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Fórum Nacional de Performance acontece em Salvador

As reflexões e propostas para a valorização da dança e teatro negro tem cenário e palco próprios: o 3º Fórum Nacional de Performance Negra que acontecerá em Salvador/BA desta segunda-feira (6) até quinta-feira (9), no Teatro Vila Velha. O evento deverá reunir cerca de 200 pessoas entre representantes de Grupos e Companhias negras, pesquisadores e artistas de todas as regiões do Brasil em torno de objetivos alicerçados em uma prática artísticocultural que, nos seus modos de criação e de reflexão, reafirmem a dimensão dinâmica das matrizes afrobrasileiras.

Nesta terceira edição o evento homenageará as atrizes Léa Garcia e Ruth de Souza, o ator Zózimo Bubul e o poeta Solano Trindade (post-mortem). O 3º Fórum Nacional de Performance Negra é uma realização conjunta da Cia. dos Comuns (RJ) e do Bando de Teatro Olodum (BA).

A abertura do evento deverá contar com as presenças dos ministros da Cultura, Juca Ferreira e do Secretário da Promoção da Igualdade (SEPPIR) Edson Santos; dos presidentes da Fundação Palmares, Zulu Araújo, e da Funarte, Sérgio Mamberte, além dos secretários da Identidade e da Diversidade, Américo Córdula, da Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles e da secretária da Igualdade da Bahia, Luiza Bairros.

O evento já se firmou como um referencial do teatro e danças negras do Brasil, com intenção de promover a criação de políticas públicas específicas para esse segmento e, neste ano, foram programadas palestras com Sueli Carneiro (Brasil), Julio Moracen (Cuba), Paulo Lis (Brasil), e Cleyde Morgan (EUA); oficinas de teatro como o dramaturgo e ator Ângelo Flávio; com o diretor teatral e jornalista Luiz Marfuz; de música, com o cantor e compositor Jarbas Bittencourt; e com o músico, ator e diretor artístico Gil Amâncio.

As oficinas de dança ficarão com o bailarino e coreógrafo Zebrinha, com o professor e bailarino Clyde Margon; sobre figurino com Biza Viana; iluminação, com Jorginho de Carvalho (precussor da iluminação teatral no país); sonorização, Filipe Pires; e programação visual, com o artista plástico Gá. Também foram programas atividades em Grupos de Trabalho que contribuirão para o intercâmbio dos/as representantes regionais.

Ainda estão previstas no Fórum apresentações e performances de teatro e dança e manifestações populares de matriz africana. Entre as apresentações estão: Shire Oba, com direção de Fernanda Júlia, encenada pelo Grupo de Teatro Nata, que por meio de um discurso poético, festeja a magia e os encantos da tradição afrobaiana, presente no culto aos Orixás; a peça Silêncio, dirigida por Hilton Cobra e encenada pela Cia dos Comuns que questiona a plateia sobre o que passa pela mente de uma pessoa que durante toda sua existência sente que a qualquer momento poderá ser vítima do racismo. Silêncio é o quarto espetáculo do repertório da Cia dos Comuns, responsável pela encenação de Candaces – A reconstrução do fogo (2003) que recebeu o Prêmio Shell de Teatro – categoria música, sendo este espetáculo considerado um dos 10 melhores do ano pela crítica teatral.

Receita é o terceiro espetáculo a ser apresentado durante o III Fórum Nacional de Performance Negra. Receita é um solo com o bailarino Rui Moreira da Cia Será Quê? – com coreografia de Henrique Rodovalho e é um encontro com a subjetividade do olhar e do movimento.

Fonte:

Jornal Feira Hoje.com.br, Cultura, 06/07/2009 (11h41)

 

Comunicação SID/MinC

Telefone: (61) 3316-2129

E-mail: identidadecultural@cultura.gov.br

Site: http://www.cultura.gov.br/site/categoria/politicas/identidade-e-diversidade/

Blog: http://blogs.cultura.gov.br/diversidade_cultural/

Cia. Baobá de Arte Africana e Afro-Brasileira apresenta novo espetáculo Ancestralidade: “Herança do Corpo”

Nova montagem da companhia faz referências às heranças culturais africanas, e conta com direção e coreografias de júnia Bertolino, direção cênica Evandro Nunes, consultoria de Rui Moreira, preparação corporal Mestre João Bosco e direção musical de Mamour Ba.

As expressões artísticas que vigoram no tempo secularmente do continente-berço da humanidade à imensa afro-diáspora chamada Brasil, transmitidas pelo movimento, ritmo, batuque, teatro, canto e poesia. Em resumo, essa é a essência do trabalho da Companhia Baobá de Arte Africana e Afro-brasileira, coordenada pela bailarina, coreógrafa e atriz Júnia Bertolino.

