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Aprovado o Dia Nacional da Capoeira

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (3) projeto de lei que institui o dia 20 de novembro como Dia Nacional da Capoeira (PL 7536/10). Como já havia sido aprovado pela Comissão de Educação e Cultura e tramita de forma conclusiva, o projeto segue agora para o Senado, a menos que seja apresentado recurso para que haja votação no Plenário.

O relator na CCJ, deputado Luiz de Deus (DEM-BA), defendeu a aprovação da proposta “por tratar-se de esporte de origem histórica de prática nacionalmente conhecida”.

De acordo com o autor da proposta, deputado Márcio Marinho (PRB-BA), “com a intenção e valorizar a capoeira e sendo o dia 20 de novembro o dia da consciência negra, data em que Zumbi dos Palmares, um dos líderes mais importantes da luta pela liberdade e contra o escravismo, perdeu sua vida, cremos ser relevante reafirmar nesta data o seu reconhecimento como patrimônio cultural, instituindo o Dia Nacional da Capoeira”.

 

Fonte: http://www.dm.com.br/

Roda da Amizade: Homenagem a Antenor Barbosa o “Papagaio”

CAPOEIRAS DE BARRA DO CORDA FARÃO A “RODA DA AMIZADE” EM HOMENAGEM A ANTENOR BARBOSA o PAPAGAIO

Os capoeiras de Barra do Corda farão novamente a Roda da Amizade organizada pelo Grupo Angoleiros da Barra, o GABA Capoeira Angola, coordenado pelo Professor Irapuru. A roda tem como objetivo principal, congregar todos os cordinos praticantes da Capoeira, independente de grupos e estilos. A concentração está marcada para porta da casa da senhora Alda Brandes na Rua Arão Brito, próximo a Caixa Econômica, no Centro da cidade, a partir das 16 horas de sábado 4 de fevereiro. Da casa de Dona Alda os capoeiras realizarão um cortejo de berimbaus que subirá o morro do Calvário onde acontecerá a Roda.

Os alunos do Trabalho Educacional Ação Roda Mundo Capoeira Angola da Secretaria Municipal de Educação, o Grupo Mundo Capoeira através de Mestre Macaco, o Grupo Vo2 Max do Professor Mateus e o Grupo Passos da Liberdade através de Boca Rica, todos de Barra do Corda, já garantiram suas participações no movimento, que também será realizado em homenagem ao professor ANTENOR BARBOSA falecido em 31 de dezembro.

A Roda da Amizade estava marcada para o dia 31 de dezembro, data que aconteceu a primeira Roda da Amizade em 31 de dezembro de 2009, oportunidade em que ficou firmado pelos capoeiras de Barra do Corda, que o dia 31 de dezembro seria a data da manifestação acontecer todos os anos seguintes, mas infelizmente em 2011, o falecimento de Antenor, ocorrido na manhã do dia 31, deixou todos consternados com a perda de um dos nossos melhores capoeiras, que desistiu da vida aos 23 anos e nos deixou uma imensa tristeza de não poder mais vê-lo vadiar em nossas brincadeiras.

Dia da Cultura será comemorado com atividades no Centro da cidade

Em comemoração ao Dia Nacional da Cultura (5 de novembro), a Fundação de Cultura de Barra Mansa promove amanhã (5) uma série de manifestações artísticas na Praça da Matriz de São Sebastião, no Centro. As atividades começam às 9h e seguem até 12h30.

A programação conta com mostras de folia de reis, com a Associação de Folias de Reis e São Sebastião de Barra Mansa; música sertaneja, coordenada pela Associação de Sertanejos de Barra Mansa e região; tae-kwon-do (Academia Dragões do Tae-Kwon-Do de Barra Mansa); roda de capoeira, com o grupo Abadá Capoeira; teatro, apresentando esquete com a Cia. de Teatro Vietra de Barra Mansa; e música, com a Banda Marcial do projeto “Música nas Escolas”.

