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Reflexão: Capoeira Angola: Uma idéia, não um estilo!

Entendo que a capoeira angola, finalmente, seja uma idéia, não um estillo!

Agrega valores que a define como um caminho, um ideal, uma causa, uma ação ligada diretamente para causas sociais, o sindicato dos excluidos, o grito dos humildes, a voz da plebe e de todos que necessitam de discernimento, independente de estilos, que já é próprio, inerente, sendo que expressamos em movimentos o que somos.

Precisamos mudar o conceito atual, que a capoeira angola é o estilo dos velhos, dos lentos, da capoeira sem combatividade, do jogo embaixo, somente, é tudo isso e muito mais.

É a idéia dos velhos sim, não o estilo.

Estamos herdando toda essa idéia dos velhos, e estamos deixando essa idéia se perder por falta de discernimento, responsabilidade, compromisso, atitude.

Temos que treinar, estudar, treinar, ler, treinar, vivenciar, treinar e treinar, para mudar esse conceito ridículo que está levando todos para outras vertentes.

Temos que fazer da capoeira angola realmente uma filosofia, compromisso para que possamos moralizá-la. Chega a ser desleal, sendo a capoeira angola a que embate ao sistema, somos naturalmente excluídos das mídias, tornando nossas idéias ainda mais ocultas.

Penso que seje essa a identidade da capoeira da Ilha, capoeira angola, agregada a todos esses valores, onde jogamos em baixo, em cima, no meio, voando, onde os berimbaus arrepiam os pêlos, onde a ladainha cala fundo em que ouve, onde o Mestre ainda tem autoridade sem ser autoritário, sem excluir as pessoas por não estarem de cintos ou sapatos, com malandragem, revide, educação, combatividade, resistência discernimento cultural, compromisso e muito treino para que possamos estar nas ruas com a nossa idéia moralizada, para que possamos dar visibiliade e atrair pessoas para compartilharem dessa idéia chamada angola.

Sinto que alunos e até alguns mais velhos não sentem orgulho da vertente, acabam por desistirem e desistimulam futuros angoleiros. Rodas ecléticas, cada qual com seu estilo dentro de uma idéia chamada angola, onde cada qual leva o que tem e trás o que precisa para sua vida.

Sem esteriotipar os sentimentos, os movimentos,os pensamentos.

Essa idéia que chamo de angola é a força é o meio, e não devemos distorcer nem permitir que deturpem, criando outro conceito que nada irá contribuir para o esclarecimento de toda essa estrutura escravista que está aí nos oprimindo.

Temos que ter orgulho do que somos, sou angoleiro, sim sinhô!!!

 

QUILOMBOLA CAPOEIRA ANGOLA

Mestre Pinoquio – mpinoqcap@hotmail.com

Pesquisa: Mulheres podem praticar lutas?

 

Marco Antônio de Carvalho Ferretti, Bacharel em Esporte e Mestrando em Educação Física pela USP, na sua graduação desenvolveu a seguinte pesquisa: Mulheres podem praticar lutas? Um estudo sobre as representações sociais de lutadoras universitárias.

Sob a supervisão do Prof. e Dr. Jorge Dorfman Knijnik, Marco Antônio, ex-lutador de muay thai e boxe, em 2006 realizou esse trabalho com boxeadoras, caratecas e capoeiristas.
Numa tarde fria, véspera de um feriado prolongado, me encontrei com ele na USP, logo depois que nosso papo começou, fomos alcançados pelo som de um berimbau: por uma coincidência inesperada, estava começando uma aula de capoeira do outro lado da enorme quadra do Clube.

 

De onde surgiu a idéia de desenvolver essa pesquisa?

Eu estava em casa assistindo a uma luta de boxe feminino, quando minha namorada me perguntou o que eu assistia.
Ao ouvir minha resposta ela me questionou pelo fato que o boxe não é um esporte propriamente feminino.
Realmente foi constatado que tem um certo preconceito da sociedade em geral em relação as mulheres lutadoras, pois a luta, não faz parte do universo feminino mas parece mais afasta-las da própria maneira convencional de ser mulher.

Ainda hoje as lutas são relacionadas mais ao universo masculino que ao universo feminino, por quê?

Existe o conceito de GÊNERO “[…] que seria a construção cultural permanente daquilo que é considerado de homem ou de mulher.”; ou seja, o gênero são os “papéis” destinados pela sociedade para homens e mulheres (masculino / feminino); o conceito BIOLÓGICO: homem / mulher e o conceito de SEXUALIDADE: heterossexual / homossexual / bissexual… porém muitos vêem a construção de gênero como natural, já vem assim da natureza; misturando o biológico com o gênero, como também fazem ligação do gênero com a sexualidade, como se fosse a regra o(a) homossexual representar o gênero oposto do seu biológico, o que não ocorre dessa maneira.
Na nossa sociedade as lutas pertencem ao universo masculino, enquanto outras modalidades entram no universo feminino (vôlei, danças etc.). Pode-se até cair no erro de confundir o gênero com a sexualidade e assim criar o preconceito que as mulheres lutadoras com algumas características masculinas sejam homossexuais e devido a sociedade ser homófoba isso implica em rejeição contra as praticantes de luta.

