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Brasileiros revelam como é viver no Havaí e mostram suas atividades

Brasileiros revelam como é viver no Havaí e mostram suas atividades

O que dizer da batucada no Havaí? São alunos de capoeira do paulista Leonardo Naito, que vive no Havaí há 15 anos.

Bem vindos a Waikiki! Conhecida no mundo todo, a praia de Honolulu é também a mais moderna, elegante e cosmopolita do Havaí.

Com mar calmo, hotéis de luxo e inúmeras lojas de grife, Waikiki é sonho de consumo para turistas do mundo todo.

Especialmente os japoneses que estão quase à mesma distância do arquipélago que os americanos do continente.

O que é a bandeira do Brasil está fazendo na areia da praia? A canga foi comprada no Brasil, mas os amigos Maitê e Enos são espanhóis.

E o que dizer, então, da batucada? Agora sim estamos falando português. Mas, entre tantos brasileiros, tem americano no samba.

São alunos de capoeira do paulista Leonardo Naito, que vive no Havaí há 15 anos. Todo fim de semana, chova ou faça sol, o grupo se reúne para treinar.

Edward, o periquito, começou a fazer capoeira a convite de um amigo. Shalina buscava uma atividade para aliviar o estresse das provas da faculdade. Os dois se apaixonaram. E não foi só pela capoeira. Durante os treinos, o casal se reveza para cuidar do filhinho de 11 meses.

Hoje, Leonardo está casado com Patrícia, que nasceu nas Filipinas. E quem vê não imagina. Uma das maiores dificuldades que ela teve na capoeira foi vencer a timidez.

Para Leonardo, mais do que deixar os alunos em forma, a capoeira serve para ensinar um novo estilo de vida.

Uma vez por semana, a rádio estatal do Havaí abre espaço para a música popular brasileira.

Apesar do jeitão e do português perfeito, Sandy não é brasileira. É havaiana. A paixão pelo Brasil começou na infância quando ela ouviu pela primeira vez a música garota de Ipanema.

Depois da faculdade, Sandy foi adiante. Morou três anos no Brasil, quando se casou com o ritmista Carlinhos Pandeiro de Ouro e chegou a cantar nas noites do Rio de Janeiro.

Sandy retornou aos Estados Unidos e não voltou mais a pisar em solo brasileiro. Mas nunca mais perdeu os laços com o Brasil e a paixão pela nossa cultura.

 

Fonte: http://g1.globo.com/

Religiosidade na Capoeira

Dentre os vários aspectos expressos pela capoeira, o componente mítico-religioso sempre foi para mim, um dos que mais suscitou curiosidade. Debates, opiniões e muitas histórias contadas e recontadas através da tradição oral presente na cultura popular, são a motivação para a minha pesquisa nesse universo.

O aspecto mágico e misterioso, conhecido no universo da capoeiragem como “mandinga”, por exemplo, é um dos elementos importantes para uma compreensão mais aprofundada sobre essas questões. O substantivo “mandinga” se refere possivelmente à região Mandinga, na África ocidental, banhada pelos rios Níger, Senegal e Gâmbia. Entre os africanos trazidos para o Brasil, havia a crença de que nessa região habitavam muitos feiticeiros. Daí podemos compreender melhor o sentido que esse termo acabou ganhando na capoeira

O grande mestre Valdemar da Liberdade disse uma vez que os mestres de antigamente “…tinham muita mandinga, viravam folha, viravam bicho. Aquilo era próprio para barulho. Besouro era um grande capoeirista, mas tudo debaixo de oração”. Cobrinha Verde se dizia católico, mas não deixava de recorrer também às tradições religiosas africanas para o “fechamento de seu corpo” no sentido de se proteger dos inimigos “desse mundo e do outro”, dizia ele.

Os depoimentos dos capoeiras mais antigos evidenciam a mandinga enquanto componente fundamental da capoeira. O termo mandinga pode designar a malícia do capoeirista durante o jogo, fazendo fintas, fingindo golpes e iludindo o adversário. Mas pode referir-se também a uma certa dimensão sagrada, um vínculo que muitos praticantes de capoeira possuem com os preceitos de algumas religiões afro-brasileiras. Em geral, boa parte das manifestações de origem africana no Brasil, de uma forma ou de outra, trazem algum aspecto que evidencia uma aproximação maior ou menor com as religiões afro-brasileiras.

Mas dizer que a capoeira possui aspectos de religiosidade, não significa dizer que ela está diretamente ligada a essa ou àquela religião em particular, pois existem praticantes de capoeira de todas as religiões. Na capoeira não se pergunta qual a religião do capoeirista antes do jogo: simplesmente se convida para jogar.

A capoeira tem religiosidade, mas não tem religião !!!

A religiosidade da capoeira se manifesta através dos seus rituais, dos cânticos, da celebração, da memória dos seus ancestrais, da sua ligação com esse passado de luta e sofrimento. A dimensão do “sagrado” na capoeira se mostra através desses aspectos, e por isso podemos dizer que a religiosidade é um componente importante da capoeira, sobretudo da capoeira angola, embora muitos grupos de capoeira regional também valorizem essa dimensão.

Esses saberes populares que determinam a religiosidade presente na capoeira expressam um vasto campo de significados e de suas ligações com o “sagrado”, assim como muitas outras manifestações e tradições presentes no universo da cultura popular no Brasil. A dimensão do sagrado, tem para o povo simples de nosso país, um sentido muito especial e profundo e que determina suas crenças, seus modos de vida, seus sonhos, suas lutas, suas vitórias e suas derrotas.

 

 

Brasília: Dialogar para evoluir

Papoeira Feminino estimula a reflexão e a troca de informações

No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, mulheres capoeiristas, independentemente de estarem defendendo as bandeiras de seus grupos, realizaram no dia 28 de março, no Parque Urbano e Vivencial do Paranoá, o PAPOEIRA FEMININO, onde adolescentes, adultos e melhor idade, sem distinção de gênero, se reuniram e dialogaram sobre assédio moral, assédio sexual, violência contra a mulher, cada um expondo sua opinião, dando sua contribuição para buscar caminhos e posicionamentos que inibam esses acontecimentos entre os praticantes de capoeira.

O PAPOEIRA, criado no ano de 2000 pelo Sr. José Bispo Correia, o Mestre Pombo de Ouro, como forma de comunicação, integração e conscientização dos capoeiristas, nesta edição teve como tema central o FORTALECIMENTO DA CAPOEIRA FEMININA DO DISTRITO FEDERAL E ENTORNO e contou com uma excelente aula teórica sobre a importância do aquecimento e alongamento na Capoeira ministrada pela capoeirista Luiza de Alencar Dusi, conhecida como Bailarina.

A Bailarina, aluna do Centro Cultural Escola do Mundo Carcará Capoeira, mostrou-se satisfeita com o evento e acredita que o “Papoeira” deve ser realizado mais vezes. “Temos que disseminar essas idéias e informações através desse movimento que é tão interessante e tem metas úteis. São idéias diferentes, mas em prol do mesmo objetivo”, endossa. Ela acredita que os homens não podem ficar de fora dessa conscientização. “Alguns homens cismam que mulher só pode jogar capoeira com outra mulher, que acaba reagindo com agressividade. Temos que promover a igualdade com educação”, argumenta.

Essa também é a opinião de Ana Claudia Rodrigues de Araújo, a Cacau, da Associação de Cultura e Capoeira Adeptos da Bahia (ACCAB). “A maioria dos homens capoeiristas espera que a mulher seja masculinizada. Eu não sou assim até por causa das minhas limitações físicas. Eu treino capoeira porque tudo é contra a mulher, começando pela fragilidade do corpo”, diz. Contudo, Cacau afirma que a própria mulher é peça chave para a mudança do comportamento predominante no meio. “A nossa participação é que vai fazer mudar, com a conscientização sobre o nosso papel e o nosso valor. Sempre buscamos nosso espaço e o fundamental é o autoconhecimento e a própria valorização”, arremata.

