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Foz do Iguaçu: Encontro Pedagógico de Capoeira

Mais de 700 alunos realizaram seu exame de faixa e puderam assistir a shows de grandes mestres de capoeira

Na tarde de sábado (27) o ginásio da faculdade Uniamérica recebeu o Encontro Pedagógico de Capoeira da escola Muzenza. Mais de 700 alunos de 15 escolas da cidade participaram da atividade e realizaram o exame de faixa.

O evento contou ainda com uma apresentação especial de Makulelê, outra de birimbau, e um show com grandes mestres de várias partes do Brasil. De acordo com o coordenador do projeto de capoeira pedagógica, Fabio Castilha, o objetivo deste evento é incentivar as crianças, “hoje elas vão ver alguns dos melhores mestres do Brasil dando um show de capoeira, elas percebem que qualquer um pode ser um mestre, basta ter força de vontade e não desistir”.

O projeto que leva capoeira para as escolas como parte da grade escolar já acontece há três anos. Os professores ensinam a tradição e os valores da capoeira para os pequenos que já se sentem motivados a continuar se dedicando a essa arte.

 

http://www.clickfozdoiguacu.com.br

Inteligências Múltiplas e a capoeira

Resumo

Este trabalho teve como objetivo discutir a capoeira e as inteligências múltiplas. Pode-se concluir através deste trabalho que as inteligências múltiplas são contempladas por completo através da prática da capoeira. Deste modo a capoeira ganha espaço cada vez mais para o desenvolvimento do ser humano. Este iniciou relatando sobre a capoeira, relacionou-a com cada inteligência múltipla, e assim apresentou-se a importância da inserção da capoeira na educação física escolar, tanto para o desenvolvimento do aluno como um todo, mas também para possibilitar o resgate desta luta que outrora foi chamada de luta de libertação hoje é patrimônio histórico cultural do Brasil.

Unitermos: Capoeira. Inteligências Múltiplas. Educação Física Escolar.

 

Introdução:

 

A educação física tem várias ramificações, sendo elas esportes coletivos, individuais, jogos desportivos, exercícios para o corpo como um todo, lutas e muito mais (IÓRIO; DARIDO, 2005). Desta forma podemos nos utilizar da Educação física e sua relação com a capoeira para abordarmos sua importância enquanto esporte e/ou luta, na fase escolar. A Educação Física sofreu diversas mudanças de acordo com as épocas por esta percorrida, assim como a Capoeira, e por isso houve mudanças e passagens por diferentes pensamentos político-ideologicos de cada época, desta forma com cada pensamento vigente na época de acordo com a política aplicada e objetivos diferentes a educação física e a capoeira foram mudando e se adequando a tais necessidades (IÓRIO; DARIDO, 2005).

Encontramos na capoeira muitas transformações e ressignificações de acordo com o pensamento político empregado em uma época, por exemplo: a capoeira escrava, a marginalização, a liberação da capoeira, a criação da capoeira regional, capoeira-esporte, e a criação da confederação, ou seja, podemos contextualizar o inter-relacionamento da educação física da educação física escolar ao trajeto histórico social da capoeira, de tal forma que com o inicio do século XX e a chegada do pensamento ginástico/eugenista, aparece às primeiras propostas de transformar a capoeira em ginástica nacional (IÓRIO & DARIDO, 2005).

Inicia-se assim a tentativa de aproximar a capoeira da educação física até mesmo com proposta, como cita Innezil Penna Marinho (1956) que propõe um método de ginástica totalmente brasileira: a capoeira, com o objetivo de valorizar o patriotismo de seus praticantes. Sendo assim, segundo Marinho (1956) a capoeira pode contribuir também com a educação física escolar, contribuindo com a formação cívica dos alunos. Após este pensamento ideológico de política chega o pensamento higienista preocupado com a saúde física de seus praticantes e o aperfeiçoamento das habilidades físicas para a mão de obra. Foi nesta época que a capoeira foi liberada pelo então presidente Getúlio Vargas como forma de manifestação popular (IÓRIO & DARIDO, 2005).

Desta forma fora criada então a primeira academia de capoeira regional. Iório e Darido (2005) afirmam que: “Naquele mesmo ano a capoeira é oficializada como instrumento da educação física […]”, mas notamos que mesmo a capoeira, a educação física e a educação física escolar não conseguem se adequar aos ideais higienistas e eugenistas da época. Nas próximas décadas a educação física volta-se para a melhoria das capacidades fisiológicas, psíquicas, social e moral, e a capoeira foi perdendo sua característica de manifestação popular por sua adequação às academias, seguindo neste período desvinculado da educação física escolar. Com a estruturação da capoeira enquanto esporte-competição perdeu-se ainda mais suas características como manifestação e expressão do indivíduo. Foi este o período que acabava de adentrar a sociedade o Técnico/Esportivo. A partir deste pensamento vemos que não poderia ser excluída a verdadeira essência da capoeira, e na verdade era o que o governo vigente se empenhava para fazer, mas na capoeira não há exclusão, nem por habilidades, gêneros ou qualquer deficiência (IÓRIO & DARIDO, 2005).

A partir de vinte de Dezembro de 1996 com a aprovação da nova Lei de Diretrizes e Base (LDB) da educação, gerou-se grande autonomia da Educação Física, sendo assim esta autonomia proporcionada pela LDB para que novos conteúdos sejam incluídos na proposta pedagógica, verificou-se a necessidade da estruturação da capoeira como conteúdo da educação física escolar, a capoeira é um conteúdo que pode ser contemplado na escola pelos seus muitos enfoques, inteligências, possibilitando a luta o folclore a dança o jogo, o canto o bater das palmas o esporte, lazer e a educação, ensinando-se globalizadamente deixando e proporcionando que o aluno escolha o que lhe mais agradar neste variado conteúdo que é a capoeira (BALBINO & PAES 2007). O desenvolvimento da mesma possibilita o desenvolvimento de todos os conceitos e procedimentos da educação física, onde o professor tem diversas rotas para aprendizagem do mesmo, não se remetendo apenas aos aspectos técnicos (SOUZA & OLIVEIRA, 2001).

A sua historicidade é um dos pontos de fundamentação da mesma para a educação física escolar, tratando-se de uma luta de libertação, diferente das diversas modalidades que foram contextualizadas na história da educação física escolar que vem de escolas européias e norte-americanas. A capoeira se trata de um esporte-luta criado e desenvolvido no Brasil.

Os PCN’s em relação à educação física escolar citam e afirmam que a concepção de conteúdo corporal amplia a contribuição da educação física escolar para o pleno exercício de cidadania, assim como na roda de capoeira esta autonomia é dada ao aluno no próprio jogo, sendo que o jogador pode ter a liberdade de se expressar com movimentos livres, mostrando que a criatividade também é trabalhada. A roda e jogo fazem com que o jogador crie movimentos de acordo com sua necessidade naquele presente momento se tratando de um esporte-luta de perguntas e respostas. O jogo mostra a importância da individualidade, desde as pessoas que fazem com que a mesma aconteça, ou seja, a bateria, o canto, as palmas, até mesmo o segundo aluno que se encontra no jogo, pode desenvolver movimentos os quais fazem com que o jogo se desenvolva criando assim necessidades especificas de movimentações, formando assim a imprevisibilidade no jogo da capoeira.

Sua base é enraizada na raça negra, se trata de um esporte-luta que foi criado longe das classes dominantes, então não há preconceitos na roda de capoeira. É portanto um lugar onde os opostos se atraem, o doutor e o analfabeto o negro e o branco, mulheres e crianças, os habilidosos e os menos habilidosos, ou seja, um vasto patrimônio cultural que deve ser desfrutado pela Educação Física escolar, se tratando ainda de um esporte-luta, multidisciplinar. Desta forma, temos uma infinidade de conteúdos que podem ser aplicados de diferentes formas utilizando-se a capoeira como base (SOUZA & OLIVEIRA, 2001).

O fator motivacional para uma prática de atividade física é muito importante, pois segundo Paim e Pereira (2004, p.159-166):

Conhecer quais os motivos que levam os alunos à prática de atividades motoras na escola pode melhorar as atividades escolares e contribuir no processo de ensino aprendizagem, já que a aprendizagem e a motivação são processos interdependentes no homem.

Sendo assim, a partir do momento em que sabemos o que motiva nossos alunos, podese utilizar vários métodos para aplicação de determinada modalidade ou esporte para uma adequação e interação melhor de nossos alunos. Neste caso a capoeira tem como grande valor motivacional a sua própria essência, por ser chamada de luta de liberdade seus praticantes tem várias formas de se tornarem capoeirista, seja no jogo, na luta e na musicalidade (PAIM & PEREIRA, 2004).

Com a inserção da capoeira na educação física escolar temos muitos métodos de aplicação e diversas formas de desenvolvermos as inteligências múltiplas (BALBINO & PAES, 2007), sendo este um dos maiores objetivos deste trabalho que visa mostrar a relação e empregar a capoeira às inteligências múltiplas: lógico-matematica, lingüística, musical, espacial, corporal sinestésica, interpessoal, intrapessoal e naturalista.