– É uma programação intensa. A Associação de Sertanejos se apresentará da mesma maneira que fez durante o espetáculo “Nasce uma Cidade”. Foi uma apresentação muito bonita e por isso pedi que eles fizessem novamente. O Abadá Capoeira é sempre um show, não é só a capoeira, eles cantam, contam histórias e têm toda uma apresentação muito lúdica

– comentou o superintendente de Cultura, Luiz Augusto Mury, acrescentando que, além de comemorar a data, o evento visa dar visibilidade às manifestações artísticas que existem em Barra Mansa.

– O teatro, por exemplo, é algo que vem crescendo na cidade. Temos o grupo Sala Preta, a Cia. Vietra e outros que se manifestam pelo teatro. Tivemos no “Nasce uma cidade” mais de 300 pessoas ligadas à arte participando e todos são ligados à Fundação de Cultura. A capoeira e as artes marciais foram escolhidas por se encaixarem melhor em apresentações ao ar livre – disse.

O encerramento fica por conta da Banda Marcial de Barra Mansa, que iniciará sua apresentação na Avenida Domingos Mariano, na altura do Restaurante Cidadão, e seguirá pela via, passando pela Avenida Joaquim Leite, até a Praça da Matriz.

Não é a primeira vez que a data é comemorada com ações no município.

 

– Antes, essa comemoração acontecia com faixas e demonstrações na Feira da Preguiça. Este ano resolvemos incrementar. Teremos a manhã toda tomada por esses eventos culturais – falou Mury.

 

Leia mais: http://diariodovale.uol.com.br

Coleção História Geral da África está disponível para download

O Estatuto da Igualdade Racial foi um marco para o movimento negro. Sancionado em 20 de julho de 2010 pelo então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, trouxe muitos benefícios para a comunidade e cultura afro-brasileiras. Mas toda grande transformação social inicia-se pela educação. É nessa área que a coleção História Geral da África, lançada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), vem dar uma grande contribuição.

Publicada em oito volumes e totalizando 10 mil páginas, a coleção conta a história da África a partir de uma visão de dentro do continente, usando uma metodologia interdisciplinar que envolve especialistas de diversas áreas do conhecimento. Seu conteúdo permite novas perspectivas para os estudos e pesquisas a respeito da África e agora está disponível para download, gratuitamente, no site da Unesco.

Lançada nacionalmente em dezembro do ano passado, a coleção foi produzida por mais de 350 especialistas, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos. O lançamento da versão em português é fruto de uma parceria da UNESCO com o Ministério da Educação, por intermédio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Em abril, acontece o lançamento regional, com uma série de eventos (ver quadro abaixo)

LEGISLAÇÃO – Para além da contribuição intelectual na desconstrução da imagem primitiva sobre a cultura africana que ainda domina o senso comum, a coleção História Geral da África constitui parte de um material que possibilita a execução da Lei 10.639, de 2003, que inclui, na rede de ensino pública e privada, a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-brasileira”.

A inclusão do tema no ensino regular também é citada no Estatuto da Igualdade Racial (lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010), que dedica a segunda seção do Capítulo II à educação. Segundo o texto, “é obrigatório o estudo da história geral da África e da história da população negra no Brasil”, a fim de resgatar “sua contribuição decisiva para o desenvolvimento social, econômico, político e cultural do País”. Com a Coleção, os professores terão acesso a um material de qualidade para basear suas aulas sobre o tema.

REFERÊNCIA – Além de servir de fonte para a produção de material pedagógico voltado para as escolas, a Coleção é base para pesquisas de especialistas e profissionais de todo o mundo que, de alguma forma, lidam com a história do continente, bem como subsidia a formação de professores de diversas áreas do conhecimento.

A obra contribui para a disseminação da história e da cultura africana na educação, e também para a transformação das relações étnico-raciais no País. A intenção é fazer com que professores e estudantes lancem um novo olhar sobre o continente africano e entendam sua contribuição para a formação da sociedade brasileira.

