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Natal: Punido pelo preconceito

Conheça a história de um inocente que viveu mais de 2 anos atrás das grades

Ser negro, tatuado, pobre, sem estudo e ainda professor de capoeira. Valdécio de Oliveira Soares, 34 anos, acredita que foram essas características que o levaram a ficar preso por dois anos, três meses e 28 oito dias por um crime que não cometeu. Acusado de ter matado um amigo, Erivan de Paiva Justino, 34, em janeiro de 2010, ele foi inocentado em um júri realizado em 19 de julho deste ano por falta de provas. Solto desde então, ele lembra com tristeza dos momentos de desespero e sofrimento na cadeia, pagando por um crime que não cometera, sentindo saudades da família e de amigos. No entanto, ele também compartilha o gosto da liberdade de fazer coisas simples como tocar um berimbau ou mesmo comer pão com ovo quando bem entender.

Valdécio Soares foi detido em Bom Jesus, onde mora, em 29 de abril de 2010 durante a chamada “Operação Sentinela”, deflagrada pela Polícia Civil com objetivo de cumprir mandados de prisão contra pessoas acusadas de crimes diversos, principalmente homicídio. O professor de capoeira foi apontado como o principal suspeito na morte de Erivan Justino, que fora encontrado morto e com o corpo carbonizado às margens da BR 226, no município de Bom Jesus, em 26 de janeiro daquele mesmo ano. A vítima estava desaparecida desde o dia 4 daquele mês, depois de ter saído da casa de Valdécio.

Ele conta que no dia em que Erivan desaparecera, esse teria ido à sua casa para beber, juntamente com outro amigo, Elias. Enquanto bebiam, Erivan teria pedido para tirar a calça, por estar com calor e estar vestindo uma bermuda por baixo. “Eu disse que ele podia ficar à vontade. Ele tirou a calça e me pediu para guardar”. Por volta das 11h, Erivan disse para Valdécio que precisava sair para sacar um dinheiro da conta e chamou o professor de capoeira e o outro colega para irem junto. “Mas eu disse que não iria, que ele podia ir só”. Desde então, Valdécio não viu mais o amigo.

O advogado do capoeirista, Lázaro Amaro, explica que o delegado Frank Albuquerque, que à época conduziu as investigações, teria entendido que Erivan teria comprado droga ao seu cliente e não pagou, por isso foi executado. “A mãe da vítima revelou à Polícia que o filho era dependente químico de crack. Ela contou ainda que Erivan deixou uma calça na casa de Valdécio e, no mesmo dia, tentou sacar dinheiro da conta. Isso é o que tinha de concreto nas provas e que levou à presunção do crime. Associaram o fato do meu cliente ser negro, tatuado e capoeirista com a possibilidade de ser traficante, porque o delegado ouviu dizer que ele vendia drogas. Porém, não encontrou uma pessoa que confirmasse isso”.

 

Falta de provas

Preso por mais de dois anos e finalmente levado a júri popular, Valdécio Soares foi inocentado exatamente por falta de provas contra si. “Apresentaram uma testemunha, funcionário de uma farmácia na qual Valdécio fora tirar uma cópia da identidade a pedido da Polícia, acompanhado do amigo Elias. Essa pessoa disse que teria ouvido, na ocasião, meu cliente dizer para o amigo que tinha ido à lotérica comErivan para retirar o dinheiro. Porém, depois de se contradizer duas vezes, ele negou essa versão”, conta o advogado do capoeirista.

O defensor de Valdécio ressalta ainda que sequer existia a confirmação de que Erivan tinha sido assassinado. “O laudo do Itep (Instituto Técnico-Científico de Polícia) não conseguiu apontar a causa da morte. O corpo foi simplesmente encontrado carbonizado junto a uma plantação. Houve, inclusive, um boato que o fogo foi ateado por agricultores para preparar a terra. O que pode ter acontecido é que o rapaz teria consumido drogas, ficado desacordado e não escapou do incêndio”. Com a falta de provas, durante as alegações finais, a própria promotoria pediu pela absolvição do réu.

 

Indenização

Livre desde o julgamento, o mestre de capoeira ainda está avaliando a possibilidade de entrar com uma ação contra do Estado pedindo indenização pelo tempo que passara preso. “A gente tem que correr atrás do nosso direito. Não posso deixar isso de lado depois de tanta injustiça que sofri. Isso vai ficar de exemplo para muito outros que passam pela mesma coisa em nosso país”.

 

Momento da prisão

Valdécio lembra com bastante dor o momento de sua prisão. “Eu ainda estava dormindo, ao lado de minha namorada. Escutei um barulho fora da casa e me levantei para ver o que era. Quando abri a porta, um policial apontou uma arma para mim, perguntando se eu era Valdécio. Respondi que sim e ele disse que eu estava preso. Para mim, foi terrível o momento, pois fui colocado de joelho e algemado de frente ao espaço onde dava aula de capoeira, lugar que eu considero sagrado”. Depois de detido, ele passou por três unidades prisionais: primeiro no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Macaíba, em seguida para o Centro de Triagem de Pirangi, depois o Presídio Estadual de Parnamirim e retornou para o CDP de Macaíba.

 

Entrevista Delegado Frank Albuquerque: “A Justiça fez a parte dela”

O delegado Frank Albuquerque chefiava a delegacia de Macaíba à época do crime e respondia pela cidade de Bom Jesus. Foi ele quem conduziu as investigações que levaram ao indiciamento de Valdécio Soares por homicídio. E explica como chegou à conclusão de que o capoeirista teria matado Erivan Justino, mas comenta apenas que a justiça fez a parte dela.