O Espetáculo  da  Cia  Baobá de  Arte  Africana e  Afro-Brasileira ressalta os valores das culturas da África e suas respectivas heranças no Brasil, como a oralidade, ancestralidade e identidade. Todos esses elementos são representados nas esquetes: “Ritual da Graça”, o “abre-caminho” do espetáculo em que as mulheres – que predominam na companhia – dançam com asas de borboleta em reverência ao matriarcado das diversas sociedades africanas, entre os cantos entoam o verso “Filho Brasil pede benção à Mãe-África”; “Universo Feminino”, que ressalta o papel da mulher na comunidade com toda sua altivez, graciosidade e valores; “Djembola”, que segundo Mamour Ba, que deu o nome, em que as mulheres dançam pedindo chuva para a fartura da colheita; “Ginga do Corpo”, que presta homenagem ao mestre Pastinha e seus seguidores e à capoeira angola;  “Dança Ancestral”, momento de reverência e louvação aos orixás, e “Africana”, que faz reflexões sobre a dança afro na cena contemporânea. A direção musical é do músico senegalês Mamour Ba – que participa da trilha junto com seu filho Cheikh Ba -; com preparação corporal de Mestre João Bosco, da Cia. Primitiva de Arte Negra; cenário de Luciana dos Santos; figurino de Marcial Ávila e Lu Silva; e consultoria artística do bailarino e coreógrafo Rui Moreira, diretor da Cia. SeráQuê?.

 “Ancestralidade: Herança do Corpo” foi construído a partir de agosto, sendo um desdobramento do espetáculo anterior, “Quebrando o silêncio”. Agora, através do patrocínio da CEMIG, via a Lei Federal Rouanet de Incentivo à Cultura, a Cia. Baobá apresenta a nova montagem. No processo, os atuais 14 integrantes da companhia – entre bailarinos, atores e percussionistas – tiveram um momento de formação. O consultor do espetáculo, Rui Moreira, deu oficinas de dança contemporânea. Também participaram dos momentos de formação com os integrantes, Mamour Ba, com canto, dança e percussão da África; o percussionista Carlinhos Oxóssi, com oficinas sobre os ritmos da tradição religiosa afro-brasileira; Marquinho do grupo Encaixa Couro, sobre brincadeiras de roda e o batuque; Mestre João Bosco, com oficinas de capoeira angola e dança afro-brasileira, e Evandro Nunes, do Teatro Negro e Atitude, na preparação cênica.  

 

Sobre a Cia. Baobá

Criada em 1999, por Júnia Bertolino junto com o também bailarino e coreógrafo William Silva e o músico Jorge Áfrika, a Cia. Baobá de Arte Africana e Afro-brasileira surgiu para resgatar no cenário das artes cênicas de Belo Horizonte a representação e valorização das matrizes africanas presentes na identidade do povo brasileiro, retratados através da dança, música, poesia e teatro, a partir de pesquisas sobre a presença dessas matrizes no caldeirão da cultura nacional. Este ano Cia. Baobá completará dez anos de estrada e apresentar seu novo espetáculo de dança, intitulado “Ancestralidade: Herança do Corpo”. Concebido, dirigido e coreografado por Júnia Bertolino e direção cênica Evandros Nunes, sendo  que  o  primeiro  trabalho  da  Cia  é o  espetáculo Quebrando o Silêncio.  

 

Sobre Júnia Bertolino            

Com formação em comunicação social (jornalismo) e Antropologia com especialização em Estudos Africanos e Afro-brasileiro, Júnia iniciou-se na dança afro em 1995, no Centro Cultural da UFMG com o professor Evandro Passos, criador da Cia. de Dança Afro-brasileira Bataka. Nessa época, foi convidada para ser uma das bailarinas da Bataka, a primeira companhia a que pertenceu, com a qual viajou para apresentações na Itália, durante o Festival Internazionale del Folklore, em Roma. Foi bailarina convidada dos espetáculos “Brasil Mestiço” (1996) e “Kizomba – 500 anos”, da Cia. Danç’Arte de Marlene Silva.            

Em 1997, passou a integrar a Cia. de Arte Primitiva, dirigida pelo Mestre João Bosco, com quem aprimorou sua técnica na dança. Até que em 1999, fundou junto com Jorge Áfrika e William Silva a Cia. Baobá de Arte Africana e Afro-brasileira.            

