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IIº ENCONTRO SUL-SUDESTE

IIº ENCONTRO SUL-SUDESTE
De 13 a 17 de outubro

Mestre Rogério
Mestre Índio
Contra Mestre Negão
Contra Mestre Alcione
Contra Mestre Alexandre

—– Original Message —–
From: Contra Mestre Alcione Alves <alcionealves@hotmail.com>
To: mestrejc@tpg.com.au
Sent: Tuesday, October 11, 2005 8:01 AM
Subject: angola dobrada

ola mestre jeronimo; a pedido do mestre indio da associacao de capoeira angola dobrada ;ele pede porfavor que divulgue o nosso evento na sua lista ou no seu site ;;:::sem mais obrigado pela atencao!!!acad belo horizontz  contra mestre alcione

— do anexo…

Fundada em 1992 por Mestre Rogério e Mestre Índio em Kassel (Alemanha), a Associação de Capoeira Angola Dobrada é um grupo sem fins lucrativos. Hoje, a ACAD atua em BH, em Curitiba e na Alemanha com a finalidade de ensinar, divulgar e manter viva a tradição da Capoeira Angola. Como outras instituições culturais e pedagógicas, a Angola Dobrada, através dos fundamentos da Capoeira Angola, propõe ajudar homens, mulheres e crianças a cuidarem de si mesmos e a serem indivíduos livres, conscientes de sua identidade cultural e da raiz de seu povo.
"A capoeira dá os elementos para que a pessoa busque a sua liberdade, se conscientizando sobre si, sobre o ser social que é e sobre o seu corpo. Isso dá base para a liberdade de cada um. A capoeira leva o indivíduo a conhecer a si mesmo e estar atento ao que está a sua volta", Mestre Rogério Soares.

   CONVIDADOS

MESTRE RUSSO – RJ
MESTRE PEIXE – RJ
MESTRE MANOEL-RJ
TIAO CARVALHO-SP

Programação

DiaHoraAtividadesLocal
13 de outubro     quinta-feira
19:00Roda de AberturaPça. Duque de Caxias no Santa Tereza

14 de outubro     sexta-feira

17:00CREDENCIAMENTO, Vídeo, Lançamento do livro do Mestre Russo "Expressões da Roda Livre", palestra com o babalorixa Israel de Curitiba: "Cultura afro brasileira" e Coquetel.Sede

15 de outubro sábado10:00 12:00Oficinas de Capoeira SimultâneasLagoa do Nado
12:00 14:00Almoço R$3:00Bar do Euler
14:00 18:00RodaLagoa do Nado
21:00Festa com vitrola: forro, samba e reggae. Ingresso R$5,00Sede

16 de outubro domingo11:00 13:00Oficinas de capoeira

Lagoa do Nado
13:00 14:00Lanche solidário
14:00 18:00Roda de Encerramento

18:00Festa de confraternizaçãoTerreiro do grupo Encaixa Couro

17 de outubro segunda

18:30Oficinas de danças e ritmos maranhenses com o ator multinstrumentista e educador Tião carvalho em parceria com o grupo encaixa couro: valor 20 reais.

GONGUE

·            As oficinas de capoeira serão gratuitas e com inscrições limitadas, garanta a sua vaga no dia 14 no coquetel;
·            Entrada franca na festa de encerramento no Encaixa Couro: com Tião Carvalho MA, fogueira, barraquinhas, forro, danças e brincadeiras populares.
·            Traga o que puder para o lanche do domingo: frutas, pães, sucos, etc.

Endereços do Encontro
Sede: Sagrada Família
Rua Itajubá, 1057 tel: 3482 5242
Pça. Duque de Caxias: Rua Mármore Santa Tereza.
Bar do Euler: Rua Plínio de Mendonça, 09 –  Itapoã.
Lagoa do Nado: Rua Dês Lincoln Prates, 240 – Itapoá.
Encaixa Couro: Rua Nossa Senhora d’Ajuda, s/nº esquina com Gustavo da Silveira, Horto. Depois da estação de metrô do Horto.
Gongue: Rua Patrocínio, 189 – Carlos Prates.