Ao final do processo, Valdécio Soares foi inocentado das acusações. A pergunta que fica é se havia no processo provas robustas que pudessem incriminar o mestre de capoeira. O que o fez indiciá-lo pelo crime?

Havia provas testemunhais e técnicas. Tudo foi feito dentro da legalidade. Tanto que o juiz mandou prendê-lo e a prisão se sustentou até o final do processo. O que foi feito se baseou no que a mãe da vítima nos revelou, ou seja, de que Erivan fora a casa de Valdécio e desapareceu em seguida. O rapaz era dependente químico, mas não havia nenhuma outra pessoa interessada na sua morte. A mãe do rapaz ouviu dizer que o acusado vendia drogas. Acreditamos que a vítima tenha ido comprar droga ao acusado e deixou a calça como garantia de pagamento. Como não pagou, acabou sendo assassinado.

Mas a suspeita de que ele vendia drogas não foi comprovada. Você não conseguiu achar uma testemunha que confirmasse que Valdécio Soares era traficante?

Sabemos que, em geral, um traficante é uma pessoa perigosa e intimidaa comunidade que está a seu redor. Quem vai aparecer para confirmar que alguém vende drogas, correndo o risco de ser morto? Só a família da vítima, que está interessada em justiça.

Você ainda acredita que Valdécio seja culpado pelo crime, mesmo após sua absolvição?

Se ele foi absolvido, não posso ir de encontro a uma decisão judicial. A Justiça fez a parte dela, assim como eu sei que a Polícia também fez a sua. 

Estado perverso e injusto

O presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Marcos Dionísio, declara que o caso de Valdécio Soares demonstra bem as consequências de se ter uma Polícia desestruturada. “Um caso assim mostra que quando o Estado é ausente, ele se torna perverso. A incapacidade das polícias brasileiras em dar conta das investigações de homicídios no pais de maneira satisfatória gera injustiças como essa”.

Marcos Dionísio acredita que foi o fato de Valdécio Soares ser pobre que o levou a ficar preso por tanto tempo injustamente. “Se dermos uma olhada para a população carcerária, veremos que a grande maioria é de gente assim. É praticamente inexistente a presença de ricos na cadeia, pois esses têm condições de ter uma assessoria jurídica eficaz que possa tirá-los da prisão. Já os desfavorecidos têm de contar com a defesa dada pelo Estado, muitas vezes ineficiente”.

 

Paulo de Sousa
jpaulosousa.rn@dabr.com.br

De capoeirista e auxiliar administrativo até virar apenas Roger

Ele já foi ajudante de obra e auxiliar de serviços gerais na empresa de construção do pai, depois vendedor de álbuns de “crianças fotogênicas” em vilas populares, auxiliar administrativo em uma financeira, divulgador e representante de discos na época das grandes gravadoras. Também já foi capoeirista, fez frevo e participou do Balé Popular do Recife por uns dois anos. Tudo isso foi o que ele fez antes de se tornar apenas Roger de Renor, figura recifense mais conhecida por seus programas televisivos e em rádios: primeiro foi o Sopa da Cidade, na antiga Rádio Cidade, depois o Som da Sopa, o Sopa de Auditório e agora o Som na Rural – que está sendo gravado e será exibido em cadeia nacional pela TV Brasil – e o programa Sopa Oi FM, além de ser diretor da TV Pernambuco desde o ano passado.

Um comunicador nato, Roger de Renor não é daquelas pessoas que conseguimos separar entre a figura pública e privada. Ele é um só, que participa da cena cultural do Recife por prazer e que acabou se transformando também em profissão. Além da atuação como dono dos lendários e extintos bares Soparia e Pina de Copacabana, esse cidadão recifense que se destaca onde chega por seu visual – agora, lembra um pirata tatuado e barbado – nos conta quem ele é.

A começar pelo nome, qual seria o nome de batismo de Roger de Renor? Rogério, Rogesvaldo, arrisquei a pergunta. “É Roger de Renor, mesmo. Meu pai se chamava Paulo Renor da Silva, e minha mãe é Maria Tereza Paiva Rosa e Silva. Eu e minhas três irmãs somos ‘de Renor’. Na realidade, o sobrenome dos meus pais era ‘Silva’. Hoje ninguém liga para isso, mas por preconceito com o ‘Silva’, que não tem nada de mais nesse sobrenome, resolveram colocar o ‘Renor’, que na realidade o segundo nome do meu pai, como se fosse Paulo Ricardo, por exemplo.”

Já o seu nome foi uma homenagem que sua mãe quis fazer a um artista circense que ela viu em um circo em Natal (RN). Roger acabou descobrindo que o seu homônimo fez parte do Circo Nerino, famoso na década de 1940, e sobre o qual escreveu o livro Circo Nerino. “E o meu nome é massa porque eu só sabia que minha mãe tinha se inspirado num artista de circo. Mas descobri o livro. Roger era um trapezista do circo. Tu acredita que o livro começa com uma mulher contando da vez que o circo tinha voltado para 
Olinda?” 

E Roger continua: “E uma mulher chega perguntando: ‘Cadê Roger?’ E o cara fala: ‘Roger tá aí’. ‘Ah, Roger tá aí? Então tudo bem.’ E ela entra, paga o ingresso, espera por Roger e não o encontra. Quando ela vai falar para o cara: ‘Você disse que Roger tava aí.’ O cara diz: “Você não viu, não? Ele é palhaço agora.’ Ela tinha conhecido ele como trapezista, ele era o galã do circo, andava em cima dos cavalos, fazia pirâmide humana. Como ele ficou velho, virou palhaço”, conta rindo.