Considerada o principal material de referência sobre o assunto, a coleção completa foi editada em inglês, francês e árabe e, pela primeira vez, tem seus oito volumes disponibilizados em português.

DISTRIBUIÇÃO – A Coleção da História Geral da África será distribuída pelo Ministério da Educação e estará à disposição dos interessados em todas as bibliotecas públicas municipais, estaduais e distritais; nas bibliotecas das Instituições de Ensino Superior, dos Polos da Universidade Aberta do Brasil, dos Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros, dos Conselhos Estaduais ou Distrital de Educação.

Os oito volumes estarão disponíveis para download nos sites da UNESCO.

 

Programação do lançamento regional

Cachoeira – Bahia

Mesa Redonda

Data: 02 de abril de 2011-03-28

Local: Auditório do Centro de Artes e Humanidades – Universidade do Recôncavo da Bahia

Horário: 10h – 12h30min

Salvador – Bahia

Data: 04 de abril de 2011

Local: Auditório da Reitoria da Universidade Federal da Bahia

Horário: 9h – 18h

São Paulo – SP

Data: 06 de abril de 2011

Local: Auditório do Tucarena – Rua Monte Alegre, 1024

Horário: 9h -18h

Belo Horizonte – MG

Data: 13 de abril de 2011

Local: Auditório Neidson Rodrigues, Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais

Horário: 9h – 18h

 

Fontes: Unesco, Seppir, MEC

Mulheres – Vale a pena conhecer

Mais um  Dia Internacional da Mulher está chegando. Comemorado, este ano, na mesma data do Carnaval, tem mais chances de ser lembrado: por escolas de samba, blocos, em trios elétricos ou outras festividades.

Por outro lado, a data também tem mais chances de ser esquecida, sendo ofuscada pelas festividades carnavalescas.

Cabe a cada um de nós escolher entre celebrar a data ou deixá-la passar em branco. Lembrando que, celebrá-la pode ser muito simples.

Basta olhar ao redor e observar cada mulher que circunda sua vida. Observar seu trabalho, sua força, sua paciência e persistência. Com certeza não vai faltar o que ser admirado, elogiado e homenageado. Então admire, elogie e homenageie.

Esse é um exercício muito simples e positivo que pode ser colocado em prática pelos homens e pelas próprias mulheres, que também têm muito o que aprender umas com as outras. Em casa, no trabalho, no grupo.

Você conhece as alunas do seu grupo? Sabe de suas batalhas e de suas dificuldades? Pois este é um ótimo momento para conhecer e incentivar os demais a fazer o mesmo.

 

Neila Vasconcelos – Venusianacapoeiradevenus.blogspot.com

Iphan: Pró Capoeira Adiado para Novembro

O Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na qualidade de instituição coordenadora do grupo de trabalho interinstitucional criado pelo Ministério da Cultura para promover a formulação e implantação do Programa Nacional de Salvaguarda e Incentivo à Capoeira – Pró-Capoeira, vem a público informar que por  problemas administrativos, logísticos e operacionais o Encontro Pró-Capoeira relativo às regiões Norte e Centro-Oeste será adiado para os dias 3,4 e 5 de novembro, em Brasília, em local a ser oportunamente divulgado.

Pedimos desculpas às pessoas mobilizadas para o evento e informamos que os convites enviados estão reiterados para a nova data, assim como as inscrições feitas permanecem válidas e serão consideradas no processo de seleção dos participantes e observadores deste encontro.
Informamos, por fim, que está mantida a data do Encontro Pró-Capoeira das regiões Sudeste e Sul, a ser realizado na cidade do Rio de Janeiro, nos dias 27, 28 e 29 de outubro de 2010.

Atenciosamente,

Marcia Sant’Anna
Diretora do Departamento do Patrimônio Imaterial do Iphan
Coordenadora Suplente do Grupo de Trabalho Pró-Capoeira – GTPC

O FENÔMENO CAPOEIRA: A Sua Exportação do Brasil Para o Mundo

Prof. Acúrsio Esteves, autor do livro A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento, fará uma abordagem histórica original sobre a exportação do Brasil para o mundo do “fenômeno capoeira”.

