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Método Brincadeira de Angola: Capoeira para Crianças a partir de um ano

Apresentarei neste artigo o método “BRINCADEIRA DE ANGOLA – capoeira para crianças”, que poderá ser utilizado para subsidiar professores que sentem necessidade de embasamento na sua prática com crianças pequenas, a partir de um ano. “-UM ANO??? COMO EH QUE PODE, ELES NÃO FAZEM NADA AINDA!!! NÃO EH POSSÍVEL ENSINAR CAPOEIRA PARA CRIANÇAS DE UM ANO!”, é a reacção que sempre recebo ao apresentar o método. Lembro a todos que, há duas décadas, diziam o mesmo sobre aulas para crianças de 4 ou 5 anos…

Desde os anos 90 vemos um crescimento enorme das aulas de capoeira para crianças, crescimento este que não foi acompanhado por uma preparação pedagógica dos professores, inclusive este que vos escreve.

Como a maioria dos professores, comecei a dar aulas muito jovem e, sem um prepare específico, me vi perdido nos primeiros dias. Isto foi em 1995… na época em que ligávamos para uma escola oferecendo capoeira e eles dizia: “capoeira não, vocês não tem judo?”…

Com o passar dos anos, me especializei em capoeira para crianças e desenvolvi o método “BRINCADEIRA DE ANGOLA-Capoeira para crianças”. Continuei pesquisando e,  sentindo a necessidade de maior aprendizado, ingressei no curso de Pedagogia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, onde me formei e por onde publiquei diversos artigos sobre capoeira e educação no meio academico.

O método BRINCADEIRA DE ANGOLA foi criado pela necessidade de se ultrapassar as aulas clássicas de capoeira para crianças, aulas estas muitas vezes adaptadas de jogos da Educação Física Escolar(EFE).

O intuito foi elaborar uma Pedagogia da Capoeira, especifica desta arte, tendo por base o estudo do ethos da capoeira, do que a distingue de outros campos do saber: a ancestralidade como base, os Mestres como meio e a emancipação como fim.

O método utiliza conhecimentos de diversas áreas academicas, reconhecendo o valor da EFE, da Psicologia, da Pediatria etc, mas eh fundamentalmente baseado nos conhecimentos ancestrais da Capoeira, divididos em 4 áreas complementares:  Movimento, Musica, Social, Afetiva.

Falarei neste artigo somente do aspecto psicomotor, de forma resumida. Sobre maiores detalhes podem contatar-me ou visitar o  site www.brincadeiradeangola.com.br – “Capoeira para crianças no Rio de Janeiro”.

MOVIMENTO NATURAL

Observando o jogo de Capoeira Angola de mestres como João Pequeno, impressiona a simplicidade dos movimentos utilizados e a ausência de estresse muscular, em posições corporais naturais ao corpo humano, como queda-de-quatro, cocorinha, rabo-de-arraia etc. A Capoeira Angola, praticada desta forma, eh  a base da simplicidade do método BRINCADEIRA DE ANGOLA  para crianças a partir de um ano, pois a maioria das crianças nesta idade já dominou os 5 estágios necessários para se mover com um repertório corporal similar ao utilizado pelo mestre João Pequeno e outros grandes mestres de capoeira Angola, que sabiamente chegam a uma idade avançada ainda vadiando capoeira.

Relaciono estes estágios com o mundo animal:

  1. Animais aquáticos: Contração e expansão.
  2. Repteis: Arrastar-se
  3. Quadrúpedes: Andar em quatro apoios
  4. Símios: acocorar-se
  5. Humano: Eretibilidade

 

Fases: 1- Animais aquáticos: Contração e expansão. 2- Repteis: Arrastar-se. 3- Quadrúpedes: Andar em quatro apoios. 4- Símios: acocorar-se. 5- Humano: Eretibilidade

Fase 1 – Animais aquáticos

Nesta fase acompanhamos os primeiros movimentos que a criança utilizou em seu desenvolvimento uterino, um meio aquático: contracao e expansão.
Preservar estes movimentos é essencial para a saúde corporal e para isso utilizamos materiais simples como colchões ou rolos de espuma, auxiliando as crianças a realizar rolamentos laterais ou frontais, como cambalhotas. Futuramente estes movimentos darão lugar a formas mais elaboradas de contração e expansão, como queda-de-rim.

Fase 2- Réptil

O arrastar eh a próxima fase no desenvolvimento motor da criança, quando ela realiza movimentos de oposição entre braços e pernas para se locomover.  Trabalhamos esta fase incentivando a criança a arrastar-se sobre rampas e colchões, preservando o movimento natural que futuramente será utilizado no jogo de chão da capoeira, como na “tesoura de Angola”.

Fase 3 – Quadrúpede

O andar em quatro apoios e crucial para a saúde da coluna vertebral, pois eh nesta fase que se definem as curvaturas lombares e cervicais. Nas aulas de capoeira eh extremamente simples utilizar jogos com animais para se trabalhar este movimento.

Fase 4- Símios

O acocorar confortavelmente, com a planta dos pés completamente chapadas no chão, eh um dos movimentos mais preciosos no repertório corporal humano e, infelizmente, devido ao mau uso de cadeiras e outros apetrechos modernos, extremamente árduo para adultos com encurtamentos musculares. Estes mesmos adultos que hoje não conseguem fazer uma simples cocorinha (mesmo que consigam fazer um mortal parafuso), perderam algo valioso no caminho: a naturalidade do movimento.
A evolução natural do movimento passa necessariamente do acocorar para o ficar de pé, ou seja, toda criança com desenvolvimento saudável, ira equilibrar-se primeiro de cócoras, para depois se levantar.
Nas aulas de capoeira eh possível intervir precocemente para a manutenção deste precioso movimento, nossa “cocorinha”.

Fase 5 – Eretibilidade

Em torno de um ano de idade a criança já se levanta e ensaia o seu futuro andar, que será dominado quando a oposição entre o movimento dos braços e das pernas for alcançado. Se simplesmente o professor de capoeira tocar seu berimbau e deixar a criança dançar livremente, sem apresentar modelos pré-determinados de ginga, ele verá o nascimento de uma ginga espontânea, criativa e natural ao corpo da criança.

Para pensar…

A criança de um ano de idade já tem domínio de todas estas fases, estando apta a ser iniciada no mundo da capoeira.
Fica para o professor a prazerosa missão de ser o catalisador deste processo, criando as condições necessárias para um aprendizado autêntico, emancipador e autónomo, pois construído de forma harmonica entre a naturalidade da evolução motora infantil e a sabedoria da gestualidade da capoeira.

