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Capoeira, Dança & Teatro: África brasileira

Com coreografia de impacto e a capoeira como pano de fundo, "Quilombo" retrata na dança afro a trajetória dos escravos no Brasil
 
Nada mais natural que aliar a capoeira à dança. Movimentos que se misturam, se completam. Dentro desse pensamento, eis que surge, ainda em 2005, o espetáculo Quilombo, montado pela Associação Água de Beber, com coreografia de Wal Queiroz. O estímulo maior veio com o convite da direção do Festival Internacional de Tradições Afro-Americanas da Venezuela. Foi assim que a iniciativa tomou força e os capoeristas profissionais deram vida a dançarinos. Por 40 minutos, eles deixam as rodas e sobem ao palco para mostrar a força de uma cultura.
 
Da captura à libertação. Saudades da África ao Brasil incorporado como sua nova pátria-mãe. Os aspectos que transpassam pelos períodos existentes entre esses dois extremos são sentidos nas danças e representações de “Quilombo”. Com 12 capoeiristas atuando, dançando, tocando e cantando em diferentes quadros, o público acompanha a prisão dos escravos, a viagem no navio negreiro, a comercialização e o contato com a nova cultura. Sofrimento, dor, revolta contida.
 
No mesmo ritmo de movimentos fortes, a apresentação segue contando a formação dos quilombos, o surgimento do líder Zumbi e, finalmente, a descoberta da capoeira. Apesar de ser responsável pela origem do espetáculo, a luta aparece como um personagem secundário, mas presente, mesmo que subjetivamente, nos movimentos dos dançarinos. Nesse sentido, o coordenador da Associação Água de Beber, Robério Queiroz, o Mestre Ratto, destaca: “Essa foi uma oportunidade de diversificar a capoeira, podendo ser vista como arte, cultura, luta e dança”. Além disso, o espetáculo, ao mesmo tempo que resgata uma história, chama um novo público a conhecer, realmente, o que é a capoeira. “É uma nova forma de ver e conhecer a capoeira”, acredita Mestre Ratto.
 
Foi da capoeira que veio também o repertório que rege todos os atos. Os instrumentos que tem como função primeira guiar os capoeiristas em seus “golpes” na tradicional roda, passam agora a fazer parte fundamental do espetáculo. Nada mais original do que berimbaus e tambores marcando o compaço na percussão.
 
A descoberta
Na história de “Quilombo”, a capoeira é um dos últimos elementos a aparecer. Fato que não tira o encanto da descoberta. Ao longo dos atos de dança e teatro, principalmente quando se chega à vivência dos escravos no Brasil, os negros vão despertando para os movimentos que, em seu futuro, irão originar a luta de capoeira. Mais uma vez, entre as diferentes nuances do espetáculo, a expectativa de arrancar emoções mais fortes do público.
 
Toda essa trajetória arraigada de dor e duras conquistas foi pensada durante cerca de um ano. Em 2005, a Água de Beber, que sempre se dedicou a projetos sociais envolvendo o universo afro, através da capoeira, agora se descobre culturalmente. A idéia deu certo. No ano seguinte, em 2006, nova apresentação no Festival de Tradições Afro-Americanas na Venezuela, chegando à Fortaleza, em cartaz no Dragão do Mar e no Teatro São José. Casa cheia, público satisfeito, espetáculo aprovado.
 
Com o bom resultado da primeira empreitada, a Associação está pronta para dar continuidade ao trabalho. O novo espetáculo “Nordestinando”, segue no contexto histórico e resgata as danças folclóricas num passeio pelos ritmos de diferentes regiões. O espetáculo entre em cartaz no dia 19 no Sesc Emiliano Queiroz.
 
Desafio
 
O coreógrafo Wal Queiroz continua com o grupo em “Nordestinando”, mas dessa vez, para ele, o trabalho fluiu mais fácil. A criação da coreografia de “Quilombo”, foi um desafio para Wal. Com todas as danças basearam no jogo da capoeira, o coreógrafo mergulhou no mundo da luta em busca dos movimentos que se adequasse perfeitamente à dança.
 
