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Encontro de Capoeira para a Juventude

Ao som de cantoria e berimbau, jovens e crianças descobrem a alegria e o gingado

Muito à vontade, o estudante Felipe da Silva Santos, 9 anos, entrou na roda de capoeira com o mestre Jaiminho, para mostrar toda sua habilidade. “É mais ou menos difícil”, tenta explicar, ao lado do amigo Wendell da Silva, 9, também um iniciante bem interessado na atividade que mistura esporte e cultura. Juntos na quadra da Escola Municipal Avelino Leite de Camargo, no bairro Nova Esperança, os amigos e mais cerca de 400 jovens e crianças participam do Encontro de Capoeira para a Juventude.

O evento, que continua neste sábado, tem como destaque a participação especial de Vivaldo Rodrigues Conceição, o Mestre Boa Gente, que veio especialmente de Salvador (BA) para o evento de Sorocaba.

O ensino de capoeira faz parte da rede pública municipal de ensino. A prática também estimula os jovens, a partir de 12 anos, nas unidades do Território Jovem.

“A capoeira só traz benefícios. Muda a postura do jovens”, aponta o  coordenador do Território Jovem do Nova Esperança, Luiz Antonio de Lima. Além de estimular a prática de atividade física, a capoeira promove a socialização. Mesmo os mais tímidos são contagiados pelo som do berimbau e do pandeiro, e convidados a entrar na roda. “Foi muito legal participar”, diz Rafaela dos Santos, 10.

Todos os alunos das oficinas de capoeira, de 11 escolas da rede municipal, participaram do evento.

Mestre traz experiência de 51 anos
Mestre Boa Gente, 65 anos e 51 de capoeira, é um dos principais divulgadores da capoeira angolana. Sexta-feira (13), em Sorocaba, ele elogiou a participação das crianças. “Estamos repetindo aqui um trabalho que faço em Salvador. Vejo todas estas crianças aqui, participando, fora das ruas”, diz.

Segundo Mestre Boa Vida, Sorocaba é exemplo na organização do evento e também no estímulo à capoeira. “Aqui a gente não vem só para ensinar, mas também para aprender”.

Boa Gente, membro importante da ABCA (Associação Brasileira de Capoeira Angolana), dedica-se à divulgar a arte para o resto do mundo, com apresentações nos Estados Unidos e em países da Europa.

Alegre e bem disposto, ele brinca ao falar dos benefícios da atividade que, segundo ele é praticada na Bahia por mestres com mais de 90 anos. “Eu tenho 65 anos e também jogo”, diz.

Neste sábado o dia é reservado para os atletas de capoeira de maior graduação. O curso vai das 10h às 12h e das 13h às 16h, no Território Jovem do Nova Esperança.

Ceará: Capoeira é usada para a inclusão social

Um projeto utiliza a capoeira para melhorar a coordenação motora e a inclusão social de portadores de necessidades especiais

Uma roda de capoeira muito especial. Crianças, adolescentes, jovens e adultos não perdem um lance. Acompanham, muito atentos, os movimentos dos braços e pernas de quem está no jogo. Cantam, batem palmas, sorriem. A prática do esporte é um momento de socialização, de integração de autista, portadores de Síndrome de Down, de deficiência visual, com paralisia e deficiências múltiplas. Essa turma tão familiarizada com o esporte, mora em Guaiúba e é assistida pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).

Há um ano, a Apae enviou um projeto solicitando o apoio da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS). E conseguiu implantar o Projeto de Capoeira Inclusiva com a orientação de Eraldo Gabriel de Sousa, o Mestre Beija-Flor, que há 12 anos desenvolve o projeto no Brasil, e do professor Edy Oliveira, mestre em capoeira que está se especializando em educação inclusiva.

O resultado está sendo tão positivo que, segundo o professor Edy, o aluno Josivan, 23, que tem dificuldades de aprendizagem, está quase pronto para ser mestre da capoeira e dar continuidade à prática aos 35 alunos da Apae. Edy Oliveira, 24, também dá aulas para crianças e adolescentes, em Guaiúba, através de projeto desenvolvido com a Secretaria da Cultura. “São mais de 200 alunos”, diz e acrescenta que a capoeira está sendo iniciado em Redenção.

“A inclusão é um processo sem volta”, diz Edy Oliveira e com ele concorda o sergipano Eraldo Gabriel de Sousa, o Mestre Beija-Flor, que já implantou o projeto em outros estados como São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais, Maranhão e Pará. “A inclusão é uma grande arma para diminuir o preconceito e as barreiras sociais. Amplia os horizontes das pessoas portadores de necessidades especiais, além dar mais equilíbrio ao corpo e elevar a sua autoestima”, diz o mestre Beija-Flor.