 

Omri Breda (Ferradura) – Rio de Janeiro – omriferra@yahoo.com – www.brincadeiradeangola.com.br

I Encontro Juvenil de Capoeira Angola na Austrália

O objetivo deste encontro e de reunir os alunos do Projeto Bantu que um projeto social cultural que atende 120 jovens refugiados de diferentes nacionalidades, e de países incluindo países Africanos, Iraque, Burma,Timor Leste e etc… que encontraram na Capoeira Angola uma forma de socialização e identidade Cultural .

O encontro terá uma serie de oficinas praticas e teóricas sobre a Capoeira Angola e a Cultura Afro-brasileira, já que nas aulas normais não temos tempo suficiente para o aprofundamento de todos elementos desta Arte.

Este Encontro vai dar também a possibilidade para os alunos encontrar com os Mestres da velha Guarda da Capoeira Angola que transmitira através da sua presença e aulas vários ensinamentos para estes jovens que desde sua infância vem enfrentando vários desafios na vida em seus países, onde estão em conflito politico e social, aja visto a maioria deles chegaram a perde todos os seus familiares incluindo pai e Mãe.

Para maiores informacoes www.capoeirangola-projectbantu.com

Portugal – Mestre Cotta: “3º Campeonato Internacional de Floreio dentro do Jogo da Capoeira”

A Capoeira é hoje uma modalidade desportiva que tem vindo a ganhar uma expressão significativa em todo o mundo. A língua que os portugueses levaram para o Brasil, percorre hoje o mundo inteiro através da capoeira: pelas músicas na roda, pela história, pela ânsia de saber mais sobre a língua e a cultura destes dois países.
A Associação de Capoeira é um dos grandes percursores desta modalidade, desenvolvendo já um trabalho Internacional com atletas formados espalhados por toda a parte.
Com uma grande tradição na organização de Campeonatos, a Associação de Capoeira Raiz do Brasil pretende com estes prestar um serviço de evolução à modalidade. A Competição força a uma dedicação muito grande por parte dos atletas, aproxima estes do profissionalismo e ainda permite todo um convívio e intercâmbio entre estes.
A Associação vem assim este ano realizar uma vez mais o “Campeonato Internacional de Floreio dentro do Jogo da Capoeira”, um campeonato cujo objectivo é dentro de um jogo de capoeira explorar ao máximo as capacidades acrobáticas dos atletas.
 
Visite o site oficial do EVENTO: http://www.raizdobrasil.net/
 
Programação:
 
6 de Julho (Sexta-Feira)
18:00 – Recepção dos convidados
19:00 – Roda de Abertura
20:00 – Jantar
23:00 – Encerramento
00:30 – Roda de Rua (Vila Franca de Xira)
 
7 de Julho (Sábado)
08:00 – Pequeno-almoço
10:00 – Workshops com os Mestres Convidados
12:00 – Almoço
14:00 – Apresentação das Equipas
14:30 – Inicio do Campeonato
20:00 – Jantar
21:00 – Troca de Graduações e Baptizado
22:00 – Roda (livre)
22:30 – Entrega de Prémios
23:00 – Encerramento
23:30 – Festa de confraternização (Local a Designar)
 
8 de Julho (Domingo)
08:00 – Pequeno-almoço
10:00 – Roda de Encerramento
12:00 – Almoço de Convívio
Pack´s
 
Pack Completo
Camisa, Alojamento, Workshops, Refeições(Sábado) e Campeonato – 35€
 
Pack Desportivo
Camisa, Alojamento, Workshops e Campeonato – 25€
 
Pack Visitante –
Camisa, Alojamento e Workshops – 15€
 
Pack Atleta
Camisa e Campeonato – 10€
 
Pack Público
Camisa – 5€
Inscrições até às 13:00 do dia 8 de Julho
Alojamento – Centro de Estágios de Benavente
(10 minutos a pé do local do evento)
• Cama
• WC
• Sala Convivio
 
Refeições (cada)- 10€
Pequeno Almoço (Galão ou Sumo + 1 Sandes) – 2€
Observação:
As marcações para as refeições (Pequeno-Almoço, Almoço e Jantar)
serão efectuadas antecipadamente.
 
Local:
 
Pavilhão Gimnodesportivo da Escola Secundária de Benavente
• Balneários
• Bancadas
• Bar
• Posto Médico
• Estacionamento
 
Observação:
O espaço reservado ao evento (Campeonato, Workshops, Rodas) é expressamente proibido o uso de calçado não apropriado.
Confirmação de Presença:
A Associação de Capoeira Raiz do Brasil, vem assim convidá-lo a estar presente neste evento, para tal agradeciamos a confirmação da sua presença.
Contamos com a sua presença e para garantir a sua melhor estadia, agradeciamos a sua confirmação de presença. Qualquer dúvida ou outro assunto, não hesite em contactar-nos.
 
Mestre Cotta
Telem.  +351 963764912

Portugal - Mestre Cotta: 3º Campeonato Internacional de Floreio dentro do Jogo da Capoeira A Associação de Capoeira Raiz do Brasil, vem este ano a realizar o "3ºCampeonato de Floreio dentro do Jogo da Capoeira", contamos a com a presença de todos os atletas desta modalidade.
 
Caso esteja interessado em fazer sua inscrição com antecedência e assim garantir a sua vaga no Campeonato, Alojamento e T-Shirt do evento, agradecemos que entre em contacto afim de receber o nosso NIB e proceder à inscrição via e-mail.
 
• Não é necessária a participação do Campeonato para participar no evento em geral
• Inscrições com antecedência, solicitar NIB
• É expressamente proibido filmar total ou parcialmente o evento
• Todo o Capoeirista interessado em participar mas que tenha alguma dúvida, não hesite em contactar-nos
• Agradecemos a todos os Professores e Mestres que avisem atempadamente a estimativa de atletas presentes e tamanhos para as T-Shirts
Suely Costa – Monitora Fada
Telem. +351 963468604

Mestre Adelmo e Curso de Emboscadas em São Paulo

As emboscadas de mestre Bimba , que aconteciam nas matas da "chapada do rio vermelho" era uma  verdadeira guerra, verdadeiro treinamento de guerrilha… o aluno que estivesse sozinho, tinha que lutar até quanto pudesse e depois  correr, saber correr, correr para o lado certo … era como se fosse uma briga de rua, só que muito pior, pois todos adversários eram exímios capoeiristas…
sabiam bater, derrubar  e ainda traziam  cassetetes à mão, cassetetes estes feitos por Bimba, de gomos de bananeira, não machucavam mais ardiam pra valer…
 
Nunca vi o mestre explicar este treino…
 
Quando perguntei o objetivo, ele apenas riu e disse: "calma Itapoan a fruta só da no tempo…"
 
César, Raimundo Itapoan, O Perfil do Mestre pg. 53; 1982 Bahia-Brasil
Acredito que a emboscada dentro de um ambiente rural, matas cercas e rios  ou valas ajuda o capoeirista amadurecer um sentimento de alerta . A surpresa da tensão emocional de adentrar num ambiente hostil sozinho e sabendo que vários outros capoeiristas estão escondidos a sua espera com cassetetes, onde seu único recurso é correr e se esquivar o que dá ao participante uma perspectiva de como o negro escravo se sentia quanto era caçado e acuado pelos capitães de mato.
 