Manoel Cardoso Magalhães, presidente da ONG Resgate da Vida, entidade que, juntamente com a equipe do Instituto Horizontes – Projeto Conscientizar, contribuiu para a realização do evento, explicou como surgiu a Lei Maria da Penha e buscou mostrar a importância da seriedade da sua utilização. “Às vezes a questão da violência começa já no namoro e a mulher tem que estar atenta a isso”, alerta. Segundo ele, é necessário que os homens também sejam inseridos nesse debate. “Não podemos parar o processo de evolução. Precisamos nos adaptar às mudanças do perfil feminino”, completa.

O criador do Papoeira, Mestre Pombo de Ouro, diz-se orgulhoso da iniciativa de defender as causas em favor da mulher. “Eu parabenizo isso. O Papoeira é, antes de tudo, exemplo de vida”, ressalta. Como resultado das proposições colocadas, foi acordado a realização de um Papoeira Feminino no mês de abril, desta vez coordenado pela capoeirista Bailarina, para a mobilização das capoeiristas do Distrito Federal e entorno. Essas manifestações estão sendo realizadas em prol de um evento feminino nacional de capoeira programado para ser realizado no segundo semestre de 2010, seguindo a mesma filosofia de conscientização e aprimoramento.

O encontro nacional terá como focos principais a valorização da mulher no meio capoeirístico (Direitos Humanos da Mulher), em forma de homenagens; a conscientização através de assuntos relacionados à violência contra a mulher (Lei Maria da Penha e desdobramentos práticos, assédio moral e assédio sexual); e assuntos relacionados com os conhecimentos tradicionais da capoeira (fundamentos, rituais de roda, instrumentação e canto), além de dar visibilidade aos movimentos femininos organizados, por meio de apresentações culturais das participantes.

Valdete Andrade de Souza, representante da ONG Resgate da Vida, apesar de não ser capoeirista, sentiu-se orgulhosa em participar de um evento onde a temática feminina está sendo trabalhada e de ver como a capoeira pode estimular esse tipo de iniciativa. “Eu acredito no esporte e no desenvolvimento da mulher. É preciso mostrar que estamos aqui para lutar, para defender os nossos direitos e cumprir também com os nossos deveres. Acredito na valorização da mulher, no seu potencial”, ressalta. A capoeirista Elissandra Cunha Cardoso, a Crocodila, também mostrou-se satisfeita com o resultado do evento. “Foi tudo positivo. É válido para as mulheres se conhecerem e aprenderem umas com as outras. Com essas iniciativas estamos vendo o preconceito ir embora e a mulher sabe que pode competir com o homem intelectualmente e tem várias formas de mostrar seu conhecimento”, elogia.

Para Márcia Regina Fabrício Dias, a Piquena Guerreira, aluna da Terreiro Capoeira, uma das organizadoras do evento, sócia-fundadora do Instituto Horizontes – Projeto Conscientizar e capoeirista há 10 anos, a mulher vem conquistando o seu espaço e torna-se imprescindível discutir o seu papel na sociedade, mostrar que elas devem lutar para a melhoria de sua qualidade de vida e das pessoas que a cercam. “Queremos mobilizar cada vez mais e contribuir de maneira ativa para difundir as questões referentes à mulher”, compromete-se.

A participação dos homens e das crianças no debate comoveu a capoeirista. “Nessas ocasiões, quando você escuta alguém como o sr. Domingos dar sua contribuição e dizer que viveu e se aposentou na agricultura, que nunca utilizou nenhum tipo de droga, parabenizando quem busca estudar para ter uma profissão e ao final agradecer por poder dizer aquelas palavras, pedindo licença para sair, é uma lição de educação!”, emociona-se. “Ouvir também um menino de 15 anos dizer orgulhosamente que há 7 anos pratica Capoeira, que perdeu o pai e que hoje considera o professor de capoeira como seu pai e dizer que vai praticar capoeira pelo resto de sua vida, é recompensador o trabalho das organizadoras e apoiadores para fazer o evento acontecer”, diz. Elas, eles, todos acreditam na preservação da Capoeira porque a escolheram como um importante instrumento de desenvolvimento pessoal e social.

Jornalista Suellem Mendes.
msn: sumendes10@hotmail.com

Haiti em uma palavra? Esperança

Os tremores hoje são como acontecimentos quase que naturais. Agora há pouco foram dois; o primeiro aparentemente forte. Estava em minha mesa imprimindo alguns documentos, e por um momento pensei que fosse a impressora. Mas, ao olhar para a mesa ao lado e ver um monitor balançando, compreendi que não era a impressora e sai rapidamente. Por fim, não sei se a terra realmente está tremendo ou se o meu corpo é que não parou de tremer desde o primeiro.

No momento do tremor, a sensação é de que o cérebro automaticamente acessa as informações do primeiro, as lembranças chegam em uma fração de segundo. E com elas, o medo de que este seja tão forte quanto o primeiro, que alcançou 7.2 graus na escala Richter. E a diferença de força entre um e outro é bem grande; o de 7.2 chega a ser 22 vezes mais forte. Aparentemente, teremos de conviver por algum tempo com os tremores. Espero em Deus que não sejam tão fortes quanto o primeiro, pois isso iria ampliar os problemas para um grau que não podemos prever, como ainda não podemos prever a extensão das consequência do primeiro.

Aos poucos, notamos que algumas pessoas estão deixando a capital, indo para as províncias, para as áreas rurais. O que abre precedente para tornar a ajuda mais rápida. Talvez seja possível, ao invéis de centralizar toda ajuda em Porto-Principe, criar campos de apoio nestas cidades, com toda estrutura possível, e remover as famílas que hoje ocupam as praças. Isso ampliaria também o campo de trabalho para a remoção dos escombros e resgate das vítimas, bem como diminuiria as possibilidades de uma epidemia, um risco grande aqui.

Quanto a nós, seguimos com o trabalho, dentro das nossas limitações. Com o risco eminente, continuamos dormindo no quintal da casa; brasileiros, haitianos, noruegueses. Onde temos uma visão fantástica do céu, das estrelas. O sentimento em mim é de que não estamos sozinhos, nem desprotegidos. E parece que ouço uma voz dizer que tudo ficará bem…

Haiti, 21 de janeiro, 11:30 am

Aos poucos, a situação parece apresentar sinais de melhoria, apesar de muitos escombros estarem ainda por serem removidos. O volume de trabalho é grande, bem maior do que a infra-estrutura disponível no momento. Mas, já podemos ver que a situação é bem diferente de alguns dias atrás. Não tenho dúvida de que as equipes de resgate estão empenhando ao máximo as suas forças para tornar o trabalho mais ágil, e minimizar ao máximo o sofrimento dos que ainda ainda esperam por ajuda sob os escombros.

E ainda que existam aqueles que se valem da necessidade e da fome para promover a violência e o desespero, ferindo ainda mais a sua própria gente.

Ainda que existam aqueles que poderiam ajudar (fazer a diferença), mas que preferem assistir tudo de longe, entre as quatro paredes da sua sala refrigerada, cujo a proximidade maior do problema não vai além do alcance do seu controle remoto ou do cursor do seu computador.

Ainda que existam aqueles cruéis o bastante para de dizer que a raça ou o credo é o causador de tanto sofrimento…

Existem aqueles que movem todos os seus recursos e esforços para garantir o mínimo de segurança e dignidade para aqueles que sobreviveram, para minimizar o sofrimento das pessoas e cuidar de suas feridas.

Existem aqueles que deixaram seu país, o conforto e a segurança do seu lar, o carinho da família para estar ao lado de pessoas que sequer conheciam.

Existem aqueles que são humanizados o suficiente para exergar no próximo o laço incontestável da família terrena.

