Blog

dar

Vendo Artigos etiquetados em: dar

Iê dá volta ao mundo camará!

Da senzala para o mundo, a capoeira conquistou nações com sua arte, história, força e malandragem. Hoje, é o ritmo que o planeta não consegue deixar de amar

“Esta é a prova de que o mar leva… e o mar devolve: saímos dos porões amargurados dos navios negreiros e voltamos consagrados pela fraternidade da arte. Resistência da Capoeira… “, essas palavras fazem parte de um discurso do então Ministro da Cultura, Gilberto Gil, na sede da ONU em Genebra. E naquele dia, 19 de agosto de 2004, a Organização das Nações Unidas foi presenteada com uma roda de capoeira, com a presença de capoeiristas de várias partes do mundo. Mestres de capoeira e figuras políticas entusiasmaram-se com o ato, considerado o início do reconhecimento do movimento para a história do Brasil.

Desde que Getúlio Vargas retirou do código penal a punição pela prática da capoeiragem, considerada crime pelos anos de 1890, os capoeiristas resistiram às imposições governamentais de transformar a sua prática cultural em mero desporto regulado em papel, o que poderia descaracterizar o jogo de suas origens. Durante o período da ditadura, entre os anos de 1964 e 1985, houve uma série de projetos dos militares para os esportes em geral, inclusive a capoeira. Criou-se o Departamento Especial de Capoeira, vinculado à Confederação Brasileira de Pugilismo, coordenado por um militar. A Aeronáutica promoveu simpósios no Rio de Janeiro com o objetivo de homogeneizar as nomenclaturas de golpes e graduações para unificar a capoeira como arte de campeonato, como explica a historiadora e doutoranda, pela Fundação Getúlio Vargas, Vivian Fonseca.

– Ela foi reconhecida durante a década de 1970 como esporte, foi feito um regulamento técnico; não encontrou muito eco dentre os capoeiristas, mas de qualquer maneira foram ações que estiveram em pauta. Eu costumo dizer que neste período houve uma atuação muito autoritária sobre a capoeira. Nos simpósios foram chamados os mestres pra ouvir o que eles pensavam, só que havia uma proposta independente das opiniões divergentes. Na verdade, ele não conseguiu se concluir, mas houve essa tentativa de levar à frente e não teve uma consulta pública pra esse campo.

Após a ditadura, a capoeira já fazia sucesso no Brasil e no exterior e muitas vezes suas apresentações integravam parte dos cronogramas oficiais de grandes eventos, inclusive do governo, mas sem obter uma proposta de valorização para a arte genuinamente brasileira, como esclarece Vivian. Para a historiadora, a partir do governo Lula há um novo olhar pra capoeira, com uma maior percepção dos atores envolvidos, buscando a discussão e construção de uma política não autoritária, de cima pra baixo: “A partir do mandato da presidente Dilma, as ações ficaram meio desarticuladas, mais em função de cortes de orçamentos, rearranjo de prioridades, mas ainda há mobilização”.

Quatro anos depois do Ministro discursar na ONU, a capoeira finalmente se tornou Patrimônio Cultural Brasileiro, reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN. Antes disso, porém, os capoeiristas ainda precisaram se organizar para ter suas demandas respeitadas. É o que conta a pesquisadora Vivian.

– Houve uma disputa com os conselhos de educação física sobre quem teria o direito de ministrar aula de capoeira, se seria o bacharel em Educação Física ou o mestre de capoeira. A partir daí houve um rearranjo no campo e os capoeiristas começaram a se articular um pouco mais politicamente.

 

ORIGEM E LEGADO

A capoeira surge com a escravidão, tendo seus primeiros registros encontrados a partir dos anos 1810. Ela se desenvolve na senzala como forma disfarçada de brincadeira, mas que serviria para a própria defesa dos escravos. A prática de jogos como a capoeira se desenvolveu em diversas partes do país, cada qual ao seu jeito, inspirada em diferentes lutas africanas.

No início do século XX, Manoel dos Reis Machado, mais conhecido como mestre Bimba, começou a desenvolver um novo estilo de jogo, que fundia movimentos da capoeira antiga, conhecida como Capoeira Angola, com o Batuque, jogo violento de pernadas praticado por seu pai. Mestre Bimba desenvolveu uma prática de capoeira mais voltada para a luta, atraindo muitos alunos, inclusive filhos de doutores e universitários, para sua academia. A esse estilo, mestre Bimba chamou Capoeira Regional. Ele desenvolveu técnicas e disciplinas e foi consagrado por seus discípulos como grande homem, lutador e sábio, que tornou aceitável para a sociedade brasileira muitos aspectos da cultura negra. Bimba cultivou 7 toques que determinavam o jogo de sua capoeira: São Bento (jogo rápido e duro), Cavalaria (também violento), Santa-Maria (que permite os floreios, acrobacias), Benguela (mais próximo da Capoeira Angola), Idalina (jogo alto e malicioso), Amazonas (sutileza e variação) e Iúna (para a exposição dos conhecimentos em ocasiões de festas). Bimba preservava as práticas do Candomblé e outros costumes antigos como, puxada-de-rede, samba-de-roda e maculelê.

Por outro lado, Vicente Ferreira Pastinha, mestre Pastinha, conseguiu manter viva a tradicional Capoeira Angola, sendo atualmente as principais vertentes praticadas da Capoeira aquelas preservadas ou desenvolvidas por ele ou Mestre Bimba, a Angola e a Regional.

Muniz Sodré, jornalista e emérito professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está entre aqueles que treinaram com Mestre Bimba na juventude. Ele escreveu o livro Corpo de Mandinga, que inspirou o documentário sobre o capoeirista lançado em 2007. Há uma grande admiração pelo mestre de Capoeira, sendo indiscutível o consenso entre seus alunos, doutores ou não, sobre a inteligência e sabedoria de Bimba. Muniz Sodré compara seu mestre ao filósofo alemão, quando diz em seu livro que “Bimba jamais ouviu falar de Nietzsche, mas filosofava de jeito parecido, porque jogava do lado do corpo, do pensamento não-conceitual, do sentimento do instante”. E, com empolgação, o ex-Diretor da Biblioteca Nacional discorre sobre a cultura de sua origem e de seu mestre:

– Eu percebi que, mesmo na esfera do que é ágrafo, que não tem escrita, do analfabeto, na esfera mais rudimentar aparentemente da cultura popular, há uma erudição. A capoeira tem um aspecto erudito por detrás. Bimba era analfabeto, mas era um sábio, realmente sábio, até falando, no comportamento dele. A capoeira junto com o candomblé me mostraram a força da cultura do povo. E isso mudou a minha vida… Porque eu estudei na Europa, sou professor de cultura europeia, mas minha visão, minha perspectiva vem daí, do candomblé e da capoeira.