Os resultados da capoeira inclusiva para os que são atendidos pela Apae de Guaiúba também são ressaltados pela conselheira Fátima Maria Leitão Araújo. Ela cita o exemplo de um paciente de 30 anos que não conseguia andar direito e, com a prática da capoeira, adquiriu confiança, melhorou sua expressão corporal e coordenação motora.

“Já houve até apresentação da turma de capoeiristas na cidade de Pacoti. É um projeto que contribui muito para a inclusão social”, constata Fátima Leitão. O mestre Beija-Flor também pretende levar o projeto para Portugal e países da América Latina.

Um novo líder para um novo lugar

Tal como o Ouro Verde emergiu do meio do mato em 2002, muitas lideranças surgiram com a vila. Uma das figuras mais influentes é Marcelo Barros, mais conhecido na comunidade como Careca (que apesar do apelido tem muitos cabelos). Além de presidente da Associação de Moradores do Ouro Verde, ele coordena o Centro Cultural Ilê de Bamba.

Andar nas ruas do Ouro Verde ao lado de Careca significa parar várias vezes para cumprimentos. Muitas são as formas de reconhecimento de Marcelo, desde “bate-bolas” com crianças que jogam futebol na rua até a saudação de senhoras idosas que passam pelas ruas de terra do bairro. Todo este respeito é consequência das lutas que Marcelo trava para trazer melhores condições de vida ao local.

Apesar de esquerdista convicto, Marcelo diz que os interesses do bairro estão à frente de qualquer bandeira política. “Tanto que, quando eu levei a água do bairro para os vereadores beberem, distribui para todos mesmo”, conta Marcelo. Nesta oportunidade, ele cobrava melhores condições de tratamento de água no Ouro Verde.

Muita são as bandeiras levantadas por Marcelo para melhoria do bairro. Uma das prioridades no momento é a regulamentação dos lotes. Ele considera esta luta como ganha. “Até o meio do ano tudo estará regularizado por aqui”, afirma Marcelo.

Dona Telma Malaquias, moradora do bairro desde a ocupação, reconhece o trabalho do líder comunitário “A luta dele aqui é incessante. Muito do que temos é por causa dele”, diz a moradora.

Marcelo concilia a rotina de presidente da associação com as aulas de capoeira que passa para crianças e adultos no Ilê de Bamba. Nos sábados é o dia do show.

Tal como um maestro, ele dá o ritmo da roda de capoeira. Seja com o berimbau ou pandeiro na mão, ou mesmo cantando, Careca decide quando se faz silêncio e quando se canta no local. E os membros do Ilê de Bamba simplesmente reverenciam o seu maior líder no momento.

 

Fonte: http://www.portalcomunitario.jor.br/

Brasília: Dialogar para evoluir

Papoeira Feminino estimula a reflexão e a troca de informações

No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, mulheres capoeiristas, independentemente de estarem defendendo as bandeiras de seus grupos, realizaram no dia 28 de março, no Parque Urbano e Vivencial do Paranoá, o PAPOEIRA FEMININO, onde adolescentes, adultos e melhor idade, sem distinção de gênero, se reuniram e dialogaram sobre assédio moral, assédio sexual, violência contra a mulher, cada um expondo sua opinião, dando sua contribuição para buscar caminhos e posicionamentos que inibam esses acontecimentos entre os praticantes de capoeira.

O PAPOEIRA, criado no ano de 2000 pelo Sr. José Bispo Correia, o Mestre Pombo de Ouro, como forma de comunicação, integração e conscientização dos capoeiristas, nesta edição teve como tema central o FORTALECIMENTO DA CAPOEIRA FEMININA DO DISTRITO FEDERAL E ENTORNO e contou com uma excelente aula teórica sobre a importância do aquecimento e alongamento na Capoeira ministrada pela capoeirista Luiza de Alencar Dusi, conhecida como Bailarina.

A Bailarina, aluna do Centro Cultural Escola do Mundo Carcará Capoeira, mostrou-se satisfeita com o evento e acredita que o “Papoeira” deve ser realizado mais vezes. “Temos que disseminar essas idéias e informações através desse movimento que é tão interessante e tem metas úteis. São idéias diferentes, mas em prol do mesmo objetivo”, endossa. Ela acredita que os homens não podem ficar de fora dessa conscientização. “Alguns homens cismam que mulher só pode jogar capoeira com outra mulher, que acaba reagindo com agressividade. Temos que promover a igualdade com educação”, argumenta.