“Ele era a referência que minha mãe tinha de artista de cinema, esse era o cara mais lindo que existia que tinha chegado na cidade de Natal. E o melhor é que eu conheci Roger, quando ele estava com 85 anos, quando ele veio para o Festival de Circo aqui no Recife e eu tinha sido convidado para apresentar o festival. Ele tomou cerveja comigo. E ele disse que tem Roger no Brasil inteiro por causa dele, um pessoal da minha faixa etária. Fiquei gostando ainda mais do meu nome, é uma história bacana.”

Nomes à parte, quem era Roger de Renor antes de se tornar uma das figuras mais conhecidas no cenário musical recifense? “Eu não gostava de estudar, minha escola era quase um colégio integralista. Não gostava de nada na escola, só da turma. No primeiro ano científico, parei de estudar.” Depois de passar por quatro escolas, resolveu fazer supletivo para concluir o Ensino Médio. 

SOPARIA – Nesse tempo também resolveu trabalhar com o pai, que tinha uma empresa de construção civil. “Meus pais não reclamaram, sinto até falta, acho que deveriam ter ficado no meu pé. Eu não sou como meu pai em relação a meu filho. Digo a ele que ele tem que estudar e pronto. Acho que meus pais deveriam ter feito assim. Mas eu fui trabalhar como auxiliar de serviços gerais, fiscalizava obras com meu pai.”

Depois Roger não quis trabalhar mais com o pai. “Virei vendedor de uns álbuns que eram vendidos em vilas populares, de crianças fotogênicas. Na verdade, um fotógrafo dizia que estava tirando foto para uma revista. Mas era tudo mentira. Depois de revelarem as fotos e publicarem num álbum, eu e outros vendedores tínhamos que voltar nesses lugares para vender essas fotos a esse pessoal bem pobre.” 

Também trabalhou em financeira e depois passou cerca de oito anos trabalhando para uma gravadora. “Eu ganhava bem, mais que o suficiente. Aí eu tinha vinte e poucos anos e tinha um carro, uma moto, apartamento alugado, era massa. Mas esse negócio era muito angustiante, eu gostava demais de música para vender disco. O disco, você vendia o produto, e não o conceito, a história, o lance da música. Era como quem vendia sapato, roupa.”

Enquanto trabalhava como representante de gravadora, Roger de Renor fazia o que gostava. Organizava festas na casa da mãe, fazia capoeira e até ensinou capoeira em academia e chegou até a participar do Balé Popular do Recife. “Como eu vivia essa vida boa aí, eu podia viver outra coisa boa. A única coisa boa que a escola me trouxe foi que não me fez ser um playboy foi a capoeira. Na capoeira aprendi a me relacionar com gente de todo nível social, aprendi a tocar pandeiro, berimbau. Ensinei em academia, participei de campeonato, sou capoeirista graduado, posso ensinar.”

Como um caminho quase que natural, Roger fez um curso de frevo na Casa da Cultura e fez um teste para o Balé Popular do Recife, onde passou mais de dois anos. “Fazia capoeira e frevo, caboclinho, coco. Imitava embolador. Participei do espetáculo Prosopopeia – um Auto de Guerreiro.” Também fez teatro, participou de alguns espetáculos no Recife, como Salto Alto, Arlequim. “Era muito bom. E eu ia ficar vendendo disco, cara?! Ficar naquele papo no lugar das revendas: ‘E aí, como vai?’ E o outro: ‘Agora que você chegou tá tudo bem’. ‘Não, que é isso?! Você que manda’. E o outro: ‘Eu não mando nada, você que manda e eu obedeço.’”, brinca.

“Não ia ficar envelhecendo naquela porra. Eu falei ‘Vou fazer qualquer negócio, aliás não vou fazer nada.’ Ainda trabalhei de segurança, chefe de camarim, fiquei sem fazer nada, tinha a grana que tinha recebido da gravadora, pensei em botar uma kombi com lanche, carrocinha de sanduíche, só pensamentos retardados. Eu não era mais menino e pensava nisso, só pra não entrar no negócio de trabalhar, só coisa que me divertisse. Foi quando resolvi botar o bar.”

Em 1991, Roger abriu a Soparia, no Pina, que era um esquema “para não trabalhar”. Num cenário não tão diferente do de agora, Roger conta que na época o Recife não tinha lugar para inde ir depois das 2h da manhã. “Ou você ia para o Hospital da restauração ou para Brasília Teimosa. Resolvi abrir a Soparia de meia-noite até 7h da manhã. “ Roger conta que abriu o bar numa meia-noite de Carnaval e não apareceu ninguém. Depois do Carnaval, o movimento foi aumentando, o bar passou a abrir às 7h da noite e ia até 5h, 6h da manhã. “É muito perigoso trabalhar com bar gostando de gente, de bebida, de festa… é um perigo.” 

Depois que a Soparia fechou, Roger abriu o Pina de Copacabana, na Rua da Moeda. Mesmo funcionando por apenas dois anos, entre 2000 e 2002, o bar até hoje é referência. Muita gente que nem frequentou o espaço – que depois foi reaberto como Novo Pina e que hoje já adotou um outro nome – até hoje costuma se referir ao espaço como “o antigo Pina”.

