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Projeto de capoeira em Buriti do Tocantins vem fazendo a diferença entre a juventude local.

O berimbau toca. Os capoeiristas se reúnem em círculo ao seu redor. Após ser entoada uma ladainha, que pode ser uma exaltação à valentia do capoeira, um pedido de proteção ou um canto de lamento de um escravo com saudade de casa, dois adversários, ou “camarás”, como se diz na linguagem da luta, começam uma disputa de movimentos quase que coreografados. Um jogo de perguntas e respostas, de ataque e defesa, de ritmo e som.

Isso é a capoeira.

A teoria de que a capoeira foi desenvolvida por escravos há mais de 200 anos nas senzalas brasileiras é ainda a mais aceita por historiadores e estudiosos em geral. Estima-se que seja praticada por mais de 5 milhões de pessoas em todo o mundo. Graças à figura de Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba e Vicente Ferreira Pastinha, o mestre Pastinha, essa arte marcial que é um misto de dança e luta se difundiu pelo mundo, levando o legado brasileiro a países como Israel, Estados Unidos, França, Austrália e até China.

Na cidade de Buriti do Tocantins existe o projeto Educamará, que difunde a capoeirae a sua filosofia de vida. Liderado pelo professor Marcos Vinicius da Cruz Andrade, professorda rede estadual de ensino, o projeto, que é voluntario, atende a alunos da Escola VicenteCarlos de Sousa e também da comunidade em geral.

Atualmente com cerca de 20 alunos, são realizadas aulas três vezes por semana, onde os alunos aprendem os fundamentos dacapoeira, a tocar os instrumentos, cantar músicas e o principal: aprendem a conviver bemcom as outras pessoas. “Pratico capoeira desde os 12 anos e foi uma coisa que sempre gosteide fazer”, diz o professor Marcos. “Quando vim pra cá em 2008, vi muitos jovens ociosos edesestimulados na escola.

Achei que a capoeira poderia ensiná-los algo, como me ensinou”, completou.

Além dos treinos, os alunos assistem a palestras, filmes e documentários e quandopossível, realizam apresentações em Buriti e outras cidades.

Mesmo com todas as dificuldades, o projeto vem gerando bons frutos. Um dos pontos fortes é a diminuição da reprovação e evasão escolar. “Os alunos que participam das aulas de capoeira têm se mostrado mais participativos e vem apresentando melhora no desempenho escolar.” O professor acredita no potencial da capoeira como agente transformador social. “Seria interessante ampliar as ações do projeto, para atender mais crianças e adolescentes da cidade. Afinal, a capoeira é para todos, pois promove disciplina, saúde e inclusão social.” (Marcos Vinicius da Cruz Andrade)

 

SC: Projeto Capoeira ganha continuidade em Forquilhinha

A Prefeitura de Forquilhinha através da Secretaria Municipal de Educação apresentou na noite desta quarta-feira, dia 19, o Projeto “Capoeira – Aprendizado para a Vida” na EEB Waldemar Casagrande no bairro Ouro Negro.

A capoeira teve início em 2007 e mais de 200 crianças já passaram pelo projeto. As aulas são oferecidas para alunos da rede municipal de ensino e comunidade em geral. Este ano, além da Escola Waldemar Casagrande, o projeto continua no Loteamento Califórnia no bairro Santa Cruz.

Cerca de cem jovens e adolescentes já se inscreveram para as aulas de capoeira, que começam na segunda-feira, dia 24 de março.

Fonte: Rádio Difusora AM910 – http://www.difusora910.com.br

RS: Liberdade e cultura expressas pela capoeira

Além da luta ideológica e pela liberdade, Zumbi dos Palmares difundiu outra, que até hoje é mantida como uma forte herança do povo negro: a capoeira. O contra-mestre Maoacir Fanfa, o Moa, é um dos responsáveis por esse trabalho de resgate da identidade étnico-cultural dos afro-brasileiros em Santa Cruz do Sul. E, mais do que isso, atua como um promotor da liberdade, expressada, para ele, por meio da construção da auto-estima e da inclusão social.
 
