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A princesa Aqualtune

Não é apenas uma, duas ou três, são muitas as mulheres valentes e guerreiras que lutaram por si, pelo seu povo e por seus ideais.

Uma dessas mulheres é Aqualtune, princesa do Congo, que comandou um exército de dez mil homens em batalha contra os Jagas, guerreiros bárbaros que invadiram o Congo.

Com a interferência dos escravistas europeus que, com armas de fogo, desequilibravam as lutas dos povos africanos conforme seus interesses, o exército de Aqualtune foi derrotado e a princesa foi capturada e trazida ao Brasil nas condições sub-humanas de todo navio negreiro.

Aqualtune foi obrigada a manter relações sexuais com um escravo para fins reprodutivos e desembarcou já grávida no Porto de Recife. Foi leiloada e levada para um engenho em Porto Calvo, no sul de Pernambuco.

Foi no engenho que Aqualtune conheceu histórias sobre a resistência negra à escravidão e ouviu falar no Quilombo de Palmares. Com a mesma coragem e determinação que demonstrava em sua terra, Aqualtune organizou uma fuga para o quilombo e fugiu nos últimos meses de gravidez, acompanhada de outros escravos.

Já em Palmares, onde as tradições africanas eram preservadas, a princesa teve sua origem nobre reconhecida. 
Dois de seus filhos, Ganga Zumba e Gana Zona tornaram-se chefes dos mocambos mais importantes do quilombo e sua filha mais velha, Sabina, é a mãe de Zumbi dos Palmares.

Quanto à morte de Aqualtune, existem informações divergentes. Acredita-se que a princesa morreu queimada em 1677,quando sua aldeia foi incendiada durante uma batalha. Mas outras fontes citam que Aqualtune teria escapado, não sendo conhecida a data de sua morte.

Fontes:

A Terra da Liberdade
Criola.org
Casa de Cultura Mulher Negra
Meio Norte
Overmundo

Neila Vasconcelos – Venusianacapoeiradevenus.blogspot.com

A guerreira Maria Felipa

Como lembrei no texto Onde estão as capoeiristas da história, em geral as mulheres capoeiras que se destacaram no passado ficaram esquecidas. Mas é importante conhecer a história dessas mulheres que são exemplo de coragem, persistência e determinação.

Uma dessas mulheres é Maria Felipa, a guerreira de Itaparica.

Maria Felipa de Oliveira viveu na Bahia no século XIX e teve um importante papel na Guerra da Independência, que ocorreu entre 1822 e 1824, para reafirmar a independência proclamada em 7 de setembro de 1822, até que esta fosse reconhecida por Portugal.

Na Bahia, assim como nas províncias de Cisplatina (onde atualmente é o Uruguai), Piauí, Maranhão e Grão-Pará, devido à concentração estratégica de tropas do Exército Português, as lutas foram mais acirradas. Quando a tropa portuguesa comandada pelo General Madeira de Melo tentou invadir a Ilha de Itaparica para controlar a guerra a partir da Bahia de Todos os Santos, Maria Felipa liderava as vedetas (vigias) da praia, um grupo de 40 mulheres que entrou no acampamento do exército português, atacou os guardas com galhos de cansansão, uma planta que provoca sensação de queimadura ao toque com a pele, e puseram fogo em 42 embarcações, promovendo baixas no exército.

Além de guerreira, Maria Felipa também atuou na gerra como enfermeira, socorrendo feridos, além de trazer para a resistência em Itaparica informações da guerra obtidas nas rodas de capoeira do Cais Dourado, para onde ia remando sua canoa.

Há quem acredite que Maria Felipa seja a identidade verdadeira de Maria Doze Homens, que ganhou este apelido após deixar doze homens no chão, porém não existe confirmação a respeito e há ainda outras versões, em uma das quais Maria Doze Homens teria sido companheira de Besouro Mangangá.

O atestado de óbito datado de 04 de janeiro de 1873, confirma que Maria Felipa sobreviveu à guerra e continuou levando sua vida na ilha por muitos anos, porém de seu nascimento nada se sabe.

A heroína foi retratada na obra de Ubaldo Osório, A ilha de Itaparica, e no romance Sargento Pedro, do escritor baiano Xavier Marques, onde são são contatos vários feitos atribuídos à capoeirista.

