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Inteligências Múltiplas e a capoeira

Resumo

Este trabalho teve como objetivo discutir a capoeira e as inteligências múltiplas. Pode-se concluir através deste trabalho que as inteligências múltiplas são contempladas por completo através da prática da capoeira. Deste modo a capoeira ganha espaço cada vez mais para o desenvolvimento do ser humano. Este iniciou relatando sobre a capoeira, relacionou-a com cada inteligência múltipla, e assim apresentou-se a importância da inserção da capoeira na educação física escolar, tanto para o desenvolvimento do aluno como um todo, mas também para possibilitar o resgate desta luta que outrora foi chamada de luta de libertação hoje é patrimônio histórico cultural do Brasil.

Unitermos: Capoeira. Inteligências Múltiplas. Educação Física Escolar.

 

Introdução:

 

A educação física tem várias ramificações, sendo elas esportes coletivos, individuais, jogos desportivos, exercícios para o corpo como um todo, lutas e muito mais (IÓRIO; DARIDO, 2005). Desta forma podemos nos utilizar da Educação física e sua relação com a capoeira para abordarmos sua importância enquanto esporte e/ou luta, na fase escolar. A Educação Física sofreu diversas mudanças de acordo com as épocas por esta percorrida, assim como a Capoeira, e por isso houve mudanças e passagens por diferentes pensamentos político-ideologicos de cada época, desta forma com cada pensamento vigente na época de acordo com a política aplicada e objetivos diferentes a educação física e a capoeira foram mudando e se adequando a tais necessidades (IÓRIO; DARIDO, 2005).

Encontramos na capoeira muitas transformações e ressignificações de acordo com o pensamento político empregado em uma época, por exemplo: a capoeira escrava, a marginalização, a liberação da capoeira, a criação da capoeira regional, capoeira-esporte, e a criação da confederação, ou seja, podemos contextualizar o inter-relacionamento da educação física da educação física escolar ao trajeto histórico social da capoeira, de tal forma que com o inicio do século XX e a chegada do pensamento ginástico/eugenista, aparece às primeiras propostas de transformar a capoeira em ginástica nacional (IÓRIO & DARIDO, 2005).

Inicia-se assim a tentativa de aproximar a capoeira da educação física até mesmo com proposta, como cita Innezil Penna Marinho (1956) que propõe um método de ginástica totalmente brasileira: a capoeira, com o objetivo de valorizar o patriotismo de seus praticantes. Sendo assim, segundo Marinho (1956) a capoeira pode contribuir também com a educação física escolar, contribuindo com a formação cívica dos alunos. Após este pensamento ideológico de política chega o pensamento higienista preocupado com a saúde física de seus praticantes e o aperfeiçoamento das habilidades físicas para a mão de obra. Foi nesta época que a capoeira foi liberada pelo então presidente Getúlio Vargas como forma de manifestação popular (IÓRIO & DARIDO, 2005).

Desta forma fora criada então a primeira academia de capoeira regional. Iório e Darido (2005) afirmam que: “Naquele mesmo ano a capoeira é oficializada como instrumento da educação física […]”, mas notamos que mesmo a capoeira, a educação física e a educação física escolar não conseguem se adequar aos ideais higienistas e eugenistas da época. Nas próximas décadas a educação física volta-se para a melhoria das capacidades fisiológicas, psíquicas, social e moral, e a capoeira foi perdendo sua característica de manifestação popular por sua adequação às academias, seguindo neste período desvinculado da educação física escolar. Com a estruturação da capoeira enquanto esporte-competição perdeu-se ainda mais suas características como manifestação e expressão do indivíduo. Foi este o período que acabava de adentrar a sociedade o Técnico/Esportivo. A partir deste pensamento vemos que não poderia ser excluída a verdadeira essência da capoeira, e na verdade era o que o governo vigente se empenhava para fazer, mas na capoeira não há exclusão, nem por habilidades, gêneros ou qualquer deficiência (IÓRIO & DARIDO, 2005).

A partir de vinte de Dezembro de 1996 com a aprovação da nova Lei de Diretrizes e Base (LDB) da educação, gerou-se grande autonomia da Educação Física, sendo assim esta autonomia proporcionada pela LDB para que novos conteúdos sejam incluídos na proposta pedagógica, verificou-se a necessidade da estruturação da capoeira como conteúdo da educação física escolar, a capoeira é um conteúdo que pode ser contemplado na escola pelos seus muitos enfoques, inteligências, possibilitando a luta o folclore a dança o jogo, o canto o bater das palmas o esporte, lazer e a educação, ensinando-se globalizadamente deixando e proporcionando que o aluno escolha o que lhe mais agradar neste variado conteúdo que é a capoeira (BALBINO & PAES 2007). O desenvolvimento da mesma possibilita o desenvolvimento de todos os conceitos e procedimentos da educação física, onde o professor tem diversas rotas para aprendizagem do mesmo, não se remetendo apenas aos aspectos técnicos (SOUZA & OLIVEIRA, 2001).

