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Festa de capoeira no Vale do Ribeira fortalece cultura quilombola

A 1ª Festa de Capoeira no Quilombo de Pedro Cubas, em Eldorado, no Vale do Ribeira (SP), aconteceu no último final de semana (1º e 2/9)e girou em torno da entrega das graduações de capoeira para 26 alunos do projeto Ponto de Cultura Socioambiental. A comemoração marcou ainda a fase final do projeto desenvolvido por quase três anos nas comunidades quilombolas de Pedro Cubas e Pedro Cubas de Cima.

As associações quilombolas de Pedro Cubas e Pedro Cubas de Cima organizaram a festa, cujos preparativos começaram duas semanas antes com a participação de alunos, pais, do ISA e da Associação Desportiva e Cultural de Capoeira Nossa Senhora da Guia (Adecc ). Os 26 alunos do projeto, adolescentes e jovens fizeram a decoração e organizaram as rodas.

Entre os convidados estavam grupos de capoeira como a Associação de Capoeira Quilombo dos Palmares, de Guarulhos/SP; o Grupo de Capoeira Nagolo, de Pedro de Toledo/SP; a Associação de Capoeira Liberdade Camará, de Araçatuba/SP; o Grupo Bernardo Furquim, do Quilombo São Pedro, a Orquestra de Berimbau do Morro do Querosene, situado bairro do Butantan em São Paulo, além das comunidades quilombolas vizinhas à Pedro Cubas. Também participaram da festa dois componentes do Grupo Angoleiros do Sertão (Marcos e Molejo) de Presidente Prudente/SP, Kleber Macaquinho que veio da Bahia e representantes da Eaacone (Equipe de Articulação e Assessoria às Comunidades Negras do Vale do Ribeira).

No sábado, os grupos começaram a chegar ao quilombo de Pedro Cubas por volta das 19 hs. Tochas e uma fogueira foram colocadas para a realização de uma roda de confraternização e do jogo da capoeira Angola.

O instrutor Leleco, que treinou o grupo nesses quase três anos, apresentou os convidados e as lideranças quilombolas, Diva e Antonio Jorge, deram as boas vinda a todos expressando a alegria e o orgulho da comunidade em ser o cenário de um momento de intercâmbio cultural e de graduação de seus jovens. Esse encontro foi uma representação da amizade entre os grupos presentes. Depois começou a roda que só terminou às 11 da noite.

Na manhã do domingo (2), os convidados foram recepcionados com um café tradicional quilombola, com cuscuz de arroz, coruja, bolo de mandioca e pão caseiro.

Depois foi a cerimônia de graduação dos alunos do Ponto de Cultura em Capoeira Regional de Bimba no galpão de sapê do quilombo. Seguindo o protocolo da atividade, na abertura, cada mestre foi apresentado (Mestre Marco Lima, Mestre Peixe, Mestre Bililico, Kleber Macaquinho) e cada um deles apresentou seus alunos e formados. Neste momento os convidados foram saudados e a comunidade de Pedro Cubas e o ISA agradeceram a presença de todos. Em seguida, cada graduando fez um jogo com os mestres e formados e recebendo a sua corda colorida. Cada cor corresponde a uma graduação, um estágio de evolução dentro da capoeira.

O último a receber a graduação de cor verde e branca foi o orientador dos alunos de Pedro Cubas, Leleco, que foi homenageado pela comunidade e pelos alunos pelo trabalho desenvolvido no Ponto de Cultura.

Em seguida, a Orquestra de Berimbau do Morro do Querosene, comandada por Dinho Nascimento, encerrou a festa.

O trabalho conjunto de preparação da festa dos jovens e adolescentes com as associações quilombolas foi o destaque do evento. Atividades de integração como esta revelam a diversidade da expressão cultural da capoeira, os diferentes tipos e jeitos de jogar e o respeito pela cultura de cada grupo. A festa foi ainda uma oportunidade de troca entre grupos e pessoas convidadas vindas de outros pontos de cultura, além de contribuir para o fortalecimento da juventude quilombola e de suas expressões culturais.

