Blog

dentre

Vendo Artigos etiquetados em: dentre

Palmares, um Projeto de Nação

O INÍCIO DE PALMARES…. , A ESCRAVIZAÇÃO DO ÍNDIO

“No dia em que nossa gente acabar de uma vez, eu vou  tirar esta
escora daqui, e o céu vai desabar, e todas as gentes vão desaparecer.
Vai acabar tudo”. Sinaá, Lenda do fim do Mundo, povo Juruna.”

  • 1533 – Bula Veritas Ipsa Papa Paulo III declarando “os índios homens racionais”…
  • Entradas, expedições organizadas pelos Gov. Gerais, ou diretamente pela Corôa.
  • Bandeiras, empresa (expedição) organizada por particulares, ambas para caçar índio.
  • Incursões de franceses, iniciativa particular de “piratas” e não de governo.

Toda e qualquer referência à escravização do índio, que nos interessa, seria uma repetição da escravização negra. A História do Brasil é contada em dois extremos de uma mesma arma – ora como uma peça de defesa, o secular cuidado com a cabeça de louça do cristianismo; ora uma peça dedescaracterização do negro – a condenação da vítima – “comprava-se negros escravizados por outros negros;  eram comprados por escambo índios escravizados por outros índios ” : Doe mais ao negro do Mundo, assim com ao índio do Brasil, estas mentiras secularmente repetidas que a própria escravidão a que foram submetidos, doem-lhes a insaciedade do dominador…

As narrativas feitas entre o Séc. XVI e o XVIII serve como relato, não como interpretação, de um lado por que os escrivães não conheciam absolutamente nada do índio; segundo porque eram interessados – uns como mercadores ou agentes de mercadores; outros, por serem agentes da Coroa Portuguesa que chega ao Séc. XIX  “tendo no Brasil apenas a vaca leiteira”.

Acrescente-se ao fato das expedições portuguesas serem compostas por homens sem letras. Se dentre os franceses e até dentre as poucas entradas alemãs de que se tem notícia sempre havia intelectuais, homens de letras, e muitos de ciência, (meramente interessados em ciência), dentre os portugueses não há um único registro com este cuidado, por todo o Séc. XVI e até o Séc. XVII. Mesmo entre os jesuítas pode-se encontrar quando muito um ou outro letrado, que eram dominados ou pelo interesse comercial da sua Ordem, ou pela posição de minoria dentre os seus pares, ou notadamente pela ordem severa da Igreja Católica. O que se conhece de imparcial e de cunho cultural é de origem francesa, depois holandesa.

 

RELATO SOBRE ÍNDIO, CRONISTA FRANCÊS JEAN LERY.

“Uma vez um velho índio perguntou-me: – Que significa isto de virdes vós outros, peros (portugueses) e mirs (franceses), buscar tão longe  lenha para vos aquecer? Não a tendes por lá em vossas terras? – Respondi que tínhamos lenha e muita, mas não daquele pau, e que não o queimávamos, como ele supunha, mas dele extraíamos tinta para tingir.

Retrucou o velho: – E por ventura precisais de tanto pau brasil? – Sim, respondi, pois em nosso pais existem negociantes que têm mais panos, facas, tesouras, espelhos e mais coisas de que vós aqui podeis supor, e um só deles compra todo o pau brasil com que muitos navios voltam carregados.

 

  • Ah! tu me dizeis maravilhas, disse o velho; e acrescentou, depois de bem alcançar o que eu dissera: – Mas esse homem tão rico não morre?
  • Sim, morre como os outros. –  E quando morre, para quem fica o que é dele? Perguntou.
  • Para seus filhos, se os tem, e na falta, para os irmãos ou parentes próximos, respondi.

 

Na verdade, continuou o velho, que não era nada tolo, agora vejo que vós, peros e mairs, sois uns grandes loucos, pois que atravesseis o mar com grandes incômodos, como dizeis, e trabalhais tanto a fim de amontoardes riquezas para os filhos ou parentes! A terra que vos alimentou não é suficiente para alimentá-los a eles? Nós aqui também temos filhos, a quem amamos, mas como estamos  certos de que após a nossa morte a terra que nos nutriu os nutrirá também, cá descansamos sem o mínimo cuidado”. Jean Lery.

