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NA RODA COM A MULHER – Entrevista com Lilia Benvenuto Lima (Criança)

NA RODA COM A MULHER – Entrevista com Lilia Benvenuto Lima (Criança)
A cada dia que passa as mulheres estão conquistando mais espaço. Seja na roda da vida. Uma prova disso é Lilia Benvenuto Lima, conhecida no universo capoerístico como Criança. Seu primeiro contato com a Capoeira aconteceu aos 14 anos, em Niteroi, Rio de janeiro, local onde nasceu e crou-se. O som evovente do berimbau que vinha de uma Academia próxima a sua casa, cada vez mais a atraía e contagiava. Na primeira oportunidade que teve fez uma aula e daí em diante não parou mais.Hoje, aos 25 anos, Criança é corda azul (instrutora) do Grupo Muzenza e esposa do Mestre Burguês. Atualmente, desenvolve um trabalho com Capoeira em uma pré-escola, na Academia Muzenza e Personal Training.
 
Seus planos são de continuar trabalhando em prol da Capoeira para uma melhor organização.
 
Conheça um pouco mais sobre essa incrível personalidade na entrevista que a Revista Praticando Capoeira realizou:
 
P. Capoeira: Como você vê a mulher hoje na Capoeira?
A mulher procurou primeiramente a Capoeira pela sua beleza lúdica, da influência do musicalidade e o fascínio do movimentos. Hoje encontramos nessa nobre arte uma forma de nos expressar, aproveitando da riqueza dos movimentos para manter um tônus muscular alcançando uma beleza corporal maior próxima do ideal. A mulher também esta aproveitando a facilidade de educar através dos movimentos da capoeira, trabalhando em projetos infantis, deficientes visuais, deficientes auditivos e outros.
 
P. Capoeira: O que está faltando para melhorar a Capoeira feminina?
Organização da própria mulher em criar condições para se desenvolver como capoeirista. Tais como encontros femininos, debates, palestras, etc…
 
P. Capoeira: Como está a Capoeira femenina no Sul do país?
A mulher começa tomar o seu espaço dentro da Capoeira do Sul pela própia necessidade da vida social femenina, o pensamento voltado para que “todos somos iguais independente do sexo”. Sabemos que nesse esporte em especial, valeu-se por muito tempo “o machismo”, hoje já mais moderado pela conquista do espaço feminino.
 
P. Capoeira: Além de você, têm outras mulheres que se destacam no grupo Muzenza ?
O Grupo Muzenza sempre teve grande participação feminina. Hoje encontramos não só as brasileiras se destacando dentro do grupo. As “Gringas” como são chamadas as estrangeiras, començam a mostrar que são boas capoeristas.
 
P. Capoeira: O fato de ser esposa do Mestre Burguês influencia a sua Capoeira?
Tento não deixar influenciar na Capoeira a fato de eu ser esposa de um dos maiores Mestres de Capoeira (Mestre Burguês).
 
P. Capoeira: Fale um pouco sobre o Mestre Burguês.
Um Homen simples com personalidade forte, determinado que retribui o que a Capoeira lhe deu através do seu trabalho.
 
P. Capoeira: Qual o futuro da mulher na Capoeira?
O futuro da mulher na Capoeira eira é sem dúvida de igualdade, principalmente pela importância feminina em eventos, campeonatos… e abrindo ainda um novo campo que seria a aceitação da mulher como instrutora, professora e mestra de Capoeira.
 

82º Aniversário do Mestre Ananias

Mestre Ananias comemora 82 anos de vida junto à comunidade paulistana que respeitosamente o chama de “Pai”. Portanto, o mais antigo mestre da capoeira paulistana retribui o carinho e convida todos os seus “Filhos” para jogar capoeira e sambar ao som do seu berimbau.
 
Para que nossas tradições sejam preservadas o Centro de São Paulo foi escolhido para essa festa. 
 
Dia 16/12 a partir das 13hs. Galeria Espaço Metrópole: Praça Dom José Gaspar, 106 (próximo ao metrô República saída Sete de Abril).
 
