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Os “novos Capitães do mato” do Século XXI

Em pleno século XXI, ano de 2010, encontramos novas versões de “novos Capitães do mato”. Como se formam estes capitães? Ainda hoje, apesar de tanto avanço no movimento progressivas da capoeira, encontramos escolas de formação de oprimidos. Escolas que cercam seus participantes, querendo invisibilizar alguns trabalhos de relevância social e dar maior visibilidade para outros. Pratica da cultura dominante. – O que é meu vale mais, o que é do outro, não tem valor. Portanto, cuidado com os “Novos Capitães do mato”. O que liberta o capoeira é o conhecimento histórico-social de sua luta, não como determinação, mas como possibilidade de reconstruir e transformar a sua comunidade. A cabeça do capoeira aponta para o chão, e seus pés para o céu, esse movimento chamamos de inversão. As raízes ancestrais são fortalecidas na medida em que buscamos aprofundar nossos conhecimentos.

A superficialidade e o senso comum, não emancipam os homens em suas lutas, muito pelo contrário, acomodam e aprisionam na sua ignorância. Ignorância esta, que faz ressurgir os “novos capitães do mato”. Repetindo e reproduzindo a história de dominação, que se perpetua através dos tempos e nos espaços onde se movimentam os capoeiras. A história formal foi construída e constituída pela ótica da cultura dominante, pela lógica de quem é detentor do poder.  
Besouro antes de morrer,Bateu na porta e falou.Meu filho cuida bem,Do que teu mestre ensinou…

Os Capitães do mato, sempre, foram homens que conheciam os segredos da arte-luta capoeira. E resolveram utiliza-la em beneficio próprio, e não em prol do bem comum. É preciso conhecer a história da capoeira, que é um movimento de luta e resistência socialmente construído e, também, conhecer a história dos homens que movem este movimento, e que fazem este movimento se mover. Porque, como diz a musica;  “nem tudo que reluz é ouro, e nem tudo que balança cai”.

Certa vez, numa palestra em Florianópolis, não me recordo o ano, mestre João Pequeno de Pastinha, disse: “quanto mais eu ando, mais eu vejo, quanto mais eu vejo, mais eu aprendo”. E aprendo sempre que convivo com as diferenças, isso me oportuniza dialogar e refletir sobre minha práxis, e me questiono? Como pode alguém dizer, que é a favor das ações afirmativas e das cotas raciais?

Se quando chega no meio do “saber popular”, se apresenta com mestrando de uma universidade de Porto Alegre no RS, e trás um discurso panfletário, sem fontes e referenciais teóricos, sem uma organização de idéias fundamentadas numa ordem mínima. Defende políticas de ações afirmativas e cotas raciais.

E quando se apresenta a um publico para tratar de questões raciais, trás frases de efeito, que destacam a manifestação racista no Brasil para reflexão. Faz uma critica ao hino do Rio Grande do Sul; “Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo”, mas não trás sustentação teórica às criticas que faz. Pede reflexão, mas não dá base teórica para reflexão das pessoas presente.

E a meu ver, trata os presentes como subalternos, ao pensar que ao “saber popular” não precisa dar as devidas referencias para que, possam buscar as fontes primarias e questionar, criticar e repensar, os assuntos tratados no debate. Quem defende as cotas como forma de ressarcir os danos causados em outrora. Não pode negar fontes de produção e pesquisa para a emancipação dos oprimidos pelo sistema.

Negar acesso ao conhecimento produzido pela humanidade é, negar possibilidade de emancipação social para os que sempre tiveram negado poder de decidir pela argumentação teórica e sempre foram renegados ao segundo plano.

Por tanto, cuidado com os “novos capitães do mato” solto por este mundo.  Defendam suas ideias, questionem as falácias, fundamentem suas praticas e lutem por seus direitos de cidadãos do mundo.

Procurem conhecer a verdadeira história da capoeira, a história, que a história não escreveu, mas que os antigos mestres passam pela oralidade. E também, a verdadeira história dos capoeiristas que levantam bandeiras progressistas, conservadoras, neoliberais por este mundo à fora.   Um salve a todos irmãos.Feliz 2011 muita paz e saúde a todos.

 

Mestrando Paulo Grande / Movimento Capoeira Nação

Diretor da Confraria Gaúcha de Capoeira.