“A inteligência está relacionada com a resolução de problemas em um determinado contexto”, “[…], e é exatamente o que ocorre na capoeira onde as inteligências devem ser aplicadas e aprimoradas ao longo da imprevisibilidade do jogo em si da capoeira assim como os jogos desportivos coletivos tem uma grande semelhança com o a capoeira por se tratar de jogo, e principalmente pela imprevisibilidade por ele criada, então temos que o estudo de Gardner nos remete a afirmação da capoeira como sendo a luta mais completa até hoje sugerida pois desenvolve como um todo as capacidades do indivíduo no caso nossos alunos que a praticam, dando assim sustentabilidade ao objetivo jogo, motivação, pois com esta relação, da capoeira, educação física escolar e as inteligências criamos uma abordagem altamente recomendável de capoeira no âmbito escolar para desenvolvimento das inteligências, multidisciplinaridade, e motivação de nossos alunos como um todo, conseguindo assim transformar não apenas o aluno e sua condição física e saúde mas também seus conceitos cívicos e morais (GALATTI & PAES, 2007).

Mas de que forma ensinar, de que forma desenvolveremos métodos para que nossos alunos aprendam. Nista-Piccolo (1999) nos mostra que a pedagogia do esporte tem como objetivo a arte de ensinar a praticar uma modalidade esportiva, por meio dela é possível capacitar ou não um aluno para executar determinadas habilidades exigidas nesta prática, tendo uma pedagogia eficaz conseguimos estimular os alunos ao gostar de executar determinado exercício ou modalidade física auxiliando-o a ter conhecimento de suas próprias capacidades, onde um bom professor se utiliza de diferentes formas para que o aluno consiga aprender o movimento, mas porque (ZYLBERBEG & NISTA-PICCOLO, 2008), ”São inquietações que pulsam veementemente em nossa prática cotidiana, ao nos depararmos com situações inadequadas de aprendizagem.”, ”[…], então nos resta buscar maneiras diferentes de aplicação e entendimento de determinados movimentos e modalidades para não cairmos ao senso comum de maus professores.

Mas temos de nos precaver, de poucas diversificações de aprendizagem pois através destas, corremos riscos de acharmos que estamos com algumas inteligências impossibilitadas e na verdade se trata da falta da diversificação e exploração de caminhos diferentes a serem seguidos e explorados. Por este motivo devemos procurar diferentes formas de ensino pois temos diferentes formas de nos adequarmos e entendermos diferentes aspectos e ensinos (ZYLBERBEG & NISTA-PICCOLO, 2008).

Inteligências Múltiplas e a capoeira

 

A teoria das Inteligências Múltiplas toma forma com a abordagem das diversas habilidades, capacidades, pensamentos, talentos e competências do homem, que transparecem em seu cotidiano. A partir disto Gardner (2000) busca novas formas e aplicações de Inteligência, que possam satisfazer o homem no mundo moderno, então este conceito de pluralidade da mente começa a se formar, através de diversas pesquisas e estudos em diferentes temas e abordagens. Com estas observações e de muitas outras no campo da neuropsicologia, Gardner (2000) chega à conclusão de que as pessoas tem um leque de capacidades, tendo algumas pessoas capacidades mais desenvolvidas para uma certa área e outras pessoas para outras áreas. Através deste processo rompe-se a idéia de mais inteligente e de menos inteligente e começa a se estabelecer que as inteligências atuam de forma independente (BALBINO & PAES, 2007).

Desta forma o sujeito, pode vir ou não a desenvolver suas habilidades como um todo dependendo da necessidade ou contexto, cultural ou não, ao qual está inserido. “Desta forma, observamos que a inteligência está relacionada com a resolução de problemas em um determinado contexto” (GALATTI & PAES, 2007, p.31-44).

Gardner dimensionou em sua teoria, a existência das inteligências múltiplas que tratariam dos domínios de resoluções dos possíveis problemas referentes às pessoas inseridas dentro dos critérios pré-estabelecidos (ZYLBERBEG & NISTA-PICCOLO, 2008, p.59):

Gardner reafirmou que o número de inteligências é menos importante do que a premissa de que há uma multiplicidade delas e que cada ser humano tem um mix único, ou perfil único de pontos fortes e pontos fracos nas inteligências.

Com estas informações vemos o quanto à capoeira contempla as inteligências, pois a mesma engloba as inteligências de modo a dispor ao seu praticante, total desenvolvimento da mesma, sendo assim, a roda de capoeira propicia esta contemplação devido a sua riqueza cultural com múltiplos aspectos facilitando a formação integral do indivíduo. (BALBINO & PAES, 2007)

 

  • A inteligência corporal cinestésica desenvolve o potencial de usar o corpo, ou parte dele, para resolver problemas ou na fabricação de produtos, sendo assim, a capacidade de trabalhar com objetos de forma hábil, tanto os que envolvem os movimentos finos quanto os grosseiros do corpo. Na capoeira vemos aparente o trabalho desta inteligência na confecção e manuseio dos instrumentos musicais, e na expressão corporal que é imposta pelo capoeirista tanto na evolução e estética de seus movimentos quanto na sua tática, para ludibriar seu adversário.

  • A inteligência verbal lingüística envolve a sensibilidade para a língua falada e a escrita, sendo aprimorada a habilidade para aprender línguas bem como a capacidade de se utilizar a linguagem para atingir objetivos como inteligência e competência intelectual, utilizando-se de metáforas, cruciais para lançar e explicar um novo desenvolvimento científico. Dentro da capoeira esta inteligência é muito desenvolvida pelo cantador que deve estudar e pesquisar as palavras que irá utilizar em seu canto, para a condução do jogo e comando da roda, onde o mesmo pode definir um jogo em sentido de apresentação, ou até mesmo um jogo competitivo entre os capoeiristas. Também se torna visível esta inteligência nas composições da musicalidade da capoeira, onde o capoeirista busca termos e verbos condizentes tanto com a realidade atual da capoeira e sua lingüística quanto a que era utilizada antigamente.

  • A inteligência Logico-Matematica é a capacidade de analisar problemas com lógica, de realizar operações matemáticas e resolver questões cientificamente, esta inteligência é desenvolvida principalmente por matemáticos, lógicos e os cientistas, chamada de “a inteligência pura”. Em seu domínio o processo de solução de problemas é significativamente rápido, pois o indivíduo lida com muitas variáveis ao mesmo tempo, tendo como base o cálculo matemático, o raciocínio lógico, a resolução de problemas, raciocínio dedutivo e indutivo, discernimento de padrões e relacionamentos. O capoeirista encontra estes diferentes aspectos e problemas na roda de capoeira, sendo esta um jogo de pergunta e resposta onde a velocidade da resposta pode definir o jogo, tendo o capoeira de estar atento ao espaço da roda, tanto quanto ao espaço que o mesmo dispõ a utilizar sendo que não está sozinho na roda e seu adversário, tratará de diminuir cada vez mais as suas saídas.

  • A inteligência Musical com estrutura similar a da inteligência lingüística, desenvolve a habilidade na atuação, na composição e na apreciação de padrões musicais. A música é uma faculdade universal, sendo acessível e emergente capacidade que surge mais cedo do que outros talentos em outras áreas da inteligência humana, e é uma das mais antigas formas de arte, que utiliza a voz humana e o corpo como instrumentos naturais e meios de auto-expressão, sendo que o corpo humano por si somente, segue ritmos e sons desde o sistema cardíaco quanto metabólico.

A música pode ajudar a criar um ambiente positivo que desencadeie a aprendizagem, e isso é a alma da capoeira, pois sem a musicalidade não existe a capoeira, tanto o jogo quanto os participantes se movem de acordo com a musicalidade que está a envolver a roda, a bateria , o coro, o cantador, e o próprio jogador, que está a receber esta “energia” oriunda do ritmo e musicalidade que está sendo empregado determinando seus passos e estratégias. Dentro deste ambiente musical temos variados tipos de formações de bateria, conforme a tradição e fundamento do grupo e dependendo do estilo de jogo a que este pertence. Cada instrumento tem sua importância dentro da roda da capoeira, como os berimbaus que são divididos em três, o viola que tem a função de repicar o quanto quiser durante a roda dando um contraste ao toque e ritmo, o médio que faz a marcação e interlocução entre o gunga e o viola amenizando e separando os toques, o gunga chamado também de “o mestre da roda” pois é ele quem comanda o jogo e dá o sinal para o início e para o final de uma roda de capoeira. Seu som é um som mais grave que os outros berimbaus demonstrando seu poder sua cabaça também é maior que a dos outros berimbaus, temos também os instrumentos de percussão como o pandeiro e o atabaque que tem a função de marcar e acompanhar os berimbaus temos também o agogô que é de um som mais agudo e o reco-reco um instrumento que faz a marcação também tendo um som diferenciado na roda, tais instrumentos são confeccionados pelos próprios capoeiras, os berimbaus são envergados e preparados a cada roda, sendo composto por cabaça, verga, arame, baqueta e caxixi. Este deve ter um som diferenciado não podendo estar transmitindo um som de metal, e este som varia conforme sua envergadura, arame, e sizal utilizado na cabaça, determinando de tal forma o jogo que será apresentado.