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Outras Matérias relacionadas ao Mestre:
 
Para acompanhar a agenda do Mestre Ananias: www.uirapurubr.com.br
Rodrigo Bruno Lima
Uirapuru Assessoria Cultural
www.uirapurubr.com.br
 
Fotos: Zé Amaral

A história da capoeira em Sorocaba

Grande parte dos estudiosos da capoeira insiste na tese de que o estado de São Paulo só conheceu essa manifestação afro-brasileira a partir de meados do século XX, quando capoeiristas baianos como Mestre Ananias, Mestre Esdras Santos, Mestre Suassuna e outros fundaram seus grupos e academias na capital paulista.
{jgquote}“Menino preste atenção No que eu vou lhe dizer: O que eu faço brincando Você não faz nem zangado. Não seja vaidoso, nem despeitado. Na roda da capoeira, há, há Pastinha já ‘tá classificado.” (Ladainha de Angola do Mestre Pastinha){/jgquote}
À luz da análise de documentos e pela analogia dos fatos históricos essa afirmação parece insustentável. Primeiro, porque o número de escravos negros no estado de São Paulo sempre foi relevante. Segundo, é fato notório e conhecido que após a proibição do tráfico negreiro (que coincide com a expansão cafeeira) a mão-de-obra escrava da lavoura paulista será buscada na importação do escravo de outras regiões brasileiras em que o ciclo econômico esteja em decadência, como foi o caso da cultura açucareira do Nordeste e a exploração de minérios em Minas Gerais1. 
 
Sorocaba, embora não fosse atingida pela expansão cafeeira, antes possuía economia esdrúxula para a época, calcada no comércio de tropas. O número de escravos era relativamente grande, embora concentrados nas mãos de poucos proprietários2.
 
Não há como negar, portanto, a presença marcante do escravo negro na história de Sorocaba. Luiz Mott, pesquisando os arquivos da Torre do Tombo, encontrou mesmo documentos referentes à prisão do escravo João Mulato, em 1767, pelo Tribunal da Inquisição, que estava em visita Pastoral a Sorocaba. A prisão do escravo foi pelo motivo do mesmo portar uma “bolsa de mandinga” — um patuá. Esse amuleto é conhecido por sua fama em “fechar o corpo” de quem o carrega. Dessa forma protege-se de agressão física produzida por quaisquer instrumentos3.
 
Portanto, a presença da cultura africana e afro-brasileira no estado de São Paulo é antiga. Mas isso seria suficiente para autorizar, por analogia, a declaração de que em São Paulo já se tinha notícia da capoeira antes do século XX?
 
Certamente o argumento é frágil se não escorado por documentação inquestionável. E vamos encontrar tal documento nas Posturas Municipais da cidade de São Paulo, que, a requerimento do Presidente da Província, Cel. Rafael Tobias de Aguiar, sorocabano de escol, foi apresentado no dia 24 de janeiro de 1833 e aprovado pelo Conselho Geral em 1º de fevereiro do dito ano e publicado a 14 de março. Rezava parte da Postura que: “Toda pessoa que nas praças, ruas, casas públicas ou em qualquer outro lugar também público, praticar ou exercer o jogo denominado de capoeira ou qualquer outro gênero de luta, (…)4.”
 
Tem-se aí, claramente, a olhos vistos, que a capoeira em São Paulo não somente era conhecida como proibida pelo menos a partir do ano de 1833!
 
Cai por terra a teoria de que São Paulo conheceu capoeira somente no século XX. É preciso ter claro na mente como se desenvolveu a capoeira e separar em dois momentos históricos: o da informalidade e o da formalidade dessa prática. Primeiramente, devemos entender que a mesma apareceu entre os negros escravos de Angola e os primeiros registros dão conta de que se tenha desenvolvido entre os quilombolas de Pernambuco. Posteriormente, essa luta encontrou em todos os rincões do Brasil suas formas regionais: a capoeira Angola e a pernada no Rio de Janeiro, a punga no Maranhão, o bate-coxa em Alagoas, o cangapé ou cambapé no Ceará, a tiririca ou pernada em São Paulo, a capoeira de Angola (e posteriormente a Regional Baiana) na Bahia5.
 
