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Recife: Daruê Malungo mistura capoeira e maracatu para mudar vida de jovens

Cerca de 120 jovens residentes na comunidade de Campina do Barreto, na Zona Norte do Recife, têm no Carnaval a chance de mostrar o que aprendem durante todo ano na ONG Daruê Malungo: a mistura de capoeira com o maracatu. Eles também são personagens do Vida Real desta quinta (31), que mostra quem faz a folia no Recife.

As duas atividades, maracatu e capoeira, se juntam para ensinar aos jovens importantes lições, como aprender a lidar com a vida. “A capoeira ajuda a ter jogo de cintura, algo fundamental para que vençamos na vida”, contou o coordenador do projeto, mestre Meia-Noite.

Para aprender a dançar capoeira ao som do maracatu, é preciso treinamento e companheirismo: “Aqui um ajuda o outro. Dessa forma, aprendemos mais rápido a unir os ritmos e a fazer amizades”, disse Jaqueline de Luna Almeida, uma das alunas do projeto.

O Daruê Malungo se apresenta nesta sexta-feira (01), na abertura oficial do Carnaval do Recife. Mais uma noite para que a harmonia da capoeira e a energia do maracatu contagiem os foliões, trazendo paz para a folia da cidade.

Fonte: http://pe360graus.com/ – Recife – BR

Cronica: Qual o valor da Capoeira?

O camarada leitor certamente imaginou uma resposta tendente ao subjetivismo, pensou naquilo que a valorização da capoeira pode oferecer em essência, em sentimento e paixão.
 Mas peço que responda na acepção literal da palavra “valor”. Peço que defina em números ( pode ser em real, euro, dólar… fique à vontade!), o quanto a Capoeira vale.
 
 O assunto é polêmico e, muitas vezes, tem o insistente verniz da hipocrisia. Discursos diversos apoiando e criticando respostas inundam fóruns de net e algumas rodas de capoeira. Afinal, a Capoeira pode se desvencilhar de uma realidade capitalista globalizada? O capoeirista pode “viver” da Capoeira?
 
 Mesmo com as agruras e injustiças sociais que o sistema capitalista sustenta, ainda acho a forma mais plena de viver em uma sociedade de consumo. Ok…ok..Digo isso porque usufruo das benesses que esse mesmo sistema oferece, e eu seria bastante hipócrita em criticar o sistema e, ao mesmo tempo, desfrutar de todas as maravilhas que o capitalismo constrói. E quem não usufrui? E o pobre miserável que não tem chance de ascender socialmente? Bem… será mesmo o câncer do sistema ou a forma como o sistema é gerenciado? A necessidade humana em acumular – vinda desde os primórdios – não teria um papel relevante diante dessa realidade injusta e cruel?
 
Retomemos ao intuito da explanação…
 
 É justo criticar o capoeirista que cobra alguma quantia para ensinar o que sabe sobre a Capoeira? E quanto a forma comercial explorada por vendas de artigos e instrumentos comercializados ( às vezes de forma abusiva ) relativos à Capoeira? Resposta aparentemente simples, mas que ainda acende fogueiras de revolta e falso moralismo no universo capoeirístico.
 
Particularmente, nada contra. Mas condeno os abusos! E o faço de forma impetuosa!
 
 Os exemplos falam por si só… vez ou outra nos deparamos com casos de Mestres que, “em nome da expansão e divulgação da nossa arte-capoeira brasileira” enchem os bolsos de euros e dólares em terras do velho mundo na maior cara de pau e ainda fazem chacotas com quem ficou nesses lados tupiniquins fazendo projetos sociais voluntários.
 
 Acho que a questão é bem mais complexa. Envolve caráter, valores e princípios. Vai além de esperteza e malandragem de um capoeira. E isso fica a critério de cada um. Não dá para medir o que um ser humano pode chegar quando não possui vergonha ou escrúpulos. 
 
 Disso, tem-se um fato confortante: sabemos que estes indivíduos aproveitadores nunca participarão do rol grandioso onde apenas os verdadeiros Mestres de Capoeira terão os nomes imortalizados.
 