Além de Muniz Sodré, Bimba fez discípulos que permanecem na capoeira até hoje, tanto na Bahia, preservando a capoeira Regional, tal como ele criou, como pelo resto do país e mundo afora. Hoje, nome dos mais conhecidos da capoeira e grande propagador da arte pelo mundo, Mestre Camisa, que também foi aluno de Bimba – seguindo mais que os passos, a forma inovadora de pensar de seu mestre – é o fundador do grupo Abadá Capoeira, conhecido por ter um jogo próprio, que mescla as sequências de Bimba com novos estilos de esquiva e de golpes. Ele chegou ao Rio de Janeiro em 1972, com 17 anos, e logo começou a ensinar o que sabia de capoeira, um pouco do que tinha aprendido com o mestre somado à capoeira de rua que praticava antes da mãe permitir que frequentasse a academia. Mestre Camisa diz que a proibição de treinar com Bimba por parte de sua mãe era uma espécie de castigo, “não tá indo bem na escola, então não vai pra capoeira”.

Camisa começou ensinando aos colegas no bairro da Lapinha, em Salvador o que tinha aprendido na rua e, ao adquirir mais conhecimentos na escola de Bimba, reforçou para seus primeiros alunos como se jogava a capoeira. Bimba desenvolveu seu método em 8 sequências básicas, de onde resultava todo o jogo da capoeira Regional, e era isso que Camisa ensinava na primeira escola em que começou a dar aula, assim que chegou ao Rio. Ele conta que sentia falta de alguma coisa, de um jeito novo, esclarecimento, experiência, porque era muito jovem:

– Comecei a dar aula numa escola aqui no Rio e fui adaptando ao meu jeito, pela deficiência… ele tinha uma estrutura lá, com vários alunos formados e aqui eu não tinha nada. Passei a dar aula em outros lugares e a encontrar capoeiristas também, que jogavam de uma forma diferente. E com o tempo, eu fui tirando a experiência e o resultado de cada lugar. Fazia as rodas no fim de semana e cada um ia trazendo alguma coisa, de forma espontânea e fui estudando em cima disso, da necessidade, porque era meu ganha-pão. Tinha que ter resultado.

Mestre Camisa, ora questionado por alguns capoeiristas, que o consideram um transgressor da Capoeira tradicional, ora admirado como uma extensão de Bimba, por continuar a criar e instituir formas e regras numa nova escola de aprendizagem, faz crescer por todo o mundo a Abadá Capoeira, criando mecanismos de comprometimento social e ambiental, pensando formas de expandir a profissionalizar a capoeira. Um de seus próximos planos é criar uma escola profissionalizante da Abadá Capoeira, com categorias que atendam aos diversos níveis de escolaridade de seus capoeiristas, e que seja reconhecida pelo Ministério da Educação. Dentre aqueles que o apoiam e enxergam em Camisa um eco do grande espírito de Bimba, está o professor Muniz:

– Mestre Camisa tem no mundo mais de 40 mil alunos, é mais que uma universidade! Onde estão esses alunos? Na China, no Japão, em Israel, na Rússia, na Hungria. São alunos de alunos e ele é chamado constantemente pra fazer batizado, pra dar curso nesses lugares, vive viajando. É uma universidade invisível que ele comanda. Eu vi na Alemanha, na França, moças jogando capoeira muito bem e cantando chulas de capoeira sem saber falar português, mas cantando sem sotaque em português. Isso foi uma coisa que me emocionou muito, aqueles gringões grandes, fortes, jogando capoeira. E você vê que é uma coisa que não se enraizou, não foi a partir de adido cultural de embaixada, não foi a partir do nível escrito, foi dessa prática que não envolve dinheiro – claro que se eles vão dar um curso, eles vão cobrar, mas não é dinheiro que se contabiliza como investimento, é o salário dele. É uma arte que se propaga sem dinheiro, não é como o espetáculo do futebol… E isso vai penetrando. Já se disse que a capoeira ia acabar, com a vinda dessas artes marciais, como karatê, jiu-jitsu, mas, pelo contrário, a capoeira vai crescendo porque ela tem esse fundo cultural. A capoeira não é só luta. É luta, dança, canto… Talvez seja a única arte marcial que se pratica de forma alegre… Todo capoeirista que jogou com Bimba era um fominha de jogar. É como o Camisa conta, quando subia a escada e ouvia o berimbau tocar, o coração começava a bater bum bum bum bum bum bum… Todo mundo queria jogar!

 

DO BRASIL PARA O MUNDO

Lila Sax é americana e reside na Alemanha há 12 anos, mesmo tempo em que começou a jogar capoeira. Ela conta que estranhamente a capoeira foi a sua porta de acesso para a sociedade alemã, tendo inclusive aprendido o idioma a partir do esporte. Foi na capoeira que fez seus primeiros amigos e que encontrou um espaço naquele país. Hoje ela é antropóloga mas seus planos são de prosseguir com o jogo e se profissionalizar cada vez mais no esporte. Ela é uma das mulheres mais graduadas na Europa e, por conta de suas viagens pelo continente para competições e eventos, tornou-se muito conhecida no meio, inclusive no Brasil. Ela faz parte do grupo Abadá Capoeira. A principal bandeira levantada por Lila tem relação com o fato de ser mulher. Ela acha importante que as pessoas saibam que todo mundo pode jogar capoeira, que uma mulher estrangeira é capaz de jogar bem, cantar bem, tocar instrumento, como qualquer outro capoeirista.

– A diferença da capoeira, e eu acho que isso que atrai muito as pessoas, é que tem um lugar pra todo mundo. Se você não gosta de lutar, você vai dar mais ênfase ao lado musical da capoeira, vai aprender as músicas, as acrobacias e a história da capoeira; se você não gosta de música nem da acrobacia, vai dar mais ênfase ao lado da luta, vai chutar, dar galopante, banda… E é por isso que o pessoal lá fora, que faz judô, muay thai, eles vem pra capoeira e veem que tem um espaço pra todo mundo e que todos são aceitos, o que muitas vezes não é possível em outros esportes. E o legal que, independente de idade, altura, de flexibilidade, de deficiência, as pessoas fazem capoeira.

