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Evento reúne mestres de capoeira em Groaíras

Participantes de todo o País estão em Groaíras para enaltecer uma dança presente no Brasil desde a época colonial

Groaíras Neste fim de semana, o Grupo Cordão de Ouro de Capoeira de Groaíras comemora 14 anos com o 3º Mandinga na Ribeira, que traz mestres de todo o País. O evento está ocorrendo no Galpão dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais até amanhã e é aberto ao público. O projeto conta com apoio do Governo Federal e Coelce.

Dentre os presentes, estarão os mestres Suassana, de São Paulo, e Cobra Mansa, de Salvador, dentre outros nomes de destaque da Capoeira Nacional. Iniciado em abril, o evento está tendo se encerramento, tendo um público de mais de quatro mil pessoas nesta edição, de acordo com a organização do evento.

O coordenador do projeto, José Jones Rufino Cruz, mais conhecido como Pretinho Jones, explica que foi um dos fundadores do Grupo Cordão de Ouro de Groaíras, em 1998, e que hoje já conta com mais de 50 praticantes somente na sede do Município. “Os praticantes vão desde crianças de 6 anos até idosos”.

Ele diz que esse grupo da terceira idade é um grupo especial, com atividades desenvolvidas especialmente para esse objetivo. “É uma terapia ocupacional com idosos, com atividades bem mais leves e voltadas para eles”.

Segundo Jones, o sucesso da capoeira se dá devido à peculiaridade do jogo, que mistura dança e luta. “Essa é a sedução inicial da modalidade. Quem joga capoeira às vezes dança, às vezes luta. A ocasião faz a definição. Além disso, está presente no País desde a época do Brasil Colonial, contando a história”.

Durante os meses de evento, a organização afirma que a receptividade foi intensa, principalmente por parte das famílias de crianças e adolescentes. Jones diz que os benefícios são reconhecidos por todos. “Não é preciso muito preparo físico e a prática beneficia a autoestima, senso de respeito e ao lidar com os instrumentos musicais facilita-se a coordenação motora fina, trazendo benefícios na escrita, leitura e percepção”, enumera.

O estudante Marcos Alves esteve em umas das rodas de capoeira que ocorreu dentro do evento. Segundo ele, apenas para observar. “É interessante, principalmente, para a manutenção da cultura local. Eles têm uma filosofia que trabalha valores como o respeito tanto a si mesmo quanto ao próximo”, disse.

 

Além desses pontos, Jones destaca também que não há aumento na agressividade. “Muito pelo contrário, todos os praticantes acabam aprendendo mais sobre controle e humildade, pois a primeira ´rasteira´ que ele deve dar é em si mesmo”.

O comerciante Isaac Bento endossa a afirmação, dizendo que sua vida era diferente na época da capoeira. “Quando era mais novo, pratiquei muito, era uma pessoa mais calma e saudável, devido aos benefícios que o exercício traz consigo. Hoje sinto falta, mas não tenho mais tempo. Sempre procuro ver os meninos jogando capoeira em Sobral e fico contente em saber que há um incentivo desses tão perto daqui”, finaliza.

Conforme a coordenação, as outras edições do evento, em 2008 e 2010, contaram com um total de participantes de 500 pessoas e público estimado de mais de 10 mil. Dentre as atividades, oficinas de capoeira e danças folclóricas, palestras e seminários e apresentações culturais em espaços públicos da cidade.

O projeto também buscou abrir espaços para questionamentos de cunho social, como a preservação do meio ambiente e manutenção de culturas afro-indígenas da região.

 

Mais informações

 

Grupo de Capoeira Cordão de Ouro de Groairas

Rua Fco. Ximenes Melo, 85

Bairro José Cassiano, Groaíras

(88) 8814.9756

A capoeira desde o descobrimento do Brasil – A Origem da Capoeira

A CAPOEIRA DESDE O DESCOBRIMENTO DO BRASIL: A CAPOEIRA sem sombras de dúvidas é uma arte genuinamente brasileira, ou seja, uma arte criada no Brasil.

Embora seja uma arte riquíssima que existe nela, música, dança, luta, artezanato, composição, poesia, literatura, história, filosofia de vida e muito mais valores, tem a sua origem despersa, onde estudiosos no assunto buscam respostas para essa questão, A ORIGEM DA CAPOEIRA.

Em várias revistas, livros, sites de grupos de capoeira, podemos observar um texto de autoria desconhecida que diz o seguinte:

“A discussão é interminável: pesquisadores, folcloristas, historiadores e africanistas ainda buscam resposta para seguinte questão: a Capoeira é uma invenção africana ou brasileira? Teria sido uma invenção do escravo com fome de liberdade? Ou uma invenção do indígena?