 

  • A inteligência Espacial tem o potencial de reconhecer e manipular os padrões do espaço, bem como os padrões de áreas mais confinadas. As muitas maneiras como a inteligência espacial é desenvolvida em diferentes culturas mostram claramente como um potencial biopsicologico pode ser aproveitado por campos que evoluíram para vários propósitos.

Com a capoeira esta inteligência se torna aparente a partir do momento em que o capoeirista estuda o jogo de seu adversário e sai para o jogo onde o mesmo pode encurtar a roda se abrindo alongando seu corpo e ao mesmo tempo diminuindo-se para melhor aproveitar os espaços possíveis dentro da roda, sendo esta grande ou pequena pois dependendo do toque e o que o berimbau quer, a roda pode diminuir ou aumentar o tamanho.

  • A inteligência Interpessoal desenvolve a capacidade de entender as intenções, as motivações e os desejos do próximo, e sendo assim, de trabalhar de modo eficiente com terceiros, esta inteligência se baseia na capacidade de perceber distinções entre os outros, em especial contraste em seu estado de espírito ou de ânimo, seu temperamento, seus sentimentos.

Na capoeira vemos esta inteligência aparente tanto nos professores que ministram as aulas quanto no próprio jogador que tem de fazer a leitura de seu adversário a todo instante, pois o mesmo pode estar com intenções boas no jogo ou até mesmo montando uma estratégia para lutar. Daí vem a “malandragem” do capoeira onde o mesmo se utiliza do tombo em seu adversário para deixá-lo com raiva e assim perder a estratégia dentro do jogo, onde o jogador poderia dar a volta ao mundo (volta na própria roda), e aguardar até acalmar os ânimos e sair novamente ao jogo.

  • A inteligência intrapessoal envolve a capacidade de a pessoa se conhecer, de ter um modelo individual de trabalho, incluindo seus próprios desejos, medos e capacidades e de usar estas informações com eficiência para regular a própria vida.

Na capoeira dentro da roda o jogador está sozinho tendo de se defender e atacar ao mesmo tempo, onde o jogador deve conhecer suas habilidades, ter autoconfiança e explorar ao máximo suas habilidades sendo em floreios, movimentos, golpes e saltos. O capoeirista se preocupa com o jogo, sua estratégia, golpes com força e bem aplicados, expressão corporal e a plástica de seus movimentos, tudo isto irá determinar não tão somente esta inteligência mas o grau de desenvolvimento que tem este jogador, pois dentro da roda o capoeirista não é “sua corda” até porque os capoeiristas não seguem uma confederação onde todas as cores de cordas determinam uma hierarquia, então através do jogo vemos o quão graduado é o capoeira.

  • A inteligência Naturalista trata do conhecimento do mundo vivo, incluindo a classificação de diversas espécies utilizando-se do meio ambiente para sua vida, observando diferentes formas de vida e objetos conseguindo assim trazer para seu cotidiano estas experiências.

Com a capoeira é muito aparente esta inteligência pois os movimentos e golpes vem, em sua origem, de movimentos dos animais; sua instrumentação vem da natureza; os nomes dentro da capoeira e até mesmo a maioria dos apelidos (nome dado ao jogador iniciando-se na capoeira) vem da natureza, sendo assim, a raiz da capoeira vem do mundo vivo, vem da natureza, da observação do redor onde os escravos tinham apenas a natureza para poder colher o que viria a ser sua libertação do cativeiro (BALBINO & PAES, 2007)

Considerações finais

 

A capoeira hoje é tombada como patrimônio cultural do Brasil, mas vemos que a mesma não tem grande valor entre os próprios brasileiros. Deste modo através das inteligências, concluímos o quão é abrangente é esta luta, que desenvolve o ser humano como um todo, trazendo desde a parte física quanto mental sendo trabalhadas a todo instante sendo dentro do jogo, quanto na roda da capoeira. Desta forma a capoeira tem toda a capacidade e merece ser explorada e desenvolvida como é vista fora do Brasil como uma luta tão valorizada como as outras, pois traz um mix não somente de todas as inteligências mas também de todas as lutas hoje existentes.

A capoeira está em um processo evolutivo trazendo sempre algo novo, seja na musicalidade ou até mesmo em golpes e movimentos. Tendo em vista estes conceitos, este trabalho procurou mostrar o quanto pode ser produtivo o desenvolvimento da capoeira nas escolas, para um melhor aprendizado não somente das outras matérias através da capoeira, mas também do conhecimento de si mesmo e da cidadania que a capoeira traz em sua raiz, mostrando assim o quanto é grandiosa esta arte, que hoje está em todos os países e é a maior divulgadora da língua portuguesa no mundo, pois as músicas de capoeira são em português e independente de onde estiver acontecendo à roda de capoeira a música deve ser ministrada em português.

Os estudos sobre a capoeira e as inteligências múltiplas ainda são pouco discutidos na literatura científica. Temos alguns relatos e estudos iniciais. Portanto espera-se com esse trabalho despertar os estudiosos da Capoeira a estudar mais minuciosamente essa relação e os estudiosos das inteligências múltiplas a conhecer melhor a Capoeira e a escrever sobre o desenvolvimento das inteligências através desta Arte Brasileira.

Bibliografia

 

  • BALBINO, H.F.; PAES, R.R. Jogos Desportivos Coletivos e as Inteligências Multiplas: Bases para uma proposta em pedagogia do esporte. Hortolândia. 2007.

  • GALATTI, L.R ; PAES, R.R. Pedagogia do Esporte e a Aplicação das Teorias Acerca dos Jogos Esportivos Coletivos em Escolas de Esportes: O Caso de Um Clube Privado de Campinas – Sp. Conexões, Revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, Campinas, v. 5, n. 2, p. 31-44, jul./dez. 2007.

  • IÓRIO, l. S.; DARIDO, S.C. Educação Física, Capoeira e Educação Física Escolar: Possíveis Relações. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, vol 4, n°4, p. 137-143, 2005.

  • PAIM, M. C. C.; PEREIRA, E. F. Fatores Motivacionais dos Adolescentes para a Prática da Capoeira na Escola. Motriz, Rio Claro, v.10, n.3, p.159-166, set./dez. 2004.

  • SOUZA, S.A.R.; OLIVEIRA, A.A.B. Estruturação da Capoeira Como Conteúdo da Educação Física no Ensino Fundamental e Médio, Revista da Educação Física/UEM Maringá, v. 12, n. 2, p. 43-50, 2, sem. 2001.

ZYLBERBEG, T.A.; NISTA-PICCOLO, V.L. As contribuições dos estudos sobre inteligência humana para a pedagogia do esporte. Pensar a Prática. Vol. 11, n.1, p. 59-68, jan./jul. 2008.

 

* Autores:

*Graduado em Educação Física – Faculdade Adventista de Hortolândia – **Professora Titular – Faculdade Adventista de Hortolândia (Brasil)

  • Jefferson dos Santos Fonseca*
  • Helena Brandão Viana**
  • Larissa Rafaela Galatti**
  • Nilda Batista Cavalcante Rangel**

hbviana2@gmail.com

 

Fonte: EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 17, Nº 171, Agosto de 2012. http://www.efdeportes.com

    Projeto de capoeira em Buriti do Tocantins vem fazendo a diferença entre a juventude local.

    O berimbau toca. Os capoeiristas se reúnem em círculo ao seu redor. Após ser entoada uma ladainha, que pode ser uma exaltação à valentia do capoeira, um pedido de proteção ou um canto de lamento de um escravo com saudade de casa, dois adversários, ou “camarás”, como se diz na linguagem da luta, começam uma disputa de movimentos quase que coreografados. Um jogo de perguntas e respostas, de ataque e defesa, de ritmo e som.

    Isso é a capoeira.

    A teoria de que a capoeira foi desenvolvida por escravos há mais de 200 anos nas senzalas brasileiras é ainda a mais aceita por historiadores e estudiosos em geral. Estima-se que seja praticada por mais de 5 milhões de pessoas em todo o mundo. Graças à figura de Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba e Vicente Ferreira Pastinha, o mestre Pastinha, essa arte marcial que é um misto de dança e luta se difundiu pelo mundo, levando o legado brasileiro a países como Israel, Estados Unidos, França, Austrália e até China.

    Na cidade de Buriti do Tocantins existe o projeto Educamará, que difunde a capoeirae a sua filosofia de vida. Liderado pelo professor Marcos Vinicius da Cruz Andrade, professorda rede estadual de ensino, o projeto, que é voluntario, atende a alunos da Escola VicenteCarlos de Sousa e também da comunidade em geral.

