinha academia eo rhodes de Mestres Waldemar e Traíra Rua Pero Vaz, onde era muito respeitado pela sua postura e possuidor de grande conhecimento dos fundamentos da Capoeira.
Camisa Roxa Capoeira pensar como um todo, reunindo Regional e Angola. “Na verdade, poucas pessoas entendem a verdadeira intenção de Mestre Bimba”, diz o Grão Mestre. “Primeiro ele ensinou seu método de Capoeira novamente elevado, mas com o tempo a pessoa deve aprender a jogar em” completa.

Camisa Roxa é responsável pela coordenação Abadá-capoeira na Europa, e realiza regularmente oficinas de reciclagem para instrutores e professores que agem dessa forma. Ele também é o organizador do Encontro de Primavera Capoeira na Europa e Jogos Europeu Abadá-capoeira. Estes eventos têm como objetivo a integração e atualização dos capoeiristas na Europa através de aulas teóricas e práticas ministradas por professores convidados do Brasil.

Hoje o Grão Mestre dedica grande parte de seu tempo para pesquisar a capoeira, sempre à procura de novas maneiras e aumentar a sua visibilidade no mundo. Para ele, no Brasil deveria ser mais unidade entre os diferentes grupos, para que seja possível estabelecer uma ordem nas atividades e ensinamentos. “Talvez uma Capoeira mais disciplina e unidade entre os líderes, produzindo uma Capoeira com mais responsabilidade e profissionalismo”, diz ele. Camisa Roxa diz passar sua experiência procura recompensar tudo o que deu Capoeira hoje.

 

Fonte: Equipe Rabo de Arraia – http://www.rabodearraia.com

Sinhá Chamou pra Jogar

Acontecerá entre os dias 09 e 12 de Maio de 2012, o evento internacional de Capoeira “Sinhá Chamou pra Jogar”. O evento, de realização do Grupo Capoeira Brasil, do renomado Mestre Boneco, é um encontro internacional de capoeira organizado por mulheres e direcionado a todos os capoeiristas.

Homens e mulheres poderão participar, mas o comando das rodas e as aulas serão de liderança inteiramente feminina. “O objetivo do evento é mostrar a força que a mulher exerce hoje, não só na capoeira, como em qualquer outra profissão”. – explica a Mestre Magali, idealizadora do evento.

“Sinhá Chamou pra Jogar” consiste numa homenagem a todas as mulheres capoeiristas do mundo e acontece no mês de Maio em comemoração a abolição da escravidão. Serão quatro dias de cursos, oficinas e rodas de capoeira com muita energia, que promoverão a interação entre capoeiristas de todo o mundo. “Sinhá” é como os escravos chamavam as mulheres de seus senhores e o evento representa a união das raças e a quebra de barreiras sociais.

Os cursos, oficinas e rodas acontecerão em lugares distintos da Barra da Tijuca de acordo com a programação abaixo:

4ª feira (9 de maio de 2012)

20h às 21h – Oficina de Maculelê (Professora convidada)

21h às 22h – Oficina de Capoeira e Roda (Formada convidada)

 

5ª feira (10 de maio de 2012)

20h às 21h – Oficina de Samba de Roda (Professora convidada)

21h às 22h – Oficina de Capoeira e Roda (Formada convidada)

 

6ª feira (11 de maio de 2012)

20h às 21h – Oficina de Tambor de Crioula (Professora convidada)

21h às 22h – Oficina de Capoeira e Roda (Formada convidada)

 

Sábado (12 de maio de 2012)

10h – Roda no Pepê

15h – Roda de encerramento e apresentação

 

Sinhá Chamou pra Jogar – Oásis Clube – Av. Prefeito Dulcídio Cardoso, 3007, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro , RJ – CEP: 22630-021 / 09 a 12 de Maio / R$100 (evento completo + camisa) / R$50 (aula avulsa + camisa) / R$30 (aula avulsa) / R$25 (camisa) / www.sinhachamouprajogar.com.br

Jogadores do Palmeiras saem fortalecidos da AACD

O sorriso do atacante Luan, ao se deparar com uma roda de capoeira formada por crianças com deficiências físicas, nesta quinta-feira, na AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), teve uma espontaneidade comovente. A julgar pela temporada complicada do time, não é difícil imaginar que, neste ano, foram poucas as vezes em que os jogadores do Palmeiras se sentiram tão queridos.

Algumas das crianças não têm braços ou pernas. Mas todas têm o sorriso que comoveu Marcos Assunção, Maurício Ramos, o gerente César Sampaio, o vice-presidente Roberto Frizzo e os garotos Bruno Dybal e Lucas Taylor, campeões paulistas sub-17 pelo clube.