Já Luiz Carlos dos Santos Sobrinho, mais conhecido como Cao Capoeira, saiu do interior do estado do Rio, Campos dos Goytacazes, em busca de oportunidades para desenvolver suas ideias que desde muito jovem envolvem a Capoeira. Por causa do jogo, ele se formou em Educação Física e, no meio de sua graduação, fez um intercâmbio pela Alemanha, onde conheceu excelentes universidades que, segundo ele, valorizam bastante a pesquisa, principalmente na área técnica. No Brasil, ele chegou a conseguir uma bolsa para pesquisar na área de História da Capoeira, mas o projeto não conseguiu ir adiante, por falta de apoio. Após concluir o bacharelado, retornou à Alemanha e apresentou uma proposta de projeto para mestrado ao Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, uma universidades de elite no país. Sua ideia, que logicamente envolvia capoeira, foi aceita. Morando há quase dois anos na Alemanha, ele já pensa em temas para prosseguir com o doutorado em Karlsruhe:

– Infelizmente no Brasil a gente vê que não tem assim um apoio tão grande pra essa área de pesquisa. O conhecimento que tenho desenvolvido no Instituto, aplico na minha dissertação de mestrado, que é sobre capoeira, suas esquivas e o nível de lesão mecânica que essas esquivas podem causar principalmente nas articulações do joelho e do tornozelo. É do senso comum que capoeira faz mal pro joelho, pelos seus movimentos baixos, de chão. E a minha ideia é quantificar a lesão mecânica que ocorre nas articulações quando o capoeirista realiza esquivas específicas, entender isso melhor. Esse é um primeiro passo para mais tarde a gente otimizar a técnica, talvez alterar pequenas coisas, adaptar a capoeira para que pessoas de mais idade ou com problemas articulares também possam praticar de forma menos lesiva e, quem sabe mais à frente, usar esse conhecimento no desenvolvimento de uma metodologia de capoeira reabilitativa, para pessoas que tem problemas em joelho, tornozelo, aplicar a capoeira de forma adaptada e dosada como forma de reabilitação.

 

A CAPOEIRA EXPORTADA

Segundo o professor Acúrsio Esteves, formado em Educação Física pela Universidade Católica de Salvador e pesquisador da arte da Capoeira, o jogo começou a ganhar asas para fora do país a partir da década de 1950. Ele conta que mestre Bimba, mestre Pastinha e alguns outros mestres de Salvador, começaram a fazer, além da capoeira que eles ensinavam em suas academias, shows folclóricos que tinham como público-alvo os turistas que vinham conhecer o Brasil. Com uma visão crítica sobre a exportação da capoeira como elemento exótico do nosso país, o professor escreveu o livro A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento. Ele sintetiza suas conclusões sobre a origem da difusão mundial da capoeira, a partir da formação de grupos parafolclóricos, formados no Brasil e levados para outras partes do mundo, a convite de estrangeiros. Para Acúrsio, esses grupos começaram a se estabelecer no exterior e seus integrantes iniciaram uma nova vida nesses países, dando aulas de capoeira para estrangeiros. O professor elenca o que considera os grandes difusores da capoeira pelo mundo afora, em ordem cronológica:

– Elas saíam do grupo e começavam a desenvolver uma atividade própria, particular. Depois vieram as academias de capoeira, que foram criando filiais no Brasil inteiro. E o processo foi esse, de uma forma bem resumida: primeiro pelo viés da cultura, depois pelas academias e, em terceiro plano, começaram a vir as publicações, os livros, e por último o cinema. Outro viés muito importante e bem recente é a divulgação pela internet, através de sites como o Portal Capoeira, do Professor Luciano Milani. Desde 2005 que Luciano Milani, capoeirista brasileiro, residente em Portugal há 10 anos, criou o Portal Capoeira, principal meio de comunicação direcionado ao capoeirista na atualidade, com uma média de 3 a 4 mil acessos por dia, segundo o editor do site. Atualmente, o Portal possui cerca de 20 colaboradores, sendo os mais atuantes o jornalista de Brasília Mano Lima e os professores baianos Pedro Abib e Acúrsio Esteves. Desde quando criou o site, ele mantém contato com capoeiristas do mundo todo, principalmente do Brasil, a fim de fortalecer as trocas sobre toda a cultura que envolve a capoeira. Dessa forma ele desenvolveu uma sólida amizade com mestre Decânio, discípulo de Bimba e médico em Salvador, foi o grande responsável e incentivador que possibilitou a criação do portal, diz Milani:

– A ideia básica do Portal é reunir o maior número de informações possíveis. Nós temos trabalhos de teses, mestrados, doutorados, livros, músicas, vídeos, matérias mesmo, subdivididas em diversas categorias. A nossa ideia é criar esse núcleo de cultura e conhecimento da maneira mais vasta possível, porém com coerência e muita responsabilidade. Aqui na Europa eu percebo que há muita preocupação com a pesquisa. Tenho muitos amigos desse meio que são professores, bastante preocupados com a disseminação da capoeira no sentido cultural mais aprofundado. Foi a partir de 2007 que o site ganhou importância, por conta do filme mestre Bimba, Capoeira Iluminada. O filme Mestre Bimba Capoeira Iluminada é um documentário de 2007 realizado pelo carioca Luiz Fernando Goulart que conta a história de Bimba através de seus antigos discípulos, historiadores e antropólogos, suas ex-esposas. Ele é rico em imagens antigas, inclusive vídeos feitos do próprio mestre. Ele é inspirado no livro Corpo de Mandinga, do Muniz Sodré. Sobre o Mestre Pastinha existe o documentário “Pastinha! Uma Vida Pela Capoeira”, realizado por Antonio Carlos Muricy, no ano de 1998.

 

CAPOEIRA E FILOSOFIA

Em 12 de junho de 1996, a Universidade Federal da Bahia concedeu, após 22 anos de sua morte, o título de Doutor Honoris Causa a Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba. Por tudo que aquele negro forte e mitológico representou para o reconhecimento da capoeira, desde a atração que exerceu sobre os doutores que depois vieram a ser capoeiristas, até o reconhecimento por Getúlio Vargas da capoeira como cultura popular e não mais crime, conforme registrava o código penal. Pela institucionalização da capoeira com regras e disciplina, sem perder, no entanto, a alegria.

O professor Muniz Sodré, que parece simpatizar bem com o alemão Friedrich Nietzsche, principalmente quando fala de mestre Bimba, também diz em seu livro que o filósofo “jogava capoeira com o pensamento, em especial quando se referia ao corpo como ‘um edifício coletivo de diversas almas’”. E Muniz prossegue no mesmo livro: “Na capoeira, assim como na filosofia de Nietzsche, o corpo pensa. Pensamento e corpo pertencem à ordem do diverso, isto é, a uma simultaneidade de coisas compreensíveis e incompreensíveis que raramente passam pela consciência. “

 

 

Áurea Maria Xavier Pereira Gomes

aureamariaxavier@gmail.com

 

Capoeira reciclada!!!