Essa também é a opinião de Ana Claudia Rodrigues de Araújo, a Cacau, da Associação de Cultura e Capoeira Adeptos da Bahia (ACCAB). “A maioria dos homens capoeiristas espera que a mulher seja masculinizada. Eu não sou assim até por causa das minhas limitações físicas. Eu treino capoeira porque tudo é contra a mulher, começando pela fragilidade do corpo”, diz. Contudo, Cacau afirma que a própria mulher é peça chave para a mudança do comportamento predominante no meio. “A nossa participação é que vai fazer mudar, com a conscientização sobre o nosso papel e o nosso valor. Sempre buscamos nosso espaço e o fundamental é o autoconhecimento e a própria valorização”, arremata.

Manoel Cardoso Magalhães, presidente da ONG Resgate da Vida, entidade que, juntamente com a equipe do Instituto Horizontes – Projeto Conscientizar, contribuiu para a realização do evento, explicou como surgiu a Lei Maria da Penha e buscou mostrar a importância da seriedade da sua utilização. “Às vezes a questão da violência começa já no namoro e a mulher tem que estar atenta a isso”, alerta. Segundo ele, é necessário que os homens também sejam inseridos nesse debate. “Não podemos parar o processo de evolução. Precisamos nos adaptar às mudanças do perfil feminino”, completa.

O criador do Papoeira, Mestre Pombo de Ouro, diz-se orgulhoso da iniciativa de defender as causas em favor da mulher. “Eu parabenizo isso. O Papoeira é, antes de tudo, exemplo de vida”, ressalta. Como resultado das proposições colocadas, foi acordado a realização de um Papoeira Feminino no mês de abril, desta vez coordenado pela capoeirista Bailarina, para a mobilização das capoeiristas do Distrito Federal e entorno. Essas manifestações estão sendo realizadas em prol de um evento feminino nacional de capoeira programado para ser realizado no segundo semestre de 2010, seguindo a mesma filosofia de conscientização e aprimoramento.

O encontro nacional terá como focos principais a valorização da mulher no meio capoeirístico (Direitos Humanos da Mulher), em forma de homenagens; a conscientização através de assuntos relacionados à violência contra a mulher (Lei Maria da Penha e desdobramentos práticos, assédio moral e assédio sexual); e assuntos relacionados com os conhecimentos tradicionais da capoeira (fundamentos, rituais de roda, instrumentação e canto), além de dar visibilidade aos movimentos femininos organizados, por meio de apresentações culturais das participantes.

Valdete Andrade de Souza, representante da ONG Resgate da Vida, apesar de não ser capoeirista, sentiu-se orgulhosa em participar de um evento onde a temática feminina está sendo trabalhada e de ver como a capoeira pode estimular esse tipo de iniciativa. “Eu acredito no esporte e no desenvolvimento da mulher. É preciso mostrar que estamos aqui para lutar, para defender os nossos direitos e cumprir também com os nossos deveres. Acredito na valorização da mulher, no seu potencial”, ressalta. A capoeirista Elissandra Cunha Cardoso, a Crocodila, também mostrou-se satisfeita com o resultado do evento. “Foi tudo positivo. É válido para as mulheres se conhecerem e aprenderem umas com as outras. Com essas iniciativas estamos vendo o preconceito ir embora e a mulher sabe que pode competir com o homem intelectualmente e tem várias formas de mostrar seu conhecimento”, elogia.

Para Márcia Regina Fabrício Dias, a Piquena Guerreira, aluna da Terreiro Capoeira, uma das organizadoras do evento, sócia-fundadora do Instituto Horizontes – Projeto Conscientizar e capoeirista há 10 anos, a mulher vem conquistando o seu espaço e torna-se imprescindível discutir o seu papel na sociedade, mostrar que elas devem lutar para a melhoria de sua qualidade de vida e das pessoas que a cercam. “Queremos mobilizar cada vez mais e contribuir de maneira ativa para difundir as questões referentes à mulher”, compromete-se.

A participação dos homens e das crianças no debate comoveu a capoeirista. “Nessas ocasiões, quando você escuta alguém como o sr. Domingos dar sua contribuição e dizer que viveu e se aposentou na agricultura, que nunca utilizou nenhum tipo de droga, parabenizando quem busca estudar para ter uma profissão e ao final agradecer por poder dizer aquelas palavras, pedindo licença para sair, é uma lição de educação!”, emociona-se. “Ouvir também um menino de 15 anos dizer orgulhosamente que há 7 anos pratica Capoeira, que perdeu o pai e que hoje considera o professor de capoeira como seu pai e dizer que vai praticar capoeira pelo resto de sua vida, é recompensador o trabalho das organizadoras e apoiadores para fazer o evento acontecer”, diz. Elas, eles, todos acreditam na preservação da Capoeira porque a escolheram como um importante instrumento de desenvolvimento pessoal e social.