Dentre muitas apresentações e espetáculos, em 2007, Júnia foi convidada para integrar o Coletivo Afro Minas, criado pelo bailarino Rui Moreira, para montar e encenar no Verão Arte Contemporânea o espetáculo “Thiossan” (na tradução em wolof quer dizer “tradição”), dirigido por Mamour Ba, em que dividiu palco com o próprio Rui e o Mestre João Bosco, com trilha do grupo Conexão Tribal African Beat, de Mamour. No cinema, destacam-se as participações nos filmes “Uma Onda No Ar” (2001), de Helvécio Ratton, e “Vinho de Rosas” (2003), de Elza Cataldo. No teatro, participou das peças “Besouro Cordão de Ouro” (2007), de João das Neves, e do espetáculo montado na 4ª edição do Festival de Arte Negra (FAN) pelo Coletivo FAN da Cena, intitulado “Árvore do Esquecimento”, dirigido por Grace Passô, Luis de Abreu e Jessé de Oliveira. Atualmente  faz parte da Diretoria de Arte do NEGRARIA – Coletivo de Artistas Negros/as.  

 

Ficha técnica:  

 

“Ancestralidade: Herança do Corpo”, da Cia. Baobá de Arte Africana e Afro-brasileira

Direção geral e coreografia: Júnia Bertolino

Direção Cênica: Evandro Nunes

Direção musical: Mamour Ba

Consultoria artística: Rui Moreira

Preparação corporal: Mestre João Bosco

Figurino: Marcial Ávila e Lu Silva

Cenário: Luciana dos Santos

Iluminação: Geraldo Otaviano

Cabelos e maquiagem: Dora Alves, Marisa Veloso e Lú Santana

Registro fotográfico e audiovisual: Netun Lima, Renata Mey e João Álvaro

Elenco: Júnia Bertolino, William Silva, Fred Santos, Alex Diego Tamborilar, Eric Delo, Jander Ribeiro, Evandro Nunes, Lu Santana, Lu Silva, Andréia Pereira, Gaya Dandara Campos, Gabriela Rosário, Camila Rievers,  Gilmara Guimarães e Marisa Veloso.

Elenco convidado: Mestre João Bosco

Músicos convidados: Mamour Ba e Cheikh Ba  

 

Serviços:

Espetáculos:  quebrando  o   silêncio  e  “Ancestralidade: Herança do Corpo”, da Cia. Baobá de Arte Africana e Afro-brasileira

 

Contato para show e informações: (31) 99176762  ou  3467-6762  

baoba.arteafricana@gmail.com   juniabertolino@yahoo.com.br   

site: http://www.myspace.com/ciabaoba

 

Bailarinos do Axé são convidados da Quinta da Dança

Crianças e adolescentes que integram o Projeto Axé Capoeira, serão a próxima atração do Quinta da Dança, projeto semanal na programação permanente do Pelourinho Cultural. A apresentação será na quinta-feira, dia 13, às 20h, no Largo Pedro Archanjo, sob a direção de Ivete Ramos da Cia. de Dança Gicá do Projeto Axé.

Intitulado Da Rua para a Lua terá, o espetáculo que será mostrado conta com a participação da Orquestra de Berimbau, formada por membros do Axé Capoeira com a supervisão de Gui Alcântara e sob a regência de Sylvia Britto.

O coreógrafo Eduardo Vieira reservou, ainda, uma mostra performática com alunos do projeto e a participação criativa de bailarinos da Escola de Dança do Axé Capoeira. Também a Cia. de Dança Gicá do Projeto Axé, titular do espetáculo, preparou três coreografias exclusivas para o Projeto Quinta da Dança, realizado em parceria com a Fundação Cultural do Estado da Bahia.

A noite contará com as apresentações das coreografias de Ivete Ramos, Nordeste Derradeiro e Capoeira Bicho. Para o encerramento, será encenada a performance que dá nome ao espetáculo, Da Rua para a Lua, coreografia de Marcelo Moacir, adaptada por Ivete Ramos.

Fonte: http://www.atarde.com.br

Bahia: Capoeira é tema de espetáculo nos Alagados

Pensa Capoeira no Alagados é o nome do espetáculo que mescla música, teatro de rua, artesanato, maculelê e capoeira e será mostrado, no dia 31 de agost, às 10 horas, no fim de linha do Uruguai.

Com a participação de cem artistas, entre crianças e adultos, a apresentação é fruto de uma parceria entre o Instituto Cultural Brasil Itália Europa (ICBIE), com sede na Ribeira, e a entidade Filhos do Sol Nascente, que fica nos Alagados.

O espetáculo será gratuito para levar um pouco de arte e cultura às famílias que ainda vivem nas palafitas.

Fonte: http://www.atarde.com.br/

Vem jogar mais eu, Camará: uma história da capoeira baiana 1940-1980

A Caixa Cultural abriga a mostra Vem jogar mais eu, Camará: uma história da capoeira baiana 1940-1980 – um mergulho no período de afirmação, construção e difusão da capoeiragem no Brasil e no exterior.