A sua historicidade é um dos pontos de fundamentação da mesma para a educação física escolar, tratando-se de uma luta de libertação, diferente das diversas modalidades que foram contextualizadas na história da educação física escolar que vem de escolas européias e norte-americanas. A capoeira se trata de um esporte-luta criado e desenvolvido no Brasil.

Os PCN’s em relação à educação física escolar citam e afirmam que a concepção de conteúdo corporal amplia a contribuição da educação física escolar para o pleno exercício de cidadania, assim como na roda de capoeira esta autonomia é dada ao aluno no próprio jogo, sendo que o jogador pode ter a liberdade de se expressar com movimentos livres, mostrando que a criatividade também é trabalhada. A roda e jogo fazem com que o jogador crie movimentos de acordo com sua necessidade naquele presente momento se tratando de um esporte-luta de perguntas e respostas. O jogo mostra a importância da individualidade, desde as pessoas que fazem com que a mesma aconteça, ou seja, a bateria, o canto, as palmas, até mesmo o segundo aluno que se encontra no jogo, pode desenvolver movimentos os quais fazem com que o jogo se desenvolva criando assim necessidades especificas de movimentações, formando assim a imprevisibilidade no jogo da capoeira.

Sua base é enraizada na raça negra, se trata de um esporte-luta que foi criado longe das classes dominantes, então não há preconceitos na roda de capoeira. É portanto um lugar onde os opostos se atraem, o doutor e o analfabeto o negro e o branco, mulheres e crianças, os habilidosos e os menos habilidosos, ou seja, um vasto patrimônio cultural que deve ser desfrutado pela Educação Física escolar, se tratando ainda de um esporte-luta, multidisciplinar. Desta forma, temos uma infinidade de conteúdos que podem ser aplicados de diferentes formas utilizando-se a capoeira como base (SOUZA & OLIVEIRA, 2001).

O fator motivacional para uma prática de atividade física é muito importante, pois segundo Paim e Pereira (2004, p.159-166):

Conhecer quais os motivos que levam os alunos à prática de atividades motoras na escola pode melhorar as atividades escolares e contribuir no processo de ensino aprendizagem, já que a aprendizagem e a motivação são processos interdependentes no homem.

Sendo assim, a partir do momento em que sabemos o que motiva nossos alunos, podese utilizar vários métodos para aplicação de determinada modalidade ou esporte para uma adequação e interação melhor de nossos alunos. Neste caso a capoeira tem como grande valor motivacional a sua própria essência, por ser chamada de luta de liberdade seus praticantes tem várias formas de se tornarem capoeirista, seja no jogo, na luta e na musicalidade (PAIM & PEREIRA, 2004).

Com a inserção da capoeira na educação física escolar temos muitos métodos de aplicação e diversas formas de desenvolvermos as inteligências múltiplas (BALBINO & PAES, 2007), sendo este um dos maiores objetivos deste trabalho que visa mostrar a relação e empregar a capoeira às inteligências múltiplas: lógico-matematica, lingüística, musical, espacial, corporal sinestésica, interpessoal, intrapessoal e naturalista.

“A inteligência está relacionada com a resolução de problemas em um determinado contexto”, “[…], e é exatamente o que ocorre na capoeira onde as inteligências devem ser aplicadas e aprimoradas ao longo da imprevisibilidade do jogo em si da capoeira assim como os jogos desportivos coletivos tem uma grande semelhança com o a capoeira por se tratar de jogo, e principalmente pela imprevisibilidade por ele criada, então temos que o estudo de Gardner nos remete a afirmação da capoeira como sendo a luta mais completa até hoje sugerida pois desenvolve como um todo as capacidades do indivíduo no caso nossos alunos que a praticam, dando assim sustentabilidade ao objetivo jogo, motivação, pois com esta relação, da capoeira, educação física escolar e as inteligências criamos uma abordagem altamente recomendável de capoeira no âmbito escolar para desenvolvimento das inteligências, multidisciplinaridade, e motivação de nossos alunos como um todo, conseguindo assim transformar não apenas o aluno e sua condição física e saúde mas também seus conceitos cívicos e morais (GALATTI & PAES, 2007).

Mas de que forma ensinar, de que forma desenvolveremos métodos para que nossos alunos aprendam. Nista-Piccolo (1999) nos mostra que a pedagogia do esporte tem como objetivo a arte de ensinar a praticar uma modalidade esportiva, por meio dela é possível capacitar ou não um aluno para executar determinadas habilidades exigidas nesta prática, tendo uma pedagogia eficaz conseguimos estimular os alunos ao gostar de executar determinado exercício ou modalidade física auxiliando-o a ter conhecimento de suas próprias capacidades, onde um bom professor se utiliza de diferentes formas para que o aluno consiga aprender o movimento, mas porque (ZYLBERBEG & NISTA-PICCOLO, 2008), ”São inquietações que pulsam veementemente em nossa prática cotidiana, ao nos depararmos com situações inadequadas de aprendizagem.”, ”[…], então nos resta buscar maneiras diferentes de aplicação e entendimento de determinados movimentos e modalidades para não cairmos ao senso comum de maus professores.