O fluxo de escravos de uma região a outra, depois da proibição do tráfico negreiro, e atendendo as demandas econômicas de cada localidade, deram à capoeira possibilidade de eficazmente se difundir por várias partes do Brasil, sempre mantendo algumas características básicas, como o jogo de pernas, alguns golpes e a música como elemento rítmico e dissimulador da belicosidade. Essa forma de capoeira era informal, não se aprendia em academias (até porque desde 18906 estava proibida pelo Código Penal, pena que perdurou até 1937).
 
Com a fundação de academias de capoeira, em fins dos anos 30 e início dos 40, pelos Mestres Bimba e Pastinha, surgiu aí o modelo baiano de prática formal da capoeira. Antes, era brincadeira de rua, aprendida nos becos e nos quintais, escondida. A partir das primeiras academias muda-se o paradigma7. E essa capoeira formal, baiana, esse modelo de prática é que vai ser exportado para São Paulo a partir de fins da década de 1940 a início de 19508. Antes, a capoeira já era conhecida nesse estado.
 
Em março de 1892 houve um confronto entre os “morcegos” (praças da polícia fardada) e soldados do exército paulista que eram capoeiristas, ocasionando distúrbios na cidade de São Paulo9. Em 1923, para citar outro exemplo, o escritor Monteiro Lobato escreveu o conto O 22 da ‘Marajó’ em que denota a familiaridade com termos típicos da capoeira, afirmando mesmo que “Antes do futebol, só a capoeiragem conseguiu um cultozinho entre nós e isso mesmo só na ralé.” Mais adiante revela a intimidade com a gíria dos capoeiras: “— Só uma besta destas dá soltas sem negaça…”10.
 
O delegado de polícia de São Paulo e escritor, João Amoroso Netto, na biografia do célebre bandido Dioguinho11, publicada em 1949, afirma, comentando sobre fato ocorrido por volta de 1890, que “O delegado de polícia de Mato Grosso de Batatais12 estava furioso, porque os soldados haviam deixado fugir um preto capoeira que se metera numa briga.” Disso se depreende que a capoeira já era conhecida no estado de São Paulo no século XIX, e mesmo em 1949, ano da publicação referida, era manifestação conhecida, já que com naturalidade foi citada e nem mesmo houve necessidade de explicação em nota.
 
Em outro livro sobre o mesmo Dioguinho, encontramos referência a capoeira praticada na cidade de Botucatu, em meados do século XIX: “Dioguinho… Frequentava assiduamente as rodas de capoeira no largo da Igreja São Benedito, onde se tornou um exímio capoeirista, um dos melhores lutadores dessa luta-arte da cidade e região13.”
 
Com relação à cidade de Sorocaba, inúmeros documentos demonstram o conflito entre senhores e escravos, desmentindo a lenda de que nessa cidade os escravos eram pacíficos porque eram “bem tratados e quase todos domésticos”.
 
Em 1836, no dia 6 de abril, Salvador, escravo de Manoel Claudiano de Oliveira resistiu a voz de prisão do Comandante e dos praças da Patrulha, mesmo depois de desarmado da faca que carregava, tendo mesmo lutado com os soldados e disparado com arma de fogo contra os mesmos14. Em 1833, Francisco, escravo do alferes Bernardino Jozé de Barros respondeu a processo crime por desferir uma pancada em Manoel Antonio de Moura15. Em 1832, no dia 27 de ju nho, Bento, escravo do Padre Reverendo João Vaz de Almeida, agrediu, numa, luta Manuel José de Campos, ferindo-o com uma facada16. Em 1835 o escravo Salvador, de propriedade de José Joaquim de Almeida, foi ferido a espadada por Thomaz de Campos, depois do escravo cobrar uma dívida17. O fato ocorreu no dia 12 de agosto de 1835. Em 1875 o escravo Generoso desferiu um tiro alvejando e matando o seu senhor, Tenente Coronel Fernando Lopes de Sousa Freire18.
 