Locais e Horários do Treinos

Sede – Sagrada Família
Rua Itajubá, 1057
Tel: 3482 5242

Manhã: Terças e quintas de 8:00 às 12:00;
Quartas de 8:00 às 10:00

Noite: De segunda à quarta de 19:00 às 21:00

Roda: Ás quintas das 19:00 às 21:00

UFMG
Campinho de Futebol da Escola de Veterinária no Campus da UFMG Av. Antônio Carlos 6.627.

Tarde: Segundas, quartas e sextas de 11:30 às 13:30.

Contatos:

ACAD – Rua Itajubá, 1057 Sagrada Família
Tel: 3482 5242
http://www.capoeira-angola.net

Contra Mestre Alcione
3212 9244/ 9735 9627

Contra Mestre Negão
9133 1699

Treinel Iran
 97725704

Discussão Temática: Os Mitos da Capoeira

O GPEC & NGOLO, de São José dos Campos, São Paulo, realizará apresentação e discussão do assunto "Os Mitos da Capoeira", neste sábado, 16 de Julho de 2005.
Todos estão convidados.
 


CONVITE
 
O Grupo de Pesquisas e Estudos Culturais (GPEC) do Centro Cultural de Capoeira Angola N"Golo, convida você (s) a participar de mais um encontro, para um momento de discussão, na qual a temática abordada será "Os Mitos da Capoeira".
 
Na ocasião, estarão presentes mestres e capoeiras interessados no assunto. Participação espacial de Mestre Damião – Tenente Esdras Magalhães dos Santos-, discípulo de Mestre Bimba (turma de 1946) e do historiador Carlos Carvalho Cavalheiro, estudioso da cultura e do folclore popular de Sorocaba-SP.
 
 
Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

E “seu Bimba” foi notícia até em Sorocaba

Artigo sobre a repercussão em Sorocaba, São Paulo, da vinda de Mestre Bimba e seus discípulos para a Capital Paulista, ano de 1940

Por Carlos Carvalho Cavalheiro
Sorocaba – São Paulo
Maio de 2005
 

Ao Mestre Damião, com admiração.

                                                            

                  Manoel dos Reis Machado, conhecido como Mestre Bimba, criador da capoeira regional baiana, esteve em São Paulo no final da década de 1940, a partir de contatos de alunos seus com empresários de lutas e amigos da capital paulista, para divulgar a sua capoeira baiana em exibições no ginásio do Pacaembu (SANTOS, 1996).

                   Essas exibições, que se estenderam depois para o Rio de Janeiro, foram as primeiras sementes para o sucesso da capoeira regional baiana no sudeste do Brasil. Basta lembrarmo-nos de que Mestre Damião (Esdras Magalhães dos Santos) foi, muito provavelmente, o primeiro a ensinar em academia essa forma regional da capoeira na cidade de São Paulo, sendo esse mestre um dos componentes da comitiva de Mestre Bimba. 

E foi assim que, de setembro de 1950 a maio de 1951, funcionou em São Paulo a primeira Academia de Capoeira (Luta Regional Baiana)…" (SANTOS, 1996).
 

                          A despeito de, no futuro, surgir qualquer outra informação diferente desta, o que se deve considerar é que o fato de Mestre Damião ter ensinado capoeira regional baiana em São Paulo, em academia – portanto, de maneira formal – está amplamente documentado. Entretanto, isso não exclui a existência da prática da capoeira (em suas formas e vertentes) em solo paulista antes do final da década de 1940 ou início de 1950. Muitos documentos aprovam essa prática mesmo no século XIX.

  
A postura de 17 de novembro de 1832, uma entre muitas, proibia o jogo da capoeira: "…Trazem oculto em um pequeno pau escondido entre a manga da jaqueta ou perna da calça uma espécie de punhal…" (DIAS, 2001).
 

                              Letícia Vidor de Sousa Reis (2000) ao citar Lilia Moritz Schwarcz, apresenta publicações do jornal Província de São Paulo (que se tornará posteriormente O Estado de São Paulo), datadas do final do século XIX, acerca da capoeira e de capoeiristas da capital paulista. E é conhecido ainda o conflito entre a polícia e recrutas do exército, estes últimos capoeiristas, na cidade de São Paulo em 1892 (CAVALHEIRO, 2000).

