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Mestre Decânio: O Doutor da Capoeira

Um dos grandes nomes da capoeira, que ficará eternamente registrado na história dessa arte-luta brasileira, sem dúvida nenhuma, é Ângelo Augusto Decânio Filho, ou “Doutor Decânio” como ficou conhecido no meio da capoeiragem.

Um dos principais e mais antigos discípulos do mestre Bimba, Decânio teve papel importante na constituição da Capoeira Regional, sendo um dos pilares juntamente com Sisnando – outro importante discípulo, nos quais Bimba se apoiou para a criação desse estilo de capoeira, bem como na definição das estratégias de obtenção de reconhecimento da capoeira junto à sociedade baiana, num período em que essa manifestação ainda era muito discriminada e vítima de preconceitos e ações violentas por parte do poder vigente.

Formado em medicina, foi ainda nos tempos de faculdade, em 1938, que Decânio conheceu mestre Bimba e logo se juntou a ele, exercendo papel fundamental na organização de sua academia, sendo responsável – ao lado de outros acadêmicos que também participaram dessa fase inicial de criação da Capoeira Regional – por ajudar Bimba a dar uma nova roupagem à capoeira que até então era praticada somente nas ruas, a partir da criação de um método de ensino baseado em sequências de golpes de ataque e defesa, bem como a estruturação do funcionamento da academia, que passava pela utilização de fardamentos, horário de treinos, organização de eventos, batizados, rodas de exibição, cursos de especialização entre outras atividades.

Decânio acompanhou Bimba durante muitos anos, mas sempre exercendo paralelamente as atividades como médico, o que muitas vezes não era tarefa fácil, mas ambas sempre exercidas com muito amor e dedicação. Mestre Decânio foi responsável por publicações importantes como os manuscritos do Mestre Pastinha entre outras obras de sua autoria, editadas pela Coleção São Salomão, por ele próprio criada.

Mestre Decânio formulou ainda uma teoria que é muito citada em trabalhos acadêmicos sobre capoeira – a teoria do “Transe Capoeirano” que segundo ele, trata-se de um estado físico-psíquico que o capoeirista atinge durante o jogo, em virtude de estímulos que vêm da musicalidade, do ritmo dos atabaques e agogôs, e da atmosfera propiciada pelo ritual da roda de capoeira, tudo isso explicado a partir de princípios científicos.

Era o mais antigo discípulo vivo de Bimba e, durante muitos anos, a maior referência da Capoeira Regional. Sujeito amável a sempre disponível, seja para uma conversa despretensiosa na varanda de sua casa de frente para o mar de Paripe, seja para colaborar com algum estudo ou pesquisa sobre capoeira, através de seus ricos depoimentos ou do vasto material de arquivo que o mestre foi juntando ao longo de tantos anos de vivência nesse universo.

O mestre Decânio nos deixou no último dia 01 de fevereiro de 2012, véspera da Festa de Yemanjá , prestes a completar 89 anos de idade. Deve estar agora ao lado de João Pequeno, seu vizinho e amigo inseparável, assim como de seu companheiro Sisnando, e finalmente reencontrando seu mestre Bimba, com quem deve estar agora proseando…. e olhando por todos nós aqui na terra !

 

Dica do Editor:


Não deixe de visitar o site Capoeira da Bahia, criado pelo ímpar Mestre Decânio, uma obra prima da capoeiragem…

Capoeira é reconhecida como desporto de criação Nacional

Com a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, na noite de ontem, que Estabelece o combate a discriminação racial e as desigualdades estruturais e de gênero que atingem os afro-brasileiros, incluindo a dimensão racial nas políticas públicas e outras ações desenvolvidas pelo estado. 

DA CULTURA
ART. 21 O poder público garantirá o registro e proteção da capoeira, em todas as suas modalidades, como bem de natureza imaterial e de formação da identidade cultural brasileira. 
Parágrafo único. O poder público buscará garantir, por meio dos atos normativos necessários, a preservação dos elementos formadores tradicionais da capoeira nas suas relações internacionais. 

Do Esporte e Lazer
ART. 23 O poder público fomentará o pleno acesso da população negra ä prática desportiva, consolidando o esporte e o lazer como direitos sociais. 