Mas temos de nos precaver, de poucas diversificações de aprendizagem pois através destas, corremos riscos de acharmos que estamos com algumas inteligências impossibilitadas e na verdade se trata da falta da diversificação e exploração de caminhos diferentes a serem seguidos e explorados. Por este motivo devemos procurar diferentes formas de ensino pois temos diferentes formas de nos adequarmos e entendermos diferentes aspectos e ensinos (ZYLBERBEG & NISTA-PICCOLO, 2008).

Inteligências Múltiplas e a capoeira

 

A teoria das Inteligências Múltiplas toma forma com a abordagem das diversas habilidades, capacidades, pensamentos, talentos e competências do homem, que transparecem em seu cotidiano. A partir disto Gardner (2000) busca novas formas e aplicações de Inteligência, que possam satisfazer o homem no mundo moderno, então este conceito de pluralidade da mente começa a se formar, através de diversas pesquisas e estudos em diferentes temas e abordagens. Com estas observações e de muitas outras no campo da neuropsicologia, Gardner (2000) chega à conclusão de que as pessoas tem um leque de capacidades, tendo algumas pessoas capacidades mais desenvolvidas para uma certa área e outras pessoas para outras áreas. Através deste processo rompe-se a idéia de mais inteligente e de menos inteligente e começa a se estabelecer que as inteligências atuam de forma independente (BALBINO & PAES, 2007).

Desta forma o sujeito, pode vir ou não a desenvolver suas habilidades como um todo dependendo da necessidade ou contexto, cultural ou não, ao qual está inserido. “Desta forma, observamos que a inteligência está relacionada com a resolução de problemas em um determinado contexto” (GALATTI & PAES, 2007, p.31-44).

Gardner dimensionou em sua teoria, a existência das inteligências múltiplas que tratariam dos domínios de resoluções dos possíveis problemas referentes às pessoas inseridas dentro dos critérios pré-estabelecidos (ZYLBERBEG & NISTA-PICCOLO, 2008, p.59):

Gardner reafirmou que o número de inteligências é menos importante do que a premissa de que há uma multiplicidade delas e que cada ser humano tem um mix único, ou perfil único de pontos fortes e pontos fracos nas inteligências.

Com estas informações vemos o quanto à capoeira contempla as inteligências, pois a mesma engloba as inteligências de modo a dispor ao seu praticante, total desenvolvimento da mesma, sendo assim, a roda de capoeira propicia esta contemplação devido a sua riqueza cultural com múltiplos aspectos facilitando a formação integral do indivíduo. (BALBINO & PAES, 2007)

 

  • A inteligência corporal cinestésica desenvolve o potencial de usar o corpo, ou parte dele, para resolver problemas ou na fabricação de produtos, sendo assim, a capacidade de trabalhar com objetos de forma hábil, tanto os que envolvem os movimentos finos quanto os grosseiros do corpo. Na capoeira vemos aparente o trabalho desta inteligência na confecção e manuseio dos instrumentos musicais, e na expressão corporal que é imposta pelo capoeirista tanto na evolução e estética de seus movimentos quanto na sua tática, para ludibriar seu adversário.

  • A inteligência verbal lingüística envolve a sensibilidade para a língua falada e a escrita, sendo aprimorada a habilidade para aprender línguas bem como a capacidade de se utilizar a linguagem para atingir objetivos como inteligência e competência intelectual, utilizando-se de metáforas, cruciais para lançar e explicar um novo desenvolvimento científico. Dentro da capoeira esta inteligência é muito desenvolvida pelo cantador que deve estudar e pesquisar as palavras que irá utilizar em seu canto, para a condução do jogo e comando da roda, onde o mesmo pode definir um jogo em sentido de apresentação, ou até mesmo um jogo competitivo entre os capoeiristas. Também se torna visível esta inteligência nas composições da musicalidade da capoeira, onde o capoeirista busca termos e verbos condizentes tanto com a realidade atual da capoeira e sua lingüística quanto a que era utilizada antigamente.

  • A inteligência Logico-Matematica é a capacidade de analisar problemas com lógica, de realizar operações matemáticas e resolver questões cientificamente, esta inteligência é desenvolvida principalmente por matemáticos, lógicos e os cientistas, chamada de “a inteligência pura”. Em seu domínio o processo de solução de problemas é significativamente rápido, pois o indivíduo lida com muitas variáveis ao mesmo tempo, tendo como base o cálculo matemático, o raciocínio lógico, a resolução de problemas, raciocínio dedutivo e indutivo, discernimento de padrões e relacionamentos. O capoeirista encontra estes diferentes aspectos e problemas na roda de capoeira, sendo esta um jogo de pergunta e resposta onde a velocidade da resposta pode definir o jogo, tendo o capoeira de estar atento ao espaço da roda, tanto quanto ao espaço que o mesmo dispõ a utilizar sendo que não está sozinho na roda e seu adversário, tratará de diminuir cada vez mais as suas saídas.

