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CAPOEIRAS: Plantando Abacaxi para colher banana

CAPOEIRAS: Plantando Abacaxi para colher banana

É preciso diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, até que num dado momento, a tua fala seja a tua prática. Paulo Freire A reflexão vale para todas as pessoas que desejam, no âmbito da capoeira, reconhecimento público de sua comunidade, pois o século XXI tem nos apresentado a armadilha do(a) capoeira “fake”, ou seja, aquilo que só parece ser, mas de fato não é absolutamente nada.

Neste sentido, propomos um diálogo sobre este tema nestas breves palavras. A capoeira, por ser uma arte iniciática, prima pelo conhecimento adquirido da experiência vivida, ou seja, o saber emerge de uma labuta cotidiana com o “fazer”, e deste “fazer”, criamos as condições para brotar, via reflexão, um dado conhecimento sobre aspectos da natureza humana, correlatos metaforicamente com as demandas sociais de cada tempo histórico.

O reconhecimento público na capoeira vem do transito de seus adeptos no toque dos instrumentos, no canto, no jogo, no trabalho pedagógico com a arte, no conhecimento filosófico da ritualística, dentre outros, portanto, não é possível avançar na arte sem a garantia destes aprendizados basilares. Atualmente, com relativa frequência, temos sido bombardeados por uma série de discussões de interesse social vinculadas a capoeira, e isso é muito interessante, contudo, o discurso engajado por si só não é suficiente para garantia de reconhecimento público dos(as) capoeiras, ou seja, não se deve confundir os conhecimentos específicos da capoeira com o exercício crítico da cidadania. Se você defende uma prática religiosa qualquer, isso é válido e oportuno para a capoeira, mas apenas esta defesa, alijada dos conhecimentos basilares da arte e do “fazer” cotidiano, não são suficientes para sua projeção e consequente reconhecimento no mundo da capoeira.

Se você defende a difusão do conhecimento pela escrita, isso é valido e oportuno para a capoeira, mas apenas esta defesa, alijada dos conhecimentos basilares da arte e do “fazer” cotidiano, não são suficientes para sua projeção e consequente reconhecimento no mundo da capoeira. Se você defende o conhecimento intelectual, isso é válido e oportuno para a capoeira, mas apenas esta defesa, alijada dos conhecimentos basilares da arte e do “fazer” cotidiano, não são suficientes para sua projeção e consequente reconhecimento no mundo da capoeira.

Se você defende o empoderamento feminino, isso é válido e oportuno para a capoeira, pois vivemos em uma sociedade desigual e a discussão de gênero carece de aprofundamento, mas apenas esta defesa, alijada dos conhecimentos basilares da arte e do “fazer” cotidiano, não são suficientes para sua projeção e consequente reconhecimento no mundo da capoeira. Se você defende um projeto político ideológico, isso é válido e oportuno para a capoeira, pois a politização de nossa comunidade é um importante exercício de cidadania, mas apenas esta defesa, alijada dos conhecimentos basilares da arte e do “fazer” cotidiano, não são suficientes para sua projeção e consequente reconhecimento no mundo da capoeira.

Se você defende o acesso à educação formal e possui títulos acadêmicos, isso é válido e oportuno para a capoeira, pois nos possibilita “abrir” novas portas e um diálogo com outros espaços sociais, mas apenas esta defesa, alijada dos conhecimentos basilares da arte e do “fazer” cotidiano, não são suficientes para sua projeção e consequente reconhecimento no mundo da capoeira.

Em suma, não plante abacaxi e espere colher banana, pois o reconhecimento da capoeira só chegará para aqueles que realmente possuem “serviços prestados a arte”, no toque dos instrumentos, no canto, no jogo, no trabalho pedagógico com novos aprendizes, no conhecimento filosófico da ritualística, dentre outros.