Escravos valentes, lutadores, fortes. As crônicas judiciárias da cidade de Sorocaba estão recheadas de informações a esse respeito19. Reporte-se ainda ao caso dos escravos Antônio, Roque e Amaro que foram enforcados depois de condenados pelo Júri de Sorocaba por terem matado o senhor, Joaquim Rodrigues da Silveira, no dia 14 de novembro de 1850. É interessante notar que dos depoimentos colhidos à época dos fatos, soube-se que Antônio era natural de Pernambuco, Vila de Catolé, e que Roque “viera vendido da Bahia”20. Não só reforça a afirmativa de que para cá vieram escravos vendidos do Nordeste, bem como os dois estados dos quais eram naturais os escravos são tradicionalmente terras em que se deu a gênese da capoeira!
 
Portanto, em que pese as diferenças regionais (Mestre Bimba mesmo nomeou o seu estilo como Capoeira Regional Baiana), não é impossível que elementos que conheciam a capoeira em seus estados natais tivessem sido vendidos para o sudeste e continuado aqui sua prática. Aliás, é mais que provável.
 
Entretanto, a fim de sairmos do campo das hipóteses e lançar para nossos pés fundamentos mais sólidos, recorremos a documentos ainda mais esclarecedores.
 
Em 26 de agosto de 1850 a Câmara Municipal de Sorocaba enviou ao Presidente da Província um ofício anexando a este o Código de Posturas Municipais de Sorocaba, com a finalidade de ser aprovado, o que de fato ocorreu no dia 7 de outubro de 1850. No Título 8º desse Código de Posturas, no artigo 151 está explícito: “Toda a pessoa que nas praças, ruas, casas públicas, ou em qualquer outro lugar tão bem público practicar ou exercer o jogo denominado de Capoeiras ou qualquer outro gênero de luta, sendo livre será preso por dous dias, e pagará dous mil reis de multa, e sendo captiva será preso, e entregue a seo senhor para o fazer castigar naquela com vinte cinco açoites e quando não faça sofrerá o escravo a mesma pena de dous dias de prisão e dous mil réis de multa 21.”
 
Nem se diga que o Código de Posturas era genérico e uma “cópia” de outros códigos similares, não refletindo a realidade local. Tal afirmativa é insustentável à luz do teor do ofício da Câmara Municipal de Sorocaba que encaminhou ao Presidente da Província o referido Código de Posturas. No texto da carta os edis sorocabanos salientam que “Porquanto, sem que nem de leve se presuma que a Câmara actual pretenda censurar suas predecessoras, preciso é confessar pela incidência dos factos, que este ramo do serviço Público se acha neste Município em perfeito atraso. V. Exa. não ignora que quando a Lei de 1º de outubro de 1828 deixou as Câmaras Municipaes o direito de propor suas Posturas os objectos do Tº 3º e conheceo a dificuldade de legislar na Polícia Administrativa para casos tão especiaes, para localidades tão disseminadas, tão distintas em usos, em costumes, e em diverças outras circunstancias, que podião fazer com que uma medida salutar para um Município não só não fosse aplicável a outro seo vizinho, como atte fosse lhe prejudicial. Esta disposição, Exmo. Sr., que esta Câmara julga a mais bella parte da Lei mencionada tem sido pouco attendida pelas Câmaras Municipaes, donde restta que vários casos que podem ser prevenidos pelas Posturas, força é confessar que o Município de Sorocaba já gabava dalgumas Posturas optimamentes adequadas as suas necessidades, porem dentre estas muitas havião, que já se tornarão inúteis pelo desaparecimento dos casos aqui e não aplicados, e outras erão sofismadas pelos interessados, seguindo diverças intelligencias a que prestavão, acorrendo actos inconvenientes o nenhum nexo que tinhão essas Posturas entre si, porque mais erão feitas d’ordinário depois que apparecia o facto, que convinha de antes processar attentar a tais circunstancias esta Câmara logo em comissão de seus trabalhos tratou de confeccionar um Código de Posturas dividido por sessoins, títulos, e artigos, segundo lhe foi permittido pela Assembléia Legislativa Provincial em 1837, comprehendendo em cada uma dellas a matéria que lhe parecia própria, ficando dest’arte não só mais sistemático o corpo das Posturas, como mesmo mais justados aos que ella precisavam recorrer. Este código de Posturas é o que esta Câmara tem a honra de endereçar a V. Exa., pedindo a sua aprovação provisória atte que a Assembléia Provincial approve deffinitivamente, para onde V. Exa. designará enviada em tempo competente.”22
 