ART. 24 “A capoeira é reconhecida como desporto de criação nacional nos termos do art. 217 da CF.” 
Parágrafo 1 A atividade de capoeira será reconhecida em todas as modalidades em que a capoeira se manifesta, seja como esporte, luta, dança ou música, sendo livre o exercício em todo o território nacional. 
Parágrafo 2 Ë facultado o ensino da capoeira nas instituições públicas e privadas pelos mestres tradicionais, pública e formalmente reconhecidos.

Portugal: Organização e União em busca de uma Identidade

Mestres, Contramestres, Professores e responsáveis de Grupos, Associações e escolas de capoeira de Portugal,

Segundo Lei que regulamenta a prática de atividades físicas em Portugal (onde se inclui a capoeira), Dec. Lei 272 de Outubro de 2009, lei esta que obriga todo profissional que queira dar aulas ter um curso superior em Educação Física ou um registro federativo em órgão competente e reconhecido pelo Estado Português sob pena de não pode exercer, profissionalmente, a atividade.

Em função dessa nova realidade surge a necessidade da existência de uma Federação de Capoeira em Portugal, legitimada pelos mestres, contramestres e professores que aqui residem e trabalham, independentemente do grupo, estilo, graduação e indumentária, afim de que possamos, em parceria e transparência, garantir, perante as leis de Portugal, o pleno exercício de uma atividade que transcende, a todos nós capoeiristas, as barreiras limitantes do simples desporto.

Com cariz de urgência foram realizadas anteriormente três reuniões com o intuito de debater a lei vigente e a possível criação de uma Federação de capoeira.

Nesta reuniões estiveram presentes:

  • Mestre Nininho – G. Agbara
  • Mestre Sargento – G.Muzenza
  • Mestre Tucas – GUC
  • Mestre Umoi – GUC
  • Contramestre Marco Antonio – A.Astral
  • Contramestre Nago – GUC
  • Contramestre Neguinho – G.Gingarte
  • Contramestre Nil – G.Muzenza
  • Contramestre E.T Arte Pura
  • Prof. Birita – G.G.Brasil
  • Prof. Papilon – GUC
  • Formado Carcará – E.B.
  • Formado Cogumelo – A.Astral
  • Instrutor Goiaba – G.C.Brasil

Foram, ainda, informados e são conhecedores da situação os seguintes responsáveis:

  • Mestre Alexandre Batata – G.G.Contemporânea
  • Mestre Barão – G.L.Saudade
  • Mestre Caramuru – G.P.Barra
  • Mestre Chapão – A.Capoeirarte
  • Instrutor Cangaceiro – G.G.Brasil
  • Prof. Luciano Milani – Capoeira Mogadouro

Está marcada uma próxima reunião para o dia 06 de dezembro às 15:00hs, na Escola Preparatória de Alfornelos para que possamos definir estratégia da criação e modelo de funcionamento dessa possível Federação de capoeira de Portugal com a seguinte ordem de trabalho:

a) Preenchimento de formulário para se dar inicio, formal, à criação da Federação;

b) Escolha do nome;

c) Elaboração do Estatuto (pedimos que quem tenha conhecimentos de causa, leve, se possível, algum modelo de estatuto para servir de base);

d) Possível escolha de um pequeno grupo de trabalho para elaboração, com data a ser marcada, de departamentos e modelos de funcionamento da Federação como por ex.: departamento desportivo, técnico, jurídico, patrimonial, de pesquisa, cultural, outros.

De acordo com três reuniões anteriores, que deram origem a essa próxima e mais importante, ficou-se, antecipadamente, definido que:

1. A Federação não será um órgão fiscalizador de grupos de capoeira em Portugal;

2. Não existirá ingerência nos grupos de capoeira, reservando aos seus representantes a definição e manutenção de seus uniformes, graduações e filosofia.

3. Cada grupo de capoeira facultará à direção da federação informações sobre o sistema de graduação, estatutos existentes (monitores, instr. Prof. Etc.), requisitos para obtenção de cada estatuto existente no grupo e também fará chegar à direção da federação o currículo de todo aluno que aspira a um registro técnico, expedido pela federação.


Com os melhores cumprimentos,

Grupo (provisório) de trabalho

Umoi Souza – coord.

