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1º Encontro Integrado do Centro Cultural de Capoeira Gunganagô

Nos dias 30/11, 01 e 02/12 realizou-se em Florianópolis – SC. O 1º Encontro Integrado do Centro Cultural de Capoeira Gunganagô.

Este encontro teve o objetivo de redirecionar e fortalecer as diretrizes que norteiam esse grupo, assim como também o de unir mais seus integrantes, reforçando a filosofia e os fundamentos que embasam internamente este Centro Cultural.

No dia 30/11, aconteceu uma palestra sobre a “Musicalidade da Capoeira e as manifestações que a acompanham”, ministrada pelo Me. Kadu, fundador do grupo.

No dia 01/12, aconteceram oficinas e aulões durante o dia inteiro, desenvolvidas pelo professor Esquilo, estagiário Vinicius e Me. Kadu.

À noite, uma descontraída entrevista com Me. Adilson, de Brasília-DF, Mestre que originou a linhagem de Me. Kadu, uma noite para a história do grupo.

No dia 01/12, aconteceu a Cerimônia de entrega do “Anel do Guerreiro Gunganagô”, momento maior do encontro, onde os formados e mestres receberam os Anéis de formatura, correspondentes às suas respectivas graduações, sendo de Prata para os Formados e de Ouro para os Mestres.

Após a cerimônia houve a grande roda com batismo e graduação de alguns alunos, onde todos se confraternizaram.

Para o próximo encontro serão objetivados outras diretrizes que servirão para qualificar mais os fundamentos dos membros deste grupo.

Capoeira Angola e Regional: Fugindo da aparência e ressaltando a essência

O dialogo que propomos aqui faz referencia ao universo das aparências no mundo da capoeira, ou seja, queremos tratar sobre os equívocos em relação à tradição herdada da obra de Bimba e Pastinha, que vez ou outra, são citados como forma de justificarem ou validarem praticas que em muito se distanciam da realidade dos estilos desenvolvidos no processo histórico da capoeiragem.

Iniciaremos falando um pouco sobre o conceito de Tradição em Capoeira, pois este tem sido mal compreendido e utilizado de forma errônea para validar posturas que em nada se relacionam com os ensinamentos básicos da arte. Neste sentido, precisamos entender que a tradição não pode ser encarada como algo imutável e/ou verdade única, pois a mesma sempre estará se desenvolvendo como fruto de cada tempo histórico e suas necessidades. Assim, em se tratando da capoeira, a grande maioria das coisas que chamamos de tradição atualmente foram inventadas por volta da década de trinta, fato que comprova a mutabilidade do tradicional, contudo,  não podemos negligenciar o valor destas transformações, ainda que recentes, para justificar inovações atuais incoerentes com os princípios capoeiristicos, pois ai estaríamos cada vez mais nos distanciando do potencial educativo simbólico de nossa arte.

Grupos intitulados atualmente de Angola ou Regional, tem apresentado um disparate metodológico e de fundamentos, quando investigamos a matriz do estilo que se dizem defensores, pois estes tentam fundamentar suas praticas em uma simbologia superficial e negligenciam princípios fundamentais dos estilos, ou seja, temos observado situações absurdas que estão paulatinamente confundindo os mais jovens e ainda criando paradigmas e verdades absolutas que em nada se relacionam com os trabalhos de Bimba e Pastinha.

No caso da Regional, temos observado a redução deste estilo a simples utilização das seqüências, da bateria com um berimbau médio e dois pandeiros surdos, balões, uso da marca alusiva ao signo de Salomão numa camisa e principalmente ao abuso em relação aos ensinamentos de Bimba e outros fatores, fato que consideramos lamentável, pois não vemos os mesmos grupos preocupados em desenvolver os laços afetivos entre seus membros da mesma forma fraterna e respeitosa da tradição Regional, sendo seus praticantes apenas “peças“ da engrenagem de negocio no mundo atual. Os capoeiristas desta “New Regional“ esquecem de investigar a sistematização do estilo e a relevância oral dos mais antigos que fizeram parte da convivência para construção deste processo, desconsiderando que cada símbolo estrutural da Regional só ganhara sentido se considerado num determinado contexto e quando associado a todo o conjunto da obra, ou seja, usar a bateria não basta, usar as seqüências não basta, falar de Bimba todo o tempo não basta, pois a verdadeira forma de revitalizar seu legado seria, em minha humilde opinião, considerar toda a complexidade daquilo que não ta descrito no manual da Luta Regional Baiana e sim na subjetividade das relações sociais dos praticantes e nos fundamentos iniciaticos ancestrais mantidos por Manoel dos Reis Machado.