As opiniões tendem para o lado brasileiro e aquí vão alguns exemplos: no livro A Arte da Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil, do Padre José de Anchieta, editado em 1595, há uma citação de que “os índios tupi-guarani devertiam-se jogando Capoeira”. Guilherme de Almeida no livro Música no Brasil, suatenta serem indígenas as raízes da Capoeira. O navegador português Martim Afonso de Souza observou tribos jogando Capoeira. Como se não bastasse, a palavra Capoeira (Caá-Puera) é um vocábulo tupi-guarani que significa “mato ralo” ou “mato que foi cortado”…”

Fui a campo para pesquisar as referências do texto, e tive acesso a obra original do Jesuita, o livro A ARTE DA GRAMÁTICA DA LÍNGUA MAIS USADA NA COSTA DO BRASIL, editado em 1595, desta primeira edição, impressa em Coimbra por Antonio de Mariz, são conhecidos doze exemplares, lí o livro umas quarenta veses, trata-se de um livro escrito em um portugues muito antigo, além de várias citações em Latim, tem apenas 60 páginas, e trata-se de um livro espécie de dicionário traduzindo e ensinando a língua Tupi guarani, que na época do descobrimento era um dialeto falado pela maioria dos povos indígenas, só que a citação que índios divertiam-se jogando capoeira não existe, algo que me espantou, por eu ser um defensor de que a capoeira seja dos índios brasileiros, e sempre ter usado tal referência em debates sobre a origem. Procurei então pesquisar o navegador Martim Afonso de Souza que também é citado no texto, e descobri que todos os detalhes sobre a primeira expedição colonizadora, fora relatado pelo irmão do navegador e não por Martim Afonso de Souza, e os relatos encontram-se no diário de bordo de Pero Lopez, onde algumas veses é relatado o contato com os índios, mas em nenhum momento ele relata sobre tribos jogarem Capoeira, mas uma vez fiquei espantado pelo que não achei, e então fui até a casa Guilherme de Almeida no bairro de Sumaré em São Paulo/SP para pesquisar o livro Músicas no Brasil, e fui informado que não existe nenhuma obra do autor com esse tema, por fim uma coisa é certa sobre o texto acima, a palavra CAPOEIRA, é sim de origem Tupi guarani, mas preciso descobrir agora além da Origem da CAPOEIRA, o autor de tal texto que usou tais inexistentes referência, como sou um jóvem historiador com apenas 18 anos de pesquisas sobre a origem da capoeira, venho através deste artigo, esclarecer esses fatos citados, e ainda dizer que vestígios indígenas sobre a origem da capoeira, encontrei muitos, mas nenhum com certeza absoluta, e de certeza absoluta, apenas minha opinião de que a capoeira já existia no Brasil na época do descobrimento, essa opinião, é pelo fato de que além de historiador, sou também capoeirista, e quando pesquiso livros antigos, artigos, cartas, tudo que possam me levar a alguma pista, observo com olhar técnico de conhecedor da arte Capoeira, onde encontrei inclusive, no que se diz a certidão de nascimento do Brasil, ou seja, a Carta do escrivão Pero Vaz de Caminha, alguns indícios relatado por ele, que para mim possa ser Capoeira.

Não posso deixar de citar, que houve no Brasil, mais de 200 anos de escravidão indígena, e abolida inicialmente pelo Marques de Pombal, mas no início da colonização do Brasil, os colonos portugueses escravizaram os índios, e de 1556 a 1567, ocorre a primeira grande guerra em terras brasileiras, conhecida na história por CONFEDERAÇÃO DOS TAMOIOS, onde a maioria dos Tupinambás, que foram os primeiros índios a serem escravos no Brasil, são dizimados quase que no total, e os poucos índios sobreviventes da guerra foram feitos escravos, e é nessa época que inicia-se a diáspora africana para o Brasil, pois os portugueses achavam que os negros eram mais dóceis para lidar do que os indígenas, e índios e negros são colocados juntos nas senzalas.

Em livros históricos sobre A CONFEDERAÇÃO DOS TAMOIOS, também encontrei vestígios sobre a presença da capoeira, e novamente olhando com olhares técnicos, nota-se isso no livro Duas viagens ao Brasil, escrito por Hanz staden, publicado orinalmente em 1557, Hanz Stadem foi um alemão que ficou refém dos Tupinambás por quase dois anos. este livro conheceu sucessivas edições onde existem descrições de costumes exóticos e rituais antropofágicos.

Por outro lado e lógica quando afirmo que a CAPOEIRA SEJA UMA ARTE GENUINAMENTE BRASILERIA E QUE JÁ EXISTIA NO BRASIL NA ÉPOCA DO DESCOBRIMENTO, a começar é pela própria palavra que é de origem indígena, pois se fosse oriunda da Africa ou de misturas de artes africanas, a lógica é que a CAPOEIRA teria também um nome africano, coisa que não ocorre, outro aspecto muito lógico também, é que as etnias de negros trazidas para o Brasil para serm escravos, também foram levados para vários outros países para também serem escravos, e a capoeira nunca veio a se manifestar em algum outro lugar a não ser no Brasil, além de que nunca existiu CAPOEIRA na Africa, a não ser atualmente que existe, devido a brasileiros terem levados a CAPOEIRA para lá.

Algumas outras lógicas interessantes: Queixada, que é um golpe de capoeira, tem seu nome originado também do Tupi guarani, e significa aquele que corta, bem típico do movimento, IÊ, que é uma palavra muito usada em rodas de capoeira como um alerta, também é uma palavra oriunda do Tupi Guarani, e seu sigificado é o mesmo das rodas de capoeira, significa: Olhe, veja, preste atenção, interessante isso, e além todas estas lógicas, pessoas ainda buscam a origem do berimbau, que é o instrumento principal das rodas de capoeira, onde sua aparição em rodas também não sabe-se ao certo, e muitas teorias surgem sobre a semelhança com o URUCUNGO que é um instrumento africano, mas tocado parecidamente como se toca um violino, então o violino teria que ser oriundo do urucungo e não o berimbau, pois berimbau sempre foi berimbau e nunca derivou de nenhum outro instrumento, e berimbau também é uma palavra Tupi guarani, que significa do morro furado.