Fórum Nacional de Performance acontece em Salvador

As reflexões e propostas para a valorização da dança e teatro negro tem cenário e palco próprios: o 3º Fórum Nacional de Performance Negra que acontecerá em Salvador/BA desta segunda-feira (6) até quinta-feira (9), no Teatro Vila Velha. O evento deverá reunir cerca de 200 pessoas entre representantes de Grupos e Companhias negras, pesquisadores e artistas de todas as regiões do Brasil em torno de objetivos alicerçados em uma prática artísticocultural que, nos seus modos de criação e de reflexão, reafirmem a dimensão dinâmica das matrizes afrobrasileiras.

Nesta terceira edição o evento homenageará as atrizes Léa Garcia e Ruth de Souza, o ator Zózimo Bubul e o poeta Solano Trindade (post-mortem). O 3º Fórum Nacional de Performance Negra é uma realização conjunta da Cia. dos Comuns (RJ) e do Bando de Teatro Olodum (BA).

A abertura do evento deverá contar com as presenças dos ministros da Cultura, Juca Ferreira e do Secretário da Promoção da Igualdade (SEPPIR) Edson Santos; dos presidentes da Fundação Palmares, Zulu Araújo, e da Funarte, Sérgio Mamberte, além dos secretários da Identidade e da Diversidade, Américo Córdula, da Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles e da secretária da Igualdade da Bahia, Luiza Bairros.

O evento já se firmou como um referencial do teatro e danças negras do Brasil, com intenção de promover a criação de políticas públicas específicas para esse segmento e, neste ano, foram programadas palestras com Sueli Carneiro (Brasil), Julio Moracen (Cuba), Paulo Lis (Brasil), e Cleyde Morgan (EUA); oficinas de teatro como o dramaturgo e ator Ângelo Flávio; com o diretor teatral e jornalista Luiz Marfuz; de música, com o cantor e compositor Jarbas Bittencourt; e com o músico, ator e diretor artístico Gil Amâncio.

As oficinas de dança ficarão com o bailarino e coreógrafo Zebrinha, com o professor e bailarino Clyde Margon; sobre figurino com Biza Viana; iluminação, com Jorginho de Carvalho (precussor da iluminação teatral no país); sonorização, Filipe Pires; e programação visual, com o artista plástico Gá. Também foram programas atividades em Grupos de Trabalho que contribuirão para o intercâmbio dos/as representantes regionais.

Ainda estão previstas no Fórum apresentações e performances de teatro e dança e manifestações populares de matriz africana. Entre as apresentações estão: Shire Oba, com direção de Fernanda Júlia, encenada pelo Grupo de Teatro Nata, que por meio de um discurso poético, festeja a magia e os encantos da tradição afrobaiana, presente no culto aos Orixás; a peça Silêncio, dirigida por Hilton Cobra e encenada pela Cia dos Comuns que questiona a plateia sobre o que passa pela mente de uma pessoa que durante toda sua existência sente que a qualquer momento poderá ser vítima do racismo. Silêncio é o quarto espetáculo do repertório da Cia dos Comuns, responsável pela encenação de Candaces – A reconstrução do fogo (2003) que recebeu o Prêmio Shell de Teatro – categoria música, sendo este espetáculo considerado um dos 10 melhores do ano pela crítica teatral.

Receita é o terceiro espetáculo a ser apresentado durante o III Fórum Nacional de Performance Negra. Receita é um solo com o bailarino Rui Moreira da Cia Será Quê? – com coreografia de Henrique Rodovalho e é um encontro com a subjetividade do olhar e do movimento.

Fonte:

Jornal Feira Hoje.com.br, Cultura, 06/07/2009 (11h41)

 

Comunicação SID/MinC

Telefone: (61) 3316-2129

E-mail: identidadecultural@cultura.gov.br

Site: http://www.cultura.gov.br/site/categoria/politicas/identidade-e-diversidade/

Blog: http://blogs.cultura.gov.br/diversidade_cultural/

Associação Brasileira de Capoeira Angola articula pensão para antigos mestres de capoeira

Diretores da ABCA – Associação Brasileira de Capoeira Angola – serão recebidos nesta terça feira, dia 31, na Assembléia Legislativa da Bahia, pelo deputado estadual Yulo Oiticica, do PT, com uma longa trajetória de defesa da dignidade das classes populares. Será o início da luta pela pensão vitalícia dos antigos mestres de capoeira 

Guardiões da tradição desta cultura ancestral, muitos mestres são reverenciados mas têm dificuldades concretas de sobrevivência, depois de toda uma vida dedicada à cultura popular afro-brasileira. O Plano de Salvaguarda da Capoeira, elaborado pelo governo federal por ocasião do registro da capoeira como patrimônio imaterial brasileiro, prevê o reconhecimento do notório saber dos antigos mestres e a concessão de um plano de previdência especial para os mesmos. Entretanto, nada foi feito até então em âmbito federal. Pernambuco é o estado pioneiro com a criação da Lei do Registro do Patrimônio Vivo (Lei nº 12.196/02), seguido por Alagoas e Ceará.