Mestre Pastinha em sua infinita sabedoria já dizia: o "capoeirista tem que se calmo" eis um dos segredos dos benefícios da emboscada, a busca pelo controle emocional  Na roda de capoeira é um "contra" o outro , ou melhor, um pelo outro , na emboscada são vários 5,10 contra um. Agilidade, sangue frio, determinação e são exigidos ao Maximo do participante, alem é claro e toda sua capacidade cardiovascular!
 
Pois bem, boa sorte…você vai precisar.                                                                                                         
 
Mestre Adelmo
 
 
Regras:
 
Os bastões são confeccionados pelo Mestre Adelmo  seguindo regras de segurança.
 
Os botões são chamados de carinho de Bimba. Ou botões de Bimba. No final o  resultado é o mesmo.
 
Todos os integrantes são denominados de quilombolas que estão no primeiro posto chamado de Senzala (lugar de escravidão).
 
Sua finalidade é fugir da Senzala e chegar ao quilombo posto principal e destino dos homens livres.
 
Só que entre a Senzala e o quilombo existe a vala, a mata onde se da a emboscada. Os capitães de mato se escondem no caminho a espera do quilombola para então o surpreender.
 
Na emboscada não se agarra não se da golpes nem desequilibrantes (na época de mestre Bimba estes elementos existiam) para preservar a integridade física do participante.
 
A intenção maior do capitão do mato na embosca é fazer com que o quilombola desista de sua fulga e retorne a senzala.
 
Não se bate no rosto. Nos homens mira-se mais nas costas e pernas, nas mulheres  procuramos ter o cuidado de mirar mais as pernas , pois sendo de constituição mais frágil, seus braços podem ficar marcados ou ate com hematomas podendo causar constrangimentos perante a família, amigos e no trabalho.
 
Do investimento: Cada participante devera investir R$ 8.00 . Se desejar  a camiseta do evento será R$ 20.00
 
Da arrecadação: Ficara a equipe da Rabo de Arraia , a cargo da arrecadação do investimento que devera ser feito por cada um dos integrantes.
 
Da Produção: Os bastões serão feitos e supervisionados pelo mestre Adelmo. Ficaram armazenados na loja RABO DE ARRAIA ate o dia do evento.
 
Do evento: A disposição dos participantes  será organizados pela partes envolvidas e distribuídos através do ambiente a ser usado.
 
Dos participantes: As inscrições são limitadas (60 inscritos)
 
Todos deverão fazer uma previa inscrição.
 
No dia marcado todos deverão fazer o reconhecimentos do ambiente.
 
Não haverá individualismo, o trabalho em equipe é a meta principal.
 
Não haverá ressentimento, estaremos revivendo uma cultural ancestral, criada por mestre Bimba.
 
Os mestres e lideres poderão optar em passar ou não pelos caminhos da EMBSOCADA.
 
Todos participantes deveram estar  de calca jeans (de preferência) calcado ante derrapante e qualquer acessório de proteção, luva, capacetes cotovelera etc.
 
O clima do dia do evento não interferira no andamento,sol ou chuva só trarão mais elementos positivos para o evento.
Mestre Adelmo e Curso de Emboscadas em São Paulo
 
Boa sorte e viva a cultural do Brasil
 
Mestre Adelmo

PESQUISA: O COMPORTAMENTO DOS PAIS EM RELAÇÃO À PRÁTICA DA CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

APRESENTAÇÃO DOS DADOS DA PESQUISA
 
Realizamos durante o primeiro semestre do ano 2006, 100 entrevistas com pais ou responsáveis por crianças de 03 à 06 anos de idade que freqüentam unidades de educação infantil municipais e particulares dos municípios de Santo André/SP, São Bernardo do Campo/SP e São Caetano do Sul/SP. Adotamos o método qualitativo descritivo, formulando perguntas que nos esclarecessem a realidade quando os pais optam pela atividade física que o filho irá praticar na escola de educação infantil e também na visão ou idéia que fazem da capoeira e seus benefícios. Ou seja, como estes pais pensam a respeito da arte capoeira e seus mestres/professores dentro da educação infantil e como se comportam ou influenciam nas escolhas esportivas de seus filhos.
 
Dos dados coletados nas pesquisas, estabelecemos as seguintes categorias de análises e interpretações:
MODALIDADES ESPORTIVAS OFERECIDAS PELAS INSTITUIÇÕES
ATIVIDADES QUE DESPERTAM MAIOR INTERESSE DAS CRIANÇAS
A CONCEPÇÃO DE CAPOEIRA
O PROFESSOR DE CAPOEIRA
A PRÁTICA DA CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
 
Análise e Conclusão
 
Após analisarmos os dados concluímos que estamos diante de um fenômeno revolucionário dentro do universo da capoeira com as suas adaptações dentro da sociedade e em especial no cenário da educação infantil (primeira infância que contempla dos 02 aos 06 anos de idade). Em dado momento ela estava nas senzalas e era a arma dos negros escravos para alcançarem a liberdade. Passou então por uma fase de marginalidade onde ser capoeirista, significava pertencer a alguma malta ou bando e estar sujeito a penas como prisão ou deportação. Hoje vive um cenário promissor ganhando o planeta e tendo como resposta o trabalho pedagógico através da prática biopsicossocial.
 
Com a sua transição, e acompanhada de figuras ilustres como Mestre Bimba, Mestre Pastinha, Annibal Bulamarqui, Mestre Waldemar da Liberdade entre outros, a capoeira se tornou uma poderosa ginástica e um método de ensino que levava à sociedade disciplina e saúde. Mesmo que influenciada por um conceito higienista (defesa da educação física nas escolas para a eugenização da raça brasileira, implantação de hábitos saudáveis, salientando o seu aspecto simbólico, cultural e histórico)
 
Então, o Presidente Vargas derruba o decreto que fazia da capoeira um crime e transpõe a sua prática para instituições de ensino e ambientes fechados. Ela ganha as escolas, as universidades as instituições militares. Mas como fazer com que se adequasse a estes novos ambientes? Ambientes estes em geral distintos às senzalas e navios negreiros, as ruas e praças. E isto, ainda, sem perder suas raízes e seus fundamentos.    
Enxergamos então, com base nestes estudos e pesquisas a habilidade e a criatividade dos educadores sociais (mestres/professores de capoeira) em propagar a capoeira e utilizá-la como ferramenta pedagógica e de inclusão social . A sua história está entrelaçada com as raízes da escravidão e a sua prática é algo mágico para quem realiza e belo a quem admira.
 
