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Vendo Artigos etiquetados em: conduta

Assédio Sexual, o que fazer?

Há quem defenda que se o assédio sexual acontece em todo lugar, não precisa ser discutido no meio da capoeira. Porém, como mulher, acredito que se o assédio sexual deve ser discutido em todo lugar em que possa estar presente.

Embora não exista uma estatística a respeito, é fato que o assédio sexual é um dos motivos que levam mulheres à troca de grupos e até abandonar a capoeira.

Muito mais do que uma cantada inconveniente, o assédio sexual envolve constrangimentos, chantagens e até ameaças.

Infelizmente, a Lei número 10224, de 15 de maio de 2001 se aplica ao assédio apenas no ambiente de trabalho, portanto em outros ambientes cabe à mulher fazer o possível (e o impossível) para sair deste tipo de situação. Algumas atitudes podem ajudar:

* Procure manter distância do autor do assédio, quando for inevitável se aproximar, peça a um amigo ou amiga que lhe acompanhe;

* Diga ao autor do assédio com clareza que sua conduta a incomoda. Tentar por panos quentes com medo de parecer agressiva só prolonga a situação;

* Se o assédio vem de um colega do grupo, comunique seu mestre ou professor, com certeza ele pode ajudá-la;

* Se o assédio vem do próprio mestre ou professor, lembre-se que existem muitos mestres sérios, de conduta respeitável, portanto não se sinta obrigada a se submeter a este tipo de tratamento.

* Caso sinta que sua segurança está ameaçada, não pense duas vezes, faça uma denúncia na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher pois, embora a Lei 10224 se refira ao assédio no trabalho, os casos mais graves podem se enquadrar em outras questões legais.

 

Fontes:

Ajuda Emocional – http://ajudaemocional.tripod.com/rep/id78.html

Delas – http://delas.ig.com.br/assedio+sexual/n1237491675245.html

Vila Mulher – http://vilamulher.terra.com.br/assedio-sexual-saiba-seus-direitos-5-1-37-29.html

Wikipédia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Ass%C3%A9dio_sexual

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

4º Campeonato Mundial Aberto Muzenza – Saquarema 2007

 
Prezado Companheiro

É com grande satisfação que convidamos Vª Sª para participar da Festa dos 35 anos de Fundação do Grupo na cidade de Saquarema – RJ , nos dias 27 de Janeiro a 04 de Fevereiro de 2007.
 

Haverá mais de 20 cursos – Campeonatos, Roda Feminina, Aulas de Surf, Palestras, Festas com Grupos de Funk, Pagode e Axé ,Homenagens para aqueles que fazem parte da familia Muzenza, e muita roda.
 
O evento vai reunir milhares de capoeiristas do Brasil e do Exterior. Acreditamos que a capoeira somente pode ser desenvolvida em sua plenitude, ou seja, a partir de uma constituição técnica-filosófica, firmada nos valores da ética, respeito, amizade, igualdade, perseverança, cortesia e humildade, quando mestres verdadeiros são os seus representantes junto à sociedade.
 
Para nós do Grupo Muzenza, Aluno, Professores e Mestres acreditamos que Vª Sª seja um verdadeiro representante da nossa arte, alguém que engrandece o esporte e o espírito capoeirístico pelo trabalho digno e pela conduta; daí a importância para os discípulos e seguidores da capoeira do Grupo Muzenza.

Antonio Carlos de Menezes ( Mestre Burguês )
Presidente do Grupo Muzenza

Site Oficial do Mundial:
http://www.mundialmuzenza2007.com.br

GRUPO MUZENZA DE CAPOEIRA
AV: ROBERTO SILVEIRA, 348 – APº 103 bloco B
NITERÓI – RIO DE JANEIRO CEP: 24230-161
FUNDADO EM 05 DE MAIO DE 1972
CGC: 76.753.839/0001-62
Filiado a Superliga Brasileira de Capoeira