“… andavam muitos deles dançando e folgando uns ante outros, sem se

tomarem pelas mãos, e faziam-no bem”.

(carta de Pero Vaz de Caminha, sobre o índio)

 

ÍNDIO ESCRAVIZA ÍNDIO  X  NEGRO ESCRAVIZA NEGRO, (meu Deus?)

Aí repousa o telhado de vidro do Cristianismo,  bastando que se diga:

  1. Todo e qualquer bacharel em História, em qualquer parte do Mundo sabe que é mentira esta afirmação, assim como todo e qualquer bacharel em direito que tenha se dedicado ao Direito Antigo; (só tem sentido alguém escravizar alguém se o excedente de produção do escravo for superior ao que ele consome, como não havia noções de acumulação, entre negros e índios, não podia haver interesse em escravizar uma ou um grupo de pessoas)

  2. No Brasil, ainda sobre o indígena: nem uma obra ou abordagem dos Irmãos Vilas-Bôas consta alguma citação de nações, ou tribo indígena escravizada por outra tribo, no que pese referências inúmeras a constatações e ou suspeitas de desaparição em guerras. (Todo animal lutou num dado instante por ração, e por toda a vida pelo instinto da procriação, apetite sexual).   Esta mesma observação vale para Darcy Ribeiro, ou Cândido Rondon. Os Vilas Boas viveram, moraram entre índios por mais de 45 anos, – vejamos um dos seus relatos:  “As grandes áreas devastadas, ou transformadas na sua vegetação original  existentes nas vizinhanças das aldeias em geral, provam a longa permanência dos índios nesses lugares…quantos anos não levaram para transformar grandes extensões em  mangabais,  piquizais…. e cerrados”?  Relato que desmente também as afirmações acerca do “nomadismo do índio brasileiro:  um povo agricultor não pode ser nômade.

“Quando Cabral pisou a terra brasileira em 1500, avalia Luis Amaral, já o indígena graças a ele próprio ou a seus antepassados, praticava a agricultura, em grau  mais ou menos igual ao então conhecido na Europa..” Assim é que eles já conheciam, naquela época  remota, anterior mesmo a 1500, o fumo, o algodão, o milho, a mandioca, a batata doce, a batatinha, o feijão, a abóbora, e o arroz”, completa Aluysio Sampaio.

Assim o índio, muitas das usas tribos foram se tornando errantes e não nômades como a Ordem Estado/Igreja usa como justificativa a 500 anos. Da Ordem dos Jesuítas e seus vigários o que se pode dizer é que foram sempre mais comerciantes (exploradores) que tudo o mais. De sob as imunidades desfrutadas em muitos períodos, cita Aluysio Mendonça Sampaio – “Do terror do gentio pelo português era tão grande que se chegou a criar a lenda do Padre de Ouro, lenda ainda contada por Frei Vicente do Salvador como verídica”.

Esse terror do gentio pelo branco já é uma prova da decadência do poderio dos nativos. Daqui por diante veremos os portugueses avançando, escravizando-lhes e empurrando-os para o sertão. “E a terra, em todos os lugares do Brasil, irá aos poucos mudando de dono”. Nos moldes da mistura geral, o Gov. Luiz de Brito, na sua primeira atitude organiza expedição de caça ao índio como nunca….diz frei Vicente “Na Paraíba,não deixaram branco nem negro, grande nem pequeno, macho nem fêmea, que não matassem e esquartejassem”. (sobre a tática de jogar o negro contra o índio e vice-versa. Embate contra uma tribo talvez ainda desconhecida, entrada de Governadores  Gerais). Tudo o que se passou nos Séc. XVI e XVII chega, com a mesma intensidade a meados do Séc. XIX, constata Alexander Marchant, por desconhecer o Brasil de 1940 quando escreveu. Aliás aquele Historiador americano em todo seu escrito “Do Escambo a Escravidão”, (l943), se não chega a desmentir, em nenhum momento avaliza afirmações sobre escravização de índio por índio.

A descoberta do Brasil, para o indígena como para o negro foi mais danosa que toda e quaisquer das invasões  de bárbaros em quaisquer lugar da terra onde ocorreu  – 500 anos depois e ainda não houve intercâmbio, não há nada que se possa conceituar além do domínio, do saque. Assim é que o indígena brasileiro regrediu, decresceu em número e em qualidade de vida e afunilou-se inversamente do ponto de vista da evolução técnico-cultural.