Um eterno aprendiz!

 

Referência:”Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”.

Paulo Freire, em Pedagogia do Oprimido, 1980.

MinC quer TVs como forma de distribuir produção regional

O Secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SID/MinC), Américo Córdula, manifesta desconforto com a concentração de controle midiático por poucos grupos. Segundo ele, a mídia no País está na mão de “cinco famílias” que não colaboram na divulgação da cultura local.

No 1° Encontro Internacional da Diversidade Cultural em Salvador, ele manifestou preocupação com a política de concessões das TVs, dizendo que é um “problema para o qual o governo ainda não encontrou caminhos”. Apesar de ser a favor das cotas de exibição de filmes nacionais, afirma que o Ministério da Cultura, quando tentou adotar políticas semelhantes, encontrou pelo caminho a força dos lobbys dos grupos midiáticos.

Confira a entrevista de Córdula ao Terra:

“A principal reivindicação dos movimentos pela diversidade cultural é uma ruptura com a ideia de mercantilização da cultura, inclusive com a defesa da exibição de produções nacionais com cotas de telas. Como o senhor vê isso?
A questão das cotas de tela é importante para regulação. Se deixamos em aberto, ninguém se preocupa em mostrar a nossa produção. A cota é uma forma de regulação, de mostrar nossa produção. Quando a França começou esta discussão nos anos 1970 era justamente para evitar o que existe hoje, 95% das salas de cinema exibem a indústria norte-americana.

Isso não segue a lógica de mercado, a procura do público não seria esta?
Se você não tiver espaço para exibir a cultura nacional você vai consumir o que as “majors” (grandes corporações) querem para o mundo. O desastre é que esta produção não traz apenas entretenimento, mas também a cultura, a roupa, o relógio, os bens de consumo, e você acaba perdendo a identidade local. O que nós temos que fazer é equilibrar isso, por isso as cotas. Elas passam a ser importantes porque o mercado não tem o menor interesse ou preocupação em veicular o conteúdo nacional. A grande discussão é esta, quando vamos regular o conteúdo, a regionalização da produção, a questão das rádios e TVs comunitárias, as concessões do uso da TV, que é outro problema que o governo federal ainda não conseguiu apontar caminhos.

Qual seriam estes caminhos, na sua opinião?
Não adianta fazer um esforço na produção da cultura se o principal meio de divulgação da cultura são os meios de comunicação. Temos que trabalhar junto, estamos trabalhando na proteção das diversidades culturais mas a gente não tem o canal de divulgação da cultura. Não se trata de reserva, mas de abrir espaços para poder distribuir nossos conteúdos.

As pessoas querem consumir mais cultura brasileira, querem ver filmes nacionais, por exemplo?
Querem consumir, claro. Se você der espaço e mostrar e formar, as pessoas vão. Mas se não tem possibilidade de acesso. Por exemplo, temos dentro do Minc uma política para games brasileiros, porque você vê hoje todo jovem com seu joguinho, mas não tem jogos nacionais, então estamos fomentando. Não tem a escala que deveria ter, mas a partir do momento em que trouxermos os temas da cultura brasileira para os games, como a capoeira, que são tão excitantes quanto os blockbusters dos jogos…

E agora uma grande produção nacional sobre capoeira.
Exato, estamos lançando o Besouro, com a mesma tecnologia de Matrix e quetais. Quer dizer, temos condição de fazer, não precisamos consumir só de fora. Estamos de igual para igual. Com a democratização dos recursos podemos produzir em qualquer lugar do mundo. A Índia está aí de prova. Por que eles podem ter uma Bollywood e nós não?

Não é uma contradição o Brasil estabelecer cotas para games e produções enquanto luta por abertura para vender os seus produtos em outros mercados?
Não propomos ainda cotas, não há nenhuma ação. Estamos discutindo a democratização de conteúdos. Tentamos fazer isso no começo da gestão do Gilberto Gil, mas as cinco famílias que controlam a mídia conseguiram derrubar isso com seus lobbys. Não existe nada relacionado a cotas ainda. Eu acho importante para regulação, mas não há ainda nenhuma política de cotas em relação ao audiovisual.

