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Capoeira de luto pelo Mestre Negrito

Morreu no último sábado, 04 de julho, em acidente na estrada que liga Sete Lagoas a Fortuna de Minas, Márcio Antônio Fernandes, 47 anos, mais conhecido como Negrito. Deixou um legado que nem mesmo a morte pode apagar. Sua história de vida se tornou um grande exemplo a todos aqueles que conviveram com o capoeirista e tiveram o privilégio de conhecê-lo bem. Durante quase trinta anos, Mestre Negrito vivenciou a capoeira como poucos e transmitiu a verdadeira essência da arte àqueles que encontravam-se ao seu redor.

Segundo a terminologia, Mestre é todo o indivíduo que adquire um conhecimento especializado sobre determinada área do conhecimento humano. Apesar do título, poucas pessoas conseguem extrapolar o real sentido do termo. Dentre os raros exemplos, podemos citar o caso de Márcio Antônio Fernandes, 47 anos, mais conhecido como Mestre Negrito. Falecido no último sábado, 04 de julho, em um acidente na estrada que liga Sete Lagoas à Fortuna de Minas, Negrito deixou um legado que nem mesmo a morte pode apagar. Sua história de vida se tornou um grande exemplo a todos aqueles que conviveram com o capoeirista e tiveram o privilégio de conhecê-lo bem. Durante quase trinta anos, Mestre Negrito vivenciou a capoeira como poucos e transmitiu a verdadeira essência da arte àqueles que encontravam-se ao seu redor.

A capoeira entrou em sua vida no início dos anos 80, quando Negrito começou a aprender a arte na Escola Berimbau de Ouro, época em que a academia foi fundada pelo Mestre Marreta. Em 1989, o dedicado aluno se formou, recebendo o título de professor. De lá para cá, Negrito começou a ministrar aulas em diversas entidades locais. Vários jovens aprenderam mais do que passos da capoeira com Mestre Negrito, aprenderam, acima de tudo, exemplos de conduta e formação ética. E não foram poucas as pessoas que participaram de suas aulas. Alunos dos Colégios Caetano, Dom Silvério, Cenecista e SERPAF (Serviço de Proteção ao Menor e à Família), além de jovens do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), SESI (Serviço Social da Indústria) e de diversos outros núcleos, como os das cidades de Papagaio, Pompéu, Três Marias, Fortuna de Minas, Cachoeira da Prata, dentre outras, também cresceram ouvindo as lições de Negrito.

Em 1996, Mestre Negrito estabeleceu uma parceria com o SESC (Serviço Social do Comércio) e iniciou suas aulas no local. Nessa época, Negrito fundou a Escola de Capoeira Grupo Ogum. Claudete Simone Guimarães, diretora da entidade, lembra que Negrito ajudou a divulgar e desmistificar a arte da capoeira na cidade. Para ela, antes de qualquer coisa, Negrito era um legítimo educador, que deixou lições de humildade e coragem. “O Negrito tinha um laço de amizade muito forte com seus alunos. Meus três filhos tiveram aulas de capoeira com ele e aprenderam muito no período. A preocupação com os jovens também continuava após o período de aula. Além disso, sua coragem é um grande exemplo a todos. Ele enfrentou todas as dificuldades por amor à capoeira e nos deixou uma lição a ser seguida. Hoje, há uma lacuna, pois, além de ótimo profissional, Negrito era um grande amigo de todas as horas”, afirma Simone.

Negrito sempre dizia: “Capoeira não é somente jogar as pernas para o ar. Para ser um grande capoeirista é preciso conhecer a abrangência de representações que o termo envolve, como a arte, a dança, casos do maculelê e samba de roda, o folclore e seus personagens e a união entre povos que a arte da capoeira causou”. Mestre Negrito também era contra qualquer forma de violência, fosse ela verbal, física ou comportamental. “A luta está presente na capoeira e fez parte do processo de libertação dos negros, entretanto, o respeito pelo outro é importante e sempre deve prevalecer à violência”, afirmava o Mestre. Suas lições atraíam pessoas de todas as idades, credos e classes sociais. O conhecimento de Mestre Negrito era transmitido a gerações diferentes de muitas famílias. Os pais, ex-alunos do professor, levavam os filhos para as aulas de capoeira com o Mestre. Negrito também gostava de pagode, samba de roda, maculelê e dos aulões e rodas de capoeira que participava. Ele, inclusive, era conhecido por alguns como Negritinho do repilique, por ser um dos exímios tocadores do instrumento. Negrito também tinha grande facilidade de tocar atabaque, pandeiro e berimbau. O conhecimento foi passado aos alunos.