Dentre os diretores da entidade, estarão presentes os mestres Virgilio, Nô, Boca Rica e Caboré, além dos capoeiristas e jornalistas Lucia Correia Lima e Paulo Magalhães. O principal objetivo da reunião é entregar ao deputado documentos com subsídios para a criação da Lei de Registro do Patrimônio Vivo na Bahia.

 

Casa de Tradição

A ABCA foi criada em 1987 por mestres como João Pequeno, Paulo dos Anjos, Nô, Ferrerinha, Renê e Curió, dentre outros, com o objetivo de contribuir para a preservação dos fundamentos da capoeira tradicional baiana. Hoje a entidade está vivenciando um profundo processo de renovação e preparando novos projetos. A capoeira angola está sendo praticada hoje em todos os continentes, criando um mercado de trabalho de difícil mensuração e levando ao mundo uma visão positiva do Brasil; vem ainda expandindo a língua portuguesa e trazendo ao país visitantes de todo o mundo, para o desenvolvimento do turismo cultural e étnico.

A ABCA estará focando seus esforços nesta busca de justiça e reconhecimento de todos os mestres da sabedoria popular, no berço da cultura que é a Bahia. “Angola: capoeira mãe”, repetem os mestres da associação, que se prepara para iniciar também em sua sede, na Rua Gregório de Matos, curso de inglês para capoeiristas e moradores do Pelourinho; a criação de uma escola superior de capoeira angola; sua transformação em um ponto de encontro nacional e internacional de capoeiristas, com reforma da loja, criação de biblioteca e videoteca, além de um arquivo de fotos e histórias dos mestres que compõem este patrimônio.

Lucia Correia Lima – DRT 1046

Paulo Magalhães – DRT 11.374

 

Associação de Capoeira Lenço de Seda: Cultura e Cidadania em MG e no Mundo

Alguns dias atrás, tive a chance de conhecer o Mestre Reginaldo Véio, da Associação de Capoeira Lenço de Seda. Me impressionaram profundamente as palavras que ouvi – sobre o engajamento no ensino da cultura afro-brasileira para crianças; sobre a aproximação entre “universidade capoeira” e a universidade formal; sobre a resistência da capoeira angola frente à “coisificação” à qual o mundo globalizado tende a nos submeter.

O web-site da associação é, por si, um retrato da posição adotada: http://capoeiralencodeseda.org.br

Capoeira Angola voltada para o desenvolvimento de pessoas, de cidadãos.

Axé,
Teimosia

 

Lenço de Seda-CECAB é um centro cultural que há 30 anos atua em Educação e Cultura Afro-Brasileira com intervenções pedagógicas de formação de agentes culturais e educadores. Mantém uma agenda cultural voltada para processos de criação coletiva em inúmeros projetos de parceria, intervenção multidisciplinar e de formação e assessoria pedagógica.

Da criação coletiva a singularidade do tempo espiral que transforma a memória no agora, o futuro no agora.

Educação, Capoeira e Cultura. Tem um montão! E Tem pra todo mundo!

E o tanto que você quiser, e na hora em que você quiser.

O tempo é um e é agora! O Presente, seu!

 

A ONG

O Lenço de Seda – CECAB é oriundo de um projeto de Educação Popular financiado por uma ONG Holandesa, a CEBEMO, desenvolvido o ano de 1977 na região do Vale do Aço pelo CEDOC, ONG de Belo Horizonte MG com suporte da Diocese de Itabira MG e do Grupo ALFA de Timóteo.

Findo o projeto, o trabalho se multiplicou em diversas frentes, uma delas protagonizada pela parceria entre a Sociedade Cultural Pasárgada, hoje CECAB, e a Associação de Capoeira Lenço de Seda.