PS. Quando tratarmos do início de Palmares, A escravização do negro, vamos demonstrar a mentira da escravização do negro pelo negro, e ou a escravização do índio pelo índio .

 

Jean de Léry

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.”Historia navigationis in Brasiliam…”. Genebra, 1586.

(Côte-d’Or, c. 1536 – Suíça, c. 1613) foi um pastor, missionário e escritor francês e membro da igreja reformada de Genebra durante a fase inicial da Reforma Calvinista.

 

André Pêssego – [email protected]Berimbau Brasil  – São Paulo, SP – Mestre João Coquinho – 10 anos

Evento reúne mestres de capoeira em Groaíras

Participantes de todo o País estão em Groaíras para enaltecer uma dança presente no Brasil desde a época colonial

Groaíras Neste fim de semana, o Grupo Cordão de Ouro de Capoeira de Groaíras comemora 14 anos com o 3º Mandinga na Ribeira, que traz mestres de todo o País. O evento está ocorrendo no Galpão dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais até amanhã e é aberto ao público. O projeto conta com apoio do Governo Federal e Coelce.

Dentre os presentes, estarão os mestres Suassana, de São Paulo, e Cobra Mansa, de Salvador, dentre outros nomes de destaque da Capoeira Nacional. Iniciado em abril, o evento está tendo se encerramento, tendo um público de mais de quatro mil pessoas nesta edição, de acordo com a organização do evento.

O coordenador do projeto, José Jones Rufino Cruz, mais conhecido como Pretinho Jones, explica que foi um dos fundadores do Grupo Cordão de Ouro de Groaíras, em 1998, e que hoje já conta com mais de 50 praticantes somente na sede do Município. “Os praticantes vão desde crianças de 6 anos até idosos”.

Ele diz que esse grupo da terceira idade é um grupo especial, com atividades desenvolvidas especialmente para esse objetivo. “É uma terapia ocupacional com idosos, com atividades bem mais leves e voltadas para eles”.

Segundo Jones, o sucesso da capoeira se dá devido à peculiaridade do jogo, que mistura dança e luta. “Essa é a sedução inicial da modalidade. Quem joga capoeira às vezes dança, às vezes luta. A ocasião faz a definição. Além disso, está presente no País desde a época do Brasil Colonial, contando a história”.

Durante os meses de evento, a organização afirma que a receptividade foi intensa, principalmente por parte das famílias de crianças e adolescentes. Jones diz que os benefícios são reconhecidos por todos. “Não é preciso muito preparo físico e a prática beneficia a autoestima, senso de respeito e ao lidar com os instrumentos musicais facilita-se a coordenação motora fina, trazendo benefícios na escrita, leitura e percepção”, enumera.

O estudante Marcos Alves esteve em umas das rodas de capoeira que ocorreu dentro do evento. Segundo ele, apenas para observar. “É interessante, principalmente, para a manutenção da cultura local. Eles têm uma filosofia que trabalha valores como o respeito tanto a si mesmo quanto ao próximo”, disse.

 

Além desses pontos, Jones destaca também que não há aumento na agressividade. “Muito pelo contrário, todos os praticantes acabam aprendendo mais sobre controle e humildade, pois a primeira ´rasteira´ que ele deve dar é em si mesmo”.

O comerciante Isaac Bento endossa a afirmação, dizendo que sua vida era diferente na época da capoeira. “Quando era mais novo, pratiquei muito, era uma pessoa mais calma e saudável, devido aos benefícios que o exercício traz consigo. Hoje sinto falta, mas não tenho mais tempo. Sempre procuro ver os meninos jogando capoeira em Sobral e fico contente em saber que há um incentivo desses tão perto daqui”, finaliza.

Conforme a coordenação, as outras edições do evento, em 2008 e 2010, contaram com um total de participantes de 500 pessoas e público estimado de mais de 10 mil. Dentre as atividades, oficinas de capoeira e danças folclóricas, palestras e seminários e apresentações culturais em espaços públicos da cidade.