Durante toda a sua vida, o professor foi conhecido por sua educação, paciência e tranqüilidade. Ele valorizava muito a família e fazia questão de ajudar a todos. Negrito sempre foi um grande exemplo para os familiares. Para ele, a família ia muito além dos laços de sangue. “O que mais chamava a atenção dos alunos era a forma como ele conduzia seu trabalho. Ele dizia que nós éramos uma família. Sempre que chegava um novo aluno, Negrito dizia: ‘você está entrando para uma família de capoeiristas’. Em suas aulas, Mestre Negrito trabalhava com a verdadeira essência da capoeira, enquanto arte, folclore, dança, luta, jogo, terapia, união, força. Seu objetivo maior era formar cidadãos”, afirma Luís Carlos da Costa, conhecido como Sombra, ex-aluno e amigo de Negrito.

Para André Luís Gomes da Silva, o Cascudo, ex-aluno de Mestre Negrito, a convivência com Negrito ajudou a superar uma fase conturbada da vida. “Ele me ajudou muito durante a adolescência, sempre ensinando o que era correto. Mestre Negrito era como um segundo pai para mim. Além do respeito que tínhamos por ele como professor, como mestre, também tínhamos o respeito pelo amigo, porque éramos muito unidos”, afirma Cascudo. Segundo alunos, durante as aulas do Mestre Negrito a seriedade e disciplina devia prevalecer. Porém, ao fim dos encontros, Negrito era um homem expansivo e brincalhão. Seu grande carisma contagiava a todos. Para Luciano Fernandes Pereira, o Lobo, Mestre Negrito deu um verdadeiro exemplo de amor à profissão. “Negrito era um educador através da capoeira. Ele dizia que não devíamos levar a vida para a capoeira, mas a capoeira para a nossa vida. Ele sempre fez questão de desenvolver um trabalho bem feito, tanto que dedicou sua vida à capoeira. Ele viveu da arte e abriu mão de desempenhar funções em outros segmentos. Tudo para realizar um serviço de boa qualidade”, afirma o amigo e ex-aluno.

As lições do professor ultrapassaram fronteiras e foram transmitidas a pessoas de diversos países, como França, Dinamarca, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, dentre outros. “O Mestre Negrito deixou uma legião de fãs, não só em Sete Lagoas , mas em diversas regiões do estado e em outros países. Ele foi uma pessoa que vivenciou a capoeira de uma maneira diferente. Talvez, Negrito seja o único capoeirista da cidade que teve amizade e influência nos mais variados grupos de Sete Lagoas, desde a época da capoeira de rua até hoje (época das academias). Ele é um dos poucos que passou por essas etapas sendo respeitado por todos, desde os mais velhos até os mais novos”, afirma o amigo Sombra.

Apesar do fim prematuro, Mestre Negrito deixa uma vasta herança cultural. Negrito foi um agente que transmitiu e divulgou como poucos as diversas formas de representação dos afro descendentes no país. Talvez, sua história esteja associada ao orixá que deu nome ao grupo de capoeira fundado por ele. Ogum, o orixá ferreiro na mitologia yorubá, forjava suas próprias ferramentas e foi considerado o primeiro dos orixás a descer do Orun (o céu) para o Aiye (a Terra). Acredita-se que ele tenha wo ile sun, que significa “afundar na terra e não morrer”. No caso do Mestre Negrito não foi diferente. Ele forjou suas armas para lutar pelos excluídos e por aquilo que mais amava, a capoeira, e deixou um legado cravado no coração dos que viveram à sua volta, como uma chama que jamais há de se apagar. Quem sabe, por um capricho, Olorun, o Deus supremo, estivesse procurando um guerreiro de verdade em Aiye (Terra), para compensar a falta que Ogum fazia em seu Orun (céu). Neste caso, Olorun escolheu o homem certo.

Paulo Henrique de Souza
Paulinho do Boi

Falar do Mestre Negrito é fácil devido sua fantástica obra, difícil é explicar sua partida prematura. Ao longo de nossa convivência vimos que o exercício de seu professorado, na arte da capoeira, trazia para os alunos um estreitamento de sabedoria paterna aliado à convivência respeitosa colocada pela sutileza de seus exemplos. Assim, a condução de suas ações o fazia mestre em todos os sentidos. As atitudes em prol do outro edificava e ainda edifica, em nossa alma, uma obra inesquecível e inimaginável a serviço do bem. Só quem experimentou esse espaço pequeno da vida do Mestre Negrito, sabe que o exercício do amor exigente foi a condução de sua filosofia de vida. Para nós, colegas de causa, colegas de trabalho, amigos de ações, alunos e professores fica a responsabilidade de continuar sua obra nos corações de todos que pudermos contagiar com a filosofia que ele plantou em nossos espíritos. A grande obra do Mestre Negrito foi, sem dúvida, a obra que ele construiu em nossas mentes. Sete Lagoas perdeu um heroi que agia em silêncio em prol de uma justiça social perfeita.