Fontes:

Capoeira Sou Eu

Conversa de Menina

Overmundo

Passeiweb

Wikipédia

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

A Revolução de 2 de Julho de 1823

Às margens do Ipiranga nada. Foi no Recôncavo que o Brasil se libertou.

Se não fosse pela Bahia, a independência do Brasil não teria ocorrido. Duvida?

Em 7 de setembro de 1822, quando D. Pedro lançava para a História o seu famoso mote, apenas um pedaço do país podia se considerar de fato livre. “Independência ou morte” ainda era a sangrenta aspiração de várias outras províncias. As batalhas tomaram conta da Bahia em fevereiro daquele ano, e só terminariam em 2 de julho de 1823.

Por que, então, os baianos deveriam celebrar o Sete de Setembro? Dois de Julho é sua festa oficial — a maior e mais popular. As comemorações têm início no município de Cachoeira, onde é acesa uma tocha simbólica em homenagem aos heróis. Prosseguem pelas cidades de Saubara, Santo Amaro da Purificação, São Francisco do Conde, Candeias e Simões Filho até chegar ao bairro do Pirajá, em Salvador, ainda no dia 1º. Ao amanhecer do dia 2, o cortejo segue para a Lapinha onde ocorre o “encontro dos caboclos”. Após percorrer as ruas do Centro Histórico, terminam no Campo Grande, com o acendimento da pira dentro do Parthenon, junto aos restos mortais do general Pedro Labatut – mártir da independência.

Em 2008, pela primeira vez a capital do estado é transferida simbolicamente para Cachoeira, principal núcleo de resistência às tropas de Lisboa. Lá, o governador se reúne com representantes dos municípios que à época reconheceram a autoridade soberana do príncipe D. Pedro. Para os próximos anos, a transferência da capital está incorporada ao calendário da festa.

E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilha mesmo é no céu do Recôncavo.

O exelente texto de Filipe Monteiro e Mariana Benjamin ( Revista de História da Biblioteca Nacional), acima apresentado, foi a inspiração para acionar o amigo e parceiro, sediado em Salvador, prof. Acúrsio Esteves o qual acompanhado pelo Prof. Luciano Meron nos brindou com esta fantástica reflexão sobre o contexto histórico e a Independência da Bahia.

Matéria Especial de Aniversário.

 

A Revolução de 2 de Julho de 1823

Prof. Acúrsio esteves / Prof. Luciano Meron – Julho 2009

A Missão

Recebi de Milani a tarefa de verificar possíveis indícios de participação de capoeiristas nas lutas pela independência da Bahia. Diligente, fui pesquisar nas bibliotecas de Salvador e no Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, presidido pela historiadora professora Consuelo Pondé, e não encontrei um registro sequer de tal participação de forma organizada ou reconhecida, como foi na Guerra do Paraguai.

É óbvio, porém, que as batalhas acontecendo em Salvador e recôncavo baiano, – Cachoeira, São Félix, Maragogipe, Santo Amaro, Itaparica, São Francisco do Conde dentre outras cidades – berço dos capoeiristas mais famosos da Bahia, eles estavam com certeza presentes nas referidas contendas. Esta certeza se dá porque as tropas brasileiras eram compostas de pessoas comuns, brasileiros baianos que se revoltaram com a situação de jugo e literalmente “partiram pra cima” dos lusitanos. Entre eles, é claro, devia haver muitos capoeiras.

Porém, não temos elementos factuais, históricos, para afirmar que esta participação foi resultado de uma ação organizada dos capoeiras. Eles também estavam lá como o lavrador, o boiadeiro, o sapateiro e o escravo.

Porém, temos a certeza de que se não tivesse havido a revolta dos baianos contra os portugueses que insistiam em permanecer no Brasil após o grito de independência dado por D. Pedro I às margens do riacho Ipiranga, o mapa do nosso país seria hoje muito diferente do que é.

Um Pouco de História

Madrugada de 2 de julho de 1823. As tropas portuguesas que permaneceram no Brasil ocupando a Bahia após o “grito de independência” dado por D.Pedro I em 7 de setembro de 1822, desocupam a cidade do Salvador e evadem pelo porto. Depois de 18 meses de batalhas os cidadãos baianos voltam a ter controle sobre sua capital, a segunda mais importante cidade do Brasil no século XVIII. As tropas de Madeira de Melo perdiam a batalha.