 A dose é o que diferencia o veneno de um remédio. E é bom que esses falsos capoeiras saibam dessa máxima, que mais cedo ou mais tarde, acabarão por serem atingidos.
 
“… quem não conhece Capoeira, não pode dá o ser valor!…”
 
 
Abraços, camaradas!
 

Cronica: O Espírito de um Capoeira

O Camarada Shion, lá da Parnaíba – Piauí, nos enviou esta cronica, que nós do Portal Capoeira esperamos que seja a primeira de muitas… onde o autor nos retrata a visão e o sentimento do "Espírito de um capoeira"…


Tudo começa em um momento de quase acaso. Passeando em uma praça arborizada, repleta de sons de pássaros ao fim de uma tarde. Os raios do sol estão mansos, provocam uma sensação formidável com seu calor terno. Em um repente, apenas um barulho produzido por um instrumento curioso, acompanhado de palmas e cantos num ritmo que anima e prende a atenção. Pais, mães e filhos são direcionados – parecendo uma ação inconsciente – àquela curiosa roda formada por pessoas contentes e sincronizando um mesmo pensamento.
 
Como se fossem guiados por uma força estranha, quem estar de fora dessa roda sente-se atraído e convidado a acompanhar – mesmo q sendo na simples batida do pé – uma música que é entoada com emoção e força.
 
Sob olhares curiosos e surpreendidos, pernas e braços realizam acrobacias e movimentos que encantam e fascinam quem participa daquela roda. A musicalidade parece a força motriz de toda aquela gente que canta e luta num ritmo da ginga característica.
 
Este é um cenário típico da nossa arte Capoeira. Uma atividade que fortalece nossas capacidades físicas e, conseqüentemente, enaltece nossas faculdades mentais.
 
Sempre gostei de acompanhar rodas de capoeira. Sentia-me bem – mesmo q só observando – em presenciar aquelas manifestações de alegria e festividade. Infelizmente, por conta de limitações de minha saúde – à época  – não era possível minha participação de forma efetiva e direta.
 
Hoje, sadio, pratico capoeira. Satisfação enorme em estar em contato com essa arte! A cada dia crio novos vínculos amistosos e me perco na imensidão de informações que faz dessa arte algo ímpar. Estórias, lendas e mitos fazem dessa arte um “não sei o quê” de mistérios, causos e surpresas!
 
Quando vem a reflexão, confirmo que minha atração pela capoeira se deva pela simplicidade que una todos no microcosmo da roda de axé. Costumamos dá vazão às coisas complexas e sem utilidade, ao fim. E a capoeira nos faz seguir sempre na retidão da igualdade. Dentro de uma roda, Mestres, Graduados e Novatos respiram o mesmo ar e escutam a mesma música, sem distinções. Todos são iguais naquele momento. Preto- branco, rico-pobre… não há espaços para padrões sociais de segregação.
 
Confesso que a capoeira me redirecionou  às trilhas do “ser simples”. Particularmente, minhas atividades cotidianas me faziam distantes das coisas simples que compõem a vida. Sinto que estou em voga novamente. Graças ao esforço pessoal por meio da capoeira.
 
A capoeira em sua totalidade não cabe em algumas linhas, definitivamente. Mas também sei que essa mesma capoeira permite manifestações que preencham livros e livros ou apenas uma frase – esta q seja dita com satisfação e verdade.
 
Talvez seja por isso que nossa arte abrace todos! A arte-ginga não se resume a este ou aquele grupo… a capoeira é bem mais significativa, por mais que alguns acreditem no contrário. Uma minoria, felizmente!
 
Façamos então nossa parte em retribuição aos grandes Mestres do passado e aos atuais! Valorizemos os esforços colossais para uma imagem limpa e sem rasuras da nossa arte! Façamos por onde! Ações!
 