Missa de 7º Dia
Dia: Sexta-feira, 10 de julho
Local: Igreja de Santa Luzia e Igreja de Nossa Senhora das Graças
Horário: 19h

Dante Xavier
Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Sete Lagoas

Aniversário do Cazuá em Bremen

Canarinho da Alemanha… quem matou meu Curió…

Outubro é um mes especial para a família Irmãos Guerreiros, pois lá do Cazuá do meu grande irmão Marcio Araújo, o Contra Mestre Pernalonga, chegam as novidades… O CAZUÁ está comemorando o seu 3º aniversário, e na batalha, na luta de resistência do dia a dia, vem se firmando como um terreiro de qualidade e respeito, onde a capoeira se sente em casa…

No mes passado o Cazuá abriu uma nova filial, um novo terreiro em Portugal, no Porto, desejamos a todos os camaradas do Cazuá muito sucesso nas terras lusitanas!

Tive a oportunidade de participar do 1º aniversário do Cazuá e aconselho vivamente aos camaradas, visitantes e leitores do Portal Capoeira a participarem deste evento comandado pelo carismático e competente Pernalonga.

O Cazuá esta localizado em Bremen, Alemanha, uma cidade maravilhosa e muito amistosa, que nesta época do ano tem um clima muito agradável. Vale a pena salientar a beleza das construções antigas e do rio que corta a cidade, a culinária eclética e a hospitalidade dos moradores, o que nos incentiva ainda mais a conhecer o CAZUÁ da família Irmãos Guerreiros e vivenciar fantásticos e produtivos contatos com a nossa arte "mãe" e com profissionais competentes e responsáveis.

Fica a dica de ótima capoeiragem, vadiação e alegria garantida!!!

Luciano Milani

DIA 16 de outubro Cazuá vai esta em festa mais um vez comemorando mais um aniversário

Desta vez receberá mestre Marrom para vadiar na varanda do Cazuá

Também como convidado, mestre Camaleão, contra mestre Dorado e Murah Soares  (Danca Afro).

Contra mestre Perna convida a todos para vadiar no Cazuá festa garantida muito samba de roda e vadiacao .

www.capoeira-angola-bremen.de

Nota de Falecimento: Mestre Samuray

Amigos e camaradas da grande roda da vida…!

 

Tenho o consternado e doloroso dever e obrigação de comunicar o falecimento há cerca de poucas horas do nosso irmão de roda e de vida, MESTRE SAMURAY, de Fortaleza-CE.

Ao que soube ele foi vítima de uma dengue hemorrágica e também foi contaminado por lepstopirose, não tendo resistido e falecido nesta data na cidade de Fortaleza-CE.

 
 
A ele nosso mais profundo sentimento e nossa dolorosa perda de irmãos de tantos anos de convivência.
 

Que Deus lhe dê o melhor lugar, uma vez que sua vida e conduta sempre foi de uma ilibada seriedade e de profundo respeito por todas as pessoas e institituições.

Que a familia encontre o amparo em Deus, na amizade e carinho de todos os amigos e familiares.

 
 

Abraços eternos do amigo,

Reginaldo / Squisito

 
 
Brasilia – DF, 15MARÇO2008

Campo Grande – MS: Cinema – Maré Capoeira

Cinemarco e Cinemoreninhas terão sessão de cinema

Campo Grande (MS) – Neste domingo (2/3), a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul promove mais uma sessão de cinema no Cinemarco e no Cine Moreninhas, os mais novos pontos de difusão audiovisual de Campo Grande. No Cinemarco, localizado no Museu de Arte Contemporânea de MS (Marco), a exibição será às 15 horas, e no Cine Moreninhas, localizado no Centro Comunitário das Moreninhas I e II, a sessão é às 18h30. A entrada é gratuita.

