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Red Bull Paranauê: Brasileiros e Estrangeiros disputam final

Brasileiros e Estrangeiros disputam final do Red Bull Paranauê em Salvador

Red Bull Paranauê busca o capoeirista mais completo do mundo independentemente do seu estilo/segmento. O objetivo do Red Bull Paranauê é encontrar o capoeirista com maior conhecimento técnico e de performance entre os toques de capoeira, ou seja, mais habilidades em três dos principais segmentos da Capoeira: Angola, Regional e Contemporânea. 

Neste sábado (3), o icônico Farol da Barra, em Salvador (BA), será palco pelo segundo ano consecutivo do Red Bull Paranauê, torneio que busca encontrar o capoeirista mais completo do mundo. O evento contou com seletivas em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, até chegar aos 16 finalistas – divididos igualmente nas categorias masculina e feminina.

A decisão acontecerá a partir das 14h, em frente ao Farol, com entrada aberta ao público.

Tanto nas qualificatórias quanto na grande final, o objetivo é manter a essência da Capoeira e perpetuar os ensinamentos de grandes nomes como Mestre Bimba, Mestre Pastinha, Mestre João Grande e outros. As regras e o conceito continuam os mesmos da primeira edição do Red Bull Paranauê, realizada em 2017: todos os participantes têm que mostrar suas habilidades em três dos principais segmentos da Capoeira – Angola, Regional e Contemporânea.

Os capoeiristas serão julgados por três mestres renomados: Mestre Nenel (representando a Capoeira Regional); Mestre Jogo de Dentro (representando a Capoeira Angola); e Mestre Paulinho Sabiá (representando a Capoeira Contemporânea). Após os duelos, uma mulher e um homem serão coroados campeões do Red Bull Paranauê 2018.

“Ano passado, participei sem grandes perspectivas e fiquei surpresa por ter chegado onde cheguei. Agora, venho para o Red Bull Paranauê mais confiante, acreditando mais em mim”, comentou Débora Santos, a Pérolla, que foi a única mulher a se classificar para o evento do ano passado, quando a categoria ainda era mista. “É muito importante termos uma categoria exclusiva às mulheres. Assim, continuaremos ganhando um espaço que há muito tempo nos foi negado, nos dando mais visibilidade”, acrescentou.

Os 16 finalistas começarão a busca pelo título do Red Bull Paranauê às 14h, no Farol da Barra. Aqueles que não puderem comparecer terão a oportunidade de assistir ao evento ao vivo.

Confira a transmissão ao vivo da final mundial do Red Bull Paranauê, neste sábado 3 de março, a partir das 14 horas, direto de Salvador (BA)

Red Bull Paranauê: Brasileiros e Estrangeiros disputam a final Capoeira Portal Capoeira

Confira a lista completa dos 16 finalistas:

Categoria Masculina

  • Arthur Santos “Fiu” (São Paulo)
  • Lucas Dias Ferreira “Ratto” (Salvador)
  • Joseph Augusto dos Santos “Gugu” (de São Paulo, mas mora na Alemanha)
  • Marcelo Bezerra “Cacique Massaranduba” (de Salvador, mas mora na França)
  • Eliel Ramos dos Santos “Invertebrado” (de Itapeva, mas mora em Sorocaba)
  • Rodrigo da Conceição “Marimbondo” (Rio das Ostras)
  • Nahuel Mingote “Guaxini do Mar” (Itaparica)
  • Marcus Vinícius Santos de Jesus “Anum” (Salvador)

 

Categoria Feminina

  • Débora Santos “Perolla” (Salvador)
  • Aline Longui (Jundiaí)
  • Priscila dos Santos “MC” (Santa Cruz da Serra)
  • Clara Folatelli “Clari” (Buenos Aires)
  • Thaís Federsoni “Pressinha” (de Jundiaí, mas mora na Alemanha)
  • Jubenice de Oliveira Santos “Bibinha” (Salvador)
  • Michelle Pallano “Bailarina” (Fortaleza)
  • Jailane Graziele “Guerreira Lane” (Salvador).

 

Fonte: https://extra.globo.com – https://www.redbull.com

Niterói: Capoeira atravessa a fronteira e ganha adeptos no restante do mundo

Em Niterói, a ginga afro-brasileira vem se misturando com sotaques estrangeiros desde 1995, quando foi fundado o Instituto Zezeu de Capoeira Livre, idealizado por Mestre Zezeu.