Estabelecendo um paralelo entre as “ondas do desenvolvimento humano” – que Alvin Toffler nos coloca em seu Best-seller A Terceira Onda e as “quatro ondas de projeção” internacional da capoeira que lhe serve de argumento, Esteves traça o caminho da capoeiragem das senzalas às universidades, dividindo este trajeto em quatro etapas, chamadas “ondas”, cronologicamente encadeadas, a saber

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III Festival Nacional de Capoeira e Cultura Popular

III Festival Nacional de Capoeira e Cultura Popular será realizado em Paulínia

Entre Puxada de Rede, Maracatu, Hip-Hop e Batismos de Capoeira, a Secretaria de Cultura de Paulínia, unida a Associação Educacional e Cultural de Capoeira Rainha do Engenho e pelo Projeto Anastácia, promove a partir do próximo sábado o III Festival Nacional de Capoeira e Cultura Popular.

O evento contará com apresentações de mestres capoeiristas, reconhecidos internacionalmente, e artistas responsáveis por trabalhos culturais de referência em Paulínia e em cidades da Região Metropolitana de Campinas.

Projeto Anastácia

Por utilizar música, a capoeira se distingue de todos os outros tipos de artes marciais. Por isso, o projeto que surgiu a partir da necessidade de realizar atividades físicas, culturais e sócios educativas, utiliza o aprendizado dos jogos de Capoeira para ensinar as pessoas de todas as idades sem distinção de idade, raça, cor, religião, classe social e formação cultural, esse costume tão antigo.

Programação:

Data: 24 de Abril
Abertura “Conferência do Estado de São Paulo – Jogo de Capoeira
Local: Câmara Municipal de Paulínia
Horário: 8h30

Data: 08 de Maio
Curso de Capacitação de Capoeira Angola
Local: Parque Brasil 500 – Pavilhão de Eventos
Horário 09h00

Data: 09 de Maio
Aulão aberto a todos os praticantes de capoeira e pessoas que queiram iniciar.
Local: Em frente ao Theatro Municipal de Paulínia
Horário: 09h00

Data: 09 de Maio

Encerramento do III Festival com a apresentação Puxada de Rede, Maracatu, Hip-Hop, Batismo de Capoeira.
Homenagem ao Dia das Mães com Ana Perugini – Grupo de Pagode “Nossa Onda”.
Local: Theatro Municipal de Paulínia
Horário: 14h00‎

Fonte: http://portaldepaulinia.com.br/ – Portal de Paulínea

Nzinga: Chamada de Mulher

Pois é, neste dia 08 de março de 2010 o Instituto Nzinga de Capoeira Angola completa 15 anos!
A nossa alegria só não é irrestrita porque a nossa data também nos lembra o difícil e gigantesco caminho a ser percorrido para garantirmos a liberdade das mulhers, dentro e fora da capoeira. E liberdade aqui, amigo Luciano, significa a salvaguarda da sua dignidade, dos seus direitos e pelo fim das muitas formas de violencia que ainda se naturalizam sobre estas.
Mais do que uma “roda para as mulheres”, apresentamos mais um dos temas do próprio nzinga na sua trajetória de formação de capoeiristas.
Este, como muitos outros eventos que já realizamos com a mesma finalidade, não é um evento excuisivo para mulheres, até porque sabemos que a capoeira se faz em comunidades em que vivem homens e mulheres. Ao contrário, este é também um momento em que podemos revelar  já um número siginificativos de parceiros que compartilham conosco destas lutas, sendo eles mestres ou capoeistas em diversas fases de formação. Alias, cada vez mais eventos desta natureza tem acontecido aqui no Nordeste, fazendo uma importante ponte entre as mulhers da capoeira angola e capoeira regional, discutindo e imprimindo mais uma vez a valorosa contribuiçãodas mulheres para a capoeira na atualidade: o respeito às diferenças e os desafios de uma vida sem violência e sem preconceitos.
Desta forma, além de ser uma data com um sentido próprio de luta, é também a data em que receberemos amigas e amigos, “para brincar e vadiar”.
Daqui de Salvador, eu e o mestre Poloca estaremos seguindo com mais outras pessoas do Nzinga, e esperamos encontá-lo em algum momento.
Mais uma vez reitero estima e admiração.
Receba meu abraço,
Janja