O CineMarco vai exibir o filme “Terra Estrangeira”, dirigido por Daniela Thomas e Walter Salles, o mesmo diretor de Central do Brasil. Terra Estrangeira conta a historia de Paco, um jovem estudante paulista que vê com o confisco do dinheiro do governo Collor e a morte de sua mãe o fim do sonho de ser ator. Decide sair do país e, para isso, aceita levar um objeto contrabandeado para Lisboa. Lá conhece Alex (Fernanda Torres) e se envolve numa trama policial surpreendente e apaixonante. O filme foi premiado nos festivais de Sundance, Paris, Bergamo, Bruges, Rotterdam, Londres, San Francisco e San Sebastian.

Já o Cine Moreninhas vai apresentar quatro filmes de curta-metragem infantis, em uma seleção na verdade capaz de agradar qualquer idade. São histórias que vêm do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, cada uma com seu sotaque e suas particularidades culturais.

“Maré Capoeira” é narrado pelo garoto Maré, começando com uma roda de capoeira que se torna o centro da narrativa. O curta mistura a história da família de Maré, uma linhagem de capoeiristas, e sua amizade com a menina Tatuí, que também participa da roda, com preciosas informações sobre a origem e a história da capoeira no Brasil.

“Caçadores de Saci” brinca com a lenda brasileira do Saci Pererê, em uma divertida história que se passa no interior de Minas Gerais. O saci, ou melhor, cinco deles, infernizam a vida da família de um pequeno lugarejo na roça, fazendo o feijão queimar, o milho da pipoca não estourar, o café ficar salgado… A família resolve contratar um famoso caçador de sacis e todos partem, sob suas ordens, para a caçada bem-sucedida. “Dona Cristina Perdeu a Memória” aborda as dificuldades que uma pessoa idosa enfrenta quando começa a ter problemas de memória.

Fonte: Última Hora – Campo Grande

 

 

Aconteceu: Vadiação na Varanda do Cazuá

A Família Cazuá estava em festa…

Mais uma vez recebeu os camaradas: Mestre Roberval e contramestre Dorado e também contou com a presenca de 2 alunas do Brasil, as treinéis Malvadeza e Pecadinho que no momento estão no Cazuá pra reforcar o time .

O evento contou com varias pessoas de todos os lados forão 3 dias de muita vadiação e muita festa !

Para quem perdeu esta festa não precisa se preocupar pois em outubro iremos realizar o 3º aniversário do do Nucleo Irmão Guerreiros na Alemanha, nos dias 5, 6 e 7 de outubro.

Todos estão convidados.

Cazuá

Abraços e muito obrigado irmão, a família Cazuá agradece

axé
ctr perna

www.capoeira-angola-bremen.de

 

Contramestre Perna Longa, o responsável pelo Grupo Irmãos Guerreiros, núcleo Alemanha, covida todos pra vadiar na varanda do Cazuá (Nome carinhoso e cheio de significado para o pessoal da família IG) em Bremem, Alemanha.
Dia 27, 28 e 29 Mestre Roberval, Contramestre Perna Longa, Contramestre Dorado e mais duas alunas do Brasil, trenéis Pecadinho e Malvadeza irão comandar a festa e a vadiação…

Um evento importante cujo destaque é a presença de Mestre Roberval e a qualidade de capoeira praticada e ensinada pela família Irmãos Guerreiros.

Luciano Milani
Cazuá
Visite o site oficial do Cazuá do Contra Mestre Pernal Longa:
www.capoeira-angola-bremen.de

Instituto Jair Moura propõe o “Centenário do Mestre Noronha”

1907-2007 – Centenário do Mestre Noronha.

 

Há controvérsias dirão, considerando a confusão quanto à data de nascimento de Daniel Coutinho, mais conhecido nas rodas de capoeira de antigamente como Noronha. Como o Instituto Jair Moura (IJM) vive procurando pretexto para homenagear este mestre, considerou a data do nascimento dele (1907), registrada no atestado de óbito, para celebrar em 2004 o ano do centenário de Noronha. Em conjunto com a família de Noronha, o IJM, mais o Projeto Mandinga e o Ponto de Cultura Vadeia Menino Vadeia, está planejando uma programação com cursos, rodas e exposições entre outras atividades. Também na pauta dos acontecimentos se inclui a reedição dos manuscritos do Mestre Noronha e a comercialização de postais, cartazes e camisas alusivas ao acontecimento, cuja renda deverá se reverter à família do homenageado.
 
No momento, como ponto de partida da programação, o Instituto Jair Moura está disponibilizando uma marca-selo, alusiva ao centenário que poderá ser impressa nas camisas dos grupos de capoeira. Os mestres KK de Manaus, Bocão de Minas, Sabiá e Balão da Bahia já aderiram.
 
Quem desejar aderir é só solicitar que o IJM disponibilizará a marca-selo pela Internet.
 
