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José Evânio um Capoeira muito especial

Rede Record grava matéria com deficiente em Olho d’Água das Flores

A Rede Record esteve no município alagoano de Olho d’Água das Flores, na última sexta-feira, 19, para contar a história de superação do garoto José Evânio (Ninho), de 14 anos, portador de múltiplas deficiências físicas.

Ninho mora com a mãe e quatro irmãos, em uma casa alugada e a única renda da família é o salário que Ninho recebe do beneficio (BPC deficiente). Mesmo com as dificuldades o jovem é capaz de realizar tarefas como: jogar bola, jogar capoeira, tocar teclado e outras atividades realizadas com força de vontade.

O José Evânio exalta sua felicidade, é otimista em seus sonhos os quais busca diariamente e a reportagem se propôs a mostrar o segredo da ‘verdadeira felicidade’.

O José Evânio é otimista em seus sonhos os quais busca diariamente.

Nós do Portal Capoeira temos a imensa alegria de vos dar a conhecer José Evânio um Capoeira muito especial, mais um dos protagonistas de nossa seção: “Capoeira sem Fronteiras”

 

Fonte: http://minutosertao.com.br

Festival de Dança do Triângulo apresenta “Bahia de Todas as Cores”

O Balé Folclórico da Bahia (BFB) é a atração da abertura oficial da 22ª edição do Festival de Dança na Arena Tancredo Neves (Sabiazinho). O BFB apresentará ao público o espetáculo “Bahia de Todas as Cores”. Para conferir esta e outras atrações no Sabiazinho, é preciso trocar 1 litro de leite de caixinha pelos ingressos na bilheteria ou na Oficina Cultural, das 12h às 18h.

Formado por 20 bailarinos, cinco músicos e dois cantores, o grupo mostrou na noite de ontem (27), fragmentos do espetáculo, com as coreografias “samba de roda” e “capoeira”. A apresentação fez parte do lançamento oficial do Festival, que aconteceu no Largo do Rosário e reuniu um público de mais de mil pessoas. “Eu gostei muito do pouco que vi e acredito que o espetáculo completo deve ser muito bonito. Vou fazer de tudo para não perder o show”, disse Marlene de Fátima Ribeiro, 70 anos, que conferiu a primeira noite do evento e elogiou os movimentos precisos do BFB.

 

Todas as Cores

Divididas em sete atos, as coreografias do espetáculo mostram a origem do homem, a puxada de rede feitas pelos pescadores, a dança em comemoração à boa colheita de cana, os toques sagrados do berimbau, o samba de roda, o gingado da capoeira e a festa de afixerê, uma ode à felicidade de ser negro. A direção geral é de Walson Botelho, artística, de José Carlos Arandiba e musical, de José Ricardo Sousa.

Criado em 1988, o BFB tem trabalhos reconhecidos no Brasil e no exterior, no âmbito da pesquisa, da manutenção e da promoção das mais diversas tradições do povo baiano. “Nossos espetáculos envolvem dança, música e outros aspectos que ajudam a expressar as manifestações culturais existentes na Bahia. Com o Bahia de Todas as Cores, vamos mostrar um pouco desta identidade ao público”, disse Walson Botelho, diretor-geral do grupo.

MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA JÁ ESTÁ NOS CINEMAS DO BRASIL.

As festas foram muito bonitas e emocionantes para todos que participaram delas. Em Brasília, onde o caminho do filme começou, foi organizada pelo Ministério da Cultura uma linda pré-estréia, no CINE ACADEMIA, que contou com a presença de muitos mestres, dos produtores do filme, representantes do Ministério e de outros órgãos federais. O cinema estava completamente cheio, com poltronas e chão totalmente ocupados.

Depois de uma pequena palestra, presidida pelo Presidente da Fundação Palmares, Zulu Araújo, ex-capoeirista da capoeira angola e durante muitos anos presidente do OLODUM. Para nós, que fizemos o filme, a emoção era muito forte pois seria a primeira vez que o Mestre Luizinho veria o filme sobre o seu pai.

 

Na época das filmagens pelo fato do Mestre Luizinho estar morando em Goiânia deixamos sua participação para o final. Acabamos ficando sem dinheiro e tivemos, infelizmente, que voltar para o Rio. Na minha cabeça ficou morando essa frustração e eu queria muito que o Mestre visse finalmente o filme, o que aconteceu na pré-estréia de Brasília. Foi um dos grandes momentos que vivi naquele dia. O outro foi ver, com um grande sorriso e muita felicidade no rosto, a chegada do queridíssimo Mestre Skisyto, recém saído de um grave problema de saúde, mais um jogo que ele soube vencer com muita categoria.