“Assisti às aulas. A partir da movimentação deles fiz vivências. Peguei o código corporal deles e transformei no que eles queriam para o espetáculo”. No palco, o resultado visto é uma dança extremamente forte, na opinião de Wal Queiroz. Já para Mestre Ratto, as aulas de dança transformaram também as rodas de capoeira que ganharam na estética e no aumento do interesse dos praticantes.
 
CRISTIANE VASCONCELOS
Repórter
 
Mais informações:
"Quilombo"
12 a 14 de janeiro às 20 horas
Sesc Emiliano Queiroz
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) R$ 5,00 (meia)
Toda a renda será revestida a comunidades atendidas pelos projetos sociais da Associação Água de Beber
 
Diário do Nordeste – Fortaleza
http://diariodonordeste.globo.com

Palmas-TO: Oficina de Capoeira Angola com Mestre Jogo de Dentro

Mestre Jogo de Dentro vem construindo ao longo de sua caminhada, respeito e reconhecimento por todos os lugares que tem ministrado workshops e oficinas, transmitindo a Capoeira Angola a essa nova geração de capoeiras, Mestre Jogo de Dentro tem em sua bagagem o privilégio de aprender e se formar com o Mestre João Pequeno (João Pereira dos Santos) um dos mais antigos capoeiristas ainda vivo, discípulo do eterno M. Pastinha.
 
O Tocantins será presenteado com a presença do Mestre Jogo de Dentro que ministrará Oficinas de Capoeira Angola em Palmas-TO, no dia 9 de junho, no clube dos Oficiais da PM, as 18 horas e dia 10 em Fortaleza do Tabocão, qualificando e ensinando um pouco dos fundamentos desta que é uma das maiores expressões da cultura popular brasileira aos capoeiristas da capital e interior do Tocantins.
 
Este evento contará com a presença de capoeiristas e mestres de todo o estado, dentre os quais: M. Fumaça (Arraias), M. Tambor(Palmas), M. Jean Surfista(Palmas), Mt. Geléia(Dianópolis), M. Zé Maria (Barreiras-BA), M. Bizorro(Palmas), Mt. Índio(Palmas) e M. Pombo de Ouro-DF (aluno do M. Bimba) que ministrará a PAPOEIRA, projeto idealizado por este, que tem como objetivo maior, alem de interagir os capoeiristas das mais diferentes linhagens, qualifica-los com palestras com profissionais das mais diferentes áreas (Juristas, fisioterapeutas etc) e atentar as novas gerações quanto a fundamentos da nossa capoeiragem que andam em desuso.
 
Informações : 63- 9982-9241 c/Bira ou 8407-1425 c/ Asa Delta
 
[email protected]

Fortaleza: Ginga e musicalidade na Praia do Futuro

Fim de tarde na praia com muita ginga e musicalidade. Na tarde de ontem, foi lançada a Associação Capoeira Mundi, com uma roda de capoeiristas na Praia do Futuro. O evento despertou a atenção de pessoas de diferentes idades e profissões. No centro de tanto interesse, uma arte marcial genuinamente brasileira, mas que já ganhou o mundo

Débora Dias

RODA DE capoeira na Praia do Futuro uniu diferentes idades, profissões e até nacionalidades(Foto: Alex Costa)

[23 Janeiro 04h31min 2006]

O som deu o chamado, com pandeiro, atabaque e berimbau. Foi seguido dos movimentos, alguns rasteiros, outros com o corpo no ar. A combinação foi inevitável para atrair a atenção de quem passava pela barraca Marulho, na Praia do Futuro, no fim da tarde de ontem. A pequena Júlia Lemos, de 11 meses, se concentrava no espetáculo. Tanto quanto o venezuelano Luiz Angel Picón, que parou as vendas de artesanato para prestigiar o evento. A roda de capoeira realizada no local uniu diferentes idades, profissões e até nacionalidades.