                         Essas informações da capoeira em solo paulista demonstram que a na sua gênese a luta afro-brasileira foi difundida para praticamente todas as regiões do país, especialmente a partir de 1850 com o fortalecimento do tráfico interno de escravos. E, embora faltem estudos a respeito, pode ter originado diversas formas regionais como a pernada, a tiririca, a punga, o bate-coxa, o cangapé (ou cambapé) entre outros.

                          Porém, com relação à capoeira regional baiana, a documentação até agora angariada nos dá conta de ter chegado a São Paulo por volta de 1948/49 e ter seu ensino formalizado em academia a partir de 1950.
 

No ano de 50 e 51

Mestre Damião ministrou

Primeiro curso oficial de Capoeira

Que em São Paulo se registrou

Na academia de Kid Jofre

Waldemar Zumbano da CBP atestou.  (ASTRONAUTA, 2004).
 

                            A importância histórica da apresentação da comitiva de Mestre Bimba em São Paulo pode ser medida tanto pelos frutos advindos desse trabalho, como pela repercussão que houve nos meios de comunicação, especialmente a imprensa especializada em esporte. A verdade é que essa apresentação da comitiva de Mestre Bimba foi essencial para a capoeira regional baiana ser o que é hoje, especialmente em São Paulo.

                          Em Sorocaba, interior de São Paulo, a notícia da vinda de Bimba e seus alunos foi noticiada pela Folha de Sorocaba, um importante jornal da época. Eis a nota:

"Mestre Bimba"exibir-se-á no Pacaembú.

O "mestre"trouxe consigo os seus oito melhores alunos. " Espectativa em torno da estréia do "rei dos capoeiras".

Um espetáculo inédito está reservado aos paulistas, hoje á noite, no ginásio do Pacaembú, com a apresentação, ao público bandeirante, de "Mestre Bimba", o rei dos capoeiras.

A luta nacional ganhou notoriedade na Bahia com o aparecimento de "Mestre Bimba", desfrutando de grande popularidade esse baiano, graças a destreza, malícia e coragem por ele demonstrados no emprego da capoeira como excelente método de defesa e ataque.

Tornando-se famoso:  "Mestre Bimba" de temível arruaceiro que era, sendo o terror da polícia da terra do vatapá, converteu-se, dedicando-se a ministrar os ensinamentos e segredos da capoeiragem.
Desde logo sua "academia" passou a ser freqüentada por médicos, engenheiros, advogados, oficiais do Exército, da Marinha, Aviação e Polícia que lá iam em busca das lições do "mestre" capacitados, da eficiência e valor do sistema aplicado tanto para defesa como para o ataque.

As lições surtiram o efeito desejado, sendo hoje "Mestre Bimba" um homem respeitado, tal a admiração que os alunos devotam ao "professor".

É este precisamente o afamado capoeira  que os paulistas irão ter o ensejo de apreciar no ginásio do Pacaembu, "Mestre Bimba"estrelará com oito dos seus melhores alunos.

O espetáculo pelo seu aspecto inédito, vem sendo aguardado com ansiedade e geral expectativa, sendo grande o número de pessoas curiosas por apreciá-lo, e ao mesmo tempo

aquilatar se é verídico o que apregoam das vantagens da capoeiragem.
 

LOCAL DAS REFREGAS
 
Na capoeiragem todos os golpes são lícitos, tornando-se por esse motivo uma luta bastante movimentada e que requer amplo espaço para os antagonistas desferirem os mais variados golpes e os respectivos contra-golpes.

Para esclarecimento devemos elucidar que existem quarenta e cinco golpes , dos quais vinte e dois são mortais, e para cada golpes são empregados dois outros contra-golpes, e os combates são disputados ao som de um curioso instrumento, a que eles denominam berimbau.

Assim as refregas são travadas num grande estrado armado ao res do chão, de maneira a permitir que os contendores possam se movimentar à vontade, negaceando para desferir de improviso espetaculares golpes. (FOLHA DE SOROCABA, 09 Fev 1949).

                      Em São Paulo, como não poderia ser diferente, a presença de Bimba foi amplamente comentada, até mesmo nas rodas da malandragem, dos "espertos", dos jogadores da tiririca.