TATUAGENS – Além da barba fechada, dos brincos e anéis, Roger é todo estampado. Numa ocasião, durante uma entrevista, Roger falou que tinha quadros nas paredes do seu corpo para se referir às tatuagens. São dez ao todo, entre gatos, sereias e a mais curiosa: a palavra “Saudade”. “A primeira tatuagem foi a sereia, todas foram feitas a partir da Soparia, quando eu tinha uns 28, 29 anos. Tem essa aqui que vou retocar: ‘Saudade’, que fiz quando estava bêbado. Saudade é massa, porque é amor, né, querendo amar, bêbado. E uma vez uma mulher no elevador disse: “Soldado? Você é militar?”, conta rindo e brinca: “Deveria ter dito: ‘Não, é um cara que eu namorei, um recruta”, ri.

“Sou vaidoso, gosto muito de… não é uma história de ‘Preciso ter aquela roupa’. Mas não dispenso uma atividade física, se não correr na praia três dias na semana, fico agoniado. Ando de skate no Parque Dona Lindu, ando de bicicleta.”

Vaidoso, o produtor cultural, comunicador, apresentador ou seja lá qual a definição que melhor se encaixa para ele, tem uma paixão: motocicletas. “Eu comprei uma moto com 19 anos. Gosto por causa dessas fantasias mesmo, todos os clichês, vento na cara, zoada, fazer parte da natureza, os filmes, tem toda uma simbologia. Agora tenho a moto que mereço, uma Fat Boy, uma Halley Davidson 1660 cilindradas. Ela é linda, ela é um sonho”, fala como um menino que estivesse falando do seu brinquedo predileto. “Em vez de investir em carro novo, prefiro a moto, que é meu sonho. Também já viajei muito de moto, já fui muitas vezes para o Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Ceará. Não conheço o Brasil todo porque ainda não fui pra cima nem pro Sul.”

Além da sua Fat Boy, Roger tem uma Caravan de 1978. E já teve um Landau. “Minha vaidade tá nisso. Também nem seja vaidoso, mas amostrado. Se fosse vaidoso, teria um carro zero. Mas prefiro ter uma Caravan azul, que é muito mais amostrado”, brinca e termina a entrevista mostrando o forro novo do carro. “Veja que lindo, né? E sou modesto, né? Agora diga que não é bonito?!.”

 

Fonte: http://ne10.uol.com.br/canal/cotidiano

Jundiaí: História de vida em roda de capoeira

Um dos capoeiristas mais respeitados da cidade, que fez história nos EUA, mestre Rã demonstra paixão e envolvimento com o esporte

A correria da rua do Retiro esconde um recanto de paz e espiritualidade. O ritmo agitado de pessoas pela rua é bem marcado pelo berimbau e pandeiro da Academia de Capoeira do Mestre Rã, um dos maiores nomes do esporte na cidade.

O jundiaiense  é referência na capoeira nacional e internacional, sendo professor nos Estados Unidos.

A história de Cássio Martinho, o nome de batismo do mestre, com a capoeira começou logo cedo. Aos 14 anos, quando ele e mais dois amigos, um deles capoeirista, resolveram fugir de casa.

“O objetivo era ir para o Acre para virar índio. Nós éramos contra o sistema”, conta o mestre, que não chegou ao estado do Norte – o seu máximo foi morar na Bahia.

A ‘loucura’ durou poucos meses, depois voltou para Jundiaí, mas o amor pela capoeira já tinha tomado conta do jovem. “Gostava muito de assistir as rodas de capoeira.”

De volta à terrinha jundiaiense, mestre Rã conheceu o seu mentor e um dos ícones do esporte na cidade, o mestre Galo, fundador da primeira academia de capoeira de Jundiaí.

“Ele me atraiu pelas suas atitudes”, afirma.

Entretanto, mestre Rã não apreciava a prática da capoeria dentro das academias. “Eu achava que era coisa de homens frouxos”, lembra.

Com o passar dos anos, mestre Rã foi crescendo no esporte e foi dar aulas junto com o seu mentor. “Ele era um cara das ruas, como eu. Me ensinou várias coisas”, recorda.

APELIDO/ Se falarmos Cássio Martinho, pouca gente deve conhecer, no entanto mestre Rã tem muita história para contar. Esse apelido ele ganhou de mestre Galo no dia em foi batizado em uma cerimônia no Grêmio. Ele lembra que naquela noite estava muito nervoso e ansioso para sua luta.

“Minha estreia foi bem marcante. Eu entrei na roda pulando e dando piruetas. E o pessoal na hora começou a tirar sarro falando que eu parecia uma rã. Aí o apelido pegou”, brinca.

Saltando de lá para cá, Mestre Rã chegou até aos Estados Unidos, onde coordena cursos e participa de eventos de batismo de outros capoeiristas. A princípio ele iria ficar só três semanas no exterior, mas fez seu nome em 17 anos lá fora.

Quem é e o que faz:
Nome_ Cássio Martinho
Idade_ 51 anos
Profissão_ mestre de capoeira
Clubes_ Academia de Capoeira do Mestre Rã

Capoeira toma conta  dos Estados Unidos
A vida do mestre Rã começou a tomar rumos diferentes em 1988, quando o Grupo de Capoeira Cordão de Ouro o chamou para ministrar um curso sobre o esporte nos Estados Unidos.

A princípio, Mestre Rã iria ficar fora do país somente por três semanas. “Esse era o meu pensamento. Dar as aulas e voltar”, lembra.

Mas não foi bem assim que aconteceu. “No final fiquei mais de 17 anos.”

Nos Estados Unidos, Mestre Rã – antes de se tornar um famoso capoeirista -, fez de tudo um pouco. Trabalhou em diversos setores muito diferentes do esporte. “Fiz trabalhos de turista mesmo”, lembra.

