Blog

consegue

Vendo Artigos etiquetados em: consegue

Mestre de Capoeira Marajoara fala sobre cultura afro-brasileira no japão

Nesta primeira viagem ao Japão, Bira Marajó falou a estudantes universitários sobre os projetos mantidos pela Associação Cutimboia (Pará), e jogou capoeira com os japoneses

O jogo começa cadenciado com um canto que quase sempre fala da escravidão. Assim é o estilo de Angola, muito próximo de como os negros escravos jogavam a capoeira. Além de história, hoje ela carrega projetos sociais. “A gente não trabalha só a movimentação do corpo, que dá a estética na visão externa. OS elementos que existem na capoeira fazem a gente estudar um pouco da história, de onde a gente veio, onde estamos e para onde vamos”, explica o mestre Bira Marajó.

Através da capoeira de Angola, ele ajuda as comunidades quilombolas, formadas por descendentes de escravos, que no passado fugiram dos engenhos para formar pequenos vilarejos.

A oficina de capoeira é uma parte do trabalho. “Eu acredito muito na capoeira, no trabalho que a gente vem fazendo, na socialização, lição de vida, espírito, respeito e meio-ambiente também”, conta. As crianças aprendem a fabricar seus próprios instrumentos e recebem lições de preservação do meio ambiente e respeito aos mais velhos.

Nesta primeira viagem ao Japão, Bira Marajó falou a estudantes universitários sobre os projetos mantidos pela Associação Cutimboia, e jogou capoeira com os japoneses. “Quando a gente vê eles praticando, a gente não consegue ver uma diferença, a gente consegue ver uma integração só. Eu quando estou aqui, na prática da capoeira, é como se estivesse no Brasil”, finaliza. Ele também deve participar de uma oficina para crianças brasileiras neste domingo, dia 17. Começa 12h30 no prédio Lounge de Tsurumi, em Yokohama, Kanagawa.

http://www.ipcdigital.com

A mamãe faz capoeira

Ela cuida dos filhos, da casa, do marido, muitas vezes trabalha fora e ainda consegue tempo para treinar e estar presente nas rodas.

A mãe capoeirista é uma mulher surpreendente que, fazendo milagre com seu tempo, consegue cultivar a felicidade da família e conquista o carinho e a amizade de todo o grupo.

É claro que a disponibilidade não é tão grande mas, mesmo precisando se afastar algumas vezes, a mãe capoeirista nunca abandona a capoeira. É o que diz Vilma, capoeirista há nove anos e mãe de Pâmela, que agora está com cinco anos de idade: “Eu pratico e incentivo minha filha a praticar capoeira mesmo com os contratempos da vida, pois a capoeira é esporte, lazer e cultura”.

Em alguns casos, a mãe capoeirista já traz a capoeira como parte da sua vida e a apresenta aos filhos quando eles ainda estão em sua barriga. É o caso de Raylana, fisioterapeuta, capoeirista há 13 anos, e mãe da Maria Eduarda, de 1 ano e 11 meses. “Ela ainda é muito pequena, mas quando vê DVD de capoeira comigo já bate palma”, afirma sorrindo.

Em outros casos, a mãe capoeirista é que conhece a capoeira através dos filhos, acompanhando-os nos treinos.

Em ambas as situações é uma mãe sempre presente e, muitas vezes, até “adota” as outras crianças do grupo, com cuidados, carinhos e conselhos que só uma mãe sabe dar.

Merecedora de nossa admiração, carinho e respeito durante todos os dias do ano, a mãe capoeirista merece ser lembrada e homenageada por todos, não apenas por seus filhos, no dia das mães que se aproxima.

Parabéns a todas as mamães que fazem a diferença no meio capoeirístico!