 

 

Pesquisa: Mulheres podem praticar lutas?Pesquisa: Mulheres podem praticar lutas?
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Qual é a atuação da mulher moderna dentro das lutas? Quanta atenção é dada pela mídia?
 

A maioria das mulheres se aproxima a uma modalidade de luta atraída pelo bem estar que esta lhe proporciona, ou seja, o esporte está relacionado á saúde.
A atenção da mídia é nula ou mínima, as lutadoras sempre têm mais dificuldades em achar patrocinadores, o valor dos prêmios nas competições femininas são sempre menores que nas competições masculinas. E ainda existe o problema do apelo erótico da mulher no esporte e nas lutas, onde o enfoque pode ser a beleza da atleta ou a roupa justamente pensada pra chamar a atenção do publico heterossexual (ex. luta livre pornô).

Quais são as maiores dificuldades que as mulheres encontram em praticar lutas?

 

Dentro da própria família, uma primeira barreira pode ser a educação recebida desde criança, geralmente os meninos estão mais estimulados à competitividade do que as meninas.
Na puberdade as meninas procuram entrar em “grupos” que tenham padrões de comportamento e de estética feminina.
Quando elas ingressarem no mundo do trabalho pode diminuir o interesse pelo esporte e o tempo pra dedicar aos treinos.
No casamento: a mulher ainda é a maior responsável pelo cuidado da casa e dos filhos “[…] tudo o que afasta a mulher do mundo da casa é algo que merece uma batalha, pois as configurações de gênero ainda colocam como prioridade para a mulher os cuidados com a família e a casa”.
Foi notado que as mulheres atletas em qualquer esporte conseguem dedicar-se á carreira quando podem contar com família e maridos compreensivos, elas estão dispostas a assumir novos papéis na sociedade, porém sua função socialmente imposta de cuidar dos filhos e da casa dificulta dela explorar outros ambientes que não seja o privado.

A mulher atual parece ainda ter uma certa dificuldade a se considerar uma “lutadora profissional”, por quê?

Existe uma motivação histórico-social:
“[…] Em nosso país, entretanto, se algumas competições para as mulheres eram realizadas, como os Jogos de Primavera, poderosas ideologias eram mobilizadas para cercear ou mesmo impedir as mulheres de praticarem esportes. A área medica no Brasil ao final doas anos 1970, ainda estava presa a conceitos que negavam com veemência a participação feminina nos esportes. O famoso fisiologista Mário de Carvalho Pini (1978) alegava que a mulher poderia até participar dos esportes, mas não deveria faze-lo em diversas modalidades (como rúgbi, futebol, lutas entre outras), porque os treinamentos ocasionariam um grande desgaste físico, além das conseqüências traumáticas e/ou estéticas dos contatos violentos proporcionados por diversas destas modalidades.”
A luta pode ainda ser considerada como um esporte agressivo, que não combina
com a feminilidade da mulher: “ […] outros modos que as atletas possuem para que a sua atividade seja aceita por elas mesmas e pelos outros, sem questionamentos quanto a sua feminilidade, é a contrariedade e mesmo a negação da luta enquanto atividade profissional para a mulher. …..são mais mulheres que treinam lutas, treinadoras, como se denominaram, a própria capoeira, como uma luta mais dançada, entra no rol das atividades que não são tão masculinas, e assim liberadas para as mulheres”.

 

 

MÚSICA

Na prática da capoeira, por ser esta regida pelo ritmo da sua orquestra de modo similar ao candomblé, adquirem papel primordial as características dos vários toque executados, bem como o acompanhamento do coro e compasso de palmas pelo conjunto de jogadores e dos assistentes.

Os mais lentos, calmos, são os preferidos pelos angoleiros, mais apegados às tradições africanas e aos aspectos lúdicos da capoeira, considerada principalmente como um jogo de habilidades, coreografia e técnica, enquanto os regionais são mais afeitos aos toques mais rápidos que acentuam a belicosidade inerente ao conceito de luta, objetivo final desta última modalidade.

Os principais toque no estilo ‘Regional’ são: Hino, Cavalaria, Santa Maria, São Bento Grande, São Bento Pequeno, Banguela, Idalina, Santa Maria, Amazonas, Banguelinha, Iuna.

É indispensável acentuar que cada mestre impõe aos toques o seu cunho pessoal, sem contudo descaracteriza-los, devido às influências da personalidade de cada qual, ao tom de voz e da afinação do instrumento-rei (o berimbau).