Como em uma roda de capoeira em que se cai e levanta, mestre Rã conheceu um outro capoeirista, o mestre Arcodeon, com quem fez grande parceria e difundiu o esporte em solo americano.

“Nós fazíamos um espetáculo legal, com danças tipicamente brasileiras”, diz.

E nos arcordes do berimbau a capoeira se espalhava pelos Estados Unidos e mestre Rã, acostumado a formar professores, estava jogando a capoeira com um pouco mais de sotaque, mas sem perder a ginga de um bom brasileiro.

“Os americanos têm ginga, isso é mito. Só falta um pouco da malandragem”, afirma.

O sucesso do esporte africano foi enorme. Mestre Rã ajudou a fundar várias academias de capoeira pelo país, em diversos estados e  cidades importantes.

“Eu vou umas cinco vezes por ano para os Estados Unidos, para os batizados”, diz o mestre que já tem passagem comprada para dezembro deste ano.

“Vou ver o pessoal de Miami, eles têm uma academia linda”, diz o professor, que também promoveu o intercâmbio entre as culturas. “Uma vez eu trouxe para cá 78 capoeiristas americanos”, conta.

 

Projeto Social

De volta ao Brasil em 2005, mestre Rã também usa a sua academia na rua do Retiro para promover ações sociais com crianças carentes de Jundiaí.

“Eu uso a capoeira como formação do caráter da pessoa. Esse é um dos objetivos do esporte”, afirma.

Ao todo, ele auxilia mais de 60 crianças de vários bairros da periferia  e percebe o desenvolvimento dos jovens.

“Dá para ver que a criança se esforça e consegue fazer os movimentos. Isso é muito legal”, afirma. Para o trabalho, o mestre conta com a ajuda de voluntários.

Mestre Rã aproveita também para cobrar uma ajuda da prefeitura nesse projeto social. “A prefeitura poderia ao menos dar o transporte. Isso já ajudaria muito”, afirma.

Mestre Rã está dividido entre os seus alunos e sua filha Joana Idalina, de seis meses. Segundo ele, a filha já tem a capoeira no sangue. “Trago ela em todas as aulas, ela gosta muito do clima”, afirma. A pequena Joana, desde cedo, está se acostumando com os instrumentos típicos da capoeira, como o berimbau e o pandeiro.

“Quando o berimbau para de tocar ela chora”, comemora o pai.

Tonho Matéria agitou a Casa Brasil na Copa

O cantor, (Mestre de Capoeira)* e compositor Tonho Matéria retornou da África do Sul, onde fez show na Casa Brasil – iniciativa do governo para divulgar o Brasil na Copa. Além de repertório e figurino especiais (uma Tapa, em reverência ao Muzenza e aos blocos afro, feita por Tânia Regina, que também veste Léo Santana/Parangolé e o Olodum), o artista, que é mestre de capoeira, convidou os alunos da filial moçambicana do seu projeto Capoeira Mangangá/Arte Viva. Os garotos fizeram apresentações de maculelê, capoeira show e danças afro. Um deles, inclusive, é celebridade local: Leonel Estevão (Pemba, na capoeira) é ex-Big Brother 4 de Moçambique.

A Casa Brasil é uma parceria entre os Ministérios do Esporte, do Turismo, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, da Ciência e Tecnologia e das Relações Exteriores, Apex, Finep, o Comitê Organizador Local da Copa Fifa de 2014 no Brasil e as cidades-sede brasileiras. Além de Tonho, a carioca Mart´nália também fez parte do projeto.

*Grifo Luciano Milani

Fonte: http://www.carnasite.com.br/

Aconteceu: 8º Encontro de Cultura de Raiz de Teresópolis

De violão ao berimbau, da poesia à música, de contos folclóricos à roda de capoeira… Platéia lotada do início ao fim, animação total, muitos aplausos, pedidos de bis e um encerramento que deixou gostinho de quero mais. Este foi o resumo do 8º Encontro de Cultura de Raiz de Teresópolis, realizado na manhã do último domingo, 1º de novembro, na Casa de Cultura Adolpho Bloch. O evento teve edição especial, em homenagem às tradições afro-brasileiras, lembrando o Dia da Consciência Negra, a ser comemorado em 20 de novembro.

Em sua oitava edição, o Encontro de Cultura de Raiz foi apresentado pelo engenheiro agrônomo Beto Selig, comandando com simplicidade e simpatia o programa de auditório, que tem como cenário uma cozinha de roça. A manhã de festa já começou de forma diferente, com um café da manhã, servido a artistas e convidados e partir das 9h.

A cantora e repentista Wanda Pinheiro abriu o evento agitando o público com a música ‘Fuscão Preto’. Mas este foi só o começo. Dudu Black e Amado Rodrigues também se apresentaram e, em seguida, foi a vez de Moacir Rosa, que contou causos, recitou poesias e ainda fez sucesso com a música ‘Prato do dia’. “É um prazer estar participando mais uma vez do Cultura de Raiz. O evento está cada vez melhor”, salientou Moacir.

Um dos destaques desta edição foi a apresentação do coral da Escola Municipal Governador Portella, cantando ‘Semente do Amanhã’, de Gonzaguinha, e ‘Ciranda do Recife’. Composto por cerca de 30 integrantes, alunos do 2º ao 5º ano, sob a regência da professora Priscila Torres, o coral fez enorme sucesso. “Viemos a convite da Secretaria de Cultura e só temos a agradecer. Foi uma delícia participar. Nunca tinha vindo ao Cultura de Raiz e fiquei encantada. O cenário parece real, é maravilhoso. Sempre que for possível, voltaremos”, comentou .