Nas escolas de educação infantil, a capoeira ganha o respeito e a admiração das crianças. Notamos que de fato, isto se deve muito à didática e a metodologia do professor que está dirigindo a modalidade. Contudo, uma roda de capoeira é singular, é única. E neste espaço a criança se alegra, salta, gira e retira deste momento o melhor resultado.
 
A aceitação da capoeira, pelos mais diversos meios da sociedade, melhorou nos últimos cinco anos e ainda não sabíamos em que ponto isto se encontrava. Certamente, até mesmo para nossa surpresa, as respostas concedidas nas pesquisas realizadas pelo nosso projeto, nos levaram a concluir que os pais acreditam nos benefícios físicos e sociais através da prática da capoeira. E que certamente a cultura ainda é muito valorizada, apesar de sofrer enormes transformações de caráter e conteúdo.
 
Não cabe a nós, descartarmos o preconceito, embutido em nossa sociedade e que certamente ainda dificulta o trabalho de muitos professores e mestres. Não só na capoeira, mas com diversas manifestações que construíram a herança cultural do povo como o maculelê, o samba de roda, a puxada de rede as danças regionais como o carimbó, a catira e o maracatu, enfim; uma série de temas trabalhados juntamente com a herança cultural dos africanos que proporcionam ao professor de educação corporal um “arsenal” de brincadeiras e possibilidades. Em dados momentos na análise das respostas, isto ficou evidente, porém em pequeno percentual (cerca de 18% das respostas)
 
O processo de explicitação do valor da capoeira e de suas tradições se faz necessário e afirmamos que é até importante para a sua riqueza enquanto cultura e não produto de consumo em massa. Cabe ao educador de capoeira quebrar com este paradigma e sanar dúvidas e até mesmo sofismas que estão “embutidos” no imaginário popular; o chamado inconsciente coletivo.
 
As construções de idéias e conclusões por parte da sociedade dependem muito do que estes enxergam na mídia e, alguns programas exibidos em canais abertos e fechados de televisão recentemente para a população, já associam a capoeira com educação e isto certamente influenciou os pais nas respostas de caráter qualitativo que obtivemos com nossas pesquisas, já que alguns até comentaram a nós que haviam assistido algo sobre capoeira relacionado com educação e inclusão social em programas de televisão.
 
Certamente, o trabalho de alguns mestres e professores, com qualidade e realizando bons eventos, também contribuiu para a melhoria no campo de inserção da capoeira. Isto servirá como base para que futuramente outros professores possam ter o reconhecimento de sua profissão como mestres de capoeira e/ou educadores de capoeira sem sofrerem preconceito ou discriminação.
 
Conseguimos ainda concluir que a imagem do mestre/professor de capoeira está ligada a disciplina e sabedoria. Quebrando um padrão “marginalizado” e que sempre associou a capoeira com “malandragem”. Cerca de 80% dos entrevistados fizeram associação dos professores de capoeira com palavras como “educação” e “disciplina”. Não alvo de nossa pesquisa, mas nitidamente notado, foi a diplomação do capoeirista no ambiente acadêmico. Buscando agregar aos seus conhecimentos novas perspectivas biológicas, humanas ou sociais.
 
Aulas de Capoeira na Educação Infantil / P.B.F São Bernardo do Campo/SPContudo, a capoeira ainda precisaria ser implantada por um número maior de escolas e unidades de educação infantil em razão da promissora mão-de-obra existente no mercado, pois apenas 30% dos entrevistados reconheciam a modalidade na escola em que seus filhos lecionavam. Talvez a construção de bons projetos nesta área, publicidade ou até programas de incentivo, poderiam proliferar o número de escolas de educação infantil que optariam pela prática da capoeira. Este processo, de certa forma foi identificado, pois no último ano a procura por professores de capoeira nas unidades de Educação Infantil quase triplicou com base nos coordenadores e proprietários que nos procuram para implantar o projeto de capoeira nas suas instituições. Que este estudo seja capaz de apontar ao profissional que lida com capoeira a missão que está sob sua responsabilidade. Preencher os espaços que estão nos abrindo e ainda conscientizar educadores e coordenadores pedagógicos da importância de nossa arte dentro do universo educacional. Uma arte que ganha espaço a cada dia, mas que precisa ser muito bem conduzida para não perder a direção em que caminha.
 
Adeus, Adeus! Boa Viagem
 
Pesquisa Realizada pelo Projeto Beija-Flor Capoeira Para Todos
Data: Março de 2006 à Agosto de 2006
Responsáveis pela Pesquisa de Campo
Ricardo Augusto da Costa
Rodrigo César Gomes da Silva
Análise Prof. Cristiane Guzzoni
 
Para obter a pesquisa da integra enviar pedido no e-mail: beijaflor@portalcapoeira.com
Visite: http://bfcapoeira.vilabol.com.br

Brasilia: O Gunga Chama! Repercusão… e Volta por Cima…

De Brasília vem o reforço… de modo positivo e conciente o GUNGA chama!!!  A repercusão… e a VOLTA POR CIMA…
Nosso camarada Eurico, Contra Mestre da Cordão de Ouro, de Brasília, responsável por vários projetos Sociais e de interesse da comunidade nos escreve em resposta a matéria divulgada no dia 01 de Setembro de 2006
 


Nota à Imprensa
 

Dado os últimos acontecimentos sobre a morte do jovem promotor cultural Ivan R. da Costa, por criminosos lutadores, o Instituto Volta Por Cima – Capoeira, Educação e Cultura vem à mídia alertar sobre a gravidade das repercussões causadas à classe Capoeirista do Brasil.
 
O acontecido foi brutal e lastimável. Entretanto, a maneira como vem sendo trabalhada na mídia essa notícia, põe a perder o trabalho sério de muitos Educadores Populares em todo o Brasil. São pessoas que prestam serviços necessários às comunidades onde trabalham, utilizando a Capoeira como instrumento de arte-educação praticamente sem apoio algum das entidades publicas e privadas.
 
É importante salientar que estes criminosos além de praticar várias outras lutas e fazer o uso constante de esteroides anabólicos, ao que parece, foram preparados para competição estremada e alienada e guiados por egos inseguros e inflados de esteróides. Como produto de um meio alienado, estes criminosos, nem de longe representam toda uma classe de educadores e nem tão pouco parecem ser capazes de avaliar a conseqüência de seus atos brutais.
 
Brasília vem sendo marcada por atos brutais de sua juventude alienada há anos, como o caso do índio Galdino, do jovem Marco Antônio Velasco e tantos outros veiculados pela mídia. Infelizmente os representantes brasilienses de nossa cultura, em viagens ao Brasil e ao exterior, são constantemente interpelados sobre tais casos e sobre a violência na Capital Federal.
 