Desta forma, salvo melhor juízo, a maneira mais qualificada para exercício da cidadania a partir da capoeira, é entrelaçando as “bandeiras de lutas sociais” e o ativismo social a um berimbau bem tocado, a uma cantiga bem cantada, a um jogo cadenciado e referenciado nos antigos, a um conhecimento da ritualística, e acima de tudo, ao exercício constante do “fazer pedagógico” com seus discípulos em seu espaço de capoeira. Dedico esta reflexão em homenagem e gratidão ao Mestre Ferreira, meu amigo, meu mestre e minha inspiração.

 

Por: Mestre Jean Pangolin

Capoeira é “gatilho” para o empoderamento feminino

Capoeira é “gatilho” para o empoderamento feminino

 

A cultura popular, a arte e o esporte são ferramentas que permitem resgatar a essência do ser humano, despertando valores que fazem mudar olhares e, consequentemente, geram mais respeito, empatia e compaixão, segundo a educadora física jundiaiense Aline Longui, de 35 anos. Capoeirista há 21, ela usa a expressão cultural para realizar projetos sociais, incluindo um somente com mulheres na cidade, dentro da proposta de empoderamento feminino e fortalecimento de identidade cultural.

“São reflexões acerca do resgate da nossa essência perdida enquanto mulher, mãe e profissional, que muitas vezes segue padrões impostos pela sociedade sem ao menos saber se ela está feliz ou não. A mulher, dentro do contexto histórico de uma sociedade patriarcal, deixou de lado seus sonhos e sua vida. E através da arte ela encontra caminhos e possibilidades”, diz Aline, que acredita que o empoderamento feminino é a consciência coletiva, expressada por ações para fortalecer as mulheres.

A luta para combater o machismo que segue enraizado na sociedade, mesmo em tempos modernos, é diária. Segundo a capoeirista, ainda há muito para percorrer e muita coisa já foi conquistada pela luta de mulheres na história. “Sem a luta do passado não seria possível a continuidade do presente. Muita coisa mudou, mas muito há de se fazer, pois ainda há muita desigualdade, preconceito e exclusão”, acredita. “A capoeira é muito similar. É a resistência de um povo, luta de libertação, igualdade e resiliência. Quilombos são criados a cada momento. Temos uma história, ancestralidade e identidade”.

A esperança é de um futuro melhor. E para isso, a educação é fundamental, com investimento em políticas públicas e formação vinda de casa. “Esporte, lazer e cultura, possibilitam caminhos que trabalham valores, como o respeito. Por isso que o investimento em políticas públicas possibilita oportunidades. Para ensinar valores não existe idade, mas acredito que as crianças são nossa esperança para o futuro”.

Competição na Bahia

A capoeirista participou, no último final de semana, da fase final do Red Bull Paranauê – torneio que busca revelar os capoeiristas mais completos do mundo -, em Salvador, na Bahia. Ela representou o estado de São Paulo na primeira final de uma categoria exclusivamente feminina, ficando entre as oito melhores colocadas.

“Foi uma surpresa para mim e uma vitória, pois não tenho o costume de participar de campeonatos, mas como vi que era uma proposta diferenciada, procurando uma visibilidade histórica para a capoeira, que carrega uma bagagem cultural de resistência à opressão e valores que são construídos através de um povo que foi escravizado, trouxe momentos de reflexões e de aprendizados”, explica Aline.

Ela conta que, além da competição, participou de vivências com mestres renomados no mundo da capoeira, além de aulas sobre fundamentos dos toques, educação infantil na capoeira e afrobetização – empoderamento através de histórias de princesas e rainhas negras. “Foram dias de aprendizados, trocas e muita experiência até o momento da final. Então saímos todos com a sensação de campeões, pois vivemos uma experiência inesquecível”, afirma. “Como o Mestre Sabiá comentou, estamos em constante processo de construção”, completa Aline.

 

Fonte: FELIPE TOREZIM – FTOREZIM@JJ.COM.BR – http://www.jj.com.br/