 

Neila Vasconcelos – Venusiana

capoeiradevenus.blogspot.com

Pesquisa: Desistência da mulher da capoeira

ANA LUIZA SILVA CORRÊA
Professora de Educação física e instrutora de capoeira

Em sua monografia de conclusão do curso de graduação apresentou um trabalho sobre a mulher na capoeira, procurando entender os motivos do ingresso e do abandono, com o intuito de contribuir com mestres, responsáveis por grupos e associações, professores e alunas, incentivando a permanência e a evolução da mulher na capoeira, apontando os problemas e tentando solucioná-los da melhor maneira, visto que há pouca literatura sobre o tema em questão.

O que te motivou em fazer essa pesquisa?

Iniciei minhas atividades capoeirísticas em agosto de 1994; o intuito era apenas pela prática esportiva e ciclo de amizades, mas acabei me envolvendo com tudo que a Capoeira tem para oferecer (música, ginga de corpo, dança, malícia…) e em pouco tempo passei a ter sentimentos mais definidos com relação à essa arte-luta.
Havia muitas mulheres iniciantes e pouca presença de professoras. Com o passar do tempo comecei a acompanhar a evolução de muitas meninas, vendo-as se tornarem professoras e contramestra.

No segundo semestre do ano 2000, com seis anos de prática e uma visão mais ampla sobre a capoeira, tomei a decisão de cursar a Faculdade de Educação Física.

     Encontro Feminino
Clique para ampliar as imagens…


O que leva uma menina a se aproximar de uma disciplina como a capoeira?

Trabalhei com base em hipóteses (Ingresso e Evasão). Assim, através de um questionário com 12 perguntas, procurei entender o motivo da aproximação e do abandono da capoeira.

Ingresso

Por modismos;
Porque o namorado, vizinha ou colega da escola pratica a capoeira;
Para conhecer pessoas diferentes;
Porque viu alguma roda de capoeira ou foi a algum evento e achou bonito/interessante;
Porque precisa fazer algum exercício físico / emagrecer / estética;
Para arrumar namorado.

Evasão

Começou a trabalhar e o horário de trabalho choca com o horário de treinamento e/ou chega em casa cansada e não tem ânimo para treinar;
Não consegue conciliar trabalho, escola e treinamento;
Casou-se ou teve filhos;
Os pais ou o namorado proibiram;
Machucou-se ou descobriu algum problema de saúde;
Sentiu alguma dificuldade e por isso desmotivou-se;
Terminou um relacionamento amoroso dentro da academia em que treina a capoeira;

Quais os fatores que dificultam a mulher em desenvolver um trabalho com a capoeira? E quais os fatores que podem ajudar a sua permanência na capoeira até se tornar professora?

Conforme preceitua a cantiga, capoeira é pra “home, minino e mulhé”, e apesar do grande número de mulheres que iniciam a prática, o que podemos verificar concretamente é que ainda há uma predominância maciça de indivíduos do sexo masculino no campo da capoeira. Isso pode ser confirmado pelo irrisório número de mulheres que conquistaram o grau de mestre. Esta supremacia dos homens é, entre outras possibilidades, fruto da divisão social do trabalho no Brasil, que, ao longo de séculos tratou a mulher de forma discriminada.

Quanto aos fatores que levam as mulheres a abandonar a capoeira, meu trabalho teve como objetivo específico verificar qual seria a opinião das mulheres que estão envolvidas com a luta e já passaram ou têm visão das dificuldades que as mulheres enfrentam quando praticam algum esporte, e traçam dentro dele, metas a serem cumpridas, sejam como professoras e mestras ou como praticantes assíduas.

Através de um questionário feito com mulheres de vários grupos da Cidade de Goiânia, Aparecida de Goiânia e até Portugal, pôde-se analisar que a mulher realmente gosta e quer se tornar algo mais (Professora ou Mestra) na capoeira e sabe que faz toda a diferença dentro da roda, vencendo obstáculo e preconceito encontrado no universo da capoeira; apesar de todas as dificuldades enfrentadas, ainda consegue ministrar os afazeres do lar, filhos, esposo, trabalho e estudo.

