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Mulheres – Vale a pena conhecer

Mais um  Dia Internacional da Mulher está chegando. Comemorado, este ano, na mesma data do Carnaval, tem mais chances de ser lembrado: por escolas de samba, blocos, em trios elétricos ou outras festividades.

Por outro lado, a data também tem mais chances de ser esquecida, sendo ofuscada pelas festividades carnavalescas.

Cabe a cada um de nós escolher entre celebrar a data ou deixá-la passar em branco. Lembrando que, celebrá-la pode ser muito simples.

Basta olhar ao redor e observar cada mulher que circunda sua vida. Observar seu trabalho, sua força, sua paciência e persistência. Com certeza não vai faltar o que ser admirado, elogiado e homenageado. Então admire, elogie e homenageie.

Esse é um exercício muito simples e positivo que pode ser colocado em prática pelos homens e pelas próprias mulheres, que também têm muito o que aprender umas com as outras. Em casa, no trabalho, no grupo.

Você conhece as alunas do seu grupo? Sabe de suas batalhas e de suas dificuldades? Pois este é um ótimo momento para conhecer e incentivar os demais a fazer o mesmo.

 

Neila Vasconcelos – Venusianacapoeiradevenus.blogspot.com

São Gonçalo: JICAP – Jogos Infantis de Capoeira 2010

Rio de Janeiro: Fazenda Columbandê recebe Jogos Infantis de Capoeira.

Os Jogos Infantis de Capoeira 2010 (JICAP) serão realizados neste sábado, a partir das 9h, na Vila Olímpica da Fazenda Colubandê, em São Gonçalo.

Logo após a abertura oficial, os presentes poderão assistir a um aulão de capoeira com a participação de todos os inscritos. Só então, começa a competição, com os atletas divididos por faixa etária em três categorias :

  • A atletas de até 16 anos
  • B atletas de até 12 anos
  • C atletas de até 7 anos

Os Jicap tem como objetivo a cooperação entre os participantes e não a disputa competitiva tradicional dos demais esportes. Também por isso, a capoeira é uma atividade que promove forte integração social, com a participação de todas as classes sociais e visa o respeito e a amizade dos atletas.

 

Fonte: http://oglobo.globo.com/

Mestre Gilvan promove curso de capoterapia para capoeiristas do RJ

O criador da Capoterapia – capoeira da terceira-idade – e presidente fundador da Associação Brasileira de Capoterapia, Mestre Gilvan estará com sua equipe no Rio de Janeiro nos dias 28, 29 e 30 de novembro. O objetivo da visita é ministrar o curso Prático e Teórico de Capoterapia.

Participam da caravana 50 idosos que freqüentam os grupos de Capoterapia em centros de saúde e ongs do Distrito Federal. O curso é aberto a capoeiristas e não capoeiristas. A organização do evento está a cargo do Mestre Gilvan (61) 9962 2511 e do jornalista Mano Lima (61) 8407 7960. A atividade tem o apoio dos mestres Bogado, Hulk e Teacher e de entidades de capoeira do RJ.

PROGRAMAÇÃO

Instrutor – Gilvan Alves de Andrade, Mestre Gilvan, Fundador da Associação Brasileira de Capoterapia e idealizador da Capoterapia

Carga Horária – 20 horas, sendo 16 práticas e 4 teóricas.

Público-Alvo: capoeiristas, professores de educação física, terapeutas corporais, arte-educadores e demais profissionais que atuam com terceira-idade.

Idade mínima: 16 anos

Local: Praia de Copacabana (à altura do hotel Copacabana Palace)

Dias: 28 e 29/11 (praia de copacabana) e 30/11/2008 (parte teórica no SMEL BARRA)

Inscrição: Capoeiristas são isentos. Os demais interessados devem pagar R$ 120,00 reais no local.

Certificado que habilita pra o exercício da atividade de capoterapeuta: r$ 120,00 (para capoeiristas e não capoeiristas)

Informações: Mano Lima – (61) 8407 7960, mestre em Educação, www.dicionariocapoeira.com. Coordenador do Canal E. Repórter do "Caderno Educação", www.temnoticia.com.br e www.portalcapoeira.com.

