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Capoeira que tem sangue na veia…

Ninguém está livre de precisar de uma transfusão de sangue. Ninguém está livre de sofrer um acidente, de passar por uma cirurgia ou por um procedimento médico em que a transfusão seja absolutamente indispensável.
Como não existe sangue sintético produzido em laboratórios, quem precisa de transfusão tem de contar com a boa vontade de doadores, uma vez que nada substitui o sangue verdadeiro retirado das veias de outro ser humano.
Todos sabemos que é importante doar sangue. Mas, quando chega a nossa vez, sempre encontramos uma desculpa – Hoje está frio ou não estou disposto; nesses últimos dias tenho trabalhado muito e ando cansado; será que esse sangue não me vai fazer falta… – e vamos adiando a doação que poderia salvar a vida de uma pessoa.
Sempre é bom frisar que o sangue doado não faz a menor falta para o doador. Conseqüentemente, nada justifica que as pessoas deixem de doá-lo. O processo é simples, rápido e seguro.
 
Essas palavras do médico Drauzio Varela ilustram o trabalho de incentivo que a Associação Cultural e Educacional de Capoeira Filhos da Princesa do Sul vai começar a realizar a partir deste sábado em Cachoeiro de Itapemirim.
Uma parceria com o hemocentro do Hospital Evangélico vai possibilitar aos praticantes e simpatizantes dessa arte brasileira a por a mão na consciência e doar sangue. Esão de parabéns os mestres Paulinho, Airton e Volmir, junto com seus professores, instrutores e alunos, por essa iniciativa. E a FOLHA não poderia ficar de fora dessa, mesmo tendo apenas o papel de divulgação.
 
As pessoas que necessitam de transfusão podem contar somente com a solidariedade de pessoas. Através de um ato de amor ao próximo, que só tem quem tem sangue nas veias.
 
Em muitos casos, a transfusão é a única esperança de vida.
 
A doação é um procedimento totalmente seguro. O volume coletado é de aproximadamente 450 ml (padrão internacional), o que representa menos de 13% do total de sangue do corpo de um adulto.
 
O doador não estará se expondo a nenhum risco de contaminação
Ao contrário do que se acredita, a doação de sangue não engorda nem emagrece, não afina nem engrossa o sangue, além de não exigir mais doações.
Doar sangue é um ato humanitário que enobrece e traz uma satisfação interior muito grande. Afinal, através desse ato, sabemos quem tem sangue nas veias.
 
Folha do Espírito Santo – http://www.folhaes.com.br

IX Alaiandê Xirê – O FOGO QUE FICA

Do original, ioruba, Alaiandê, significa o Mestre Tocador.
 
Xirê, de siré, (idem) quer dizer festa, celebração; encontro festivo.
 
O ALAIANDÊ XIRÊ é a Festa dos Mestres Tocadores dos ritmos africanos, afro-brasileiros e afros-descendentes, ligados às religiões primordiais e de matrizes africanas.
 
O ALAIANDÊ XIRÊ permite o entrosamento de músicos especializados nas diversas nações culturais procedentes da África na diáspora brasileira, que vêm contribuindo na formação de nossa Música Popular, conforme conhecemos hoje.
 
Estes músicos denominam-se alabês, na tradição Ketu/nagô (ioruba); Xicarangomas, de origem Angola-Congo e os Runtós, procedentes do Jeje: Mahi e Mina.
 
Segundo a Mitologia da Religião dos Orixás, Xangô é o mestre tocador; o maior dentre todos os tocadores e dançarinos de batá: um toque ritual, em Sua homenagem.
 
Portanto, costuma-se dizer: ALAIANDÊ É XANGÔ.
 
Realizado há nove anos pela equipe ALAIANDÊ do Ilê Axé Opô Afonjá – uma das mais tradicionais Casas de Culto aos Orixás do Brasil, o ALAIANDÊ XIRÊ – Festival Internacional de Alabês, Xicarangomas e Runtós reúne os melhores músicos sacerdotes: cantores e tocadores de atabaques da Bahia, do Brasil e, também, de diferentes regiões do exterior.
 
As exibições de alguns virtuoses do universo cultural dos Orixás, Voduns e Inquices atraem centenas de pessoas de múltiplos interesses que vêm participar do ALAIANDÊ XIRÊ – já reconhecido e sedimentado nesta cidade do Salvador, no Brasil e alguns paises da diáspora africana.
 
A partir desta 9ª edição o ALAIANDÊ caminhará pelos diferentes terreiros de candomblé em prol da paz e união.
 
O ALAIANDÊ 2006 – O FOGO QUE FICA – será realizado de 01 a 03 de dezembro, no TERREIRO BATE FOLHA, na MATA ESCURA.
 