Precisamos mostrar para todos aqueles que insistem, que a capoeira é uma ferramenta importantíssima na imprescindível tarefa da educação. Os pais precisam de um reflexo nos boletins dos filhos, para que exista uma motivação. Os envolvidos na capoeira devem incentivar os respectivos alunos para que estes permaneçam a otimizar seus desempenhos nas salas de aula. A educação é a passagem mais fácil e eficaz na construção de um cidadão nato e firme nas próprias opiniões.
 
Dessa forma, quem trabalha na capoeira de coração poderá tirar dessa mesma o próprio sustento. Assim como qualquer outro ofício, viver da Capoeira para quem a ama, é a realização. E é apenas dessa forma educadora que um dia esta realidade será testemunhada. 
 
Vamos agir, colega velho! Cada camarada possui uma qualidade que o define. Usemos nossos atributos dentro e fora da roda. Vamos falar, expandir, corrigir, errar e acertar! O que não vale é a morosidade e a acomodação. Cada grupo de capoeira possui uma força enorme! Basta atentar para tal fato.
 
“Capoeira é defesa e ataque, é ginga no corpo, é malandragem! É licuri que quebra dendê! E quem não conhece capoeira, não pode dá seu valor!”
 
Iê, Capoeira!
 
Shion
Grupo Muzenza
Parnaíba – Piauí

Consciência Negra e Capoeira – prática constante

Nesta crônica estão apresentadas algumas considerações sobre o "Dia da Consciência Negra", chamando-se a atenção para a presença da Mulher – negra ou não – na luta pelas igualdades. Mestra Dandara (Por que não?) recebe justa homenagem!
Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br
Edição 51 – de 27/nov a 3/dez de 2005
Manchinha – GCAIG
Colaboração: Moleza
Nov-05, São Paulo SP


O dia da Consciência Negra passou. Mais uma data no calendário oficial, que nos sugere um dia especial no meio de semanas e dias de puro trabalho e pouca reflexão. Apesar de cada vez mais termos meios de acessar as informações, o que se pode fazer com elas é ainda muito pouco, uma vez que os esforços e espaços para debates e trocas são limitados.
Eleito o dia 20 de novembro para representar toda nossa História Negra, por ser o dia da morte do líder Zumbi da república quilombola dos Palmares, fundada em 1597 onde hoje é o Estado de Alagoas e Pernambuco, no período auge de nossa vida colonial, essa data tem muito a representar. Gostaríamos de falar brevemente sobre o que essa representação pode oferecer ao debate da Capoeira como uma manifestação dessa parte da nossa História e que só agora, passados séculos de debates não-oficiais, está entrando nos mecanismos de divulgação da História Oficial.
Se uma data como essa permite pensarmos a vida de uma grande liderança como foi Zumbi, gerando a idealização de sua figura como a de um herói que deve ser colocado entre os heróis de nossa pátria-mãe tão pouco gentil com seu povo oprimido, também deveria permitir a conscientização do papel dos que estiveram atuando ao lado dessa figura, especialmente as mulheres, às quais fazemos questão de destacar aqui nesse texto e em outros que temos assinado sobre a presença feminina nos contextos de que participamos.

Angoleiras & Negritude

Jornal do Capoeira – Edição 43: 15 a 21 de Agosto de 2005
EDIÇÃO ESPECIAL- CAPOEIRA & NEGRITUDE
 
O Jornal do Capoeira sob a batuta do camarada Miltinho Astronauta, preparou esta semana uma edição especial! Protagonizando a Capoeira e a Negritude.
Confiram está matéria, dedicada especialmente as mulheres…
Luciano Milani 

Os princípios femininos, a resistência negra e a mulher angoleira
 
"O bom capoeirista nunca se exalta procura sempre estar calmo para poder refletir"
Mestre Pastinha
 
Vamos partir dessa grande colocação de Mestre Pastinha para abordar o tema a que nos colocamos dispostas a refletir aqui.
 
É sabido que dentro da História da humanidade já passamos por diversas revoluções (Agrícola, Industrial, do Conhecimento e da Informação) e que a maioria delas ficaram registradas como resultado de ações de homens, no sentido patriarcal do termo.
 