  • A inteligência Musical com estrutura similar a da inteligência lingüística, desenvolve a habilidade na atuação, na composição e na apreciação de padrões musicais. A música é uma faculdade universal, sendo acessível e emergente capacidade que surge mais cedo do que outros talentos em outras áreas da inteligência humana, e é uma das mais antigas formas de arte, que utiliza a voz humana e o corpo como instrumentos naturais e meios de auto-expressão, sendo que o corpo humano por si somente, segue ritmos e sons desde o sistema cardíaco quanto metabólico.

A música pode ajudar a criar um ambiente positivo que desencadeie a aprendizagem, e isso é a alma da capoeira, pois sem a musicalidade não existe a capoeira, tanto o jogo quanto os participantes se movem de acordo com a musicalidade que está a envolver a roda, a bateria , o coro, o cantador, e o próprio jogador, que está a receber esta “energia” oriunda do ritmo e musicalidade que está sendo empregado determinando seus passos e estratégias. Dentro deste ambiente musical temos variados tipos de formações de bateria, conforme a tradição e fundamento do grupo e dependendo do estilo de jogo a que este pertence. Cada instrumento tem sua importância dentro da roda da capoeira, como os berimbaus que são divididos em três, o viola que tem a função de repicar o quanto quiser durante a roda dando um contraste ao toque e ritmo, o médio que faz a marcação e interlocução entre o gunga e o viola amenizando e separando os toques, o gunga chamado também de “o mestre da roda” pois é ele quem comanda o jogo e dá o sinal para o início e para o final de uma roda de capoeira. Seu som é um som mais grave que os outros berimbaus demonstrando seu poder sua cabaça também é maior que a dos outros berimbaus, temos também os instrumentos de percussão como o pandeiro e o atabaque que tem a função de marcar e acompanhar os berimbaus temos também o agogô que é de um som mais agudo e o reco-reco um instrumento que faz a marcação também tendo um som diferenciado na roda, tais instrumentos são confeccionados pelos próprios capoeiras, os berimbaus são envergados e preparados a cada roda, sendo composto por cabaça, verga, arame, baqueta e caxixi. Este deve ter um som diferenciado não podendo estar transmitindo um som de metal, e este som varia conforme sua envergadura, arame, e sizal utilizado na cabaça, determinando de tal forma o jogo que será apresentado.

 

  • A inteligência Espacial tem o potencial de reconhecer e manipular os padrões do espaço, bem como os padrões de áreas mais confinadas. As muitas maneiras como a inteligência espacial é desenvolvida em diferentes culturas mostram claramente como um potencial biopsicologico pode ser aproveitado por campos que evoluíram para vários propósitos.

Com a capoeira esta inteligência se torna aparente a partir do momento em que o capoeirista estuda o jogo de seu adversário e sai para o jogo onde o mesmo pode encurtar a roda se abrindo alongando seu corpo e ao mesmo tempo diminuindo-se para melhor aproveitar os espaços possíveis dentro da roda, sendo esta grande ou pequena pois dependendo do toque e o que o berimbau quer, a roda pode diminuir ou aumentar o tamanho.

  • A inteligência Interpessoal desenvolve a capacidade de entender as intenções, as motivações e os desejos do próximo, e sendo assim, de trabalhar de modo eficiente com terceiros, esta inteligência se baseia na capacidade de perceber distinções entre os outros, em especial contraste em seu estado de espírito ou de ânimo, seu temperamento, seus sentimentos.

Na capoeira vemos esta inteligência aparente tanto nos professores que ministram as aulas quanto no próprio jogador que tem de fazer a leitura de seu adversário a todo instante, pois o mesmo pode estar com intenções boas no jogo ou até mesmo montando uma estratégia para lutar. Daí vem a “malandragem” do capoeira onde o mesmo se utiliza do tombo em seu adversário para deixá-lo com raiva e assim perder a estratégia dentro do jogo, onde o jogador poderia dar a volta ao mundo (volta na própria roda), e aguardar até acalmar os ânimos e sair novamente ao jogo.

  • A inteligência intrapessoal envolve a capacidade de a pessoa se conhecer, de ter um modelo individual de trabalho, incluindo seus próprios desejos, medos e capacidades e de usar estas informações com eficiência para regular a própria vida.

Na capoeira dentro da roda o jogador está sozinho tendo de se defender e atacar ao mesmo tempo, onde o jogador deve conhecer suas habilidades, ter autoconfiança e explorar ao máximo suas habilidades sendo em floreios, movimentos, golpes e saltos. O capoeirista se preocupa com o jogo, sua estratégia, golpes com força e bem aplicados, expressão corporal e a plástica de seus movimentos, tudo isto irá determinar não tão somente esta inteligência mas o grau de desenvolvimento que tem este jogador, pois dentro da roda o capoeirista não é “sua corda” até porque os capoeiristas não seguem uma confederação onde todas as cores de cordas determinam uma hierarquia, então através do jogo vemos o quão graduado é o capoeira.