Consciência Negra e Capoeira uma prática constante

Nesta crônica estão apresentadas algumas considerações sobre o “Dia da Consciência Negra”, chamando-se a atenção para a presença da Mulher – negra ou não – na luta pelas igualdades. Mestra Dandara (Por que não?) recebe justa homenagem!

O dia da Consciência Negra passou. Mais uma data no calendário oficial, que nos sugere um dia especial no meio de semanas e dias de puro trabalho e pouca reflexão. Apesar de cada vez mais termos meios de acessar as informações, o que se pode fazer com elas é ainda muito pouco, uma vez que os esforços e espaços para debates e trocas são limitados.

Eleito o dia 20 de novembro para representar toda nossa História Negra, por ser o dia da morte do líder Zumbi da república quilombola dos Palmares, fundada em 1597 onde hoje é o Estado de Alagoas e Pernambuco, no período auge de nossa vida colonial, essa data tem muito a representar. Gostaríamos de falar brevemente sobre o que essa representação pode oferecer ao debate da Capoeira como uma manifestação dessa parte da nossa História e que só agora, passados séculos de debates não-oficiais, está entrando nos mecanismos de divulgação da História Oficial.

Se uma data como essa permite pensarmos a vida de uma grande liderança como foi Zumbi, gerando a idealização de sua figura como a de um herói que deve ser colocado entre os heróis de nossa pátria-mãe tão pouco gentil com seu povo oprimido, também deveria permitir a conscientização do papel dos que estiveram atuando ao lado dessa figura, especialmente as mulheres, às quais fazemos questão de destacar aqui nesse texto e em outros que temos assinado sobre a presença feminina nos contextos de que participamos.

Lembremos um pouco de Dandara, a qual se sabe tão pouco sobre sua vida, mas que consta como grande guerreira e estrategista dentro de Palmares. Tida como esposa de Zumbi, decide pela própria morte ao invés de entregar-se novamente ao sistema escravista quando da tomada da Serra da Barriga pelo governo monarquista no ano de 1694.

Não vamos aludir aos diversos eventos que correm ao longo da história dessa emblemática figura porque os elementos que levantamos aqui nos fazem pensar bastante sobre pontos importantes dentro da temática aqui proposta: praticar o exercício da conscientização de nosso passado escravista com tanta disciplina quanto a prática da Capoeira.

E nesse sentido estamos cada vez mais dispostas a exigir o espaço necessário para a conscientização do papel da mulher no curso de nossa História. Porque é fundamental reconhecer que tanto nos momentos das eclosões dos acontecimentos como nos do cotidiano diário o nosso papel foi e é o de garantir que o esperado se realize e se concretize de modo que a seqüência da vida e da melhoria daqueles que são parte do nosso círculo social aconteça.

Nós acreditamos que estar ao lado não é um papel medíocre, nem simples, nem subalterno, como querem as correntes feministas dispostas a continuar na segregação proposta pelos mesmos modelos a que se contrapõem. Estar ao lado é suportar (portar junto), é fazer crescer, é procriar. Aqui vale lembrar que tanto a linha reta como a roda são formas de organização que exigem o “lado a lado” pra se concretizarem, e ainda assim expressam maneiras diferentes e opostas de existir no mundo.