Está assim definitivamente provado que a capoeira existia, era conhecida e combatida na cidade de Sorocaba no mínimo a partir de 1850. E era fato que merecia atenção das autoridades locais. O Código de Posturas de 1850 era o mais adequado e atual para aquela época e para a cidade. Já no início do século XX vamos encontrar notícias sobre capoeiristas que praticavam a brincadeira na informalidade. Segundo testemunho da senhora Thereza Henriqueta Marciano, 71 anos, nascida em Tietê e residente em Sorocaba desde 1934, seu pai, o senhor João André era praticante dessa arte, a qual aprendeu com seu pai, José André, na fazenda Parazinho em Tietê. Da época em que viveu em Sorocaba, a partir de 1934, João André sempre brincou de capoeira e de maculelê (dança de paus, como disse dona Thereza)23. João André era negro e nasceu em 1889. Além da capoeira e do maculelê, conhecia o tambú, ou samba caipira. Faleceu em Sorocaba em 1965, aos 74 anos de idade.
 
Josias Alves, conhecido por Chiu, foi outro capoeirista que, nascido na Fazenda Lulia em Maristela, passou a residir em Sorocaba a partir de 1958. Alega que brincava capoeira na fazenda e em Sorocaba, juntamente com um grupo de negros capoeiras, no clube 28 de Setembro, entre os anos de 1958 a meados de 1960. As brincadeiras eram acompanhadas por um berimbau e um pandeiro. Chiu informou que a capoeira era reprimida pela polícia, mesmo em 1958 (anos depois de ser tirada do Código Penal). Não era perseguição a capoeira em si, mas a qualquer reunião festiva de negros, segundo sua concepção. Aliás, os rituais afro-brasileiros também eram vistos com muitas reservas, conforme seu depoimento24.
 
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Revista Praticando Capoeira Edição Especial – CD Carolina Soares

A Revista Praticando Capoeira acaba de lançar uma edição especial com um CD da Cantora Carolina Soares. A revista pode ser encontrada nas principais bancas  de Jornais da grande São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Santos e Ribeirão Preto. Além do CD de pout-pourri de Capoeira, vocês vão curtir uma super Revista Pôster onde poderão conhecer um pouco mais sobre a história e o trabalho da Cantora Carolina Soares em uma entrevista exclusiva.
 
        Com uma voz afinadíssima e grande sensibilidade artística, Carolina Soares vem ganhando cada vez mais espaço no coração dos Brasileiros e estrangeiros.
 
        Maiores informações pelos sítios www.carolinasoares.com.br e www.editoradt.com.br
 
 
Miltinho Astronauta
Jornal do Capoeira – http://www.capoeira.jex.com.br/
jornaldocapoeira@yahoo.com.br