Mano Lima – (61) 8407 7960, mestre em Educação, www.dicionariocapoeira.com. Coordenador do Canal E. Repórter do "Caderno Educação", www.temnoticia.com.br e www.portalcapoeira.com.

João Pessoa sedia Encontro de Capoeira

João Pessoa, PB – Capoeiristas de todo o Brasil estarão presentes neste sábado 25, e domingo 26, em João Pessoa, para o nono Encontro Nacional de Capoeira.

Cerca de 500 praticantes do esporte se inscreveram para o evento que tem como objetivo graduar e observar o desempenho dos atletas além de promover a inclusão de 200 atletas do Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiências, FUNAD.

No primeiro dia da competição, a atração será uma grande roda de rua realizada às 19h30, na Feirinha de Tambaú. Mestres de capoeira de todo o país estarão presentes, como: Hulk, Portes, e Fabinho, todos do Rio de Janeiro, além do paulista Pinatte.

O organizador do Encontro, Márcio Rodrigues, revelou que este é o maior trabalho de inclusão realizado no Brasil, tendo a participação de 200 capoeiristas da FUNAD, alunos das redes municipal e estadual de ensino, como também de universitários e integrantes de academias.

Ele ainda assegurou que portadores de várias deficiências estarão competindo ao lado dos demais alunos. Todos juntos, num clima de descontração, brincadeira e muito respeito.

O evento é organizado pela Associação de Capoeira Terra Firme e conta com o apoio da direção da FUNAD e da Secretaria de Educação do Estado.

A entrada é gratuita.

Fonte: http://www.agoraesportes.com.br

Crônica: A Chatice da Igualdade

A CHATICE DA IGUALDADE.
Como trabalhar as diferenças e aprender com elas.

Quem nunca viveu uma situação como esta; tu sai a procura de emprego roda, roda, roda e só encontra NÃO ou então a seguinte frase: Você é muito qualificado para o cargo; arquivaremos e seu currículo. É péssimo não é? Vamos usar esta comparação para amigos e amigas portadores de necessidades especiais que além da procura de emprego e educação; buscam atividades físicas planejadas como jogos coletivos, lutas, atividades aquáticas, danças ou qualquer outro exercício.

Enquadra-se aqui os mais diferentes aspectos em deficiência física, mental, social, cognitiva, motora, visual ou outras. Aliás, que palavra é está hein??? Deficiência!!!

Acredito que todos nós temos as nossas. Eu tenho as minhas, você não tem as suas?

Há também tanta deficiência moral e ética no mundo e estas, muitas vezes, são denominadas de “normais”. Enfim; está é uma outra história!

Voltemos à questão da inclusão. Incluir é diferente de integrar. Incluir é fazer com que este indivíduo participe da atividade, do emprego, do jogo, da educação. Integrar é somente juntá-lo ao grupo, muitas vezes desprezando a sua presença e não pensando em procedimentos para fazer com que esta pessoa faça parte do momento. Então; a questão é inclusão e não integração!

Já presenciei inúmeras vezes educadores, professores, gerentes, diretores, donos de empresa tirando o corpo fora quando é hora de “incluir” . Oferecem uma desculpa qualquer, indicam o vizinho e jogam a batata quente para o outro lado.

Certa vez uma mãe de um garoto com necessidades especiais me procurou dizendo da dificuldade em achar um local para que seu filho praticasse um esporte. Ouviu uma série de desculpas e até um encaminhamento para a medicina, tratando assim o garoto como um doente e não como uma pessoa capaz de realizar toda e qualquer tarefa, necessitando apenas de uma adaptação para isso.

Todos podem dividir os mesmo espaços e as mesmas atividades sem muitos esforços. Basta um pouco de bom senso e curiosidade por parte de educadores para saber qual necessidade devemos adaptar para cada situação que nos é colocada à prova. Cadeirantes, amputados, deficientes visuais, transtornos mentais, dificuldade de cognição não importa o título. É apenas necessário buscar a informação e proceder acolhendo e tratando sem distinção estas pessoas que nos procuram.