O projeto também buscou abrir espaços para questionamentos de cunho social, como a preservação do meio ambiente e manutenção de culturas afro-indígenas da região.

 

Mais informações

 

Grupo de Capoeira Cordão de Ouro de Groairas

Rua Fco. Ximenes Melo, 85

Bairro José Cassiano, Groaíras

(88) 8814.9756

Haiti: II Batizado e Entrega de Cordas do Projeto Gingando pela Paz

No mês de dezembro será realizado o II Batizado e Entrega de Cordas do Projeto Gingando pela Paz. Ocasião em que também será celebrado o segundo ano do projeto no país. A programação prevê aulas, apresentações e exibição de filme. O Batizado contará com a participação dos 380 alunos do projeto e alunos da classe do Centro Cultural do Brasil Celso Ortega Terra. O evento contará com a participação de mestres e capoeiristas de países como Brasil e República Dominicana.


II BATIZADO E ENTREGA DE CORDAS DO GINGANDO PELA PAZ

DE 5 A 10 DE DEZEMBRO DE 2010.

PORTO-PRÍNCIPE, HAITI

As atividades do projeto tiveram início em outubro de 2008 como parte do Programa Onè Respè pou Bèlè (Honra e Respeito por Bel-Air), da Ong Viva Rio. Inicialmente atendendo crianças e jovens provenientes das bases (guangues) que se auto-denominavam “soldados”. Após o dia 12 de janeiro, o número de alunos duplicou, assim como as atividades oferecidas. Dentre elas, a Formação de Jovens Liderenças: jovens que estão sendo preparados para se tornarem futuros educadores em capoeira, que além da pratica da capoeira participam de atividades que visam desenvolver a potencialidade, a consciência de comprometimento social e cursos de formação profissonal, através de parcerias com outros projeto do Viva Rio e com a Embaixada do Brasil no Haiti.

Em seu primeiro batizado, realizado em dezembro de 2009, foram realizadas diversas atividades, como Apresentações em hotéis e restaurantes, exibições de filme no Centro Cultural do Brasil no Haiti Celso Ortega Terra, apresentações em praças públicas, entre outras. 150 alunos foram batizados em um evento que contou com a participação de pais, amigos, do Embaixador Igor Kipman e sua esposa Roseana Kipman, do Coordenador Executivo do Viva Rio Rubem Cesar Fernandes, entre outros membros do Viva Rio e de outras instituições que atuam no Haiti.

Este ano, além das atividades do ano anterior, o evento contará com oficinas que serão realizadas pelos convidados do Brasil. Dentre elas, uma palestra que terá como tema: A capoeira como Ferramenta para a Construção da Paz em Áreas de Conflito, oferecida por Catharine Peres, capoeirista, pedagoga e Tecnica em Assuntos Educacionais da UFRJ. E uma aula especial realizada pela Mestra Borboleta/RJ que objetiva inspirar e fortalecer a participação das mulheres na prática da capoeira. Dentre os convidados ainda estão ainda os mestres Régis, Batata, o Professor Pernambuco, do projeto Luta Pela Paz, Maré/RJ e o Instrutor Kazan, da República Dominicana.

 

O Batizado, um importante momento para o capoeirista.

O Batismo é o momento em que o aluno é apresentado para a comunidade da capoeira, jogando em uma roda na presença de mestres e recebendo o seu apelido, que irá o acompanhar por toda vida. Este momento é como o nascimento de um filho para o mundo, que deverá ser orientado, amparado nos momentos de dificuldades. E, principalmente, inspirado a dar o melhor de si e acreditar no seu potencial para realizar os sonhos que trazem o seu coração.

 

Flávio SAUDADE
Coordonnateur Projet Gingando pela Paz
www.vivario.org.br

(509) 3854.0202

[email protected]

http://flaviosaudade.wordpress.com

Skype: fláviosaudade

 

VIVA RIO HAITI

#167, Blvd  Jn Jacques Dessalines

Pourt-au-Prince, Haiti (Zone Portail St. Joseph)

O Iníco de Palmares: A Escravização do Índio

PALMARES, UM PROJETO DE NAÇÃO – O INÍCIO DE PALMARES….  (II), A ESCRAVIZAÇÃO DO ÍNDIO

“No dia em que nossa gente acabar de uma vez, eu vou  tirar esta

escora daqui, e o céu vai desabar, e todas as gentes vão desaparecer.