Os gritos de independência ecoavam na Bahia décadas antes do movimento separatista de 1822. A Conjuração Baiana, de 1798, já conclamava a população a lutar pela independência. A ebulição política provocada pelo retorno de D. João VI, em abril de 1821, a Portugal e a posição das elites lusitanas de manter o Brasil como colônia ressuscitaram o velho ideal separatista.

À medida que se formava um bloco político ao redor de D. Pedro I, no intuito de consolidar os interesses nacionais, as relações entre portugueses e brasileiros se deterioravam. Autoridades portuguesas, especialmente militares, se colocavam abertamente contra lideranças brasileiras que criticavam o domínio lusitano. Na Bahia os atritos chegariam às ruas e confrontos entre unidades militares portuguesas e brasileiras começaram a ocorrer. Populares baianos apedrejavam portugueses em ruas da cidade. O clima era tenso.

Prevendo o pior, as autoridades portuguesas modificam o comando das forças estacionadas na Bahia, em janeiro de 1822. É nomeado o brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo como Comandante das Armas da província. Este procuraria apoio nos portugueses que viviam na cidade, especialmente comerciantes, que eram favoráveis á manutenção da dominação. Os primeiros atritos ocorreriam neste período, com a guarnição do Forte de São Pedro se rebelando e tiroteios sendo deflagrados pela cidade. À caça de revoltosos, tropas portuguesas invadiriam o Convento da Lapa, acarretando na morte da abadessa Joana Angélica.

Os conflitos provocaram o esvaziamento da cidade e a chegada de tropas – vindas do Rio de Janeiro – para reforçar as unidades lusitanas apressaram o processo. A guerra estava a um passo.

Cachoeira: Adesão à D. Pedro

A tensão política e os primeiros conflitos na Cidade do Salvador culminaram com a ruptura em relação à metrópole. A vila de Cachoeira manifesta-se favorável a que a Bahia passasse para a regência de D. PedroI, no Rio, ato que é logo seguido por outras vilas do recôncavo.

Uma Junta Conciliatória de Defesa é formada na cidade, aonde voluntários vindos do interior passam a ser treinados e defesas começam a ser organizadas em pontos estratégicos. As tropas profissionais que havia no Brasil eram predominantemente portuguesas, o que criou uma série de dificuldades para os separatistas. Era necessário treinar homens sem a menor experiência militar para lutar contra soldados experimentados e protegidos por fortalezas que cercavam a cidade. Daí a razão para a contratação de militares estrangeiros, como o oficial francês Pierre Labatut.

Ainda no recôncavo baiano seriam travados combates e escaramuças do tipo guerrilha, onde estes voluntários teriam grande importância. É nesta época que surge a figura de Maria Quitéria, que se travestiria de homem para se juntar às unidades que combatiam os portugueses.

Ainda em Cachoeira é organizado um novo governo, para comandar a resistência, a 22 de setembro de 1822, sob a presidência de Miguel Calmon do Pin e Almeida, futuro Marquês de Abrantes.

A Luta por Salvador

O Gen. Madeira de Melo tinha a vantagem de ter o porto como uma porta de entrada e saída da cidade em seu poder, mas, em contra partida tinha a península sob a ameaça das forças que vinham do recôncavo.
Neste contexto, dominar a Estrada das Boiadas era fundamental para sitiar a cidade. Esta estrada ligava Salvador ao norte da Bahia, num ponto em que hoje é conhecido como Pirajá, além disso, o domínio dessa região permitiria controle sobre a enseada de Itapagipe.

Desenho alusivo à Independência da Bahia, representando a participação do nativo brasileiro nas batalhas que levaram este estado à completa emancipação de Portugal. A Mesmo mal armados, com tropas heterogêneas _ contanto até com escravos _ predominando pessoas do povo, as forças patrióticas resistiram e aos poucos fecharam o cerco sobre a cidade. Soldados convergiam de várias áreas no esforço contra as unidades lusitanas, que tinham a confiança na vitória, já que predominava a inexperiência entre os brasileiros.  