”A capoeira tem uma integração social fantástica e é genuinamente brasileira”, destacou o capoeirista há 29 anos e educador físico Fernando Araújo, conhecido como Dingo. A roda marcou o lançamento da Associação Capoeira Mundi, fundada para difusão do esporte. Dingo observa que a capoeira é um patrimônio brasileiro exportado para outros países. ”Tecnicamente nós a dominamos. Mas ela não está mais nos limites do País, ganhou o mundo. É nossa cultura, mas fascina a todos”, diz.

”Minha filha está vidrada e eu acho lindo. O ritmo, a dança, a energia que a gente sente”, conta a mãe de Júlia, a instrumentalista cirúrgica Isabela Lemos. A família dela foi aproveitar o fim de tarde na praia e encontrou um programa diferente. ”A capoeira oferece bons exercícios para o corpo, disciplina e mostra a cultura brasileira”, aponta o artesão Luiz Picón, que está no Brasil há um mês. Ele conta que conheceu o esporte na Venezuela e desde então procurou aprender mais sobre essa mistura de dança e arte marcial.

Dingo explica que a capoeira é uma só, mas jogada de várias formas. Há três estilos, o regional, que é mais rápido, benguela e angola, com ritmos mais lentos. ”O capoeirista completo tem que dominar os três estilos”, afirma. Entre os movimentos de defesa e ataque, meia-lua, martelo, esquiva, quixada e armada. Durante a roda, foi feita ainda uma apresentação de maculelê, uma dança com influências afro-indígena, em que são utilizados bastões de madeira.

O professor lembra que há 20 anos, a capoeira era marginalizada pela sociedade. Hoje, já é ensinada inclusive em escolas. ”Faz parte do nosso povo. Queremos que mais brasileiros despertem o interesse por ela. A capoeira é desnuda de preconceitos. Une pobres, ricos, pretos e brancos. São todos capoeiristas”. Mais do que observar, ele faz o convite para todos praticarem capoeira.

SERVIÇO
Associação Capoeira Mundi
Rua Jovino Guedes, 67, Aldeota
Telefone: 3221.1131
 

http://www.noolhar.com/opovo/fortaleza/558941.html

A Capoeira Como Atividade Terapêutica: Novas Possibilidades de Reabilitação.

O Professor Acúrsio Esteves, nos envia esta importante matéria onde o autor da ênfase a importância da capoeira como ferramenta de inclusão social e arma de cidadania e reabilitação…
Gostaria de deixar uma ressalva à importância dos trabalhos que diversos Mestres "educadores" vem desenvolvendo dentro desta abordagem: Capoeira na 3ª idade – Capoeira para deficientes – Capoeira Cidadã…
 
Luciano Milani

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Capoeira, Comunidade, Instituição, Sociedade e Indíviduo

 Capoeira, Comunidade, Instituição, Sociedade e Indíviduo

Nos capoeiristas, no Brasil e em todo mundo, somos na maioria,trabalhadores da construção, professores, estudantes, esposas, maridos,doutores, advogados, banqueiros, administradores, desempregados, músicos,artistas, etc. Em resumo, fazemos parte ?desta coisa? que chamamos SOCIEDADE. Logo, vivemos e seguimos muitas ou a maioria das práticas que esta sociedade possui. Somos, inevitavelmente, o elemento básico que constitui a sociedade; ela existe porque estamos nela. Mas ao mesmo tempo, não somos absorvidos ou assimililados a força por esta sociedade e, pessoalmente, acredito que é ai que nos capoeiristas, como qualquer outro grupo na sociedade, podemos fazemos diferença, pois, cumprimos com o que nos cabe como parte desta sociedade, contudo, tem uma outra parte das nossas vidas que simplesmente não se "enquadra" dentro desta mesma sociedade que seguimos.