Muitos ainda pecam por excesso de zelo. Não por culpa própria, mas por inexperiência. Os portadores de necessidades especiais devem ser tratados como os demais. Sem mimos ou dó. Normal!O estimule e elogie, cobre e se preciso chame a atenção. Você o fará se sentir uma pessoa como outra qualquer que na verdade é o que são.

No geral eles são mais aplicados. Insistem mais na repetição do exercício ou no estudo. Não desistem fácil e raramente faltam às aulas. Possuem um compromisso enorme com a atividade ou a aula. Não é raro encontrarmos pessoas que praticam capoeira com amputação de membros inferiores ou com grave comprometimento neurológico. Mesmo assim podem sentir a energia da roda, tocar os instrumentos, cantar, bater palmas, pesquisar e nos fornecer lições que só a vida pode nos ensinar. E a presença de todos eles durante a aula, contribui com os demais que enxergam nestas pessoas a superação, e quebram certos paradigmas enraizados como o preconceito e a discriminação.

Na vida, constantemente estamos nos adaptando a diferentes situações. Caímos e levantamos, superamos crises e infelicidades. Encaramos novas realidades e mudanças. Conhecemos novos lugares e pessoas. Tudo isto pede adaptação. Um saber agir diferente e a capacidade de mudar, transformar e tocar o barco à frente. No momento que você for colocado à prova, não desista. Procure informação, leia, pesquise, mas antes de tudo traga a pessoa para junto de si. Faça-a sentir a segurança do seu trabalho e afeto no seu falar. Ache meios para ela participar de sua aula. Busque saber sim o seu estado clínico, principalmente com patologias relacionadas com o sistema cárdio-respiratório e músculo-esquelético. Mas nunca a trate como um doente. Certamente você aprenderá demais e multiplicará as suas experiências. Na era da inclusão não é necessário muito para a sua colaboração, somente tirar boas impressões das diferenças. Afinal que chato se fossemos todos iguais!

BEIJA-FLOR

*Educador em Capoeira. *Bacharel em Comunicação Social com especialização em Jornalismo. *Licenciado Pleno e Bacharel em Educação Física. Grupo Macungo de Capoeira, extensão Projeto Beija-Flor

SÃO BERNARDO DO CAMPO/SP

http://bfcapoeira.vilabol.com.br

beijflor@portalcapoeira.com

Costa do Sauípe: I Encontro Mundial de Capoeira

A Costa do Sauípe, um dos destinos turísticos mais visitados do país, realiza nos dias 7 e 8 de setembro o 1º Sauípe Capoeira e Cultura, encontro mundial de capoeira. O empreendimento, localizado a 76 quilômetros do Aeroporto Internacional de Salvador, receberá atletas de diferentes regiões do Brasil e de outros países como Canadá, EUA, Austrália, México e Argentina. O evento contará, ainda, com show de encerramento da Banda Olodum.

Com o objetivo de promover a cultura e as belezas naturais do litoral norte da Bahia, a ação terá oficinas de berimbau, instrumento musical de percussão usado para marcar o ritmo da luta, além de aulas de capoeira, artesanato e axé, gênero musical muito difundido na região. As atrações acontecerão na Praia da Oca, espaço já utilizado pelos hóspedes para a prática de esportes como futebol e vôlei de praia, atividades aquáticas, caminhadas na areia, entre outros. No local, os visitantes assistirão ao Capoeira Show, apresentação com os principais mestres da luta.

Já a Vila Nova da Praia, centro de entretenimento e lazer que reproduz o clima de uma vila do interior da Bahia, traz intensa programação cultural aos visitantes da Costa do Sauípe. No local, ocorrerão rodas de capoeira, oficinas de berimbau e palestras sobre a história da luta que teve origem com os escravos africanos.

Além disso, a programação da Costa do Sauípe reserva noites temáticas com shows e atrações musicais. Um dos destaques será a apresentação do Olodum, no dia 8, a partir das 21h, no Mercado do Dendê. À frente da banda, o vocalista Tonho Matéria, também mestre de capoeira, terá participação especial junto aos demais capoeiristas.