É dever da mídia e da classe Capoeirista, evidenciar bons exemplos de trabalho com a comunidade e divulgar programas que são modelos de sucesso em educação e inclusão social. É  dever da comunidade de Brasília e da mídia local associar o nome de Brasília e do Brasil a estes programas educativos, que vêem, com muito sucesso, trazendo melhorias significativas na educação e na qualidade de vida de muitos cidadãos brasileiros, estrangeiros e jovens da periferia em situação de risco, que na maioria das vezes não têm nenhuma assistência do estado.
 
Precisamos decidir como queremos ser vistos pelos cidadãos brasileiros e pelo mundo. Como a capital da violência juvenil ou como a capital dos programas educativos? Tenho a certeza que um jornalismo consciente, em um país desesperançoso como o nosso, tem, entre outras, a missão de exemplificar o empenho e o sucesso de nossos educadores populares que educam e promovem a melhora nas condições sociais de milhares de jovens em situação de risco por meio da Capoeira.
 
Pedimos encarecidamente à mídia de Brasília, que dê oportunidade aos Capoeristas  de mostrar a importância da Capoeira como meio de educar e de incluir socialmente com a mesma ênfase dada ao lastimável assassinato de Ivan R. da Costa por espancamento. Esta manifestação cultural faz parte de nossa ancestralidade e já é referencia mundial em trabalhos na busca por melhoria da educação, de qualidade de vida e integração social.
 
O Instituto Volta Por Cima – Capoeira, Educação e Cultura se coloca à disposição da mídia para entrevistas e pautas que possam evidenciar a Capoeira e seus programas autônomos de Responsabilidade Social. Assim como nos propomos a reunir Mestres de Capoeira (educadores populares) que possam representar dignamente a Capoeira diante de mais uma fatalidade em Brasília.
 
 
Atenciosamente,
 
 
 Contra-Mestre Eurico Neto
 Presidente do Instituto Volta Por Cima


Cordão de Ouro – Brasília – www.cordaodeouro.org
Coordenação – Contra-Mestre Eurico
Professor de Educação Física
CREF/DF- 1449
Academia 55-61-4438450 Cel: 55-61-81110647
Direção – Mestre Suassuna

Angola no Cazuá em Bremen… Alemanha

É com muita alegria que recebemos a notícia, através do Contra Mestre Wellington, Berim Brasil, de que em outubro, na Alemanha irá acontecer um evento muito importante para a nossa capoeira… evento este que pretendo estar presente e assim enriquecer minha cultura, minha capoeira e acima de tudo construir novas amizades!!!

Luciano Milani


O Grupo de Capoeira Angola Irmão Guerreiros, está comemorando o 1º aniversário do seu "Cazuá", nome carinhoso e repleto de brasilidade…, da sua academia em Bremen, Alemanha, comandada pelo Contra mestre Pernalonga que a 4 anos saiu do Brasil para a sua volta ao mundo…

Considero este evento uma excelente oportunidade para os capoeiristas que estão aqui na Europa poderem se reciclar e aumentar os seus conhecimentos capoeiristícos.

O time que irá entrar em campo para estes quatro dias de festa é sem dúvida uma equipe campeã… Teremos a presença do Mestre Pernalonga do Grupo Nova Geração de Angola, do Contra mestre Pernalonga e de uma rapaziada de primeira… 

O site oficial do evento para maiores informações é: http://www.capoeira-angola-bremen.de/de/index.htm


Miltinho Astronauta na Europa

O grande camarada e capoeirista Milton Cezar Ribeiro, conhecido na capoeiragem por Miltinho Astronauta, embarca para uma temporada na Europa, onde deve ficar aproximadamente 30 dias.
 
 
Em seu itinerário está previsto uma rápida passagem por Portugal onde será recebido e hospedado por Luciano Milani.
 
Este encontro nasceu de uma rica e próspera sintonia de ideias e projetos que tem a capoeira como pano de fundo e o envolvimento no processo de informação e democratização da Capoeira Virtual
 
Miltinho é o responsável, o maestro do excelente e dinâmico Jornal do Capoeira (
www.capoeira.jex.com.br ) e desenvolve este trabalho com competência e seriedade.
Luciano Milani é o responsável pelo Portal Capoeira (
www.portalcapoeira.com ), pelo Capoeirista.com.br ( www.capoeirista.com.br ) e pelo Luciano Milani – Capoeira ( www.lmilani.com )
 
Vamos esperar que no próximo dias 14, 15 e 16 de Setembro, estes dois trabalhadores da capoeira possam conversar muito, jogar capoeira, discutir e trocar experiências para continuarem com o excelente trabalho de informação e democratização no universo capoeirístico. 
 
Uma boa Viagem Miltinho, do lado de cá estamos lhe esperando de braços abertos, no pé do berimbau…

 

Iêêê… dá volta ao mundo….

ÉTICA NA OU DA CAPOEIRA?

"A capoeira para mim é, entre outras coisas talvez menos importantes,
um ensino ético realizado através de situações simbólicas."