Somos, por natureza e/ou por escolha, um tipo diferente de indivíduos: desejamos a liberdade no nível mais profundo de nosso ser. Um Homem disse uma vez: "Se você deseja ser livre, você tem apenas que começar a ser livre." A liberdade é um estado mental e não um estado do corpo. Nós somos e continuaremos a ser parte desta sociedade, contudo, nao de forma passiva, pois, devemos também continuar a aumentar o que temos de melhor dentro dela. Nenhum sistema ou sociedade pode engolir o que um indíviduo tem de melhor, uma vez que este tenha tomado consciência destas suas virtudes. Por isso o conceito de institucionalização da Capoeira não cresceu tão profundamente dentro da maioria das comunidades de adeptos desta arte, especificadamente nas comunidades de Capoeira Angola. O estilo de vida da Capoeira é música para os nosso ouvidos, porque criamos o nosso próprio espaço com esta sociedade da qual fazemos parte, mas que muitas vezes desprezamos.

A Capoeira, como Mestre Pastinha disse, é tudo que a boca come. E como o ar, sabemos que está lá, respiramos e precisamos dele; contudo, não podemos capturá-lo. A Capoeira não pode ser limitada a um grupo de praticantes, por uma organização formal e muito menos por um grupo de Mestres que clamam o monópolio sobre ela. A Capoeira vai além de todos nós. Nenhuma sociedade, comunidade, ou indivíduo jamais irá controla-la.

Então, se praticamos a capoeira para nos afastarmos daquilo que ha de tradicional e repressivo dentro da sociedade e que desaprovamos tão fortemente, porque quereriamos institucionaliza-la? Nos parece um tanto contraditorio, já que institucionalização significa seguir profundamente todos os protocolos e leis detalhadas da sociedade para que nos enquadremos nos esquemas administrativos e corporativos com alguma prática e sentido reais: independência fiscal, oportunidades de doações, coesão administrativa e grupal, etc. Grupos diferentes de Capoeira, dentro da história e mais ainda nesta útimas décadas, tentaram criar uma instituição ou organização paralela somente para a Capoeira, e se tornaram tão restritas e repressivas como a instituição original da qual eles haviam tentado se afastar.

Em todas as partes do mundo nós vemos a corrupção e escandalos que instituições e indivíduos fazem. O sistema controla vários setores da sociedade com um número pequeno de pessoas tendo o monopólio absoluto sobre estes. Se olharmos para o Brasil como exemplo, vemos o carnaval e outras manifestações criadas pelo povo que foram institucionalizadas.
O povo que originalmente os criou foram os que mais perderam com isso.

Antes de pensarmos em institucionalização da Capoeira, nós temos que perguntar porque querem nos ?organizar?? Porque quereriamos uma instituição para controlar o nosso estilo de vida? Quem vai ganhar com isso? A Capoeira? O capoeirista? Os burocratas? Será que estas instituições são realmente necessárias? Quem as controlara? Porque elas tem que ser tam repressivas, elitistas e ditatoriais? Podemos confiar nestas instituições e nos seus líderes moralmente, financeiramente, fisicamente e espiritualmente? O que é que nós queremos? Nós queremos a institucionalização da Capoeira, ou uma comunidade de Capoeira que trabalhe com "o sistema"para obter honestamente o que precisamos sem nos inclinarmos para o que este sistema tem a nos oferecer?

Embora estejamos abertos para crescermos no espírito e conhecimento da Capoeira, queremos evitar a imposição de valores de um grupo de pessoas e burocratas que já tenham criado as suas próprias escalas de valores. Queremos uma comunidade que celebre e encoraje a individualidade e a cooperação entre seus membros; uma comunidade mundial de capoeira que respeite diferentes valores, crenças, pontos de vista, práticas, etc; em resumo, o que queremos e uma comunidade que respeite as nossas diferentes estórias e histórias, as nossas vidas diferentes e o nosso crescimento em direções variadas para o seu próprio fortalecimento. Pois, e isto o que nós todos teremos para oferecer através do entedimento e do amor sob a prática e o espírito da Capoeira.