    Atualmente com cerca de 20 alunos, são realizadas aulas três vezes por semana, onde os alunos aprendem os fundamentos dacapoeira, a tocar os instrumentos, cantar músicas e o principal: aprendem a conviver bemcom as outras pessoas. “Pratico capoeira desde os 12 anos e foi uma coisa que sempre gosteide fazer”, diz o professor Marcos. “Quando vim pra cá em 2008, vi muitos jovens ociosos edesestimulados na escola.

    Achei que a capoeira poderia ensiná-los algo, como me ensinou”, completou.

    Além dos treinos, os alunos assistem a palestras, filmes e documentários e quandopossível, realizam apresentações em Buriti e outras cidades.

    Mesmo com todas as dificuldades, o projeto vem gerando bons frutos. Um dos pontos fortes é a diminuição da reprovação e evasão escolar. “Os alunos que participam das aulas de capoeira têm se mostrado mais participativos e vem apresentando melhora no desempenho escolar.” O professor acredita no potencial da capoeira como agente transformador social. “Seria interessante ampliar as ações do projeto, para atender mais crianças e adolescentes da cidade. Afinal, a capoeira é para todos, pois promove disciplina, saúde e inclusão social.” (Marcos Vinicius da Cruz Andrade)

     

    SP: Congresso Brasileiro de Capoeira Escolar

    Nos dias 26, 27 e 28 de Agosto de 2011 será realizado o Congresso Brasileiro de Capoeira Escolar no Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo (CEPEUSP) sob a coordenação de Gladson de Oliveira Silva e Vinicius Heine.

    No evento acontecerão Palestras, Oficinas, Mesas Redondas e Apresentação de Trabalhos e Rodas de Confraternização. Entre os convidados e palestrantes estarão:

    – Antônio Cesar de Vargas – Mestre Toni Vargas; – Gladson de Oliveira Silva – Mestre Gladson; – Prof. Dr. Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno); – Prof. Dr. Sergio Antônio Silveira; – Prof. Ms. André Luís de Oliveira; – Prof. Ms. João Perelli; – Prof. Esp. Marcio Rodrigues dos Santos – Contra-Mestre Márcio; – Prof. Esp. Mauricio Germano (Contra-Mestre Pelé); – Prof. Esp. MBA Vinicius Heine.

     

    O objetivo do evento é gerar reflexões e ações acerca da Capoeira nos espaços educacionais como uma ferramenta de desenvolvimento humano e transformação social.

    Nos últimos anos a Capoeira vem se consolidando como um poderoso elemento de formação humana em Escolas, Universidades, Praças, Parques, Projetos Sociais, entre outros, em função da sua riqueza e diversidade. Muitos resultados positivos têm sido obtidos através de projetos e ações que envolvem a Capoeira nesses espaços.

    Em particular na escola, a Capoeira está presente nas aulas regulares, em diferentes disciplinas, como Educação Física, Artes, História, Geografia, entre outros. Ao mesmo tempo, a Capoeira tem sido oferecida em cursos extracurriculares e em projetos especiais e em muitos casos os programas são coordenados por profissionais da Capoeira (Mestres, Contra Mestres, Professores e Instrutores).

    Enfim, são diversas as ações envolvendo a Capoeira no ambiente escolar, assim como diversos são os profissionais envolvidos nestas ações.

    Mas afinal, quais são as tendências e perspectivas da Capoeira Escolar no Brasil e no mundo? Que ações realmente estão sendo feitas? Quais os resultados? Quais os caminhos para se potencializar a Capoeira nesses espaços? Quem são os profissionais envolvidos no desenvolvimento dessa área? Quais são os estudos e publicações relacionadas ao tema? Que tipo de estratégias tem sido implementadas? Quais as características da pedagogia da Capoeira Escolar? Quais ações governamentais tem sido levadas a efeito para uma maior presença da Capoeira no ambiente escolar? Que competências os profissionais devem desenvolver para atuar com a Capoeira no ambiente escolar? Quais as contribuições que a Capoeira, esta rica manifestação da cultura popular brasileira, oferece para a escola?

     

    São muitas as questões e reflexões relacionadas ao tema Capoeira Escolar. Um tema rico, fascinante e multidisciplinar. Por isso, o Congresso Brasileiro de Capoeira Escolar: Educação, Cultura e Cidadania na Escola pretende ser um espaço para o encontro, a reflexão, a troca de experiências e a produção de novos olhares, novos saberes, novos entendimentos e novas perspectivas para a Capoeira, a Escola, a Pedagogia, a Criança, a Cultura, a Educação e a Cidadania no Brasil e no mundo.

     

    PROGRAMAÇÃO:

    26 de Agosto – Sexta-feira

    15:00h – Chegada dos participantes e entrega do material

    17:00h – Mesa de Abertura

    Local: Auditório A – CEPEUSP

    18:00h – Palestra e vivência de Abertura – Prof. Vinicus Heine

    Tema: Capoeira Escolar – Tendências e Perspectivas

    19:00h – Palestra com Prof. Dr. Sérgio Roberto Silveira

    Tema: Currículo e Capoeira na Rede Pública Estadual de Ensino de São Paulo

    20:00h – Palestra e Vivência com Gladson de Oiveira Silva e Vinicius Heine

    Tema: Jogos e vivências educacionais em Capoeira

    Local: Auditório A e NURI – CEPEUSP

    27 de Agosto – Sábado

    8:30h – Oficina de Abertura – Prof. Esp. Márcio Rodrigues dos Santos

    Cidade de Deus: Capoeira-Cidadã

    Inscrições abertas para aulas de capoeira na Cidade de Deus

    Até o dia 4 de março, crianças e adolescentes moradores da CIdade de Deus podem ser inscritas no projeto Capoeira-Cidadã, patrocinado pela Merck, indústria química e farmacêutica. A seleção dos alunos tem como base os critérios de renda familiar (até quatro salários mínimos), além da matrícula na rede pública de ensino.
    As inscrições podem ser feitas na sede do projeto, na Freguesia, em Jacarepaguá (Rua Francisca Sales, 25). O Capoeira-Cidadã funciona em turnos da manhã e da tarde, alternando com o turno escolar do aluno.

    Entre as atividades estão aulas de capoeira, incluindo história e música da capoeira, apoio escolar, seminários de cidadania, abordando diversos temas sobre o cotidiano da comunidade atendida e oficinas profissionalizantes de artesanato ligados à capoeira e inclusão digital. 

    Coordenado pelo professor Valter Fernandes, o mestre Curumim, sob o patrocínio da Merck, o Capoeira-Cidadã está em seu quarto ano e, segundo a empresa, já beneficiou cerca de 400 alunos da rede pública de ensino.

     

    Fonte Globo.com

    Brasil: Programa Mais Educação

    DECRETO Nº 7.083, DE 27 DE JANEIRO DE 2010.

    O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso de atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 34 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, na Lei no 10.172, de 9 de janeiro de 2001, e na Lei no 11.947, de 16 de junho de 2009,

     

    DECRETA:

    Art. 1o O Programa Mais Educação tem por finalidade contribuir para a melhoria da aprendizagem por meio da ampliação do tempo de permanência de crianças, adolescentes e jovens matriculados em escola pública, mediante oferta de educação básica em tempo integral.

    § 1o Para os fins deste Decreto, considera-se educação básica em tempo integral a jornada escolar com duração igual ou superior a sete horas diárias, durante todo o período letivo, compreendendo o tempo total em que o aluno permanece na escola ou em atividades escolares em outros espaços educacionais.

    § 2o A jornada escolar diária será ampliada com o desenvolvimento das atividades de acompanhamento pedagógico, experimentação e investigação científica, cultura e artes, esporte e lazer, cultura digital, educação econômica, comunicação e uso de mídias, meio ambiente, direitos humanos, práticas de prevenção aos agravos à saúde, promoção da saúde e da alimentação saudável, entre outras atividades.

    § 3o As atividades poderão ser desenvolvidas dentro do espaço escolar, de acordo com a disponibilidade da escola, ou fora dele sob orientação pedagógica da escola, mediante o uso dos equipamentos públicos e do estabelecimento de parcerias com órgãos ou instituições locais.