Jornalista Suellem Mendes.
msn: sumendes10@hotmail.com

Capoeirista curitibano é convocado para mundial na Coréia do Sul

O capoeirista João Otávio Xavier, de Curitiba, vai integrar a delegação brasileira no Mundial de Artes Marciais e Culturais, na Coréia do Sul, em dezembro. João Otávio, 18 anos, treina capoeira graças a um projeto da Fundação de Ação Social (FAS), no Cajuru.

“Sempre tive vontade de fazer capoeira, mas minha família não tinha condições de pagar a mensalidade”, diz João Otávio. “Minha oportunidade surgiu quando a FAS levou o projeto para o meu bairro. Agora vou representar o Brasil no outro lado do mundo”

João Otávio garantiu sua vaga no mundial ao ganhar medalha de ouro no 12.º Campeonato Brasileiro de Capoeira, que foi disputado no início de setembro, em Goiânia. Ele foi campeão na categoria aspirante juvenil.

De origem humilde, o adolescente precisou superar dificuldades além das competições de capoeira para garantir sua vaga. Após sete anos de muita dedicação a jovem revelação começa a colher os frutos de seus esforços.

A capoeira não representou apenas uma oportunidade esportiva para João, mas uma nova forma de enxergar o mundo. “Ter acesso às aulas mudaram minha vida pra melhor. Antes eu era bastante encrenqueiro, mas com a capoeira, a gente muda e passa a contemplar uma nova filosofia, a de exercícios e disciplina”, afirma.

Oito jovens atendidos pela FAS disputaram o Brasileiro de Capoeira e por muito pouco João não ganhou a companhia de alguns de seus amigos na viagem à Coréia.

Poliana Gonçalves Leite e Daniele Gonçalves Garcia, de 15 anos, terminaram na segunda posição em suas categorias. Jéferson Juarez da Silva, de 17 anos, e Priscila Jeanine Gonçalves Leite, de 16 anos, terminaram na terceira colocação, contribuindo para que o Paraná alcançasse o terceiro lugar no quadro geral de medalhas.

“João e os outros conseguiram bons resultados graças a sua própria determinação. Eles realmente entraram no espírito das aulas e do programa, desenvolvendo suas habilidades e percebendo a importância da dedicação e da disciplina”, afirma o instrutor Saulo Fábio Gomes, que ensina capoeira no Centro da Juventude Iniciativa Jovem do CRAS Iguaçu, unidade da FAS na Vila São Domingos, no Cajuru.

“Estes jovens encontraram na capoeira a possibilidade de crescimento pessoal, que envolve uma melhora significativa no contexto social e familiar”, afirma a presidente da FAS,Fernanda Richa.

Jéferson Juarez da Silva, que desde 2005 participa de atividades socioeducativas promovidas, pela FAS, tem opinião semelhante. “Antes eu vivia na rua, não me dava bem com minha família e não frequentava a escola”, diz. “Depois que comecei a fazer as atividades, eu percebi o que estava fazendo de errado e que aquela vida de rebeldia não ia me levar a lugar nenhum”.

Fonte: http://www.parana-online.com.br

O Samba de Botequim de Pedrão

Pedro Abib, conhecido como Pedrão, é um compositor paulista de quase dois metros de altura que zanzou entre Campinas e São Paulo antes de se mudar para Salvador e fincar raízes por lá. Se o samba já fazia parte de sua vida há quase 20 anos, foi na Bahia que a música encontrou terreno fértil para crescer em forma de trabalho autoral e virar disco – o bom Samba de Botequim, que acaba de ser lançado de forma independente.