Existem aqueles “loucos” que acreditam, seguem em frente, e com a sua loucura contagiante arrebanha multidões para o bem.

E é por esses e outros que a confiança aumenta a cada dia, que a nossa força cresce. É através de exemplos como esses que seguimos acreditando que a  vida é ainda mais forte do que qualquer coisa e que a esperança sobrevive às piores provações.

Fonte: http://flaviosaudade.files.wordpress.com

 

Cidadania: Gingando pela Paz no Haiti – Relatos de um capoeirista em terras haitianas

O GINGANDO PELA PAZ nasceu de atividades realizadas ao longo de quatro anos em diversas comunidades do Rio de Janeiro que tinham como foco a mobilização popular para temas de interesse público. A inspiração surgiu com a participação do Contramestre Saudade, à época com 21 anos de idade e professor em capoeira, no Serviço Civil Voluntário, projeto oferecido pelo Viva Rio que objetivava ser uma alternativa ao Serviço Militar obrigatório, e estava direcionado para jovens em situação de risco social que ainda não tinham concluído o ensino fundamental. O contato com disciplinas como Direitos Humanos e Cidadania, a participação em ações voluntárias em comunidades como as Campanhas contra a Dengue e de Paz no Trânsito, somada a experiências internacionais em países como Zimbabwe, África do Sul, Alemanha e Espanha, levou-o a idealizar um projeto que objetivasse fortalecer a atuação da capoeira para o desenvolvimento social.

 

Crônica: O que é dar valor à capoeira…

Dar valor à Capoeira, ter o mínimo de respeito com essa Arte tão magnífica, é saber que, quanto mais capacitado for o profissional, melhor ele exercerá sua profissão; é entender que o curso de educação física não vem para substituí-la, e sim, para dar subsídio a ela, para que o professor tenha o respaldo científico, podendo comprovar cientificamente todo o potencial da Arte, para que ele seja capaz de dizer mais que apenas: “A Capoeira é a única arte marcial genuinamente brasileira, é Patrimônio Cultural Brasileiro”, disso todo mundo sabe, não é novidade, não deixa de ser um título importante, mas é algo muito limitado para a dimensão real dos benefícios da Capoeira.

A pesso, para defender a tese da Capoeira, deve ser capaz de dizer em linguagem acadêmica e culta: “a Capoeira não se resume em importância histórica, mesmo que não desconsideremos esse fato, temos que saber que a Capoeira atua em um contexto bio-psico-social, fisiologicamente, a Capoeira proporciona aumento do condicionamento físico, melhora nos sistemas muscular, cardiovascular, articular e respiratório, aquisição de capacidades físicas: força, flexibilidade, resistência e velocidade, e ainda estimula a produção de endorfina e serotonina, hormônios responsáveis pela sensação de prazer. Os benefícios psicomotores da Capoeira são: aumento da noção de esquema corporal, maior noção de lateralidade, aumento da coordenação motora, aumento da noção espaço-temporal, aquisição de ritmo, maior poder de atenção, concentração e formação de um auto-conceito positivo.

Sociologicamente, a Capoeira corrobora na socialização do indivíduo, visto que é capaz de desinibir, eliminando a timidez, aumentar o senso de organização, diminuir o risco do uso de drogas e álcool, promover a formação de caráter e a aquisição de valores como honestidade, solidariedade e fraternidade, dentre outros. Diferencia-se dos outros esportes por não exigir um arquétipo específico para sua prática, qualquer pessoa pode praticá-la, seja qual for sua estatura, etnia, credo ou classe social, além de trabalhar a musicalidade, propiciando a motivação do atleta.” Quem realmente ama e respeita a Capoeira entende que ela é como um camaleão, que muda de acordo com a situação, se adequando à época em que se encontra. Não podemos nos prender nas décadas de 30 e 40, quando ela não passava de cultura ou manifestação popular, visto que hoje a Capoeira é uma ferramenta para educadores na formação da cidadania, é auge no fitness, é terapia para a terceira idade, é esperança para os grupos especiais: cardiopatas, diabéticos, obesos e portadores de deficiências, seja ela qual for.

É preciso que o profissional atuante na área capoeirística seja capaz de criar seus projetos e não cobrar isso da prefeitura. É preciso que ele saiba que o poder público nada pode fazer para ajudar pessoas físicas, grupos sem registro que permanecem no anonimato, pois até mesmo uma criança, para ter seus direitos básicos garantidos, precisa tirar sua certidão de nascimento. Além disso, a Capoeira é auto sustentável, é possível conseguir recursos através da lei de incentivo fiscal, sem precisar mendigar nada de ninguém. É muito fácil cruzar os braços e reclamar, difícil é arregaçar as mangas e correr atrás, estudar, se capacitar. Tem espaço para todos, mas é mediocridade imaginar que a Prefeitura, com o atual governo que valoriza tanto a educação, contrataria alguém que menospreza um curso superior. Será que eles não sabem que o professor é um espelho para as crianças? Que o mesmo poder que a Capoeira tem de formação ela também tem de destruição, quando o profissional não é qualificado?

Diante de tudo isso, caros colegas autores da solicitação por mais valor à Capoeira, sinto muito lhes dizer, mas as portas não estão fechadas, porém, a escadaria para chegar até elas é longa.

Ubiracy Galvão Borges, Mestre Café, idealizador do projeto Capoeira para Todos – Gingando Contra a Exclusão

Fonte: http://www.jornaldeuberaba.com.br/

Bahia: Criança também pode entrar na roda

Professores trocaram de posição durante a oficina de metodologia da capoeira infantil, realizada, terça-feira, por Jorge Luiz de Freitas, o mestre Piriquito. Graduados do Brasil e do exterior foram alunos por um dia durante o curso realizado no anexo do Forte Santo Antônio. O evento faz parte da programação do Festival Internacional da Arte Capoeira na Bahia.
 
Na aula, mais de 60 professores aprenderam métodos de ensino adequados para as crianças. A capoeira é uma atividade vista com certa desconfiança pelos pais, por usar golpes que podem ser violentos, e, por esse motivo, todos os movimentos são adaptados para crianças. Dos 3 aos 6 anos, os alunos recebem instruções especiais e, a partir dessa idade, os exercícios já são os mesmos dos adultos, só mudando a didática.
 
O professor Jorge Luiz lembrou da importância de fazer com que as crianças não apenas reproduzam os movimentos, mas que passem a entender o que estão fazendo. Como exemplo, citou um golpe que nenhum dos professores que participavam do curso sabiam dizer a origem e o motivo do nome. “A criança que brinca por brincar está reproduzindo. Isso qualquer macaquinho faz. Eles fazem e ganham prêmios como bananas. Nós somos diferentes, não reproduzimos, nós construímos. O nosso prêmio é a sabedoria, é saber o que se está fazendo”, considera.
 
Fonte: A Tarde On Line – Salvador, BA – http://www.atarde.com.br

O Código Desportivo da Capoeira Atualizado e Comentado por Mestre Fernando Rabelo

Mestre Fernando Rabelo, enviou para a comunidade capoeiristica registrada no grupo de discussão Capoeira CBC, um email, nos direcionando para um BLOG, de sua autoria, onde comenta de forma "oportuna" com uma linguagem bastante "acessível" o novo Código Desportivo da Capoeira CDIC , disponivel na integra em formato PDF no site da FICA Federação Internacional de Capoeira.
 
Fica aqui a dica de leitura aos interessados, para conhecimento do Código Desportivo da Capoeira.
 
Luciano MIlani


O Código Desportivo da Capoeira Atualizado e Comentado
Mestre Fernando Rabelo de Souza, 57 anos
Belém : Norte/Pará : Brasil

 
O Que é o Código Desportivo Internacional da Capoeira – CDIC?
Trata-se do principal documento normatizador internacional do Jogo da Capoeira, instituído e mantido pela Federação Internacional de Capoeira – FICA, entidade máxima de administração desportiva da Capoeira.
 