    Art. 2o São princípios da educação integral, no âmbito do Programa Mais Educação:

    I – a articulação das disciplinas curriculares com diferentes campos de conhecimento e práticas socioculturais citadas no § 2o do art. 1o;

    II – a constituição de territórios educativos para o desenvolvimento de atividades de educação integral, por meio da integração dos espaços escolares com equipamentos públicos como centros comunitários, bibliotecas públicas, praças, parques, museus e cinemas;

    III – a integração entre as políticas educacionais e sociais, em interlocução com as comunidades escolares;

    IV – a valorização das experiências históricas das escolas de tempo integral como inspiradoras da educação integral na contemporaneidade;

    V – o incentivo à criação de espaços educadores sustentáveis com a readequação dos prédios escolares, incluindo a acessibilidade, e à gestão, à formação de professores e à inserção das temáticas de sustentabilidade ambiental nos currículos e no desenvolvimento de materiais didáticos;

    VI – a afirmação da cultura dos direitos humanos, estruturada na diversidade, na promoção da equidade étnico-racial, religiosa, cultural, territorial, geracional, de gênero, de orientação sexual, de opção política e de nacionalidade, por meio da inserção da temática dos direitos humanos na formação de professores, nos currículos e no desenvolvimento de materiais didáticos; e

    VII – a articulação entre sistemas de ensino, universidades e escolas para assegurar a produção de conhecimento, a sustentação teórico-metodológica e a formação inicial e continuada dos profissionais no campo da educação integral.

    Art. 3o São objetivos do Programa Mais Educação:

    I – formular política nacional de educação básica em tempo integral;

    II – promover diálogo entre os conteúdos escolares e os saberes locais;

    III – favorecer a convivência entre professores, alunos e suas comunidades;

    IV – disseminar as experiências das escolas que desenvolvem atividades de educação integral; e

    V – convergir políticas e programas de saúde, cultura, esporte, direitos humanos, educação ambiental, divulgação científica, enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes, integração entre escola e comunidade, para o desenvolvimento do projeto político-pedagógico de educação integral.

    Art. 4o O Programa Mais Educação terá suas finalidades e objetivos desenvolvidos em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, mediante prestação de assistência técnica e financeira aos programas de ampliação da jornada escolar diária nas escolas públicas de educação básica.

    § 1o No âmbito federal, o Programa Mais Educação será executado e gerido pelo Ministério da Educação, que editará as suas diretrizes gerais.

    § 2o Para consecução dos objetivos do Programa Mais Educação, poderão ser realizadas parcerias com outros Ministérios, órgãos ou entidades do Poder Executivo Federal para o estabelecimento de ações conjuntas, definindo-se as atribuições e os compromissos de cada partícipe em ato próprio.

    § 3o No âmbito local, a execução e a gestão do Programa Mais Educação serão coordenadas pelas Secretarias de Educação, que conjugarão suas ações com os órgãos públicos das áreas de esporte, cultura, ciência e tecnologia, meio ambiente e de juventude, sem prejuízo de outros órgãos e entidades do Poder Executivo estadual e municipal, do Poder Legislativo e da sociedade civil.

    Art. 5o O Ministério da Educação definirá a cada ano os critérios de priorização de atendimento do Programa Mais Educação, utilizando, entre outros, dados referentes à realidade da escola, ao índice de desenvolvimento da educação básica de que trata o Decreto no 6.094, de 24 de abril de 2007, e às situações de vulnerabilidade social dos estudantes.

    Art. 6o Correrão à conta das dotações orçamentárias consignadas ao Ministério da Educação as despesas para a execução dos encargos no Programa Mais Educação.

    Parágrafo único. Na hipótese do § 2o do art. 4o, as despesas do Programa Mais Educação correrão à conta das dotações orçamentárias consignadas a cada um dos Ministérios, órgãos ou entidades parceiros na medida dos encargos assumidos, ou conforme pactuado no ato que formalizar a parceria.

    Art. 7o O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE prestará a assistência financeira para implantação dos programas de ampliação do tempo escolar das escolas públicas de educação básica, mediante adesão, por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola – PDDE e do Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, instituído pela Lei no 11.947, de 16 de junho de 2009.

    Art. 8o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

    Brasília, 27 de janeiro de 2010; 189o da Independência e 122o da República.

    LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
    Fernando Haddad

    Este texto não substitui o publicado no DOU de 27.1.2010 – Edição extra


    Postado por FFC no Federação Fluminense de Capoeira

    Novembro: Mês da Consciência Negra

    Os textos abaixo focalizam as diferentes formas de discriminação e preconceito. Parte do material apresenta dados históricos, que explicam a origem das divergências entre povos e raças no Brasil e relatam o processo de escravidão, da colonização até a abolição. Focalizam, também, experiências educacionais sobre o tema e atividades desenvolvidas por professores em sala de aula.

    As referencias apresentadas (links) foram consultadas no site: http://www.crmariocovas.sp.gov.br

    Fica a sugestão de uma extensa pesquisa e reflexão sobre a verdadeira importância desta data e sua real aplicação dentro do contexto da capoeira e da cidadania.

    Luciano Milanii

     

    Convenção relativa à escravatura

    Convenção sobre a escravatura assinada em Genebra, em 25 de setembro de 1926. Aberta à assinatura ou à aceitação na sede da Organização das Nações Unidas (Nova York), em 7 de dezembro de 1953, e a Convenção Suplementar sobre a Abolição da Escravatura, do Tráfico de Escravos e das Instituições e Práticas Análogas à Escravatura, adotada em Genebra, a 7 de setembro de 1956.

    http://www.direitoshumanos.usp.br/counter/Onu/Emprego_protecao/texto/texto_2.html

    O senado e a abolição da escravatura

    Disponibiliza textos com informações sobre: adesão da Princesa Isabel à causa abolicionista; esforço político e assinatura da Lei Áurea.

    http://www.senado.gov.br/comunica/historia/nonas.htm

    Escravidão negra

    Desde a origem da escravidão até a abolição, este site relata o trabalho, a cultura africana, a religiosidade, entre outros aspectos da vida desse povo.

    http://consorcio.bn.br/escravos/introducao.html

    África negra (colonização, escravidão e independência)

    Conta a história do tráfico de escravos, da colonização e da luta pela abolição da escravatura. Tem também informações de países, líderes e movimentos africanos.

    http://www.terra.com.br/voltaire/mundo/africa4.htm

    Campanha abolicionista

    Informações sobre os interesses e os fatos que resultaram na abolição dos escravos.

    http://educaterra.terra.com.br/voltaire/brasil/2004/11/16/001.htm

    Zumbi

    Contém a biografia do líder negro Zumbi, a história dos primeiros quilombos, do tráfico negreiro e da abolição da escravatura.

    http://www.zbi.vilabol.uol.com.br

    Documentos da Organização Internacional do Trabalho – OIT

    Página do site da Biblioteca Virtual de Direitos Humanos da USP, que apresenta documentos da Organização Internacional do Trabalho. Abordam assuntos como justiça, discriminação e trabalho.

    http://www.direitoshumanos.usp.br/counter/Oit/OIT.html

    Portal Palmares

    A Fundação Cultural Palmares é uma entidade pública vinculada ao Ministério da Cultura, que busca a preservação da cultura afro-brasileira. No site há publicações, legislação, indicação para outros sites e informações de projetos.

    http://www.palmares.gov.br

    Religião e cultura negra

    Texto sobre as religiões africanas inseridas na América. Esclarece superficialmente como se originaram, os dogmas, as doutrinas, as transformações e a diversidade de estilos existentes.

    http://www.orixas.com.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=5&Itemid=6

    Racismo nas escolas

    Apresenta exemplos de discriminação racial no cotidiano escolar e também as ações do Ministério da Educação para combatê-la.

    http://www.fundaj.gov.br/tpd/147.html

    Racismo made in Brazil

    Artigo sobre a origem do preconceito racial no Brasil. Estabelece comparações com a cultura e a discriminação que ocorre em outros países.

    http://ruibebiano.net/zonanon/actual/lcl021211.htm

    Diversidade cultural e fracasso escolar

    Texto que introduz uma reflexão sobre as diferenças culturais, a discriminação e o fracasso escolar.

    http://www.mulheresnegras.org/azoilda.html

    Educação e diversidade cultural: refletindo sobre as diferentes presenças na escola

    Este artigo coloca em debate as diferenças encontradas na escola, já que é um espaço socio-cultural onde há culturas diversas.

    http://www.mulheresnegras.org/nilma.html

    O racismo na sociedade brasileira

    Apresenta textos sobre discriminação racial e a forma de inserção do negro no mercado de trabalho e na sociedade como um todo.

    http://www.geocities.com/CollegePark/Lab/9844/racismo.htm?200630

    O Brasil Negro

    Reportagem da revista Com Ciência, editada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC.

    http://www.crmariocovas.sp.gov.br/grp_l.php?t=002

    Por que os heróis nunca são negros?

    Reportagem que discute a questão dos estereótipos.

    http://novaescola.abril.com.br/ed/157_nov02/html/pluralidade.htm

    Racismo esta luta é de todos

    Entrevista da Revista Raça Brasil com o antropólogo Kabengele Munanga, que fala da discriminação das crianças negras nas escolas e convida a sociedade a rever seus valores para construir um país mais justo e mais rico.

    http://www2.uol.com.br/simbolo/raca/1000/entrevista.htm

    A mulher trabalhadora é o negro de saias

    Neste artigo, Gilberto Dimenstein aborda a questão da discriminação por parte do mercado de trabalho brasileiro em relação às mulheres e aos negros.