                      Toniquinho Batuqueiro, em entrevista cedida em março de 2005, alude ao fato de Pato N"Água, talvez o mais hábil dos jogadores de tiririca da época, ter se disposto a enfrentar os capoeiras da comitiva de Bimba no Pacaembu, fato esse que não ocorreu. Segundo Toniquinho, houve mesmo uma inflamação do pessoal da tiririca esperando a desmoralização que Pato N"Água poderia proporcionar aos baianos.

                     Apenas ânimos "regionalistas", nenhuma animosidade acirrada contra qualquer capoeira baiano.

 

Carlos Carvalho Cavalheiro.
 
O autor é pesquisador autônomo da história e do folclore de Sorocaba. Sócio efetivo da Comissão Paulista de Folclore (IBECC/UNESCO). Licenciado em História pela UNISO. Especialista (pós-graduação) em Gestão Ambiental – Faculdade Senac.


Bibliografia:                       

ASTRONAUTA, Miltinho – Capoeiras do Vale do Paraiba e Litoral Norte – Ed. do Autor – 2004.

CAVALHEIRO, Carlos Carvalho – Cantadores – o folclore de Sorocaba e região (encarte de CD) – Linc – 2000.

DIAS, Maria Odila Leite da Silva – Quotidiano e poder em São Paulo no século XIX " Brasiliense " 2001.

FOLHA DE SOROCABA " "Mestre Bimba" exibir-se-á no Pacaembú – 09 fev 1949.

REIS, Letícia Vidor de Sousa – O mundo de pernas para o ar – A capoeira no Brasil – Publisher Brasil – 2000.

SANTOS, Esdras M. – Conversando sobre capoeira… – JAC Gráfica e Editora " 1996.


Ilustração: Folha de Sorocaba " 9 de Fevereiro de 1949 " Fotografado por Rogério Lopes Pinheiro de Carvalho
 
Autor: Carlos Carvalho Cavalheiro
 

www.capoeira.jex.com.br

 

SOM E EMOÇÃO

Liberando a música no ritmo da emoção

Fã de Caetano Veloso e Marisa Monte, Isabela Rezende, de 19 anos, vivia cantando debaixo do chuveiro mas tinha vergonha de soltar a voz em público. Mal conseguia perguntar o preço de uma peça de roupa na loja favorita. Depois de dois anos de aulas de cantoterapia, a timidez foi embora, sua vida deu uma guinada e ela se prepara para estudar comunicação:

– Agora, eu canto em público e perdi a vergonha de conversar e de dizer o que sinto. Aguardo ansiosa as aulas semanais e sinto saudades nas férias.

Além de ajudar os tímidos, a cantoterapia, criada há 15 anos pela carioca Sonia Jopper, professora de violão e ex-solista de coral do Colégio Sion, vai mais longe. Pela tranqüila casa amarela da Gávea, passam de políticos que precisam aprender a respirar melhor, para melhor falar em público, a hipertensos enviados por cardiologistas. Os exercícios vocais, aliados à consciência corporal, reduzem a pressão arterial, ao mesmo tempo que aumentam a auto-estima. 
O aumento da auto-estima também faz parte dos resultados positivos conseguidos pela musicoterapeuta Paula Maria Ribeiro Carvalho, uma das seis profissionais que trabalham, na Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), com adultos e crianças com problemas tão diversos como acidente vascular cerebral, artrite reumatóide infantil e paraplegia provocada por bala perdida. Segundo Paula, a percepção adquirida nas sessões pode ser a diferença entre o desânimo e a recuperação do equilíbrio ameaçado pela doença.

– Uma pessoa que trabalhava e de repente tem um acidente vascular encefálico, por exemplo, passa a viver como doente. Quando chega à instituição para se tratar, com metade do corpo paralisada, é levada a trabalhar as partes
do corpo que foram afetadas. Ou seja, reforça a visão que tem de si própria como doente, esquecendo o lado saudável. O objetivo da musicoterapia é justamente recuperar este lado.