Dentro da programação alusiva à cultura afro-brasileira, Raquel Botafogo e Wilson Martins fizeram sucesso ao contar uma história africana. Outra atração de destaque foi o coral Brasil Brincante que, sob o comando da regente Célia Seabra, encantou a todos apresentando várias peças do folclore brasileiro, sendo muito aplaudido pelo público.

Cecília Cerqueira da Silva, a Dona Menininha, cantou ao lado da orgulhosa filha Beth, acompanhada por Patrícia Araújo. Maura Ferreira contou histórias, enquanto Antônio Jorge dos Santos recitou poemas.

Os professores Marcus Wolff e Ricardo de Oliveira, este último vestindo um traje típico de Angola e comandando o Coro Municipal, fizeram enorme sucesso ao apresentar duas peças ligadas à cultura afro-brasileira: ‘Xangô’, uma invocação ao orixá Xangô, e Estrela-do-mar, uma aclamação a Iemanjá, sendo aplaudidos de pé, com pedido de bis.

Acompanhando de Gustavo Agostini e PC, Xando Pernambuco fez uma homenagem a Zumbi. Outro momento de êxtase foi a apresentação do grupo formado por Beto Selig, Gustavo Agostini, Xando Pernambuco, Andrea Sant´Anna, Paulinha Fialho, Ivan Pedro Fialho, Alice Botafogo, Raquel Botafogo, Wilson Martins, Maria Eduarda e Débora, com a participação especial do subsecretário de Cultura, Ronaldo Fialho. Juntos, utilizando os mais variados instrumentos, eles apresentaram músicas do ritual ‘Baião de Princesa’, que integra a cultura afro-brasileira. “Tivemos aqui uma festa maravilhosa, uma verdadeira homenagem ao Dia da Consciência Negra. E vamos prosseguir com a idéia de eventos temáticos. Estamos, inclusive, abertos a sugestões”, lembrou Ronaldo Fialho.

E quando todos na platéia já pareciam mais do que satisfeitos, veio a maior surpresa do dia, com a participação do Grupo de Capoeira Regiangola, de Mestre Sorriso, e do Grupo de Capoeira Gangazumbi, de Mestre Batata e contramestre Cidinho. Juntos, os dois grupos fizeram exibições de capoeira, maculelê e samba de roda, ainda no teatro da Casa de Cultura, utilizando instrumentos típicos da dança, como berimbaus, atabaques e facões. E, para fechar o evento em grande estilo, o público foi convidado para uma verdadeira roda de capoeira, realizada na sala de dança da Casa. “O Cultura de Raiz já é, por si só, um grande projeto. Mas, desta vez, a Secretaria de Cultura se superou. Esse encerramento com a capoeira foi maravilhoso”, comentou a dona de casa Mariana Cunha. Estreante no evento, João Pedro Santos concordou. “Foi minha primeira vez. Adorei. Sem dúvida, uma grande homenagem à cultura afro-brasileira, ou melhor, à nossa cultura”, resumiu.

Para o secretário de Cultura, Wanderley Peres, as apresentações temáticas, como a deste domingo, tem sido o grande ganho do projeto. “Quando começamos a pensar o Cultura de Raiz, nossa intenção era promover um evento que resgatasse a nossa mais genuína cultura. A cada edição, esse projeto vitorioso vem ganhando novas roupagens e as apresentações diversificadas estão se tornando um ganho extra, contemplando o público com uma atração a mais. E ver a Casa de Cultura cheia, com um público alegre e feliz, é motivo de grande satisfação para nós”, comemorou o secretário.

 

Fonte: http://odiariodeteresopolis.com.br

Nota de Falecimento: Mestre Osvaldo de Souza

Aos 30 dias do mes de maio de 2009, morre na cidade de Goiânia o Mestre Osvaldo de Souza, depois de lutar contra um cancer que iniciou na próstata e se generalizou por todo o corpo.

Mestre Osvaldo, foi quem trouxe para Goiânia na década de 70 o Mestre Bimba, e era considerado por muitos alunos do Mestre como traidor mas, por outros como aquele que alavancou as frontreiras da capoeira Regional um dos pioneiros da Capoeira em Goiás o Mestre escreveu livros e formou muitos capoeiristas, deixando assim uma lacuna na Capoeira de Goiàs.

Fica aqui os votos de gratidão Mestre, por tudo que fez pela Capoeira de Goiás.

Axé Mestre!!!

Capoeira Luanda
C/Mestre Apache
C/Mestre Guerreiro

Raízes do Brasil realiza IX Batizado de Capoeira em Luzilândia.

Grupo de capoeira faz batizado e integra alunos ao projeto "Esporte para o Futuro"

O grupo Raízes do Brasil realizou no início da noite de sábado, o IX Batizado de Capoeira em Luzilândia, no Ginásio Dr. Vilarinho, envolvendo alunos dos projetos "Corpo Ativo", de São Bernardo (MA) e "Esporte para o Futuro". O batizado também fez parte da programação de aniversário de Luzilândia. A Associação Cultural de Capoeira do Piauí, Raízes do Brasil, realizou ontem, 8, no ginásio de esportes Dr. José Vilarinho, em Luzilândia, o IX Batizado de Capoeira, que teve a coordenação do professor Mucuim e do mestre Tucano.