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/gilberto/gd300400.htm

    Videoconferência

    Videoconferência de encerramento do módulo II do “Programa SP: educando pela diferença para a igualdade”. Conta com a participação do professor Valter Silvério, da Universidade Federal de São Carlos. O programa é um curso de formação continuada que trabalha com conceitos de diversidade étnico-racial que busca sensibilizar e capacitar professores para a discussão da questão racial no currículo escolar, mostrando a história e a cultura africanas.

    http://media.rededosaber.sp.gov.br//CENP/Streaming00000093.wmv

    SORRISO: Projeto de Polesello declara associação de capoeira de utilidade púbica

    A Associação de Capoeira Volta ao Mundo, que atende gratuitamente cerca de 700 alunos de escolas públicas, foi declarada de utilidade pública. 

    De autoria do vereador Hilton Polesello (PTB), presidente de Câmara de Sorriso, o projeto de lei foi aprovado por unanimidade. O prefeito Chicão Bedin já sancionou a lei.

    Com a declaração, a entidade fundada pelo professor de capoeira, Jarbas Sokolowski, poderá usufruir de benefícios como repasses de recursos financeiros por entidades governamentais. “A Associação de Capoeira desenvolve projetos voluntários e de forma gratuita desde 2005, mas somente a partir de 2007 é que começou a receber apoio da Prefeitura Municipal”, explica Polesello.

    Para freqüentar as aulas, o participante precisa ser um bom aluno. “Ter boas notas e apresentar um bom comportamento tanto na escola como fora dela, são os principais requisitos”, informa o professor.

    Segundo Jarbas, o trabalho inicial é executado nas escolas municipais. Aos alunos que se destacam, são oferecidas bolsas de treinamento e aprendizado na Academia Central de Capoeira, de propriedade do professor. “Na academia, eles são preparados para os segmentos culturais da capoeira, como maculelê, samba de roda e puxada-de-rede, além de treinamento esportivo para as competições”, acrescenta.

    Conforme Polesello, com dedicação e apoio, os capoeristas treinados pelo professor Jarbas, atual campeão brasileiro, já detém títulos nacionais. “Em 2008, a associação fez o primeiro e único bi-campeão brasileiro de capoeira de Mato Grosso e mais quatro campeões brasileiros”, informa o parlamentar, acrescentando que iniciativas como essa, devem ser apoiadas pelo poder público. “Uma pesquisa feita junto aos alunos capoeiristas aponta que entre eles, o índice de reprovação escolar é de 4%, enquanto que a média na comunidade escolar é superior a 18%”, finaliza.
     

    Fonte: ExpressoMT/TVCA – http://www.expressomt.com.br

    A Realidade da Capoeira nas Escolas Públicas Estaduais do Município de Guanambi – BA

    A Educação Física Escolar como componente curricular rico em possibilidades de socialização, integração, desenvolvimento de domínios cognitivos, motores, afetivos; espaço este onde os alunos podem ampliar sua capacidade de criar, recriar, avaliar, experimentar, tomar decisões e relacionar-se, vem sendo descaracterizado para tornar-se um espaço destinado a alunos que demonstram bom desempenho em determinados esportes para preparar equipes competitivas que representem a escola. Após ter cursado a disciplina Capoeira e discutido seus valores históricos, aspectos culturais e sociais, e ainda ter vivenciado a prática desta como fenômeno cultural, questionamos onde estaria a Capoeira nas aulas de Educação Física Escolar. Esse momento de curiosidade despertou uma inquietação seduzindo-nos a esse tema, motivo que nos levou a pesquisar e refletir sobre a Capoeira, questionando assim a sua importância na escola. Para realização desta pesquisa foram entrevistados (13) treze professores das (07) sete escolas que tinham a Educação Física como componente curricular, totalizando 100% dos atuantes da rede estadual de Guanambi-BA. A partir dessa pesquisa detectamos que os professores percebem a importância da capoeira no ambiente escolar, porém não a introduziram ainda nesse contexto, citando motivos como a cultura da cidade, falta de espaço e/ou material, e ainda por não terem afinidades. Para tanto, adotamos o método quanti-qualitativo, utilizando questionários semi-estruturados, com o auxílio do gravador de voz. O que pretendemos na verdade é conscientizar e alertar os nossos leitores no sentido que elementos riquíssimos e tão próximos da nossa cultura vem perdendo cada vez mais espaço no contexto escolar e social

    Palavras – chave: Educação Física; Capoeira; Ambiente Escolar.

     

    INTRODUÇÃO

    A Educação Física Escolar como componente curricular rico em possibilidades de socialização, integração, desenvolvimento de domínios cognitivos, motores, afetivos; espaço este onde os alunos podem ampliar sua capacidade de criar, recriar, avaliar, experimentar, tomar decisões e relacionar-se, vem sendo descaracterizado para tornar-se um espaço destinado a alunos que demonstram bom desempenho em determinados esportes para preparar equipes competitivas que representem a escola em diferentes locais (NISTA-PICCOLO, 1995). Práticas como estas são extremamente discriminatórias, exclusivas e fortalecem a idéia de que a disciplina Educação Física não seja respeitada como “componente curricular obrigatório da educação básica, ajustando-se às faixas etárias e às condições da população escolar” (BRASIL, 1996). O tempo dedicado a Educação Física é insuficiente dentro do currículo, comparado às outras disciplinas, levando-se em conta tudo que ela pode atingir.

    Tendo em vista que grande parte dos professores de Educação Física não aproveita dos efeitos benéficos que a prática coerente traz, não só para ele professor, mas principalmente para seus educandos, as aulas tornam-se pobres, onde conteúdos tão ricos e complexos reduzem-se a um conteúdo mal sistematizado que é geralmente o futebol, dificultando assim as possibilidades dos educandos tornarem-se cidadãos conhecedores da cultura corporal e usufruir efetivamente desta, para beneficiar-se das inúmeras possíveis vantagens advinda da prática. (IORIO e DARIDO, 2005).

    A partir desta compreensão procuramos verificar a prática dos professores das escolas estaduais do município de Guanambi – BA, no que se refere à adesão do conteúdo Capoeira inserido na carga horária regular do componente curricular Educação Física, pois a consideramos de grande valor, não só cultural, mas também éticos, étnicos, políticos, religioso, físico e motor, sendo assim, de extrema importância para a formação do ser humano integral, crítico, independente, autônomo, e cooperativo. O trabalho foi desenvolvido a partir de uma pesquisa com questionários semi-estruturados direcionados aos professores de Educação Física das escolas estaduais do município, adotando-se como foco principal a estima da Capoeira no cenário educacional, no intuito de dialogarmos quanto à valorização da cultura corporal, considerando então o movimento como forma de linguagem.

    Entre os recursos pedagógicos que a Educação Física utiliza em sua tarefa de ensinar existem as atividades corporais proveniente da cultura da criança que fazem parte do seu próprio universo (FREIRE, 1989). Elas possuem uma percepção corporal muito ampla; correm, saltam, pulam, rolam, trepam, características principais do desenvolvimento psicomotor que a Capoeira se adequou perfeitamente, favorecendo um entendimento crítico dos seus movimentos, à medida que não seja interpretada como um ato puramente mecânico, mas um processo onde se identifiquem dimensões históricas, afetivas, sociais e motoras, cuja trajetória “pode-se levar a história da expressão e emancipação do negro brasileiro”. (TAVARES apud FALCÃO, 1998: 38)

    A CAPOEIRA E UM BREVE HISTÓRICO

    Algumas manifestações literárias mostram que a Capoeira pode ter origem em diversos movimentos de dança oriunda da África, tomando como exemplo, a Bassula, a Calcangula ou mesmo o Umundisvui, a Capoeira pode ter como ponto de partida muita dessas manifestações, no entanto, é diferente de todas elas (SOARES, apud IORIO e DARIDO, 2005, p. 181). Capoeira (apud IORIO e DARIDO, 2005: 181) afirma que “temos, agora, uma idéia de como nasceu, de quais as origens da Capoeira: mistura de danças, lutas e instrumentos musicais de diferentes culturas, de diferentes nações africanas”.

    Na escravidão a Capoeira era uma fonte de luta disfarçada em dança para camuflar, já que a sua prática era extremamente proibida. Prova disso é sua introdução no Código Penal, 1890 até a década de 30 (CAPOEIRA, 2001), onde dizia que os capoeiristas presos em flagrantes estavam sujeitos a penas de dois a seis meses de prisão e os reincidentes seriam submetidos a chibatadas e poderiam ser enviados a ilhas isoladas, onde permaneceriam durante três meses submetidos a trabalho forçado. A Capoeira era usada pelos escravos como forma de defesa contra os senhores de engenho, policiais violentos, ou até para acertar diferenças e marcar hierarquia dentro da própria comunidade. Após a abolição da escravatura em 1888, tem-se início a marginalidade, onde os ex-escravos ou negros “livres” foram excluídos da sociedade, se aglomerando nos cortiços. Esses lugares representavam o centro da marginalidade, por isso os negros eram reprimidos constantemente através de abusos e perseguições dos policiais.