Embora as lógicas são tantas, infelizmente ainda ensistem brasileiros com falta de conhecimento e patriotismo, que preferem falar que a nossa rica CAPOEIRA seja oriunda de transformações de culturas vindas da africa.

 

Douglas Tessuto (PROFESSOR PELICANO, Historiador da arte CAPOEIRA)

 

Agradecimentos ao Mestre Wellington pela oportunidade de expôr este assunto tão polêmico que é a origem da CAPOEIRA.

 

Fonte: http://www.rabodearraia.com/capoeira/blog

Nota de Falecimento: Mestre Diogo da Jaqueira do Carneiro

Mestre Diogo da Jaqueira, nasceu em 14 de Fevereiro de 1934 e iniciou-se na capoeira por volta do ano 1945 com Mestre Espinho Remoso (Elísio Maxiniano Ferreira), no próprio Bairro da Jaqueira do Carneiro, Salvador-Bahia.

Mestre Espinho Remoso havia adoptado Diogo como filho de criação e iniciou-o na arte da capoeira numa época em que a capoeira era praticada em dias santos e feriados.

 

O  sepultamento aconteceu:

dia 20 de julho de 2011, Quarta Feira às 16:30h

Local: Cemitério da Baixa de Quintas

Nota de Falecimento: Mestre Artur Emidio

A CAPOEIRA DO RIO DE JANEIRO PERDEU SUA MAIOR PERSONALIDADE

Nome: Artur Emídio de Oliveira

Data de Nascimento: 31/03/1930 + 02/05/2011

Cidade: Itabuna (BA) – Brasil

Naturalidade: Brasileiro

Grupo de Capoeira: Escola de Capoeira Artur Emídio

Gráu: Cordel Branco (Grã Mestre)

Tempo de Capoeira: 69 anos

Artur Emídio de Oliveira nasceu em Itabuna, sul da Bahia, em 31 de março de 1930.


Morava com os pais, fazendeiros, numa casa modesta da então “Rua Direita”, no bairro do Pontalzinho.

Começou a praticar a Capoeira quando tinha apenas sete anos, com Mestre Paizinho, Teodoro Ramos, discípulo do Mestre Neném, de origem africana.

Paizinho às seis horas da manhã ia diariamente acordá-lo para treinar. O Mestre conta sobre essa época: “a prática da Capoeira era proibida. Treinava-se no alto dos morros, nas vielas, à noite e sempre escondido. Muitas foram as vezes que o meu Mestre foi preso. Mas no dia seguinte a fiança era paga, e ele saía. E, de noite, voltava a ensinar Capoeira, praticada por amor! É … naquele tempo era assim: bastava gingar. Gingou ia preso! Mas já a praticavam comerciantes, estudantes, universitários, gente pobre e gente rica!”

Quando completou 15 anos de idade seu mestre faleceu.

Mestre Paizinho foi uma figura misterioza sobre a qual se criaram diversas histórias, inclusive sobre sua morte. Segundo Artur Emídio, ele morreu de “morte morrida”, atacado por meningite, mas até hoje há quem se refira à sua morte “heróica”. Há quem conte, que nas noites enluaradas de Itabuna e Ilhéus, que ele tentou voar do alto de um coqueiro utilizando folhas de palmeiras como asas, como fez Ícaro na Grécia Antiga. A experiência terminou na sua queda e morte.

Ainda adolescente, Artur Emídio deliciava platéias de circos e parques de diversões de Itabuna com programas de “luta livre”, que se constituíam em demonstrações de habilidade nas artes marciais ainda pouca conhecidas e, principalmente, na arte da Capoeira.

Com 23 anos (1953) sai de Itabuna para São Paulo, a fim de lutar contra Edgar Duro, lutador de Luta Livre. E sagra-se vencedor!

Em 1954 vai ao Rio de Janeiro para lutar contra Hélio Gracie, lutador de Jiu-Jitsu. E o empate é o resultado da luta!

O Mestre Artur Emídio é o precursor da Capoeira do Rio de Janeiro.

Em 1955 se mudou para o Rio de Janeiro com sua família, naquela época segundo Mestre Artur a única capoeira que existia no Rio de Janeiro era do Mestre Sinhozinho, uma capoeira que não existia ritmo, não tinha berimbau, pandeiro, atabaque, somente tinha luta. Mestre Artur Emídio conta: “Na academia de Sinhozinho o que rolava era pancadaria e esse não era meu tipo de ensinar a capoeira”.

Nesta época Sinhozinho e Artur foram convidados para fazer uma apresentação de capoeira no exército, os alunos de Sinhozinho entraram de sunga metendo soco um na cara do outro, um coisa horrivél longe das raízes da capoeira, já os alunos de Artur jogaram capoeira, foi um sucesso.