1972 – 2007 / 35 ANOS
O SONHO NÃO VAI ACABAR

A ÉTICA ACADEMIA DE MESTRE BIMBA

O componente ético dos ensinamento do Mestre  Bimba na sua "academia" estava implícito na sua pedagogia, exemplificado pelo seu comportamento e posteriormente, na decada de 50, por mim explicitado à guisa de "regulamento", divulgado em quadro na parede oposta a entrada do salão.
Havia  naquela época uma multiplicidade de conduta consoante os universos freqüentados pelos praticantes da regional: a) conduta dentro da academia e interpares; b) relacionamento com os grupamentos de capoeira não vinculados à "regional"; e finalmente, c) comportamento em contexto social  sem conexão com a capoeira, especialmente com a regional.
Não podemos estudar a ética do Mestre Bimba e dos seus primeiros seguidores, por ser esta um conjunto de regras de conduta num determinado  momento histórico e pertinente a um universo específico.
Assim teremos que considerar:

  • a ruptura do mundo da capoeira provocada pela eclosão da luta regional baiana, gerada com a pretensão inicial de ampliar a eficiência do jogo da capoeira em voga na época e portanto, com a necessidade de afirmação desta maior eficiência presumida ante os praticantes do jogo primevo;
  • a introdução da capoeira – u’a manifestação cultural africana, legalmente proscrita e socialmente discriminada ou seja, duma manifestação dum segmento social dominado, procedente duma categoria escravizada – diretamente no seio daqueles que se outorgavam o título de senhores da terra e portanto, num ambiente social hostil (classe dominante de raízes européias);
  • uma relativa discriminação entre os participantes do grupos diferenciados pela presença do trabalho de Bimba, i.e., os mestres da velha ordem (jogo de capoeira) e os representantes da nova ordem proposta pelo Bimba;
  • a natural pergunta – Por que Bimba e não eu?- implícita nas palavras e no comportamento dos  dos mestres excluídos da preferência dos recém-chegados ao universo da capoeira, do acesso à fonte de prestígio social e da nova e promissora fonte de renda. Interrogação que necessariamente conduzia ao ciúme, à inveja e ao despeito, com todas suas conseqüências malignas;
  • a necessidade política de manobras entre os obstáculo legais para alcançar a liberdade de prática e entre as malhas do preconceitos para granjear a simpatia dos mentores da juventude, donde proviam os novos alunos;
  • os temperamentos e níveis culturais de Bimba e dos seus primeiros alunos, componente do amálgama da "regional", fruto da miscigenação de componentes culturais africanos   a indígenas brasileiros e eurobrasilianos, que sem dúvida influenciaram as diretrizes técnicas e comportamentais da nova face da "brincadeira de pretos".

RELAÇÃO ENTRE MESTRE E ALUNOS

A figura carismática de Bimba se apresentava entre nós como a projeção da autoridade patriarcal e magistral, impondo respeito irrestrito e a imitação do seu comportamento viril, sem titubeios, nem dúvidas. Sua palavra era a lei e a verdade. A nossa verdade e paradigma a ser acompanhada durante toda uma vida, gravada na alma e no coração ao fogo e ferro  duma veneração ilimitada, persistindo no meu caso há mais de 60 anos!

RELAÇÃO INTERPARES

A relação entre os componentes da nossa academia seguia o modelo ético e a etiqueta africana.
Cumpre acentuar que,  sem o conhecimento destes padrões comportamentais africanos não se pode compreender  o sentido de suas regras e suas conotações éticas. Impõem-se como fundamentais o estudo e conhecimento do cosmogonia, da cosmogenia, da filosofia e da lógica africanas, bem como do escravismo como fator econômico no ciclo de conquistas e dominação do mundo pela cultura européia.
A capoeira moderna vem afastando de suas raízes africanas pela europeização dos seus cantos, musicas, ritmos, rituais e técnicas.  Impõe-se assim o retornos à fonte original para coletar os fundamentos mais límpidos dos componentes culturais. Única maneira de  obter os conhecimentos indispensáveis à elaboração do código de ética,  contra-balançando  a contaminação pela violência decorrente do colonialismo europeizante e da pretensa superioridade cultura dominante.
O respeito ao "mais velho", fonte de aprendizado pelos "papos" e  demonstrações práticas, detentor de conhecimentos e habilidades desconhecidas pelo "mais novo", era imposto pela tradição e pelo reconhecimento tácito da superioridade.

O respeito pelo companheiro era imposto,
pelo desconhecimento da sua capacidade atual e pela regras…
"Confiar sempre no parceiro…
desconfiando do que ele possa fazer!"
"O parceiro é como o espelho, reflete a sua conduta…
não bata,  para  não apanhar!"
"Quem bate sempre esquece…
quem apanha sempre se lembra e espera…
um dia vai desforrar!"