  • A inteligência Naturalista trata do conhecimento do mundo vivo, incluindo a classificação de diversas espécies utilizando-se do meio ambiente para sua vida, observando diferentes formas de vida e objetos conseguindo assim trazer para seu cotidiano estas experiências.

Com a capoeira é muito aparente esta inteligência pois os movimentos e golpes vem, em sua origem, de movimentos dos animais; sua instrumentação vem da natureza; os nomes dentro da capoeira e até mesmo a maioria dos apelidos (nome dado ao jogador iniciando-se na capoeira) vem da natureza, sendo assim, a raiz da capoeira vem do mundo vivo, vem da natureza, da observação do redor onde os escravos tinham apenas a natureza para poder colher o que viria a ser sua libertação do cativeiro (BALBINO & PAES, 2007)

Considerações finais

 

A capoeira hoje é tombada como patrimônio cultural do Brasil, mas vemos que a mesma não tem grande valor entre os próprios brasileiros. Deste modo através das inteligências, concluímos o quão é abrangente é esta luta, que desenvolve o ser humano como um todo, trazendo desde a parte física quanto mental sendo trabalhadas a todo instante sendo dentro do jogo, quanto na roda da capoeira. Desta forma a capoeira tem toda a capacidade e merece ser explorada e desenvolvida como é vista fora do Brasil como uma luta tão valorizada como as outras, pois traz um mix não somente de todas as inteligências mas também de todas as lutas hoje existentes.

A capoeira está em um processo evolutivo trazendo sempre algo novo, seja na musicalidade ou até mesmo em golpes e movimentos. Tendo em vista estes conceitos, este trabalho procurou mostrar o quanto pode ser produtivo o desenvolvimento da capoeira nas escolas, para um melhor aprendizado não somente das outras matérias através da capoeira, mas também do conhecimento de si mesmo e da cidadania que a capoeira traz em sua raiz, mostrando assim o quanto é grandiosa esta arte, que hoje está em todos os países e é a maior divulgadora da língua portuguesa no mundo, pois as músicas de capoeira são em português e independente de onde estiver acontecendo à roda de capoeira a música deve ser ministrada em português.

Os estudos sobre a capoeira e as inteligências múltiplas ainda são pouco discutidos na literatura científica. Temos alguns relatos e estudos iniciais. Portanto espera-se com esse trabalho despertar os estudiosos da Capoeira a estudar mais minuciosamente essa relação e os estudiosos das inteligências múltiplas a conhecer melhor a Capoeira e a escrever sobre o desenvolvimento das inteligências através desta Arte Brasileira.

Bibliografia

 

  • BALBINO, H.F.; PAES, R.R. Jogos Desportivos Coletivos e as Inteligências Multiplas: Bases para uma proposta em pedagogia do esporte. Hortolândia. 2007.

  • GALATTI, L.R ; PAES, R.R. Pedagogia do Esporte e a Aplicação das Teorias Acerca dos Jogos Esportivos Coletivos em Escolas de Esportes: O Caso de Um Clube Privado de Campinas – Sp. Conexões, Revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, Campinas, v. 5, n. 2, p. 31-44, jul./dez. 2007.

  • IÓRIO, l. S.; DARIDO, S.C. Educação Física, Capoeira e Educação Física Escolar: Possíveis Relações. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, vol 4, n°4, p. 137-143, 2005.

  • PAIM, M. C. C.; PEREIRA, E. F. Fatores Motivacionais dos Adolescentes para a Prática da Capoeira na Escola. Motriz, Rio Claro, v.10, n.3, p.159-166, set./dez. 2004.

  • SOUZA, S.A.R.; OLIVEIRA, A.A.B. Estruturação da Capoeira Como Conteúdo da Educação Física no Ensino Fundamental e Médio, Revista da Educação Física/UEM Maringá, v. 12, n. 2, p. 43-50, 2, sem. 2001.

ZYLBERBEG, T.A.; NISTA-PICCOLO, V.L. As contribuições dos estudos sobre inteligência humana para a pedagogia do esporte. Pensar a Prática. Vol. 11, n.1, p. 59-68, jan./jul. 2008.

