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Rampa do Mercado e Recôncavo são destaques no Forte de Santo Antônio

Salvador – A Academia de João Pequeno de Pastinha – Centro Esportivo de Capoeira Angola – promove nesta sexta-feira (30), às 19h, mais uma sessão do projeto Cinema, Capoeira e Samba, com entrada gratuita.

A academia é uma das sete residentes no Forte de Santo Antônio Além do Carmo, administrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), autarquia da Secretaria Estadual de Cultura (Secult).

O projeto, que acontece todas as últimas sextas-feiras do mês, exibe filmes e documentários em DVD sobre a capoeira e aspectos culturais e históricos da Bahia. Nesta sexta serão exibidos Um Dia na Rampa, de Luiz Paulino, e Cantador de Chula, de Marcelo Rabelo, sobre os antigos cantadores de chula do Recôncavo. Depois das exibições acontece a tradicional roda de samba com o Grupo Botequim, que co-realiza o projeto.

CV-Em que canto ficou o fundamento

Uma crítica por Fabinho, Porto Alegre

A capoeira encontra em nosso imaginário infinitas e incontáveis versões e interpretações. Do leigo ao mestre, incorpora-se a cada dia um pouquinho do toque de cada um que passa por ela. Alguns deixam marcas profundas na alma da Capoeira, outros deixam cicatrizes, outros ainda, simplesmente sopram por suas vicinais apenas como uma brisa passageira.

Ecoa nos modernos resgates da capoeira contemporânea o tal do "fundamento". Os bravos guerreiros de não muitas décadas atrás, alguns ainda vivos, mitos vivos, ícones perenes de nossa capoeiragem atentam para o fundamento. Onde está o fundamento da capoeira? Ou os fundamentos? Em uma nova visão de capoeira globalizada vê-se a capoeira, ora deturpar a regional como capoeira moderna, ora a angola com o mau uso do parafrasear Pastiniano de que a "capoeira é tudo que a boca come".

A cantiga é fundamento de capoeira, sim senhor. Ouso em afirmar que tem relação com a filosofia da capoeira. Muita gente, inclusive mestres, dizem que a capoeira não tem filosofia, como se isso fosse privilégio de intelectuais ou atributo das artes marciais orientais. A herança oral que tanto se invoca e remonta a nossa história recente brasileira intercede por uma cantiga dentro do fundamento.

Sabemos nós, capoeiristas de 2004, que a chula que se canta hoje é distinta da chula de capoeira de 50 anos atrás. Isso é muito delicado e de região para região do Brasil se percebe nuances distintas. No exterior, também os "sotaques" mudam de idioma como se fosse apenas uma formalidade, como se a musica da capoeira fosse apenas uma expressão de musicalidade ou de interpretação ou de arte. Simplismo de mais.

Capoeira é luta? Sim. É dança? Sim. É música? Sim. Ela é tudo no seu bojo e não é nada em particular desmembrada de seu contexto.

Soa-me difícil entender, por mais esclarecido que pretensiosamente tente ser, por que a "torpedeira Piauí" é diferente de Aírton Senna (na cantiga de Mestre Gegê / RJ)? São contos e são encantos vislumbrados pelos mestres compositores. Mas, em que momento esta visão do cotidiano, passado e repassado oralmente na fundamentação da cantiga, toma rumos completamente distintos na capoeiragem?

A pouco, meu amigo, Mestre Jerônimo, brasileiro e pioneiro da capoeira na Austrália, lançou seu terceiro CD. O primeiro trabalho como escrevi no jornal eletrônico Capoeira Virtual era um belo CD de "World Music", o segundo, da mesma forma, se mostrava um CD de capoeira mais preocupado com a estética da angola "tradicional". Mas, seu terceiro trabalho, mescla questões que entram em conflito tácito com o que se entende por fundamentos. Neste trabalho (Buxada de Bullshit), Mestre Jerônimo trás muitas coisas de sua realidade de capoeira na Austrália (não capoeira australiana). Mestre JC faz um outro CD de "World Music" com tiradas de reggae, xaxado, baião, repente e outros ritmos contidos no sangue brasileiro do músico profissional Jerônimo. Todavia, neste trabalho " e o enfoque é pelo lançamento de um CD " ele comete o erro crasso: há um aluno cantando uma ladainha em inglês. Não adiantou o Mestre Lucas de Sergipe ter "avisado" em seu Lp.