RELAÇÃO COM CAPOEIRISTAS DOUTROS GRUPOS

A convicção profundamente enraizada da superioridade técnicas da regional sobre o jogo de capoeira tradicional , aliada ao ânimo belicoso dos alunos, a necessidade de auto-afirmação, a pretensa superioridade cultural da classe dominante ( donde provinham os "acadêmicos"), a humildade dos praticantes do jogo tradicional e o receio das conseqüências legais do enfrentamento individual do popular com o dominante, perturbavam sobremodo as relações amistosas entre o "clássico" ( a capoeira tradicional ou popular)  e o "moderno" (a "luta" regional do Mestre Bimba) acarretando o óbvio: um agastamento de ambas as partes.
Acentuavam a divergência e insuflavam o enfrentamento , a diferença de ritual e o andamento dos toques, desde que no estilo de Bimba era permitido e recomendado, o uso dos membros superiores no floreio e no ataque, enquanto o ijexá era acelerado em decorrência das características pessoais do nosso Mestre e dos seus seguidores, belicosos e apressados.
Ressalvando-se o comportamento daqueles  provenientes das classes populares, entre os quais eu me incluía, que se harmonizavam com seus colegas mais humildes, mantendo um relacionamento mais amistosos com os capoeiristas tradicionais.

RELAÇÃO COM OUTROS MESTRES

O endeusamento da figura de  Bimba pelos seus alunos fatalmente conduziu, sem nenhum propósito maldoso, à diminuição do valor dos antigos mestres ante à majestadeatribuída ao nosso Mestre, sendo reservado aos mesmos o papel secundário de figuras  representativas dum estádio primário na evolução de nossa arte, respeitáveis ancestrais de valor histórico, porém ultrapassados.
A maioria dos acadêmicos entretanto guardando o respeito e a consideração recomendada pela etiqueta da classe dominante no trato com as pessoais, independentemente dacategoriasocial. Alguns, entre os me incluía, conservando a admiração pelo beleza dos seus toques e cantos; alegria, disciplina, cavalheirismo e lhaneza das rodas,  e extraordinárias habilidades no jogo de dentro, no jogo baixo, elegância e gentileza dos seus movimentos, paradigmas coreográficos.

RELACIONAMENTO NO CONTEXTO SOCIAL

O preconceito classe dominante contra as manifestações culturais áfrico-brasileiras e a sua proscrição legal, conduziu os primeiros alunos do Mestre a um proselitismo somente  comparável àquele  dos discípulos de Jesus, sempre apregoando a superioridade dos ensinamentos e da conduta do Mestre!
Em casa, na escola, na rua, nas festas, nos cinemas, nos bares e restaurantes, na aglomerações de qualquer natureza os alunos exibiam sua qualificação, a nobreza de ser "ALUNO DO MESTRE"!
Cada palestra  uma oportunidade para cativar um seguidor potencial.
Cada instante um momento para exibir a excelência da prática da capoeira como defesa pessoal, preparo físico e coreografia.
Cada desencontro um chance para demonstrar a eficiência duma rasteira, tão característica da capoeira como a pele negra dos africanos e seus descendentes.

CÓDIGO DE ÉTICA DA ABPC

Anteprojeto de A. A. Decanio Filho
Pedimos análise crítica e sugestões

Introdução

  1. Definição:
    ética [Fem. substantivado do adj. ético.] S. f. Estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. (Dic.Aurélio)
  2. Conceito:
    conjunto de normas e preceitos, escritos ou consuetudinários, de conduta pessoal interpares ou entre grupamentos sociais, pedagógicos, esportivos e etários.
  3. Justificação:
    determinação da Assembléia Geral da ABPC de 19 de Novembro de 1997 em Natal/RN.
  4. Fundamentos:
    1. Normas de higiene pessoal
    2. Normas de conduta gerais
      1. Os 3 erres fundamentais: Capoeira é uma palavra estranha, que se escreve com um "rê" suave e se pratica com três "erres". O primeiro é o RITMO, o segundo o RITUAL e o terceiro é o RESPEITO, sem os quais não se joga nem ensina a capoeira!
    3. Normas de conduta social interpares
    4. Normas de conduta entre grupos
    5. Normas de relacionamento entre mestre e alunos
    6. Normas de condutas em competições
  5. Texto:
    1. Estrutura e Organização
      1. Generalidades
      2. Conceitos gerais
      3. Disposições gerais
      4. Disposições específicas
      5. Disposições especiais
      6. Disposições finais

REDAÇÃO INICIAL (Decanio)

GENERALIDADES

Justificação

Mediante proposta de Reginaldo da Silveira Costa "Squisito" decidiu a AG da ABPC, em sessão de 18/11/98, em Recife/PE, elaborar um Código de Ética para regulamentar o comportamento dos seus associados e encarregar AADF "Decanio" da redação do seu anteprojeto.