No início de novembro de 1822, Madeira de Melo tentou romper o cerco: Ao amanhecer de 8, a Infantaria portuguesa desembarcou em Itacaranha e Plataforma; Ao mesmo tempo outras tropas atacaram Cabrito, ameaçando a retaguarda brasileira. Após cinco horas de violentos combates, sem um resultado decisivo, as tropas brasileiras começaram a recuar. Temiam um envolvimento e, conseqüentemente, um cerco. Neste instante ocorreu um fato duvidoso, mas extremamente curioso. O corneteiro Luis Lopes ao invés de tocar o recuo, ordenou o avanço da cavalaria com o som de “avançar e degolar”.

As forças lusitanas se aterrorizaram, acreditando haver reservas de cavalaria entre os nacionalistas. A confusão foi geral. Os oficias brasileiros perceberam a oportunidade de passaram à posição ofensiva, forçando as unidades de Madeira de Melo a abandonarem o campo de batalha.

Desesperado e na defensiva, Madeira de Melo ainda tentaria um assalto à Ilha de Itaparica, em janeiro de 1823, mas as forças locais resistiram ao assalto das embarcações de guerra e da infantaria lusitana. No mês seguinte algo parecido seria tentado pela região de Itapoã, mas, mais uma vez, as forças sitiadas fracassaram. O fim era uma questão de tempo.

A reviravolta se deu plenamente com a chegada de uma frota, vinda do Rio de Janeiro, com oito embarcações que apoiariam os baianos. Como ocorreu com o exército patriótico, a força naval necessitava de homens e oficiais experimentados, assim à frente dessa pequena esquadra estava o almirante inglês Lord Thomas Cochrane.

Com um cerco de mais de 11 mil homens e vários navios, Madeira de Melo se via sem alternativas. Em fins de junho decide por abandonar a cidade e aproveitando brechas no cerco naval evacua seus homens. Salvador passava novamente às mãos dos brasileiros e o Brasil, verdadeiramente livre.

 


  • Outras Informações (Fontes Externas):

Personagens Relevantes:

Caboclo e Cabocla:

Estas figuras simbólicas foram criadas para homenagear os batalhões e os heróis de 1823 que, pela bravura e coragem, lutaram pela liberdade do Brasil. A história conta que o povo resolveu fazer sua própria comemoração e, em 1826, levou uma escultura de um índio para representar as tropas, já que não poderia ser um homem branco, porque lembrava os portugueses, nem os negros que, na época, não eram valorizados. Vinte anos depois, a Cabocla foi incluída nas comemorações.

Maria Quitéria:

A maior heroína nas lutas pela independência do Brasil, na Bahia. Maria, ao ficar sabendo das movimentações sobre as lutas da independência, conseguiu uma farda do exército e se alistou para combater as tropas portuguesas. Participou de diversas batalhas e foi consagrada solenemente na chegada do exército à Salvador.

Joana Angélica:

Abadessa no convento da Lapa, Joana tentou proteger os soldados brasileiros contra a invasão do convento, mas acabou sendo morta.

Brigadeiro Ignácio Luiz Madeira de Mello:

Vindo de Portugal, assumiu o governo das Armas por imposição portuguesa. Tomou posse utilizando a força bruta e dominando a cidade de Salvador. Fortaleceu a relação entre Portugal e Bahia. Lutou contra o exército brasileiro.

General Pedro Labatut:

Foi quem assumiu o exército brasileiro das mãos do coronel Joaquim Pires de Carvalho e começou a enfrentar o exército português. Um homem duro, Labatut conseguiu reestruturar as tropas e reerguer a vontade pela liberdade do Brasil.

Coronel José Joaquim de Lima e Silva:

Assumiu o comando geral do exército brasileiro depois da prisão do general Pedro Labatut. Fez uma intensa ofensiva às tropas portuguesas. Conseguiu derrubar Madeira de Mello e assumir de volta a cidade de Salvador, vencendo a guerra.

 

O Brasão:

Com a independência política da Bahia foi necessário criar um Brasão de Armas. Ele tinha que representar os valores materiais e simbólicos da conquista, sem esquecer das batalhas e lutas que foram necessárias. Muitos estudos foram realizados e o povo teve a oportunidade de interferir. As idéias populares tornaram-se projetos na Assembléia Legislativa, em 1947.

Depois de analisados os projetos, a Câmara dos Deputados teve,em mãos, um projeto que reunia todos os pontos de vista, quer heráldico, político, espiritual ou tradicional e assim foi criado o Brasão ao 2 de Julho.