Revista Praticando Capoeira número 34

A Revista Praticando Capoeira NÚMERO 34, ANO III já está nas bancas. Esta edição traz para os leitores as seguintes matérias:
ARTIGOS E ENTREVISTAS:
   – Entrevista com Mestre Pinatti;
   – Mestre Cabo JAI e a Capoeira no Vale Tudo
   – Mestre Acordeon, há mais de 40 anos difundindo a Capoeira Regional
   – Manuel Raimundo Querino – O Sábio do Povo (por M. Tonho Matéria)
   – O Berimbau Regional (por M. Cafuné)
   – Entrevista com a contramestra MARA, do Grupo Herança Cultural
   – XII Batizado e VI Encontro Internacional do Grupo Topázio
   – Brasil Internacional Capoeira Muzenza
   – A Capoeira e o Jogo da História (por M. Luiz Renato)
   – Augusto Mário Ferreira, um Mestre Jornalista (por Miltinho Astronauta)
   – Lembrando Seu Bimba (por M. Acordeon)
ACONTECEU:
   – Festival Internacional de Capoeira, Brasilia/DF
   – Dez anos do Grupo Topázio em Itabuna/BA
   – VII Encontro Nacional de Capoeira e I Copa Aberta – Herança Cultural
   – IV Encontro Mangangá de Capoeira, Salvador/BA
   – XVI Batizado do Grupo Caravelianos
   – Encontro de Capoeira do Grupo Força das Raças
   – V Encontro do Centro Cultural Sucena, Maringa/PR
   – XI FACA – SP
   – Apresentação de Capoeira no Ministério da Cultural – M.Onça (Beribazu) entrega berimbau ao Ministro Gilberto Gil (foto)
   – II Encontro Intermunicipal de Capoeira Muzenza, Concórdia/PA
   – I Encontro Baiano de Capoeira, Vitória da Conquista/BA
   – Paranauê – Capoeira na Itália
LANÇAMENTOS:
   – Livro Capoeiragem, Expressões da Roda Livre (M.Russo)
   – CD Roots of Bahia – Mestre Val Bpa Morte
   – CD Mestre Roxinho Capoeira Angola

 

Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br
Edição 63 – de 05 a 11/Mar de 2006

Entrevista com Mestre Bigodinho

Mestre Condena Política na Capoeira
 
Entrevista com Mestre Bigodinho, Angoleiro da Bahia, no Dia da Independência da Bahia (2 Julho de 2004)
 
Benedito dos Santos (Bené)
João Pessoa-PB
Fev – 2005
 
Falar em cultura popular da Bahia é falar da própria Bahia. Em recente viagem realizada a Salvador, até como intuito de elaborar material para o curso de especialização em jornalismo cultural, pude observar vários aspectos de se ver a cultura popular baiana.
 
A entrevista se deu na Capital da Capoeira Angola, no dia 2 de julho de 2004, dia da Independência da Bahia.
 
Há cultura popular produzida para turista, onde estão presentes os traços da indústria cultural; já para o povo baiano, o que vale é a alegria, e nesse contexto as roupagens se misturam. 
 
Cultura popular mesmo, aquela feita pelas mãos sedentas de seus cultuadores, a autentica, é deixada de lado. Porquê?. Acredito que prevalece a teoria do ultrapassado, e do "sem valor cultural". No contexto geral da entrevista feita com Reinaldo Santana, internacionalmente conhecido como Mestre Bigodinho, pudemos observar que esta nossa visão reflete-se nas palavras do mestre.
 
Partindo da inferência da Industria Cultural, perguntei ao mestre a importância  da capoeira no desfile do dia da independência da Bahia. [….] Depois de alguns segundos pensativo,  o mestre, com seu saber popular, comenta:
 
"o dia dois de julho é mais velho que a capoeira, a capoeira nunca acompanhou o dia da independência. Acontece que agora é  lazer, um esporte, um samba. A capoeira agora é tudo. Por isso,  ela foi incorporada ao dois de julho, porque antes não tinha não!. Agora, particularmente, a capoeira não é mais capoeira. A capoeira está mais que capoeira. É política!.É política!." – frisou o mestre  Bigodinho. Continuando seu pensamento, o mestre diz mais. "porque você vê,  se tiver um capoeira e não tiver um político no meio não é capoeira!".
 
Na visão do mestre Bigodinho, praticante que passou por várias gerações de mestres, existe poucas esperanças de uma capoeira voltada para a sua realidade, isto visto pelo próprio Estado da Bahia, berço da historia da Capoeira.
 