Fotos LFG

Já chegou de longe mesmo falando em capoeira. Depois, foi um papo sem fim, após a sessão do filme, no coquetel com que o Ministério homenageou a capoeira de Brasília ali presente. Há muito tempo eu não participava de uma roda de PAOEIRA tão interessante, que terminou com a necessidade de fechamento da academia de tênis, já tarde da noite. Foi um papo extremamente técnico onde os Mestres Luizinho, Skisyto, Camisa, Gilvan e tantos outros davam uma aula de técnica de ensino e de desenvolvimento de esquivas e golpes, muitas vezes exemplificados com movimentos e tudo, além de muita conversa sobre toques, ladainhas e perguntas dos que não tiveram a felicidade de compartilhar os ensinamentos do Mestre Bimba. A cada resposta, Mestre Camisa se certificava com Mestre Luizinho sobre o que estava respondendo, com o Mestre Luizinho fazendo o mesmo. Para mim, e para todos que ouviam, foi uma fantástica aula de capoeira, que não queríamos que terminasse nunca.

 

Imaginei que aquele seria o mundo da capoeira em que todos nós gostaríamos de viver, sem brigas, mágoas e rancores. Ao fundo o som e a roda de Mestre Gilvan e seu grupo de capoterapia ajudavam a dar mais "clima" ao ambiente.

Ao final, fomos todos nos despedir do Mestre Luizinho que, amante das estradas e da sua vida "Easy Rider" voltaria naquela hora mesmo para a sua Goiânia, a bordo de um possante triciclo, capaz de atingir, com muito orgulho, diz ele, os 120 kms. Por hora.

Fotos LFG

 
Para mim ficou a lembrança de uma noite inesquecível, sem saber ainda do me esperava no Rio.
 

A SESSÃO ESPECIAL DE "MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA", NO RIO, PARA MAIS DE 700 CRIANÇAS E MESTRES DE PROJETOS SOCIAIS.

No dia seguinte de Brasília, tudo recomeçava para mim, no Rio de Janeiro, minha cidade querida e tão sofrida. Nós da produção tínhamos tomado a decisão, apoiada pela PETROBRAS, de fazer no Rio uma pré-estréia diferente das que normalmente se fazem. Pensei muito em Bimba e propus que a sessão fosse de manhã, em um fim de semana e totalmente dedicada às crianças de projetos sociais da capoeira, que viriam acompanhadas por seus mestres e responsáveis e alí não só poderiam conhecer uma sala de cinema, onde a maioria entrava pela primeira vez, como conhecer a história de Mestre Bimba e ainda participar de uma grande roda, após a sessão, com quase todos os grandes Mestres da VELHA GUARDA DA CAPOEIRA CARIOCA.

Fotos LFG

 

No palco, subiram mais de 20 mestres, de quase todos os grupos do Grande Rio. Muitas crianças, para ali chegarem às 10:30 da manhã, tinham madrugado e pouco dormido. Mas o clima de felicidade era geral. Antes do início formaram-se torcidas e OLAS, cada um gritando o nome do seu Mestre mais alto do que os outros. Um clima de harmonia, felicidade e respeito que chegou a balançar meu coração, confesso. Muitos vestiam camisetas feitas por eles próprios, com o nome e a marca do filme, retiradas do site, na internet. O Mestre Renato Baiano me presenteou com uma, feita por ele, que logo passei a vestir.

Fotos LFG

 

Um dos momentos mais emocionantes para mim foi quando eu pude chamar ao palco, representando todos os alunos de capoeira que ali estavam, o CABELEIRA, do grupo do Mestre Arerê, que devidamente uniformizado, havia sido escolhido para representar a capoeira na condução da tocha olímpica do PARA PAN 2007, em Copacabana, que seria pouco depois do término da sessão. Todos aplaudiram de pé.

Mestre Joel Marques conseguia não parar de fotografar um só instante.

Fotos LFG

 

Após a sessão, a Praça em frente ao CINE ODEON na Cinelândia, foi totalmente ocupada pela roda dos Mestres da VELHA GUARDA DA CAPOEIRA CARIOCA, que jogavam com as crianças para felicidade de todos que alí estavam ou apenas passavam.

Fotos LFG

 

Bem, estou seguindo o meu caminho de lutar para transformar o filme em um sucesso de público e colocar a capoeira em todas as mídias. A VOLTA AO MUNDO não pára e a próxima festa será em SALVADOR, a terra do MESTRE BIMBA. Viajo dentro de duas horas para lá e deixo aqui, umas fotos do que aconteceu em Brasília e no Rio.