Para nós estrangeiros o gosto pela capoeira não pode vir da sua imagem como símbolo da brasilianidade ou da africanidade dentro da brasilianidade. A história social europeia tem produzido o boxe e a savate ; nas Antilhas o Ladja (ou Danmié) apresenta tão bem a herança Afro que nem os velhos "majors" remanescentes da arte, nem os revivalistas, atraem muitos adeptos. É que em muitos municípios, mesmo com esmagadora maioria Afro-antilhesa, a prática, como todas em que o tambor participa, é proibida, por ser indigna da grande civilização francesa, a qual domina absolutamente o terreno. Esta cultura é a que tem formalizado,com a obra do Barão Pierre de Courbertin, a reativação dos Jogos Olímpicos e outras medidas de normalização dos esportes. Para isto, se valeu da tradição aristocrata do duelo, fonte do espírito de sujeição à regras, e de jogos populares pouco regrados.
Ao estudar estes jogos do passado, constatamos que se desenvolveram a partir das tenções que os praticantes sofriam no seu cotidiano. Especificamente, as formas antigas, na França ou na Inglaterra, das lutas (em suas modalidades populares) como dos jogos de bola, tinham muitas vezes um conteúdo social, que podia ocasionalmente ser considerado danoso ou subversivo. A proibição da capoeira na fase de modernização do Brasil não é um caso único. A regulação os jogos foi um esforço de controle social, exercido ou pelos especialistas tradicionais da questão, padres e pedagogos, ou pelos industrialistas. Integrados hoje na economia do espetáculo, o esporte é considerado pelos seus promotores como exercício higiénico e educativo. Higiénico, combate os efeitos da divisão do trabalho, em qual os indivíduos, particularmente os operários do sistema de produção de massa e os empregados de escritórios, vêem o seu corpo deteriorado pelas tarefas repetitivas ou o sedentarismo; educativo, pratica a concorrência para que o melhor ganhe, mostra um retorno graduado pelos investimentos pessoais; higiénico, dá espaço de esvaziamento para tensões psicológicas dirigida por ele contra um adversário ritual; educativo, coloca a ênfase sobre o respeito das regras, aprendizagem da legalidade; higiénico, põe em contato setores diversos da sociedade; educativo, ensina a cada um o seu lugar, integrando os dominados através de esportes coletivos onde os postos de comando são atribuídos aos integrantes de classe alta; higiénico, tira a mocidade da bebida e das demais drogas; educativo, ensina a dignidade na derrota e a submissão às decisões do árbitro.
No decorrer do século, a sociedade tem evoluido para uma concorrência generalizada entre estruturas equivalentes. Sem falar do mercado, onde vemos um sem-número de sabões, de biscoitos, de carros mais ou menos similares, as religião fornecem um exemplo : quantas denominações cristãs? Porque foi achado necessário separar-se tanto, quando a diferença teórica é tão pouca? Os esportes, similarmente, evoluiram para acabar todos, nos seus princípios e na sua estruturação, modalidades diversas da mesma metáfora da sociedade industrial. Ultimamente, o desenvolvimento tem chegado a um paradoxo. Não cabe aqui tentar uma explicação, mas o fato é que temos um desemprego considerável. Neste contexto, o princípio de competição para seleção dos mais aptos não permite mais a conservação de uma posição à altura da dos pais para todos os rebentos.A família, de que se falava que estava em crise, voltou a atuar para ajudar fornecendo patrocínio. O dinheiro comprou longos espaços de adaptação profissionais não pagos para que os filhos se tornassem mais atraentes, independente das suas capacidades, para os empregadores. O esporte, portanto, apresenta agora na vista comum uma projeção falsificada do funcionamento social. Como espetáculo, vira celebração de uma cultura em crise ou até em decadência, como opção pessoal, ilude o praticante. Em resposta, apareceram e foram oficializados uma série de "esportes" com ênfase diferente, onde o aspeto agonístico está quase ausente. O seu princípio comum é o do concurso acrobático. O indivíduo solitário consegue fazer algo inédito. Um júri atribui o prémio. A arbitrariedade da decisão é compensada pelo seu lado político (coletivo). No entanto, os folguedos populares que não foram integrados pelo espírito esportivos continuam (ou não) existir discretamente. Pois nem todos entraram no molde. E cada povo imigrante trouxe as suas modalidades próprias, que nem sempre se prestavam à esportivismo. Como o desemprego cria condições aventurosas em todos os setores, o número dos que procuram o sucesso em novas direções vai aumentando: decisão arriscada, mas não mais do que a participação à concorrência maior pelos postos já definidos.
A capoeira é um destes rumos, e certamente já vemos dois jeitos de integra-la ao quadro, de acordo com diversas opções pessoais. Como modalidade de luta, a única chance dela é o seu exotismo, que faz ela adotada por praticantes de um determinado esnobismo, e por galos que prefirem ser o dono de um pequeno terreno do que se expor ao vasto mundo. Como jogo acrobático, e possivelmente em conjunto com efeito de exotismo e de moda, atrai aqueles, já aludidos, que perderam os valores de competição para seleção dos melhores e se entregam à decisões coletivas (metáfora da política) para a valorização do seu esforço. Estes muitas vezes temem o contato e confronto com um outro e tornam essencial e permanente a regra de parceria que a capoeira tem no seu treino.
Ainda existe outro caso — o meu, por sinal. Gosto da capoeira porque a capoeira, vadiação, brinquedo, baderna, jogo, NÏ É um esporte, dos que são uma simples projeção metafórica da sociedade industrial : regrados, sem acesso dos indivíduos à definição das regras; burocráticos, policiados, insensíveis às pequenas variações locais.
A perspetiva de ver regras impostas à capoeira olho com muita suspição. A capoeira não tem regras? Acredito que sim, tem; mas, isso é importante, a capoeira não tem regulamento, não tem regras EXPLÍCITAS. A diferença da expressão do que é o certo através de símbolos e através de explicitação num discurso é capital.
Pretendo elaborar alguma coisa no assunto, mas a não ser a falta de tempo para um escrito do qual quero que obedece às regras formais da cientificidade e mantenha um rigor no seu raciocínio, existe uma contradição no meu propósito. É preciso alguma meditação antes de explicitar a necessidade de não explicitar regras.
Em defesa da ausência de regras, já posso destacar que isso permite adaptação às mutações do meio social. Certamente, a capoeira já mudou, e muito do Brasil colonial para cá. Segundo, o juridismo de normas, de regras escritas é integral da cultura europeia — para ser mais preciso, da cultura dos mestres, dominantes europeios. Não é só no Brasil que os dominados tem tentado burlar regras para quais não foram consultados. Não sou anarquista. Não dou valor geral à eliminação de regras. Não julgo o resultado do espalhamento (violento) da cultura dita ocidental. Mas o fato atual é que o crescimento da civilização industrial, da divisão do trabalho, da especialização inclusive das tarefas de dominação, da burocratização, fazem que não existe mais lugar de decisão, onde se determinariam regras. Os moradores da aldeia planetar são dominados por regras que sempre, qualquer seja o nível onde estão endereçados os protestos, são determinadas um além. Existe, em consequência, uma crise da aceitação dos regulamentos.
Ponto de vista, isto, que pode muito bem não ser dos capoeiristas, brasileiros socialmente dominados, suburbanos, biqueiros, donos de ofícios desvalorizados, em ânsia de merecido reconhecimento social, que procuram-lo através de organização oficialmente padronizada. Aceitam estes constrangimentos mais do que construem-los — na vida tem que ter jogo de cintura.
Mas não é o caso, se não me engano, dos organizadores do grupo Palmares da Paraíba de quem recebemos a comunicação sobre a ética, nem dos autores de textos sobre a ética que encontramos no Internet. Se trata de pessoas já bem integradas, já que o acesso ao Web requer alguns recursos financiais e sobretudo uma determinada familiaridade com a lógica do escrito e dos computadores.
O que vemos na rede é expressão de un desejo de colocação de regras éticas oriundas do estado (ética cívica) ou da sociedade civil (éticas esportivas, religiosas, liberais, étnico-culturais) para a capoeira. É uma ação similar à do barão de Courbertin, que pode muito bem se chamar de violência simbólica.
Simbólica, porque exercida sobre os símbolos, isto é, são as ferramentas mentais que permitem às pessoas de constituir uma visão do mundo própria. Violência, porque aproveitam da dominação do verbo na sociedade e do prestígio da fala bem construída para apagar os comportamentos que constituem, de fato, expressão de outra construção simbólica do mundo. Sei que muitas pessoas, particuliarmente as "educadas", ficaram, devido à educação especializada no domínio do discurso, insensíveis aos símbolos não verbais. Não digo que isto não seja certo. O discurso é mesmo a chave para todos os caminhos do sucesso social. Mas não é o único meio de constituir símbolos. Todo mundo se vale do seu corpo para soltar mensagens, e os letrados, que em consequência da sua especialização não entendem estes sinais antes de verbaliza-los, precisam de reconhecer com alguma humildade que a reação direita ao fluxo de símbolos corporais é mais eficiente no relacionamento social. É mais rápida, mais precisa, e reage às variações do intercâmbio. Para estes, como para bom número de europeios, o treino na capoeira é verdadeira reeducação.
Mas para aprender, é preciso de um professor. Não pode ser o aluno que dita as regras — um fenómeno, digo passando, que encontramos muito por aí, o do aluno que acredita que aquilo que aprendeu na vida é válido sempre, portanto válido na capoeira, portanto que já sabe tudo e só precisa de algumas técnicas. No caso do textos sobre a ética, sem tirar nada da capoeira que os autores já tem, assistimos à manobra do mesmo cunho. Sendo que existem regras éticas; sendo que essas regras são universais; sendo que a capoeira é parte do universo; declaram os autores: as regras éticas devem se aplicar à capoeira. Mas não é nada disso. A capoeira não precisa de ética. A capoeira tem ética. A capoeira para mim é, entre outras coisas talvez menos importantes, um ensino ético realizado através de situações simbólicas.
Por enquanto, não quero explicitar mais. Isto já é demais para os praticantes não letrados, que são os primeiros usuários deste ensino da capoeira, que nem por isso deixa de ser útil para os outros, mais formados e deformados para e pelo discurso. Se, porém, subsidisse uma dúvida sobre o fato que a capoeira tem ética em si, indicarei, simplesmente, que se a ética é prescrição de uma atitude certa frente à vida social, então, a atitude capoeira é adaptada para quem não pode ou não quer competir por um dos poderes centrais da sociedade : uma PARTICIPAÇÃO DESCONFIADA.
Ponho este exemplo de transcrição discursiva par convencer aqueles que não entendem assunto qualquer se não é traduzido em discurso, para incentivar eles a comecer a aprender.