XANGÔ DOBRA OS COUROS PARA OS 90 ANOS DESTA MARAVILHOSA CASA DE ANGOLA.
 
AXÉ, AUETO!
 
Para ficar por dentro do Alaiandê Xirê visite: Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=17802621
 
Onde: Terreiro Mansu Banduquenqué – Bate Folha – Rua São Jorge, 65 – Mata Escura Salvador/BA
Fone: 0 xx 71 3376-2163
 
Quando ir: 01/12/2006 a 03/12/2006
 
Quanto custa: Grátis
 
Contatos/Informações: Rita do Rio – email: rita.virginia4@terra.com.br
Cléo Martins – email: agbeni@terra.com.br
Alaiandê Xirê – Fone: 0 xx 71 3321-2633
 
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E “seu Bimba” foi notícia até em Sorocaba

Artigo sobre a repercussão em Sorocaba, São Paulo, da vinda de Mestre Bimba e seus discípulos para a Capital Paulista, ano de 1940

Por Carlos Carvalho Cavalheiro
Sorocaba – São Paulo
Maio de 2005
 

Ao Mestre Damião, com admiração.

                                                            

                  Manoel dos Reis Machado, conhecido como Mestre Bimba, criador da capoeira regional baiana, esteve em São Paulo no final da década de 1940, a partir de contatos de alunos seus com empresários de lutas e amigos da capital paulista, para divulgar a sua capoeira baiana em exibições no ginásio do Pacaembu (SANTOS, 1996).

                   Essas exibições, que se estenderam depois para o Rio de Janeiro, foram as primeiras sementes para o sucesso da capoeira regional baiana no sudeste do Brasil. Basta lembrarmo-nos de que Mestre Damião (Esdras Magalhães dos Santos) foi, muito provavelmente, o primeiro a ensinar em academia essa forma regional da capoeira na cidade de São Paulo, sendo esse mestre um dos componentes da comitiva de Mestre Bimba. 

E foi assim que, de setembro de 1950 a maio de 1951, funcionou em São Paulo a primeira Academia de Capoeira (Luta Regional Baiana)…" (SANTOS, 1996).
 

                          A despeito de, no futuro, surgir qualquer outra informação diferente desta, o que se deve considerar é que o fato de Mestre Damião ter ensinado capoeira regional baiana em São Paulo, em academia – portanto, de maneira formal – está amplamente documentado. Entretanto, isso não exclui a existência da prática da capoeira (em suas formas e vertentes) em solo paulista antes do final da década de 1940 ou início de 1950. Muitos documentos aprovam essa prática mesmo no século XIX.

  
A postura de 17 de novembro de 1832, uma entre muitas, proibia o jogo da capoeira: "…Trazem oculto em um pequeno pau escondido entre a manga da jaqueta ou perna da calça uma espécie de punhal…" (DIAS, 2001).
 

                              Letícia Vidor de Sousa Reis (2000) ao citar Lilia Moritz Schwarcz, apresenta publicações do jornal Província de São Paulo (que se tornará posteriormente O Estado de São Paulo), datadas do final do século XIX, acerca da capoeira e de capoeiristas da capital paulista. E é conhecido ainda o conflito entre a polícia e recrutas do exército, estes últimos capoeiristas, na cidade de São Paulo em 1892 (CAVALHEIRO, 2000).

                         Essas informações da capoeira em solo paulista demonstram que a na sua gênese a luta afro-brasileira foi difundida para praticamente todas as regiões do país, especialmente a partir de 1850 com o fortalecimento do tráfico interno de escravos. E, embora faltem estudos a respeito, pode ter originado diversas formas regionais como a pernada, a tiririca, a punga, o bate-coxa, o cangapé (ou cambapé) entre outros.

                          Porém, com relação à capoeira regional baiana, a documentação até agora angariada nos dá conta de ter chegado a São Paulo por volta de 1948/49 e ter seu ensino formalizado em academia a partir de 1950.
 

No ano de 50 e 51

Mestre Damião ministrou

Primeiro curso oficial de Capoeira

Que em São Paulo se registrou

Na academia de Kid Jofre

Waldemar Zumbano da CBP atestou.  (ASTRONAUTA, 2004).
 

                            A importância histórica da apresentação da comitiva de Mestre Bimba em São Paulo pode ser medida tanto pelos frutos advindos desse trabalho, como pela repercussão que houve nos meios de comunicação, especialmente a imprensa especializada em esporte. A verdade é que essa apresentação da comitiva de Mestre Bimba foi essencial para a capoeira regional baiana ser o que é hoje, especialmente em São Paulo.

                          Em Sorocaba, interior de São Paulo, a notícia da vinda de Bimba e seus alunos foi noticiada pela Folha de Sorocaba, um importante jornal da época. Eis a nota:

"Mestre Bimba"exibir-se-á no Pacaembú.