Vai acabar tudo”. Sinaá, Lenda do fim do Mundo, povo Juruna.

–          1533 – Bula Veritas Ipsa Papa Paulo III declarando “os índios homens racionais”…

–          Entradas, expedições organizadas pelos Gov. Gerais, ou diretamente pela Corôa.

–          Bandeiras, empresa (expedição) organizada por particulares, ambas para caçar índio.

–          Incursões de franceses, iniciativa particular de “piratas” e não de governo.

Toda e qualquer referência à escravização do índio, que nos interessa, seria uma repetição da escravização negra. A História do Brasil é contada em dois extremos de uma mesma arma – ora como uma peça de defesa, o secular cuidado com a cabeça de louça do cristianismo; ora uma peça de descaracterização do negro – a condenação da vítima – “comprava-se negros escravizados por outros negros;  eram comprados por escambo índios escravizados por outros índios ” : Doe mais ao negro do Mundo, assim com ao índio do Brasil, estas mentiras secularmente repetidas que a própria escravidão a que foram submetidos, doem-lhes a insaciedade do dominador…

As narrativas feitas entre o Séc. XVI e o XVIII serve como relato, não como interpretação, de um lado por que os escrivães não conheciam absolutamente nada do índio; segundo porque eram interessados – uns como mercadores ou agentes de mercadores; outros, por serem agentes da Coroa Portuguesa que chega ao Séc. XIX  “tendo no Brasil apenas a vaca leiteira”.

Acrescente-se ao fato das expedições portuguesas serem compostas por homens sem letras. Se dentre os franceses e até dentre as poucas entradas alemãs de que se tem notícia sempre havia intelectuais, homens de letras, e muitos de ciência, (meramente interessados em ciência), dentre os portugueses não há um único registro com este cuidado, por todo o Séc. XVI e até o Séc. XVII. Mesmo entre os jesuítas pode-se encontrar quando muito um ou outro letrado, que eram dominados ou pelo interesse comercial da sua Ordem, ou pela posição de minoria dentre os seus pares, ou notadamente pela ordem severa da Igreja Católica. O que se conhece de imparcial e de cunho cultural é de origem francesa, depois holandesa.


RELATO SOBRE ÍNDIO, CRONISTA FRANCÊS JEAN LERY.

“Uma vez um velho índio perguntou-me: – Que significa isto de virdes vós outros, peros (portugueses) e mirs (franceses), buscar tão longe  lenha para vos aquecer? Não a tendes por lá em vossas terras? – Respondi que tínhamos lenha e muita, mas não daquele pau, e que não o queimávamos, como ele supunha, mas dele extraíamos tinta para tingir.

Retrucou o velho: – E por ventura precisais de tanto pau brasil? – Sim, respondi, pois em nosso pais existem negociantes que têm mais panos, facas, tesouras, espelhos e mais coisas de que vós aqui podeis supor, e um só deles compra todo o pau brasil com que muitos navios voltam carregados.

–          Ah! tu me dizeis maravilhas, disse o velho; e acrescentou, depois de bem alcançar o que eu dissera: – Mas esse homem tão rico não morre?

–          Sim, morre como os outros. –  E quando morre, para quem fica o que é dele? Perguntou.

–          Para seus filhos, se os tem, e na falta, para os irmãos ou parentes próximos, respondi.

–          Na verdade, continuou o velho, que não era nada tolo, agora vejo que vós, peros e mairs, sois uns grandes loucos, pois que atravesseis o mar com grandes incômodos, como dizeis, e trabalhais tanto a fim de amontoardes riquezas para os filhos ou parentes! A terra que vos alimentou não é suficiente para alimentá-los a eles? Nós aqui também temos filhos, a quem amamos, mas como estamos  certos de que após a nossa morte a terra que nos nutriu os nutrirá também, cá descansamos sem o mínimo cuidado”. Jean Lery.

“… andavam muitos deles dançando e folgando uns ante outros, sem se

tomarem pelas mãos, e faziam-no bem”.

(carta de Pero Vaz de Caminha, sobre o índio)

ÍNDIO ESCRAVIZA ÍNDIO  X  NEGRO ESCRAVIZA NEGRO, (meu Deus?)