"Polô"

ÉTICA NA CAPOEIRA?

“A capoeira para mim é, entre outras coisas talvez menos importantes,
um ensino ético realizado através de situações simbólicas.”

Ética na ou da capoeira ?

Para nós estrangeiros o gosto pela capoeira não pode vir da sua imagem como símbolo da brasilianidade ou da africanidade dentro da brasilianidade. A história social europeia tem produzido o boxe e a savate ; nas Antilhas o Ladja (ou Danmié) apresenta tão bem a herança Afro que nem os velhos “majors” remanescentes da arte, nem os revivalistas, atraem muitos adeptos. É que em muitos municípios, mesmo com esmagadora maioria Afro-antilhesa, a prática, como todas em que o tambor participa, é proibida, por ser indigna da grande civilização francesa, a qual domina absolutamente o terreno. Esta cultura é a que tem formalizado,com a obra do Barão Pierre de Courbertin, a reativação dos Jogos Olímpicos e outras medidas de normalização dos esportes. Para isto, se valeu da tradição aristocrata do duelo, fonte do espírito de sujeição à regras, e de jogos populares pouco regrados.
Ao estudar estes jogos do passado, constatamos que se desenvolveram a partir das tenções que os praticantes sofriam no seu cotidiano. Especificamente, as formas antigas, na França ou na Inglaterra, das lutas (em suas modalidades populares) como dos jogos de bola, tinham muitas vezes um conteúdo social, que podia ocasionalmente ser considerado danoso ou subversivo. A proibição da capoeira na fase de modernização do Brasil não é um caso único. A regulação os jogos foi um esforço de controle social, exercido ou pelos especialistas tradicionais da questão, padres e pedagogos, ou pelos industrialistas. Integrados hoje na economia do espetáculo, o esporte é considerado pelos seus promotores como exercício higiénico e educativo. Higiénico, combate os efeitos da divisão do trabalho, em qual os indivíduos, particularmente os operários do sistema de produção de massa e os empregados de escritórios, vêem o seu corpo deteriorado pelas tarefas repetitivas ou o sedentarismo; educativo, pratica a concorrência para que o melhor ganhe, mostra um retorno graduado pelos investimentos pessoais; higiénico, dá espaço de esvaziamento para tensões psicológicas dirigida por ele contra um adversário ritual; educativo, coloca a ênfase sobre o respeito das regras, aprendizagem da legalidade; higiénico, põe em contato setores diversos da sociedade; educativo, ensina a cada um o seu lugar, integrando os dominados através de esportes coletivos onde os postos de comando são atribuídos aos integrantes de classe alta; higiénico, tira a mocidade da bebida e das demais drogas; educativo, ensina a dignidade na derrota e a submissão às decisões do árbitro.
No decorrer do século, a sociedade tem evoluido para uma concorrência generalizada entre estruturas equivalentes. Sem falar do mercado, onde vemos um sem-número de sabões, de biscoitos, de carros mais ou menos similares, as religião fornecem um exemplo : quantas denominações cristãs? Porque foi achado necessário separar-se tanto, quando a diferença teórica é tão pouca? Os esportes, similarmente, evoluiram para acabar todos, nos seus princípios e na sua estruturação, modalidades diversas da mesma metáfora da sociedade industrial. Ultimamente, o desenvolvimento tem chegado a um paradoxo. Não cabe aqui tentar uma explicação, mas o fato é que temos um desemprego considerável. Neste contexto, o princípio de competição para seleção dos mais aptos não permite mais a conservação de uma posição à altura da dos pais para todos os rebentos.A família, de que se falava que estava em crise, voltou a atuar para ajudar fornecendo patrocínio. O dinheiro comprou longos espaços de adaptação profissionais não pagos para que os filhos se tornassem mais atraentes, independente das suas capacidades, para os empregadores. O esporte, portanto, apresenta agora na vista comum uma projeção falsificada do funcionamento social. Como espetáculo, vira celebração de uma cultura em crise ou até em decadência, como opção pessoal, ilude o praticante. Em resposta, apareceram e foram oficializados uma série de “esportes” com ênfase diferente, onde o aspeto agonístico está quase ausente. O seu princípio comum é o do concurso acrobático. O indivíduo solitário consegue fazer algo inédito. Um júri atribui o prémio. A arbitrariedade da decisão é compensada pelo seu lado político (coletivo). No entanto, os folguedos populares que não foram integrados pelo espírito esportivos continuam (ou não) existir discretamente. Pois nem todos entraram no molde. E cada povo imigrante trouxe as suas modalidades próprias, que nem sempre se prestavam à esportivismo. Como o desemprego cria condições aventurosas em todos os setores, o número dos que procuram o sucesso em novas direções vai aumentando: decisão arriscada, mas não mais do que a participação à concorrência maior pelos postos já definidos.
A capoeira é um destes rumos, e certamente já vemos dois jeitos de integra-la ao quadro, de acordo com diversas opções pessoais. Como modalidade de luta, a única chance dela é o seu exotismo, que faz ela adotada por praticantes de um determinado esnobismo, e por galos que prefirem ser o dono de um pequeno terreno do que se expor ao vasto mundo. Como jogo acrobático, e possivelmente em conjunto com efeito de exotismo e de moda, atrai aqueles, já aludidos, que perderam os valores de competição para seleção dos melhores e se entregam à decisões coletivas (metáfora da política) para a valorização do seu esforço. Estes muitas vezes temem o contato e confronto com um outro e tornam essencial e permanente a regra de parceria que a capoeira tem no seu treino.
