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Livro Jogo de Discursos é lançado em Pernambuco e Minas Gerais

O livro Jogo de Discursos: A disputa por hegemonia na tradição da capoeira angola baiana, de autoria do jornalista e capoeirista Paulo Magalhães, terá dois lançamentos nacionais neste mês de maio.

No dia 18, sábado, a partir das 19:00, o lançamento será em Olinda (PE), no 1º Encontro da ACANNE Pernambuco. Realizado nos dias 17, 18 e 19 pela Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro, no Espaço Alternativo, o evento contará com oficinas do Mestre Renê Bitencourt (BA) e rodas de capoeira angola. O evento é organizado pelos capoeiristas Eduardo Ramos (Baygon) e Marco Antônio (Baixinho), e constitui um marco na articulação de mais uma linhagem angoleira no estado de Pernambuco.

No sábado seguinte, dia 25, a partir das 14:00, o lançamento ocorrerá na Gruta da Lapinha, em Lagoa Santa (MG), durante X Encontro de Culturas de Raiz – Lapinha Museu Vivo. Em seguida, haverá a mesa redonda: “Cultura de Raiz e Globalização”, com a participação dos mestres Zé do Lenço (BA), Dunga (MG) e Ernestino (PI), representantes da velha guarda do samba, do reinado de N. Srª do Rosário, pesquisadores e representantes do poder público. O evento é organizado pela Associação Cultural Eu Sou Angoleiro, sob a direção do Mestre João Bosco, e a programação completa pode ser encontrada no endereço http://www.eusouangoleiro.org.br/.

O livro Jogo de Discursos: A disputa por hegemonia na tradição da capoeira angola baiana trata da diversidade de concepções sobre a tradição na capoeira angola, a partir de mestres representantes de diferentes linhagens. As estratégias políticas de legitimação da capoeira angola e) as disputas em torno de sua organização ao longo da história são discutidas, utilizando fontes como jornais, observação direta e cerca de 20 entrevistas com mestres angoleiros renomados.

 

Maiores informações:

Paulo Magalhães: (71) 8741-1251 / 9273-7765

Eduardo Ramos (Olinda): (81) 9882-7467

Gercino Alves (Lagoa Santa): (31) 8561-5456

 

Serviço

 

Pernambuco:

O quê: Lançamento de Jogo de discursos: a disputa pela hegemonia na tradição da capoeira angola baiana no 1º Encontro da ACANNE

Quando: 18 de maio, a partir das 19h

Onde: Espaço Alternativo (Av. Guararapes, 847 – Jardim Atlântico – Olinda – PE)

Quanto: entrada gratuita

 

Minas Gerais:

O quê: Lançamento de Jogo de discursos: a disputa pela hegemonia na tradição da capoeira angola baiana no X Encontro de Culturas de Raiz – Lapinha Museu Vivo

Quando: 25 de maio, a partir das 14h

Onde: Museu da Lapinha (Gruta da Lapinha, acesso pelo km 44 da MG-010, direção Serra do Cipó – Lagoa Santa – MG)

Quanto: entrada gratuita

Tradições e linhagens da capoeira angola baiana são tema do livro Jogo de Discursos, de Paulo Magalhães

Lançamento na Barroquinha conta com música, capoeira e poesia

O lançamento do livro Jogo de discursos – A disputa por hegemonia na tradição da capoeira angola baiana abrirá as comemorações da semana da consciência negra em Salvador. O evento será realizado no dia 19/11/2012, segunda-feira, a partir das 18h, no Espaço Cultural da Barroquinha. Além da apresentação da publicação, haverá uma apresentação músico-poética do grupo Vira Saia, roda de capoeira angola, coquetel e confraternização.

Fruto da dissertação de mestrado em Ciências Sociais do jornalista Paulo Magalhães,Jogo de discursos trata da diversidade de tradições relativas às diferentes linhagens e heranças na capoeira angola, trazendo uma vasta pesquisa na imprensa baiana e entrevistas com 18 mestres. Publicado pela EDFBA, o livro será comercializado neste dia por um preço especial de lançamento.

O lançamento do livro integra as atividades do evento O Sabor do Saber Ancestral, realizado pela ACANNE (Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro) no período de 19 a 24 de Novembro de 2012, composto por uma semana de rodas, oficinas e vivências, tendo como fio condutor a relação entre a ancestralidade, a cultura, as lutas e os valores civilizatórios de matriz africana.

 

Sobre o autor

Paulo Andrade Magalhães Filho é jornalista pela UFMG, especialista em Educação e Relações Étnico-Raciais pela UESC e mestre em Ciências Sociais pela UFBA. Fundador da revistaAngoleiro é o que Eu Sou (BH – MG), foi consultor dos Encontros Pró-Capoeira realizados pelo IPHAN e membro da organização do I Seminário Baiano de Proposição de Políticas Públicas para a Capoeira. Ex-secretário da Associação Brasileira de Capoeira Angola, atualmente compõe a Coordenação de Patrimônio Cultural do Fórum de Cultura da Bahia.