Na Angola, o processo não esta muito diferente da Regional, pois se vestir amarelo e preto, mesmo sem saber de onde vem estas cores, jogar de forma acrobática e sem gingar muito, cantar de forma difícil de decifrar a letra e ainda ficar com trejeitos exóticos com “caras e bocas“, talvez só assim você seja considerado um “New Angoleiro“ e possa vender o seu “produto“ para alguém alienado por sua propaganda falaciosa. Absurdo, mas este tem sido o retrato da Angola no mundo, salvo os grupos sérios existentes e seus grandes mestres, que na maioria das vezes não estão no circuito internacional espetacularizado dos mega grupos.

Alguns grupos de angola, tem se comportado metodologicamente, como aqueles ditos “contemporâneos“, espetacularizando a pratica, mercadorizando as vivencias sob a forma de seqüências, que de tempos em tempos são modificadas como uma aeróbica na academia de ginástica, garantindo aos mestres/mercado o dinheiro do circuito internacional. Assim, pouco a pouco, a arte capoeira tem perdido lugar para uma pratica “DENOREX“, ou seja, aquilo que parece ser e não aquilo que de fato representa, pois hoje existe uma “industria“ estereotipada de modelos de mestres e praticantes, que tem transformado tudo e todos em algo possível de ser consumido, desvalorizando o aprender-fazendo, o respeito a diversidade e a valorização do Ritmo, Respeito e Ritual como princípios geradores da vadiagem.

Queremos ressaltar que nossa intenção não se articula com a depreciação da capoeira Angola e Regional, mas sim pela reafirmação da beleza e contribuição destes estilos para capoeiragem, pois acreditamos que o potencial simbólico da capoeira tem sido negligenciado pelas armadilhas da busca desenfreada por notoriedade e concorrência de mercado de grupos perdidos/encontrados na total obscuridade das perspectivas transformadoras para um mundo mais critico, criativo e autônomo.

Acreditamos que existem sim possibilidades a luz dos mais antigos e da obra dos que já se foram deste plano de existência, pois trabalhos como da FUMEB, do Mestre João Pequeno, Lua de Bobo e muitos outros, ainda representam um repositório dos fundamentos de nossa arte e neste sentido convocamos toda comunidade para um pensamento critico e investigativo sobre as “verdades“ da capoeira e seus falsos detentores, que lamentavelmente tem se multiplicado pelo mundo, considerando principalmente nossa inércia subserviente e desinformação sobre os princípios da capoeiragem na Bahia.

Jean Adriano Barros da Silva
www.guetocapoeira.org.br
Tel: 55 71 8109 2550 / 3363 4568 / 3366 4214
75 9168 7534 / 75 3634 2653
Bahia – Brasil

Curso de Formação e Capacitação Pedagógica ao Ensino da Capoeira no ES

Educadores Sociais, oficineiros, “docentes” de capoeira em geral:

O Ensino da Capoeira no Espírito Santo passará a receber atenção especial da Federação de Capoeira do Estado do Espírito Santo (FECAES), afirma o presidente Alcebíades Milton Cabral em atendimento ao disposto no Código Desportivo Internacional de Capoeira daFederação Internacional de Capoeira (FICA) e na Lei Estadual nº 7.696/2003, para se estabelecer critérios, competências, saberes e habilidades específicas para a formação, avaliação e qualificação profissional de Técnicos, Treinadores, Preparadores Físicos, Docentes (Formados, Monitores, Instrutores, Contramestres e Mestres), Árbitros (Estaduais, Nacionais e Internacionais) e alunos em seus diversos níveis, a FECAES estará promovendo Cursos de Capacitação e Qualificação Pedagógica ao Ensino da Capoeira no ES totalizando 380 (trezentos e oitenta) horas/aulas aberto a todos os “docentes” de Capoeira do estado. Credenciando-os com a expedição de suas respectivas habilitações técnicas através de um documento único de identificação em sua conclusão.