Veja, Capoeira é um jogo e jogos têm regras. O CDIC se constitui num conjunto mínimo de regras que permitem o jogo entre pessoas de costumes diferentes dos nossos.
 
Além disso, o CDIC também funciona como ferramenta cultural brasileira para manter o Jogo da Capoeira do jeito que nós brasileiros inventamos. Quer dizer, a partir da existência e divulgação do CDIC, quem quiser dar uma de inventor e modificar a Capoeira, em benefício próprio ou apenas por achar isto ou aquilo, estará ferindo o Código e, portanto, poderá ser visto e acionado como dilapidador do patrimônio cultural brasileiro.
 
Muitas pessoas se confundem, outras tentam confundir os outros perante tal codificação escrita. O argumento básico dessas pessoas é que Capoeira é liberdade e como tal não pode ser engessada num manual. Tese muito simpática, e essas pessoas teriam razão se não fosse fato que o CDIC cristaliza, temporariamente, regras que são já seguidas pelos grandes mestres que vêem participando dos congressos técnicos, assembléias e convenções realizadas pelo Sistema Desportivo da Capoeira.
 
Então, o CDIC é um enfeixamento de regras que já vêm sendo utilizadas normalmente por muitos e muitos grupos de Capoeira. É claro que ele traz inovações, padrões técnicos antes inexistentes, padrões administrativos, exigências em termos de identidade visual da Capoeira e de conduta e grau de proficiência dos docentes.
 
Ora, nós sempre quisemos que a Capoeira fosse levada a sério como estilo de vida e prática desportiva brasileira. Nós que eu digo, são os capoeiristas de cerca de mais de vinte e tantos anos de prática, que viram parte da Capoeira migrar dos fundos de quintais para invadir as academias de ginástica, tanto as da granfinagem quanto as da periferia. Da mesma forma, passou a ser praticada em espaços cedidos por escolas, servir de tema para graduações em faculdades, mestrados, doutorados, para vender revistas, etc. A nosso ver, o grosso desses acontecimentos se deu a partir da década de 1980, no bojo da entrada do Brasil no mercado cultural. É claro que estamos aqui fazendo corte numa linha do tempo, pois o desenrolar dos fatos remonta às origens da Arte&Manha.
 
Não se pode negar que a apropriação da Capoeira pela indústria de bens culturais tem lá seu aspecto positivo. Mas isso tudo, que no final das contas pode ser visto como abertura de mercado de trabalho para docentes de Capoeira, mais alunos para academias, venda de tecidos, etc., só é possível com a Capoeira sendo considerada disciplina válida, útil para a formação de homens e mulheres, cidadãos e cidadãs.
Então, ao contrário do que bramam os que ignoram o conteúdo e significado do CDIC, este veio para registrar definitivamente a legitimação da Arte Capoeira como prática social, pública, portanto, compreendida e acessível a todas as pessoas. Além disso, a meu ver, o CDIC aponta o caminho para uma disciplina chamada Teoria do Jogo da Capoeira.
 
Boa leitura!
 
 
Introdução
Serão examinadas aqui, sucintamente, todas as partes do CDIC.
 
Ora, em se tratando de um Código depurado pelo uso, posto que já se lá vão mais de dez anos de regulamentação desportiva dentro do Sistema Desportivo específico da Capoeira, é difícil querer arrumar alguma coisa nele. A título de exercício, porém, faço as observações seguintes, frutos de repetidas leituras e reflexões. São dúvidas, comentários e proposições que podem levar ao aperfeiçoamento do texto, clarear a interpretação da norma ou apontar pequenas falhas a serem sanadas em edições posteriores do Código. Qualquer um de nós tem a liberdade de levar até o Presidente da FICA sugestões para aperfeiçoamento do Código para serem apreciadas nos Congressos Técnicos Internacionais ou Convenções de Árbitros.
 
Acredito, porém, que a divulgação destes comentários fortalecem o entendimento da necessidade de a Capoeira organizada possuir codificação escrita, evitando-se a atribuição de novas significações a fatos já consagrados da Arte, como muito bem preconiza o Presidente Fundador da Federação Internacional de Capoeira, Mestre Sérgio Luiz de Souza Vieira. Tenho plena consciência de que não se esgotam neste livreto todas as possibilidades de ajustes necessárias ao Código Internacional da Capoeira.
 
Registro aqui, todavia, minha pequena contribuição.
 
Parte I – DISPOSIÇÕES PRELIMINARES – Art. 1 a 10
Logo no inicio da parte I, nas Disposições Preliminares , artigo 1º consta que
 
“…O presente Código foi elaborado em Assembléia Geral de Federação Internacional de Capoeira – FICA, realizada nos dias 08 e 09/05/93, realizada na Cidade de Salvador – Bahia…”
 
A palavra “realizada” (grifo meu) aparece duas vezes na mesma linha. Disto não se pode dizer que configure erro, mas apenas questão de estilo ou repetição desnecessária.
 
Já a informação de que a FICA esteve elaborando o Código em 1993 é completamente errada pela simples razão de que a Entidade só veio a ser criada em 1999.
 
No artigo 2º, onde consta “…tendo como como movimento básico à ginga…” tenho duas observações que julgo pertinentes:
 
A primeira e relativa ao acento grave no “a” que deve ser eliminado em futuras versões do Código, por incorreto.
 
A segunda observação é relativa ao fato de que no Livro “O Trivial da Capoeira” de 1988 da Coleção Formar da CBC, acolhido pelo Sistema Desportivo da Capoeira, a ginga aparece na página 89 como movimento fundamental. Básicos seriam a negativa, rolê, cocorinha, aú, esquivas, giro, como consta na mesma página.
 
Bem sei que o livro foi escrito depois da definição de Capoeira constante no artigo 2º ora em comentário. Sei, também, que o autor daquela obra anda um pouco afastado do setor técnico da FICA. Todavia, me parece bastante adequado considerar a ginga como movimento fundamental deixando para outros movimentos a adjetivação de básicos. Adequado porque vem ao encontro da realidade, se não de toda ela, ao menos de grande parte. Por isso, registro aqui minha sugestão de que nas próximas versões do Código a frase seja reformulada para “…tendo como movimento fundamental a ginga…”.
 
No parágrafo 8º do artigo 2º, a palavra “ ambas” – que se refere a dois e somente dois – está colocada incorretamente, pois quer se referir a mais de dois entes. Poderia ser eliminada em favor da correção e simplicidade. A frase ficaria “… Entidades de Prática, integradas por vínculos de natureza técnica…” . Ou, se julgado necessário o uso do termo aglutinador, “..Entidades de Prática, todas integradas por vínculos de natureza técnica…”
 
Ainda no parágrafo 8 consta que a CBC faz parte do Sistema Desportivo da Capoeira. Muito bem. No momento – set/2006, ela está não filiada, mas continua fazendo parte do SDC. Não é estranho?
 
Finalizando, é de se perguntar porque não é “Das Disposições Preliminares uma vez que todos os outros títulos são “Das” “Do” “Da” alguma coisa.
 
Parte II – DA NOMENCLATURA OFICIAL DE MOVEIMENTOS – Art. 11 a 13
Gostaria de poder criticar, no bom sentido, mas não tenho ferramentas teóricas suficientes para isso. Sabemos que a FICA um dia irá disponibilizar vídeo com demonstrações da nomenclatura oficial. Daí poderemos partir para descrição dos movimentos. Quando isso ocorrer teremos mais segurança para atuar de maneira padronizada, como requer a ordenação desportiva.
 
Fiquei surpreso em saber que a data escolhida para fixar o legado de Coelho Neto tenha sido 1928, pois este é também e o ano da nomenclatura Zuma. Ou será que houve algum engano naquela data?
 
A tabela relativa a movimentos da Capoeira Angola também me surpreendeu. Mesmo porque, afora as chamadas, todos os outros podem ser utilizados tanto nas voltas de Angola como nas de Regional, variando-se apenas a velocidade e expressão corporal do jogador.
 