O evento, que também fez parte da programação de aniversário da cidade, em seus 118 anos, reuniu, além das dezenas de alunos atendidos pelo projeto "Esporte para o Futuro", desenvolvido pela municipalidade, várias pessoas da sociedade. O Portal Luzilândia.com foi convidado para o evento que iniciou logo no início da noite, com a apresentação do projeto e dos resultados que a capoeira vem apresentando em Luzilândia, pelo professor Mucuim, acompanhado da palavra da prefeita Janaínna Marques.

A capoeira é e continuará sendo uma das ferramentas de inclusão e revolução cultural e esportivas de jovens e adultos, estejam em situação de risco ou na vulnerabilidade. Uma comitiva especial de Teresina veio para o batizado dos alunos luzilandenses.

O Grupo Raízes do Brasil tem como filosofia contribuir para a formação de valores humanos éticos, baseados no respeito, na socialização e na liberdade. Tentamos despertar em nossos capoeiristas uma visão ampla do universo em que a capoeira está inserida, priorizando a conscientização nos aspectos da defesa da natureza; valorização da cultura brasileira e integração social.

O maior objetivo de qualquer capoeirista, dentro de qualquer capoeirista, dentro de qualquer grupo de capoeira é chegar a ser um mestre de capoeira. No grupo Raízes do Brasil não é diferente. Toda graduação do grupo caminha para esse objetivo. Contudo, para ser um mestre de capoeira no Raízes do Brasil é preciso muito mais do que força, malícia, flexibilidade, gingado ou qualquer outro talento.

Tanto o grupo quanto o projeto "Esporte para o Futuro", da administração municipal, tem como grande objetivo a valorização do ser humano, do indivíduo, do aluno, desde iniciante até graduado, e a capoeira ajudará a atingir esse objetivo.

O desenvolvimento da arte da capoeira, por meio de profissionalização do capoeirista; elevação do nível técnico e teórico no ensino da capoeira, bem como sua utilização como recurso pedagógico, artístico e/ou cultural.

Consideramos a capoeira a expressão viva da liberdade de um povo, uma arte ancestral que deve ser praticada com reverência e merece respeito e atenção. Preservar seus valores é uma de nossas metas. Nosso trabalho aponta para a necessidade de valorizar o ser humano e o capoeirista.

 

Fonte. http://www.tvcanal13.com.br

Foto: Antonio Neto

Jogadores da NBA participam de projeto e roda de capoeira em favela paulistana

São Paulo (SP) – Os jogadores que marcam presença na clínica “Basquete sem Fronteiras”, da NBA, deram um tempo no trabalho com os jovens talentos no Clube Pinheiros e, na tarde desta quinta-feira, participaram da cerimônia de inauguração de uma quadra poliesportiva e de um centro de tecnologia e educação na Favela Coliseu, localizada na zona sul da capital paulistana.

O projeto contou com o apoio da liga norte-americana e de outros patrocinadores, que também doaram 15 computadores com acesso à internet para a camunidade. No evento, além do rapper MV Bill, também estiveram presentes os brasileiros Anderson Varejão, Leandrinho Barbosa, Nenê Hilário e Marcus Vinícius e os estrangeiros Matt Bonner, Shawn Marion, Luke Walton, Kyle Korver e Samuel Dalembert.

 

NBAA inauguração teve, além do basquete, uma roda de capoeira. Quando convidado para participar, Leandrinho não fez feio e recebeu aplausos, logo depois justificados. “Quando era pequeno, fiz um ano de capoeira junto com o basquete. Só parei porque minha mãe percebeu que eu não estava conseguindo conciliar os estudos com as atividades físicas”, explicou.

 

Quem também participou da capoeira foi o haitiano Dalembert, que não passou fez vergonha. “Aprendi esses movimentos jogando videogame”, brincou o pivô do Philadelphia 76ers, que aproveitou para revelar uma outra paixão esportiva. “Adoro futebol e estou sempre praticando. Meus ídolos são Pelé e Maradona”.

 

Nas quadras, inúmeras crianças faziam fila para acertar alguns arremessos nas cestas e receber dicas dos atletas da NBA, que ainda distribuíram vários autógrafos. Um dos mais assediados era Leandrinho, que ressaltou a importância de ações sociais como essa. “Nos Estados Unidos, projetos assim acontecem com muita freqüência e sempre participamos. Aqui no Brasil, tem muitos jogadores de futebol que não fazem coisa alguma; não entendo por que isso”, criticou.

 
Além da participação no evento na Favela Coliseu, os participantes do ‘Basquete sem Fronteiras’ em São Paulo ainda visitarão na manhã desta sexta-feira o projeto Atendimento Multi Assistencial (AMA), no Hospital Samaritano, localizado na zona Oeste.

http://www.gazetaesportiva.net/

Nota de Falecimento: Mestre Marquinhos – Brasilia capoeira

Salve camaradas…
 
Venho por meio dessa para informar triste fato acontecido com um querido amigo da maioria dos capoeiras…
Um mestre na verdadeira concepção da palavra, um ser humano acima de qualquer outra coisa , amigo verdadeiro e camarada nas rodas da vida…
Faleceu mestre Marquinhos (Brasilia capoeira) Um dos unicos formados por mestre Adilson, aconteceu em um acidente automobilistico em direção a Porto Seguro, Domingo 31/12/06.
 
Haverá uma roda em sua homenagem na torre de tv a partir das 10 hs. Não deixem de ir prestar sua homenagem.
 
Com muito pesar…
 
Mestrando Léo Bombeiro
Um pouco mais da história de Mestre Marquinhos:
 
Nascido em 21 de Julho de 1966, no Estado do Rio de Janeiro (RJ), no Bairro de Botafogo.
 