Hoje ao sair de casa para dar aula, queria fazer algo diferente, onde os alunos trabalhassem a percepção de atingir um objeto com uma tarefa simples de golpear algo. Mas a pergunta é: “Eu não possuo, nenhum aparador de golpes?” E agora!!! E infelizmente sabemos que investimentos com a Capoeira em Clubes, Escolas, Academias sempre são NULOS. Foi quando olhei para essas garrafas pets de refrigerante e tive uma grande ideia, quer dizer, não tão grande assim, e sim muito simples. Podemos usar essas garrafas de plástico, como aparador de golpes, Oh Oh Oh Oh Oh Oh!!! Olha só que utilização bacana. E com um pouco mais de trabalho, podemos deixar essas garrafas, como aparadores de chute, bem legais. Basta dar uma pintada, colocar um pedaço de cabo de vassoura, na boca da garrafa, para dar mais firmeza ao segurar, envolver com alguma fita e assim vai, o céu é o infinito. Basta ser criativo e lembrando para fazer isso, você pode ter a colaboração das crianças e explicando sobre meio ambiente, reciclagem, sustentabilidade e etc. Elas vão adorar…

Outra atividade que podem ser usadas essas garrafas pets, são como cones de treinamento, para fazermos golpes sobre os mesmos. Enchendo elas com areia para ficar mais pesada, se não vão sair voando pela sala. Mas lembrem-se, vocês estão dando aula para crianças, então, vede bem, se não essa areia, vai acabar pela sala toda.

Só mais uma dica, a segurança é de total importância. E como são crianças, as brincadeiras acontecem. Então conduza as atividades com total domínio e dinâmica do seu grupo e as crianças vão adorar e a Capoeira vai agradecer.

E agora é com você, comente aqui embaixo, como você poderia utilizar esse material de apoio para dar uma aula bem bacana e divertida de Capoeira Infantil. Pode ser qualquer tipo de aula, lúdica, técnica e etc. Use a criatividade e colabore com todos nós educadores, que utilizamos a Capoeira como meio. Abraços e até a próxima

Fonte: http://berimbrasil.com.br

Cravinhos: Projeto de Capoeira União

O Projeto de Capoeira União é desenvolvido, em Cravinhos, pelo mestrando Diogo Nascimento Pereira, que tem um trabalho voltado inteiramente para o lado social, com o objetivo de tirar crianças e adolescentes das ruas.

A capoeira é considerada por muitos antropólogos e historiadores uma luta ou simplesmente uma arte. Entretanto por muito tempo ela foi proibida no Brasil, já que era considerada perigosa. Entretanto, atualmente, crianças e adultos se misturam aos mestres nas rodas de capoeira e praticam a modalidade em escolas, projetos sociais e até mesmo na rua.

Para jogar capoeira é preciso de um ritmo, que é ditado pelo atabaque, pelo berimbau e agogô. Com uma música bem característica dois parceiros, de acordo com o toque do berimbau, executam movimentos de ataque, de defesa e esquiva. Eles simulam uma luta, por isso é preciso habilidade e força, além de integração e respeito entre os parceiros.

Uma prática da época dos escravos serviu para tirar muitas crianças das ruas e proporcionar uma atividade física e ocupação para suas mentes, entre essas pessoas está o cravinhense Diogo Roberto Nascimento Pereira, 27 anos, que quando pequeno viu a capoeira como um esporte que evitou que ele fosse para caminhos errados.

“Quando era criança ficava mais na rua que em casa, e qualquer coisa que mexiam comigo eu queria brigar. Era muito encrenqueiro e dava trabalho pra todo mundo. Foi quando um dia conheci o professor Nego que me apresentou à capoeira, foi então que comecei a me interessar pela modalidade”, explica o professor e mestrando de Capoeira, Diogo Pereira.

Apesar de se identificar com tal arte Diogo Ferreira foi morar em Porto Ferreira, e lá encontrou o mestre Souza com quem fez uma grande amizade. Em poucos anos retornou para Cravinhos e o Promotor de Justiça, Dr. Wanderley Baptista Trindade Jr., observando a sua mudança o chamou e perguntou o que ele gostaria de ser. Prontamente o jovem respondeu que seria professor de capoeira. Então o Promotor o colocou para dar treinos no Projeto Sara.

“Foi com certeza um sonho realizado, nunca pensei que poderia mudar completamente o meu jeito devido a um esporte. Comecei a me esforçar e quando não tínhamos lugar para treinar íamos na Quadra de Esportes Irmãos Ribeiro, mas o local era escuro, então esperávamos a luz refletir na quadra pra podermos praticar a modalidade”, conta Diogo Pereira.

Foi nesse momento que estava fundado o Projeto de Capoeira União, que contaria com o apoio do mestre Souza e seria um trabalho totalmente social, para que outras crianças e adolescentes pudessem sair da rua e praticar uma modalidade.

“A capoeira me ajudou e por isso acreditei que ela poderia ajudar outras crianças que se encontravam na rua. E o projeto só foi crescendo, inclusive o local onde treinávamos recebeu a iluminação adequada, que foi paga pelo cidadão José Francisco Matasso Ferdinando [Cabelim], que na época não era candidato a nada e muito menos aspirava ser prefeito, mas sempre esteve do nosso lado, porque viu que o trabalho estava sendo bem executado”, diz o professor.

Nesse ano o projeto completa seus 14 anos de fundação, conta com 190 crianças de todas as partes do município de Cravinhos. Além de idosos que se encantaram pela arte da capoeira e tem aulas específicas, e com horários especiais.

“Muitas vezes cheguei para dar aula desanimado, mas quando começa o treino as crianças, cada uma a seu jeito, vão fazendo um movimento novo e isso faz com que qualquer chateação do dia fique pro lado de fora. Ensino a todos, mas eles também me ensinam muito. E se engana quem pensa que somente pessoas carentes fazem capoeira, porque o que vejo são todas as classes sociais integradas no desenvolvimento da arte”, ressalta o professor cravinhense.

A ideia de dar aulas para a Terceira Idade partiu da primeira-dama do município [Cleusa Maria Machado Ferdinando], por isso foi necessário que Diogo fizesse uma reciclagem e atualização, pois nem todos os movimentos praticados por uma criança podem ser feitos por um idoso. Entretanto a cada vez que ele chega ao Centro de Referência do Idoso para dar as aulas, elas o surpreendem com movimentos e estilo característicos.

“Precisei recorrer ao meu mestre Souza para fazer uma atualização, com o objetivo de dar aula a Terceira Idade de Cravinhos. Ele como já lidou com esse público me ensinou a Pedagogia da Capoeira, e me encanto a cada aula que uma delas faz um movimento diferente e peculiar. E posso afirmar que o pessoal da Terceira Idade tem mais vontade do que muitas pessoas novas”, conta o professor.

Entretanto quando indagado se já formou diversos capoeiristas, o professor Diogo é bem enfático: “não formo capoeiristas, mas sim cidadãos”.

“O Grupo de Capoeira União de Cravinhos acolhe qualquer pessoa que tenha necessidade de ajuda, seja ela qual for. Não quero formar diversos capoeiristas para o mundo, mas sim cidadãos. Por isso mesmo que trabalhamos diversos pontos com os jovens e adultos que fazem parte de nossas aulas”, comenta o contra-mestre Diogo Pereira.

Vale salientar que além de Cravinhos o projeto de capoeira “União” está em mais 16 municípios, sendo que cada um tem o professor que comanda a sua turma.