Séculos atrás, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal, os negros foram trazidos da África para trabalharem como escravos à serviço do homem branco europeu. Além do trabalho forçado, os africanos também trouxeram seus costumes e cultura, que se manifesta até os dias atuais através de uma arte marcial que mistura música e ritmo a golpes mortais. Mais que isso, hoje a capoeira tornou-se patrimônio nacional, e é a grande responsável por difundir uma ideia que vem sendo cada vez mais explorada ao redor do mundo: a do intercambio cultural.

Em Niterói, a cantoria e ginga afro-brasileira vem se misturando com sotaques estrangeiros desde 1995, ano em que foi fundado o Instituto Zezeu de Capoeira Livre, iniciativa que conta hoje com cerca de dez a 15 estrangeiros aprendendo a luta. Idealizado por Mestre Zezeu, o capoeirista conta que o interesse de pessoas oriundas de outros países em entrar em contato direto com o mundo da Capoeira não é recente, porém sofreu um grande incentivo nos últimos anos.

“Isso sempre aconteceu, mas agora realmente aumentou muito. E é bom para todos, para Niterói, para o Brasil de modo geral e também para eles, que são muito bem recebidos pelos alunos. A recepção é excelente e o melhor é que é algo recíproco”, conta o professor, que vai além e diz que o principal objetivo do intercambio é o de promover uma integração entre culturas diferentes.

“Trabalhamos com todos os tipos de pessoas, com crianças, adultos, pessoas com necessidades especiais, sempre com todos participando da mesma roda de capoeira. O mais importante é acontecer essa integração entre todos”, completou.

Ginga europeia – O pensamento de Mestre Zezeu se traduz no ânimo que as tchecas Kristina Slezáková, de 32 anos, e Alice Brunova, 27, colocam em gingar ao som do berimbau. Mesmo separadas por um oceano de distância do Brasil, as duas conheceram a capoeira ainda na República Tcheca e se apaixonaram pela manifestação brasileira.

“Conheci através de um amigo que praticava capoeira na França. Como sou bailarina me interessei e quando ele começou a ensinar no meu país me juntei a ele”, diz Kristina, que fala português fluentemente. Alice, por sua vez, ainda não está familiarizada com o idioma, mas relata, em inglês, como foi seu primeiro contato.

“Um ex-namorado meu já praticava e foi natural o meu interesse em conhecer”, revelou. Apesar da adoração pela luta, elas contam que a capoeira ainda é algo pouco difundido em sua terra natal.

“A grande maioria das pessoas não tem opinião formada, elas encaram como apenas uma dança. Só quem está por dentro que conhece o que é de verdade”, diz Kristina.

Há ainda o caso da boliviana, descendente de palestinos, Yessica Abularach, que sempre viu a capoeira a seu alcance, mas, nunca havia encontrado a oportunidade de praticar. Seis meses após ter incorporado a arte marcial em sua rotina, ela destaca seus aspectos positivos. “Além dos benefícios físicos, como você melhorar o alongamento e trabalhar toda a musculatura, se sente muito mais confortável. É um desafio prazeroso. É um momento onde você quebra o ritmo, desestressa, relaxa”, destaca a economista de 25 anos.

Festival de Estilo Livre
A oportunidade de apresentar para estrangeiros um mundo completamente novo através da capoeira não limita-se apenas as aulas do Instituto Zezeu de Capoeira Livre. Em função da intensificação do interesse de pessoas do exterior pela arte marcial afro-brasileira, Mestre Zezeu promove, anualmente, um festival onde os amantes da luta podem aprender sobre as mais variadas manifestações dentro do universo do jogo. Batizado de Festival Interbairros de Capoeira Estilo Livre, o evento teve sua segunda edição no último sábado, e contou com a participação de capoeiristas de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Saquarema, Cabo Frio, entre outros locais, juntamente com estrangeiros.

A iniciativa, inclusive, premiou alguns mestres com o troféu Amigos da Capoeira, honraria concedida àqueles que ajudaram a promover o nome do esporte ao redor do mundo. Além disso, Mestre Zezeu revelou que em junho de 2011 Niterói irá receber a primeira Feira Internacional de Capoeira, realizado no Sesc e no Teatro Popular. O objetivo é tornar ainda mais forte o vínculo estrangeiro com todas as manifestações que envolvem a capoeira, a exemplo do maculelê e samba de roda.