Na minha própria residência em conversa informal com Jerônimo, disse que era um absurdo. Mas, fundamentos à parte, qual o problema de se gravar um CD de capoeira em Iorubá, improvisar em francês, cantarolar em inglês ou em chinês?

No filme Blade Runner (O Caçador de Andróides)de Ridley Scott existe uma língua ou dialeto futurista que trás elementos de português, inglês, francês, espanhol, etc. Mas, além de ficção científica é uma projeção artística de futuro. Cantar capoeira em outra língua que não o português, além de violentar uma essência, fundamento da arte, fere um princípio básico de comunicação: se a "mensagem" que parte do "emissor" para o "receptor" não é compreendida, a comunicação está incompleta. Ruídos semânticos ou físicos à parte, conversar em idioma desconhecido do interlocutor já se basta em falta de educação. Quando se desce em um preceito ao pé do berimbau, independente da nacionalidade ou idioma, a essência é a mesma. Segundo o Dr. Decânio, os três "Rs" são inerentes à prática e a vida capoeirística: são eles: RITMO, RESPEITO e RITUAL. Isso é tão próprio da capoeira que imaginar uma roda fora desta "simplicidade", me parece tudo menos a capoeira.

Saber cantar, o que cantar e o que se "chama" para a roda constitui atributo tão inerente à figura do mestre que muito me causa estranheza certos "mestres" mal saberem bater em um berimbau ou permitir que "microfones"ou CDs tomem conta de uma bateria.

Sou do tempo – embora jovem – que descer no pé do berimbau fora do preceito, merecia um belo puxão de orelhas. Sou do tempo que comprar errado era diferente do "cair de pára quedas" na roda. Ainda estão em minhas jovens reminiscências que aluno não comprava jogo de mestre. Tenho claro para mim que tem hora pra cantar, comprar e jogar (ou não jogar). E que o capoeira deve fazer tudo isso sabendo chegar "e estar bem chegado" em qualquer roda. Cantar martelo, desafio, MPB, Chula "moderna", "Hino de Grupo" está virando uma "nova" fundamentação de roda que está aí para os capoeiras de hoje.

Parafraseando Mestre Waldemar: "Todo mundo quer ser bom, mas ruim ninguém quer ser", ganho um espaço interessante na argumentação que trago a baila. Porém, direciono-me no mesmo erro que acabo de criticar, quando se usa de forma vã, deturpada e fora do contexto a idéia de Pastinha de que a capoeira é "tudo que a boca come". Capoeira não é "tudo que a boca come" quando tange permissividade e visões pessoais. A capoeira está além e adiante de qualquer pessoa que queira adulterá-la. Ela é 100% sábia e identifica historicamente quem direciona efetivamente seu caminho natural e desinteressadamente. O rumo da maré.

Não é por que temos CDs, DVDs, mídias mil que esqueceremos a mão e o pé no chão, o pau pereira e a brincadeira. Não é por que se dá aula "on-line" e por que o Mestre vídeo está aí, que vamos fazer de nossa capoeira, Mc Donald"s pra gringo consumir. Viver de capoeira não significa explorá-la. Quem está no exterior deve pensar em uma visão comensal e quem está chegando agora deve se preocupar com "seu lugar na fila" e não esquecer de quem tem cabelos brancos.

Ainda acredito na "comunidade capoeirística".

Fabinho

Web site: www.capoeirafabinho.cjb.net

São Paulo: Mestre Ananias, Garoa do Recôncavo & Samba Chula de São Braz

 

O samba de roda Mestre Ananias e “Garoa do Recôncavo” recebe a visita do “Samba Chula de São Braz”, distrito de Santo Amaro da Purificação / BA, em São Paulo.

Tanto para a capoeira quanto para o samba paulistano será uma chance de refletir e vivenciar parte das influências que desenvolveram a cultura popular paulistana.

É um momento imperdível: um encontro de um remanescente do Recôncavo Baiano, responsável pela difusão desse legado em São Paulo, com seus conterrâneos que mantiveram essa cultura na sua forma original.

Moças arrumem suas saias e mostrem “o que é que a paulistana tem!”