Com inspiração nas Pedagogias de Paulo Freire e com abordagens multidisciplinares mantém atividades culturais e de assessoria e formação de educadores e agentes culturais.

 

Atuação

Com uma agenda cultural anual significativa, há 30 anos desenvolvemos atividades de formação e capacitação de agentes culturais, educadores e gestores, especialmente em trabalhos de criação coletiva,  de relações humanas e de intervenções interdisciplinares, em parcerias com ONGs, escolas e universidades, ou em nossa atuação regional.

Mantemos atividades permanentes em práticas e vivências culturais e apoio e assessorias em mais de 80 projetos de parceria já realizados.

 

Missão

Nossa missão é buscar e propor soluções éticas e de qualidade na educação, na arte, na cultura e em processos de criação coletiva, com vistas à estruturação de um pais de cidadãos felizes identificados a suas tradições e arquétipos, capazes de contribuir com as outras nações na construção de um planeta, harmônico, pleno, saudável e justo.

 

O Mestre

Mestre Reginaldo Véio e Mestre Bola SeteMestre Reginaldo Véio, Mestre de Capoeira da Associação de Capoeira Lenço de Seda e presidente do Centro de Estudos da Cultura Afro-brasileira. Compõe o quadro de mestres da ABCA.

 

Endereço

Rua Vinte de Novembro, s/n, Timóteo.
Vale do Aço, Minas Gerais, Brasil.
CEP: 35180-020.

Fax / Telefone

31 3849 1039

 

Ceará: Capoeira na Ponte Metálica

Projeto "Roda do Pôr-do-Sol" leva capoeiristas à Praia de Iracema, até o fim do ano, nas tardes de sábado e domingo

Dezenas de capoeiristas do Ceará comemoraram o reconhecimento da capoeira como patrimônio cultural brasileiro com apresentação especial, neste fim de semana, na Ponte Metálica, com a ginga típica da dança e o ritmo inconfundível da musicalidade deste jogo, ornamentados pelo pôr-do-sol da Praia de Iracema.

Idealizado pela Associação Terreiro de Capoeira do Ceará, em parceria com o Grupo Capoeira Mundi, o projeto “Roda do Pôr-do-Sol” realizará, todos os sábados e domingos, a partir das 16h30, rodas com mestres e praticantes do jogo no Estado. “Conversamos com a Secretaria de Turismo do Estado, que aceitou fazermos o projeto até o fim deste ano, sempre na Ponte Metálica. A idéia surgiu como forma de comemorar o reconhecimento da Capoeira”, explicou mestre Soldado, fundador da Associação Terreiro.

Ele ressalta que a capoeira cearense vive um momento de comunhão entre mestres e praticantes das cerca de 17 entidades que representam o jogo. “O momento é positivo. Além da harmonia, o nosso Estado, que sempre teve tradição na capoeira, tornou-se um celeiro de capoeiristas para a Europa, Estados Unidos, Japão e África”.

As entidades, segundo Soldado, também lutam para a criação do Centro de Referência da Capoeira no Ceará. “Será um espaço que não ficará limitado somente à prática da capoeira. Haverá biblioteca, espaço para pesquisas, debates constantes e espaço para outras manifestações culturais regionais, como Maracatu”.

Responsabilidade

No último dia 15, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), composto por representantes de entidades governamentais e da sociedade civil, reconheceu, por unanimidade, a capoeira como patrimônio Cultural Brasileiro, inscrevendo o Ofício dos Mestres de Capoeira no Livro dos Saberes e a Roda de Capoeira no Livro das Formas de Expressão.

“Isso muda muito o panorama da capoeira. Aumenta a nossa responsabilidade de ensinar e o modo de sermos enxergados pelos órgãos públicos”, avaliou Mestre Soldado.

Além do reconhecimento, o Conselho Consultivo do Iphan sugeriu a criação do Plano de Salvaguarda da Capoeira, onde políticas públicas garantem direitos aos capoeiristas. O reconhecimento do notório saber dos mestres pelo Ministério da Educação, um plano de previdência especial para os velhos mestres, além da criação de um Centro Nacional de Referência e do Fórum da Capoeira são algumas propostas do Plano.