A mulher consegue dedicar-se à prática da capoeira, principalmente quando tem o apoio da presença masculina dentro da capoeira, que inclusive a incentiva ao retorno à prática devido à maternidade ou à recuperação de lesões, pois todas as mulheres que responderam o questionário proposto e deixaram a prática por algum motivo têm vinculo familiar dentro da capoeira ou são casadas com professor ou mestre. Ou seja, realmente a presença masculina contribui para a permanência da mulher dentro da capoeira. São como duas faces, aquele que discrimina nas rodas (não são todos) é o mesmo que a incentiva e apóia.

Elas manifestam o desejo de não ser mais conceituadas como frágeis e que sua participação em rodas onde há presença de homens não contenha discriminações e preconceitos verificados até mesmo nas cantigas comumente entoadas nas rodas.
E que os concorridos “Encontros Femininos”, promovidos por diversos grupos em eventos de âmbito nacional e internacional, em que se intensificou a participação da mulher na capoeira, não sejam somente o único caminho que as mulheres têm para mostrar que são capazes de planejar e executar seu próprio evento e, sim, uma troca de experiência com mulheres de outras regiões.

Dentro do contexto histórico a capoeira e a mulher se assemelham, desde os primórdios dos tempos, na luta pela conquista do respeito, reconhecimento e igualdade social. Abre-se então um leque de oportunidades para outros estudos no ramo da capoeira relacionados à mulher, pois este é um pontapé inicial, e muito ainda se tem a descobrir.

(Inst. Analuiza)

Luísa Mahin séc XIX

Escrava liberta em 1812, pertencia à nação nagô-jejê, da Tribo de Mahi, religião Muçulmana, africanos conhecidos como Malês. Todas as revoltas e levantes escravos que abalaram a Bahia nas primeiras décadas do século XIX foram articulados por ela, em sua casa, que tornou-se quartel – general destes levantes. Luísa era quituteira e passava mensagens escritas em árabe para outros rebeldes, através de meninos que fingiam comprar produtos em seu tabuleiro de vendas e levarem os bilhetes aos outros articuladores. Foi uma das articuladoras da Revolta dos Malês em 1835. Ficou conhecida pela valentia e insubmissão. Foi articuladora também da Sabinada em 1837/38. Descoberta é perseguida e consegue fugir para o Rio de Janeiro onde foi encontrada, presa e degredada para a África, Angola. No entanto, nenhum documento foi encontrado lá em Angola, comprovando seu degredo. Acredita-se que ela tenha fugido e instalado-se no Maranhão, onde o tambor de crioula foi desenvolvido e parece que houve sua ajuda para tal. Deixa um filho aqui no Brasil, fruto da união com um português rico e fidalgo boa vida viciado em jogos de azar. Mais tarde este pai vende o próprio filho com 10 anos para pagar uma dívida de jogo. Recusado em uma fazenda em Campinas por ser baiano e os baianos tinham fama de rebeldes ele é arrematado por uma fazenda em Lorena, interior paulista. Este menino cresce e sete anos mais tarde é alfabetizado por um hóspede da fazenda que se chamava, Antônio Rodrigues do Prado Júnior. O hóspede o ensina a ler e escrever, com os documentos que provam sua alforria foge para um quilombo perto de Lorena e torna-se poeta abolicionista, jornalista importante para o Brasil. Em 1854 é expulso do exército por responder a uma ofença de um superior. Segue trabalhando como escriturário, organizando bibliotecas e criando escolas gratuitas para crianças e cursos noturnos de alfabetização dos adultos. Autodidata cursa Direito conseguindo através da maçonaria autorização para advogar, consegue libertar 500 escravos, defendendo no tribunal que : …_”Aquele que mata quem quer o escravizar age em legítima defesa.” Seu nome, Luiz Gama.