Nos ringues, enfrentou lutadores de primeira linha, como Rudolf HermanyRobson GracieCarlos Coutinho (da Bahia), Carbono (do Rio) e Edgar Duro (de São Paulo). Enfrentou, com sucesso, alguns alunos do Mestre Bimba que cruzaram seu caminho.

Seu primeiro aluno foi Djalma Bandeira, companheiro de viagens ao exterior, com quem o Mestre se aprimorava na Capoeira. Foi um dos pioneiros na difusão internacional da Capoeira, realizada através de viagens a cerca de 20 países. Exibiu-se, também, para o ex-Presidente Getúlio Vargas, em Salvador: “… quando os berimbaus pararam, o ex-Presidente levantou-se e veio cumprimentar-me: ‘parabéns rapaz. Esse é um esporte verdadeiramente brasileiro! E você sabe praticá-lo!’, foi o que me disse então o ex-Presidente.”

Foi um dos pioneiros na difusão internacional da Capoeira, realizada através de viagens a cerca de 20 países.

Artur Emídio formou muitos alunos entre eles os mestres: Celso (Engenho da Rainha)Mendonça (criador dos cordéis)Paulo Gomes (falecido, fundador da ABRACAP)Vilela.

Uma artrose no joelho esquerdo o impossibilita de continuar jogando e ensinando Capoeira.

Continua, porém, em permanente contato com o Mundo da Capoeira e profere palestras sobre a Capoeira, seus fundamentos e sua História: “Mestre Bimba e Mestre Pastinha já morreram, mas eu não, quando eu puder voltarei a dar aula, tenho muita coisa para ensinar que nunca vi ninguém fazer.”


fonte: http://www.capoeiraroma.it/

Os Velhos Mestres da Vadiação Baiana

VIEIRA, Luiz Renato. Os velhos mestres da vadiação baiana. Revista Capoeira, n. 7, 1999

Neste texto, pretendemos abordar alguns aspectos da capoeiragem baiana do início do século passado — principalmente dos anos 30 aos anos 50 — , a partir de informações obtidas junto aos chamados “velhos mestres”, alguns dos quais já falecidos, como os mestres Caiçara, Canjiquinha, Bobó, Ferreirinha, Paulo dos Anjos e Waldemar da Liberdade, também conhecido como Waldemar do Pero Vaz. Na realidade, para falar da capoeira baiana do início do século passado, seria necessário destacar a participação de figuras como Samuel Querido de Deus, Nagé, Aberrê, Juvenal, Barbosa, Onça-Preta, Amorzinho, Zacarias, Cabelo Bom e outros. Mas não é nossa proposta detalhar a vida e os feitos desses grandes capoeiras, neste momento. Daremos maior ênfase a alguns dos que fizeram a ligação da antiga capoeiragem baiana com a realidade que vivemos, hoje em dia.

Os “velhos mestres” da capoeira da Bahia são considerados os guardiões das tradições da capoeira. É preciso notar que, em outros estados brasileiros, principalmente no Rio de Janeiro, também encontramos velhos mestres, defendendo as tradições da nossa arte-luta, mas aqui nos referiremos somente a alguns dos mestres baianos. Quando falamos de velhos mestres, estamos tratando, na verdade, de pessoas que, ao longo dos anos, acumularam imensa experiência nas rodas de capoeira e na vida, tornando-se importantíssimas referências para os capoeiras das gerações mais novas. Esses personagens da história da capoeira vêm sendo redescobertos e valorizados. Muitos ainda vivem em grandes dificuldades e alguns outros chegaram a morrer na pobreza, como mestre Pastinha. Esperamos que, com o grande crescimento que a capoeira vem apresentando, esses verdadeiros mestres tenham seu lugar reconhecido na história da cultura popular brasileira.

A maioria dos velhos mestres baianos representa a escola da capoeira Angola (embora alguns se recusem a aceitar a dicotomia Angola/Regional) e entre eles podemos citar: Bobó, Caiçara, Canjiquinha, Ferreirinha, Paulo dos Anjos, Waldemar do Pero Vaz, João Pequeno, Gigante, João Grande e Curió. Dessa lista, infelizmente, apenas os quatro últimos ainda estão vivos.

É muito difícil estabelecer, rigorosamente, “linhas de filiação”, quando falamos dos velhos mestres, uma vez que no tempo em que a maior parte desses grandes capoeiras iniciou-se na luta, a prática era informal e, em alguns casos, realizada nas ruas de Salvador, aos domingos ou nas festas de largo. No entanto, mestre Pastinha aparece como a mais importante figura nas tradições da Angola e referem-se a ele como “o mestre que me ensinou”, entre outros, os mestres: Curió, João Pequeno e João Grande. Na realidade, além de ter sido um respeitado mestre, Pastinha se destaca como o principal articulador da capoeira Angola junto aos poderes públicos de sua época, obtendo apoio dos órgãos de turismo e outras instituições estaduais e municipais. Alguns dos velhos mestres ressaltam seu papel como “presidente da capoeira”, principalmente em virtude de sua atuação na fundação do Centro Esportivo de Capoeira Angola, em 1941, com o objetivo de reunir alguns dos melhores capoeiristas da Bahia. Além de mestre Caiçara, contribuíram para a organização do Centro Esportivo de Capoeira Angola, Pastinha, Traíra, Pivô, Waldemar da Liberdade e outros capoeiras da época.