Na semana  em que jogam um importante clássico contra o seu maior rival, o Corinthians, no Pacaembu, os jogadores do Palmeiras que participaram da ação promovida pelo clube certamente ganharam um motivo extra para se dedicarem. Solicitações de fotos se misturavam a agradecimentos e pedidos de gol na partida de domingo. E os jogadores, sempre solícitos, faziam questão de atender a todas as crianças.

Marcos Assunção, entusiasta assumido de ações sociais, era o mais procurado. Foi um hábito adquirido na Europa. Em mais de um momento, foi possível notar a alegria do camisa 20. Neste ano, o jogador já havia dado uma palestra na Fundação Casa. Às vésperas do  Dérbi do primeiro turno, Assunção também já havia doado uma camisa autografada, a ser leiloada pela AACD, a pedido do DIÁRIO (veja abaixo).

“O contato com essas crianças faz com que a gente valorize mais as nossas vidas”, disse. “Eu, que sou pai, imagino como deve ser a dor de alguém que vê seu filho deficiente, impossibilitado de fazer o que quer. É nossa obrigação, como jogadores, fazer esse tipo de visita”, disse, com olhos marejados.   Além de dar atenção aos pacientes, os jogadores, em nome do Palmeiras, fizeram a doação de oito próteses para a AACD.

Houve, claro, espaço para provocações e brincadeiras. Alguns gritos de “Corinthians” foram ouvidos. E até o presidente da entidade, João Octaviano, com alguma incoveniência, fez brincadeiras com os jogadores. Mas tudo em tom amistoso e com bom humor. Como tudo que envolve o futebol deveria ser, sempre.

“Volto para casa mais feliz hoje”, diz Assunção

O capitão Marcos Assunção aproveitou sua visita à AACD para entregar pessoalmente a camisa que doou à entidade para leilão, antes do primeiro Palmeiras X Corinthians  do Brasileirão, em 28 de agosto, a pedido do DIÁRIO. A camisa do Corinthians na foto ao lado foi doada por Chicão para promover o jogo como o “Clássico do Bem” (veja reprodução da capa do caderno de esporte desta data ao lado).

Angelo Franzão, superintendente da AACD, grato pela ação, enalteceu a importância da visista dos palmeirenses. “ A gente sempre  incentiva este tipo de ação porque situações como essas permitem que mostremos os  avanços da AACD e a maneira ciomo trabalhamos em prol da inclusão social do deficiente físico”, disse ele. “O esporte é uma válvula de mobilização muito importante. Ter atletas aqui mexe com as crianças. ”

Se depender da vontade de Marcos Assunção, Franzão e a AACD vão sempre contar com o auxílio de atletas. “Faço com o maior prazer e incentivo os demais. É bom para as crianças, mas também é  bom para mim”, afirmou. “As crianças estão mais felizes, sem dúvidas, mas eu também volto para casa mais feliz hoje. ”

Fonte: http://www.diariosp.com.br

Mestre Camisa recebe título de Doutor Honoris Causa

A Universidade Federal de Uberlândia entregou , em 5 de maio de 2011, o diploma de DOUTOR HONORIS CAUSA a José Tadeu Carneiro Cardoso, o Mestre Camisa.

Para homenagear meu mestre e registrar seu reconhecimento como DOUTOR também pelos poetas populares da LITERATURA DE CORDEL, escrevi este pequeno poema intitulado “NA ARTE DA CAPOEIRA MESTRE CAMISA É DOUTOR”

 

NA ARTE DA CAPOEIRA MESTRE CAMISA É DOUTOR
Autor: Victor Alvim (Lobisomem)

Nesse mundo em que vivemos
É difícil imaginar
Por mais que nos esforcemos
É impossível vislumbrar
As surpresas que Deus guarda
Pro futuro revelar

Na década de 50
No interior da Bahia
O povo de Jacobina
Jamais imaginaria
O destino de mais uma
Criança que ali nascia

Dona Edésia sua mãe
Também não imaginava
O futuro de seu filho
Que no ventre carregava
E os caminhos que o destino
Para ele reservava

Nem tampouco seu Lindolfo
Seu pai podia prever
As estradas que seu filho
Viria a percorrer
E a bela história de vida
Que ele iria escrever

Nem Mari-inha a parteira
Não tinha a real noção
Da responsabilidade
E da divina missão
Que ajudava a vir ao mundo
Tão importante varão