Desde a II Grande Guerra, entretanto, a mulher ocidental começou a retomar em muitos lugares o papel de gestão da vida social, papel esse próximo ao que a mulher representava no princípio do agrupamento humano, onde, para a preservação do grupo, a união em torno da matriarca era o ponto central na preservação da espécie.
 
 Passados 60 anos do final do Conflito Mundial o retrato que temos hoje em dia da mulher, numa realidade como a do Brasil, é muito diverso. Primeiro porque somos uma sociedade estratificada em camadas de acesso ao consumo, marcada essencialmente por um fator que condiciona a situação social atual: os mais de 300 anos de escravidão negra que contam boa parte de nossa História.
 
Dentro dessa diversidade de condições (sociais, econômicas, psicológicas) o que nos interessa nesse espaço é pensar sobre a contribuição da mulher, especialmente a mulher negra, nas formas de resistência à imposição do patriarcalismo, do preconceito e discriminação e das lutas a que estivemos dispostas a travar em prol de uma educação mais digna e zelosa dos princípios que conduzem a natureza feminina: subjetividade, ternura, cuidado, acolhida, nutrição, conservação, cooperação, sensibilidade, intuição, experiência do caráter sagrado e mistérios da vida e do mundo.
 

Órgão regulamentador para capoeira

Carta do ministro Gilberto Gil ao presidente da Comissão de Turismo
e Desporto, deputado Antônio Cambraia (PSDB-CE)
MinC oficializa apoio à aprovação do Projeto de Lei nº 7.370 de 2002
A Sua Excelência o Senhor Deputado Antônio Cambraia,


Câmara dos Deputados,
 
Senhor Deputado,
 
O Ministério da Cultura tem acompanhado com atenção as discussões
nesta Casa sobre o Projeto de Lei n° 7.370/2002, de autoria do
deputado Luiz Antônio Fleury, e seu Substitutivo, excluindo os
profissionais de Dança, Artes Marciais, Capoeira, Yoga e Método
Pilates da fiscalização dos Conselhos Federal e Regionais de
Educação Física.
 
Apoiamos a aprovação dessa iniciativa, pois consideramos que essas
atividades são, em primeiro lugar, cultura e, em segundo,
fisiocultura. São manifestações culturais e artísticas de grande
importância para o Brasil, com seus universos simbólicos
específicos, incorporadas e recriadas pelo povo brasileiro em seus
costumes e configurações corporais e criativas. A atuação, a
linguagem e o conhecimento dessas áreas transcendem a atividade
física. No caso do Método Pilates, por ser uma atividade
interdisciplinar, é preciso um controle com características
próprias, integrando representação de várias áreas.
 
Portanto, o Ministério da Cultura entende que não cabe a uma outra
área de conhecimento, no caso à Educação Física, por meio de seus
conselhos, legislar e fiscalizar manifestações genuinamente
culturais e artísticas.
 
Solicitamos a atenção dos membros dessa Comissão de Turismo e
Desporto para as questões aqui expostas quando da votação do
referido projeto, estando à disposição para qualquer esclarecimento.
 
 
Atenciosamente,
 
 
Gilberto Passos Gil Moreira
Ministro de Estado da Cultura
 
http://www.cultura.gov.br/noticias/notas/index.php?p=9058&more=1&c=1&pb=1

O carater desta notícia é divulgar e esclarecer, de maneira nenhuma tem carater politico.
Luciano Milani

A HISTORIA DA CAPOEIRA NO BRASIL.

Ao abordarmos a historia da prática da Capoeira no Brasil, devemos antes de tudo resgatar a História da escravidão no Brasil do século XVI, XVII, XVIII e XIX, quatrocentos anos de horrores e serviços forçados, para alimentar uma elite rica e gananciosa que vivia para o acúmulo de capitais.

Nesses quatrocentos anos as pessoas viveram o nascimento, crescimento e expansão do Capitalismo. O Pré-capitalismo, uma das primeiras fases da formação do capitalismo, também conhecido como Mercantilismo, prática econômica baseada na compra e venda de produtos, visando um maior acúmulo de capitais e ter uma balança de comercio favorável, ou seja, vender mais que comprar, aumentava a riqueza da burguesia, a burguesia atraves dos impostos aumentava a riqueza da nobreza e do Rei. Era o nascimento das Monarquias Nacionais do fortalecimento do poder central nas mãos do Rei.