A exposição é uma realização da Mandinga, Organização Não-Governamental que há 15 anos vem desenvolvendo projetos sócio-educativos com crianças e jovens de Salvador, tendo como eixo central a prática da capoeira enquanto instrumento de educação e cidadania.

A mostra aborda a capoeira sem recorrer à simbologia mais comum – berimbaus, pandeiros e seus belos movimentos – incorporando as próprias leis internas do jogo como linhas-mestras do projeto.

O visitante é convidado a perceber a lógica ritualística da capoeira, descobrir seus pequenos segredos, suas malandragens e a ter acesso ao processo que se esconde por trás da imagética final do espetáculo da roda.

Constituída predominantemente por recortes de jornais, revistas, manuscritos e fotografias de época, além de filmes, vinis, livros, objetos místico-religiosos, instrumentos musicais e depoimentos de velhos mestres, a mostra inclui filmes e documentários, que serão exibidos numa sala de projeção.

Fonte: Guia da Semana
Foto: divulgação

ÁGUA DE BEBER & desconto de 50% para capoeiristas

O espetáculo foi construído a partir de uma associação entre a música, o corpo em movimento e a reflexão sobre a capoeira e seus aspectos. O texto foi criado a partir de notícias de jornal entre o fim do século XIX e início do século XX, entrevistas atuais com mestres e estudiosos da capoeira como os Mestres Camisa e Nestor Capoeira, o escritor Muniz Sodré, o antropólogo Bernardo Conde e a neurologista Dra. Rosali Correia e o livro “SANTUGRI” de Muniz Sodré, cujas histórias curtas de “mandinga e capoeiragem”, remetem aos segredos, mitos e negaças de personagens como Besouro, Querido de Deus, Madame Satã e muitos outros.

A proposta cenográfica do espetáculo inclui a projeção de imagens, escolhidas pela artista plástica Brígida Baltar, que permeiam as cenas.

A música ao vivo, cujos temas afro-brasileiros, transcendem a tradição da capoeira, está bem presente, pontuando e dando ritmo ao espetáculo.

ÁGUA DE BEBEROutra riqueza desse trabalho está na expressividade do corpo impregnado pela capoeira, nas metáforas e associações com o comportamento cotidiano.

Além de apresentar uma visão histórica da capoeira, o espetáculo apresenta personagens que contam histórias fantásticas, convidando o público a ingressar no universo da capoeiragem. Água de Beber agrada aos capoeiristas e ao público em geral, apresentando as infinitas possibilidades que existem dentro desse manancial de criatividade que é a capoeira.

O DIRETOR

“Depois de 30 anos praticando, observando e estudando a capoeira, resolvi finalmente amadurecer este projeto, que há muito esperava nos arquivos a oportunidade de se concretizar. Trata-se de uma volta às origens, pois foi através da capoeira que descobri as possibilidades do meu corpo em movimento, da expressão da minha voz e do meu ritmo dentro de um grupo. A capoeira é uma fonte de inspiração inesgotável, à qual eu sempre retorno para matar a sede. Uma arte que se transforma e se molda como a água, de acordo com o contexto que se vive no espaço e no tempo do ritual de uma roda de capoeira. “Água de Beber” é uma reflexão atual sobre a capoeira, trazendo, não uma, mas muitas visões acerca de uma das manifestações mais ricas da nossa cultura popular”.

CLÁUDIO BALTAR

FICHA TÉCNICA

DIREÇÃO, CONCEPÇÃO E ROTEIRO: Cláudio Baltar
CO-DIREÇÃO: Fabianna de Mello e Souza
SUPERVISÃO DE PRODUÇÃO E FIGURINO: Valéria Martins
DIREÇÃO MUSICAL E TRILHA: Rafael Rocha, Fábio Leão Pequeno e Sérgio Cebolla
PROJEÇÃO E PROGRAMAÇÃO VISUAL: Brígida Baltar
ILUMINAÇÃO: Aurélio de Simoni
ASSESSORIA DE IMPRENSA: Andréa Cals
FOTOS: Andréa Cals e Mico Preto
PRODUÇÃO EXECUTIVA: Ana Coll
ADMINISTRAÇÃO: Beatriz Sant’Ana
PREPARAÇÃO JOGO DOS BICHOS: Mestre Camisa
PREPARAÇÃO JOGO DE DENTRO: Marron Capoeira
TREINAMENTO DE MÁSCARAS: Fabianna Mello e Souza
VOZES EM OFF: Rodrigo dos Santos, Muniz Sodré, Bernardo Conde
CORDEL: Parafina, Lobisomem e Leão Pequeno
MÚSICA DAS MALTAS E MÚSICA FINAL: Bernardo Palmeira
MÚSICA “ÁGUA PRA VIVER”: Lobisomem e Cebolão
ESTÚDIO E MIXAGEM: Bernardo Palmeira
CONFECÇÃO DAS MÁSCARAS: Clívia Cohen
CONFECÇÃO DE INSTRUMENTOS: Sérgio Cebolla e Marcos China
CONFECÇÃO DE FIGURINOS: Maria das Graças Silva
ADEREÇOS: Cida de Souza
OBJETOS DE CENA: Marcos China
OPERADOR DE SOM E PROJEÇÃO: Filipe Farinha
OPERADOR DE LUZ: Daniel Galvan
ELENCO: Rodrigo dos Santos; Sérgio Cebolla; Fábio Leão Pequeno; Davi Mico Preto; Fábio Negret; Charles Rosa
REALIZAÇÃO: Intrépida Trupe