O "mestre"trouxe consigo os seus oito melhores alunos. " Espectativa em torno da estréia do "rei dos capoeiras".

Um espetáculo inédito está reservado aos paulistas, hoje á noite, no ginásio do Pacaembú, com a apresentação, ao público bandeirante, de "Mestre Bimba", o rei dos capoeiras.

A luta nacional ganhou notoriedade na Bahia com o aparecimento de "Mestre Bimba", desfrutando de grande popularidade esse baiano, graças a destreza, malícia e coragem por ele demonstrados no emprego da capoeira como excelente método de defesa e ataque.

Tornando-se famoso:  "Mestre Bimba" de temível arruaceiro que era, sendo o terror da polícia da terra do vatapá, converteu-se, dedicando-se a ministrar os ensinamentos e segredos da capoeiragem.
Desde logo sua "academia" passou a ser freqüentada por médicos, engenheiros, advogados, oficiais do Exército, da Marinha, Aviação e Polícia que lá iam em busca das lições do "mestre" capacitados, da eficiência e valor do sistema aplicado tanto para defesa como para o ataque.

As lições surtiram o efeito desejado, sendo hoje "Mestre Bimba" um homem respeitado, tal a admiração que os alunos devotam ao "professor".

É este precisamente o afamado capoeira  que os paulistas irão ter o ensejo de apreciar no ginásio do Pacaembu, "Mestre Bimba"estrelará com oito dos seus melhores alunos.

O espetáculo pelo seu aspecto inédito, vem sendo aguardado com ansiedade e geral expectativa, sendo grande o número de pessoas curiosas por apreciá-lo, e ao mesmo tempo

aquilatar se é verídico o que apregoam das vantagens da capoeiragem.
 

LOCAL DAS REFREGAS
 
Na capoeiragem todos os golpes são lícitos, tornando-se por esse motivo uma luta bastante movimentada e que requer amplo espaço para os antagonistas desferirem os mais variados golpes e os respectivos contra-golpes.

Para esclarecimento devemos elucidar que existem quarenta e cinco golpes , dos quais vinte e dois são mortais, e para cada golpes são empregados dois outros contra-golpes, e os combates são disputados ao som de um curioso instrumento, a que eles denominam berimbau.

Assim as refregas são travadas num grande estrado armado ao res do chão, de maneira a permitir que os contendores possam se movimentar à vontade, negaceando para desferir de improviso espetaculares golpes. (FOLHA DE SOROCABA, 09 Fev 1949).

                      Em São Paulo, como não poderia ser diferente, a presença de Bimba foi amplamente comentada, até mesmo nas rodas da malandragem, dos "espertos", dos jogadores da tiririca.

                      Toniquinho Batuqueiro, em entrevista cedida em março de 2005, alude ao fato de Pato N"Água, talvez o mais hábil dos jogadores de tiririca da época, ter se disposto a enfrentar os capoeiras da comitiva de Bimba no Pacaembu, fato esse que não ocorreu. Segundo Toniquinho, houve mesmo uma inflamação do pessoal da tiririca esperando a desmoralização que Pato N"Água poderia proporcionar aos baianos.

                     Apenas ânimos "regionalistas", nenhuma animosidade acirrada contra qualquer capoeira baiano.

 

Carlos Carvalho Cavalheiro.
 
O autor é pesquisador autônomo da história e do folclore de Sorocaba. Sócio efetivo da Comissão Paulista de Folclore (IBECC/UNESCO). Licenciado em História pela UNISO. Especialista (pós-graduação) em Gestão Ambiental – Faculdade Senac.


Bibliografia:                       

ASTRONAUTA, Miltinho – Capoeiras do Vale do Paraiba e Litoral Norte – Ed. do Autor – 2004.

CAVALHEIRO, Carlos Carvalho – Cantadores – o folclore de Sorocaba e região (encarte de CD) – Linc – 2000.

DIAS, Maria Odila Leite da Silva – Quotidiano e poder em São Paulo no século XIX " Brasiliense " 2001.

FOLHA DE SOROCABA " "Mestre Bimba" exibir-se-á no Pacaembú – 09 fev 1949.

REIS, Letícia Vidor de Sousa – O mundo de pernas para o ar – A capoeira no Brasil – Publisher Brasil – 2000.

SANTOS, Esdras M. – Conversando sobre capoeira… – JAC Gráfica e Editora " 1996.


Ilustração: Folha de Sorocaba " 9 de Fevereiro de 1949 " Fotografado por Rogério Lopes Pinheiro de Carvalho
 
Autor: Carlos Carvalho Cavalheiro
 

www.capoeira.jex.com.br