São essas lições que Moa costuma passar aos pequenos alunos das aulas de capoeira que acontecem todas as quartas-feiras no pólo comunitário do Bairro Menino Deus, em parceria com a Fundação Gazeta. “Os encontros, muitas vezes, são uma forma de manter os jovens longe das ruas, afastando-os da violência.”
A capoeira, diz Moa, nasceu na senzala, como um dos primeiros movimentos sociais surgidos no Brasil, de um povo que nunca aceitou a escravidão.
“E hoje está inserida na cultura mundial. É uma arte que integra pessoas de todas as classes e raças e difunde o objetivo de Zumbi. Enfim, é um instrumento de união”, afirma.
Como Moa, outros “filhos de Zumbi” ajudam a espalhar a herança dos antepassados. Um deles será homenageado nesta segunda-feira, na Câmara de Vereadores, como Destaque da Cultura Negra. Fábio Alex de Oliveira começou na capoeira em um projeto beneficente em 1991, aos 12 anos. Hoje é professor formado pela Associação Ginga Sul e também trabalha com jovens carentes do município.
 
Gazeta do Sul – Santa Cruz do Sul – RS – http://www.gazetadosul.com.br

Portugal: Espinhense sagra-se Campeão Ibérico

“Tive de estar ao melhor nível para vencer a final”
 
O espinhense Luis Cruz foi o vencedor do Campeonato Ibérico de Capoeira realizado recentemente em Madrid, na categoria Open. Apesar da falta de apoios para esta deslocação a Espanha, “Zorro”, alcunha do jogador no mundo da capoeira, conseguiu superar, na final, três atletas mais graduados e trazer o troféu para Espinho. Luis Cruz deixa bem vincado que esta arte marcial não é uma luta, mas sim um jogo espontâneo, onde é estimulada a criatividade e a inteligência. O contacto com outras pessoas e novas culturas também são alguns dos interesses destacados pelo atleta espinhense.

Capoeira: Nova revista na praça

O mundo da capoeira conta com mais um veículo de comunicação impressa.
 
São Paulo, minha terra, de onde sou fruto e por onde aprendi meus primeiros passos, na vida e na Capoeira. É gratificante saber que a terra continua dando novos frutos, e que a Capoeira não sai da roda. Mais ainda agora com a Revista Na Roda da Capoeira, de Mestre Grande, mestre de diversos outros mestres que fizeram e continuam fazendo a Capoeira paulistana fazer história. Em julho estarei por lá, em minha querida "Terra da Garoa", quem sabe passe novamente pela praça da República, ouvir Mestre Ananias e dueto com Mestre Hélio cantando "eu jogo mas eu não sou, angoleiro… eu brinco mas eu não sou, angoleiro".
Luciano Milani

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Lampião da capoeira

Fonte: Correio da Bahia

Manoel Henrique Pereira, o Besouro Mangangá, tinha fama de bandido e justiceiro no recôncavo baiano

Praça Batista Marques, antigo Largo da Cruz, onde Besouro enfrentou e debochou de 11 soldados, e conseguiu fugir , saltando da Ponte do Xaréu

O cabo José Costa saiu do quartel com passos firmes e apressados e tentou imprimir segurança à própria voz quando falou com os dez soldados que o acompanhariam na difícil missão que acabara de receber: prenderia Manoel Henrique vivo ou morto. A caminhada até o local onde o homem procurado estava pareceu estranhamente muito mais longa do que o comum, em parte devido ao calor escaldante de Santo Amaro da Purificação, em parte pelo nervosismo de cada um daqueles 11 homens. Sabiam que, ainda que estivessem armados, tinham uma tarefa quase impossível pela frente, e lutavam contra uma força que chegava a parecer sobrenatural. Talvez até a própria demora em chegar ao bar, no Largo da Cruz, fosse uma artimanha do tempo para proteger o temido Manoel.