Durante a semana do evento, os hóspedes terão a oportunidade de conhecer os costumes do povo nordestino e da cultura brasileira através de shows de samba, axé e outros ritmos regionais. Além disso, uma Noite de Oferendas reserva momentos especiais e de muita introspecção aos turistas na Vila Nova da Praia. Os visitantes serão apresentados aos orixás, às baianas, aos filhos de Gandhy, tradicional bloco de carnaval baiano formado exclusivamente por homens, além dos capoeiristas e demais personagens da cultura regional.

 
Fonte: Final Sports – http://www.finalsports.com.br

Brasília: Projeto Aprendendo com a Cultura Brasileira

 Há quatro anos, o grupo Cordão de Ouro Brasília, por meio do Instituto Volta Por Cima, desenvolve o projeto social Aprendendo com a Cultura Brasileira. O Projeto tem a missão de utilizar as potencialidades educacionais da capoeira e do folclore nacional, contribuindo para a formação dos jovens vivendo em abrigos. A população atendida (de 7 a 18 anos) tem se beneficiado do convívio integrado com os demais participantes do grupo e com profissionais regularmente convidados para ministrar oficinas (capoeira angola, regional, samba de roda, maculelê e dança afro), palestras e grupos de estudo.
 
Foi notório o desenvolvimento físico e psíquico das crianças, pois muitas delas declararam se sentirem “iguais” aos demais envolvidos nas atividades e em condições, caso se dedicassem, de alcançar reconhecimento dentro e fora da capoeira. Pelo contato com as “mães sociais” ficou claro o impacto positivo não só na vivencia cultural, mas, principalmente nos âmbitos familiar e escolar.
Uma das características marcantes desse Projeto é o perfil de responsabilidade social promovido pelo Grupo Cordão de Ouro em Brasília. A abordagem do Projeto consiste em promover a educação e inclusão social de crianças e jovens em situação de risco social por meio do encontro, em aulas, de alunos da comunidade e do estrangeiro, com a população atendida no Projeto.
 
Este ano nossos alunos participarão mais uma vez das oficinas e palestras do III Intercâmbio Brasil Suécia, evento realizado por meio do Programa de Intercâmbio Brasil – Suécia . Mais uma vez, nossos alunos terão a oportunidade de vivenciar atividades que reforçam sua identidade cultural e promovem a interculturalidade entre povos tão distintos.
 


 
Academia Cordão de Ouro | Instituto Volta por Cima | CLN 107, Bloco "A", Ap. 208 CEP 70743-510 Brasília DF, Brasil | +55 61  3443.8450 | 8111.0647 |  www.cordaodeouro.org

Iº Encontro Gingando pela Paz

Caros Mestre, Contra mestres, demais Educadores,
 
No próximo dia 16 de outubro, o Brasil viverá um momento de extrema importância para sua história: O Referendo sobre o Comércio de Armas e Munições.  Pela primeira vez na história, a população de um país irá decidir, através do voto, pela Proibição ou não deste comércio. 
Esta é uma Campanha Cívica, onde o apoio e a participação de cada um é necessária. A vitória do SIM no dia 23 de outubro irá refletir o anseio de uma nação que já não agüenta conviver com tantas perdas e quer dar um BASTA a este mal. Que deseja construir uma nova cultura de paz e de tolerância.
A capoeira sempre esteve presente nos momentos mais importantes da nossa história, mostrando-se defensora da liberdade. Este é o momento de lutarmos para libertar nossa nação deste mal. É hora de demonstrar a nossa força!
Para tanto, gostaríamos de convidá-lo a estar conosco no I Encontro Gingando Pela Paz, na Rua do Russel, 76 – Glória – RJ. Este é um momento de celebração e principalmente de conclamação daqueles que lutam, acima de tudo, pelo ideal de liberdade sob o signo da capoeira. Na ocasião, estaremos realizando nosso 1º Batizado.
Sua participação será extremamente importante, e nos traria muita felicidade.
OBS.: Devido a limitação de espaço, pedimos a confirmação da sua presença, assim como demais participações.
Enviamos maiores informações em anexo. E nos colocamos à disposição para qualquer dúvida.
 