 

Serviço

O quê: Lançamento do livro Jogo de discursos – A disputa por hegemonia na tradição da capoeira angola baiana

Quando: 19/11/2012, segunda-feira, às 18h

Onde: Espaço Cultural da Barroquinha (Praça Castro Alves, Salvador – BA)

Quanto: Entrada gratuita

 

Maiores informações:

 

Paulo Magalhães

(71) 8741-1251 / 9273-7765

[email protected]

 

Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro

Rua do Sodré, nº 48, Largo Dois de Julho

Salvador – Bahia – Brasil

acannemestrerene.blogspot.com

Capoeira, comunicação gestual, controvérsia e modernidade…

 Pesquisando sobre o Mestre Gil Velho, à pedido de uma colega, acabei encontrando este texto, que confesso achei bastante interessante.
Fica aqui a dica para a leitura do texto e do "contexto"


(Cevtradg-L) ENC: resposta ao Cobra Mansa – Me. Gil Velho
 
To:  <[email protected]>
Subject:  (Cevtradg-L) ENC: resposta ao Cobra Mansa – Me. Gil Velho
From:  "(marina)" <[email protected]>
resposta ao Cobra Mansa – Me. Gil Velho

Caro Cobrinha Mansa.
 
Gostei de seu comentário a respeito de meus ensaios sobre, "identidade e território na capoeira", e gostaria de esclarecer que no que foi colocada, a subjetividade é a grande relação que mapeia a minha percepção. A capoeira, hoje, no que diz respeito a sua identidade e territorialização, não tem nada de subjetivo, pois é um processo construído por indução. Digo isto porque participei deste processo, no momento mais forte de sua construção, que é a década de 60. Neste período, os arquitetos de sua fase original, sai de cena, o ideário nacionalista da fase original, ganha uma nova roupagem e novos discursos e mitificação. Salvador deixa de ser o centro da capoeira moderna, Bimba caí no ostracismo. O eixo passa a ser o Rio e São Paulo.´Foi deste eixo que se irradia o processo de massificação da capoeira. O estilo de movimentação gestual que implementa esta revolução é o próximo a regional do Bimba, repetindo o que ocorreu em Salvador na época de 30.Onde o grande Mestre edifica a base da capoeiragem moderna, logo copiado por todos em Salvador, a ponto de ser o grande divisor, pois quem não era Bimba era a outra, chamada de Angola.
 
A partir desta época é que se cria um movimento que se aprende por pacotes estabelecidos e aí que entra o que a baixo transcrevo do meu recente artigo.  
 
Na capoeira, a falta de uma identidade que caracterize sua personalidade é o marco da controvérsia contemporânea. A capoeira só se estabelece quando cria uma identidade social. Este fato ocorreu no século XIX, na cidade do Rio de Janeiro. Neste cenário ela territorializa-se e personaliza estes ambientes. O fator de construção deste espaço cultural foi à diversidade de seus componentes, oriundos de um contexto, tão diverso e mestiço, sob o ponto de vista da origem e etnia, que compunha a realidade urbana carioca.
 
A forma de expressar esta relação se deu através de uma comunicação gestual, onde na teatralidade das interações entre seus elementos, a trama do tecido cultural era visualizada.Na sua contemporaneidade, a capoeira perde a sua identidade social, pois é desfeita sua estrutura coletiva, desfaz-se dos territórios e com isto acaba sua magia. Todo o universo da riqueza de sua invisibilidade, produto do espontâneo, é quebrado ao formalizar sua relação.
A diferença entre a capoeira moderna e a original está exatamente na construção do espontâneo da segunda e no procedimento induzido da arquitetura da primeira. As controvérsias, geradas na mitificação e discursos na capoeira moderna, são frutos de seu artificialismo, onde o indivíduo some do seu espaço construtor, sendo um mero copiador de sua comunicação gestual engessada em pacotes formais.
 
A territorialização de um contexto é feita no espontâneo (espontaneamente). A leitura desta realidade só é possível através de uma perspectiva antropológica vivenciada, ou seja, os atores tecem no espaço a estrutura que dará forma a sua realidade. O que exige uma consciência, deste atores, de que são personagens da construção deste contexto.
Os discursos, étnicos, nacionalistas, da repressão, corporativista iniciativa e o classista, mostram bem a necessidade de estabelecer uma idéia carregada de verdades e tradições que os qualifique, como a linha que contempla a identidade social, na contemporaneidade da capoeira.Identidade que a capoeira hoje não tem, porém necessita criar, mas não no artificialismo dos discursos e mitos, procedimento usual no sistema atual, mas sim na interação entre a realidade do indivíduo e do contexto do qual está inserido.
 