Instituto Jair Moura
Salvador, Bahia, BR
Rua Comendador José Alves Ferreira, 160. Garcia
 
http://institutojairmoura2.blogspot.com/
institutojairmoura2@hotmai.com

Bauru: Periferia em ação – Capoeira & Cidadania

Fortunato, Jaraguá e Santa Edwirges unem forças para combater as mazelas sociais
Para lutar contra os estigmas da violência, da criminalidade e da miséria que “rotulam” a periferia de modo geral, o Núcleo Fortunato Rocha Lima, o Parque Jaraguá e o Parque Santa Edwirges, três bairros da zona norte de Bauru, resolveram unir forças.
Suas associações buscam, na ajuda mútua, a saída para os problemas socioeconômicos que atingem a população da região. Além dos programas desenvolvidos pelo poder público, o trabalho só é possível com iniciativas da própria comunidade.
 
Quem faz a diferença são pessoas como as irmãs Lidiane Silva Pereira de Oliveira, 25 anos, e Leda Maria Pereira, 26. Juntas, elas coordenam o projeto Anjos da Roda, que oferece aulas de capoeira a 36 crianças e adolescentes carentes do Fortunato Rocha Lima e de bairros vizinhos.
Lidiane (ou Diane Queixada, sua identidade como professora de capoeira), conta que a inspiração para o projeto, iniciado em maio de 2004, foi Wayslan Carlos Lopes, 16 anos. “Na época, comecei a dar aulas particulares de capoeira no bairro e o Wayslan ficava assistindo, com vontade de participar, mas não tinha condições de pagar” relembra a estudante do último ano de educação física.
 
Como outros meninos também mostraram interesse, Leda sugeriu a criação do Anjos da Roda. “Por que ficar esperando o governo quando também podemos contribuir para um futuro melhor?”, diz ela, que auxilia Diane na coordenação do Grupo de Capoeira Pau Pereira.
 
Wayslan e outros beneficiados agradecem. Há cinco anos na capoeira (e há 11 no Fortunato), ele achava que nunca iria conseguir jogar igual às outras pessoas. “Agora, consigo fazer vários movimentos bonitos. Me orgulho de ser capoeirista”, diz.
 
O desenvolvimento do adolescente, porém, vai além do esporte. “Antes, eu só bagunçava e brigava. A capoeira me ensinou a ter mais paciência e disciplina”, comenta Wayslan, que sonha em fazer faculdade de educação física e se tornar mestre de capoeira.
 
Para compartilhar esse bem-estar, Wayslan incentivou pessoas como Willian Aparecido Pereira da Silva, 14, a participar do projeto. Willian, por sua vez, levou o irmão, Lucas Vinicius Antonio, 10.
 
Para Willian, que há cinco anos vive no Fortunato, a capoeira serve como um “analgésico” para as dificuldades financeiras e emocionais de sua família – principalmente o alcoolismo dos pais. “A capoeira faz a gente esquecer um pouco os problemas. Me dá alegria e me ajuda a acreditar que o futuro pode ser melhor”, afirma. Lucas completa: “A gente fica mais esperto. Me divirto”.
 
Francine Dagmar Regina Pereira, 11 anos, também se diverte. Tanto que diz que, quando a aula acaba, às sextas-feiras, já vai embora com saudade. E ela quer levar essa alegria adiante. “Quero ser mestre de capoeira para também dar aulas a outras pessoas carentes. Penso em ser veterinária também.”
 
Para Diane Queixada, que participa de mais três projetos sociais em outros bairros de periferia, o desenvolvimento de seus alunos é a melhor gratificação. “É a paixão pela capoeira e o bem-estar desses jovens que motiva minha dedicação”, diz.
 
Para preencher as 50 vagas disponíveis, Diane e Leda estão com inscrições abertas para crianças e adolescentes de 4 a 16 anos. Os interessados devem ir acompanhados dos pais à rua João Prudente Sobrinho, sem número, na quadra poliesportiva (emprestada) do projeto Girassol, às sextas-feiras, das 19h às 21h. Mais informações pelos telefones (14) 9748-9871 ou 9134-4911.
 
Agente Jovem motiva Rodrigo
 

Há dois meses, jovens dos bairros Fortunato, Jaraguá, Nove de Julho, Parque Roosevelt e Santa Fé contam com o programa Agente Jovem, desenvolvido pela Sebes (Secretaria Municipal do Bem-Estar Social) em parceria com o governo federal.
 