"Eu não estou dizendo que a capoeira é só política, o que eu estou dizendo é o que estou vendo dentro. No meu tempo não tinha "política", nem no tempo dos meus mestres… digo meus mestres, porque meus mestres são Mestres Waldemar,  Traíra e Zacarias… esse pessoal mais antigo. E hoje em dia, a capoeira é uma beleza! (…) naquele tempo a capoeira que eu via na rua (…) naquele tempo de 1960 em diante, só via mestre Waldemar, depois foi crescendo, eu também.  Fui chegando, os mestres morreram e  ficou pra gente, agora  cada qual que jogue como sabe, como puder, porque a capoeira é uma traição, a pessoa que sabe jogar capoeira, nunca tira os olhos de cima do adversário, e a pessoa que brinca capoeira hoje em dia, tem que saber entrar e sair.."
JCap – Mestre, "essa abertura" pela sociedade, ela é real e tem um aproveitamento pela juventude?
 
M. Bigodinho – A capoeira hoje em dia não pode se afirmar. Sabe por quê? Porque tem lobo engolindo lobo, e nunca engole o lobo certo. Agora, no meu tempo, a capoeira não prestava, no meu tempo não. No meu tempo, no tempo do meu mestre, não jogava homem, com menino e nem mulher. Hoje em dia mulher joga, menino joga. Joga quem puder, salve-se quem puder, agora tudo é bom… E por que os mestres de capoeira de hoje em dia não se unem para fazer assim? Pelo menos, né, dizer assim: "olha mestre, o senhor vai dar ali  uma aula aos meus meninos"… Uma aula de que? De canto! Aula de que? De  pandeiro! Aula de que?! De cantoria! Tudo bem, você pode ir, chega lá (…) o que meu mestre fazia comigo eu não posso fazer com os alunos deles, por que eles (os alunos) querem me bater, então, eu não vou designar funções não. Eu digo a você, a capoeira tá crescendo, más tá se desvalorizando, porque não tem uma pessoa que conheça e tome a frente prá dizer é isso e é isso! e vai até o fim. Porque naquele tempo, quando se falava na palavra "Mestre" os alunos respeitavam, brincavam, tudo legal, tudo mais…
 
Continuando seu raciocínio, o mestre Bigodinho relata. "Hoje em dia tem mestre, contra-mestre, trenel, ave  Maria!…que eu nunca tinha visto isto. Instrutor,  professor. E interessante! Vem perguntar a mim, que não sei de nada?", interroga o mestre!
 
JCap – Mestre Bigodinho, qual a capoeira ideal nos dias de hoje na sua concepção?
 
M. Bigodinho – "A capoeira de hoje em dia, não é como a capoeira de antigamente, porque no meu tempo, enquanto mais dos meus mestres, a capoeira era jogada, hoje em dia, a capoeira é pulada, dou uma pernada pra cima, escalou uma perna, já é capoeira e no meu tempo, seu mestre (…) hoje eles nem sabem o que é uma chamada", sentencia o mestre. Continuando seu pensamento arremata: – "tinha que vir fechado, se viesse aberto apanhava, porque hoje em dia, quando você faz uma chamada, o cara dá um pulo, dá dois pulos, três pulos, outro pulo, depois vêm, tá errado " a chamada na capoeira é pra descanso, lhe chamou, você tem que atender, não é fazer mais do que está se fazendo", – finalizou o mestre Bigodinho.
 
Na foto. Mestre Dinelson, Mestre Bigodinho & Bené
 
Bené é pesquisador de Cultura Popular da Paraíba, e integrante do Grupo Zumbi de Cultura Popular
 
Autor: Benedito dos Santos (Bené)

Entrevista do Mestre Canjiquinha, ao Bayer Notícias

Parte da entrevista do Mestre Canjiquinha, ao Bayer Notícias em maio de 1994
 
B.N. – Qual a emoção de ser Mestre de Capoeira?
 
M. Canjiquinha – É passar a cultura brasileira aos jovens de hoje, pois a tradiçã não pode morrer.
 
B.N. – Por que o apelido Canjiquinha?
 
M. Canjiquinha – Porque eu gostava de cantar a música Canjiquinha Quente, um dos sucessos da cantora Carmem Miranda.
 
B.N. – Qual o orgulho de ser capoeirista?
 