Marcus Vinicius S. Gomes veio para Brasília em 1976. Com Formação em Tecnologia em Processamento de Dados, cursando Ed. Física e atualmente Direito, trabalhou na área de processamento de dados durante 8 anos, como Analista de Sistemas Sênior, formado a Faixa Preta 2º Dan pela Confederação Brasileira de Judô, tetra CampeãoBrasiliense ( 81 a 83), Centro-Oeste (83), Campeão Brasileiro em 84 e Vice em 85/86 (Juvenil).
 
Ingressou na Capoeira em 1985, no SESC da 913 Sul, com o Mestre ADILSON. "Após percorrer diversas academias, fui ver uma roda no SESC, a convite de vários amigos que treinavam lá, quando terminou a roda tive certeza de que não poderia treinar em outro lugar, era exatamente como falavam, a melhor, incomparável".
 
Em 1989 começou a ministrar aulas em diversas academias em Brasília, em 92 no CEUB e no Colégio JK (como prática de Ed. Física), em 1993 foi convidado para representar o Brasil no Festival Mundial de Folclóre em Kiell na Alemanha, em 1994 fez uma temporada de 4 meses com show's no Teatro e TV Espanhola, em 1995 fez outra temporada de 8 meses por toda a Europa, ministrando Cursos, participando de Show's e Eventos Internacionais de Capoeira. Tendo oportunidade de fazer uma apresentação ao Comitê Olímpico Internacional (COI), onde recebeu uma carta de indicação para representar o Brasil na Olimpíada Cultural em Sidney 2000 (evento que acontece paralelo à Olimpíada oficial). Desde então participa de eventos Internacionais por toda a Europa, EUA, e América do Sul, além de eventos Nacionais.
 
Em 200 fez uma turnê pela América do sul, em 2002 fez outra turnê na Europa e Oriente Médio, em 2003 ao Chile e Peru, em 2005 New York e Cunectcut. Todas as turnês ministrando cursos e participando de eventos de capoeira.
 
Em 1998 foi graduado à MESTRE pelo MESTRE ADILSON.
 
O CENTRO CULTURAL E FOLCLÓRICO BRASÍLIA CAPOEIRA estava sob a coordenação do Mestre Marquinhos, formado pelo Mestre ADILSON.

Homenagem aos 50 anos de Mestre Jaime de Mar Grande

24 de Maio é dia de festa… dia de comemorar os 50 anos de Mestre Jaime de mar Grande!!!
 
Tive a oportunidade de conhecer Mestre Jaime pessoalmente em Abril de 2006 na minha visita ao Brasil, dono de uma simpatia natural e de uma tranquilidade que contagia, mestre Jaime cativa e conquista a todos em sua volta pela energia positiva…
 
Um dos momentos que mais marcaram a nossa vivência foi sem dúvida a roda no Barracão de mestre Cavaco, na zona Norte de SP, onde pude ouvir uma lição de sabedoria que mestre Jaime aprendeu com seu mestre e fez questão de retransmitir a todos os presentes… reforçando a boa pratica de que boa informação é aquela que é transmitida… e no final desta roda, num gesto de pura humildade e companheirismo, fez questão de salientar, valorizar e homenagear o trabalho que está sendo feito por toda a equipe e camaradas do Portal Capoeira. Fiquei sem palavras e muito admirado… e naquele momento percebi o tamanho do M com que se escreve Mestre Jaime de Mar Grande.
 
Homenagem aos 50 anos de Mestre Jaime de Mar GrandeMestre Jaime de Mar Grande é um legítimo representante da  Capoeira Angola da Ilha de Itaparica – BA, uma Capoeira Angola de Raiz, de Tradição e de Fundamento, Mestre Jaime aprendeu com Mestre Paulo dos Anjos, que por sua vez foi discípulo de Mestre Canjiquinha.
 
O primeiro contato de Jaime com a Angola de Mestre Paulo foi em Mar Grande, costa leste de Itaparica, no ano de 1965, quando Paulo dos Anjos mudou-se por um tempo de Salvador para a Ilha, e ali passou a ensinar "seus meninos".
 
De lá para cá muita coisa mudou na capoeira como um todo, mas mestre Jaime sempre praticou e preservou o que seu mestre lhe ensinou e confiou.
 
Para o Mestre Jaime existe uma enorme relevancia entre os aspectos naturais e uma simbiose entre os elementos que fazem parte da fabricação do Berimbau, muito antes do artesão começar a fabrica-lo: A forma, o clima, o local de origem da madeira, a preocupação ambiental, a energia de quem colheu a matéria prima, são apenas alguns dos aspectos importantes para que o instrumento possa ecoar… ele também chama a atenção para a presença na capoeira de todos os elementos da natureza: “a madeira e a cabaça (representando a mata), o aço, presente na corda do berimbau, o cobre e/ou pedra no dobrão que encostado de leve, com força, ou não encostando no arame, faz variar as notas musicais (representando os minerais), o couro utilizado no atabaque e nos pandeiros (representando os animais), a própria música (representando o ar) (…)”.
 
Mestre Jaime foi também um dos grandes responsáveis pela reintegração do falecido Mestre Gerson Quadrado a Capoeira, valorizando sempre a tradição e o respeito aos mais sábios e experientes…
 
Homenagem aos 50 anos de Mestre Jaime de Mar Grande
 
Um grande abraço meu AMIGO, que este meio século se repita pois a capoeira só tem a ganhar!!!
Muita paz, saúde e felicidade… Sucesso em sua caminhada!!!
 
Luciano Milani – Portal Capoeira