Ocorre que, hoje em dia, após décadas de influencia mútua, aqueles dois “estilos” quase não são distinguíveis pela forma dos movimentos, mas apenas pela cadência de jogo formação da bateria e expressividade dos jogadores. Sei que tem um segredinho na ginga, até já descobri ele e estou passando para meus alunos. Ah, mas o que isto tem a ver com a nomenclatura? Tem a ver com o fato de que, grosso modo, afora as chamadas e passo a dois, todo o resto, a meu ver, caberia em lista única. Esta lista seria a nomenclatura oficial da Capoeira Desportiva.
 
 
Parte III – DO UNIFORME OFICIAL – Art. 14
No artigo 14, alínea B, não foi especificado o tamanho do brasão, seria o caso de se incluírem as dimensões? A idéia é colocar em tamanho 10 X 10 cm?
 
Uma coisa que me deixa curioso é o motivo porque deixamos de colocar o brasão na calca e os das entidades de administração, aqueles que ficavam à direita e à esquerda na frente das camisas das entidades de prática?
  
Parte IV – DO SISTEMA OFICIAL DE GRADUAÇÃO – Art. 15 a 21
A idade máxima para a graduação infantil aqui é 12 anos. Mas consta no artigo 78 que as categorias de sexo peso idade para competições individuais se iniciam aos 14 anos. Como a tabela do artigo 78 é respaldada por entidade superior, a OMS, acredito que deva prevalecer o fato de que as infantis precisam ir até 13 anos. Assim, o título da alínea A ficaria “GRADUAÇÃO INFANTIL (03 a 13 anos) e da B “GRADUAÇÃO NORMAL – a partir dos 14 anos).
 
É preciso considerar, também, que o nome graduação “normal” já foi “padrão”. Sei que a palavra padrão não ajudava muita coisa, mas denunciava menos a estranha consideração de que aos infantis não se aplica a palavra normais.
 
O parágrafo 2 do artigo 15 se refere a que o aluno “tenha passado pelas cerimônias de iniciação” . Já que tais cerimônias estão constando aqui, aqui também deveriam estar bem descritas e definidas, ou, o que acho melhor, simplesmente excluir aqueles termos. Em lugar deles seria melhor um “possua os respectivos documentos comprobatórios das graduações”, você meu leitor e você minha leitora não acham?
 
Na tabela que segue apos o parágrafo 3 esta escrito “Graduações Reco”. É preciso eliminar este errinho de digitação, tirando a palavra “Reco” e colocando-a na coluna dos Instrumentos e Toques, onde irá completar a palavra reco-reco. Isto, se quisermos que o reco-reco continue fazendo parte da bateria de Angola como instrumento opcional a um dos pandeiros, caso em que deverá ser incluída a informação lá no art. 76 e seus parágrafos.
 
Aliá, falando em instrumentos e toques, apareceu lá na tabela a “chula” que não constava do rol de tipos de cantigas. Estaria tudo bem se a “chula” estivesse descrita no artigo 89 pelo menos, que descreve sucintamente os tipos de cantigas. Mas não está. Portanto precisamos decidir se vamos manter a “chula” é preciso defini-la.
 
Ainda nessa tabela, em verde e azul consta “São Bento Pequeno da Regional”. Alguém pode me dizer como é ele, esse São Bento Pequeno da Regional?
 
Relativamente ao artigo 19, preciso entender melhor o que significam as tais “atribuições ao nível de docência”?
 
O parágrafo dois do artigo 21 acolhe o reconhecimento dos núcleos de ensino de Capoeira independentemente de filiação. Mas será exigida a constituição do núcleo como pessoa jurídica para o reconhecimento?
 
Parte V – DA QUALIFICACAO PARA O ENSINO DA CAPOEIRA – Art. 22 a 29.
Um comentário geral que me vem à mente é sobre a ousadia do Presidente da FICA em implantar e, porque não dizer, a nossa em apoiar o ensino à distancia, ainda que com fases presenciais, como a principal estratégia de qualificação. É muito topete.
 
Sobre as competências para os docentes de Capoeira, artigo 25, nós sabemos que o assunto e discutível ad infinitum. Creio que da maneira como está colocado ficou bastante abrangente, ou seja, o texto acomoda quase tudo o que se pensar em termos de qualificação.
 
Mas, lembro aqui que uma palavra que apesar de estar na moda é muito significativa é “transparência”. Além dela, observa-se uma espécie de desatenção por parte dos docentes de Capoeira para com as palavras chave da Administração: planejamento, direção, coordenação e controle.
 
Sei que a inclusão dessas idéias no texto codificado não vai resolver o problema da ignorância que nos assola, mas falar sobre isto nos dá a sensação do dever cumprido. Assim, sem querer me arvorar de Dr. sabe-tudo, deixo a seguintes proposta :
 
– incluir o cultivo da transparência, vale dizer, prestação de contas, como um dos princípios da formação do docente;
 
Oopa!, um erro de digitação horroroso e que pode atrapalhar – Na alínea E, onde se lê “…recursos humanos, físicos e materiais.” deveria constar “…recursos humanos, financeiros e materiais.” , ou seja, substituir o físicos por financeiros, porque é assim que os manuais de adm de empresas recomendam.
 
Finalmente, pelas razões já comentadas, na mesma alínea E ficaria didaticamente interessante se acrescentássemos ao final da frase “… e materiais.” as palavras “…, sempre observando as dimensões do planejamento, direção, coordenação e controle das atividades.
  
Parte VI – DA ORDEM E DA JUSTIÇA DESPORTIVA – Art. 30 a 36
Logo no início, no Artigo 30, onde consta “Sistema do Desporto” fico me perguntando se não quereríamos dizer “Sistema Desportivo da Capoeira”.
 
O artigo 32 diz da aplicação de “…sanções previstas no Código Brasileiro de Justiça Desportiva da Capoeira – CBJDC.”
 
Ocorre que esse artigo 32 é parte de um Código Desportivo Internacional de Capoeira, portanto, a meu ver, smj, não deveria recomendar o uso de sanções oriundas da Justiça desportiva específica deste ou daquele país.
 
No caso, se não há, ainda, um Código Internacional de Justiça, melhor seria recomendar a aplicação das “…sansões previstas no Código Nacional de Justiça Desportiva da Capoeira do país onde ocorrer a infração.”
 
Aqui eu estou, na verdade, trilhando caminhos novos para mim. Se já é pouco ou quase nada o que sei de justiça desportiva nacional, menos ainda é o que sei da internacional. Mas fica aqui minha intenção de clarear a norma.
 
No parágrafo único do artigo 31 não há mais a possibilidade de o jogador fazer nova volta no caso de não ter havido tempo de examinar seu desempenho? É assim mesmo que é para ficar? Eu pergunto porque esse assunto foi um dos que debatemos muito em Araras. Aquele negócio de o atleta fazer nova volta era meio complicado mas resolvia a questão.
 
Artigo 36 – A – Cartão Amarelo
 
Quando houver três ocorrências o sujeito será desclassificado, certo? Então, ficaria melhor dizer que:
 
Persistindo a situação será aplicado o cartão vermelho.
 
Já o “…preterindo-se-o em caso de empate.” Colocaríamos na frente de “…no máximo duas vezes”. Ficaria assim:
 
A- Cartão Amarelo – Situação …….duas vezes, preterindo-se-o em caso de empate, sendo que, persistindo a situação, será aplicado o cartão vermelho.
 
B – Cartão verde – A intenção é retirar o capoeirista apenas da volta, e não da competição, certo? Se assim for, devemos eliminar a frase “retirada do capoeirista da competição”.
 