Os mestres Canjiquinha e Caiçara foram discípulos de Aberrê, que Caiçara descreve como “um filho de escravos trazidos da África”. Bobó e Ferreirinha afirmavam ter aprendido capoeira com mestres de Santo Amaro da Purificação, respectivamente Benedito de Santo Amaro e Antônio Asa Branca. Mestre Gigante, também conhecido como Bigodinho, aprendeu a arte com um dos capoeiristas mais famosos de seu tempo, o Cobrinha Verde, tendo depois praticado no Centro Esportivo de mestre Pastinha. Freqüentou por muito tempo, também, a academia de Capoeira Regional de mestre Bimba que, segundo fomos informados, o considerava “o melhor tocador de berimbau da Bahia”. Mestre Paulo dos Anjos, recentemente falecido e um capoeirista mais jovem entre os velhos mestres, foi aluno de mestre Canjiquinha. Mestre Waldemar do Pero Vaz, tendo iniciado a prática da capoeira em 1936, já com 20 anos de idade, foi aluno de capoeiras que figuram como verdadeiros mitos na nossa memória: Canário Pardo, Piripiri, Talavi e Siri-de-Mangue. Mestre Waldemar tem um papel particularmente importante na história da capoeiragem baiana porque, antes de Pastinha se destacar como o principal organizador dos angoleiros, já figurava como liderança que unia os “bambas” da capoeira tradicional, não vinculados à escola de mestre Bimba.

Naquela época, o aprendizado ocorria de maneira vivencial; na maioria dos casos, na própria roda de capoeira. Assim, o iniciante aprendia com os jogadores mais experimentados, informalmente. Embora, já em 1932, tenha sido fundada por mestre Bimba a primeira academia, o aprendizado informal da capoeira, nas ruas de Salvador, predominou até meados da década de 50. De acordo com mestre Gigante, “Naquela época não havia academia. Somente no dia de domingo é que tinha a vadiagem na rua” .

Mestre Waldemar, por exemplo, como já afirmamos, organizou por muitos anos a roda mais famosa de Salvador, no Corta-Braço, na Estrada da Liberdade. Comparando o aprendizado informal de sua época com os treinamentos de capoeira nas academias atuais, observou: “A roda na Liberdade era ao ar livre, perto do arvoredo. Eu fazia o ringue na sombra e botava a rapaziada pra jogar. Depois eu fiz um barracão de palha grande, e vinha tudo quanto era capoeirista da Bahia”.

Assim, o jogo da capoeira aparecia integrado ao cotidiano do povo, como a “pelada”. Embora existissem os “cobras”, não havia uma rigorosa exigência do domínio da técnica do jogo, mas apenas o conhecimento do ritual da roda e o respeito ao mestre e aos mais antigos. Mesmo havendo os pontos tradicionais de reunião dos capoeiras, principalmente nos domingos à tarde, qualquer ocasião em que se encontrassem era propícia à realização de rodas. Portanto, os bares, as praças, os mercados e as feiras, freqüentemente, eram palco de rodas inesperadas. Eram também comuns as rodas realizadas com o objetivo de recolher dinheiro dos assistentes para ser distribuído entre os capoeiristas. Em alguns locais, estes recolhiam com a boca as cédulas lançadas ao chão da roda, executando complexos movimentos de destreza e equilíbrio sobre as mãos ou, simplesmente, “passando o chapéu” entre os assistentes.

Sendo uma prática comum no cotidiano da época, a capoeira não exigia nenhuma indumentária especial: o praticante participava calçado e com a roupa do dia-a-dia. Nas rodas mais tradicionais, aos domingos, alguns dos capoeiristas mais destacados faziam questão de se apresentar, trajando refinados ternos de linho branco, como era comum até meados deste século. Vejamos o que disse mestre Paulo dos Anjos sobre o assunto: “Seu Waldemar ia pra roda de capoeira vestido de linho diagonal, uma fazenda que não era qualquer um que vestia não. Chapéu Rameson 3x e sapato da Clark. Você que fosse jogar com ele e, por desacerto, sem querer, você encostasse seu pé sujo no linho diagonal de Waldemar. Não era nem louco!”.

São muito comuns, na literatura e nos depoimentos, as referências ao traje branco dos capoeiristas do passado, o que se relaciona com a tradição de que capoeira que é bom não cai, nem permite que o outro lhe encoste o pé. No entanto, esse traje não chegou a caracterizar uma vestimenta específica para o jogo. Apenas mais tarde, no final da década de 50, as academias de capoeira passaram a adotar uniformes diferenciados pelas cores das camisetas e das calças, embora mestre Pastinha já adotasse o uniforme amarelo e preto, desde os anos 40.