No caso do engenheiro A. R., de 64 anos, cuja fala e movimentos ficaram prejudicados depois de um acidente ascular cerebral, um momento da musicoterapia foi essencial: ao ouvir uma canção ao piano, ele lembrou que a escutara várias vezes em companhia da primeira mulher. Foi o primeiro sinal de que começava a recuperar parte de sua memória, e com ela a capacidade de expressar emoções.
Esta capacidade é hoje uma das características de Selma Soares Marques, de 10 anos, que desde os 4 anos
sofre de artrite reumatóide, doença degenerativa ainda sem cura conhecida. Ela chegou à ABBR, há dois anos,
com o semblante fechado, incapaz de manifestar um desejo ou reclamar. Agora, adora tocar pandeiro, participa
ativamente das aulas, conversa e ri com os colegas.
A maioria das crianças que faz musicoterapia na ABBR teve paralisia cerebral ou meningite. As dificuldades de movimento devem-se a problemas no tônus muscular, que os profissionais procuram recuperar aos poucos:

– Nosso objetivo é não deixar avançar a deformidade. Com o estímulo da música, a criança que tem dificuldade de abrir a mão vai querer fazê-lo para tocar o violão ou o tambor. Não há imposições. A vontade própria é importante, assim como é importante a criança sentir que pode fazer som junto com outras pessoas, sem ter seu espaço privado invadido. Invadido por uma bala perdida que o deixou paraplégico, há dois anos e meio, o menino G., de 6 anos, começou o tratamento na ABBR bastante revoltado. Todas as músicas que criava tinham letras de final infeliz, com animais que morriam estraçalhados. As atuais já têm figuras humanas e ele diz que adora compor, sonhando com o dia em que será cantor:
– G. relutava em fazer os exercícios essenciais para a recuperação do seu equilíbrio motor. Na musicoterapia, ele exercita a postura sem sentir, ao sentar-se no teclado, por exemplo. Para ele, esse é um momento lúdico, para nós faz parte da terapia global – explica Paula Carvalho.
Selma e G. poderiam continuar a se beneficiar da musicoterapia por muito tempo. Mas ambos enfrentam um risco: na ABBR, que recebe apenas R$ 2 do Sistema Único de Saúde por cada sessão de meia hora de tratamento, há sempre novas crianças na fila porque os profissionais são em número insuficiente para atender a todos.

Não são só os problemas físicos que a musicoterapia ajuda a minorar. Autistas e psicóticos também se beneficiam dela, como atesta o psiquiatra Carlos Augusto de Araújo Jorge, diretor da Fundação Municipal Lar Escola Francisco de Paula (Funlar), da Secretaria municipal de Desenvolvimento Social, onde há atualmente 115 alunos de musicoterapia, 53 em Vila Isabel, 58 em Campo Grande. São crianças e adolescentes com diversas doenças, entre elas a síndrome de Down, o autismo e a paralisia cerebral, que provocam atraso de desenvolvimento motor e de linguagem.

Ex-diretor do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro, Araújo Jorge relata o caso de um cliente de 13 anos, psicótico e agressivo, que só aceitou sair do carro do pai e entrar no consultório médico depois de uma abordagem pouco ortodoxa da musicoterapeuta:

– A profissional passou meses indo até o carro, levando consigo um instrumento de percussão, atabaque ou tamborim. Quando o garoto conseguiu enfim tocar o instrumento, estabelecendo uma relação com ela, pôde sair para o consultório. A música como instrumento terapêutico não é a mesma coisa que a música habitual. Usa-se a música para estabelecer uma relação de confiança com o paciente, abrindo uma canal de comunicação para, a partir daí, estabelecer relações mais saudáveis.

O trabalho da terapia se dá através de atividades cuidadosamente estruturadas, com objetivos que não incluem o desenvolvimento estético. Segundo a musicoterapeuta Mônica Isidoro da Silva, da Funlar em Vila Isabel, o canto, os instrumentos ouvidos e tocados, a composição e a dança ao som da música não pretendem desenvolver o talento musical de ninguém. O objetivo é fazer com que o desenvolvimento musical melhore o funcionamento social, psicológico e fisico.

– O som é a primeira relação com o mundo, desde o ventre materno. Abre canais de comunicação que facilitam o tratamento. Além de atingir os movimentos mais primitivos, a música atua como elemento ordenador, que organiza a pessoa internamente – afirma Araújo Jorge.