 

Serviço:

SESC TIJUCA – RUa Barão de Mesquita, 539 – Rio de Janeiro

Sexta, sábado e domingo as 20 horas

Ingressos a R$ 12,00 inteira e R$ 6,00 meia.

Capoeiristas pagam meia entrada.

Kina Mutembua e Orquestra de Berimbaus traz a África para o Brasil

Grupo apresenta espetáculo Intore baseado em dança tradicional dos guerreiros de Ruanda.

 

Em busca da valorização das raízes culturais do país, o grupo Kina Mutembua e Orquestra de Berimbaus da ONG Ação Comunitária do Brasil/RJ (ACB/RJ) mergulha na história e traz à cena o espetáculo Intore. A temporada de shows de dança e música afro-brasileira estréia dia 07 de maio às 19h no Teatro SESI da FIRJAN e fica em cartaz até o dia 21.

Intore, que significa “os escolhidos”, é uma dança tradicional que com movimentos fortes narra a vida de heróis e Reis de Ruanda, na África. Criada há séculos atrás, era originalmente apresentada por guerreiros apenas para a corte real. Nas tradições, os guerreiros intore são selecionados pela excepcional qualidade física e moral e são conhecidos por sua elegância, humildade e honradez.

Sob a direção artística do coreógrafo Charles Nelson, o espetáculo recria os elementos básicos da dança ancestral mantendo a tradição da utilização dos tambores rituais ingomas, vindos de Ruanda. O primeiro ato do espetáculo apresenta o cotidiano de uma tribo africana e suas tradições, retratando situações de caça, agradecimentos a divindades, rituais de modo geral e simboliza a força através da dança dos guerreiros. O grande destaque é a dança da guerra, onde movimentos fortes criam uma coreografia complexa com brutal agressividade.

Com o apoio da Petrobras, a montagem foi elaborada a partir dos resultados da Cooperação Sul Sul Brasil-África realizada com o apoio da ONU no final de 2006. O resultado mescla a tradição ruandesa com elementos da cultura popular brasileira. O intercâmbio com artistas do Ballet Nacional de Ruanda deu ao musical o tom da miscigenação cultural e étnica que orienta todos os trabalhos da Ação Comunitária. O resultado dessa cooperação foi destaque no relatório da UNCTAD sobre as experiências de destaque envolvendo o conceito de economia criativa no Brasil.

Kina Mutembua – Batizado com nome em dialeto banto que significa Dançando com o Vento, o grupo Kina Mutembua da ONG Ação Comunitária do Brasil/RJ caracteriza-se pela dança afro associada à capoeira e ao uso de músicas em dialeto banto em seus shows.

Composto por jovens com idade entre 10 e 30 anos, o grupo iniciou sua trajetória há quatro anos sob orientação de um corpo docente formado por professores de expressão corporal, artes cênicas, dança afro, canto e percussão. A partir dessa experiência, surgiu a Orquestra de Berimbaus que tem como base voz, berimbaus e instrumentos de percussão e efeito.

Coisas Nossas, o primeiro espetáculo do grupo, foi apresentado em espaços culturais tradicionais do país como Teatro Rival Petrobras, Centro Coreográfico do Rio de Janeiro, Teatro Municipal Raul Cortez, Teatro Francisco Nunes (Belo Horizonte), Teatro Nacional de Brasília, Conjunto Cultural da República, Teatro Odylo Costa Filho, Circo Voador e SESC Tijuca. O histórico de apresentações deste grupo ultrapassa as fronteiras do Brasil, o Kina Mutembua já soou seus tambores e mostrou as tradições da capoeira na festa de aniversário da cidade Rinconada de Los Andes (Chile) em 2004.

Ação Comunitária do Brasil/RJ – Fundada há 40 anos junto a comunidades de baixo desenvolvimento econômico, a Ação Comunitária do Brasil/RJ é uma das pioneiras na área de responsabilidade social no Brasil.