Luiz Fernando Goulart
MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA

Confira a programação completa e as salas onde será exibido o filme

Mensagem de Final de Ano do Mestre Gilvan

MENSAGEM ESPECIAL PARA VOCÊ
 Sei que nesta jornada de 2005, nem tudo aconteceu do jeito que se esperava, mas se houveram espinhos, pelo menos, serviram para fortalecer a alma e fazer jus à luta por dias melhores.
Na ginga da vida, na roda do mundo, todo mundo ginga, a cada segundo no salto do tempo, no brilho do riso, dando rasteira nos desafios.
A grandeza de ser o que és, não se mede por troféus e nem por elogios adquiridos em méritos e sim, pela persistência em acreditar na bondade humana, pois onde há UMA VONTADE há sempre UM CAMINHO e onde há BOA VONTADE, haverá sempre MUITOS CAMINHOS.
Desejamos muitas felicidades e grandes realizações neste ano de 2006, repleto de axé, alegria e felicidade a todos os capoeiristas do mundo e familiares, a paz no coração, saúde eterna, muita vontade de vencer e persistência na busca de seus sonhos, pois o hoje é a semente e, o amanhã os frutos que os servirão em sua jornada.
São os sinceros votos da
Associação de Capoeira Ladainha
Associação Brasileira de Capoterapia
Mestre Gilvan
Brasilia DF

Em busca da Ludicidade Perdida

 Após o pesadelo transatlântica, os que sobreviveram aos porões fétidos da civilização européia, no sentido literal, seguiram-se gritos solitários que se ouviu nas senzalas e nos terreiros banhados com o sangue inocente dos mártires, inconformados com uma vida pior que a dos animais…

Essa pode ter sido a gênese cruel. Mas a ressurreição de toda a humanidade acontecia, junto com os sinais da iluminação dos tempos: eclodiram revoluções no mundo dito civilizado, em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade…

Que era essa liberdade? Haveria lugar para essa metáfora burguesa em busca do seu lugar ao sol, enquanto uma raça inteira jazia sob os ferros da escravidão?

Que igualdade? Onde caberia esse discurso, se a massa dos excluídos se avolumava junto com as comunidades negras soterradas pela substituição da máquina-homem pela máquina-vapor?

Que fraternidade? Se as uniões que se forjaram se destinou, como na Guerra do Paraguay, a interromper um crescimento infiel de uma ex-colônia, numa covardia que usava o julgo capitalista inglês, por um lado e, por outro, milícias de capoeiras negros condenados com a promessa de um prêmio que nunca foi pago, ao lado de um mérito nunca resgatado na História?

Então, se somados todos os processos históricos das revoluções da era moderna, para os negros o resultado era sempre zero, o que fazer? Por onde assegurar que seriam preservadas as esferas de realização reprodutiva de sua cultura, de seus valores, de sua fé, de sua felicidade, enfim?

Era preciso uma revolução estratégica… Onde obter armas para fazer frente a tal caos? Tanques de guerra? Fuzis? Mosquetões? Talvez a conquista de uma legislação protetora, como a que existe hoje em dia para preservação dos animais?

Nada disso!

A Revolução teria que ser feita numa esfera inacessível aos não iniciados!

Ela teria que ser escrita no idioma oral das raízes afros.

Teria que poder ser praticada de forma velada e ao mesmo tempo por todos. Como isso seria possível?!

 

A REVOLUÇÃO SILENCIOSA(?) DO CORPO

 

Era isso. Os códigos teriam que ser passados através do único veículo de que dispunham os negros: o seu corpo! É lógico, o corpo possui todos os instrumentos necessários aos processos de informação cultural e revolucionária…

Mas, se fosse colocado em confronto em campo aberto, poderia o corpo ter alguma chance de resistir às pressões alienantes do dominador? Não. Era necessário que o processo deveria contar com um aliado estratégico, o elemento dissimulador… Onde buscá-lo?

Não era necessário, pois ele fazia parte do acervo natural da cultura afro, era encontrado em grande quantidade nos movimentos básicos do seu dia-a-dia; podia também ser localizado nas esferas simbólicas discretas de seus valores, produzidos a partir de uma consciência estética livre e na profundidade criativa da mãe-África, inscrita como o mais antigo legado da humanidade. Sim, era possível.

Era possível superar a dor do ferros cravados na carne mulata; possível também romper com o cerco legitimado dos senhores-donos-de-escravos, imperialistas ou republicanos, que empurrava para os porões dos valores, a cultura, a arte, a religião e a imaginação afro, a submissão aparente ao julgo dos valores ocidentais era parte da estratégia.