Fraternal Abraço,
 
Flávio Soares
(saudade / RJ)
2555-3777 R: 3241
9923-2746

 
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Capoeiragem na tatame

Capoeiragem NA Tatame!
 
Capoeira é assunto da Revista TATAME deste mês
 
Não, não é erro de redação, a Capoeiragem está mesmo na  (Revista) TATAME, mês de abril.  Sendo uma revista sobre lutas, é nesta dimensão que a  multifacetada  Capoeira foi contemplada.  Não apenas com  um espaço, mas com três. Pois, além da matéria principal – A Capoeira no Território do Vale-Tudo –  há, também, uma ficha técnica da extraordinária Sra. Adalberto Alves, a Sapoti, uma capoeirista de apenas 69 anos, e uma crônica (Dando Bobeira na Roda).
 
Mas o prato forte, sem dúvida, é a matéria sobre Capoeira Luta (páginas 24/31) que já está incorporada na lista de discussão de todas as rodas.
 
Trata-se de assunto, convenhamos, que deve mesmo ser discutido com mais transparência. A Capoeira não ficará prejudicada com isto. Pelo contrário.
 
Pois não nos parece correto, correr as rodas e o mundo fazendo discurso de paz, amor, ecologia e inclusão social e, ao mesmo tempo, treinar os alunos para bater forte, de todas maneiras, inclusive fazendo halterofilismo e aprendendo outras lutas. Mas que fique claro, entendemos que a capoeira é também uma luta, não sendo crime, portanto, treiná-la como tal. O erro começa quando o "capoeira-casca grossa" passa a correr todo tipo de roda, não mais jogando capoeira, mas fazendo um "jogo de espera" para aplicar sua truculência, "levar pro chão e finalizar".  Saindo da roda "orgulhoso por ter deixado claro que sua capoeira é superior as demais". Será?
 
Não estará este "lutador de capoeira" usando de má fé, não estará, no fundo, derrubando é a própria essência da Capoeiragem?
 
Conseguirá, este "capoeira-casca grossa" fazer o mesmo num evento tipo "Ultimate Fighting".   Não creio, os lutadores que vem se apresentando nesses eventos, como oriundos da capoeira, normalmente utilizam não mais do que 1% do que a capoeira oferece, por quê?
 
Muito oportuna, portanto, esta reportagem da Revista Tatame.
 
Realmente há, por partes de alguns mestres de capoeira,  muita  contradição, primária e suspeita, muito mal disfarçada em "jogo de mandinga".
 
Grupos de capoeira "lá de fora" – já escrevemos sobre isto – já começam a se rebelar repudiando esta falsa malandragem, mais mercantil do que propriamente mandingueira.
 
De parabéns, portanto, a Revista Tatame pela matéria. E que outras venham. Quem sabe, não estará na hora de ressuscitar os tais laboratórios de luta de capoeira?
 
Tudo isto, é claro, sem prejuízo, sem constrangimento, sem desrespeito às demais formas de capoeiragem. Que, aliás, estão a merecer uma bela reportagem, também.
 

Fonte: Jornal do Capoeira: www.capoeira.jex.com.br
 

A RASTEIRA NA CAPOEIRA

Ultimamente, na capoeira no São Paulo e ainda mais na Europa, lamento a quase-disaparição da rasteira.
A rasteira foi um símbolo de perícia dos capoeiristas.
Era motivo de horas de treinamento na academia.
Para conseguir o sucesso de colocar uma rasteira certeira, os capoeiristas trabalhavam o parceiro; existia o floreio, a ginga, as "enganações" que fazem parte da capoeira.
Não devemos deixar sumir coisa tão importante da capoeira.
Lembro de um caso que demonstra como considerada era a rasteira, no tempo ainda recente que eu treinava na academia de Mestre Nô.
Um certo aluno, formado depois de anos de aprendizagem, considerou que, com a sua forma física e sua experiência, superava o seu mestre. Desafiou o mestre Nô num sábado a frente de todos os alunos e de diversas visitas. Nô foi para a roda, dizendo que se perdia, ia embora, deixando o aluno senhor da academia.