Com as Monarquias Nacionais as leis são unificadas, a moeda é unificada, pesos e medidas são unificados, todos os tribunais são submetidos a autoridade do Rei, dessa forma o comércio pode se expandir e crescer.

Quanto mais o comércio crescia, mais se investia em conhecimento e ciencia dando origem a expansão marítima e consequentemente a descoberta da América.

Logo os europeus perceberam que estavam na vanguarda de muitos conhecimentos em relação a outros povos do planeta. Com esses conhecimentos e sua habilidade guerreira, experiência adquirida em séculos de Cruzadas com os povos mulçumanos, o europeu passa a diversificar a prática mercantilista estimulando o Colonialismo e é essa pratica econômica que nos leva a escravidão.

O que era o Colonialismo ? Simples. Baseava-se na prática de se obter matérias primas a troco de nada, transforma-las em manufaturas ou seja, mercadorias e vende-las bem caro na Europa, foi assim que a “mazela” de diversos povos começaram, pois, não foi só o Negro que foi escravizado, mais o silvícola americano, os asiáticos e diversos outros povos passaram (e ainda passam, por incrivel que pareça !) por essa horrivel experiência… As colônias perteciam aos Reis e suas terras não eram distribuídas e sim arrendadas o que diminuia muito a possibilidade de qualquer plebeu ser dono de terras nos novos mundos. E quem, em perfeito juízo, deixaria seu país, sua terra, para ser servo na América, Africa ou Asia ? Então, os brancos que por ventura apareciam por aqui, eram grandes senhores de terra ou eram degredados, fugitivos, condenados pela inquisição que fugiam da perseguição religiosa em seus países, eram cristãos novos, judeus recem convertido que a igreja muito rígida na epóca vivia a perseguir, muitos migravam por não ter mais nada a perder.

No caso do Brasil os portugueses precisavam cocretizar sua efetiva colonização, pois, ingleses e franceses viviam a contrabandear as riquezas do Brasil, o que na cabeça do Rei de Portugal era uma ofensa gravissíma, afinal, ele acreditava que as terras do Brasil eram dele o que configurava em roubo contrabandear tais riquezas.

A colonização efetiva do Brasil começa trinta anos depois de sua “descoberta” em 1500 por Pedro Alvarez Cabral, hoje motivo de certa controvérsia, pois, existem teorias que comprovam a estadia do navegador Duarte Pacheco em terras brasileiras no ano de 1498, mas isso é uma outra história.

Após o iniciar o processo de colonização, os portugueses passaram a explorar nossas riquezas e criar outras, o caso da cana de açúcar, dentro desse processo, podemos dizer que passamos por três ciclos econômicos diferentes:

Ciclo do Pau-Brasil :

Consistia puramente em cortar e armazenar a madeira e levá-la para Europa, onde era usada de várias formas. Porém, nesse primeiro Ciclo não precisou de trabalho escravo, já que os silvícolas americanos, faziam esse trabalho por algumas quinquilharias como, contas, pedrinhas de vidro, espelhinhos, faca…

Ciclo da Cana de Açúcar:

Aqui começa a história das senzalas, da escravidão e da Capoeira, quando chegam os primeiros negros para serem usados no trabalho escravo. O Negro chegou para substituir o americano o “Negro da Terra”. Para a Coroa de Portugal era difícil controlar o aprisionamento e a venda do Americano, pior, o americano conhecia a região podia fugir para mata com facilidade, já o Negro era mais fácil de controlar. O comércio era feito de continente para continente de um país distante do outro lado do mar a Africa. Ao entrar nas colõnias os escravos negros eram contados e contabilizados, dessa forma o Rei podia fiscalizar muito melhor o tráfico. Este por sua vez se tornava bem mais rentoso que o o tráfico do americano.