Aí repousa o telhado de vidro do Cristianismo,  bastando que se diga:

1. Todo e qualquer bacharel em História, em qualquer parte do Mundo sabe que é mentira esta afirmação, assim como todo e qualquer bacharel em direito que tenha se dedicado ao Direito Antigo; (só tem sentido alguém escravizar alguém se o excedente de produção do escravo for superior ao que ele consome, como não havia noções de acumulação, entre negros e índios, não podia haver interesse em escravizar uma ou um grupo de pessoas)

2. No Brasil, ainda sobre o indígena: nem uma obra ou abordagem dos Irmãos Vilas-Bôas consta alguma citação de nações, ou tribo indígena escravizada por outra tribo, no que pese referências inúmeras a constatações e ou suspeitas de desaparição em guerras. (Todo animal lutou num dado instante por ração, e por toda a vida pelo instinto da procriação, apetite sexual).   Esta mesma observação vale para Darcy Ribeiro, ou Cândido Rondon. Os Vilas Boas viveram, moraram entre índios por mais de 45 anos, – vejamos um dos seus relatos:  “As grandes áreas devastadas, ou transformadas na sua vegetação original  existentes nas vizinhanças das aldeias em geral, provam a longa permanência dos índios nesses lugares…quantos anos não levaram para transformar grandes extensões em  mangabais,  piquizais…. e cerrados”?  Relato que desmente também as afirmações acerca do “nomadismo do índio brasileiro:  um povo agricultor não pode ser nômade.

“Quando Cabral pisou a terra brasileira em 1500, avalia Luis Amaral, já o indígena graças a ele próprio ou a seus antepassados, praticava a agricultura, em grau  mais ou menos igual ao então conhecido na Europa..” Assim é que eles já conheciam, naquela época  remota, anterior mesmo a 1500, o fumo, o algodão, o milho, a mandioca, a batata doce, a batatinha, o feijão, a abóbora, e o arroz”, completa Aluysio Sampaio. 

Assim o índio, muitas das usas tribos foram se tornando errantes e não nômades como a Ordem Estado/Igreja usa como justificativa a 500 anos. Da Ordem dos Jesuítas e seus vigários o que se pode dizer é que foram sempre mais comerciantes (exploradores) que tudo o mais. De sob as imunidades desfrutadas em muitos períodos, cita Aluysio Mendonça Sampaio – “Do terror do gentio pelo português era tão grande que se chegou a criar a lenda do Padre de Ouro, lenda ainda contada por Frei Vicente do Salvador como verídica”.

Esse terror do gentio pelo branco já é uma prova da decadência do poderio dos nativos. Daqui por diante veremos os portugueses avançando, escravizando-lhes e empurrando-os para o sertão. “E a terra, em todos os lugares do Brasil, irá aos poucos mudando de dono”. Nos moldes da mistura geral, o Gov. Luiz de Brito, na sua primeira atitude organiza expedição de caça ao índio como nunca….diz frei Vicente “Na Paraíba, não deixaram branco nem negro, grande nem pequeno, macho nem fêmea, que não matassem e esquartejassem”. (sobre a tática de jogar o negro contra o índio e vice-versa. Embate contra uma tribo talvez ainda desconhecida, entrada de Governadores  Gerais). Tudo o que se passou nos Séc. XVI e XVII chega, com a mesma intensidade a meados do Séc. XIX, constata Alexander Marchant, por desconhecer o Brasil de 1940 quando escreveu. Aliás aquele Historiador americano em todo seu escrito “Do Escambo a Escravidão”, (l943), se não chega a desmentir, em nenhum momento avaliza afirmações sobre escravização de índio por índio.

A descoberta do Brasil, para o indígena como para o negro foi mais danosa que toda e quaisquer das invasões  de bárbaros em quaisquer lugar da terra onde ocorreu  – 500 anos depois e ainda não houve intercâmbio, não há nada que se possa conceituar além do domínio, do saque. Assim é que o indígena brasileiro regrediu, decresceu em número e em qualidade de vida e afunilou-se inversamente do ponto de vista da evolução técnico-cultural

PS. Quando tratarmos do início de Palmares, A escravização do negro, vamos demonstrar a mentira da escravização do negro pelo negro, e ou a escravização do índio pelo índio .