Paula Carvalho, presidente da Associação de Musicoterapia do Rio de Janeiro, que congrega 350 profissionais, lembra que a musicoterapia é um curso da área biomédica. Quem faz vestibular para o curso, no Conservatório Brasileiro de Música, deve saber tocar um instrumento. O coordenador do curso, Marco Antônio Carvalho, explicou que os alunos, além de aprenderem violão, teclado e flauta, têm aulas como artes plásticas, psicologia e anatomia.

– A música é um instrumento terapêutico valioso, um canal privilegiado para se expressar emoção. A musicoterapia estimula a motricidade e a auto-estima com mais rapidez – diz Carvalho.

A maioria dos musicoterapeutas faz questão de acentuar as origens técnicas do seu trabalho, reconhecido pela primeira vez nos Estados Unidos na década de 50. Mas há quem aposte também no lado místico da terapia, caso do musicoterapeuta Thomaz Lima, que usa o pseudônimo de Homem de Bem e já gravou sete CDs com mantras indianos. Agora, ele está lançando "Himalaia", um CD instrumental, de sua autoria, que dura uma hora e promete levar ao relaxamento:

– O CD foi milimetricamente planejado para provocar um resultado. Procuro abrir para as pessoas caminhos não verbais que levem-nas a expressar suas características positivas.

Nas aulas de Thomaz, ele mescla técnicas de relaxamento, ioga, do-in, massagem chinesa nos pés e técnicas de expressao corporal, entre outras.

Academias & fiscalização na Bahia

CREF fiscaliza academias de capoeira, arte marciais, ioga e dança na Bahia
 
Metade das academias da cidade (Salvador) está irregular
Academias lutam para se adequar à legislação
 
Salvador possui cerca de 800 academias, sendo que pelo menos 400 funcionam irregularmente. O alerta foi feito pelo presidente do Conselho Regional de Educação Física (Cref) para Bahia e Sergipe, Carlos Pimentel, na, na sede da entidade, localizada na Avenida Antonio Carlos Magalhães. Por conta disso, Pimentel garantiu que, a partir de março deste ano, o órgão vai endurecer o jogo contra os estabelecimentos que estão em atividade sem regulamentação, através de blitze que serão realizadas com apoio da Polícia Civil.
 
Pimentel garante que a intenção do Cref é fazer com que os proprietários desses estabelecimentos se adeqüem à legislação que rege o setor. Pela Lei 9.696, de 1º de setembro de 1998, qualquer academia tem por obrigação dispor de um profissional diplomado em educação física e que tenha registro no Cref.
 
Entre outros dispositivos, a lei determina ainda que os estabelecimentos também sejam registrados no Cref e inscritos no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), possuam alvará de funcionamento expedido pela prefeitura e tenham passado pelo crivo da Vigilância Sanitária. "É muito comum ver academias que funcionam sem cumprir o que manda a lei. Algumas obedecem a um ou outro dispositivo; outras, a nenhum deles", informa Pimentel.
 
Como exemplo de academia irregular, o presidente do Cref lembra do caso da Pavão e Cia, que foi contratada pelo Órgão Gestor de Mão-de-Obra do Trabalho Portuário nos Portos de Aratu e Salvador (Ogmosa) para auxiliar no teste de aptidão física durante a segunda etapa do processo seletivo da entidade. Na ocasião, o estudante de filosofia Alan Mascelani Werneck morreu enquanto participava da prova.
 
O caso, ocorrido em 17 de fevereiro último, ganhou as manchetes dos jornais e reabriu a discussão em torno da importância de se manter profissionais regulamentados em qualquer estabelecimento voltado à prática desportiva. "Dou suporte técnico a concursos da Polícia Federal e nunca tive problemas. Sabe por quê? Pois eles se eliminam na origem. E quem é capacitado para trabalhar com educação física sabe que um atestado informando que determinada pessoa está apta a exercer atividade física não é igual ao que garante que ele está apto a realizar teste de aptidão física, o que exige exames mais detalhados e minuciosos", dispara Pimentel.
 