Os ambientes freqüentados pela maioria dos capoeiristas e o contexto em que aconteciam as rodas, eram fatores que colaboravam para os diversos choques com a polícia, embora o último período de ferrenha perseguição aos capoeiras baianos tenha sido a década de 20, quando foi chefe de polícia, Pedro de Azevedo Gordilho, conhecido como Pedrito. Então, a partir da década de 30, foi deixando de existir uma atitude repressiva, especificamente contra os capoeiristas, mas a polícia continuou criando problemas para muitos. Entre os mestres mais idosos da Bahia, há os que se referem, orgulhosamente, aos conflitos de que participaram, inclusive com a polícia, ilustrando o discurso com suas cicatrizes de facadas e tiros, como mestre Caiçara. Mas Canjiquinha também ressalta a perseguição de que foi vítima: “A gente jogava capoeira nos dias de domingo. Não tinha academia e quando aparecia a polícia a gente tinha que sair correndo”.

Por outro lado, há casos em que a própria polícia ajudava a “manter a ordem” nas rodas, o que nos mostra como sempre foi complexa a relação da capoeira com as instituições e o poder no Brasil. Vejamos, por exemplo, o que afirmou mestre Waldemar, sobre a roda que organizava na década de 40: “Uma vez, eu fui na delegacia da Liberdade pedir ao delegado que mandasse polícia para olhar a roda que eu fazia. Tinha muito capoeirista aparecendo lá e criando confusão. Ele disse que não precisava não: ‘mande seus alunos dar uma cipoada neles e trazer aqui’”.

Os mestres eram figuras altamente respeitadas, destacando-se dos demais pela habilidade no jogo, nos toques do berimbau e nas cantigas. Alguns dos mais famosos que mantinham rodas de capoeira eram mestre Bimba, que fazia roda aos domingos no Alto de Amaralina; mestre Waldemar do Pero Vaz, com sua roda na Estrada da Liberdade; mestre Pastinha, que reunia os capoeiristas no Largo do Pelourinho e mestre Cobrinha Verde, com sua roda no Chame-Chame. Os mestres ocupavam lugar especial nas rodas de capoeira. Era sempre o mestre que iniciava e encerrava a roda, fazia recomendações nos cânticos e podia comprar qualquer jogo que estivesse acontecendo, escolhendo qualquer capoeirista para jogar. Além disso, não se permitia comprar jogo de mestre: apenas outro capoeirista, na mesma condição, poderia fazê-lo. Os mais antigos ressaltam, insistentemente, o fato de que nas rodas, hoje em dia, os mestres não são tratados com a distinção dos outros tempos. Nas palavras de mestre Curió: “Tem alunos que chegam na roda e tomam o berimbau do mestre, tomam o berimbau de minha mão. No meu tempo não tinha isso não. O mestre dava se quisesse. E quando o mestre estava jogando, o aluno não podia entrar”.

É importante ressaltar que, embora questionem algumas atitudes dos capoeiras da atualidade — como, por exemplo, o desrespeito aos rituais tradicionais —, os velhos mestres, em geral, demonstram grande admiração pelo crescimento e reconhecimento que a capoeira vem alcançando. De uma certa forma, podemos dizer que é a concretização de seus sonhos, embora ainda haja muita coisa a fazer e a resgatar do passado.

Temos, realmente, muito a aprender com esses mestres. Entendemos que a história não é a ciência do passado, mas a chave para que possamos, conhecendo o passado, construir um futuro melhor. Há fundamentos essenciais que podemos aprender ouvindo, observando e conhecendo as histórias e estórias desses importantes personagens da nossa história e da nossa cultura.

 

As entrevistas citadas foram realizadas entre 1988 e 1989, e constam do livro:

VIEIRA, Luiz Renato. O jogo da capoeira: corpo e cultura popular no Brasil. 2a ed., Rio de Janeiro: Ed. Sprint, 1998.

 

Mestre Luiz Renato

Mestre de Capoeira do Grupo Beribazu, formado pelo Mestre Zulu. Sociólogo, mestre em sociologia (UnB) e doutor em sociologia da cultura (UnB/Univ. de Paris I – Sorbonne). Especialista em políticas públicas e gestão governamental (ENAP-MPOG). Ensina a capoeira desde 1981. Coordenador do Projeto Capoeira Atividade Comunitária – Centro de Capoeira da UnB desde 1990. Autor de livros e diversos artigos sobre a capoeira e outros temas relacionados à educação e à cultura popular publicados em revistas científicas nas áreas de políticas públicas, ciências sociais e educação física. Professor universitário e Consultor Legislativo do Senado Federal na área de cultura. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2001134054398981

 

Fonte:

Grupo de Estudos de História da Capoeira

Blog do Grupo de Estudos de História da Capoeira, vinculado ao Projeto Comunitário Capoeira – Centro de Capoeira da UnB

http://estudoscapoeira.blogspot.com/

Condenada por assassinar capoeirista

Maria Bárbara Berengher, de 40 anos, foi condenada a 12 anos de prisão pelo assassinato do fundador da capoeira no Mercado Modelo, mestre “Di Mola”. O julgamento que demorou 10 horas aconteceu na manhã de anteontem, no Fórum Ruy Barbosa, presidido pelo juiz Vilebaldo Freitas e pelo promotor, representante do Ministério Público Estadual (MPE), Luciano Assis.

A família de Domingos André dos Santos, que estava aos 49 anos na época do crime, mais conhecido como mestre “Di Mola”, luta por justiça há nove anos. “Sei que não vamos ter ele de volta, mas agora a justiça foi cumprida”, desabafou a esposa da vítima, a cabeleireira Júnia Onofre.