Parte VII – DAS DISPOSIÇÕES ADMINISTRATIVAS – Art. art 37 a 39
No artigo 37 – “No caso de transferências de pessoas, de jurisdições, de estas…” creio que o ilustre autor do texto quis dizer: “ No caso de transferências de pessoas entre jurisdições…”
 
Depois, no mesmo texto, onde consta “… jurisdição superior..” me parece que quis dizer “…instância superior…”.
 
No artigo 39 , da forma como está colocado a FICA se arroga o direito de legislar até sobre até sobre taxas em nível municipal, coisa que ela certamente não quererá, smj.
 
Parte VIII – DOS GESTORES DAS COMPETIÇÕES DESPORTIVAS – Art. 41 a 43
No parágrafo 4º do Artigo 42, do jeito que está escrito o Diretor de Arbitragem também deve cronometrar os tempos das rodas. Sabemos que isto é impossível para ele diretamente, portanto, poderíamos adequar o texto a realidade:
 
“Parágrafo quarto – Caberá ao Diretor de Arbitragem e aos Árbitros Centrais fiscalizar a execução correta do ritmo solicitado para a competição e, a este último, cronometrar o tempo de jogo dos capoeiristas durante as voltas”
 
No final do parágrafo quinto nota-se pequeno erro de digitação. Onde se lê “…ou que qualquer condição física deficiente.” Creio que o redator quis dizer “… ou de qualquer …”
 
Já no parágrafo 7º do artigo 42 e parágrafo 2º do artigo 43, faltou especificar o local exato onde ficará o símbolo da FICA.
 
Parte IX – DAS COMPETIÇÕES DESPORTIVAS – Art. 44 a 54
O texto do artigo 44 é bastante longo com muitas orações para se coordenarem entre si. Oportunamente submeterei a apreciação superior proposta de reestruturação.
 
Relativamente ao parágrafo 2º do artigo 45, não entendi a razão de se admitir competições ginástico-acrobáticas contemporâneas apenas para as competições individuais. A mim me parece, inclusive, que as competições de duplas e conjuntos são mais propícias para apresentações acrobáticas.
 
O Artigo 48 deveria preconizar, também, na alínea A a pontuação “zero” aos desclassificados e não apenas aos desqualificados. Essa norma, aliás, ficaria melhor aqui no artigo 48 do que no artigo 49.
 
O Artigo 49 reza em seu caput que tanto os desqualificados quanto os desclassificados serão retirados da competição. Aqui se verifica que houve uma mudança muito forte na norma, pois os desqualificados sempre puderam retornar nas voltas seguintes, se assim o quisesse ou pudesse. Agora não. Tanto os desqualificados quanto os desclassificados deverão ser retirados da competição. Resta-me perguntar se é isto mesmo? Ou há engano na redação?
 
Ainda no Artigo 49 – Item B – Desqualificação – creio que se deva incluir, também, a falta de condição física.
 
Já no Artigo 51, pelo andar da carruagem, seria melhor incluir logo as “Ligas Nacionais”.
 
No artigo 75 estas competições são chamadas de Ginástico-Acrobáticas Contemporâneas. Aqui no 45 ganham a palavra “Individuais”. É necessário equalizar esses nome paga garantir a consistência interna deste CDIC.
 
Parte X – DAS COMPETIÇÕES DE CONJUNTOS – Art. 55 a 60
No Artigo 56 consta que as competições de conjuntos durarão apenas cinco minutos. No Congresso Técnico em Vitória – ES, ocorreram discussões homéricas porque havia quem entendesse que uma volta em jogo de angola deveria durar pelo menos uns 15 minutos. A justificativa era de que, em resumo, o próprio decorrer do tempo era um elemento de jogo a ser explorado pelos oponentes em face ao consumo de energia, ou, em outras palavras, vence quem cansa menos.
 
Outro enfoque para essa questão do tempo no jogo da Capoeira pode ser dada pelo entendimento do Ex Presidente da extinta ABAC, Prof. Sidnei, que achava que as competições de conjunto eram muito parecidas e supriam todas as finalidades das de duplas, Se antes já concordávamos parcialmente com ele, agora, com cinco minutos, as competições de conjuntos ficaram muito mais semelhantes às de duplas, obrigamo-nos a dar razão a ele.
 
Acredito que precisamos rever os objetivos de cada uma dessas duas competições para evitar redundância.
 
No parágrafo 1º do mesmo artigo 56, há dois períodos de tempos a serem observados: os trinta segundos e os cinco minutos. Os cinco minutos iniciarão a partir do toque do berimbau. O toque do berimbau, por sua vez, deverá ser iniciado em até 30 segundos após a chamada da equipe. Ok, acho que entendi.
 
Todavia, se há uma obrigação, seu descumprimento exige pena, no caso, aplicada a quem descumprir aqueles tempos.
 
Então, deve voltar para lá o extinto “Parágrafo 2º – A equipe que ultrapassar o tempo máximo permitido será penalizada em 10 (dez) pontos por cada minuto ou fração que exceder.”
 
No artigo 57, quando pudermos, vamos trocar a palavra “elementos” por “pessoas”. É mais confortável.
 
No artigo 58 seria o caso de se modificar o texto colocando após “avaliarão” as palavras “atribuindo pontos de 0 a 10 aos seguintes quesitos”. Isto porque não foi definido neste capítulo os limites de pontos a serem utilizados.
 
Parte XI – DAS COMPETIÇÕES DE DUPLAS – Art. 61 a 65
No parágrafo 2º do artigo 61, há dois períodos de tempos a serem observados: os trinta segundos e os dois minutos da primeira dupla. Os dois minutos iniciarão a partir do toque do berimbau. O toque do berimbau, por sua vez, deverá ser iniciado em até 30 segundos após a chamada da equipe. Tudo bem.
 
Todavia, se há uma obrigação, seu descumprimento exige pena, no caso, aplicada a quem descumprir aqueles tempos. Aliás, este é um princípio da construção de regulamentos tipo pode-não-pode.
 
Então, como também entendemos relativo a parte 10, deve-se agregar ao artigo 61 o “Parágrafo 3º – A equipe que ultrapassar o tempo máximo permitido será penalizada em 10 (dez) pontos por cada minuto ou fração que exceder.”
 
No Artigo 63, seria o caso de se modificar o texto e colocar após “avaliando” as palavras “ e atribuindo pontos de 0 a 10 aos seguintes quesitos”. Isto porque também não foi definido neste capítulo os limites de pontos a serem utilizados.
 
Finalmente, insisto em que precisamos rever os objetivos e a necessidade da existência das competições de duplas e conjuntos. A semelhança entre elas está a requerer tal revisão. Ou estarei enganado na compreensão disso tudo? Afoinal a Capoeira é cheia de armadilhas.
   
Parte XII-A – DAS COMPETIÇÕES TRADICIONAIS EM CAPOEIRA ANGOLA E CAPOEIRA REGIONAL – Art. 66 a 74
Aqui dividi minhas reflexões em três alíneas (A, B e C), só para manter o tamanho dos textos. Senão ficaria enorme. Esta é a alínea (A).
 
Artigo 66, Parágrafo 1º. Onde se lê, ao final, a palavra “…passivo…” seria mais adequado “.. passível…”
 
Parágrafo 5º. Não existem mais as súmulas dos árbitros. Portanto os termos “dos árbitros” devem ser eliminados do texto, permanecendo apenas “da mesa”.
 
Artigo 67, parágrafo 2º . O tempo máximo de jogo “será de” 2 minutos e não “ terá de”.
 
Artigo 68 deve-se retirar os termos “…quesitos dos…”, pois está sobrando, creio. Além disso, é necessário adequar o número de quesitos, que são quatro, conforme reza o artigo 69.
 
No parágrafo único do Artigo 68 A meu ver o cartão amarelo deveria ser o primeiro critério a ser observado, pois isto colocaria a questão disciplinar fica em primeiro plano.
 
No caput do artigo 69 creio que vale a pena substituir a palavra “jurados” por “árbitros laterais”.
 