Gravado de maio a outubro de 2008, o CD apresenta o Grupo Botequim, fundado há três anos por Pedrão com o objetivo de pesquisar e divulgar a obra de sambistas baianos, como Batatinha, Edil Pacheco, Ederaldo Gentil e Riachão. “A indústria do axé music é muito forte e praticamente acabou com o samba na Bahia. Por isso, a importância do resgate”, diz Ênio Bernardes, ex-integrante do grupo Cupinzeiro e parceiro de Pedrão em Tem Que Se Cuidar, de longe a melhor faixa do álbum.
Apesar da proposta do grupo ser a valorização da cultura baiana e seus compositores, o disco não se limita à geografia local: Pedrão canta suas origens paulistas em Samba da Benção 2, interpretada por Regiane Pomares. Na faixa, feita com Edu de Maria, ele recusa a ideia de que São Paulo é o “túmulo do samba” e rebate a frase dita por Vinicius de Moraes: “Faço samba sim, poetinha/ e o batuque daqui ecoa, ecoa/ com a benção de todos os sambistas/ desta terra da garoa”.
Um dos pontos altos do CD é o encontro de Pedrão e Walmir Lima, sambista que fez relativo sucesso nos anos 70 e depois desapareceu. Ambos assinam e dividem a faixa Quebra-Mar, um partido-alto recheado de versos irreverentes e tocado sem a correria habitual, na cadência baiana: “A lua quando fica nova/ sinal que a maré tá vazante/ a onda na reviravolta/ carrega o siri arrogante”.
Outro representante da velha guarda a participar do disco é Edil Pacheco, em Tenda de Babalaô: “Cheguei então sorrateiro/ Na Baixa do Sapateiro/ No Largo de São Miguel/ Ao som do cavaco e pandeiro/ Ergui as mãos ao céu”. Em Casa de Dona Cabocla, que reproduz o clima de um tradicional reduto boêmio na Bahia, diz a letra: “Me serviram cambuí/ depois um gengibre que veio gelado/ Dona Cabocla abriu a cerveja/ e Rosenilda me trouxe um traçado”.
Apenas duas faixas destoam do conjunto da obra: Meu Lugar e Ceci trazem melodias repetitivas e até mesmo enfadonhas. No geral, porém, Samba de Botequim preserva e respeita o melhor da tradição do gênero, seja nos arranjos, seja na formação instrumental (“cozinha” composta por pandeiro de couro, tamborim, surdo e repique de anel). O título do álbum não é aleatório: gravado num clima informal, o repertório é a trilha sonora perfeita para a mesa do bar.

Fonte: Bruno Ribeiro – http://botequimdobruno.blogspot.com

Pedro Abib é colunista do Portal Capoeira, responsável pela rúbrica Crônicas da Capoeiragem

Macau: O Brasil que não vende

Capoeira é a última novidade. No que toca à cultura brasileira, Macau tem alguma variedade. Há restaurantes, futebol, jiu-jitsu, música e entretenimento. No entanto, a comunidade continua insatisfeita. Por estes lados, ao contrário da China Continental, a marca Brasil não é sinónimo de sucesso garantido.

A avaliação é feita por Jane Martins, uma das fundadoras da Associação Casa do Brasil em Macau, criada no princípio deste ano: “Já estou em Macau há 24 anos. Começou a ouvir-se mais música brasileira, de cinema não há nada e existe uma grande falta de literatura. Não sinto que tenha havido um grande progresso”, diz.

Para Jane Martins, a marca Brasil está mais consolidada na China Continental, devido às relações comerciais entre os dois países. Mesmo assim, o comércio predomina sobre a cultura. E em Macau? “O público chinês local só gosta do futebol e da comida. Não ligam para a cultura”, lamenta.
No território, a fórmula canarinha só funciona em alguns sectores. Nos outros, há que improvisar e apostar em diferentes vertentes.

No que toca à gastronomia, primeiro estranha-se e depois entranha-se. Existem três restaurantes da especialidade na RAEM. O primeiro a abrir foi o Churrascão, em 2006. “Nota-se que as pessoas conhecem cada vez mais o conceito brasileiro. A marca é rentável”, sublinha o gerente e proprietário, Eric Peres.

“Para os estrangeiros, vende sempre bem. Não é preciso gastar muito em marketing. Para o cliente chinês, é preciso explicar primeiro”, acrescenta a sub-gerente do restaurante Fogo Samba, Thais Pinheiro. O segredo para atrair a clientela chinesa e asiática, continua, é “quebrar o gelo” da primeira impressão.

Na área da comida rápida, Josecler decorou o seu espaço “Brazilian Hot Dog” com as cores da bandeira do seu país. O efeito é o desejado: “Chama a atenção, porque é o Brasil”. Hoje, diz ter uma clientela fixa.
A mesma táctica foi aplicada na sua escola de futebol. Na International School, estabelecimento de ensino com quem tem uma parceria, “uso o meu nome associado ao Brasil. O futebol brasileiro é apreciado, é ‘top level’ e isso facilita muito”, reconhece o ex-futebolista.

O samba não chega

Do lado do desporto, cada modalidade vale por si. A origem não tem impacto comercial. Criada em 2007, a Associação de Jiu-jitsu Brasileiro de Macau funciona por “passa palavra” e está a “crescer devagarinho”, à custa de uma turma flutuante composta essencialmente por expatriados.
“Não posso dizer [que esse crescimento] se deva ao facto de ser brasileiro. É mais pela arte marcial que, hoje em dia, é considerada uma das mais eficazes do mundo para defesa pessoal”, aponta o vice-presidente da organização, Tiago Afonso.
Ainda a dar os primeiros passos em Macau, no ginásio Universal Yoga, o mestre de capoeira Edy Murphin (ver texto nesta página) também não se fia na marca Brasil. “Não ponho só a marca Brasil, vendo a marca capoeira e o desporto. Passo a mensagem: fez muito bem para mim e também vai fazer para você”, afirma.