 

Local:

Praça do Sesc Pinheiros – Rua Paes Leme, 195
Dia 23 e 24 de fevereiro (sábado e domingo)
Das 16h às 17h

Gratuito

CÂNTICOS

O conteúdo dos cânticos exalta as qualidades do chefe da roda, relata a sua origem ou se refere a fato, personagem ou ocorrência notáveis, atuais ou históricos.
A forma de cantar valoriza o tom das vogais antes que a pronúncia correta das consoantes, adquirindo sonoridade mântrica, em harmonia com o tom do berimbau. O canto e som do berimbau se fundem, no estilo angola, numa toada monótona, em que a presença do refrão empresta semelhança à ladainha, dum caráter suave, pacífico, extremamente cativante, permitindo movimentos mais lentos, relaxados, controlados, de grande belez. Enquanto no estilo regional, o ritmo marcial, mais acelerado, impõe maior velocidade aos movimentos, tornando-os mais agressivos, de caráter reflexo, instintivos e obrigando a maior afastamento entre os parceiros. Cada mestre tem um estilo próprio de tocar e cantar, modificando tema e conteúdo dos cânticos, os quais passam então a identificar cada roda pelo seu fundo cultural litero-filosófico, destacando-se o curto improviso, a chula1, reliquat da dança popular portuguesa deste nome.
Além desta, encontramos como categorias de cânticos, o corrido2, as quadras3 e a ladainha4.
O conteúdo dos cânticos geralmente faz parte do repositório da comunidade a que pertence a roda ou repertório própria roda, tais como referências a fatos, personagens históricos, reverenciando-os consoante sua livre escolha, tecendo comentários de conteúdo filosófico ou ligados à sabedoria popular, ditos e axiomas. Destacamos o oriki (chamado de chula pelo Mestre Bimba nos primórdios da regional, conhecido como ladainha entre os atuais angoleiros), a louvação africana, saudação laudatória aos mestres, à terra natal, aos amigos, a Deus, aos Santos e aos orixás, que empresta caratér individual a cada grupamento ou roda.
O coro, ritornelo, refrém, estribilho ou refrão, une todos os presentes num canto orfeônico extremamente contagiante, criando uma atmosfera energética que transforma o grupamento social numa entidade global, capaz de geral um estado transional coletivo.

Consoante o estilo e o temperamento do mestre e, portanto, da roda, há uma nítida preferência pelo suavidade e lentidão da ladainha (predominante entre os angoleiros) ou pelo calor e velocidade do corrido (mais a gosto dos regionais).

1-Curto "improviso" de apresentação ou identificação entoado pelo cantador a título de abertura da sua composição. Geralmente faz a louvação dos seus mestres, da sua origem, da cidade, de fatos históricos, de algum outro elemento do fundo cultural da roda. Freqüentemente os cantadores usam uma chula como introdução aos corridos e às ladainhas, durante a qual é sugerido ou indicado refrão a ser entoado pelo coro.

2-A própria denominação já traduz, ou lembra, a aceleração do ritmo que o caracteriza, juntamente com o nexo entre o verso do cantador e o refrão do coro que o repete parcial ou totalmente. O cantador entoa versos de frases simples, curtas, freqüentemente repetidas, e cujo conjunto é usado como refrão pelo coro da roda. O conteúdo do trecho cantado pode ser retirado duma quadra, dum mote, duma ladainha, dum corrido, ou do fundo comunal litero-filosófico da roda ou grupo social. A diferenciação no entanto só aparece com nitidez durante a audição do conjunto, pois o mesmo conteúdo poderá ser cantado numa ou noutra categoria conforme a impostação da voz, ritmo, compasso e aceleração que o cantador, a orquestra, coro vocálico e o acompanhamento das palmas, além da própria estrutura, emprestam ao trecho.

3-Curta estrofe de quatro versos, sem interrupção, de conteúdo variável, algumas vezes fazendo sotaques ou advertências jocosas a algum companheiro ou a fatos ou lendas da roda. Geralmente termina com uma chamada ou advertência ao coro, como "Camará!", "Vorta du mundu!", "Aruandê!", "Aruandi!", "Iêê!", "Êêê!", entre tantas outras.

4-A ladainha é o ritmo dolente, lento, como na reza de mesmo nome na igreja católica, o coro repetindo o refrão independentemente do trecho entoado pelo cantador. O conteúdo da ladainha corresponde a uma oração longa, mensagem, desdobrada e relatada em curtas estrofes entrecortadas pelo refrão.