Pode ser que o mesmo raio de sol que fez uma gota de suor escorrer pelo rosto do cabo José Costa tenha lançado um reflexo no fundo do copo de cachaça que Manoel Henrique entornava naquele instante. O certo é que ele pressentiu o perigo e, antes mesmo que o líquido transparente esquentasse seus músculos de lutador, já estava de pé, a tempo de escutar a ordem de prisão e lançar aos soldados seu inconfundível olhar de superioridade debochada. Antes que eles pudessem reagir, com movimentos rápidos e certeiros, rasteiras e rabos-de-arraia, desarmou um por um. O povo que assistia à cena, entre as frestas de janelas, e um ou outro que arriscou se aproximar foi testemunha de que Manoel largou as armas num canto e saiu andando tranqüilamente, com seu caminhar típico de capoeirista, deixando os soldados caídos no chão. Foi pior do que se os tivesse matado. Tanto que a vergonha dos policiais pela desonra foi mais forte que o medo. Levantaram-se rapidamente, a ponto de alcançarem o agressor quando passava exatamente pelo cruzeiro.

Quando ouviu os gritos e se virou, Manoel Henrique viu diante de si os 11 homens, agora com olhares sedentos de vingança, com armas empunhadas, prontos a atirar. Só teve tempo de, encostado na cruz de madeira, abrir os braços, numa entrega destemida à execução, corajoso até o fim. Não se ouviu nem mesmo a respiração das almas vivas quando abriram fogo sobre aquele que era o homem mais temido de todo o recôncavo, o único capaz de esvaziar ruas e feiras pelo simples mencionar de seu nome. Besouro Mangangá jazia no chão do Largo da Cruz. Mas qual não foi a surpresa quando os praças se aproximaram e viram Manoel se levantar, tão vivo quanto antes, e correr, em movimentos ágeis, pelo beco que leva à ponte do Xaréu. Sem hesitar, pulou da ponte, fazendo quase um vôo, e fugiu pelo mato.

Atrás de si, deixou policiais com uma expressão mista de raiva e surpresa, e um povo que, cada vez mais, se convencia de que estava diante não apenas do melhor e mais destemido capoeirista de todos os tempos, o único com coragem suficiente para – mais do que enfrentar – até debochar da polícia. Aqueles homens e mulheres começavam a acreditar que suas façanhas não eram apenas fruto de sua incrível agilidade e ousadia, mas de algo maior, uma espécie de sexto sentido, não explicado somente pelas forças que os homens conhecem. Já se comentava pelas redondezas de Santo Amaro que Besouro tinha o corpo fechado. Nenhuma arma de metal poderia atingi-lo mortalmente. O próprio apelido, aliás, vinha dessa crença: dizia-se que, quando se encontrava numa situação difícil, diante de inimigos numerosos demais, Manoel se transformava em besouro e saía voando.

Até hoje, há gente como Aloísio Lima, 92 anos, que garante ter assistido à cena relatada acima. Mais do que isso, seu Belo, como é conhecido em Maracangalha, afirma ter visto a cruz de madeira na qual Besouro se escorou, que hoje não existe mais, cravejada de balas.

Figura lendária

Existem diversas versões – algumas mais, outras menos espetaculares – para o episódio do Largo da Cruz. Mas essa é apenas uma das histórias que se contam sobre Manoel Henrique Pereira, o Besouro Mangangá. Difícil saber quais delas aconteceram de verdade, e, sobretudo, de que maneira aconteceram. Mais difícil ainda é descobrir como esse homem negro e pobre, nascido no fim do século XIX, numa época em que ser praticante de atividades ligadas à herança africana era considerado um crime, se tornou a figura mais respeitada no universo da capoeira. Sua fama cruzou os limites do recôncavo, chegou à capital baiana, ao restante do país e alcançou os quatro cantos do mundo.

Capoeirista corajoso num tempo em que não havia a divisão entre os estilos angola e regional, muito menos escolas de ensino da arte-luta, Besouro Cordão de Ouro – como também era conhecido – conseguiu a façanha de hoje ser um herói tanto para os seguidores do mestre Bimba, criador da regional, quanto para os discípulos de mestre Pastinha, líder máximo da capoeira angola. Mais impressionante ainda: teve menos de 30 anos de vida para construir toda essa fama, antes de ser assassinado, em 1924.