    Os negros então sem ter o que fazer, usava a Capoeira como um artifício da malandragem. Faziam serviços sujos, como roubar e matar. A Capoeira era então, mais do que nunca, rejeitada pela sociedade e vista como “coisa de negro”, de vadio ou malandro. Na década de trinta, o presidente Getúlio Vargas, retirou a Capoeira do Código Penal, mas com interesse político. A Capoeira é legalizada, mas imposto que ela seja praticada em ambiente fechado como forma de controle desta manifestação. Surge aí o período das academias, onde a Capoeira sai das ruas e da marginalidade e começa a ser praticada e ensinada em recinto fechado. Isso por que após Getúlio Vargas ter extinguido a Capoeira do código penal em 1934, concomitantemente ele obrigou que tanto os cultos quanto à Capoeira sejam realizados fora das ruas, criando assim também, uma forma de controlar estas manifestações advindas da cultura negra.

    A partir de 1930, no Brasil, essa manifestação cultural nos mostra dois tipos: a Angola e a Regional. A Capoeira angola era a praticada pelos escravos, porém com algumas significações, estas apresentadas com a inserção de instrumentos como o berimbau, o pandeiro, o agogô, atabaque, música na roda de Capoeira e o uso de vestimentas apropriadas para sua prática. Teve como principal personagem o saudoso mestre Pastinha e apresenta algumas diferenças da Capoeira regional. O jogo é mais lento e baixo, os praticantes brincam, dançam com verdadeira mandinga e não utilizam a violência. Tem por características a tradição dos mestres da antiga e as músicas mais lentas. Já a Capoeira regional, criada na década de 1930 por mestre Bimba (IORIO e DARIDO, 2005) apresenta outras características como a incorporação de golpes de outras lutas, a movimentação rápida, a formação de um método pedagógico de seqüências de golpes, ataque e defesa, a música mais rápida e a combatividade, tornando-a um pouco violenta.

    POLÍTICA EDUCACIONAL E INDÚSTRIA CULTURAL

    A sociedade capitalista em que vivemos sempre veio procurando utilizar-se da instituição escolar para transmitir ao futuro trabalhador somente o conhecimento necessário para a continuação do processo de produção em benefício da classe dominante.

    Concordando com Faria Filho (1997), a escola trabalha a corporeidade para a ordem e a disciplina e, tendo toda a organização escolar voltada para esse contento, a disciplina da Educação Física vem assumindo explicitamente essa tarefa. neste sentido, a mesma compartilharia da lógica de negar o saber popular e fortalecer práticas sistematizadas que conduzam à educação do corpo como princípio de rendimento e contentação: um corpo controlado e eficiente.

    Contrapondo essa situação, a Capoeira como manifestação cultural afro-brasileira precisa ser contemplada nas aulas de Educação Física escolar como um conteúdo que contribua para a formação dos alunos, pois: “A Capoeira encerra em seus movimentos a luta de emancipação dos negros no Brasil escravocrata. Em seu conjunto de gestos, a Capoeira expressa de forma explícita a “voz” do oprimido na sua relação com o opressor” (COLETIVO DE AUTORES, 1992: 57).

    Num país onde pulsam a Capoeira, o samba, o bumba-meu-boi, o maracatu, o frevo, o afoxé, o xaxado, o candomblé entre outras manifestações, é surpreendente o fato da Educação Física durante muito tempo ter desconsiderado essas produções da cultura popular como objeto de ensino-aprendizagem.

    No entanto, acreditamos que a Educação Física já deu um passo importante à frente dos cursos formadores de professores; o modo de ver o mundo, as apreciações de ordem moral e valorativa, os diferentes comportamentos sociais e mesmo a postura corporais são assim produtos de uma herança cultural, ou seja, o resultado à operação de determinadas culturas e que também são fontes riquíssimas de pesquisas e estudos.

    VAMOS JOGAR CAPOEIRA

    Quando se fala em linguagem vem em mente uma maneira de se expressar verbalmente. Porém para a Educação Física a linguagem tem um outro conceito, o qual está diretamente relacionado com a cultura corporal. Portanto, é de fundamental importância que o professor saiba adequar a atividade aos alunos respeitando a relação do corpo com o meio social. Assim o corpo torna-se veículo de comunicação espontânea e natural que auxiliará na integração dos alunos.

    Além de trabalhar diferentes modalidades esportivas cabe ao professor dar atenção também a ginástica, dança, luta e o jogo para que haja o cumprimento dos pré-requisitos básicos da Educação Física baseando-se no Coletivo de Autores, e nesse contexto a Capoeira se adequou perfeitamente já que segundo Falcão (1998), a Capoeira exige concentração, dedicação e auto estima, formando um leque de temáticas importantíssimas a serem trabalhadas em sala de aula “… por isso, percebemos a necessidade de compreender as possibilidades pedagógicas da Capoeira nas aulas de educação física” (FALCÃO, 1998: 36).

    Portanto, a Capoeira deve ser trabalhada na escola de forma a possibilitar a ação-reflexão-ação, para que não se torne uma prática puramente mecânica, desvinculada do seu contexto socio-cultural, possuindo assim uma dimensão de interpretação crítico-politica, que a torna um componente imprescindível para a capacidade de formular reflexões históricas, contextualizadas com a nossa própria identidade cultural.

    A CAPOEIRA NO CONTEXTO ESCOLAR DO MUNICÍPIO DE GUANAMBI-BA

    Para a realização desta pesquisa foram entrevistados treze (13) professores das sete (7) escolas que tinham a Educação Física como componente curricular, totalizando 100% dos atuantes na rede estadual de Guanambi-BA. Para essa aproximação adotamos o método quanti-qualitativo o qual consiste em descrições detalhadas de situações com o objetivo de compreender os professores quanto ao tema questionado, e também quantificá-los em relação à prática da Capoeira. Buscando uma melhor analise e interpretação dos dados, utilizamos questionários semi-estruturados, com o auxilio do gravador de voz. Por serem os professores de Educação Física responsáveis pela elaboração e planejamento de suas diretrizes, ou seja, o conteúdo a ser ministrado na escola, é que escolhemos justamente eles para aplicar os questionários e verificar a adesão da Capoeira nas aulas de Educação Física Escolar, fazendo uma ligação com a influência que o tema pesquisado tem para os alunos e para a sociedade. Com isto buscamos os resultados desse processo no sentido de contribuir para compreensão de como a Capoeira se encontra no contexto atual das escolas estaduais locais, qual o seu significado para os professores dessas escolas caracterizando aí a práxis, e por último tentando apontar qual o lugar da Capoeira na escola como conteúdo das aulas de Educação Física.

    Os dados nos mostram que, 100% dos professores não trabalham com a Capoeira nas aulas, alegando falta de espaço, material e/ou ainda o não conhecimento técnico da modalidade. O que nos faz lembrar de João Batista Freire (1992) ao citar que “muitas vezes o que falta no professor é a criatividade”, pois geralmente ficamos presos às atividades propostas nos livros.

    Podemos perceber através da pesquisa que os professores sabem a importância da prática da Capoeira no ambiente escolar, porém não a introduziram ainda nesse contexto, citando motivos como a própria cultura da cidade, que, por ser localizada perto do estado de Minas Gerais tende a adquirir a cultura mineira onde a Capoeira não é tão difundida, e ainda por não terem espaço, materiais ou até mesmo afinidade com essa manifestação da cultura corporal, o que segundo eles os desqualificariam como mediadores desse processo, demonstrando assim que ainda hoje a Educação Física das escolas estaduais do município de Guanambi apresentam um modelo tradicional onde é enfatizado outras modalidades, reforçando a cultura da esportivização acompanhando a escola, em geral, no que diz respeito a reprodução dos valores dominantes na sociedade esquecendo dos referenciais que as culturas como à afro-brasileira, indígenas entre outras oriundas de camadas da classe “ dominada” oferecem e merecem ser destacadas e trabalhadas em sala de aula.

    Analisando os dados obtidos compreendemos que a qualificação profissional dos professores atuantes entrevistados é algo que nos chama atenção. Podemos observar que 4 não são graduados (30%) em Educação Física e entre os 7 graduados (54%) apenas 1 não cursou a disciplina. Ainda constatamos que 1 está em processo de graduação (8%) e o outro possui outra graduação (8%), completando assim 100%.

    Apesar de terem, ou não, cursado a disciplina, os professores alegam a falta da técnica (pratica)5 como um dos principais fatores da não adesão desta riquíssima cultura corporal afro brasileira nas aulas de Educação Física, deixando-nos um vazio quanto à metodologia aplicada na disciplina nos cursos de ensino superior. O que queremos dizer é que, apesar de terem cursado a disciplina na graduação, os professores das escolas não utilizam a Capoeira como conteúdo nas suas aulas usando como subterfúgio a falta de espaço e materiais, ou mesmo a falta de vivência, o que segundo eles os desqualificam como mediadores do ensino desta modalidade. Isso nos leva a refletir qual a relevância da disciplina Capoeira no ensino superior.