O senhor falou que as concessões precisam ser revistas, mas como?
Precisamos dos meios de comunicação para chegar ao público e chegar ao público. Seria importante ter uma política de estímulo à produção local. Se você mora no Rio ou em São Paulo não vê uma produção do Amapá, do Pará. A gente precisa, de fato, saber em que medida podemos explorar isso. A discussão é esta, de que TV queremos ver. Dar a oportunidade de ver que estamos fazendo bons produtos que podem ser assimilados. Precisamos criar repertório, acabamos vendo mais do mesmo. Temos que ter esta preocupação. Ter uma indústria de animação. Temos muito filmes sem salas para que eles passem. Temos que criar uma forma de nos livrar de uns poucos grupos que controlam a produção e distribuição de cultura.

Se for o governo controlando, tudo bem?
Não, acho que se você colocar a mídia na mão de cinco, tá errado também. Você deixa de fora uma produção enorme. Mas também não podemos ficar à mercê dos grupos porque isso não funciona. Você está colocando produtos que trazem sempre um retorno financeiro para estes grupos e deixa de fora conteúdos.

Como fica a lógica de mercado?
A diversidade hoje é a palavra de ordem do momento. O refrigerante mais vendido do mundo ganha milhões se vendendo como a bebida da diversidade cultural. Ele se apropria de um conceito. Não é isso, diversidade cultural é consumir suas bebidas locais.

(O repórter viajou a convite da produção do 1° Encontro Internacional da Diversidade Cultural).

 

Fonte: http://diversao.terra.com.br/

Reflexão: Sobre o Estatuto da Igualdade Racial…

SOBRE O ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL,
Mestre João Coquinho,  Andre Pessego
Capoeira Berimbau Brasil – SP.SP
 
A pá de cal – “… julgo de indispensável necessidade indicar-vos que é conveniente facilitar a entrada de BRAÇOS ÚTEIS”,  trecho do texto da fala do trono de 3-5-1830.
            Aquela visão exprime a Doutrina de Estado do Estado Brasileiro, (ainda hoje).  E, sob ela se deram as tratativas para o fim da escravidão africana entre nós.  
            O embate abolicionista se dera de todo em desvantagem para o negro, vejamos: o negro chegara ao Sec. XIX contando apenas com a “graça” da biologia; então tudo se resumiu em discutir o modelo europeu, de indenização ao senhor; desprezando o norte americano de melhor estágio econômico social  do escravo;  –  é só comparar!.     
            Do trabalho, os EUA utilizou o trabalho escravo,  de baixo custo, como atrativo na política de imigração; feita a imigração/colonização sem custos monetário, ao Estado.
           no Brasil, foi proibido ao estrangeiro a utilização do escravo;  foi criada a lei  885, de 4-10-1856, para bancar a imigração/colonização, que avança pela república.  
          No Séc. XIX o conhecimento do negro estava restrito ao manejo da terra. Do manejo das oficinas do ferro a grande maioria perdera, ante as proibições.  Portanto, o seu único meio de sobrevivência tinha de ser a terra: como proprietários de pequenas glebas; ou via serviços prestados. As glebas não lhos foram dadas; da prestação de serviço ao estrangeiro foi proibido;  do nacional foi sendo  retirado e jogado nos monturos urbanos.

            De concreto somente duas proposições:  a de José Bonifácio, e a de  Montezuma.  Ambos encaminhando  a solução para a Terra, em forma de indenização.

            DO MOMENTO DA INDENIZAÇÃO
            A história do Brasil se confunde com indenização. Indenização aos que não fizeram, aos mal sucedidos, aos sem feito, iniciando com o fracasso de alguns dos titulares de Cias Hereditárias. Quanto a indenização do negro, há como que um pacto do diabo que proíbe a todos – brancos e negros – de ao menos ventilarem do assunto.
            O Sen. Paulo Paim, apresentou o projeto que lhe foi possível, acreditamos mesmo com o fito de que viesse a abrir o leque. Um programa de quota deverá ser um dos caminhos para a travessia – no antes, durante e algum tempo após a indenização.
            Indenização requer mais que um acordo, um abraço nacional, a que se junte as duas  bandas da Nação. Uma   consciência em torno de um entendimento e um postulado:
a)      para o Brasil ganhar alguém terá de "perder" algo; este alguém não poderá ser o negro;
b)      será necessário, um acordo que rompa, na brevidade de um dado instante, dentre as chamadas  cláusulas pétreas a  "cláusula do direito adquirido”, com relação à terra.
 E, sem a Terra tudo o mais é tolice,  e é preciso que não haja mais    e n g a n a ç ã o.
Não haverá igualdade, integração do negro sem a posse da terra. Toda imigração européia se deu no compromisso terra; a imigração japonesa, nos dois momentos principais – começo do Sec. XX e no pós guerra se deram e só se deram em cima da posse da terra. Um e outro contingente só se integrou por terem tido as suas sesmarias.
DA HISTÓRIA DAS QUOTAS:  da educação