M. Canjiquinha – É saber que por minhas mãos passaram grandes capoeiristas, alguns hoje são Mestres.
 
B.N. – Uma mensagem para os jovens?
 
M. Canjiquinha – Que os jovens sigam o caminho certo, para que amanhã sejam homens de bem e não envergonhem nem seus pais tão pouco o Brasil.
 

Entrevista Contra Mestre Janja

Contra Mestre Janja,
Grupo Nzinga de Capoeira Angola.
 
“A gente precisava contrariar essa lógica (que via a capoeira como esporte ou folclore). Isso foi feito através desse princípio: situar a capoeira dentro do legado da cultura dos povos bantos no Brasil. A partir daí, nos dedicamos a essa dupla militância: dar visibilidade ao pensamento e resistência do Mestre Pastinha e denunciar a hegemonia iorubá.”
Janja iniciou-se no Grupo de Capoeira Angola Pelourinho (GCAP) a princípios da década de 1980. Herdeiro de Mestre Pastinha, o GCAP funcionou como o principal elementro revigorador desta arte banto, em um momento em que a capoeira começava a homogenizar-se e perder suas africanidades. No GCAP, Janja fez-se Contra Mestre. Hoje ela é presidenta do Instituto Nzinga de Estudos da Capoeira Angola e de Tradições Educativas Banto no Brasil (INCAB) e também mestra em educação pela USP, onde atualmente realiza seu doutorado.
 
 
"Se você pensar a geração de Mestre João Grande, de Mestre João Pequeno, de Mestre Curió, eles não tiveram acesso às formas oficiais de educação, e nosso país não tem uma tradição sobre a importância destes memoriais vivos, não o valorizou ao ponto dele permanecer no Brasil, ele (Mestre João Grande) tá nos EUA e hoje vive uma outra realidade, inclusive do ponto de vista da auto-estima, da dignidade dele. A diferença da minha geração de capoeira é que nós, não tínhamos acesso, poderíamos ter acesso: quando começamos no GCAP, eu e Paulinha éramos as duas únicas que estávamos na universidade e éramos as mulheres chegando e o grupo percebeu um diferencial: a presença da mulher falando e atuando enquanto capoeirista. E quando nós iniciamos a “cruzada contra a ignorância”, tínhamos a compreensão que muito da juventude, falo especificamente do povo negro, porque era essa a parcela com a qual nós trabalhávamos na Bahia."
 
 
 
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Luta Regional Bahiana do Mestre Bimba

A Verdadeira história da criação da Luta Regional Bahiana do Mestre Bimba:

Por: Esdras Magalhães dos Santos – Mestre Damião

Tenho comparecido a algumas exibições e encontros de Capoeira e, em contato com alguns capoeiristas, sempre ouço um comentário de que a Luta Regional do Mestre Bimba teve a sua origem influenciada pelo método do antigo e ilustre capoeirista do Rio de Janeiro ANNIBAL BURLAMAQUI (ZUMA).

Intrigado com a referida informação, passei a investigá-la incessantemente. Por sorte, chegou-me às mãos a Revista MUNDO CAPOEIRA Nº. 1, ANO I, maio de 1999. Nela, como se pode verificar no ANEXO 1 ao presente trabalho, encontra-se uma entrevista atribuída ao Professor Sérgio Luiz de Souza Vieira, Presidente da Confederação Brasileira de Capoeira, sob o título “NEM SÓ DE BIMBA É A REGIONAL”.

No texto da referida entrevista estão contidas inverdades e considerações absurdas que desejo refutar, na qualidade de antigo aluno do Mestre Bimba, na década de 1940 (46, 47 e 48), tendo com ele convivido bem de perto e como tal me familiarizado com a estória e história da criação de sua Luta Regional.

Assim sendo, irei comentar as referidas invencionices assacadas contra a memória de MANOEL DOS REIS MACHADO (Mestre Bimba), na ordem em que se segue: ……….

Para baixar e ler esta publicação em sua íntegra clique aqui.

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