O Artigo 70 deve começar com a palavra “Será…” porque concorda com “… a aplicação…”. A meu ver, no que concerne a este artigo 70, voltam a existir dúvidas sobre uso das mãos e movimentos proibidos. A introdução da exigência de se ater aos movimentos da nomenclatura oficial me parece ótima medida. Requer, porém, a divulgação de imagens e descrições daquela nomenclatura.
 
Além disso, se há proibição, deveria, também, ser especificada claramente a hierarquia de penalidades, no caso, envolvendo a aplicação dos cartões. Da maneira como está, fica um pouco a critério de cada árbitro central advertir ou aplicar amarelo ou vermelho. Já o Parágrafo único é bem claro a esse respeito, especifica a falta e a respectiva pena.
 
Ainda relativamente ao artigo 70, o termo “… projeções… ” merece uma descrição, smj.
 
Parte XII-B – DAS COMPETIÇÕES TRADICIONAIS EM CAPOEIRA ANGOLA E CAPOEIRA REGIONAL – Art. 66 a 74
Artigo 71. É necessário definir as dimensões ou os limites da área/linha de segurança referidas nos artigos 58, 63 e parágrafo 3º do artigo 67.
 
O parágrafo único do artigo 71 está repetido.
 
Artigo 72. A saída para as voltas de Angola cada um faz como quer. Além disso, quem deve determinar o início do jogo é o árbitro central. Aliás, a própria maneira de sair para o jogo de Angola já é passível de avaliação pelos árbitros laterais.
 
Os parágrafos 3ºs dos Artigos 72 e 74, relativo ao capoeirista não ser pontuado quando aplicar um desequilibrante e cair junto com o oponente, além de serem desnecessários, podem induzir a erro. Desnecessários porque já diz o artigo 66 em seu parágrafo 3º que “Não serão computados pontos específicos pela aplicação de quaisquer movimentos em particular e sim pela harmonia dos aspectos exibidos pelos capoeiristas.” E podem induzir a erro porque deles se conclui que haveria alguma situação em que o capoeirista poderia ser pontuado por aplicação de movimento ou golpe, ou seja, quando aplicasse um desequilibrante sem cair junto.
 
No parágrafo 2º do Artigo 73 ficaria mais claro acrescentando “… em cada volta…”.
 
Parte XII-C – DAS COMPETIÇÕES TRADICIONAIS EM CAPOEIRA ANGOLA E CAPOEIRA REGIONAL – Art. 66 a 74
Esta é a minha última alínea, a (C), relativa às competições tradicionais.
 
Observam-se igualdades entre textos relativos aos Jogos de Angola e Regional que precisam ser revistas ou, se não, escritas apenas uma vez, pois os parágrafos 1º até 4º dos artigos 72 e 74 estão idênticos. Eu até fiz uma tabela que mostra bem esse comparando, mas não consegui colocar ela aqui. Então, vou fazer a comparação usando cores, vejam:
 
ART 72- As voltas nas competições de Capoeira Angola ….
 
Parágrafo 1°- Neste ritmo as mãos não poderão tocar o outro capoeirista nas relações de ataque, mas sim nas defesas;
 
Parágrafo 2°- As aplicações de movimentos giratórios e diretos deverão, sempre que possível, ser aplicadas acima da cintura, observando-se criteriosamente suas condições de aplicação, intenção e intensidade do movimento, de modo à nunca deixar o adversário em situação de inferioridade física ou moral, não sendo assim necessário o contato físico entre ambos os capoeiristas;
 
Parágrafo 3°- Neste ritmo os capoeiristas não serão pontuados quando aplicarem um movimento desequilibrante e caírem juntamente com o outro capoeirista;
 
Parágrafo 4°-Em hipótese alguma poderão ser realizados saltos mortais ou variações acrobáticas, devendo neste caso haver advertência do árbitro, passível, em caso de reincidência, proceder-se na desqualificação do atleta.
 
ART 74- Nas competições em ritmo de São Bento Grande ….
 
Parágrafo 1°- Neste ritmo as mãos não poderão tocar o outro capoeirista nas relações de ataque, mas sim nas defesas;~
 
Parágrafo 2°- As aplicações de movimentos giratórios e diretos deverão, sempre que possível, ser aplicadas acima da cintura, observando-se criteriosamente suas condições de aplicação, intenção e intensidade do movimento, de modo à nunca deixar o adversário em situação de inferioridade física ou moral, não sendo assim necessário o contato físico entre ambos os capoeiristas;
 
Parágrafo 3°- Neste ritmo os capoeiristas não serão pontuados quando aplicarem um movimento desequilibrante e caírem juntamente com o outro capoeirista;
 
Parágrafo 4°-Em hipótese alguma serão realizados saltos mortais ou variações acrobáticas, devendo neste caso haver advertência do árbitro, passível, em caso de reincidência, proceder-se na desqualificação do atleta. 
 
Parte XIII – DAS COMPETIÇÕES GINÁSTICO-ACROBÁTICAS CONTEMPORÂNEAS – Art. 75
No artigo 45 estas competições são chamadas de Individuais Ginástico-Acrobáticas Contemporâneas. Aqui no 75 perdem a palavra “Individuais”.
 
Por razões que não consigo explicar no momento, entendo que as Ginástico-Acrobáticas Contemporâneas se prestam mais a competições de Conjuntos do que para as Individuais. De qualquer modo, o Código precisa de consistência interna. Assim, ou se retira a competição de acrobáticas do artigo 45 ou se inclui a palavra “Individuais” aqui no 75.
 
Em qualquer caso, precisaríamos dar uma olhada nos resultados práticos disso.
 
Observo, ainda, os quesitos arrolados no artigo 75 e me pergunto: Todos estes quesitos não são aplicáveis aos jogos de Angola e Regional tradicionais? Tudo me indica que a resposta é sim. Ou seja, em termos de avaliação, neste Código, há similaridade entre a capoeira ginástico-acrobática contemporânea e as tradicionais.
 
Estendendo um pouco o raciocínio, poderemos admitir que a mesma avaliação pode ser aplicada a todas aquelas manifestações da Capoeira.
 
Então, acredito que seria mais econômico e sem perda da qualidade do trabalho avaliarmos as ginástico-acrobáticas com os mesmos quesitos das tradicionais.
 
A diferença entre as manifestações ginástico-acrobáticas e tradicionais, neste código, seria, então, apenas o que atendesse os parágrafos 1º a 3º , relativos a área de jogo, orquestra e variações acrobáticas dos movimentos.
 
Relativamente a área de jogo, aliás, nota-se que o Código perde um pouco uma de suas qualidades em relação aos regulamentos que o precederam, a da unificação. Isto porque aqui no artigo 75 é colocada a dimensão 2 metros de raio enquanto lá no artigo 71 constam as dimensões para as tradicionais em 1,50m e 1,20m. Ou seja, as dimensões das áreas de jogo encontram-se em dois locais diferentes do Código.
 
Resta-me a dúvida, finalmente, sobre se não poderíamos admitir aqui as infinitas configurações da orquestra, ao invés de apenas a orquestra de três berimbaus etc.
   
Parte XIV – DA ORGANIZAÇÃO RÍTMICA – Art. 76 e 77
Pra falar a verdade nunca entendi esse tal “critério técnico” de organização das baterias.
 
O senhor ou a senhora que me lê pode me explicar esse “critério técnico”?
 
Além disso, sempre foi aceito, e até estava nos regulamentos anteriores acho, que um dos pandeiros poderia ser substituído por um reco-reco. Aliás, esse instrumento é referido numa tabela que aparece logo após, o parágrafo 3º do Artigo 15 – que trata do Sistema Oficial de Graduação.
 
Então, se o reco-reco não vai mais ser usado é preciso excluí-lo também da tal tabela do art. 15.
 