A iniciativa, porém, partiu de Alcides Augusto Mendonça Júnior, 43 anos, presidente da creche-berçário São José, que divide espaço com o “barracão” do Agente Jovem. De segunda a sexta, pela manhã, 25 adolescentes têm aulas de pedagogia, dança, artes plásticas, educação física e biologia, além de receber bolsa de R$ 65 por mês se a freqüência for maior que 75%.
 
Para Rodrigo da Silva, 15 anos, a bolsa é mais do que um incentivo. É com o dinheiro recebido do programa, somado a alguns “bicos”, que sua família sobrevive. Ele mora no Fortunato com a mãe e uma irmã de 18 anos, mas as duas estão desempregadas. “Na última entrevista de trabalho que minha mãe fez, já estava tudo certo, mas quando ela disse que morava no Fortunato, perdeu a vaga”, conta, com lágrimas nos olhos.
 
Rodrigo vê no programa a chance de um futuro promissor. “É importante o que aprendemos aqui”, diz ele, que sonha em ser jogador de futebol e se espelha em Ronaldinho Gaúcho.
 
Futsal diminui preconceitos
 
“O futsal me ajudou a ser menos preconceituosa, a ter mais respeito pelas pessoas e a estudar melhor.” É dessa forma que a estudante Melanie Andreza da Silva, 14 anos, define a importância do projeto Criança Não Trabalha, Criança Dá Trabalho.
 
Realizado há três anos por Genival Francisco da Silva, presidente da Associação de Moradores do Parque Santa Edwirges, em parceria com a Semel (Secretaria Municipal de Esportes e Lazer), o projeto visa oferecer lazer a crianças e adolescentes carentes do próprio bairro e vizinhos. “O objetivo é ocupar a criançada, principalmente durante as férias escolares, e ampliar a convivência delas com pessoas de outros bairros e classes sociais por meio dos campeonatos que realizamos”, explica Silva.
 
Segundo ele, o projeto prevê também atividades educativas e culturais. “Ainda estamos ‘engatinhando’ e, para isso, são necessários voluntários.”
 
Programa ajuda jovens no primeiro trabalho
 
Se conseguir o primeiro emprego é algo difícil para a maioria das pessoas, o desafio é ainda maior para quem vive na periferia. “Isso fecha portas. Infelizmente, quem mora em bairros periféricos enfrenta todo tipo de preconceito”, afirma Benedito Domingos da Silva, o Benê, uma espécie de relações públicas da Associação de Moradores do Parque Jaraguá.
 
Para melhorar a colocação no mercado de trabalho de jovens do Jaraguá e bairros vizinhos, a associação acaba de firmar uma parceria com o Cecape (Centro de Capacitação Profissional do Estudante), uma empresa de RH de Campinas. “Vamos trabalhar em conjunto com empresários da cidade para dar oportunidade de estágio principalmente a estudantes de comunidades carentes”, afirma Willer Moreira, gerente comercial do Cecape. Inicialmente, há 30 vagas disponíveis para jovens a partir de 16 anos – do ensino médio ao superior.
 
Uma das metas é utilizar a mão-de-obra formada pelo programa Primeiro Emprego, desenvolvido pela prefeitura em parceria com o Estado nas unidades do NAF (Núcleo de Apoio à Família) nos parques Jaraguá e Real.
 
Para Joice Aparecida de Oliveira, 17 anos, uma das primeiras a garantir uma vaga, o estágio na padaria Copacabana vem em boa hora. Formada no curso Primeiro Emprego no início deste ano, no Jaraguá, ela começou a trabalhar há duas semanas e comemora a possibilidade de ajudar no sustento da família – vive com a mãe, o padrasto e as duas irmãs. “Trabalhar é ter responsabilidade e lutar por uma vida melhor”, diz ela, que pretende ser pedagoga.
 
Vanderléia dos Santos Silva, 17, sequer concluiu o curso do Primeiro Emprego e já começou a trabalhar na loja PoliBrasil Modas na semana passada. “Trabalho como repositora, atendente e vendedora. Estou aprendendo bastante coisa”, conta. Com o salário, quer auxiliar nas despesas da família e guardar dinheiro para fazer faculdade de administração.
 
"Deveriam conhecer a periferia"
 
Apenas um mês após se formar no curso do Primeiro Emprego em julho do ano passado, Thiago Rafael da Silva Remoardo, 16, conseguiu uma vaga de auxiliar administrativo na editora Alto Astral. “Estou aprendendo muita coisa. É importante para o meu desenvolvimento pessoal e profissional”, comenta.
 