Hoje, não há nome mais cantado nas rodas de capoeira. Besouro inspirou a música Lapinha, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, vencedora do Festival de Música da TV Record, na voz da cantora Elis Regina. Serviu de fonte também para um dos capítulos do livro Mar Morto, de Jorge Amado, e para o filme Besouro capoeirista, com o ator baiano Mário Gusmão. O curioso é que a mesma coragem e valentia lembradas nas canções, que o transformaram num herói, fizeram com que, em vida, tivesse fama de arruaceiro e fosse perseguido pela polícia em inúmeras ocasiões.

Mas como entender esse homem que ainda hoje provoca discussões apaixonadas? Um homem que é tido por alguns como um criminoso ousado, um fora-da-lei, e, ao mesmo tempo, é considerado por outros um justiceiro, protetor dos oprimidos? Não é à toa que há quem diga que Besouro representou para a capoeira o que Lampião foi para o cangaço.

Para tentar entender a história de Manoel Henrique, é preciso ter os olhos desconfiados e os ouvidos atentos de um capoeirista. Os casos de suas façanhas são contados por pessoas antigas, algumas que conviveram com ele, outras que ouviram falar de sua rebeldia. Entre uma roda e outra de capoeira, foi saveirista, vaqueiro e amansador de burro brabo. Chegou a ser soldado do Exército. Apesar da fama de violento, "não se tem notícia de que ele tenha matado alguém", afirma Antonio Reinaldo Lima dos Santos, o Lampião, capoeirista santo-amarense que desenvolve uma pesquisa sobre a vida de Manoel Henrique.

Até hoje, sua personalidade permanece envolta em mistério, fortalecendo ainda mais o mito em torno de seu nome. Sua certidão de nascimento nunca foi encontrada, nem documentos de identidade. Também não há qualquer imagem – seja fotografia ou pintura – dele. Besouro não deixou filhos conhecidos, nem mulher, nenhum grande amor que tenha ouvido suas confidências naquelas noites antigas. Seus amigos já partiram deste mundo. Sua única irmã viva não chegou a conhecê-lo: temia o próprio irmão.

Houve até quem desconfiasse da existência de Besouro. Sua passagem por esse mundo só foi comprovada há alguns anos, através de dois documentos encontrados no Arquivo Público da Bahia, em Salvador, e no de Santo Amaro. Neste último, Besouro é acusado por um crime cometido na Fazenda Rio Fundo, onde ele vivia como empregado de um poderoso proprietário da região. É naquele amplo terreno, em meio aos canaviais, que Besouro caminha, com seu inseparável facão. É lá, nas terras do poderoso José Antonio Rodrigues Teixeira, que começa nossa viagem em busca do mistério escondido no olhar daquele que Muniz Sodré afirmou ser tido como "o mestre dos mestres".


Fonte: Correio da Bahia

Mestre Cobrinha Verde

Mestre Cobrinha Verde
Rafael Alves França, mandingueiro respeitadíssimo no seu percurso por este mundo de meu Deus. Nasceu em Santo Amaro da Purificação (BA). Com 4 anos de idade iniciou-se na Capoeira pelas mãos de Besouro, seu primo carnal. Além de seu primeiro mestre, Cobrinha Verde também bebeu da sabedoria de Maitá, Licurí, Joité, Dendê, Gasolina, Siri de Mangue, Doze Homens, Espiridião, Juvêncio Grosso, Espinho Remoso, Neco, Canário Pardo e Tonha. Foi 3° Sargento no antigo Quartel do CR em Campo Grande, tendo participado também da Revolução de 32 entre outras pelejas. Durante muitos anos ensinou em seu Centro Esportivo de Capoeira Angola Dois de Julho, com sede no Alto de Santa Cruz, s/ n°, no Nordeste de Amaralina.