Preconceito e superação

Tendo o trabalho reconhecido pela atual administração municipal, o mestrando Diogo Roberto Nascimento Pereira, contou com a ajuda do prefeito Cabelim, da secretária da Educação, Márcia Fernandes Donato e do secretário de Esportes, Raul Pratalli Filho para ver seu projeto chegar a todos os bairros cravinhenses.

“Muitos me julgavam e dizendo que não ia dar certo na vida, já ouvi diversas vezes as pessoas chegarem até mim e dizer que capoeira é coisa de vagabundo e que isso não dá nada pra ninguém. Mas com o apoio do Cabelim, da Márcia Donato e do Raul Pratalli hoje me orgulho de saber que o meu trabalho é reconhecido, e que diversas crianças se dedicam a essa modalidade. Tenho orgulho de ser professor de capoeira e digo que é um sonho realizado, só falta as pessoas deixarem o preconceito de lado e prestarem mais atenção em todos que praticam a modalidade”, emociona-se o mestrando.

Atualmente diversos pais fazem capoeira para poderem incentivar seus filhos a praticarem uma atividade física, que não deixa nunca os “jogadores” parados, o que torna a capoeira tão grandiosa e bonita de se ver.

Portadores de necessidades especiais e cidades da região

A equipe do Grupo União de Capoeira também desenvolve trabalho na cidade de Ribeirão Preto, em bairros carentes, como por exemplo, Adelino Simione, em que as crianças se dedicam a modalidade para saírem das ruas.

“Lá é um bairro muito carente, mas mesmo assim desenvolvemos o projeto no local e precisam ver como as crianças ficam contentes quando chegamos para dar a Capoeira a todos”, diz Diogo.

Em Ribeirão Preto também participam das atividades de capoeira em torno de 13 crianças portadoras de necessidades especiais, entretanto aqui em Cravinhos apenas uma já aderiu ao projeto de capoeira.

“Em Ribeirão trabalhamos com portadores de necessidades especiais e vemos um grande desenvolvimento a cada dia que tem aula. No município de Cravinhos ainda não tivemos essa abertura da diretoria da APAE, mas respeito o posicionamento de todos e digo que as portas do projeto estão abertas a qualquer pessoa. Mesmo aquelas que acham que não são capazes de fazer capoeira podem acreditar que conseguem”, diz o mestrando Diogo Nascimento.

As crianças, adolescentes e adultos de Cravinhos que quiserem experimentar a arte da capoeira podem se inscrever e saber dos horários na Secretaria Municipal de Esportes, que fica localizada no Complexo Esportivo “Prefeito José Vessi” ou ainda solicitar horários e locais dos treinos, através do telefone 3951-1378.

Depoimentos

O Projeto de Capoeira União de Cravinhos

“O Diogo desenvolve um trabalho muito bom com as crianças e jovens do bairro Jardim Santana, Nova Cravinhos, Trajano Stella e Vila Cláudia. Além dos integrantes da Terceira Idade no CRI. A capoeira é um esporte que exige disciplina e concentração e ele trabalha com empenho e prazer.

Possui, atualmente, aproximadamente 200 alunos e a Secretaria da Educação conta sempre com o apoio dele, bem como a participação de seus alunos em diversos eventos realizados pela Secretaria. Essas aulas ministradas pelo Diogo incentivam todos os alunos que as praticam, inclusive com a melhoria dos estudos”, relata a secretária da Educação de Cravinhos, Márcia Fernandes Donato.

“Conheço o Diogo e o seu grupo muito antes de me tornar prefeito, por isso só tenho que parabenizá-lo. Sempre lhe incentivei e continuarei fazendo isso, porque só quem conhece de perto o trabalho que ele desenvolve junto à população de Cravinhos que sabe como esse jovem professor é bem esforçado. Parabéns a ele e todos que fazem parte do Grupo União de Capoeira”, diz o prefeito municipal de Cravinhos, Cabelim.

“A cidade de Cravinhos carecia de um professor de Capoeira há muito tempo, mas surgiu o Diogo que se tornou referência. E sempre estaremos dando respaldo ao seu trabalho, porque é um projeto social que envolve aproximadamente 200 jovens, que poderiam estar nas ruas, mas se encontram praticando essa atividade física tão bem ensinada pelo professor Diogo”, comenta o secretário de Esportes de Cravinhos, Raul Pratalli Filho.

A História da Capoeira

A origem da capoeira data da época da escravidão no Brasil. Muitos negros foram trazidos da África para o Brasil para trabalhar nos engenhos de cana-de-açúcar, nas fazendas de café, nas roças ou nas casas dos senhores. A capoeira era uma forma de luta e de resistência.

Porém, para não despertarem suspeitas, os escravos adaptaram os movimentos da luta aos cantos da África, fazendo tudo parecer uma dança. A capoeira foi ficando do jeitinho que ela é hoje, gingada.

No início do século XIX, no Rio de Janeiro, bandidos e malfeitores eram chamados de capoeiras, como registrou o escritor Manuel Antônio de Almeida, em “Memórias de um Sargento de Milícias”. Em 1888, a escravidão foi oficialmente abolida no Brasil. Muitos negros libertos não tinham como sobreviver e acabaram na marginalidade. Em Salvador, chegaram a organizar gangues e provocar rebeliões. Durante muito tempo a capoeira foi proibida.

Na década de 1930 a capoeira já tinha adquirido um novo status na sociedade. O próprio presidente Getúlio Vargas convidou um grupo de capoeira para se apresentar oficialmente no Palácio do Catete. A capoeira foi liberada. Professores de capoeira da Bahia se tornaram famosos, como os mestres Bimba, Pastinha e Gato, imortalizados nos romances de Jorge Amado.

Hoje em dia há muitas formas de jogar capoeira, e a mais tradicional preserva as raízes africanas, como a capoeira angola na Bahia.

 

Reportagem: Kennedy Oliveira

Fotos: A Redação

 

http://www.atribunaregional.com.br

Grupos de Capoeira irão lançar projeto de prevenção as drogas

Aconteceu oficialmene na sexta feira, 16 de Dezembro, o lançamento do Projeto “Sou craque na Capoeira e nas Drogas dou rasteira”. O evento contou com o apoio da Câmara Municipal de Fortaleza e foi realizado na Praça do Ferreira.

O Presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Vereador Acrísio Sena – (PT/CE), destacou a importâncias dos grupos de Capoeira em somar neste momento, ao programa nacional lançado pela a Presidenta Dilma Rusself, que visa combater os traficantes e ressocializar os dependentes químicos, e que com isso, a capoeira terá uma participação muito grande nesta ação, tanto no aspecto saúde, esporte e bem estar de qualidade de vida.