Ainda existe outro caso — o meu, por sinal. Gosto da capoeira porque a capoeira, vadiação, brinquedo, baderna, jogo, NÏ É um esporte, dos que são uma simples projeção metafórica da sociedade industrial : regrados, sem acesso dos indivíduos à definição das regras; burocráticos, policiados, insensíveis às pequenas variações locais.
A perspetiva de ver regras impostas à capoeira olho com muita suspição. A capoeira não tem regras? Acredito que sim, tem; mas, isso é importante, a capoeira não tem regulamento, não tem regras EXPLÍCITAS. A diferença da expressão do que é o certo através de símbolos e através de explicitação num discurso é capital.
Pretendo elaborar alguma coisa no assunto, mas a não ser a falta de tempo para um escrito do qual quero que obedece às regras formais da cientificidade e mantenha um rigor no seu raciocínio, existe uma contradição no meu propósito. É preciso alguma meditação antes de explicitar a necessidade de não explicitar regras.
Em defesa da ausência de regras, já posso destacar que isso permite adaptação às mutações do meio social. Certamente, a capoeira já mudou, e muito do Brasil colonial para cá. Segundo, o juridismo de normas, de regras escritas é integral da cultura europeia — para ser mais preciso, da cultura dos mestres, dominantes europeios. Não é só no Brasil que os dominados tem tentado burlar regras para quais não foram consultados. Não sou anarquista. Não dou valor geral à eliminação de regras. Não julgo o resultado do espalhamento (violento) da cultura dita ocidental. Mas o fato atual é que o crescimento da civilização industrial, da divisão do trabalho, da especialização inclusive das tarefas de dominação, da burocratização, fazem que não existe mais lugar de decisão, onde se determinariam regras. Os moradores da aldeia planetar são dominados por regras que sempre, qualquer seja o nível onde estão endereçados os protestos, são determinadas um além. Existe, em consequência, uma crise da aceitação dos regulamentos.
Ponto de vista, isto, que pode muito bem não ser dos capoeiristas, brasileiros socialmente dominados, suburbanos, biqueiros, donos de ofícios desvalorizados, em ânsia de merecido reconhecimento social, que procuram-lo através de organização oficialmente padronizada. Aceitam estes constrangimentos mais do que construem-los — na vida tem que ter jogo de cintura.
Mas não é o caso, se não me engano, dos organizadores do grupo Palmares da Paraíba de quem recebemos a comunicação sobre a ética, nem dos autores de textos sobre a ética que encontramos no Internet. Se trata de pessoas já bem integradas, já que o acesso ao Web requer alguns recursos financiais e sobretudo uma determinada familiaridade com a lógica do escrito e dos computadores.
O que vemos na rede é expressão de un desejo de colocação de regras éticas oriundas do estado (ética cívica) ou da sociedade civil (éticas esportivas, religiosas, liberais, étnico-culturais) para a capoeira. É uma ação similar à do barão de Courbertin, que pode muito bem se chamar de violência simbólica.
Simbólica, porque exercida sobre os símbolos, isto é, são as ferramentas mentais que permitem às pessoas de constituir uma visão do mundo própria. Violência, porque aproveitam da dominação do verbo na sociedade e do prestígio da fala bem construída para apagar os comportamentos que constituem, de fato, expressão de outra construção simbólica do mundo. Sei que muitas pessoas, particuliarmente as “educadas”, ficaram, devido à educação especializada no domínio do discurso, insensíveis aos símbolos não verbais. Não digo que isto não seja certo. O discurso é mesmo a chave para todos os caminhos do sucesso social. Mas não é o único meio de constituir símbolos. Todo mundo se vale do seu corpo para soltar mensagens, e os letrados, que em consequência da sua especialização não entendem estes sinais antes de verbaliza-los, precisam de reconhecer com alguma humildade que a reação direita ao fluxo de símbolos corporais é mais eficiente no relacionamento social. É mais rápida, mais precisa, e reage às variações do intercâmbio. Para estes, como para bom número de europeios, o treino na capoeira é verdadeira reeducação.
Mas para aprender, é preciso de um professor. Não pode ser o aluno que dita as regras — um fenómeno, digo passando, que encontramos muito por aí, o do aluno que acredita que aquilo que aprendeu na vida é válido sempre, portanto válido na capoeira, portanto que já sabe tudo e só precisa de algumas técnicas. No caso do textos sobre a ética, sem tirar nada da capoeira que os autores já tem, assistimos à manobra do mesmo cunho. Sendo que existem regras éticas; sendo que essas regras são universais; sendo que a capoeira é parte do universo; declaram os autores: as regras éticas devem se aplicar à capoeira. Mas não é nada disso. A capoeira não precisa de ética. A capoeira tem ética. A capoeira para mim é, entre outras coisas talvez menos importantes, um ensino ético realizado através de situações simbólicas.
Por enquanto, não quero explicitar mais. Isto já é demais para os praticantes não letrados, que são os primeiros usuários deste ensino da capoeira, que nem por isso deixa de ser útil para os outros, mais formados e deformados para e pelo discurso. Se, porém, subsidisse uma dúvida sobre o fato que a capoeira tem ética em si, indicarei, simplesmente, que se a ética é prescrição de uma atitude certa frente à vida social, então, a atitude capoeira é adaptada para quem não pode ou não quer competir por um dos poderes centrais da sociedade : uma PARTICIPAÇÃO DESCONFIADA.
Ponho este exemplo de transcrição discursiva par convencer aqueles que não entendem assunto qualquer se não é traduzido em discurso, para incentivar eles a comecer a aprender.

“Polô”

 

Pol Briand, Paris/FR