 

* Autores:

*Graduado em Educação Física – Faculdade Adventista de Hortolândia – **Professora Titular – Faculdade Adventista de Hortolândia (Brasil)

  • Jefferson dos Santos Fonseca*
  • Helena Brandão Viana**
  • Larissa Rafaela Galatti**
  • Nilda Batista Cavalcante Rangel**

hbviana2@gmail.com

 

Fonte: EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 17, Nº 171, Agosto de 2012. http://www.efdeportes.com

    Capoeira, Identidade e Diversidade

    A capoeira, desde seus primórdios, sempre se caracterizou por ser uma prática em que a diversidade foi sua marca principal. Constituída no Brasil a partir de elementos provenientes de danças, lutas e rituais de diferentes regiões da África, é fato também que incorporou muitos outros elementos presentes aqui no Brasil, vindos da cultura indígena e da própria cultura européia, através dos imigrantes pobres e marginalizados que viviam por aqui e compartilhavam desse mesmo universo da capoeiragem. A navalha é um desses elementos, só para citar um exemplo.

    Portanto, falar em capoeira, obrigatoriamente nos faz pensar em diversidade. Não se pode afirmar ao certo o local exato do surgimento dessa manifestação. Por isso, seria mais coerente pensar que a capoeira foi se desenvolvendo de forma diversificada em várias partes do Brasil com suas especificidades e formas diferentes de se manifestar.

    Hoje em dia, a capoeira está espalhada por mais de 160 países em todo o mundo, e com certeza essa expansão faz com que ela vá adquirindo características diversas em cada local onde se instala. Existem muitas formas de se praticar a capoeira, incluindo aí o uso das novas tecnologias. Cada vez mais pessoas procuram a capoeira pelas mais diversas razões. A capoeira acolhe todo o tipo de diversidade: etnia, gênero, classe social, faixa etária, ideologia política, credo religioso etc, e talvez seja essa a sua maior contribuição no mundo atual: ensinar a convivência entre os diferentes e o respeito às diferenças.

    É preciso levar em conta e valorizar toda essa diversidade presente na capoeira, mas por outro lado, é preciso também ficar atentos para que não se percam elementos importantes que constituem a capoeira enquanto herança da cultura afro-brasileira, sobretudo no que diz respeito ao conteúdo histórico referente à luta pela libertação do negro escravo no Brasil, as suas formas tradicionais de transmissão do aprendizado, baseada na figura do mestre e a sua resistência enquanto manifestação popular responsável pela construção e reconstrução cotidiana da identidade cultural de seus praticantes.

    A capoeira vem se tornando um poderoso instrumento de afirmação de identidades afro-descendentes e de recuperação da auto-estima de jovens em situação de risco no Brasil e em várias partes do mundo, e essa vocação da capoeira tem que ser potencializada através de políticas públicas que possam favorecer sua expansão, porém tomando as devidas precauções contra a sua descaracterização cultural e sua transformação em mera mercadoria de consumo nessa sociedade capitalista contemporânea.

    Observa-se com muita preocupação essa tendência de mercadorização da capoeira, através de grupos muito bem organizados e espalhados pelo mundo todo, em que o único objetivo é ampliar o mercado consumidor, o que muitas vezes se transforma numa guerra entre esses grupos na disputa por novos alunos, caracterizando um processo de espetacularização da capoeira, deixando em segundo plano a preocupação com a preservação dos seus princípios e valores humanos, éticos e filosóficos.

     

    Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).


    Coluna: “Crônicas da Capoeiragem” por Pedro Abib

    Mais um envolvente texto da Coluna Crônicas da Capoeiragem, sob a tutela do nosso grande camarada e parceiro, Pedro Abib, que de modo ímpar nos descreve os causos e histórias do Recôncavo Baiano e seus “Personagens” as vezes quase lendários… Pedrão, como prefere ser chamado nos leva de modo solto e intuitivo ao universo da capoeiragem com uma narrativa simples e repleta de mandigagem…

    Luciano Milhoni*

    * (Pedrão em referência a um tipo/marca de cachaça e fazendo analogia ao grande camarada Plínio – Angoleiro Sim Sinhô, que em sua envolvente e alegre presença sempre brincava com o termo “teimando” em chamar-me pelo nome da cachaça, pela qual ambos, Pedrão e Plínio tem imenso apreço, apesar de eu ser um eterno abstêmio.)

    III Encontro da Música Atual e Tradicional da Capoeira

    No dia 28 de agosto de 2010, acontecerá em Salvador o III Encontro da Música Atual e Tradicional da Capoeira – Festival Infanto-Juvenil de Corrido, que integra o calendário de atividades do “Projeto Coleção Emília Biancardi – dinamização e difusão das tradições populares”, que conta com o apoio financeiro do Fundo de Cultura do Estado da Bahia.

    Quem está à frente deste evento é a etnomusicóloga e pesquisadora da música popular tradicional brasileira Emília Biancardi, que colabora de forma significativa para a afirmação cultural da capoeira nos cenários nacional e internacional desde os anos 1960, junto com o pesquisador Frede Abreu, coordenador do Projeto Mandinga – Instituto Jair Moura.

    Na edição de 2009, o Encontro demonstrou sua atualidade e importância, atraindo capoeiristas e estudiosos, provocando muitas expectativas favoráveis para a continuidade da realização desse evento. Em função disso, recebe novamente o apoio financeiro da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Esse apoio acena com a possibilidade de incluí-lo no calendário festivo anual da capoeira da Bahia.