O escravo negro não conhecia a terra e nem os dialetos falados aqui, a região, o clima, animais, plantas, nada disso ele conhecia, separado da família e dos amigos, o Negro tinha um só direitro, trabalhar, trabalhar e apanhar…Nesse ambiente nasce o espirito de camaradagem entre os escravos de várias culturas diferentes e é dessa forma, dessa mistura de culturas africanas nasce a Capoeira, nasceu brinquedo, dança, jogo. Ajudava aos escravos matar a saudade da terra atraves da música, do batuque e das histórias contadas nas rodas era um momento de alegria, um dos poucos…

Ciclo da Mineração:

O ciclo do ouro trás várias mudanças na sociedade colonial, como o ouro era uma riqueza de fácil acesso, requer só uma batéia (teoricamente), era fácil encontrar homem livre e ate mesmo escravo que enriquecia com a descoberta do ouro.

Nessa época houve uma mudança significativa na vida social da colônia, nasce uma classe média que crescia conforme crescia, a exploração do ouro, afinal os mineiros precisavam comer, beber, dormir, morar, ou seja a extração do ouro possibilitou o nascimento de uma classe social que sze sustentava prestando serviços aos mineradores de então.

Neste contexto urbano nasce uma nova Capoeira que agora sai das senzalas e chega as ruas, as praças e aos largos das principais Capitanias da Colônia, pela primeira vez, encontramos uma classe média atuante na Colônia. O ouro gerou uma riqueza muito grande que foi utilizada na urbanização das cidades, estas atraia todo tipo de gente, aumentando muito a diversidade cultural o que contribuiu para a expansão da Capoeira.

Aprendia-se a Capoeira jogando e observando as rodas nas festas religiosas das praças, ainda não era vista como prática criminosa, porém era vista como jogo de negros, o que a tornova extramente marginalizada pela sociedade branca das cidades.

I REINADO

No Primeiro Reinado a Capoeira já era proibida, mas ainda não fazia parte do código penal, porém era reprimida e punida com chicotadas e trabalhos forçados era praticada por negros escravos, livres, mulatos, mamelucos, brancos e estrangeiros.

Nas cidades a pratica da Capoeira era controlada pelas Maltas que se espalhavam por todas as grandes cidades e eram divididas pelos bairros, esses eram controlados por maltas de capoeiristas rivais. Na verdade isso é fácil de entender, em um país onde a maioria era negra, controlados por uma minoria branca, claro que teremos uma parte enorme da sociedade que vai viver a margem da mesma, levando a formação das maltas que seriam a organização dos excluídos pelo sistema da época. Durante todo I Reinado não houve nenhuma lei que trata-se dos negros com dignidade, pelo contrário, as leis so favoreciam a Elite “pensante” da epoca.

II REINADO

No segundo reinado por pressões inglesas, o Governo brasileiro começou a criar algumas leis em prol do negro, porém algumas beneficiaram muito mais aos Srs do que aos próprios negros, leis como:

Lei do Ventre-livre, essa é muito boa! A partir da promulgação desta lei todo o escravo nasceria livre, mas, teria que ficar na fazenda do seu Sr. Até ser de maior e poder viver sua vida, enquanto esperava a sua maioridade trabalhava para o Sr., sem ganhar nada é claro…

Lei do sexagenário, também muito boa! Após os sessenta anos todo escravo era livre. Imagine que um escravo tinha uma média de vida de 25 a 30 anos, chegar aos sessenta era um mérito! Porém, essa lei vai beneficiar muito mais aos Srs, aos sessenta o escravo já esta velho e cansado para não ter que alimenta-lo sem que ele trabalhasse era só recorrer a essa lei e pronto, lá estava o Sr. Livre do escravo.

Lei Aurea 13/05/1888. Concordo, libertou finalmente os escravos, mas sem política pública nenhuma o que manteve o negro a margem de nossa sociedade.