Conforme os familiares do capoeirista, o crime aconteceu no dia 16 de outubro de 2001, dia do aniversário de “Di Mola”, que foi comemorado com uma festa em sua residência, em Pituaçu. Segundo Júnia, a vítima foi levar um irmão até um ponto de ônibus, quando encontrou com Maria Bárbara próximo à sua casa e ela desferiu um tapa no seu rosto.

Ao retornar, o capoeirista, acompanhado da esposa, foi tirar satisfação com a agressora, quando começou uma nova discussão. Porém, a acusada conseguiu golpear o mestre, quando este se encontrava distraído.

“Di Mola” foi socorrido para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos provocados com perfurações de faca na barriga. Maria Bárbara chegou a ficar presa na época, mas, por estar grávida e ter se apresentado à polícia, respondia o processo em liberdade. No julgamento, ela chegou a confessar o crime e chorou várias vezes, demonstrando arrependimento.

Mestre “Di Mola” era muito conhecido nas rodas de capoeira do Mercado Modelo, pois foi um dos fundadores da roda de capoeira no local. Suas gingas e saltos realizados na capoeira de rua se transformaram em cartão-postal da Bahia, e o levaram a representar a arte e ser reconhecido em diversos países

Fonte: http://www.tribunadabahia.com.br

Morre aos 93 anos de idade um dos maiores representantes da cultura popular paraense e brasileira

Morreu, nesta terça-feira (03), Mestre Verequete, conhecido por seu trabalho de promoção do Carimbó, batuque e dança ancestral dos negros característico do Pará.
 
Internado desde domingo no Hospital João de Barros Barreto, em Belém, Augusto Gomes Rodrigues, seu verdadeiro nome, não resistiu à insuficiência respiratória aguda e infecção generalizada.
 
O Mestre ganhou o nome de Verequete após se mudar de Bragança para trabalhar na Base Aérea de Belém. “Eu gostava de uma moça; então ela me convidou para ir ao batuque que eu nunca tinha visto. Umas certas horas da madrugada o Pai de Santo cantou ‘Chama Verequete’. Eu era capataz da base aérea de Belém, na época da construção, cheguei na hora do almoço e contei a história do batuque… Quando acabei de contar, me chamaram de Verequete’, disse o carimbozeiro ao mestre em música pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Paulo Murilo Guerreiro do Amaral.
 
Homenageado até pelo presidente Lula como Comendador da Ordem do Mérito Cultural, uma das mais importantes honrarias do governo federal, e vencedor do Prêmio Culturas Populares 2008 – Mestre Humberto de Maracanã, realizado pela Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura.  Mestre Verequete teve seu primeiro contato com o Carimbó aos 24 anos, quando convidou um grupo para dançar em um bar que tinha na época.  Posteriormente, tornou a convidar o grupo para dançar numa festa de passagem de ano, mas o convite foi recusado. Diante disso, Mestre Verequete decidiu criar outro conjunto do gênero. Fundou-se então, no dia 2 de outubro de 1971, o Conjunto de Carimbó Uirapuru do Verequete, que permanece até os dias atuais e já possui mais de 10 discos gravados, entre eles, o famoso ‘Carimbó Uirapuru do Verequete (Só podia ser)’.
 
Apesar das homenagens e do sucesso, Mestre Verequete teve uma vida marcada pela pobreza material. Para os amigos e familiares vai deixar saudade e exemplo de sabedoria e humildade, como conta o neto Felipe Rodrigues, de 18 anos. Para o Brasil, mais do que riqueza cultural, o mestre deixa a lembrança da importância de se valorizar e se reconhecer os constituintes da nossa cultura popular enquanto vivos.

A Capoeira e o Estado Novo – 70 anos de (re)encontros

A historiografia da Capoeira acaba de reencontrar novos documentos para pesquisas e análises: Há exatos 70 anos (1937) foi publicado no Rio de Janeiro a obra intitulada Defesa Pessoal – Método Eclético – Contendo todos os regulamentos dos diversos esportes de ´´ring“.

De autoria do 1º Tenente Waldemar de Lima e Silva, com a colaboração do Sargento Ajudante Alberto Latorre da Faria, ambos membros da E. E. F. E. – Escola de Educação Física do Exército, esta obra contém diversas FOTOS e textos explicativos de golpes extraídos das várias modalidade de lutas existentes no período, bem como apresenta regulamentos desses ´´esportes“ (o da Capoeira é o criado por Annibal Burlamaqui – Zuma – obra citada na bibliografia).

No que tange a nossa Capoeira, ou Capoeiragem (como às vezes aparece no texto), esta não foi posto de lado, ao contrário. Apesar do número resumindo de golpes e de não apresentar uma preocupação com outros aspectos (cultura, história, etc.), a obra de caráter exclusivamente didático, voltado à defesa pessoal, se faz importante por apresentar subsídios para compreendermos a importância da Capoeira na época e a sua utilização pela Doutrina Nacionalista da Era Vargas. Esta influência já podia ser vista desde a revolução de 1930 que deu fim à Primeira República.

O curioso é que mesmo não sendo, das artes, a mais contemplada com golpes (fotos), foi exatamente a Capoeira utilizada para ilustrar a apresentação da capa (no nosso modo de entender o famoso vôo do morcego). Tirem as suas conclusões.