Os grupos participantes passarão por um processo de capacitação com profissionais da área, para melhor ter domínio no tema em questão e poder ajudar direto e indiretamente. Além disso, será confeccionado informativos para distribuição em pontos estratégicos de nossa cidade, no intuito de alertar e melhor explicar como identificar um usuário de droga, já que muitos dos casos registrados acontecem dentro de casa e não sabemos quais os sintomas para identificá-los.

Na pauta da programação, está prevista uma audiência publica em conjunto, Câmara Municipal de Fortaleza e a Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, onde será debatido o papel da Capoeira na Prevenção as drogas e da violência no nosso Estado, requerimento de autoria do Deputado Roberto Mesquita – (PV/CE), por iniciativa do Vereador Iraguassú Teixeira – (PTD/CE).

A intenção é dar continuidade neste projeto até 2016, uma vez que, não iremos combater as drogas e a criminalidade de uma hora para outra, não é este o objetivo do projeto, o País foi contemplado com 02 (dois) grandes eventos esportivos mundiais, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016; ate a realização destes grandes acontecimentos, muito teremos que fazer neste sentido; é o que afirma Mestre Gerson do Valle, idealizador do Projeto.

 

Maiores informações:

Mestre Gerson do Valle – 085. 8754.2803 Oi, 9954.8989 TIM, 8107.6104 Vivo e 9204.2624

Email: mestregerson@yahoo.com.br

Blog: HTTP//:www.gersondovalleoreporter.blogspot.com

http//:www.ciaterreirocapoeiradoceará.blogspot.com

 

Equipe: Juntos vamos dar uma rasteira nas drogas. Terreiro Capoeira, ACAS, Legião Brasileira, Grupo Zumbi, Associação Palmares, Marabaiano, Benção Capoeira, Grupo Muzenza, Viver Capoeira, União Capoeira, Capoeira Brasil, Nação Capoeira, Berimbau de Prata, Capoeira Luz Viva, Nação Negra e Equipe Capoeira.

 

(*) Foto: Presidente Acrísio Sena, Mestre Prainha – Presidente em exercício da Federação Cearense de Capoeira e Vereador Iraguassú Teixeira

Orquestras infantil de Berimbaus, Niterói 1997

No ano de 1997 em Niterói, no bairro de São Domingos, algumas crianças se destacaram pela habilidade que mostravam na Roda da Capoeira e na sua parte rímica e musical. Dentre eles Wellington e Thiaguinho (ao centro e olhando à frente).

Aqueles meninos estavam praticando a capoeira angola a pouquissimo tempo e já mostravam que “iam dar o que falar”. E realmente começaram a jogar uma capoeira bonita de se ver. Um deles, o Wellington (filho da Vera) parecia flutuar no jogo, sapateava e mandingava. Todos o elogiavam e ele já começava a dar trabalho a alguns marmanjos da capoeira, que quando jogavam com o garoto tinham que se calçar de precauções, para não escorregarem de encontro ao chão.

Bons tempos aqueles da Cantareira, incríveis eventos os do Projeto Todo dia São Domingos, no Casarão. Inesquecíveis Sambas pelos quais depois o espaço ficou tão conhecido: o famoso Samba do Casarão! Local onde bambas se apresentaram … artistas que hoje entoam suas vozes nos melhores bares e casas de shows do Rio e do Brasil.  Nomes como Tereza Cristina e Galloti, Pedro Lima e Teresa Pineschi, Seu David da Portela e o seu grupo, Tio Samba e muitos outros deixaram sua marca nas lembranças de muitos que lá estiveram.

O tempo passa a memória permanece!

A partir dessa semana estaremos postando diariamente algumas fotos do Projeto todo Dia São Domingos e de uma época que muitos tem saudades e boas memórias.

Obs. se você participou do Casarão de São Domingos ou da Cantareira e tem alguma foto que deseja compartihar com agente basta enviar para info@kabula.org. A foto poderá ser selecionada e postada no nosso site.

Fonte: Kabula Art’s & Culture – http://kabula.org

FFC: Festival Mama África e Brasil de Capoeira

A cidade de Niterói sediou, no dia 26 de junho, o Festival Mama África e Brasil de Capoeira Estilo Livre, no Sesc, a partir das 8h. Diversas famílias compareceram ao evento e puderam assistir várias apresentações dos capoeiristas. O presidente do Instituto Brasileiro dos Profissionais de Capoeira e coordenador geral do Festival, Mestre Zezeu, recebeu convidados de Saquarema e dos países França, Alemanha, Bélgica, Bolívia e Áustria, os quais tiveram oportunidade para deixar seus depoimentos, durante a festa.

Além destes, compareceram os Mestres mais conhecidos em Niterói pelo trabalho e empenho que dedicam há anos à Capoeira e, com isso, colaboram para fortalecimento do jogo: Travassos, Antonio Affonso, Machado, Chita, Netto, César, Marcos, Cid, Aranha e Jorginho, dentre outros. Todos estavam acompanhados por seus alunos e participaram, unânimes, nas atividades apresentadas.

O Mestre Zezeu agradeceu a todos que auxiliaram para a realização do Festival, como a Federação Fluminense de Capoeira, a Liga Niterói de Capoeira, a Secretaria de Esportes de Niterói, a Fundação de Arte de Niterói (FAN), Ouvidoria Municipal de Niterói e todas as pessoas que espontaneamente somaram forças.

No decorrer da programação foi claro observar a união, a paz, a alegria e o companheirismo com que trabalham. Algo fundamenteal, todos os Mestres que tiveram oportunidade para comentar, enfatizaram a importância de Deus na vida do homem e como máxima na vida. Alguns, além de se preocuparem com o aprendizado da Capoeira, se dedicam também a instruírem os jovens na vida espiritual para dar equilíbrio na vida. Inclusive, o Mestre Zezeu comentou sobre seu novo conceito de Capoeira. “Posso afirmar que ela não tem uma religião apenas. Temos aqui, hoje, capoeiristas de todas as religiões. Nós, diretores, não recebemos nenhum centavo para fazer Capoeira, recebemos apoio dos amigos”, destacou.

De igual forma, o Mestre Travassos falou de seu orgulho pelo evento. “Agradeço a todos os Mestres que aqui estão por fazerem com tanto amor e carinho o nosso esporte, que é a Capoeira. O nosso Deus está aqui entre nós e o Filho Dele veio a esse mundo para nos salvar e nos dar o apoio que precisamos. Por isso, nós, Mestres, precisamos procurar um caminho espiritual para preparar esses jovens”, enfatizou.

A Capoeira – tradicional manifestação de cultura genuinamente brasileira – tem espaço garantido no SESC Niterói todos os sábados, às 10h, aberto ao público e o Mestre Zezeu aguarda os interessados.

O SESC Niterói fica na Rua Padre Anchieta, 56, Centro.