E, através da prática desportiva, comercializa cultura. “Faço os asiáticos se abraçarem. Coloco um pouco desse nosso jeito e acabam pegando. Os alunos não só aprendem capoeira e defesa pessoal, mas também o português e a música”, assegura.
Sem motivos para lamentos está o proprietário do grupo Dança Brasil. O negócio iniciado em 2003 vai de vento em popa e nem a crise financeira afecta as solicitações deste grupo que tem presença marcada no Festival Internacional de Artes de Pequim.

Wallas Silva conquistou o sucesso à custa de adaptação e aculturação. As “fantasias”, por exemplo, são mais fechadas do que o habitual.
A par disso, é “preciso variar”. Ao samba e às danças brasileiras, o Dança Brasil acrescentou hip hop, Bollywood, jazz, cancan, entre outros. “Deixei de me concentrar tanto no Brasil, mudei para vários tipos de entretenimento e senti uma mudança na resposta do cliente”, conclui.

 
Fonte. http://www.hojemacau.com

Um ano depois, capoeiristas ainda esperam prêmio de edital

Passado mais de um ano da divulgação do resultado do edital do projeto Capoeira Viva 2007, 32 dos 108 dos contemplados – 30% do total – ainda esperam o pagamento da segunda parcela do prêmio, que deveria ter sido quitada em janeiro.

Idealizado pelo Ministério da Cultura em 2006 por meio da Lei Rouanet, a segunda edição do Capoeira Viva foi executada pela Fundação Gregório de Mattos, com patrocínio da Petrobras no valor de R$ 1,2 milhão.

O resultado foi divulgado em 4 de abril de 2008. Os capoeiristas tiveram 30 dias para reunir a documentação, mas só receberam a primeira parcela cinco meses depois.

“Cada pessoa ou instituição com quem a gente conversou tem uma justificativa diferente”, reclama Gilson Fernandes, 58, mais conhecido como mestre Lua Rasta, que, em março uniu-se a outros 37 contemplados em um manifesto assinado por entidades, grupos ou pesquisadores de 17 Estados das cinco regiões do País, todos descontentes não só com os atrasos no repasse da verba, mas com a falta de diálogo da entidade gestora.

Proprietário de um atelier de instrumentos de percussão que leva seu nome, no Pelourinho, Mestre Lua Rasta diz que os atrasos comprometeram a execução dos dois projetos que teve aprovados no edital: Meninos do Campo Formoso, oficina de instrumentos para crianças em situação de risco do bairro situado no município de Mar Grande, na Ilha de Itaparica, e o Teatro Mestre Lua.

“Os meninos se dispersaram. O Teatro foi filmado e virou um documentário que eu tive de finalizar com dinheiro do próprio bolso, pois contratei um profissional e não poderia ficar esperando a verba chegar”, disparou.

No dia 13 de março, em resposta ao manifesto, a FGM divulgou nota oficial em que atribuiu o atraso ao extravio de pedido de execução do projeto Capoeira Viva/2007, documento enviado ao Minc no dia 20 de novembro de 2008, fato que a entidade só tomou conhecimento em fevereiro deste ano.

No entanto, comunicação interna do Minc à qual a reportagem do UOL Esporte teve acesso atesta que a FGM, proponente do projeto, estava inadimplente com o ministério, situação que só foi solucionada no dia 20 de março, o que obrigou a prorrogação o prazo de execução dos projetos para 31 de julho de 2009.

Em resposta a um questionário de 10 perguntas enviado pelo UOL Esporte, a assessoria de comunicação da FGM admitiu que esteve inadimplente com o MINC, “mas nunca por uso indevido da verba, apenas por mal gerenciamento desse projeto pela gestão da FGM naquele momento”, diz.

Maratona burocrática

Oficialmente, o Minc diz que a FGM estava “inabilitada por problemas administrativos referentes à prorrogação do prazo de encerramento do projeto na Lei Rouanet”. A assessoria de comunicação do Ministério da Cultura declarou ainda que “resolvido o problema, a segunda parcela começou a ser paga em abril e 70% dos premiados já receberam, segundo informação da FGM, e os demais premiados, por problemas documentais, ainda não receberam a quantia”.

Não é o que diz a pedagoga Maria Luisa Pimenta Neves, 35, contemplada pelo projeto Capoeira Nossa cor, que promoveu oficinas de confecção de berimbau e caxixi para crianças do município de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador.