A ótica da comunicação gestual se coloca para os discursos e mitificação, como divisor entre ser capoeira e fazer capoeira. Enquanto um procura criar referências, o outro é em si a própria referência, pois as relações são construídas na própria vivencia, criando uma unicidade entre indivíduo e contexto. A ótica da construção de referência mostra a sua relação direta com a racionalidade, onde toda perspectiva é fragmentada e, por conseguinte não interativa. Não sendo interativa não há troca, sem troca não se constrói contexto, sem contexto não existe identidade.
 
O retorno a organicidade, no ato de vivenciar um contexto é, de fato, o único elemento plausível de restaurar, na capoeira, sua identidade social ao proporcioná-la ser elemento da construção do espaço onde se insere.A identidade cultural é dinâmica, pois é construída no processo interativo que forma um determinado espaço. Seus elementos estão em constante troca e com isto produzindo mutação na organização da forma de um contexto. Ao desenvolver a consciência do momento vivenciado, o indivíduo, percebe sua identidade com o contexto, o que lhe confere percepção do espaço que está inserido.
Na fase embrionária de sua modernidade, o gestual é engessado pela construção de um padrão funcional e estético, voltado para ter um lugar nas artes marciais. Foram selecionados, dentro do gestual espontâneo, os elementos com as características mais próximas da forma globalizada da arte marcial.
 
O indivíduo, corpo estranho na modernidade, some do cenário da capoeira, passa a ser um elemento de enfeite, sua personalidade não é interessante na construção do tecido gestual. A necessidade do retorno do indivíduo na construção do contexto por ele vivenciado é de extrema importância na sustentabilidade da capoeira. A construção de um contexto capoeira se faz por informações gestuais personalizadas, as quais ao interagir com as demais existentes neste ambiente, produz no espaço vivencial, uma forma única tanto em termos de tempo como espaço, ou seja, uma unicidade.
Ao conferir identidade ao processo capoeira, o que passa pelo indivíduo, cria-se na capoeira um movimento de legitimação, pois a capacita edificar identidade social no contexto que se insere.
 
Parte destes comentários são de trechos de meu artigo, porém  mostram a minha preocupação em ver a capoeira se massificar no Brasil e agora no Mundo, porém muito mais como produto de entretenimento do que algo que venha contribuir  com  a  edificação de identidade do indivíduo, para este se perceber construtor de seu contexto e não um mero boneco repetido de uma realidade virtual induzida. Nesta perspectiva, podemos restaurar os princípios da capoeira original e dá a capoeira moderna uma sustentabilidade para sua continuidade.
 

CAPOEIRA ANGOLA: Uma discussão sobre turismo e preservação de recursos naturais

CAPOEIRA ANGOLA: UMA DISCUSSÃO SOBRE TURISMO E PRESERVAÇÃO DE RECURSOS NATURAIS A PARTIR DE TRADIÇÕES CULTURAIS


Rosa Maria Araújo Simões
Professora do Departamento de Artes e Representação Gráfica – FAAC – Unesp/Bauru
Doutoranda em Ciências Sociais – UFSCar
Membro do LEL-UNESP/Rio Claro
Orientadora: Profa. PhD. Marina Denise Cardoso
Av. Eng. Luís Edmundo Carrijo Coub, s/n – Bauru/SP – CEP 17033-360
(DARG/FAAC/UNESP)
[email protected]

Introdução

A roda de capoeira angola é um processo ritual 1 do qual se apreende um sistema de valores que aponta para uma cosmovisão sobre a relação homem-ambiente (capoeirista-roda).
A partir dos objetos utilizados (instrumentos musicais), da música produzida, dos movimentos corporais e do próprio significado da roda (que representa ‘O mundo velho de Deus’), o presente trabalho objetiva ilustrar, por um lado, a lógica subjacente a tal manifestação a partir de discursos de seus guardiães (mestres de capoeira angola da cidade de Salvador – BA) e apontar diferentes significações e/ ou re-significações ao considerar, por outro lado, os discursos de turistas em Salvador que, quando questionados sobre o que é a capoeira afirmam: ‘capoeira é um folclore da Bahia’, ‘é uma luta baiana’, ‘uma dança africana’, ou ainda, quando abordados no Mercado Modelo e questionados sobre o porque de seu interesse pelo berimbau, respondem que é para dar de presente como lembrança da Bahia, ou, para enfeitar a parede de sua sala etc. Assim, no que diz respeito à produção de instrumentos musicais, por exemplo, podemos citar a técnica de extração da biriba, madeira utilizada para a confecção de um ‘bom berimbau’. A percepção estética de grandes mestres de capoeira, não só relacionada a uma audição aguçada para a afinação do instrumento, mas também para a plasticidade do mesmo, os permitem salientar a diferença existente entre o berimbau para turista, vendido, sobretudo, no Mercado Modelo e utilizado como objeto de decoração e/ou lembrança da Bahia e o berimbau utilizado na roda (objeto ritual).

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