Mestre Cobra Mansa

[email protected]

Ps: Por favor nao altere o sentido desse texto e mande para todos os
capoeiristas e individuo que acreditar na liberdade e em uma sociedade
alternativa e mais justa.

“A CAPOEIRA COMO ELEMENTO DE CULTURA”

A compreensão da condição histórica do povo brasileiro, em toda sua plenitude, vincula-se ao entendimento dos sistemas econômico-sociais que caracterizaram e caracterizam o Brasil. Os porquês básicos desta condição referida, a trajetória e os grandes momentos da própria constituição do povo brasileiro perpassa pela questão cultural.

Esse assunto é aparentemente óbvio, mas, na realidade constitui verdadeiro bulício, por ocupar uma enorme dimensão. É portanto, uma questão que exige problematização com busca de pressupostos teóricos e explicativos para que não se fixe no senso comum e se depare com conceitos destituídos de conteúdo.

A dificuldade em analisar a cultura no Brasil começa com as divergências de vários estudiosos do tema sobre o que esta expressão abarca especificamente, tornando-se inevitável sua delimitação conceitual.

Segundo o linguista Aurélio Buarque de Holanda Ferreira:

" Cultura é o complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições, das manifestações artísticas, intelectuais, etc., transmitidas coletivamente, e típicas de uma sociedade. É um conjunto de conhecimentos adquiridos em determinado campo." ( FERREIRA, 1.997: 156 )

A perspectiva marxista trata a cultura homogeneamente como ideologia. Já a concepção gramsciana de ideologia tem uma abordagem flexível do fenômeno da cultura, uma vez que não reduz todo o imaginário das classes à subserviência ou alienação.

Na perspectiva gramsciana Marilena Chauí em " Conformismo e Resistência" (1.986) apresenta um conceito de cultura que se incorpora a oposição da subserviência às estratégias de contra-poder:

"…expressão dos dominados, buscando as formas pelas quais a cultura dominante é aceita, interiorizada, reproduzida e transformada, tanto quanto as formas pelas quais é recusada, negada e afastada implicitamente ou explicitamente, pelos dominados. Procuraremos abordá-lo como manifestação diferenciada que se realiza no interior de uma sociedade que é a mesma para todos, mas dotada de sentidos e finalidades diferentes para cada uma das classes sociais. Consideraremos os processos em que as diferentes classes sociais se constituem como tais pela elaboração prática e teórica, explícita ou implícita, de suas divergências, de seus antagonismos e de suas contradições" ( CHAUÍ, 1.986:24 ).

Assim, a cultura popular deve ser percebida como um complexo que atua dentro de uma cultura maior ( dominante ), mesmo que seja enquanto resistência cultural.

Na prática cotidiana podemos perceber a cultura pelas seguintes formas:

" A cultura é como uma lente através da qual o homem vê o mundo. Homens de culturas diferentes usam lentes diferentes e, portanto, têm visões desencontradas das coisas" ( LARAIA,1.983:50 ).

Ou seja,

" Todos os homens são dotados do mesmo equipamento anatômico, mas a utilização do mesmo ao invés de ser determinada geneticamente depende de um aprendizado que consiste na cópia de padrões que fazem parte da herança cultural do grupo" ( LARAIA,1.983:54 )

Nesse sentido, a cultura condiciona a visão de mundo do homem.

A cultura pode interferir no aparato anatômico, como exemplo podemos mencionar a valorização de um comportamento individual em detrimento de um coletivo, ou a satisfação de necessidades básicas.

Todas as culturas possuem divisões de tarefas de acordo com a situação do indivíduo: sexo, idade, raça, condição social, etc., isso caracteriza a participação dos indivíduos diferentemente de sua cultura. Para exemplificar não poderíamos deixar de mencionar os " ritos de passagem" que são cerimônias que marcam diversas passagens na vida social, inclusive a que ocorre da infância para a vida adulta.