Lilu, como é mais conhecida nas rodas de capoeira, disse que não consegue receber a segunda parcela mesmo estando apta desde o dia 3 de abril porque o novo diretor do departamento financeiro foi exonerado e o atual responsável pelo setor só poderá assinar cheques quando sua nomeação for publicada no Diário Oficial.

Contemplados ainda esperam o pagamento da 2ª parcela do prêmio Capoeira Viva“No dia Dia 2 de abril recebi uma ligação de uma funcionária da FGM que me fez a seguinte pergunta: ‘Luisa, você não quer receber seu dinheiro, não?.’ Me pediu um comprovante de residência, que eu já havia entregue, e no dia seguinte me mandou um e.mail dizendo que meu processo já estava no financeiro. Até hoje não vi a cor desse dinheiro”, reclama.

Lilu diz que esta é apenas uma das confusões criadas pelas constantes mudanças feitas nos quadros da FGM. Ela lembra que durante o período de prestação de contas da primeira parcela foi orientada a recolher pagamento de ISS para si própria, e que só depois descobriu que isso não era necessário, bastava uma declaração afirmando que eu era a coordenadora do projeto. “Fomos submetidos a uma verdadeira maratona burocrática”, reclama.

A FGM reconhece o erro. “Infelizmente houve realmente, nesse caso, falta de uma boa comunicação entre a equipe responsável pelo Capoeira Viva, contratada especificamente para este projeto, e setor financeiro da Fundação, o que acabou gerando esse desconforto. Nada feito de forma proposital, apenas um engano cometido. Engano pelo o qual lamentamos muito, pedimos desculpas aos prejudicados”.

Para a jornalista Maria Lúcia Correia Lima de Souza, 56, as desculpas da FGM podem não se suficientes. Diretora da Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA), Maria Lúcia é roteirista do documentário Mandinga em Manhattan, dirigido por Lázaro Faria. Das entrevistas coletadas para o filme, teve a idéia de lançar o projeto “Mandinga em Manhattan, o livro”, que acabou contemplado com R$ 9 mil pelo Capoeira viva 2007, metade dos quais ainda não recebidos.

“Não é o meu caso, mas nós soubemos de vários projetos que ficaram comprometidos porque dependiam de condições que não podem ser recriadas agora”, argumenta.

Evangivaldo Palma de Azevedo Filho, 31, o Gigante, ilustra bem a situação. Seu projeto Capoeira, Resistência, Tradição e Preservação, propunha o replantio de mudas de biribá, árvore de onde é extraída a madeira para a confecção do berimbau, na Ilha de Itaparica. “Trabalhamos com algumas crianças em situação de risco social da Ilha de Itaparica. Sem verba, o projeto parou e as crianças sumiram”.

ENTENDA A CAPOEIRA VIVA
O Projeto Capoeira foi lançado em 15 de agosto de 2006 pelo Ministério da Cultura como forma de corrigir aquilo que o então ministro da Cultura, o cantor e compositor Gilberto Gil, considerou uma distorção: o fato de a capoeira ser um dos principais expressões de difusão da cultura brasileira pelo mundo, sem jamais ter recebido apoio governamental.

O objetivo do projeto é incentivar a produção de pesquisa, inventários e documentação histórica, bem como ações socioeducativas ligadas à capoeira. Os interessados inscrevem-se diretamente no site oficial do projeto e as propostas são avaliadas por uma banca examinadora. Em 2007, foram mais de 800 propostas inscritas, das quais 113 foram contempladas, mas 5 desistiram.

Através de Chamada Pública, o Minc realizou a primeira edição do projeto em 2006 com a coordenação técnica do Museu da República, com patrocínio de R$ 930 mil da Petrobras. Em 2007, a gestão foi transferida para a Fundação Gregório de Mattos, em Salvador, e o patrocínio subiu para R$ 1,2 milhão. A edital do Capoeira Viva 2008 ainda não foi lançado por falta de patrocínio, mas já o Minc já decidiu que a gestão do projeto ficará a cargo do Instituto do Patrimônio Artístico e Caltural (Ipac).

MECA DA CAPOEIRA
A primeira edição do Capoeira Viva, realizada em 2006, teve como entidade gestora o Museu da República, no Rio. Apesar de ter corrido tudo dentro do esperado, o Minc decidiu mudar a execução do projeto para Salvador, e por uma questão simbólica.

A capital baiana é considerada uma espécie de Meca da capoeira, já que é de onde vieram a maioria dos grandes mestres que difundiram os fundamentos da arte pelo Brasil e pelo mundo, como Mestre Bimba, Pastinha, João Pequeno e Camisa, entre outros. A maioria das músicas da capoeira, invariavelmente cantadas em português, seja aqui ou emqualquer roda da Europa ou Ásia, remetem a histórias e personagens de Salvador.