“O reconhecimento é justo, mas tardio. A capoeira, há muitos anos, é uma manifestação de destaque no País. Acredito que, agora, aumente a compreensão do significado dos seus elementos e instrumentos”, disse o estudante Alyson Vasconcelos, na abertura do projeto “Roda do Pôr-do-Sol”.

GUTO CASTRO NETO – http://diariodonordeste.globo.com
Repórter

Capoeira, patrimônio imaterial: a mão que apedrejou é a mesma que afaga

Durante o Estado Novo, Getúlio Vargas retirou a capoeira, o candomblé e outras manifestações de matriz africana do rol de infrações penais. Foi um avanço. Depois de conviver com um estado repressor, a capoeira passou a ter a tolerância do estado. Mas continuou nos guetos. Políticas públicas de fomento a capoeira demoraram décadas para se concretizar. Sem mergulhar em proselitismo político, foi no governo Lula que se esboçaram as primeiras ações.

Por isso, a cerimônia do Registro da Capoeira como Patrimônio Imaterial, que ocorreu essa semana, em Salvador, é um divisor de águas. Durante a reunião dos conselheiros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que deliberou sobre o tema, rodas de capoeira festejaram a conquista em frente ao Palácio Rio Branco. Antes tarde do que nunca. E olha que cá nos trópicos, as coisas quase sempre chegaram com atraso. Mestre João Grande foi condecorado com o título de Doutor Honoris Causa nos EUA, antes de receber a mesma homenagem na Universidade Federal da Bahia.

Ao oficializar a inscrição do ofício de mestre de capoeira e da roda de capoeira como bens culturais de natureza imaterial, a reunião do Iphan inaugurou um novo paradigma para a capoeira brasileira. Outras medidas importantes foram adotadas, como o estabelecimento de um programa de incentivo desta manifestação no mundo; a criação de um banco de histórias de mestres de capoeira; a criação de um centro nacional de referência da capoeira; o plano de manejo da biriba – madeira utilizada na fabricação do berimbau – e outros recursos naturais; e a desvinculação obrigatória do Conselho Federal de Educação Física, para que mestres de capoeira sem escolaridade, mas detentores do saber, possam ensinar em colégios, escolas e universidades.

A transformação da nossa arte-luta em patrimônio imaterial é um reparo histórico, mas que por si só não corrige décadas de preconceito e repressão sofridas pelos capoeiristas. Talvez sejam necessários mais 90, 100, anos para o estado brasileiro pagar a sua dívida social com essa que é uma das maiores expressões da nossa cultura.

Numa conversa recente com o repórter de um jornal português, disse-lhe que a evasão de mestres de capoeira para o exterior é fruto da falta de incentivos que a nossa nação oferece aos nossos “embaixadores culturais”. Ou seja, muitos capoeiristas buscam dignidade profissional no além-mar, porque aqui não são prestigiados. Não somos contra a internacionalização da capoeira, mas é preciso ações concretas, traduzidas em políticas públicas permanentes, articuladas nos âmbitos municipal, estadual e federal, garantam que os capoeiristas encontrem mercado de trabalho em nosso próprio país e não seja obrigados, para sobreviver, a vender a sua força de trabalho ao peso de dólares, euros e ienes.

Com a iniciativa do Iphan, muitos velhos mestres terão o merecido direito a aposentadoria, o que é já é um bom começo. Mas muita água ainda tem que passar por baixa dessa ponte. A mão que apedrejou durante o império, que afagou durante no Estado Novo, agora precisa construir um novo tempo na relação estado-capoeira, traduzido em programas e projetos que garantam que a prática da capoeira seja uma política nacional, com metas, orçamento e planejamento.

A capoeira já fez muito pelo Brasil. Sedimentou uma prática de inspiração libertária, difundiu a cultura nacional nos cinco continentes, estimulou o turismo. Agora, chegou a vez do Brasil fazer mais pela capoeira e pelos capoeiristas. Ouvi do Mestre Curió, durante um pronunciamento num fórum de capoeira, que os mestres não precisam apenas de homenagem. “Eu já cansei de fazer ajuda humanitária para muitos camaradas, mas eu não quero morrer à míngua como eles”, desabafou Curió. Esse parece ser um sentimento que emana, passada a euforia inicial pelo “tombamento” da capoeira.

(*) O autor é presidente da Confederação Brasileira de Capoterapia e Diretor da Divisão de Cultura da Administração de Taguatinga (DF)

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