 

Foto: Mestre Zezeu (sentado no chão, com a manga da camiseta de cor amarela) entre alguns Mestres presentes – Foto: Edson Soares

 

Postado por FFC no Federação Fluminense de Capoeira

Joel Pires Marques
Presidente da Federação Fluminense de Capoeira.
tel.: (22) 26295032 e (22) 88083788

Cabo Frio/RJ-Brasil.

Homenagem: O céu esta mais cheio de Luz!

O céu esta mais cheio de Luz!
(por Robson de Almeida, formado Leopardo)
Cheguei as 5h da manhã. Estava fotografando uma festa de Debutante, na Faria Lima, em SP.

O cansaço me consumia e em pouquíssimos minutos já estava em um sono profundo.

As 11h24 acordo com o toque do meu celular. Assustado, olhei no visor e vi que era uma ligação da Marinheira, grande amiga e irmã de capoeira.

Há aproximadamente dez dias o Mestre Carapau, meu primeiro Mestre de Capoeira, a quem devo boa parte da minha jornada como praticante desta arte, teve um agravamento muito forte de sua saúde. Afligido pela Diabetes e com os dois rins sem funcionar, além de diversas outras enfermidades e circunstâncias adversas, o Mestre Carapau foi internado e entrou em coma. Passados alguns dias ele saiu do coma por si só, porém teve que ser induzido novamente para que pudesse dar continuidade ao tratamento necessário.

Mediante a situação em que se encontrava, os temores de uma notícia pior começaram a rondar a todos. Uma onda de fé e energia positiva tomou conta daqueles que o conheciam, mas não se pode negar que um sinal de alerta passou a rondar nossas vidas.

Enfim, foi hoje, ao receber o telefonema da Marinheira, que soube da triste notícia. Mestre Carapau partira, por conta de uma parada cardíaca e de morte cerebral.

Nosso Mestre Maior, “um grande capoeira”, se foi na madrugada do dia 12 para o dia 13 de março de 2010.

José Paulo Dias Carapau, Mestre Carapau como era conhecido, nasceu em 12 de fevereiro de 1948, só sendo registrado no mesmo dia de 1951, na cidade de Porto Ferreira, SP.

Iniciou sua vida nos esportes com seis anos de idade, treinando Judô, arte na qual seguiu até a faixa preta, segundo dan, e leciou no período de 1965 a 1970. Um aluno de Judô, o “baianinho”, capoeirista discipulo do mestre Traíra, o apresentou a capoeira, e foi ai que tudo começou.

Mestre Carapau iniciou suas aulas de capoeira com Antônio Gonçalves de Mello, o Mestre Mello, em Porto Ferreira mesmo, e foi lá que treinou, ajudou o Mestre Mello a dar aulas, se formou e, em 5 de abril de 1975 fundou o Grupo de Capoeira Angolinha.

Em 28 de fevereiro de 1980, o Mestre Carapau fundou a Academia Sindicato dos Eletricitários, em São Paulo.

Mestre Carapau foi um dos precursores da Capoeira no ABC Paulista. Foi secretário e Presidente do Conselho Fiscal da Federação Paulista de Capoeira. Criou normas, regulou campeonatos, festivais e representou a capoeira paulista, assim como a do Grupo Angolinha de Capoeira, em diversas oportunidades, sempre com vigor, astúcia e determinação.

Mestre Carapau é um daqueles homens que não mediu esforços para ver um sonho de honestidade e honra ser realizado. Muitas vezes tirou da própria família para ajudar irmãos de capoeira. Em outras foi duro, rígido, porém consciente de que aquele era o caminho necessário para que o respeito fosse a pedra fundamental de um sonho que nasceu com seu Mestre, o Mestre Mello, mas que se tornou sua luta, seu objetivo de vida.

Mestre Carapau é um daqueles homens que merecem ter ladainhos contando suas paripécias, ter homenagens em títulos de eventos, ter seu nome resguardado como tantos já passados pela história dessa arte libertadora.

Mestre Carapau é como um ícone na Capoeira. Triste daquele que não sabe de sua idônea história. Feliz daquele que teve o prazer de conhecer um homem de tamanha luz, um verdadeiro guerreiro.

A comunidade capoeira, em especial o Grupo Angolinha e principalmente a Assossiação de Capoeira Angolinha – Rudge Ramos, chora sua ida, porém tem o orgulho de dizer que em nossa luta houve um guerreiro de tamanha sabedoria e coragem, um homem-mito, que fez história e agora será uma lenda.

Salve Mestre Carapau. Que em sua nova morada o senhor tenha a oportunidade de rever e reviver momentos memoráveis de sua vida, encontrar certos “mandioquinhas” e proliferar seus “ditos pirulitus”.

“Eu até chorei, quando vieram me avisar…..”

Fonte: http://cidadaoeu.blogspot.com/2010/03/obrigado-mestre.html

Livro sobre Exu causa guerra santa em escola municipal

Professora umbandista diz que foi proibida de dar aulas em unidade de Macaé, dirigida por diretora evangélica

Rio – As aulas de Literatura Brasileira sobre o livro ‘Lendas de Exu’, de Adilson Martins, se transformaram em batalha religiosa, travada dentro de uma escola pública. A professora Maria Cristina Marques, 48 anos, conta que foi proibida de dar aulas após usar a obra, recomendada pelo Ministério da Educação (MEC). Ela entrou com notícia-crime no Ministério Público, por se sentir vítima de intolerância religiosa. Maria é umbandista e a diretora da escola, evangélica.

A polêmica arde na Escola Municipal Pedro Adami, em Macaé, a 192 km do Rio, onde Maria Cristina dá aulas de Literatura Brasileira e Redação. A Secretaria de Educação de lá abriu sindicância e, como não houve acordo entre as partes, encaminhou o caso à Procuradoria-Geral de Macaé, que tem até sexta-feira para emitir parecer. Em nota, a secretaria informou que “a professora envolvida está em seu ambiente de trabalho, lecionando junto aos alunos de sua instituição”.

A professora confirmou ontem que voltou a lecionar. “Voltei, mas fui proibida até por mães de alunos, que são evangélicas, de dar aula sobre a África. Algumas disseram que estava usando a religião para fazer magia negra e comercializar os órgãos das crianças. Me acusaram de fazer apologia do diabo!”, contou Maria Cristina.

Sacerdotisa de Umbanda, a professora se disse vítima de perseguição: “Há sete anos trabalho na escola e nunca passei por tanta humilhação. Até um provérbio bíblico foi colocado na sala de professores, me acusando de mentirosa”.

Negro, pós-graduado em ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, o diretor-adjunto Sebastião Carlos Menezes aguardará a conclusão da procuradoria para opinar. “Só posso lhe adiantar que a verdade vai prevalecer”, comentou. Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Sebastião contou que a diretora Mery Lice da Silva Oliveira é evangélica da Igreja Batista.