Ela era galgada na ironia, na aparente aceitação da realidade imutável dos fatos, e na manifesta demonstração da inocência primeva de quem não teria mesmo porque se sentir ou reagir de forma diferente: a manha, a sanha, os rituais religiosos – estes não liberados senão mediante um sincretismo negociado com a ordem dos valores vigentes, as heranças guardadas da Dança da Zebra; a Cujuinha, dança guerreira; a Uianga, dança dos caçadores; a Cuissamba, dança de julgamento e castigo; e outras bases culturais, como a dança do Batuque, os ritmos corporais dos rituais umbandísticos.

Aí estavam as fontes, as quais, misturadas aos recursos férteis da imaginação criativa e a frágil percepção da resistência por parte do dominador – subestimar o adversário representa cinqüenta por cento de derrota, segundo o critério da tradição oriental – juntando tudo isso na alquimia daquele momento em que o tédio branco era tão carente de dinâmica, estava pronto o contexto da gênese transcendental do elemento de resistência, composto da imaginação loquaz e renitente, da festa, do folguedo a qualquer tempo e da capacidade de surpreender os desavisados e os espíritos desarmados dos dominadores, pois de muito gorda a porca já não anda, de muito usada a faca já não corta!.

Construídos os fundamentos da resistência, era importante praticá-los, explorá-los, aperfeiçoá-los, expandi-los!

A jornada da resistência era longa e não adiantava a pressa…

A pressa era dos dominadores, através de conclusões precipitadas dos movimentos, dos jogos e dos folguedos…

A melhor forma era a ironia, aperfeiçoada em insolência, indiferença à força bruta, uma brincadeira desautorizada na frente do opressor.

 

BOM HUMOR: A REVOLUÇÃO DA FELICIDADE

 

Essa a História-síntese da arma maior da revolução negra: a capacidade de superar o horror e a tragédia a partir da manutenção de um estado de resistência lúdica, que transformava cada momento de lazer no resgate do direito à felicidade, com o corpo-arma escrever os sinais da superação da opressão e avançar na História, preservando, junto com a força cultural e do espírito guerreiro, a capacidade entusiástica do estado de espírito festivo, construtivo, combativo e fiel à luta pela alegria e pela dignidade a um só tempo, como se isso fosse parte de um todo indivisível!

Poderíamos nos alongar indefinidamente nas possibilidades desse insight, através do qual pretendemos remontar uma visão Histórica da construção da ludicidade dentro da revolução negra afro-brasileira, ao tempo que inscrita tal sanha nos signos gestuais e nos símbolos revolucionários das reconstruções de identidade étnica transportadas pela miscigenação cultural brasileira, hoje praticamente controlada pelos donos do mercado, o qual vende a alegria em cenas sensuais extraídas das páginas mal contadas da memória corporal dos africanos, legados sem restrição ao acervo dos ritmos e ritos afro-brasileiros.

Os efeitos dessa terapia vai muito além dos limites sensoriais, hoje encenadas nas citadas explorações erotizantes, perdido o elo revolucionário de sua gênese, subutilizado o seu potencial no maciço mercado sensual e abandonada a sua aplicação no talvez mais importante terreno fértil de sua potencialidade: a libertação das angústias, dos medos, dos traumas, dos centros somáticos de resistência corporal (vide Freire, R. in), além da ruptura com os processos competitivos, dissimilados em jogos simbólicos e solidários. A Arma é o Corpo

Portanto, é necessário resgatá-lo, tal espírito, tão forte sua importância no jogo da capoeira. Tão grande sua influência nos resultados de cada etapa do aprendizado, em cada possibilidade de superação das barreiras competitivas. Tornar o jogo um instrumento de subversão do resultado e da competição, tudo isso é parte da ludicidade, hoje banida das práticas, pois quem ensina parece não conhecer a ausência da regra que a torna possível. Nossas regras parecem ser, ao contrário, avanços na direção oposta da liberação que a liberdade permite.

A alquimia da música e do ritmo, por outro lado, parece ter se perdido, após uma atualização modernizante de uma melodia de alto impacto, que inviabiliza um resultado harmônico corporal, mesmo no solo, quanto menos, num diálogo entre dois corpos equipados com o arquivo-arma traduzido para o nosso idioma remixado da cultura latino-americana/afro-brasileira.

O desafio maior da capoeira na escola é desvendar esse mistério e recuperar o lúdico nos escombros soterrados de nossa Étno-História não contada, após o que, talvez possa reescrever a felicidade e a solidariedade, como uma revolução urbana de paz e de consciência crítica e libertária!
 

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