No entanto, ele reconhece que a busca pela regulamentação da profissão e de academias esbarra em setores dispostos a não ceder à legislação. "Isso é muito comum nos estabelecimentos que ensinam artes marciais, capoeira, ioga e dança, e algumas federações que os representam", enumera. Ele explica que para quem já exercia a profissão antes de 1998, a lei prevê a possibilidade do registro de provisionado no Cref.
 
Nestes casos, basta que o profissional se inscreva no conselho e realize o Programa de Instrução para Provisionados (PIP). "O objetivo não é, por exemplo, ensinar um mestre de capoeira as técnicas da luta, porque isso ele já sabe melhor do que nós. O intuito é dotá-lo de noções de ética, psicologia aplicada ao esporte, pedagogia, didática e primeiros socorros", justifica Pimentel.

Projeto provoca polêmica
 
Na Câmara dos Deputados, tramita o Projeto de Lei 7.320/02, de autoria do deputado federal Luiz Antonio Fleury (PTB-SP), cujo teor pede a liberação dos instrutores de artes marciais, capoeira, dança, ioga e pilates da fiscalização dos conselhos regionais de educação física. "É na expectativa dessa aprovação que muitos profissionais se apegam para não se regularizarem", explica o assessor de comunicação do Cref, Marco Monteiro.
 
Não é o que pensa o professor de jiu-jitsu Ricardo Carvalho, da Academia Edson Carvalho, uma das mais conhecidas da capital. Carvalho reconhece que o estabelecimento onde leciona está irregular, mas garante que trabalha em busca da regulamentação. "A lei é nova e isso requer tempo para que as pessoas se adeqüem", afirma. Para ele, a questão financeira é o que pesa na hora de se ajustar às normas. De acordo com o Cref, as taxas para inscrição no órgão custam R$360 por ano para pessoas jurídicas (estabelecimentos) e R$180 para pessoas físicas. Caro? "Nem tanto", minimiza Pimentel.
 
Carvalho diz entender a importância da regulamentação e do trabalho desenvolvido pelo conselho. "Sempre instruo meus alunos que pretendem ensinar arte marcial a procurar a faculdade e se formarem", garante. "Mas viver de arte marcial é difícil", justifica. Ele diz que não possui registro no Cref e que vai procurar se adequar à lei.
 
Segundo Pimentel, a regulamentação dos provisionados só vale para quem já trabalhava no ramo antes de 1998. "Depois desta data, só com diploma de graduação em educação física", declara. "Veja o caso do pilates. Quando ele é utilizado apenas para reabilitação, o fisioterapeuta é autorizado a trabalhar. Mas se for para condicionamento físico, aí tem que ter registro no Cref", salienta.
 
Pimentel acrescenta que outro problema encontrado nas academias de Salvador é a utilização de estagiários no lugar de profissionais regulamentados. "É mão-de-obra barata. Isso não é correto, pois coloca o corpo da pessoa nas mãos de quem ainda não está preparado para lidar com ele. O estagiário, por definição, é aquele que está em fase de aprendizado", destaca. Ele conta que 90% das mais de 2.500 academias baianas utilizam esse tipo de expediente.
 

Confederação Brasileira de Capoeira

CBC TEM NOME PRESIDENTE

No auditório do Ministério do Esporte em Brasília dia 12 de Janeiro as 16h, tomou posse da Presidência da Confederação Brasileira de Capoeira, o Sr. Gersonilto Heleno de Sousa, conhecido na capoeira como Mestre Neguinho e também Presidente da Associação de Capoeira Novos Baianos.

A assembléia se deu nos dias 11 e 12 e contou com representantes de várias federações, ligas e associações e que apostaram em um futuro promissor desta entidade nesta nova gestão. Ficou definido os seguintes cargos:

Vice-presidente Planejamento Ricardo de Amapá; Vice-presidente Cultura Augusto Januário da Bahia; Vice-presidente Administração Ely Carvalho de Goiás; Os demais cargos serão constituídos posteriormente. O atual presidente promete abrir a CBC para todos os praticantes de capoeira do país e criar uma nova política de adesão à entidade, com intuito de somatizar e consolidar a família capoeira.

Gilvan Alves de Andrade – Ms. Gilvan/DF

Assessoria de Comunicação
Brasília 12 de fevereiro 2005