ATÉ CINCO ANOS DE PRISÃO

“Se houver preconceito de religião, acredito que deva ser aplicado todo o rigor da lei”, afirmou o coordenador de Direitos Humanos do Ministério Público (MP), Marcos Kac. O crime de intolerância religiosa prevê reclusão de até 5 anos. Em caso de injúria, a pena varia de 3 meses a 2 anos de prisão. O MP poderá entrar com ação pública penal se comprovar a intolerância religiosa. “Caso contrário envia à delegacia para inquérito”, explicou Kac.

Alunos do 7º ano leram a obra: referências ao folclore

Em 180 páginas, o livro ‘Lendas de Exu’, da Editora Pallas, traz informações sobre uma das principais divindades da cultura afro-brasileira. O autor da obra, Adilson Martins, remete ao folclórico Saci Pererê para explicar as traquinagens e armações de Exu.

Na introdução, Martins diz que ele é “um herói como tantos outros que você conhece”. Em Macaé, 35 alunos do 7º ano do Ensino Fundamental leram o livro.

Nas religiões afro-brasileiras, Exu é o mensageiro entre o céu e a terra, com liberdade para circular nas duas esferas. Por isso, algumas pessoas acabam o relacionando a Lúcifer.

O presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos, garantiu que outros autores de livros, como Jorge Amado e Machado de Assis, sofrem discriminação nas escolas: “As ideias neopentecostais vêm crescendo muito, desrespeitando a lei”.

Ivanir explicou que o avanço da discriminação religiosa provocou o agendamento de um encontro, dia 12 de novembro, com a CNBB: “Objetivo é formar uma mesa histórica sobre os cultos afro e estabelecer uma agenda comum”.

VIVA VOZ

Até mães de alunos me proibiram de falar sobre a África

“Acusam-me de dar aula de religião. Não é verdade. No livro ‘Lendas de Exu’, de Adilson Martins, há histórias interessantes, são ótimas para trabalhar com os alunos. Li os contos, como se fosse uma contadora de histórias, dramatizando cada uma delas. Praticamos Gramática, e os alunos ilustraram as histórias de acordo com a imaginação deles. Não dá para entender por que fui tão humilhada. Até mães de alunos, evangélicas, me proibiram de falar sobre a África”.

MARIA CRISTINA MARQUES, professora, 48 anos

Fonte: O Dia

Campanha: Vamos dar uma rasteira nas Drogas

10 anos do grupo Desterro Capoeira e Campanha: Vamos dar uma rasteira nas Drogas

No dia 11 de Julho de 2009 (Sábado), iremos comemorar os 10 anos do grupo Desterro Capoeira e vamos lançar a Campanha: Vamos dar uma rasteira nas Drogas, será um dia muito especial e importante.

O grupo Desterro Capoeira desenvolve seu trabalho há 10 anos em Santa Catarina, em todas as classes sociais, com crianças, adolescentes e adultos, não só formando capoeiristas, mas sim cidadãos de bem, a Desterro Capoeira é uma entidade sem fins lucrativos e de utilidade pública, e juntamente com esse trabalho nos preocupamos em fazer um trabalho de prevenção contra as drogas que é o mal do século, e nós como trabalhamos com muitas crianças e adolescentes temos essa preocupação com nossos alunos de prevenção às drogas.

Por isso estamos empenhados em fazer essa Campanha contra as Drogas nessa data, no Miramar (Praça Fernando Machado) Centro de Florianópolis, às 10:00horas, com um grande aulão, roda de Capoeira e uma grande passeata pelo Centro de Florianópolis, sensibilizando toda a sociedade em geral.

PROGRAMAÇÃO 11 DE JULHO DE 2009:

09:30 – Concentração no Miramar com todos os alunos e pais.

10:00 – Grande aulão e roda de Capoeira na Praça Fernando Machado (Miramar) Centro de Florianópolis.

11:00 – Passeata pelo Centro com faixas e cartazes.

 

Coordenador geral:

Marcos Vinício Taques (Mestre Mancha)

(48)3242-6297 / 8414-3336

mestremanchadesterro@hotmail.com

www.desterrocapoeira.com.br

Mestre Virgílio: Meio Século de Capoeira

Virgílio Maximiano Pereira, o popular Mestre Virgílio, recebeu nesta segunda-feira 15-09-08, na Câmara Municipal de Salvador, uma homenagem aos seus 50 anos de capoeira. A Sessão Especial será realizada a partir da 18:00 no auditório do Centro Cultural da Câmara e contará com a presença de diversos mestres antigos da ABCA (Associação Brasileira de Capoeira Angola). Fundada em 1989, a ABCA atua na defesa a promoção da capoeira tradicional baiana, e tem Mestre Virgílio como seu presidente.

Mestre Virgílio foi iniciado na capoeira angola por seu pai, o célebre Mestre Espinho Remoso, na década de 50, na Jaqueira do Carneiro, atrás do Retiro. ‘Ele não tinha escola de capoeira, tinha um quiosque e dia de domingo todos os amigos dele iam lá jogar’ relata Mestre Virgílio. Tendo treinado brevemente com Mestre Caiçara, Virgílio recebeu o título de Mestre de Capoeira Angola das mãos do finado Mestre Paulo dos Anjos, discípulo de Mestre Canjiquinha. Após o falecimento de seu pai, ele começou a dar aulas de capoeira na comunidade da Fazenda Grande do Retiro.

Há mais de 30 anos, desenvolve um trabalho social na Escola Profissional 1º de maio, na Fazenda Grande do Retiro. Em relação à homenagem, alegria e reservas: ‘Homenagens são boas, mas passam. Eu preciso hoje é de uma aposentadoria honesta pra levar o resto de minha vida’. A fala de Mestre Virgílio denuncia a sina dos antigos mestres de capoeira, reverenciados em seu auge e abandonados na velhice. Mestre Pastinha, em 1980, seu penúltimo ano de vida, cego, já denunciava: ‘A capoeira de nada precisa. Quem precisa sou eu!’. O registro da capoeira angola como patrimônio cultural brasileiro fortalece uma antiga bandeira de luta da ABCA, a aposentadoria especial para os antigos mestres, além do reconhecimento do seu notório saber para que possam dar aulas em escolas e universidades.

Quem quiser ver mestre Virgílio jogar a capoeira tradicional, que depois da criação por mestre Bimba da capoeira regional, em 1930, passou a ser chamada de capoeira angola, vá à sede da ABCA, na Rua Gregório de Mattos, 38, no coração do Pelourinho. Virgílio com seus velhos companheiros, como mestre Bigodinho, Nô, Boca Rica, Ângelo Romano, Pelé da Bomba, Augusto Januário, Pelé do Tonel, Raimundo Dias e tantos outros, mantém a tradição dos cantos e dos toques de berimbau, na formação da bateria e nos rituais da capoeira-mãe. Todas as SEXTAS FEIRAS ÀS 19 HS.

Paulo A. Magalhães Fº – DRT 11.374
Lucia Correia Lima – DRT 1046