Segundo ele, o trabalho o ajudou também a descobrir sua vocação: quer fazer administração de empresas. Para isso, leva a sério as aulas do 2º ano do ensino médio, na Escola Estadual Professor Ayrton Busch. “Quero me tornar um grande profissional”, diz.
 
Se vê como obstáculo o preconceito que atinge a comunidade da periferia? “O que vale não é a localização do bairro, e sim os moradores. Todo lugar tem problema. As pessoas deveriam se desarmar e conhecer melhor a periferia. Com certeza, não é tudo de ruim que dizem”, afirma.
 
Iniciativa põe comida na mesa
 
Do Parque Roosevelt até o Jaraguá, a dona-de-casa Claudinéia da Silva Messias do Santos, 27, calcula andar quase uma hora – mas compensa. A longa caminhada é em busca de alimentos, cedidos pelo projeto Dê Pão a Quem Tem Fome e Água a Quem Tem Sede, organizado pela Associação de Moradores do Jaraguá em parceria com a 5ª Igreja Presbiteriana Renovada – não há restrição religiosa ao público atendido.
 
Claudinéia vive de aluguel com os três filhos e o marido, servente de pedreiro. A família sobrevive com R$ 400. “Mal dá para pagar as contas. Há cinco meses, estamos sem energia elétrica. São esses alimentos que colocam comida na mesa para os meus filhos”, diz Claudinéia, beneficiada pelo projeto há um mês.
 
Em andamento desde dezembro do ano passado, por meio de uma parceria com o Banco de Alimentos da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), o projeto acaba de ganhar o reforço das doações do supermecado Superbom. Há pouco mais de um mês, o número de famílias atendidas passou de 250 para 350. Por dia, 600 quilos de legumes, verduras e frutas são distribuídos. Cada família recebe 10 quilos de alimentos, uma vez por semana – além da sopa servida às quintas-feiras para 200 famílias.
  
Fonte: Agência BOM DIA

Espanha: Reencontro da Senzala

Salve para quem é de Salve !
Axé para que for de Axé !
O Capoeira velejando contra a maré.
Venho trazendo informações sobre o nosso  "Reencontro da Senzala" do dia 14 ao 22 de Julho em Costa Brava na Espanha.  Esse apelo que faço aqui atravéz desse informativo é sem intenção financeira.   Pela minha vontade propria e com a benção do nosso Mestre Sombra, eu conto com os meus Camaradas dessa familia Senzala que aqui estão na Europa.Juntos daremos a ocasião de reecontrar aquilo que sempre fez de nos uma familia Senzala de Santos. Graças a  nossa amizade, nosso respeito, nossa confiança, nossa adimiração que temos pela pessoa de  Mestre Sombra.
 
A Capoeira nos abriu os caminhos das nossas vidas até o dia de hoje. E cada um de nos temos o futuro traçado por ela. Porem é hora de abrir nossos corações . Para que num futuro proximo voltemos a compartilhar o que nos uniu ao redor do nosso Mestre Sombra.
 
Esse Reencontro vai ser feito num Acampamento.  Esses valores estão incluindo o Café da manha, almoço, hospedagem no Camping e o Estàgio de Capoeira.
 
                                                    Tarifa    Não rembolsavel Data limite de pagamento
Pré inscrição antes do dia 15 de abril    350€    100€                   15 de Junho
Pré inscrição antes do dia 15 de Maio    375€    100€                   15 de Junho
Pré inscrição antes do dia 15 de Junho  400€    100€                     1° de Julho
Inscrição apartir do dia 16 de Junho      450€                                1° de Julho
 
 
O preço para os responsaveis dos grupos é de 200€, esse valor minimo serve para cobrir as despesas de cada um. Os que são acompanhados de filhos com menos de 5 anos seram alojados em apartamentos. (Para o bem estar das Crianças). Contamos com o bom senso de cada um.
 
As inscrições ficam à critério de cada responsavel das associações para com o seus alunos. Ao final das datas limites, por favor, entrem em contato por telefone ou por e-mail  para mantêr-me informado de quantos ja estao inscritos em suas associaçãoes. Temos um limite de participantes. Por esta razão, conto com todos a me  manter informado até as datas limites de inscrição.
 
Junto a esse informativo vai uma ficha de inscrição que cada um deve pré-enchê-la e nos entregar junto do pagamento dos seus alunos ao chegar no dia 14 de julho na Espanha.
 
Se por acaso as informações não foram suficientes, entrem em contato por e-mail ou telefone.  
 
Agradeço a todos pela atenção e conto com a presença de todos.
 
Axé para quem for de Axé !
 
MESTRE BEIJAFLOR

Crônica: Que seria de nós?