A Fundação Gregório de Mattos foi escolhida num momento em que o prefeito de Salvador, João Henrique (PMDB), ainda contava com o apoio do PT na Câmara. O presidente da FGM na época do lançamento do edital era o compositor Paulo Costa Lima, indicado pelo PT.

Com o lançamento do petista Walter Pinheiro à sucessão de João Henrique, Lima foi substituído pela arquiteta Adriana Castro, ligada a um dos partidos que se manteve na base de sustenção de João Henrique.

Em janeiro, a direção da FGM mudou novamente. O atual presidente é o dramaturgo e jornalista Antônio Lins. Apesar do considerável atraso, o projeto capoeira Viva 2008 vai sair, segundo garantiu o Ministério da Cultura e depende apenas do patrocínio da Petrobras. Mas a entidade gestora vai mudar outra vez. Será o Instituto do patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), ligado ao governo do Estado da Bahia.

 

Fonte: http://esporte.uol.com.br/lutas/ultimas/2009/04/21/ult4362u560.jhtm

Cearense viaja para ensinar alemães

 

A capoeira cearense vai à Europa ensinar os alemães todo o gingado, a arte e o ritmo contagiante do brasileiro. O Mestre Dingo, um dos mais renomados do Estado, estará em uma turnê de 30 dias na Alemanha.

“Vamos realizar workshops e fazer apresentações em casa de shows. O alemães estão investindo pesado nesse intercâmbio da Capoeira”, diz Dingo, que viaja hoje, sozinho, para o Velho Continente.

Com 32 anos de experiência, o mestre cearense visitará as cidades de Frankfurt, Munique e Stuttgart. Lá, ele terá o apoio de outros brasileiros, que já transmitem os conhecimentos da capoeira a alguns anos. “Fui convidado pelo Mestre Topeira, um pernambucano que está fazendo sucesso entre os alemães”, revela Dingo, que é formado em Educação Física e também professor.

O sucesso de Dingo com a capoeira contagia uma multidão, que o acompanha todos os domingos na Ponte dos Ingleses, na Praia de Iracema, onde ele, colegas e alunos demonstram um pouco dos seu trabalho. Além disso, ele tem sua academia, na Rua Jovino Guedes, 67, Aldeota, onde ensina dezenas de pessoas. “A capoeira, não tem idade, raça, nem nacionalidade”, diz Dingo.

 

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=592682

Aconteceu: Fórum Paranaense de Capoeira

Aconteceu no último sábado e domingo a segunda edição do Fórum Paranaense de Capoeira, no Memorial da Curitiba, a partir das 9h. Organizado pelo Centro Cultural Humaitá, que trabalha pela valorização da cultura afro-brasileira, o evento vai ter ainda o Festival de Cantigas e o Forum Feminino.

Entre os convidados para falar estão os Mestres Bigo – que foi aluno de Pastinha -, Lito, Zumbi e a “velha guarda” da capoeira local. A Velha Guarda, explica Candiero, capoeirista idealizador do encontro e do Centro Cultural, foi listada na edição passada, numa primeira tentativa de mapear a capoeira no Paraná. “Sãos os Mestres mais antigos, vários deles responsáveis por trazer de suas terras a capoeira para o Paraná. Eles foram eleitos para ajudar a cuidar dessa cultura”, comenta. As manhãs dos dois dias serão em torno do tema mulher na capoeira, com aulões, inclusive.

Haverá debates sobre questões pertinentes à capoeira que, em 2008, foi reconhecida como patrimônio cultural do Brasil. Depois de quase ser cancelado por tensões com o Ecad – que queria cobrar direitos autorais das cantigas de capoeira que são de domínio popular – agora está tudo certo.Candiero está habituado a driblar a falta de apoio ao esporte de fortes raízes culturais. Sobre o Centro Cultural Humaitá, ele diz que é tudo ainda muito recente, estamos nos organizando juridiamente para poder buscar mais apoios em leis de incentivos.

Já ganhou um, o Capoeira Viva, do Ministério da Cultura, para o Museu da Capoeira Paranaense, adianta. A intenção do Forum Feminino, diz ele, é refletir sobre a presença da mulher. “Antigamente elas não participavam, mas hoje são muitas e isso exige mudanças de comportamento. É preciso lembrar que roda violenta afasta criança, mulher e idosos e a capoeira é para todos. Estamos chamando as pessoas pra jogar no campo das idéias”.

Fonte: http://www.bemparana.com.br