Curiosidades:

Uma luta tão duradoura, tão visceralmente ligada às aspirações de um povo, deixou um variado legado no folclore.

O historiador José Calasans registrou algumas quadrinhas que eram cantadas, de ambos os lados (portugueses e brasileiros):

Alegoria do “Caboclo”
* Dos portugueses, parodiando o Hino do Brasil:

Brava gente brasileira
Do gentio da Guiné
Que deixou as cinco chagas
Pelos ramos do café.

“cinco chagas” referia-se à bandeira portuguesa
“ramos do café”, alusão à bandeira adotada por Pedro I.

* Dos brasileiros, contra seus adversários, as quadrinhas:

Labatut jurou a Pedro,
Quando lhe beijou a mão,
Botar fora da Bahia
Esta maldita nação!

O Madeira queria
se coroar!
Botou uma sorte,
Saiu-lhe um azar!

 

Fontes:

http://www.revistadehistoria.com.br

http://ibahia.globo.com/especiais/2dejulho/

A Capoeira e o Estado Novo – 70 anos de (re)encontros

A historiografia da Capoeira acaba de reencontrar novos documentos para pesquisas e análises: Há exatos 70 anos (1937) foi publicado no Rio de Janeiro a obra intitulada Defesa Pessoal – Método Eclético – Contendo todos os regulamentos dos diversos esportes de ´´ring“.

De autoria do 1º Tenente Waldemar de Lima e Silva, com a colaboração do Sargento Ajudante Alberto Latorre da Faria, ambos membros da E. E. F. E. – Escola de Educação Física do Exército, esta obra contém diversas FOTOS e textos explicativos de golpes extraídos das várias modalidade de lutas existentes no período, bem como apresenta regulamentos desses ´´esportes“ (o da Capoeira é o criado por Annibal Burlamaqui – Zuma – obra citada na bibliografia).

No que tange a nossa Capoeira, ou Capoeiragem (como às vezes aparece no texto), esta não foi posto de lado, ao contrário. Apesar do número resumindo de golpes e de não apresentar uma preocupação com outros aspectos (cultura, história, etc.), a obra de caráter exclusivamente didático, voltado à defesa pessoal, se faz importante por apresentar subsídios para compreendermos a importância da Capoeira na época e a sua utilização pela Doutrina Nacionalista da Era Vargas. Esta influência já podia ser vista desde a revolução de 1930 que deu fim à Primeira República.

O curioso é que mesmo não sendo, das artes, a mais contemplada com golpes (fotos), foi exatamente a Capoeira utilizada para ilustrar a apresentação da capa (no nosso modo de entender o famoso vôo do morcego). Tirem as suas conclusões.

Após a aquisição do livro e de posse das informações nele contidas nossas pesquisas nos levaram a descoberta de novos documentos (artigos) apresentados na Revista de Educação Física, publicação de divulgação científica do Exército Brasileiro, que conforme descrito no seu site é o periódico nacional mais antigo da área de Educação Física, com a sua primeira edição datando de 1932. Verificamos que diversos artigos desta Revista, foram utilizados na confecção do livro, existindo até uma matéria anunciando sua publicação. (Defesa Pessoal -1937 agosto).

Quanto a Revista de Educação Física vale ressaltar os artigos escritos tendo a Capoeira como objeto (anos de 48 e 64) e outros onde a mesma é citada (Vale Tudo 1955).

Podemos observar claramente que dependendo de quem fala, da época e dos interesses a Capoeira assume os mais variados aspectos: de esporte nacional a condição de difícil e imprópria, e de fugir completamente às nossas tendências naturais.

A Capoeira e o Estado Novo

Ao pesquisar sobre os autores encontramos a citação de outra obra, que ao que tudo parece seja uma reedição do livro de 37, publicado pela Briguiet em 1951. Seria interessante comparar estas as duas edições para visualizarmos possíveis diferenças (inclusão e/ou exclusão) de golpes, fotos etc.

Para ver os artigos sobre o livro e sobre a Capoeira entrar no site da Revista de Educação Física: http://www.revistadeeducacaofisica.com.br, ir ao índice e procurar por assuntos/lutas.

 

Texto e Fotos Acervo: Joel Alves Bezerra – Grupo Atitude de Capoeira – Fortaleza – Ceará

jab@fortalnet.com.br