            O que foram  as cotas educacionais nos EUA? Ora,  abolição se consolida após uma guerra entre o Norte, abolicionista e o Sul escravocrata. Aquela guerra veio  deixar claro a separação de convivência entre brancos e negros. Que fez o Governo? separou – escolas para brancos e para negros, ao invés de ficar com filosofice, – cada um com sua cota. Assim,  já em 1866,  um ano após o fim da Guerra., torna obrigatória a criação de escola para a “gente de cor”, (colored schools). Em 1867, somente na Geórgia, elas eram 143 unidades. Na Pensilvânia, muitas eram móveis, sobre rodas.

            O Estado Brasileiro, hoje não dispõe destas condições, há de haver um arranjo. As cotas, se não for o ideal é o possível. Mas, o SENAI do início da industrialização não houve cotas, nem discriminação. Foi o único momento em que houve ganho para o negro.   

            É bom que se diga já existem estruturas e programas variados com dotações orçamentárias, que são cotas, somente não contemplam ao negro, por falta de um “quê de vontade”. Falta disciplinar. E sempre existiram –  O que são, sempre foram os programas de incentivo regionais, setoriais, etc? – Quotas para  indo-europeus.

DE OUTRAS  QUOTAS EXISTENTES.
            A quota emprego, para esta o tesouro não precisará empregar um só tostão, basta  constar de lei tornando obrigatória a divisão dos cargos de Direção nas empresas e organismos públicos, como Banco do Brasil; universidades; nas Forças Armadas, notadamente a quota dos oficiais generais,  etc .etc,  em todos os níveis. Adotadas nelas as empresas privadas as adotarão de imediato, sem custo, sem incentivo, naturalmente.
   DAS LEIS DE INCENTIVO À CULTURA.
            As leis de incentivo às manifestações culturais, como estão são meramente fonte de enriquecimento ilícito. Se cotizada será de enorme utilidade na restauração das origens culturais, históricas, do negro. A guisa de exemplo.
Será necessário  esquartejar os recursos na sua concessão, de qualquer fonte,

(empresa): 50% para as manifestações urbanas, sendo 25%  via empresas organizações; 25% via amadores, os próprios artistas, etc; 50% para as manifestações de cunho rural, interioranas, do mesmo modo, 25% via entidades, empresas; 25% de modo amadores, avulsos; organizações informais. O Mesmo aplicar-se-ia aos patrocínios de esportes.

   DA QUOTA ÁGUA ( água de beber camará). (O mesmo vale para a “Luz”).
            A miséria institucionalizada, gera a indiferença, o alimentar da miséria…
            Neste instante,  MAIS DA METADE da população negra brasileira, nas grandes cidades, para beber tem de furtar a água. E todos sabemos disto. E todos fechamos os olhos. “Nos acostumamos” – os que furtam,  os que sabem, os que vêem; os que dizem não saber.
            Que seja instituída uma cesta água de 15 m3, mês, por família não alcançada no Imposto de Renda e aposentados, já. Dando amparo legal à quota que já existe de fato.
            DAS FORÇAS ARMADAS,
            A abolição  da escravidão nos EUA se concretiza, em último momento, pela intervenção das suas Forças Armadas, custando-lhes uma guerra intestina de 5 anos,  custando-lhes, de perdas em vidas e patrimônio, ainda o assassinato do Presidente Lincoln, em 14-4-1685, um dia antes do fim da guerra norte-sul, 15-4-1685.
            Das Forças Armadas Brasileiras basta que se diga – a segunda maior devedora do negro brasileiro, atrás do cristianismo: a maior desgraça do negro – em todas as épocas, em todos os lugares.
            Não tenhamos ilusão, é preciso o engajamento, a participação ativa das Forças Armadas para que se possa concretizar a indenização, (integração),  do negro brasileiro.