Marcio Lourenço Araújo, mais conhecido no universo da capoeiragem como Contra-Mestre Pernalonga, vem ao longo de sua história construindo fortes amizades e valorizando a cultura brasileira. Depois de ter se aventurado pelas bandas da Alemanha tem construido dia após dia com muito trabalho, carinho e dedicação uma casa forte, cercada de amigos dando estes todo o alicerce que a família Cazuá precisa para prosperar.
 
Este ano o Cazuá irá completar 3 anos de existência, tive o imenso prazer de estar presente em seu primeiro aniversário e irei fazer de tudo para estar presente em seu terceiro ano de luta e resistência.
 
Pernalonga me confessou em mensagem enviada diretamente do Brasil, onde passa férias, que acaba de concretizar mais um de seus sonhos: "acabo de realizar mais uma parte dos meus sonhos ,pois mandei dua alunas minhas, pecadinho  e malvadeza, duas treineis que estão comigo a muito tempo e isso e uma vitória pras mulhres da periferia e pra mim que  consegui realizar este sonho. Enquanto eu estou aqui elas ja dão aula no cazau.
Irmao este ano elas já vão estar dando oficina  no aniversario do cazua huhuhuh!!!"
 
Daqui fica a grande torcida para que todos os envolvidos com o fantástico trabalho de Marcio e seu Cazuá continuem dando bons frutos assim como fica a nossa torcida para que outros grupos e trabalhos se destaquem dentro e fora do Brasil, estando o canal aberto dentro do Portal Capoeira para publicarmos e incentivarmos estas experiências.
Luciano Milani
Que seria de nós?
 
Que seria de nós?
Sem ela… a mulher…
Que seria da Capoeira Angola sem a sua beleza e formosura, sem a sutileza dos seus gestos e o brilho dos seus olhares.
Que seria da perfeição?
Sem elas pra se espelhar…
que seria do homem?
Sem elas pra se encantar
 
Um giro numa roda… é volta do mundo…
Um giro na periferia… e lá está…
Com toda a sua força, contrastando com o seu charme… a mulher
Que na humildade da sua sabedoria cria os filhos, os irmãos, cuida da casa, sustenta a família, trabalha fora, faz a comida e ainda tem muito… muito amor pra dar.
 
De Angola, daqui… d’aculá… não importa ela é número pra somar.
 
 
 
O Contra Mestre Perna Longa tem feito um trabalho todo especial juntamente com o Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros no incentivo e resgate da participação da mulher na Capoeira, o que tem dado incríveis resultados, seja para a beleza das suas vadiações, seja para a harmonia das suas rodas, mas principalmente pela força de sua natureza.
 
Nessa corrida vários trabalhos de percussão, canto, rodas e artesanato foram feitos explorando o que há de melhor nessas jóias raras, e tem dado muito resultado, que hoje é reconhecido internacionalmente, através dos intercâmbios entre o Cazuá (Bremen) e a Senzalinha (Brasil), aonde acontecem rodas, encontros e vadiações;
 
O curioso é que o que para a mulher brasileira “vadiação” tinha a conotação de um marido vagabundo na porta de um boteco bebendo e sambando com outras mulheres, hoje é trabalhando de uma forma mais lúdica, aonde elas vadiam com maestria, com beleza e graciosidade.
O Cazuá desenvolve um papel todo especial em Bremen, pois em um país aonde culturalmente as pessoas são menos emotivas e menos sensíveis, a Capoeira Angola através do seu encanto que se mostra através dos seus gestos e da sua harmonia, tem conseguido grande avanço no que se refere à sensibilidade nos seus movimentos suaves e sublimes, e já têm exportado verdadeiras pedras lapidadas no dia-a-dia das rodas, dos treinos, da convivência com outras meninas brasileiras que nesse intercâmbio trocam experiências, vivências, cultura e claro cabeçadas, rasteiras e muitas gargalhadas.
 
Esse trabalho se deve a vários fatores, o principal deles é que o trabalho dos Mestres Baixinho e Marrom que são pai e filho, por causa desta união e demonstração pratica de cumplicidade e amizade o trabalho é difundido nesses termos, aonde a ligação mais forte é o afeto, respeitando as diversidades e explorando as diferenças, para que possam chegar sempre ao melhor para o grupo em si, e como faz parte da mulher esse lado família, do cuidado, do carinho, da convivência, torna mais fácil o trabalho, que com muito empenho e força de vontade vem dando tantos frutos desde o tempo em que foi plantado… ou seja… sempre!
 
Corvo Poeta
08-03-07