Com 40 anos de experiência, a ONG contribui com a definição de políticas e práticas de geração de trabalho e renda para moradores de comunidades de baixa renda. Funciona como incubadora de empreendimentos adotando os princípios da economia solidária e do comércio justo. Recentemente foi destacada pela ONU como um exemplo a ser seguido no combate ao racismo e escolhida, por esta organização, para a realização de experiências-piloto de cooperação Sul-Sul na área da economia criativa. | Site: www.acaocomunitaria.org.br

.Show Intore – grupo Kina Mutembua e Orquestra de Berimbaus, com temporada: 07/05, 13/05, 14/08 e 20/05, 21/05, às 19h30, no Teatro SESI – FIRJAN – Avenida Graça Aranha, 01. Centro – Rio de Janeiro. Ingresso: R$ 12 inteira – R$ 6 meia entrada.

Fonte: http://www.revistafator.com.br/ver_noticia.php?not=38429

Sesc Senac Iracema: Espetáculo Besouro Cordão-de-ouro

O palco vai se transformar numa grande roda de capoeira com atabaques, berimbaus, pandeiros e caxixis, para ilustrar a vida de Besouro Cordão-de-Ouro, o Exu Kerekekê dos candomblés baianos. O espetáculo teatral Besouro Cordão de Ouro será apresentado nesta terça, 15, dentro da programação do Festival Palco Giratório. Com texto, músicas e letras inéditos de Paulo César Pinheiro, direção geral de João das Neves e direção musical de Luciana Rabello, o espetáculo fala sobre Manoel Henrique Pereira, o Besouro Cordão de Ouro, um lendário capoeirista da região de Santo Amaro, na Bahia.

No musical, diversas histórias envolvendo alguns dos feitos extraordinários atribuídos a ele são contadas por outros capoeirista. O elenco é formado apenas por atores negros, escolhidos em workshops do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro. O grupo contou com a coordenação e preparação corporal dos mestres Casquinha e Camisa.

Besouro, nascido em Santo Amaro da Purificação, deixou seu nome gravado nas rodas de capoeira por esse Brasil inteiro. Homem conhecedor de política, impunha respeito e temor aos poderosos daquele princípio de século XX na velha Bahia. Sua vida virou lenda. Além de capoeirista, também tocava violão e compunha sambas-de-roda e chulas.

SERVIÇO

Espetáculo Besouro Cordão-de-ouro hoje, 15, às 20 horas, no Sesc Senac Iracema (rua Boris, 90C – Praia de Iracema). Ingressos: R$ 6 e R$ 3. Informações: 3452 1242.

São Paulo: Da dança à luta: a história da arte que veio da África

João das Neves dirige oito atores negros no musical Besouro Cordão-de-Ouro, que narra o nascimento da potente capoeira

Apresentado no Festival de Teatro de Curitiba, ano passado, o musical Besouro Cordão-de-Ouro deixou o público siderado. Até duas senhoras desavisadas, que baixinho comentavam seu estranhamento no início, acabaram tomadas pela beleza das canções e pela força das interpretações – silenciaram. Ao final, aplaudiam calorosamente, emocionadas, surpresas. E não era para menos.

Dirigido por João das Neves, com texto do compositor, e poeta, Paulo César Pinheiro, autor de dez canções inéditas para a peça, oito atores talentosos e afinados, todos negros, e uma ambientação cenográfica, de Ney Madeira, que leva o espectador para ‘dentro’ da história, trata-se de um espetáculo original e envolvente, de qualidade ímpar. Depois de ter cumprido temporada no Rio – onde está indicado ao Prêmios Shell de direção, música e cenário – e passado por cidades como Brasília, Fortaleza e Belo Horizonte, estréia amanhã no Sesc Pompéia.

Besouro é o apelido de Manuel Henrique Pereira (1897 -1924), considerado o maior capoeirista de todos os tempos. Mas ao contrário de tantos outros musicais biográficos, esse passa ao largo daquela estrutura cronológica focada na vida pessoal do protagonista. Ainda que possamos acompanhar os passos dessa figura de impressionante dignidade, ao autor interessa sobretudo sua dimensão mítica. O espetáculo enfoca a luta pela afirmação da cultura africana em terras brasileiras, submetida, perseguida, mas tão potente que se recicla, miscigena, e mais do que resiste, floresce nesse atrito secular.