Um dia como esse 20 de novembro deve servir para que as mulheres se coloquem diante da condição Matriarcal e Feminina que faz da sensibilidade nossa maior herança. E com isso podemos construir certamente um mundo de homens e mulheres capazes de se voltarem conscientemente e com compaixão para os que sofrem, para os que não são reconhecidos pelo fato de estarem simplesmente vivos ou para aqueles que conhecem apenas a autoridade como forma de agir e de ser no mundo, enfim para todas as formas de vida que hoje em dia estão abaladas com a falta de direcionamento e distanciamento com o sagrado a que estamos submetidos.

Para que a Capoeira também entre nesse processo de valorização e reconhecimento da cultura negra é necessária a presença e atuação feminina e que essa faça seu papel de reconhecer dentro da História dessa luta os elementos que foram destacados, mas também os que foram omitidos nesse processo e contribuir, com força e união, para que as partes diferentes se associem, sem compromisso com mecanismos discriminatórios, especialmente os que nos conduzem a caminhos já sabidos de ruptura.

Não precisamos mais de uma consciência humana que rompa com o humano. Estamos carentes de mecanismos de construção integrativa, esse é o mecanismo da Natureza, deveria ser nosso referencial para tentarmos ter de volta nossa casa-comum, o Planeta Terra, e salvar nossa espécie Sapiens da nossa própria eliminação.

Precisamos sim é exercitar as capacidades físicas e emocionais que a Capoeira permite desenvolver a ponto de treiná-las para as transformações que o mundo está nos permitindo e nos obrigando a realizar. De outra maneira não estaremos fazendo jus aos ensinamentos deixados pelos Mestres que tiveram em suas companheiras a força para o trabalho que desenvolveram.

Casal de Edan .século XIX. Sudoeste da Nigéria. Coleção particular, Bruxelas: A superposição de homens e mulheres simboliza a união dos ancestrais, fundadores da linhagem. Esta associação é necessária para a manutenção do bem-estar de uma sociedade-civilizada, por quem os membros da sociedade secreta Ogboni são responsáveisO intelecto e o sensível estão sendo clamados para uma nova visão da vida, pois a luta a que a humanidade está sendo levada a travar exigirá muito de todos nós. E se nos habituarmos a rever os padrões morais e institucionais a que fomos expostos em toda História, teremos muito a nos beneficiar com o exemplo de mulheres que estiverem em constante combate em busca do respeito e da integração social.

Um dia para refletir a consciência negra no Brasil é um dia para refletir toda a nossa consciência histórica: a consciência que presenciou tantas mortes injustas, que guardou em suas raízes a eliminação do povo original da terra, que se ressente de uma classe dominadora que rejeita a fonte de sua própria riqueza; uma consciência que não acode aos que necessitam e defende os que se aproveitam indevidamente do que é de todos. Enfim, refletir sobre nossa consciência comum que tem muito a rever, rejeitar, redimir e refazer nos sentidos mais profundos de respeito que o ato de retorno pode ter em todos nós.

Stella Mendes (Manchinha), São Paulo, Novembro de 2005

Colaboração : Moleza

Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros (Mestres Marrom & Baixinho)

* Imagens retiradas in: Mostra do redescobrimento: arte afro-brasileira. São Paulo: Associação Brasil 500 Anos Artes Visuais, 2000.

(1) Portadora de cálice. República Democrática do Congo (Musée Royal de l”Afrique Centrale, Tervuren, Bélgica): Guardiã da autoridade sagrada, a mulher que segura a cabaça de adivinhação entre suas mãoes, é o receptáculo dos espíritos e gênios vidye.

(2) Casal de Edan .século XIX. Sudoeste da Nigéria. (Coleção particular, Bruxelas): A superposição de homens e mulheres simboliza a união dos ancestrais, fundadores da linhagem. Esta associação é necessária para a manutenção do bem-estar de uma sociedade-civilizada, por quem os membros da sociedade secreta Ogboni são responsáveis

 

Fonte: Jornal do Capoeira –  www.capoeira.jex.com.br