Conceitos e definições

Definição: ética [Fem. substantivado do adj. ético.] S. f. Estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. (Dic.Aurélio)
Conceito: conjunto de normas e preceitos, escritos ou consuetudinários, de conduta pessoal interpares ou entre grupamentos sociais, pedagógicos, esportivos e etários.

Fundamentos

O presente CE abrange preceitos de higiene pessoal, normas gerais de conduta social e esportiva, bem o ritual específico da capoeira, com objetivo precípuo de manter a prática da capoeira nos limites da cidadania, esportividade, educação e segurança.

Normas de higiene pessoal

São obrigatórios os cuidados fundamentais de higiene corporal, tais como banho geral de asseio e aparo de unhas, além daqueles específicos do vestuário.

Normas de conduta gerais

Durante a prática da capoeira deverá ser rigorosamente observada a obediência ao ritmo e ao ritual específico da escola, do evento ou da roda atual, bem como o respeito a todos os presentes de modo geral e em especial aos mestres, orquestra, árbitros. dirigentes e autoridades outras presentes ou participantes.

Ficam expressamente proibidos

  • Uso de adereços ou objetos pessoais de qualquer natureza capazes de gerar lesões corporais no usuário ou qualquer participante do evento.
  • Uso e venda de bebidas alcoólicas de qualquer natureza dentro do recinto.
  • Participação, em competições, treinos ou rodas, de atleta sob efeito de bebida alcoólica ou com estado de humor alterado por emoção violenta.
  • Conduta ofensiva à moral ou agressões de qualquer natureza

Normas de conduta social interpares

  • Respeito aos seus pares independente de graduação, hierarquia, profissão, nível cultural, raça, religião ou qualquer outro atributo pessoa; ou social, princípio fundamental da cidadania.
  • Comedimento nos comentários e alusões, termos ofensivos, desairosos ou depreciativos.
  • Moderação nos gestos e brincadeiras, evitando ridículo a quebra do decoro.

Normas de conduta entre grupos

  • Respeito às normas jurídicas e sociais que regem o relacionamento entre entidades correlatas.
  • Comedimento nos comentários e alusões, termos ofensivos, desairosos ou depreciativos.
  • Moderação nos gestos e brincadeiras, evitando o ridículo e a quebra do decoro.

Normas de relacionamento entre mestre e alunos

  • Respeito recíproco.
  • O mestre deve:
    • manter conduta sóbria ante os alunos,
    • evitando comentários, gestos e brincadeiras ofensivos ou depreciativos;
    • demonstrando e justificando as técnicas e condutas ministradas,
    • esclarecendo as dúvida surgidas entre os discípulos.
  • Os alunos devem:
    • guardar respeito aos docentes,
    • apreciar os ensinamentos com atenção,
    • executar cuidadosamente os exercícios prescritos
    • guardar disciplina, evitando comentários, gestos e brincadeiras ofensivos, depreciativos ou capazes de promoverem riscos ou danos.