Igualmente não sabia
E jamais faria tino
O próprio José Tadeu
Qual seria o seu destino
Pois brincar era a única
Preocupação do menino

Mas brincar é coisa séria
Foi assim na brincadeira
Que o menino Tadeu
Conheceu a capoeira
Dando seus primeiros passos
Pra uma caminhada inteira

Seu irmão Camisa Roxa
Que muito lhe ensinou
Duvido que àquele tempo
Sequer ele imaginou
Que o seu irmão mais novo
Chegaria onde chegou

E nem mesmo o Doutor Bimba
Como todo o seu reinado
Não acredito que ao menos
Houvesse desconfiado
Que aquele aluno menino
Herdasse seu doutorado

Mas a capoeira foi
Uma espécie de semente
Plantada no coração
De uma criança inocente
Encontrando solo fértil
E brotando lentamente

O menino foi crescendo
O tempo ia passando
Junto dele também ia
Sempre lhe acompanhando
O amor a capoeira
Cada vez mais aumentando

Todo tempo que podia
Estava em treinamento
A arte da capoeira
Carregava em sentimento
Pra onde quer que ele fosse
A levava em pensamento

Na fazenda, na escola
E nas horas de lazer
Quanto mais ele aprendia
Mais queria aprender
E os mestres desta arte
Gostava de conhecer

Deus então o colocou
Nas mãos de um professor
Muito mais que especial
Mais que mestre, um doutor
Manoel dos Reis Machado
Seu guia orientador

E a semente capoeira
Plantada no coração
Daquele jovem baiano
Recebeu a proteção
Regada por Mestre Bimba
Junto a sua plantação

Com sol quente ou chuva forte
Brisa mansa ou ventania
Tudo é vontade divina
Como o vento que um dia
Levou o mestre e o menino
Para longe da Bahia
No vestibular da vida

Passou com pouca idade
Agora o mundo seria
Sua universidade
Calouro inexperiente
Novato na faculdade
Estudante dedicado

Muito atento as lições
No trote do preconceito
Passou por humilhações
Sempre de cabeça erguida
Buscou suas soluções

Convivendo entre estudantes
De áreas convencionais
Medicina, arquitetura
E ciências sociais
Entre outras respeitadas
Carreiras profissionais

Foi cercado por pessoas
Com curso superior
Estudava a capoeira
Por ela tinha amor
E decidiu: – Nesta arte
Um dia vou ser doutor!

E em todas as matérias
Gostava de estudar
A história da capoeira
Muitas formas de treinar
Sua musicalidade
Compor, tocar e cantar

Aprendeu a ensinar
E criou seu próprio jeito
Convivendo entre os bambas
Foi tratado com respeito
Procurando agir certo
E fazer tudo bem feito

E o aluno se tornou
Um professor dedicado
Continuou estudando
Sem ficar acomodado
Tornando-se um grande mestre
Cada vez mais respeitado

E o Mestre Camisa hoje
É uma árvore sagrada
Com sua raiz bem forte
Por toda a Terra espalhada
Sua madeira é de lei
Sua sombra abençoada

Que tem galhos muito fortes
E dá frutos aos milhões
Suas folhas se renovam
Por diversas gerações
Suas flores mais bonitas
Se eternizam em canções

Semente que Deus criou
Ele eternizará
O Jardineiro Sagrado
Da árvore cuidará
Na história da capoeira
Meu mestre é um baobá

Em mais de quarenta anos
Estudando sem parar
Todo tempo a enfrentar
Os preconceitos tiranos
Sofrendo com desenganos
Resistindo com vigor
Com fé, trabalho e amor
À cultura brasileira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

Viajando o mundo inteiro
Divulgando a nossa arte
Ensinando em toda parte
Do Brasil e do estrangeiro
É um orgulho brasileiro
Exaltando o valor
Desse povo sofredor
Honrando a nossa bandeira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

Muitos mestres e doutores
De várias modalidades
Grandes universidades
Solicitam-lhe favores
Enaltecem seus valores
Tratando lhe com louvor
Elogiam seu labor
Por nossa Terra inteira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

Luiz Gonzaga no baião
No choro foi Pixinguinha
No Candomblé Menininha
No cangaço Lampião
Zumbi contra a escravidão
Pelé como jogador
Tiradentes foi senhor
Da inconfidência mineira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

Gandhi na sabedoria
Garrincha foi no driblar
Jesus Cristo em perdoar
Castro Alves na poesia
Freud em psicologia
Deus é como o Criador
Grande Otelo como ator
Cartola foi da Mangueira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