Após a aquisição do livro e de posse das informações nele contidas nossas pesquisas nos levaram a descoberta de novos documentos (artigos) apresentados na Revista de Educação Física, publicação de divulgação científica do Exército Brasileiro, que conforme descrito no seu site é o periódico nacional mais antigo da área de Educação Física, com a sua primeira edição datando de 1932. Verificamos que diversos artigos desta Revista, foram utilizados na confecção do livro, existindo até uma matéria anunciando sua publicação. (Defesa Pessoal -1937 agosto).

Quanto a Revista de Educação Física vale ressaltar os artigos escritos tendo a Capoeira como objeto (anos de 48 e 64) e outros onde a mesma é citada (Vale Tudo 1955).

Podemos observar claramente que dependendo de quem fala, da época e dos interesses a Capoeira assume os mais variados aspectos: de esporte nacional a condição de difícil e imprópria, e de fugir completamente às nossas tendências naturais.

A Capoeira e o Estado Novo

Ao pesquisar sobre os autores encontramos a citação de outra obra, que ao que tudo parece seja uma reedição do livro de 37, publicado pela Briguiet em 1951. Seria interessante comparar estas as duas edições para visualizarmos possíveis diferenças (inclusão e/ou exclusão) de golpes, fotos etc.

Para ver os artigos sobre o livro e sobre a Capoeira entrar no site da Revista de Educação Física: http://www.revistadeeducacaofisica.com.br, ir ao índice e procurar por assuntos/lutas.

 

Texto e Fotos Acervo: Joel Alves Bezerra – Grupo Atitude de Capoeira – Fortaleza – Ceará

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Bahia: Mandinga dos Capoeiras é tema de pesquisa

O curso “Conversando com sua História” contou na tarde de terça-feira (07/08/07) com a presença de Adriana Albert Dias, debatendo o tema “A Malandragem da Mandinga – o cotidiano dos capoeiras em Salvador na República Velha”. Fruto de seu recente livro “Mandinga, Manha e Malícia: uma história sobre os capoeiras na capital da Bahia (1910-1925), 2006.
 
A pesquisadora retratou o cotidiano dos capoeiras na cidade de Salvador, no período que o jogo da capoeira sofria repressão por parte da elite baiana e dos policiais. “Os capoeiristas nesta época eram chamados de vadios e vagabundos, a repressão policial que sofriam era tão grande, que por muitas vezes eles acabavam sendo presos por jogarem capoeira”, afirmou Adriana Albert.
 
Analisando o contexto histórico da época, a pesquisadora mostrou como a “desordem”, característica dos capoeiras e a “ordem” dos policias, passava como uma controvérsia para a repressão policial sofrida pelos capoeiristas. “Como a maioria dos capoeiras eram pobres e negros, exerciam ocupações como pedreiro, estivador, alguns chegavam a ser policiais”, completou a pesquisadora.
 
“A mandinga, a arte da malevolência aparecia constantemente nas rodas de capoeira devido a ser uma alternativa de sobrevivência dos capoeiras, até hoje é possível encontrar ‘mandingueiros’ nas rodas de capoeira de Salvador, pois são testemunhos das rodas de antigamente”, concluiu.
 
A próxima palestra será no dia 14 (terça-feira) às 17h, com o doutor em História Rinaldo César Nascimento Leite, com o tema “A Rainha Destronada: grandezas e infortúnios da Bahia nas primeiras décadas republicanas”. A palestra é aberta ao público.
 
Mais informações:
ASCOM Fundação Pedro Calmon: (71) 3116-6918 / 6676
Centro de Memória: (71) 31166930
http://www.fpc.ba.gov.br
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I Seminário do Painel de Documentação sobre a capoeira baiana em Salvador & Memorial do Mestre Bimba

Neste seminário, aberto ao público, será apresentado o resultado parcial das recentes pesquisas sobre a capoeira baiana na década de 1940 e o memorial de Mestre Bimba, premiadas pelo Projeto Capoeira Viva. A partir da documentação levantada nos principais jornais da época serão abordados os seguintes temas: a afirmação da cultura afro-descendente no universo político-social da capital da Bahia; a institucionalização da capoeira e a expansão da sua vertente regional; as discussões e controversas sobre a origem da capoeira; as disputas entre as capoeiras baiana e carioca; os debates sobre a eficiência da capoeira regional e as outras lutas e a relação entre a capoeira  e o partido comunista do Brasil. Na ocasião, serão exibidas fotografias, notícias da época, e filmes. Este seminário contará com a presença de Jair Moura, Mestre Nenel, Frede Abreu e Adriana Albert. O objetivo principal do evento é trocar conhecimento e compartilhar com os estudiosos e praticantes da capoeira e o público em geral informações sobre a capoeira baiana deste período.
 
I Seminário do Painel de Documentação sobre a capoeira baiana em Salvador & Memorial do Mestre Bimba nos anos de 1940
 
O seminário será realizado no dia 25 de janeiro às 18hs na Casa da Mandinga.
 
Rua: Comendador José Alves Ferreira, n.160, Garcia.
 
Organização: Instituto Jair Moura, Grupo de Estudos Mestre Noronha e Fundação Mestre Bimba.