Normas de condutas em competições

  • Árbitros
    • Manter serenidade, moderação de linguagem e isenção de animo
    • Observar atentamente todos os lances do jogo
    • Não comentar os lances dos jogos
    • Obedecer estritamente as regras e instruções em vigor
    • Não revidar a ofensas de quaisquer natureza, exercendo poder de registro na súmula para julgamento posteriorpelo poder competente
    • Não usar estimulantes alcóolicos ou de qualquer outra natureza
  • Mestres
    • Comportar-se com dignidade e compostura, obedecendo aos princípios de conduta esportiva
    • Manter serenidade, moderação de linguagem e isenção de animo
    • Observar atentamente todos os lances do jogo
    • Não comentar os lances dos jogos
    • Não usar estimulantes alcóolicos ou de qualquer outra natureza
  • Atletas (durante as competições e nos seus intervalos)
    • Manter serenidade, moderação de linguagem e isenção de animo
    • Observar atentamente todos os lances do jogo
    • Não comentar os lances dos jogos
    • Obedecer estritamente às regras e instruções em vigor
    • Não revidar a ofensas de quaisquer natureza, exercendo poder de comunicação à Comissão de Ética para providências legais.
    • Obedecer estritamente às regras e regulamentos de competições, respeitando as decisões dos árbitros, reservando-se o direito aos recursos e protestos legais.
    • Evitar qualquer conduta capaz de perturbar o bom andamento dos eventos.
    • Não usar estimulantes alcóolicos ou de qualquer outra natureza

A ÉTICA ACADEMIA DE MESTRE BIMBA

O componente ético dos ensinamento do Mestre  Bimba na sua “academia” estava implícito na sua pedagogia, exemplificado pelo seu comportamento e posteriormente, na decada de 50, por mim explicitado à guisa de “regulamento”, divulgado em quadro na parede oposta a entrada do salão.
Havia  naquela época uma multiplicidade de conduta consoante os universos freqüentados pelos praticantes da regional: a) conduta dentro da academia e interpares; b) relacionamento com os grupamentos de capoeira não vinculados à “regional”; e finalmente, c) comportamento em contexto social  sem conexão com a capoeira, especialmente com a regional.
Não podemos estudar a ética do Mestre Bimba e dos seus primeiros seguidores, por ser esta um conjunto de regras de conduta num determinado  momento histórico e pertinente a um universo específico.

 
Assim teremos que considerar:

  • a ruptura do mundo da capoeira provocada pela eclosão da luta regional baiana, gerada com a pretensão inicial de ampliar a eficiência do jogo da capoeira em voga na época e portanto, com a necessidade de afirmação desta maior eficiência presumida ante os praticantes do jogo primevo;
  • a introdução da capoeira – u’a manifestação cultural africana, legalmente proscrita e socialmente discriminada ou seja, duma manifestação dum segmento social dominado, procedente duma categoria escravizada – diretamente no seio daqueles que se outorgavam o título de senhores da terra e portanto, num ambiente social hostil (classe dominante de raízes européias);
  • uma relativa discriminação entre os participantes do grupos diferenciados pela presença do trabalho de Bimba, i.e., os mestres da velha ordem (jogo de capoeira) e os representantes da nova ordem proposta pelo Bimba;
  • a natural pergunta – Por que Bimba e não eu?- implícita nas palavras e no comportamento dos  dos mestres excluídos da preferência dos recém-chegados ao universo da capoeira, do acesso à fonte de prestígio social e da nova e promissora fonte de renda. Interrogação que necessariamente conduzia ao ciúme, à inveja e ao despeito, com todas suas conseqüências malignas;
  • a necessidade política de manobras entre os obstáculo legais para alcançar a liberdade de prática e entre as malhas do preconceitos para granjear a simpatia dos mentores da juventude, donde proviam os novos alunos;
  • os temperamentos e níveis culturais de Bimba e dos seus primeiros alunos, componente do amálgama da “regional”, fruto da miscigenação de componentes culturais africanos   a indígenas brasileiros e eurobrasilianos, que sem dúvida influenciaram as diretrizes técnicas e comportamentais da nova face da “brincadeira de pretos”.

RELAÇÃO ENTRE MESTRE E ALUNOS

A figura carismática de Bimba se apresentava entre nós como a projeção da autoridade patriarcal e magistral, impondo respeito irrestrito e a imitação do seu comportamento viril, sem titubeios, nem dúvidas. Sua palavra era a lei e a verdade. A nossa verdade e paradigma a ser acompanhada durante toda uma vida, gravada na alma e no coração ao fogo e ferro  duma veneração ilimitada, persistindo no meu caso há mais de 60 anos!