    Este ano o evento está voltado para a categoria infanto-juvenil, e poderão se inscrever crianças e adolescentes com idade entre 08 e 14 anos.

    Será premiada a composição corrido, gênero musical que é cantado nas rodas durante os momentos do jogo, que devem ser apresentados conforme a tradição dos velhos mestres da capoeira.

    O objetivo do festival está comprometido com a preservação da tradição musical da capoeira, considerando que as formas tradicionais continuam atuais, sendo muito cantadas nas rodas, servindo, inclusive, de matriz para novas composições, como vem sendo demonstrado pelos principais compositores da capoeira.

    Ao fomentar o aspecto atual da música da capoeira, o Festival reconhece a vitalidade dos muitos capoeiristas compositores e de suas novas experiências, identificando nesta produção os traços de tradição que continuam sendo mantidos, pois nas rodas de capoeira o cancioneiro tradicional continua sendo muito cantado e servindo de inspiração para novas músicas e experimentos que continuam sendo mantidos.

    Na medida em que realça a importância da música da capoeira nas suas formas tradicionais, tanto da Angola quanto da Regional, o Festival de Corrido passa a ter uma finalidade didática, assegurando o destino desta forma como matriz da manifestação símbolo da cultura afro-brasileira.

     

    III Encontro da Música Atual e Tradicional da Capoeira

    – Festival de Corrido –

     

    Inscrições até 20 de agosto de 2010.

    apenas para crianças e adolescentes

    com idade entre 08 e 14 anos

     

    Data do evento: 28 de agosto de 2010

    Hora: 14h

    Local: Largo Pedro Arcanjo – Pelourinho

     

    Maiores informações:

    (71) 3266-6092 / 8847-0925 / 8732-2476

    colecaoemiliabiancardi@gmail.com

    www.colecaoemiliabiancardi.blogspot.com

    Projeto cria áreas de preservação do patrimônio cultural

    O Projeto de Lei 3056/08, do deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), institui as Unidades de Preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro e estabelece os critérios para a sua criação, implantação e gestão. Caberá ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) identificar os aspectos étnicos, históricos, culturais e socioeconômicos do grupo ou dos grupos que constituirão as áreas de proteção. O Iphan também deverá delimitar as terras consideradas suscetíveis de reconhecimento e demarcação.

    O texto define como unidades de preservação os “territórios habitados por povos e comunidades tradicionais, participantes do processo civilizatório” do Brasil. Para constituírem uma unidade de preservação, esses povos devem preservar bens de natureza material e imaterial referentes à sua identidade, ação e memória.

    Entre esses bens, a proposta destaca língua própria, formas de expressão; modos de vida; criações científicas, artísticas e tecnológicas; obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artísticas e culturais; e conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

    Combate à discriminação

    O projeto estabelece que as unidades de preservação devem levar em conta aspectos como etnia, raça, gênero, idade, religiosidade e orientação sexual. Também devem ser considerados, segundo o texto, a segurança alimentar e nutricional e o desenvolvimento sustentável como forma de promoção da melhoria da qualidade de vida das populações. Outro princípio para orientar a formação das unidades deve ser o combate a todas as formas de discriminação, incluindo a intolerância religiosa.

    Angelo Vanhoni argumenta que o País já conta com normas para a preservação da cultura indígena (Estatuto do Índio) e da afro-brasileira (Decreto 3.912/01), mas lembra que não há leis proporcionais à importância de outros grupos. Ele destaca especificamente os imigrantes que chegaram ao País a partir do século 19, como alemães, italianos, poloneses e japoneses.

    Com o objetivo de preservar as contribuições desses povos à cultura nacional, o projeto determina que, nos processos de reforma agrária onde houver unidades de preservação do patrimônio dessas populações, os novos colonos devem receber treinamento sobre as técnicas agrícolas tradicionais.

    A proposta determina também que as escolas, públicas ou privadas, de municípios que contem com unidades de preservação ensinem o idioma da população tradicional.

    Tramitação

    O projeto terá análise em caráter conclusivo nas comissões de Direitos Humanos e Minorias; de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

    Reportagem – Maria Neves
    Edição – João Pitella Junior

    (Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura `Agência Câmara`)

    Agência Câmara
    Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
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    Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura e diversidade

    Edison Carneiro, uma expressiva figura da cultura Brasileira, já foi alvo de outra matéria em nosso Portal Capoeira, matéria que para os mais interessados acompanhava uma grande surpresa: Um Documento Histórico de 1975 de título: Cadernos de Folclore – Capoeira (na época procurei o amigo e colaborador Acúrsio Esteves para prefaciar e apresentar o referido documento, já que se tratava de uma pérola para os capoeiras com sede de saber.)
     