Cada cultura possui uma lógica própria, que deve ser buscada por quem a observa.

A cultura é dinâmica:

" Cada sistema cultural está sempre em mudança. Entender essa dinâmica é importante para atenuar o choque entre gerações e evitar comportamentos preconceituosos. Da mesma forma que é fundamental para a humanidade a compreensão das diferenças entre os povos de culturas diferentes, é necessário saber entender as diferenças que ocorrem dentro do nosso sistema. Este é o único procedimento que prepara o homem para enfrentar serenamente este constante e admirável mundo novo do porvir" ( LARAIA,1.983:80 )

Nesse contexto surge a Capoeira, enquanto cultura de resistência, uma dança-luta que foi sistematizada e incorporada por padrões formais didáticos e pedagógicos, é ensinada em academias como uma apropriação formal e descentralizadora da resistência enquanto cultura.

 

" O escravo se mostrava evidentemente superior na luta corpo a corpo na capoeira, explicavam os da escolta, que diziam saber aplicar um jogo estranho de braços, pernas, cabeça e tronco, com tal agilidade e tanta violência, capazes de lhe dar superioridade estupenda. Espalhou-se, então, a fama do "jogo do capoeira", que ficou sendo a capoeiragem "( MARINHO, 1.980:66 )

 

" Comumente, o surgimento da Capoeira Regional tem sido identificado com o processo de descaracterização das tradições populares, na dinâmica de sua apropriação pelas classes dominantes. Assim, a Capoeira Regional já foi interpretada como uma adaptação "(…) que permitia uma melhor participação do branco, menos flexível (…) e portanto com mais dificuldade para a execução dos movimentos que são exigidos no jogo Angola" ( TAVARES,1.984.104 ). Outros mais enfáticos, afirmando que o processo de inserção da capoeira nos estratos sociais superiores, iniciado com Mestre Bimba e reforçado pela folclorização da prática pelos órgãos de turismo de Salvador, teria produzido uma capoeira que em certas situações se apresenta " totalmente prostituída " ( REGO, 1.968:362 ). Assim, interpretações dessa natureza tendem a considerar, de uma perspectiva nostálgica, a trajetória histórica da capoeira como um " embranquecimento " ( VIEIRA, 1.995:13-14 ).

 

No Brasil as concepções historiográficas da Revolução de 30 e os processos sociais que engendrou fizeram surgir as classes médias urbanas, também agentes sociais, produtores de ideologia que interferiram na formação da cultura, caracterizada pelo pensamento político enquanto expressão de um ideário de legitimação de uma cultura imposta, a sociedade é permeável à legitimação do Estado.

Deu-se a reestruturação dos valores, dos padrões de cultura, à partir daí afloraram variados níveis de expressão do imaginário popular que passaram a atuar como elementos da cultura organizada socialmente.

O Brasil conta com a influência de ameríndios, europeus e africanos em todos os setores de suas manifestações culturais, desde o vestuário, linguagem, músicas, danças, vida familiar e trabalho, alimentação e até mesmo a forma mística de ver o mundo.

A capoeira é também fruto dessa influência africana, trazida pelos negros africanos e hoje está associada aos valores consensuais da sociedade, emergente do pluralismo cultural brasileiro.

Esse estudo fica então caracterizado pela reflexão e resgate da memória cultural do nosso povo, repensando a capoeira enquanto elemento folclórico e cultural originado da fusão de diversas culturas.

 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BORNHEIM, Gerd. O Conceito de tradição .in Cultura Brasileira: tradição/contradição. FUNARTE. Rio de Janeiro. 1.987.

CHAUÍ, Marilena. Conformismo e Resistência. Aspectos da cultura popular no Brasil. São Paulo , Brasiliense, 1.986.

FERREIRA, Aurelio . Minidicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1.997.

LARAIA , Roque. Cultura. Um Conceito Antropológico. Rio de Janeiro. Zahar, 1.995.