O Fluminense – http://jornal.ofluminense.com.br/

Bahia: Ginga Mundo & Língua da Capoeira

Mestre Suassuna, em seu último CD, oportunamente canta uma música que vem contextualizar esta matéria, e contrapor um de seus mais antigos sucessos: "Capoeira pra estrengeiro… é mato…"

Língua da capoeira: Mesmo sem saber uma palavra de português, estrangeiros cantam ladainhas e participam do Ginga Mundo

O idioma pouco importa. Seja inglês, francês, italiano, alemão ou até japonês, o essencial é saber as regras da capoeira e se portar de forma adequada durante as rodas. Os movimentos substituem a comunicação oral. As ladainhas, a maioria tira de letra, mesmo sem saber português ou o significado das palavras.

Os ensinamentos são dos mestres, que deixaram o Brasil para ganhar o mundo com a disseminação da cultura afro-brasileira. Essa vasta experiência foi tema de palestra no segundo dia de programação do IV Encontro Internacional de Capoeira – Ginga Mundo.

A sala do Projeto Mandinga, na manhã de ontem, tornou-se compacta diante da quantidade de interessados que adentravam no ambiente. As cadeiras não foram suficientes. Quem não agüentou ficar em pé, escolheu o chão como amparo. Na mesa central, diversos mestres de capoeira compartilhavam suas experiências mundanas. O debate tinha como enfoque os meios de preservação da capoeira no mundo contemporâneo. A dificuldade da maioria deles é fazer os estrangeiros compreenderem a luta como algo além dos movimentos corporais sob o som do berimbau.

Exportação – Mestre Preguiça, Vandenkolk Oliveira, tem 61 anos e há 25 ensina capoeira angola em uma universidade na cidade de São Francisco, Califórnia. Discípulo do saudoso mestre Pastinha, ele conta que a aceitação da cultura brasileira no país americano é grande, mas difícil mesmo foi o preconceito racial. “Tive dificuldade em me apresentar enquanto professor, porque eu não sou negro”, relembra.

O mineiro mestre Miltinho, Evanildo Alves, 37 anos, não sofreu discriminação. Há 29 ensina capoeira regional. Na década de 90, ele deixou o Brasil para desenvolver trabalhos na Bélgica, Alemanha e Polônia. A primeira dificuldade foi falar o idioma. Atualmente, ele tenta preservar a cultura através da conscientização. “O desafio é aplicar e ensinar a capoeira como é praticada no Brasil. Mantendo a tradição sem sofrer influência da cultura do exterior”, explica.

A disseminação da capoeira teve início na década de 60, com os grupos folclóricos. O pioneiro foi o de Emília Biancard, levado principalmente para a Europa. Nesse período, segundo mestre Cobrinha, o Cinézio Peçanha, 48, as pessoas não conheciam a capoeira. Atualmente, essa realidade mudou. “Hollywood desenvolveu películas sobre a capoeira e levou ao conhecimento geral”, informa. Com isso, o apoio à luta tornou-se mais intenso em países estrangeiros, em alguns até mais que no próprio Brasil.

Ainda assim, mestre Cobrinha admite a dificuldade em fazer o público estrangeiro entender a essência da capoeira. “Eles querem definir a capoeira dentro dos padrões culturais de seus países e não como uma cultura afro-brasileira”, lamenta. Os itens mais trabalhosos de ensinar são as gírias e o próprio modo de ser malandro, a malícia que precisa ser expressa com o corpo. “Quando esses alunos vão ao Brasil conseguem compreender. É como se desse um estalo”, garante.


Memória corporal

O IV Encontro Internacional de Capoeira – Ginga Mundo, reúne capoeiristas de todo o mundo. Mas não precisa falar português para entrar numa roda. A memória corporal e a linguagem própria da capoeira dispensam a oralidade. “Todos os mestres ensinam quase da mesma forma e, por isso, quando um estrangeiro chega na roda já sabe como realizar os movimentos”, explica mestre Cobrinha.

O berimbau dá início à luta. O mestre ou professor, que conduz a roda, aponta o instrumento para os dois primeiros lutadores. Começa então a capoeira. As ladainhas ficam gravadas na memória. Apesar de muitos não saberem sequer o português, ou até mesmo o significado da canção, os capoeiristas estrangeiros sabem cantá-las muito bem.

É importante também conhecer a tendência das músicas. Segundo mestre Cobrinha, algumas ladainhas podem ser provocativas, desafiadoras ou até de brincadeira, e em alguns casos podem ofender o próximo ou provocar conflitos. “O contexto do momento é que vai dizer a melhor ladainha. Normalmente quem está com o berimbau é quem inicia a canção ou o mestre mais antigo”, esclarece.

Fonte: Correio da Bahia – http://www.correiodabahia.com.br