RELAÇÃO INTERPARES

A relação entre os componentes da nossa academia seguia o modelo ético e a etiqueta africana.
Cumpre acentuar que,  sem o conhecimento destes padrões comportamentais africanos não se pode compreender  o sentido de suas regras e suas conotações éticas. Impõem-se como fundamentais o estudo e conhecimento do cosmogonia, da cosmogenia, da filosofia e da lógica africanas, bem como do escravismo como fator econômico no ciclo de conquistas e dominação do mundo pela cultura européia.
A capoeira moderna vem afastando de suas raízes africanas pela europeização dos seus cantos, musicas, ritmos, rituais e técnicas.  Impõe-se assim o retornos à fonte original para coletar os fundamentos mais límpidos dos componentes culturais. Única maneira de  obter os conhecimentos indispensáveis à elaboração do código de ética,  contra-balançando  a contaminação pela violência decorrente do colonialismo europeizante e da pretensa superioridade cultura dominante.
O respeito ao “mais velho”, fonte de aprendizado pelos “papos” e  demonstrações práticas, detentor de conhecimentos e habilidades desconhecidas pelo “mais novo”, era imposto pela tradição e pelo reconhecimento tácito da superioridade.

O respeito pelo companheiro era imposto,
pelo desconhecimento da sua capacidade atual e pela regras…
“Confiar sempre no parceiro…
desconfiando do que ele possa fazer!”
“O parceiro é como o espelho, reflete a sua conduta…
não bata,  para  não apanhar!”
“Quem bate sempre esquece…
quem apanha sempre se lembra e espera…
um dia vai desforrar!”

RELAÇÃO COM CAPOEIRISTAS DOUTROS GRUPOS

A convicção profundamente enraizada da superioridade técnicas da regional sobre o jogo de capoeira tradicional , aliada ao ânimo belicoso dos alunos, a necessidade de auto-afirmação, a pretensa superioridade cultural da classe dominante ( donde provinham os “acadêmicos”), a humildade dos praticantes do jogo tradicional e o receio das conseqüências legais do enfrentamento individual do popular com o dominante, perturbavam sobremodo as relações amistosas entre o “clássico” ( a capoeira tradicional ou popular)  e o “moderno” (a “luta” regional do Mestre Bimba) acarretando o óbvio: um agastamento de ambas as partes.
Acentuavam a divergência e insuflavam o enfrentamento , a diferença de ritual e o andamento dos toques, desde que no estilo de Bimba era permitido e recomendado, o uso dos membros superiores no floreio e no ataque, enquanto o ijexá era acelerado em decorrência das características pessoais do nosso Mestre e dos seus seguidores, belicosos e apressados.
Ressalvando-se o comportamento daqueles  provenientes das classes populares, entre os quais eu me incluía, que se harmonizavam com seus colegas mais humildes, mantendo um relacionamento mais amistosos com os capoeiristas tradicionais.

RELAÇÃO COM OUTROS MESTRES

O endeusamento da figura de  Bimba pelos seus alunos fatalmente conduziu, sem nenhum propósito maldoso, à diminuição do valor dos antigos mestres ante à majestadeatribuída ao nosso Mestre, sendo reservado aos mesmos o papel secundário de figuras  representativas dum estádio primário na evolução de nossa arte, respeitáveis ancestrais de valor histórico, porém ultrapassados.
A maioria dos acadêmicos entretanto guardando o respeito e a consideração recomendada pela etiqueta da classe dominante no trato com as pessoais, independentemente dacategoriasocial. Alguns, entre os me incluía, conservando a admiração pelo beleza dos seus toques e cantos; alegria, disciplina, cavalheirismo e lhaneza das rodas,  e extraordinárias habilidades no jogo de dentro, no jogo baixo, elegância e gentileza dos seus movimentos, paradigmas coreográficos.

RELACIONAMENTO NO CONTEXTO SOCIAL

O preconceito classe dominante contra as manifestações culturais áfrico-brasileiras e a sua proscrição legal, conduziu os primeiros alunos do Mestre a um proselitismo somente  comparável àquele  dos discípulos de Jesus, sempre apregoando a superioridade dos ensinamentos e da conduta do Mestre!
Em casa, na escola, na rua, nas festas, nos cinemas, nos bares e restaurantes, na aglomerações de qualquer natureza os alunos exibiam sua qualificação, a nobreza de ser “ALUNO DO MESTRE”!
Cada palestra  uma oportunidade para cativar um seguidor potencial.
Cada instante um momento para exibir a excelência da prática da capoeira como defesa pessoal, preparo físico e coreografia.
Cada desencontro um chance para demonstrar a eficiência duma rasteira, tão característica da capoeira como a pele negra dos africanos e seus descendentes.