LOPES, Helena. Negro e Cultura no Brasil. Rio de Janeiro. Unesco.1.987

LOPES, Nei. Bantos, Malês e identidade Negra. Rio de Janeiro. Forense. 1.988.

MARINHO, Inezil. Introdução ao Estudo do Folclore Brasileiro.Brasília: Horizonte, 1.980.

VIEIRA, Luiz Renato. O Jogo da Capoeira. Rio de janeiro. Sprint. 1.995

http://bahia.port5.com/terreiro/

Ministério da Cultura destina R$1,85 milhão à capoeira

Mais de 400 capoeiristas de 40 grupos integraram o Cortejo Viva Salvador, que percorreu as ruas da cidade
 
O secretário executivo do Ministério da Cultura (Minc), Juca Oliveira, aproveitou que Salvador ficou mais velha ontem para lhe dar um presente. Ele anunciou a liberação R$1,85 milhão para financiar dez projetos envolvidos com a capoeira na Bahia. O edital será publicado hoje no Diário Oficial da União. A novidade foi revelada durante a caminhada Cortejo Viva Salvador, que percorreu o trajeto do Campo Grande à Praça Municipal, com a presença de 456 capoeristas, de 40 grupos diferentes. "Precisamos reconhecer a maior manifestação cultural do Brasil. Pretendemos lançar outros projetos", acrescentou Oliveira.
 
Segundo o secretário, a capoeira existe em mais de 150 países do mundo, mas ainda assim é muito discriminada, por ter nascido no período da colonização do Brasil como uma forma de resistência dos escravos negros. "Até hoje a luta misturada à dança não recebeu seu verdadeiro reconhecimento. Capoeira é dança, é cultura, é educação física, fortalece o espírito de lealdade e solidariedade. Está na hora de dar a ela seu valor. Este é só começo de muitos outros investimentos que virão", informou.
 
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POTENCIAL EVOLUTIVO DO GINGADO

A partir do gingado poderemos realizar movimentos, manobras, exercícios, evoluções consoante o ritmo, o objetivo ou o contexto a partir cada um dos segmentos e das múltiplas posturas do corpo.
A
ssim os padrões e variações tendem ao infinito, desde que um só movimento pode ser iniciado de posições e naturesas diferentes, tais como vertical, horizontal, agachada em várias alturas, de frente, de costas, em salto, em giro, etc, sem esquecer o número avantajado de partes anatômicas envolvidas (cada qual com sua posição inicial variável) nem as posições relativas dos diversos segmentos do corpo entre si.
As estas varáveis devemos acrescentar os movimentos e posturas dos componentes de cada segmento em atividade, a velocidade, aceleração, seqüência, simultaneidade e sincronia, entre outros fatores.
A classificação dos movimentos na capoeira pode ser feita:

  • quanto à origem:
    • básicos e derivados;
  • quanto ao objetivo ou à natureza:
    • defesa, esquivas, projeções, desequilíbrios, traumatizantes;
  • quanto à postura:
    • altos e baixos;
  • quanto ao segmento corpóreo envolvido:
    • cabeça, tronco, membros superior e inferior;
  • quanto ao eixo principal:
    • linear, circular, ceifante, giratório, helicóide, complexo;
  • quanto à velocidade:
    • lentos e rápidos.

A partir dos movimentos característicos da capoeira podemos evoluir para diferentes modalidades esportivas, consoante a predominância de movimentos ou manobras:

  • projeções, emprestando uma tonalidade semelhante ao Judô ou ao Aikidô;
  • golpes traumatizantes, assemelhando-se então ao Karatê, savate ou boxe;
  • agarramentos, chaves articulares e estrangulamentos ao modo de luta livre, greco-romana, olímpica, grappling ou Jiu-jitsu;
  • coreografias, de maneira similar ao balé ou samba;
  • acrobacias, lembrando a ginástica olímpica, de solo ou exibições de habilidades circenses;
  • defesa pessoal;
  • exercícios de carga respiratória e circulatória em busca de aptidão física.