    Recentemente a Capoeira vem sendo incorporada como prática educativa escolar por meio das aulas de Educação Física. Por volta de 1999 foi realizado o primeiro curso superior de Capoeira na Universidade Gama Filho (UGF), no Rio de Janeiro. Entre 1997 e 1998 a Universidade de Brasília (UNB) realizou o primeiro curso de pós-graduação em Capoeira na escola, no Brasil. (FALCÃO, 1998)

    Atualmente a Capoeira é obrigatória no currículo escolar dos cursos de Educação Física no Brasil. A incorporação dela como disciplina nos cursos de formação é mais uma das maneiras de tentar buscar e resgatar na história dos negros a sua real importância sócio-cultural para nossa nação.


    CONSIDERAÇÕES FINAIS

    É mister que os professores estejam atentos as riquezas e possibilidades que a Capoeira proporciona através de sua diversidade e relevância histórica e sócio-cultural. Através da Capoeira o professor pode e deve estimular a expressão corporal nos seus alunos sendo possível desenvolver aspectos psicomotores, cognitivos, afetivos e sociais dando inclusive possibilidade do professor estabelecer relações com as demais disciplinas, concretizando assim, a tão sonhada interdisciplinaridade.

    Todas essas informações sobre a Capoeira podem ser trabalhadas nas escolas de várias maneiras. A partir da visão dos PCNs(1998) pode-se abordá-la nas dimensões atitudinais, procedimentais e conceituais de seus conteúdos, levando os alunos a conhecerem essa manifestação pertencente a nossa cultura. (IORIO e DARIDO, 2005)

    Infelizmente é comum nas escolas brasileiras lembrar da nossa cultura apenas em datas comemorativas, reduzidas a culinária (acarajé, abará, etc.), algumas danças (maculelê ou samba de roda) e/ou ainda com demonstrações de grupos de Capoeira que na maioria preparam um espetáculo o que podemos chamar de “Capoeira show”. O que pretendemos na verdade é conscientizar e alertar os nossos leitores no sentido que elementos riquíssimos e tão próximos da nossa cultura vem perdendo cada vez mais espaço no contexto escolar e social.

    Autores:

    João Narciso Barbosa Neto1

    Marlon Messias Santana Cruz2

    Rafael Borel Fiscina3

    Wesley da Silva Moraes4


    REFERÊNCIAS

    ARAÚJO, R. C. A África e a afro – descendência: um debate sobre a cultura e o saber. In: SILVA, C. (org.). Ações afirmativas em educação: experiências brasileiras. São Paulo: Summus, 2003.

    BRACHT, Valter. A constituição das teorias pedagógicas da educação física. Caderno Cedes ano XIX, Nº 48, Capinas – SP, Agosto 1999.

    BRASIL. Ministério da Educação e do desporto, lei Nº 9394/96, de 20 d dezembro de 1996. Estabeleceu as diretrizes curriculares e bases da educação nacional.

    CAPOEIRA, Nestor. Capoeira: os fundamentos da malícia. ed. 8. Rio de Janeiro: Record, 2001.

    COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino de Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992.

    IÓRIO, Laércio Schwantes. DARIDO, Suraya Cristina. Capoeira. In Eucação Física na Escola: implicações a prática pedagógica/ Coordenação Suraya Cristina Darido, Irene Conceição Andrade Rangel – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

    KUNZ, Elenor. Didática da Educação Física 1/Org, Elenor Kunz-2 ed. Ijuí: Ed. Ijuí, 2001. (Coleção Educação Física).

    FALCÃO, José Luís Cirqueira. Para além das metodologias prescritivas na Educação Física: a possibilidade da capoeira como complexo temático no currículo de formação profissional. In: Pensar a Prática: revista da pós-graduação em Educação Física/Universidade Federal de Goiás, faculdade de Educação Física – vol:7, n 2, P. 155-170, jul./dez. 2004. Goiânia: Ed. UFG, 1998.

    FARIA FILHO, L. M. de. História da escola primária e da Educação Física no Brasil: alguns apontamentos. In: Trilhas e Partilhas: educação física na cultura escolar e nas práticas sócias. SOUZA, E. S. & VAGO, T. M. (orgs). Belo Horizonte: Cultura, 1997.

    FREIRE, João Batista. Educação de Corpo Inteiro: teoria e prática da educação física. 3.ed. São Paulo: Editora Scipione, 1989;

    KUNZ, Elenor. Educação Física: ensino e mudanças. 3.ed. unijuí; 2004 (Coleção Educação Física).

    NISTA – PÍCCOLO, Vilma L. Educação Física Escolar: ser… ou não ter? Vilma L. Nista Piccolo, org. 3. ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1995.

    SOLER, Reinaldo. Educação física escolar. Rio de Janeiro, Sprint, 2002.

     

    Capoeira na Escola, uma ferramenta no auxílio do aprendizado

    Nada mais importante do que a "Educação".
     
    Dentro deste contexto alternativo a Escola Municipal Primeiro de Maio, no Bairro de Massaranduba, Bahia, utiliza diversas ferramentas para melhorar o padrão do ensino e a frequência escolar, entre elas a CAPOEIRA.
     
    Para nós capoeiristas é uma honra e uma felicidade saber que a "nossa arte" está sendo utilizada com MESTRIA, seguindo o bom caminho e possibilitando aos alunos a "VERDADEIRA ESCOLA DE CIDADANIA"
     
    Luciano Milani

     

     

    Professores reduzem a taxa de repetência
    Fernanda Santa Rosa – A Tarde On Line – Salvador

    Com metodologia de ensino alternativa e comprometimento da comunidade escolar, a Escola Municipal Primeiro de Maio, no bairro de Massaranduba, está conseguindo driblar os padrões negativos da educação brasileira. Tanto que, a partir do dia 10 de setembro, a pequena unidade escolar vai ser apresentada nacionalmente em uma campanha televisiva do Ministério da Educação (MEC), como modelo de gestão.
     
    O colégio foi escolhido depois que, no final do ano passado, se destacou no estudo Aprova Brasil, realizado pelo MEC em parceria com o Unicef. A pesquisa selecionou os 33 melhores resultados em aprendizagem num universo de 40 mil escolas públicas do País. Em apenas dois anos, a Primeiro de Maio conseguiu reduzir a taxa de repetência, de 32,1% para 6,8%, e o índice de evasão, de 12,2% para 4,7%, graças a projetos de valorização da identidade dos alunos e da comunidade.
     
    No ano passado, o destaque foi o projeto Histórias e memórias de Itapagipe, que motivou os alunos, com pesquisas, palestras, maquetes e visitação aos locais históricos. “Como o assunto tem a ver com a realidade das crianças, elas despertam o interesse, e os pais ficam mais participativos”, explica a diretora Simone Barbosa.
     
    Ela conta que, este ano, a iniciativa tem continuidade com o programa Amar, cuidar e viver Itapagipe. As aulas são voltadas para o meio ambiente. “A maioria dos pais são catadores de material reciclável, e tem muito menino que se sente humilhado. Explicamos a importância deste trabalho”, diz a diretora.
     
    Mudanças – O resultado se percebe em garotos como Jutahy Neves, 10 anos, aluno da 3ª série do ensino fundamental. Antes agressivo e disperso, o menino tem, hoje, notas acima da média e bom comportamento. “Antes, eu só tirava 2, era ruim mesmo nos estudos. Agora, tiro 7 e até 9”, diz o estudante, com orgulho. O mesmo acontece com Alysson Santos, 11 anos, na 4ª série. “Já não faltava às aulas, mas agora está mais interessante, por causa da capoeira”, garante.
     
    Outro ponto que indica o caminho para o sucesso é o envolvimento da população local, com professores voluntários de artes, música e capoeira. A professora Lindalva Lima, embora seja contratada, faz questão de se unir a este time da boa vontade e extrapolar as suas funções convencionais. Conhecida moradora da comunidade, ela vai à casa de cada aluno da escola com mais de três faltas para saber os motivos da ausência. “Além de ensinar, sou secretária e também ajudo na limpeza, porque acho que é um trabalho com amor. Meus filhos se criaram aqui”, diz.
     
    Apesar de bons resultados, a escola passa por dificuldades para se manter. A unidade tem instalações muito reduzidas para os 291 alunos da educação infantil à 4 série. Os recursos da Secretaria Municipal de Educação (Smec) não são suficientes para garantir a expansão dos projetos.
     
    “Fizeram uma reforma em janeiro, trocando as divisórias da sala, o que melhorou problemas, como o barulho. Mas falta muita coisa, como lugar para os eventos e atividades às quais a gente se propõe”, diz a diretora. Para a visitação do bairro, no ano passado, ela lembra que, por falta de um veículo, só teve uma solução: “Fomos somente a alguns lugares e a pé”.