    Fica a dica de uma excelente atividade, uma visita ao MAO – Museu de Artes e Oficíos, afinal devemos estar sempre abertos para o conhecimento e novos saberes… e a cabaça, parte fundamental do "instrumento maior da capoeira", merece esta homenagem…
     
    Luciano Milani

    O Museu de Artes e Ofícios (MAO) recebe, dos dias 2 de maio a 10 de junho, a exposição Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura e diversidade. A exposição é itinerante e exibe o acervo do Museu de Folclore Edison Carneiro, do Rio de Janeiro, tendo como fio condutor um elemento que é encontrado com fartura nas cinco regiões do país e usado de diferentes formas: a cabaça.
     
    "São cerca de 80 peças, que mostram como esse objeto é apropriado em várias situações, seja como instrumento de trabalho ou instrumento musical, como máscara, como recipiente para comida, roupas de orixás, entre outras", explica a Coordenadora de Museologia do Museu de Artes e Ofícios, Célia Corsino.
     
    Conhecidos pelos nomes de cabaça, cuia, porongo, coité ou cuité, as entrecascas desses frutos multiformes constituem tanto objetos de uso corriqueiro quanto suportes de expressões que distinguem e identificam indivíduos e grupos da sociedade brasileira.

    A exposição deseja mostrar que, justamente porque são, vivem e pensam de formas diferentes, os muitos grupos populares no Brasil dão usos e significados distintos a um amplo repertório de frutos que lhes parecem, em alguns aspectos, semelhantes. Fazendo isso, criam os muitos modos de ser, estar e trocar.
     
    Assim, a exposição é um convite à apreciação da pluralidade cultural apresentada pelos inúmeros grupos sociais que vivem em solo brasileiro e, ao mesmo tempo, um estímulo à reflexão sobre aquilo que os une e identifica.

    Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura e diversidade inaugura uma parceria entre o MAO, do Instituto Cultural Flávio Gutierrez (ICFG), e o Centro de Folclore e Cultura Popular, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
     
    "Como objeto do cotidiano ou suporte de várias artes, este fruto de formas tão originais pode nos surpreender e emocionar com seus múltiplos usos e sentidos, seja no artesanato, na música, na cozinha ou nos brinquedos", declara Angela Gutierrez, presidente do ICFG.

    A exposição faz parte de uma programação especial desenvolvida pelo MAO para a comemoração da Semana Nacional do Museu (14 a 20 de maio). Os ingressos custam um real.

    Serviço

    Exposição "Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura, diversidade"
    Dia 2, abertura para convidados.
    Aberta ao público dos dias 3 de maio a 10 de junho de 2007.
    Local: Museu de Artes e Ofícios (MAO)
    Endereço: Praça da Estação, s/n°
    Ingressos: R$ 1,00 – aos sábados a entrada é gratuita
     
    Horário de funcionamento do Museu de Artes e Ofícios:
    Terça, Quinta e Sexta-feira – das 12 às 19hs
    Quarta-feira – das 12 às 21hs
    Sábado, Domingo e Feriado – das 11 às 17hs
    Os ingressos para a visitação serão vendidos até meia hora antes do horário de fechamento do Museu.

     
    Patrocinadores do Museu de Artes e Ofícios
    Master: Petrobras – Bndes
    Patrocínio: Oi – Furnas
    Apoio: Eletrobrás – Oi Futuro – Cemig
    Institucional: Fundação Municipal de Cultura/Prefeitura Municipal de BH – CBTU
     
    Fonte: MAO – http://www.mao.org.br/

    CAPOEIRA ANGOLA OU REGIONAL É FOLCLORE!

    É comum capoeiristas, pesquisadores, estudiosos e mestres reagirem contra a afirmação óbvia de que a capoeira é folclore, incorrendo desta forma em um grande equívoco. Esta aversão pode ser originada do senso comum que diz ser o folclore algo velho, em desuso, ou pode estar atrelada também à idéia de que folclore é o espetáculo regional mostrado por grupos profissionais aos turistas. Estes shows na maioria das vezes deturpam a forma original da manifestação processo do qual é vítima a capoeira, o samba de roda e até o Candomblé que é uma religião. É possível também que pelo fato do governo Vargas tê-la aceita apenas como “folclore e desporto” tenha contribuído para tal aversão. Outra possível causa é a desinformação acadêmica do que seja folclore e quais sejam as suas características.
     
    Manifestação concebida na cultura popular, a capoeira é o elemento folclórico que melhor representa a cultura brasileira. Segundo alguns estudiosos e folcloristas, o Folclore é uma manifestação da cultura popular que representa uma instância qualitativamente superior e estratificada desta cultura, pois ele é a representação simbólica de uma sociedade.
                                                                                                                        
    É ocorrente, entre folcloristas brasileiros, uma frase de sucesso: “Tudo que é Folclore, é popular; porém nem tudo que é popular é Folclore”. Este refrão remete imediatamente a dois pontos básicos: o entendimento do termo popular e o reconhecimento da existência de níveis distintos no interior da mesma cultura. (FRADE, 1997)
     
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