No artigo 77 é tratada a questão do uniforme das mulheres, não apenas para atuarem como ritmistas. Este fato, o de estar sendo dada uma regra geral para uniforme das mulheres dentro da parte de “Organização Rítmica” dificulta um pouco a busca de informações no Código.
 
Parte XV – DAS CATEGORIAS DE PESOS SEXOS E IDADES – Art. 78
Considerando que a categoria infanto-juvenil se inicia aos 14 anos, é necessário rever, então, como já dissemos as alíneas A e B do Artigo 15.
 
No parágrafo único, há uma crase que deve ser retirada do texto, e uma palavra que deve ir para o feminino, onde consta “…sendo vedado à promoção…” ficaria mais adequado “… sendo vedada a promoção…”.
 
Parte XVI – DA CLASSIFICAÇÃO GERAL E DO RANKING OFICIAL – Art. 79
Quem saberia me dizer por que uma época, em regulamentação anterior, o ranking dava 17 pontos ao primeiro lugar e hoje em dia esses pontos são 13? O que justificaria essa mudança de 17 para 13?
 
Outra coisa, sobre o ranking, que não entendo é o tempo de validade. O ranking é acumulativo pra sempre? Nunca recomeça do zero? Ou começa de novo a cada ano?
 
Parte XVII – DO CONCURSO DE TRABALHOS TEÓRICOS – Art. 80 a 87
Logo no Art. 81 se diz que a critério da Comissão Técnica, etc. Essa “Comissão Técnica” precisa ser definida em algum lugar do Código, creio.
  
Parte XVIII – DO CONCURSO DE CANTIGAS INÉDITAS – Art. 88 a 92
Considerando que houve uma referência à chula no art. 16, pergunto se não seria o caso de incluir aqui esse tipo de cantiga, definindo-a, ou se seria melhor excluí-la do artigo 16.
 
Outra coisa que tenho observado é que nos concursos de cantigas que vi por aqui – estou em Belém-PA – as cantigas podem até serem inéditas mas as melodias são sempre plágio de outros já existentes. Então, fico me perguntando se não seria o caso de se exigir a partitura musical das cantigas concorrentes para exame de plágio. Outra possibilidade seria a remessa prévia de gravações em áudio para verificação de eventual plágio. -Ah! Mas os capoeiristas vão precisar entender de música também agora? Eu respondo: -É claro que vão! Ou você acha que nós temos de ficar só jogando perna pra lá e pra cá e cantando igual papagaio?
 
Bem, quando eu concorri num desses festivais, tratei de fazer pelo menos uma música inédita e indiquei a autoria de domínio público para as demais.
 
Isso é meio complicado, mas acho que vale a pena dar uma estudada.
 
Parte XIX – DA FORMAÇÃO DOS ÁRBITROS – Art. 93 a 101
Um pequeno acento grave está sobrando no artigo 101 onde consta: “Será obrigatória à remuneração…” .
 
A UNICLAM ministra um curso de “Organização Desportiva e Fundamentos de Arbitragem” por treinamento à distância. Logo, pensei, deveria constar explicitamente da lista de cursos exigidos aos candidatos a árbitro. Farei uma proposição a respeito.
 
Depois, raciocinando melhor, achei que nem precisa, pois aquele curso é já faz parte da grade de cursos exigidos para a formação de docentes. Como os árbitros precisam ser docentes, restou prejudicada minha proposição.
 
Parte XX – DO EXAME ANTIDOPING – Art. 102
No caput do art 102 há pequeno erro de digitação. “…terminantemente proibido o uso se substâncias…”
 
O parágrafo 1º do mesmo artigo 102 se refere a “… sempre por sorteio e por indicação na mesma proporção.”
 
Quer dizer que haverá sorteio e indicação a dedo? Quem indicará? A “mesma proporção” a que o texto se refere quer dizer que o numero de indicados será igual ao número de sorteados? Acho que não entendi este parágrafo direito, terei de buscar esclarecimentos.
 
Parte – XXI – DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS – Art. 103 a 107
No caput do art 103 há pequeno erro de digitação. “Será obrigatória a realização de um Congresso Técnico poderá ocorrer…” Entre as palavras “Técnico” e “ poderá” é necessário um “que”.
 
Sabe uma coisa que não entendo direito? O porquê de constar em “Disposições Transitórias” um assunto como o Congresso Técnico. Afinal, a obrigatoriedade e prazos do Congresso Técnico não são normas “Das Competições Desportivas”?.
 
O mesmo eu digo dos artigos 104, 105 e 106.
 
Já o artigo 107 acho que é “Da Ordem de da Justiça Desportiva”
 
Se assim fosse deixaria de existir o capítulo “Disposições Transitórias”.
 
Aliás, porque não é “Das Disposições Transitórias”? todos os outros são “Das” “Do” “Da” alguma coisa.
 
Parte XXII – “DISPOSIÇÕES FINAIS” – Art. 108 a 113
O Parágrafo 1º do artigo 109 diz que “…poderá dar causa a perda de pontos da entidade”.
 
Posso estar errado, mas acho que deveria especificar claramente quantos pontos perderia, pois sendo uma pena, precisa ser bem definida.
 
Houve pequeno engano na numeração dos parágrafos deste artigo 109. Do primeiro saltou-se para o terceiro.
 
Finalmente, o histórico de elaboração e revisões do Código que aparece nas Disposições Finais não batem exatamente com o que consta na parte I – Das Disposições Preliminares, Artigo Primeiro. Será que é para ficar assim mesmo, ou teria havido engano?
 
Conclusão
 
Dou por encerrada, provisoriamente, esta minha pequena contribuição que, acredito, pode trazer aperfeiçoamento ao Código Desportivo Internacional da Capoeira.
 
Mas não é só o aperfeiçoamento do CDIC que me faz burilar o entendimento da regulamentação desportiva da Capoeira. Muitos mestres e praticantes de Capoeira jamais se debruçaram sobre o texto do CDIC e dos regulamentos que o antecederam e, apesar disso, deitam falação sobre a impossibilidade de se regulamentar a prática da Capoeira. Lendo estes meus comentários eles poderão buscar o entendimento do Código e, se for o caso, embasar melhor seus contraditórios.
 
Deixo aqui, então, publicadas estas minhas reflexões com a certeza de que formadores de opinião em Capoeira possam sentir-se encorajados a estudar esta parte da moderna teoria da Capoeira.
 
Aliás e finalmente, penso que hoje em dia já se pode falar em Teoria do Jogo da Capoeira. Cumpre a nós, docentes, praticantes e estudiosos da Arte&Manha, delinear-lhe os postulados, explicitar os conceitos e as leis que a compõem.
 
Salve a Capoeira!
Estes comentários, todos, foram baseados no meu trabalho de conclusão do Curso de Regulamentação Desportiva e Fundamentos de Arbitragem da FICA/UNICLAM. – ago/2006.
Mestre Fernando Rabelo de Souza

 
Caro Fernando Rabelo
 
Excelentes e oportunos os seus comentários ao CDIC. Parabéns pela luta em prol da universalidade da capoeira. Atitudes como a sua é que garantirão eternamente ao nosso país o reconhecimento mundial pela paternidade de um dos mais belos jogos de música e movimento que a humanidade já criou.
 
Um forte abraço do
 
Luiz Fernando Goulart
MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA

CID TEIXEIRA, historiador

CID TEIXEIRA, historiador, no filme MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA
 
Sobre a cultura negra no Brasil de Bimba :
 
O candomblé, a capoeira, a culinária tudo isso são expressões de
resistência cultural, contra o esmagamento do dominador, senhor, branco
europeu. Então, assim a capoeira leva um tempo de ilegalidade, ilegalidade
formal. Os nomes da capoeira ilegal estão ai: Besouro, Bom Cabelo, tantos
desses assim, que tinham seu quartel general, se é possível dizer assim, no
Mercado do Ouro porque eram na grande maioria trabalhadores braçais.