Começou o jogo, num compasso médio, sem cantiga, e demorou bastante tempo. Havia muita tensão; quem tocava, tocava, os demais permaneciam silenciosos.
Havia momentos de superioridade de um sobre outro, e depois virava a vantagem.
ô cozinhou o aluno até dar uma rasteira fantástica que pegou nas duas pernas e mandou o aluno com as nádegas no chão.
O aluno com raiva tentou partir para murros, mas os outros impediram. Ele, no final, ficou tão desgostoso que abandonou a capoeira.
É um caso entre muitos que eu vi, que dá para comprovar a importância simbólica da rasteira na capoeira.
Quem não lembra do talento do mestre Canjiquinha, de Um-por-Um (da Massaranduba), de Marcos "Alabama", na rasteira?
Nos batizados, a conclusão do jogo do novato era a derrubada com rasteira, excluindo outras formas de desequilibrantes.

Hoje vemos capoeiras que se dizem excepcionais não conseguirem dar uma rasteira nos alunos que se batizam. Vemos as intimidações dos capoeiras aos novatos, e golpes traumatizantes e balões efetuados sem técnica para derrubá-los. É lamentável ver que a nova geração de capoeiras tem elementos que não se orgulham numa técnica, e ficam tão inseguros na sua arte, que não abrem o jogo (mesmo que fosse no intuito de derrubar) para principiantes de uns meses de treinamento. Quem está assistindo de longe, vê as oportunidades que eles tem de fazer. Eles não o fazem, preferindo os movimentos violentos, para tristeza dos presentes, sejam eles alunos, parentes ou espectadores que conhecem a arte.

Parece, então, que a rasteira saiu do cardápio de muitos capoeiristas.

Por que?

Será que novos métodos de treinamento excluíram a rasteira? Será que não faz parte da capoeira moderna? Será que a rasteira exige demais destes novos donos da capoeira?
A rasteira pede muita consciência do outro. Assim que já notei, é preciso trabalhar, cozinhar bastante o oponente para que este se jogue num golpe decisivo… que acaba na própria derrubada. É o parecer de um mestre; mas precisa de cabeça, e de tempo.
Os jogos que assistimos tem por objetivo principal de mostrar movimentos. Sejam agressivos ou acrobáticos, não importa, os movimentos superam na mente dos jogadores a tática, a perícia na arte de manobrar o outro.
Em geral, concordamos com os que acham, como mestre Decanio, que o compasso rápido demais e a vontade de se impor num "vale tudo" prejudicam o jogo da capoeira, tirando a ginga, a rasteira, tudo que faz a beleza da nossa arte.
Se, como suponho, a capoeira da Bahia tem alguma coisa para ensinar ao mundo, (em prática para os nossos alunos europeus), é justamente esta coisa original. Por isso, não podemos aceitar ver um elemento fundamental como a rasteira desprezado.

Por isso, desenvolvemos um trabalho básico com nossos alunos, sejam homens ou mulheres, fracos ou fortes, novos ou velhos, no sentido de uma capoeira que se importa com o outro, parceiro e adversário no mesmo tempo.

Lúcia Palmares é enfermeira, baiana, nascida em Salvador em 15/5/1955. Foi aluna de capoeira de Norival Moreira de Oliveira, o Mestre Nô, na Academia Orixás da Bahia na Maçaranduba/Salvador/BA, a partir de 1971. Recebeu o cordão de professora em 1979. Ensinou na academia Centro Suburbano de Capoeira (rua 2 de Julho, 19, Alto de Coutos) do Mestre Dinelson, de 1980 a 1990. Em 1987 recebeu o cordel de Contra-Mestre entregue pelo Mestre Nô. Em 1992 saiu de Salvador, foi para Santos (SP) continuou ensinando a capoeira trabalhando numa ONG. Em 1995  mudou se para a França. Hoje está começando novo grupo em Paris e pesquisando os aspectos culturais da capoeira. Poderá ser contatada pelo e-mail: polbrian@worldnet.fr

 

Lúcia Palmares – Paris/França