Ao longo do musical, é possível perceber como a capoeira brota dos rituais religiosos, por exemplo, como variação da dança sagrada de um orixá. ‘Há muito do candomblé na capoeira, mas o caminho inverso, entre luta e ritual, também se deu’, observa João das Neves. Há uma frase, na peça, que sintetiza essa transformação: ‘a capoeira foi concebida na África, mas nasceu no Brasil’. Por meio das narrativas da tradição oral – retrabalhadas poeticamente por Paulo César Pinheiro – o espectador entra em sintonia lúdica não só a mitologia africana, mas também com apropriações já dela feita pela arte brasileira, como na história do reino de Aruanda e da luta do santo guerreiro São Jorge contra o dragão da maldade.

Depois de se envolver numa cena curta fora da área de representação, o público acompanha o musical acomodado sobre almofadas colocadas em grandes cestos de vime em torno do círculo central de representação, mas os atores caminham por todo o ambiente. Pelas paredes, os mesmos versos cantados ou falados na peça. ‘É uma homenagem ao poeta Gentileza que escreve seus versos nos pilares de viadutos e muros no Rio.’

Projeto acalentado, e preparado durante longo tempo por Paulo César Pinheiro (leia na página ao lado), esse musical certamente ganhou muito com a direção de João das Neves, convidado pelo compositor. Dá para perceber no espetáculo também uma síntese de facetas desse homem de teatro – música, contação de histórias e arte politizada -, nascido no Rio, autor da peça O Último Carro, que iniciou sua carreira na década de 60 dirigindo os famosos shows do Teatro Opinião.

S
erviço

Besouro Cordão-de-Ouro. 90 min. Livre. Sesc Pompéia . Rua Clélia, 93, 3871-7700. 6.ª e sáb., 21h30; dom., 18h30. R$ 16

Fonte: http://txt.estado.com.br

Crônica: A capoeira em roda de besouro

Há pouco mais de um mês estive na casa de João das Neves e da cantora Titane em Lagoa Santa, Minas Gerais. Naquela agradável noite a conversa só não foi mais esticada porque ele estava de saída para fazer um trabalho no Vale do Jequitinhonha. Ele me contou da satisfação de estar fazendo a direção do musical Besouro Cordão de Ouro, de Paulo César Pinheiro, com um grande elenco e coordenação de capoeira dos mestres Casquinha e Camisa. Adiantou-me que talvez viesse ao Ceará com o espetáculo. Fiquei na expectativa de que tudo desse certo. Afinal, tratava-se da história de um lendário capoeira levada para o teatro por dois admiráveis artistas brasileiros.

De Confins a Fortaleza uma música não me saia da cabeça. Era ´Pesadelo´, de Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós. Há anos que não há escuto, mas durante uma boa fase da minha vida essa composição foi uma grande companheira das minhas reflexões. Ainda hoje guardo o álbum duplo ´O Banquete dos Mendigos´ feito pelo compositor Jards Macalé e o disco ´Passarinho Urbano´, da cantora Joyce, ambos lançados na década de 1970 e que têm em seus repertórios essa bela canção de Paulo César Pinheiro a falar de muros que separam e pontes que unem, em pleno ocaso da ditadura militar.

O trecho da canção que insistia na minha lembrança dizia assim: ´Você nem me agarra / alguém vem me solta / Você vai na marra / Ela um dia volta / E se a força é tua / Ela um dia é nossa´. Uma canção que nem faz parte da peça, pois, tirando ´Lapinha´ todas as músicas do espetáculo foram preparadas especialmente para esse musical de sublimação da capoeira. O que aquela canção talvez estivesse me dizendo era como faz bem olhar as movimentações da vida no jogo do tempo. Besouro Cordão de Ouro, ou Besouro Mangangá, era em seu tempo um marginal e, hoje, uma curiosa figura da nossa galeria cultural.

Quando dei por mim o musical estava no Centro Dragão do Mar, dentro da programação do Circuito Cultural Banco do Brasil. Foram duas apresentações, feitas no sábado e no domingo passados. João das Neves montou uma inusitada instalação na área de baixo do planetário, com lonas e caixotes de madeira e um túnel com teto de pequenos cataventos ligando o palco ao saguão improvisado como entrada, por onde o público passava sugestivamente pelo velório do Besouro Mangangá. A configuração se completava com grandes painéis de citações musicais contornando o espaço da roda de capoeira.

O caixão do defunto, revestido com imagens de santos e fundo de espelho, mostrava a cara de Besouro que há em cada um de nós. O itinerário ritualizava a acolhida, reconstituindo referenciais sem dar o tom de coisa do passado. A história ia sendo contada naturalmente pelo excelente elenco de atores, dançarinos, músicos e cantores, enquanto vivenciávamos o acontecido. Todos éramos atores e platéia, sentados em círculo nas almofadas soltas, dentro de cestos e em cadeiras cobertas de preto. O teatro de João das Neves permite que o palco seja de todos.