As forças da natureza
Doutoras em perfeição
O mar em imensidão
As florestas em beleza
O céu doutor em grandeza
Em sutileza é a flor
Sol e fogo em calor
Em água é a cachoeira
NA ARTE DA CAPOEIRA
MESTRE CAMISA É DOUTOR

Rio de Janeiro, 05 de maio de 2011
Autor: Victor Alvim (Lobisomem)

Homem de Gelo no Botafogo, Jefferson vira Gato Negro na capoeira

Goleiro mostra desenvoltura no esporte e diz que é preciso ter muito jogo de cintura para passar por determinadas situações do futebol

Agilidade, flexibilidade, concentração e disposição. Tudo isso contribui para o sucesso de um bom goleiro. Mas essas características também podem influenciar no bom desempenho em outro esporte: a capoeira. O show visual proporcionado pelo jogo pode ser comparado, inclusive, às defesas de um profissional do futebol. Que o diga Jefferson, camisa 1 do Botafogo.

Nascido na Bahia, onde a capoeira tem raízes fortes, ele pratica o esporte desde os sete anos. O goleiro conta que dividia o tempo entre as peladas com os amigos e as rodas ainda em São Vicente, em São Paulo. Porém, teve que deixar o hobby de lado, pois, desde os 15 anos, vive do futebol. Mas voltou a sentir o gostinho da capoeira na manhã desta quinta-feira, no Aterro do Flamengo, um dia após a vitória por 4 a 1 sobre o Madureira, no Engenhão, pela terceira rodada da Taça Guanabara.

Conhecido como Homem de Gelo, tamanha sua frieza durante os jogos e treinos em General Severiano e no Engenhão, Jefferson deixou para trás o semblante fechado, o olhar fixo e o estilo de poucas palavras para relembrar a infância. Vestiu o novo uniforme, colocou a corda e foi mostrar seu gingado. Tudo banhado a muitos sorrisos e brincadeiras com os 20 jogadores do grupo Abadá-Capoeira, que tem sede no Humaitá, Zona Sul do Rio de Janeiro.

– No futebol, os treinos e os jogos exigem mais um pouco de concentração e seriedade. Não pode levar tudo na brincadeira. Mas, ao sair do futebol, somos outros, precisamos de algo como a capoeira para distrair. É isso que faço. Nas horas de lazer procuro me distrair um pouco – disse o goleiro, que chegou acompanhado de sua esposa Michele e a filha Nicole, de dois anos.

Nem mesmo o 1,90m atrapalhou o goleiro. Acostumado a voar debaixo das balizas, Jefferson fez estripulias no Aterro do Flamengo. Depois de sua exibição, ganhou o apelido do grupo: Gato Negro. O giro no ar também foi batizado: o pulo do gato. Cansado após sua participação, ele disse se sentir mais preparado para os treinos físicos e saiu satisfeito de voltar a praticar capoeira.

– Cansa, exige muito, mas é legal. Faz parte. Só é preciso ter cuidado, porque ajuda, mas pode causar lesões – disse o goleiro, que garantiu que o técnico Joel Santana sabia do jogo de capoeira.

A ginga que mostrou na roda de capoeira é a mesma que o ajuda a sair de situações complicadas no dia a dia do futebol. Jogo de cintura não falta ao goleiro, que é um dos líderes da equipe alvinegra e ídolo da torcida.

– Tem que ter ginga em todos os sentidos para administrar algumas coisas que acontecem no futebol.

É preciso também ter jogo de cintura com as brincadeiras dos integrantes do Abadá-Capoeira. Havia apenas um botafoguense entre os 20 jogadores que se encontravam na roda. Logo de cara, o goleiro avisou que só jogaria com o alvinegro. Depois de ouvir algumas provocações do flamenguista Anderson Silva, o professor Parafuso, o camisa 1 foi defendido por Leonardo Lenine, o Barata.

– Eles estão é preocupados, se sentindo ameaçados.

 

Sonho com a volta para Seleção

 

O sucesso com a camisa do Botafogo em 2010 fez com que Jefferson fosse convocado por Mano Menezes para a Seleção Brasileira. Porém, ficou fora da última lista, já que o treinador optou por não convocar atletas que atuam no Brasil. Mas um nome chamou a atenção. O goleiro Julio César, do Inter de Milão, que defendeu a amarelinha nos últimos anos e participou da Copa do Mundo na África do Sul, voltou a ser chamado.

– Desde que fui convocado, sabia que o Julio César ia voltar. Mas também penso em voltar à Seleção e vou continuar trabalhando no Botafogo para ter novas oportunidades.

 

Fonte: http://globoesporte.globo.com