André Pêssego – [email protected]

Berimbau Brasil  – São Paulo, SP

Mestre João Coquinho – 10 anos

Associação Brasileira de Capoeira Angola articula pensão para antigos mestres de capoeira

Diretores da ABCA – Associação Brasileira de Capoeira Angola – serão recebidos nesta terça feira, dia 31, na Assembléia Legislativa da Bahia, pelo deputado estadual Yulo Oiticica, do PT, com uma longa trajetória de defesa da dignidade das classes populares. Será o início da luta pela pensão vitalícia dos antigos mestres de capoeira 

Guardiões da tradição desta cultura ancestral, muitos mestres são reverenciados mas têm dificuldades concretas de sobrevivência, depois de toda uma vida dedicada à cultura popular afro-brasileira. O Plano de Salvaguarda da Capoeira, elaborado pelo governo federal por ocasião do registro da capoeira como patrimônio imaterial brasileiro, prevê o reconhecimento do notório saber dos antigos mestres e a concessão de um plano de previdência especial para os mesmos. Entretanto, nada foi feito até então em âmbito federal. Pernambuco é o estado pioneiro com a criação da Lei do Registro do Patrimônio Vivo (Lei nº 12.196/02), seguido por Alagoas e Ceará.

Dentre os diretores da entidade, estarão presentes os mestres Virgilio, Nô, Boca Rica e Caboré, além dos capoeiristas e jornalistas Lucia Correia Lima e Paulo Magalhães. O principal objetivo da reunião é entregar ao deputado documentos com subsídios para a criação da Lei de Registro do Patrimônio Vivo na Bahia.

 

Casa de Tradição

A ABCA foi criada em 1987 por mestres como João Pequeno, Paulo dos Anjos, Nô, Ferrerinha, Renê e Curió, dentre outros, com o objetivo de contribuir para a preservação dos fundamentos da capoeira tradicional baiana. Hoje a entidade está vivenciando um profundo processo de renovação e preparando novos projetos. A capoeira angola está sendo praticada hoje em todos os continentes, criando um mercado de trabalho de difícil mensuração e levando ao mundo uma visão positiva do Brasil; vem ainda expandindo a língua portuguesa e trazendo ao país visitantes de todo o mundo, para o desenvolvimento do turismo cultural e étnico.

A ABCA estará focando seus esforços nesta busca de justiça e reconhecimento de todos os mestres da sabedoria popular, no berço da cultura que é a Bahia. “Angola: capoeira mãe”, repetem os mestres da associação, que se prepara para iniciar também em sua sede, na Rua Gregório de Matos, curso de inglês para capoeiristas e moradores do Pelourinho; a criação de uma escola superior de capoeira angola; sua transformação em um ponto de encontro nacional e internacional de capoeiristas, com reforma da loja, criação de biblioteca e videoteca, além de um arquivo de fotos e histórias dos mestres que compõem este patrimônio.

Lucia Correia Lima – DRT 1046

Paulo Magalhães – DRT 11.374

 

Capoeira Valencia 2009 – Uma Festa de Camaradas

O Grande amigo e camarada Careca, que ao longo dos anos vem amadurecendo e desenvolvendo um fantástico trabalho com a “Luta Regional Baiana” a Regional de Bimba em terras Ibéricas e também no Canadá, convida a todos os amigos e parceiros para o seu evento anual o qual já tive o prazer de participar onde a alegria e a amizade imperam…
 
Vale ainda ressaltar a importância deste evento que tem uma cariz bastante cultural, sempre buscando divulgar as tradições ligadas direta ou indiretamente a Capoeira Regional.
Uma Boa dica para os amantes da capoeira!
Luciano Milani
Convite:

“Capoeira Valencia 2009 – Uma Festa de Camaradas”

O Festival apresenta a Comunidade Valenciana toda a riqueza da cultura Brasileira, tendo a Capoeira como transmissora da mesma. Durantes os 4 dias de festival serão realizados cursos, palestras, espetáculos, rodas, dentre outras atividades realizadas por convidados vindos do Brasil e diversas partes do mundo, alguns dos mais representativos nomes da arte-luta brasileira se encontram, fazendo com que Valencia seja o centro das atenções da capoeira na España.