Enquanto esses eventos políticos aconteciam a Capoeira crescia, evoluia, tornava-se arma das pessoas que viviam nas ruas, não era só o negro praticante da Capoeira, como já escrevi, o praticante era, mulato, mameluco, negro, branco, todos essas raças contribuiram para moldar a Capoeira moderna de hoje.

A partir da segunda metade do sec. XIX o berimbau passa a figurar nas rodas de Capoeira. Até então as rodas eram marcadas pelo ritmo do atabaque, pandeiro e outros instrumentos de percurssão, com a entrada do berimbau começamos a ver surgir a Capoeira moderna de Pastinha e Bimba.

As Cidades do Rio de Janeiro, Salvador e São Luís, eram os maiores focos da prática da Capoeira urbana, onde havia concentração de pessoas, lá estava a Capoeira. Nessa epoca ela ainda não era ensinada em academias e se aprendia a Capoeira jogando a Capoeira, nas ruas no dia à dia, observando os outros a jogar, era essa a única maneira de se aprender a tão temida Capoeira.

REPÚBLICA

Em 1892 a Capoeira passa a fazer parte do código penal artigo 402, até então ela já era proibida, porém só a partir dessa data que ela passa a fazer parte do código penal. A pessoa que fosse pega jogando a Capoeira era preso e mandado para a Ilha de Fernando de Noronha para fazer trabalhos forçados durante 4 à 6 meses.

Só no primeiro ano de vigência da lei o Chefe de Polícia do Rio de Janiero, Sampaio Ferraz mandou para Fernando Noronha cerca de 400 capoeiristas, sendo que desses 400, 65% foram considerados brancos, 20% estrangeiros e apenas 15% de negros, como se vê ela já era muito utilizada por diversas raças diferentes, pois não impotava a raça em si e sim a situação soçial da pessoa, pobre e marginalizado era capoeirista na certa ! Porém isso não impediu que muitos homens ricos praticassem a Capoeira, sendo que a maioria desses homens eram boêmios, da noite, conheciam a malandragem popular e sabiam usa-la a seu favor quando precisavam.

A partir da década de 1920, passa a surgir um sentimento nacionalista nas artes, política e cultura do Brasil, era a Semana da Arte Moderna de 1922, que sacudiu o Brasil com seu resgate a cultura genuinamente Nacional, surge então com força total a Capoeira, agora como Ginástica Nacional Brasileira, idealizado por Burlamarqui, Mestre Zuma, que em 1928, formou o primeiro manual da Capoeira sem Mestre, método didático, onde o leitor atraves do livro tinha conhecimento da Capoeira como jogo, como luta.

Nessa epoca Mestre Bimba e Mestre Pastinha já são famosos como Mestres bahianos em 1923, Mestre Bimba, cria a Capoeira Regional da Bahia, uma ramificação da Capoeira de Angola, que até então era chamada, apenas de Capoeira e só, quando Mestre Bimba colocou o nome Regional, Pastinha então chamou a dele de Angola, para diferenciar uma da outra, conhecida nos meios da Capoeira como a Capoeira Mãe, pois, Mestre Bimba, tentando transformar a Capoeira mais objetiva para a luta acrescentou vários golpes de outras artes marciais na Capoeira de Angola o que prova que a Capoeira continuava a evoluir e acompanhar o seu tempo.

Em 1933, após uma apresentação de Mestre Bimba e seus alunos para o então interventor da Bahia a Capoeira é finalmente liberada, deixando de fazer parte do código penal e dando início a uma nova era para a Capoeira no Brasil.

Em 1950 o mesmo Mestre Bimba faz outra apresentação, dessa vez para o próprio Getúlio Vargas, o que faz a Capoeira bahiana ainda mais famosa.

A partir de Bimba e Pastinha a Capoeira passa a ser ensinada nas academias, com metodologia propria e qualquer uma pessoa passa a ter acesso a Capoeira.

Nas décadas de 1960, 70, 80 e 90, a Capoeira se torna uma profissão, uma realidade para muitos Mestres e Professores brasileiros que passam a ensinar hoje em grandes grupos dentro e fora do Brasil.


Prof. Luiz Eduardo: luizeduardoalmeida@bol.com.br