 

Fonte: ISA, Raquel Pasinato – http://www.socioambiental.org

Mutirão de jovens quilombolas encerra primeiro ciclo de oficinas do Ponto de Cultura

No final de semana dos dias 5 e 6 de junho, crianças e adolescentes das comunidades quilombolas de Pedro Cubas e Pedro Cubas de Cima, no município de Eldorado, participaram de mutirão para pintar o salão comunitário. Depois assistiram ao filme Avatar e tiveram aula sobre instrumentos musicais utilizados na capoeira

Alunos do curso de capoeira dos quilombos de Pedro Cubas e Pedro Cubas de Cima se reuniram para pintar o salão comunitário de Pedro Cubas de Cima encerrando o primeiro ciclo de oficinas iniciadas em abril e maio sobre o Brasil Colônia, o trabalho escravo e o surgimento dos quilombos. Eles desenharam no piso do salão as marcações para a roda de capoeira. Mais de 30 pessoas, que participam do projeto ajudaram nas atividades.

No sábado, depois de um dia árduo de trabalho, mesclado com brincadeiras, cerca de 100 pessoas da comunidade se reuniram à noite para assistir ao filme Avatar, do diretor James Cameron, em sessão promovida pela equipe técnica do projeto do Ponto de Cultura.

No dia seguinte, o grupo de alunos assistiu a uma aula sobre instrumentos musicais relacionados com a capoeira tais como: berimbau, atabaque, caxixi, agogô, reco-reco e pandeiro. A atividade foi coordenada pelo instrutor Leleco, da Associação Desportiva e Cultural de Capoeira Nossa Senhora da Guia, de Eldorado/SP. Em seguida, foram agendadas as próximas oficinas com o grupo, que acontecerão em junho e julho.

A dinâmica das oficinas

Atividades lúdicas, recreativas e psicomotoras fazem parte da dinâmica das oficinas realizadas pelo projeto. Os grupos foram divididos por faixa etária e realizaram atividades para estabelecer o que é trabalhar em grupo, e promover a sociabilização entre eles. Por meio de recreação e vídeos eles ouviram um pouco sobre a história do Brasil Colônia, a chegada dos negros e o início da maltas – grupos de capoeiras do Rio de Janeiro que tiveram seu auge na segunda metade do século XIX, compostas principalmente por negros e mulatos , que aterrorizavam a sociedade carioca. Alguns brancos também, faziam parte das maltas.Os técnicos do projeto elaboraram também uma apostila com conteúdo histórico da capoeira e as músicas, mestres, movimentos e ritmos.

Ao final, os participantes fizeram um relato escrito sobre a visão que tinham de suas comunidades. O objetivo foi fortalecer a identidade quilombola por meio da compreensão de sua história e cultura.

Em um desses relatos, um menino de nove anos escreveu: “O Pedro Cubas tem mais de 350 anos e eu moro aqui mais de 9 anos e meio e nunca vi nenhuma criança manter a nossa cultura ou se interessar. Nós crianças não fazemos isto, mas o meu pai, por exemplo vai todo ano para São Paulo cantar e tocar …”

O projeto do Ponto de Cultura é apoiado pela Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo e pretende contribuir para a consolidação de experiências e processos culturais, voltados à integração de jovens e adolescentes nas comunidades quilombolas do Vale do Ribeira. Faz parte da estratégia de trabalho adotada pelo ISA em conjunto com as comunidades, de identificação, promoção e valorização dos bens da cultura material e imaterial quilombola do Vale do Ribeira. Vem de encontro à demanda apontada por 14 comunidades quilombolas, do envolvimento dos jovens com a cultura, contida na Agenda socioambiental Quilombola em 2006/2008, elaborada pelas comunidades em conjunto com o ISA. A estratégia para atender a demanda é realizar o levantamento cultural e ao mesmo tempo promover ações práticas de uma manifestação cultural de interesse dos jovens, como é o caso da capoeira.

 

Fonte: http://www.socioambiental.org/