Data: 30 de Abril à 3 de Maio.
Local: Valencia, Benaguasil, Vilamarxant.
Organiza: Careca – Centro Cultural Capoeira Baiana
Contato:(34) 654 23 24 64
www.capoeirabaiana.net

 

Goianos participam de competição nacional de capoeira

A delegação goiana de capoeira, composta por 85 atletas, que  viajou ontem à noite para Aracaju, capital de Sergipe,  disputa a partir de hoje  o IX Campeonato Brasileiro de Capoeira. O evento segue até domingo, 17. A Agência Goiana de Esporte, cedeu dois ônibus para transporte dos atletas. Dentre eles, 18 são beneficiários do programa Bolsa Esporte. Os goianos estão confiantes e pretendem repetir o resultado alcançado no ano passado, quando a delegação sagrou-se campeã.

Outras informações (62) 9212-0912 ou (62) 3218-1377.

XI Congresso Nacional de Capoeira

Comunico a todos os associados e visitantes do Portal Capoeira, que estará acontecendo nos dias 12,13 e 14 de Maio o XI Congresso Nacional de Capoeira, promovido pela Associação Candeias, na cidade de Palmas/TO.rnEnfatizo, ainda a presença de grandes Mestres, Contramestres e Professores de Capoeira de todo o Brasil. Como: Mestre Suíno/Goiânia, Mestre Gilvan/Brasília, Contramestre Babuíno de Pernambuco dentre tantos outros nomes muito importantes no mundo da capoeira. rnDestaco também, que nesse evento ocorrerão vários cursos, apresentações e rodas com muito axé.rnSerá uma grande oportunidade de crescimento no âmbito cultural, físico e histórico para todos os que se fizerem presentes!!!

TURISMO, MERCANTILISMO E CAPOEIRA

O Furto da Ludicidade nas “Rodas de Vadiar”
 
O reconhecimento da importância do turismo como negócio, tem despertado nas comunidades, em nível global, o interesse pela atividade na busca e na apropriação dos resultados através da captação de fluxos de visitantes e das receitas que eles geram. Enquanto atividade econômica do 3º setor, o de serviços, o turismo permeia os campos sócio-econômico e político-social exercendo sobre estas áreas decisivamente, importância ímpar. 
 
 A referida atividade pressupõe movimento, deslocamento de pessoas. Esse fluxo é gerado por motivações diversas de viagem, a saber: negócios, lazer, religião, fuga do cotidiano, saúde, contacto com a natureza, dentre outras. O processo de forma abrangente envolve conhecimento, trocas culturais e relações sociais. É possível observar que um dos princípios básicos que norteiam o interesse do turista pelos atrativos de uma localidade, independentemente da motivação direta da viagem, é a busca de novas experiências que lhes propiciem momentos de prazer e satisfaçam suas necessidades imediatas.
O Turismo na Bahia, particularmente na Cidade do Salvador, mantém uma íntima relação com as manifestações populares, notadamente as de origem afro-brasileiras. A exploração de tais elementos extrapola os aspectos culturais, lúdicos, artesanais e gastronômicos e avança em direção ao consumo da imagem e da própria identidade negra.
 
Read More

BIMBA DESAFIA OS CAPOEIRISTAS BAHIANOS

          A capoeira é um jogo genuinamente brasileiro. Na Bahia, é o mesmo praticado em grande escala. Temos uma série de nomes de grande projecção na difficil lucta da "raspa e da queda".

         Infelizmente, quase que não se assiste a demonstrações desse jogo, que é aliás, bem interessante. Que se movimentam os nossos capoeiristas, para o soerguimento do jogo que abraçaram.

Um desafio

          Esteve, hontem, em nossa redacção o sr. Manoel dos Reis, mais conhecido nas nossas rodas desportivas por Mestre Bimba, que em palestra comnosco pediu que lançassemos em seu nome um desafio aos capoeiristas desta capital, dentre os quaes figura Samuel Pescador, Eugenio e Henrique Bahia, para a realização de um encontro que deverá effectuar-se no proximo domingo.

          Bimba espera que o seu desafio seja acceito.

Jornal Diário da Bahia – Salvador, 28/01/1936

Fonte: www.filhosdebimba.fhp.com.br