Estávamos na mesma cumbuca, na mesma roda, no mesmo jogo animado com berimbau, pandeiro, tambores, cavaquinho e violão. Alanzinho, Anna Paula, Cridemar, Gilberto (Labório), Iléa, Letícia, Raphael, Sérgio Pererê, Victor (Lobisomem), William e Wilson contaram e cantaram os feitos de Besouro. Na apresentação de Fortaleza Maurício Tizumba, do grupo Tambo-le-lê, foi substituído pelo próprio João das Neves. A dinâmica desse teatro facilita a alternância de contadores, embora João, na simplicidade dos grandes, tenha comentado para mim logo depois: ´Você precisava ter visto essa parte feita pelo Tizumba´.

João das Neves vem do teatro de rua do Centro Popular de Cultura da UNE e do teatro de protesto praticado nos anos 1960 pelo Grupo Opinião, do qual foi um dos fundadores. É um diretor que cruza décadas sem arredar pé do compromisso de dar dignidade à arte brasileira. Com o espetáculo Besouro Cordão de Ouro ele contribui para pôr a capoeira na roda, seguindo a sina de produzir reflexões sobre as contradições da sociedade brasileira. A capoeira é uma expressão original de interpenetração cultural da porção de brasilidade que veio das gentes africanas.

A palavra capoeira significa espaço da mata que foi queimado para cultivo da terra. Foi em descampados assim que negros, caboclos, cafuzos e mulatos desenvolveram os golpes de defesa disfarçados de dança que, genialmente simplificados, conseguiram ser transmitidos por gerações e, mesmo ainda muito aquém do seu potencial, já fazem parte da paisagem mental brasileira. Reconhecida por ser uma manifestação marcial com ginga diretamente associada à pegada rítmica do berimbau e por ser um sofisticado diálogo de corpos, a capoeira é uma arte de convivência, na qual os participantes se revezam no jogo, com respeito e senso de reciprocidade.

Trabalhos como esse de Paulo César Pinheiro e João das Neves dão maior importância à capoeira por contribuírem para reforçar sua inscrição no que somos e temos de valores comuns. O musical Besouro Cordão de Ouro põe na roda a oportunidade de usufruirmos da capoeira como usufruímos da feijoada. Não se trata de uma expressão que representa outra, nem de representação do que passou, mas da expressão em si e sua confirmação como dimensão poética, ritual, coreográfica e marcial do cotidiano, na interlocução com a memória e a história do Brasil.

Besouro Mangangá nasceu em Santo Amaro, na Bahia das últimas décadas do século XIX, e morreu nas primeiras décadas do século XX, quando a capoeira ainda era proibida. Suas façanhas estão citadas na literatura, na música e, sobretudo, na cultura oral. Chegou ao mundo poucos anos antes da abolição da escravidão e viveu exatamente no período em que a elite colonial resistia à integração dos escravos à sociedade. O apelido de besouro foi uma atribuição do imaginário popular ao fato de Manoel Henrique Pereira ter o dom de desaparecer, de sair voando, quando a encrenca ameaçava seu corpo fechado para facas e balas. Mas não era um besouro qualquer, era Besouro Mangangá, o temido marimbondo de picada venenosa e dolorida.

Muitas histórias são atribuídas a Besouro, especialmente aquelas que exaltam a importância da capoeira como uma manifestação que veio da sobrevivência. A peça conta que ele era um grande escuneiro, conhecedor dos ventos e das marés. Foi assassinado covardemente pelas costas num ataque de faca da palmeira Ticum. Ele teria chegado a colocar as tripas para dentro do bucho e navegar até um pronto-socorro, mas acabou morrendo. Parece que só tinha 24 anos, ninguém sabe ao certo. Tomava partido dos fracos contra os donos de engenhos e batia nos policiais que prendiam seus amigos.

As tiradas de sambas e chulas de Mangangá misturaram-se ao cancioneiro nacional. Sucessos carnavalescos como Fita Amarela, de Noel Rosa (1910 – 1980) teriam sido inspirados em um tema de batucada sugerido por Almirante (1908 – 1980) e que dizia mais ou menos assim: ´Quando eu morrer / não quero choro nem nada / só quero ouvir o samba / rompendo a madrugada´. Esses versos, atribuídos a Besouro, também serviram de base para a composição de Lapinha, música de Paulo César Pinheiro e Baden Powell que dá o tom da peça dirigida por João das Neves.

Besouro Cordão de Ouro é uma obra com muitas teses. Por alguns instantes, durante o espetáculo, cheguei a recordar da música que me acompanhara no avião: ´O muro caiu olha a ponte da liberdade guardiã´. Se ela veio à minha memória sem ser chamada, com a intenção de me ajudar a sentir o musical, acho que fez muito bem.

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