Os cursos serão ministrados por Mestres e Doutores em parceria com Faculdades dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, Confederação Brasileira de Capoeira, Federação Internacional de Capoeira Secretaria Estadual de Esportes e Lazer do ES..


CRONOGRAMA DE REALIZAÇÃO DOS CURSOS

CURSO + Carga Horária

CH

DATA

LOCAL

Gestão Desportiva, Competições e Arbitragem

20

30/04 e 1º/05/11

Vitória/ES

Fundamentos Sócio-Antropológicos da Capoeira

10

28/05/2011

Vitória/ES

Fundamentos Filosóficos do Jogo da Capoeira

10

29/05/2011

Vitória/ES

Fundamentos Técnicos e Culturais da Capoeira Angola – I

20

25 e 26 /06/11

Vitória/ES

Metodologia e Didática de Ensino da Capoeira I

20

30 e 31 /07/11

Vitória/ES

Fundamentos Técnicos e Culturais da Capoeira Regional – I

20

27 e 28 /08/11

Vitória/ES

Metodologia e Didática de Ensino da Capoeira II

20

24 e 25 /09/11

Vitória/ES

Nomenclatura dos Movimentos de Capoeira – 20h

20

29 e 30 /10/11

Vitória/ES

Anatomocinesiologia aplicada a Capoeira I

20

26 e 27 /11/11

Vitória/ES

Fundamentos Técnicos e Culturais da Capoeira Angola – II

20

17 e 18 /12/11

Vitória/ES

Anatomocinesiologia aplicada a Capoeira II

20

28 e 29 /01/12

Vitória/ES

Fisiologia do Exercício aplicada a Capoeira I

20

18 e 19 /02/12

Vitória/ES

Fundamentos Técnicos e Culturais da Capoeira Regional – II

20

24 e 25 /03/12

Vitória/ES

Fisiologia do Exercício aplicada a Capoeira II

20

28 e 29 /04/12

Vitória/ES

Desenvolvimento Humano e Aprendizagem Motora

20

26 e 27 /05/12

Vitória/ES

Teoria e Prática do Treinamento Desportivo

20

23 e 24 /06/12

Vitória/ES

Socorros de Urgência nos Esportes

20

28 e 29 /07/12

Vitória/ES

Marketing e Imagem pessoal

10

25/08/2012

Vitória/ES

Ética profissional e Direitos Desportivo

10

26/08/2012

Vitória/ES

Organização e Administração aplicado ao 3º setor

20

29 e 30 /09/12

Vitória/ES

Estágio Prático em Eventos Desportivos

20

20 e 21 /10/12

Vitória/ES

CARGA HORÁRIA TOTAL

380h

São consideradas as seguintes competências para os docentes de Capoeira:

A- Atenção à Saúde – os docentes, em seu âmbito profissional, devem estar aptos a desenvolver ações de prevenção, promoção e proteção da saúde, tanto em nível individual quanto coletivo.

B- Tomada de Decisões – fundamentado na capacidade de tomar atitudes visando o uso apropriado e a eficácia para avaliar, sistematizar e decidir as condutas mais adequadas.

C- Comunicação – primar pela comunicação verbal, não-verbal e habilidades da escrita e da leitura.

D- Liderança – estar apto a assumir posições tendo em vista o bem estar da comunidade.

E- Administração e Gerenciamento – estar apto a tomar iniciativas gerenciais e administrativas dos recursos humanos, físicos e materiais.

F- Ética – possuir princípios morais que se devem observar no exercício profissional ajustando-se às normas de relações entre os diversos membros da coletividade, bem como manter confidencialidade de informações na interação com outros profissionais e o público em geral.

G- Educação Continuada – os profissionais devem ser capazes de aprender continuadamente, tanto na sua formação quanto na sua prática, devendo desta forma aprender a aprender, tendo a responsabilidade na busca constante de novas informações e o compromisso com a educação.

Mestre Brasília, um dos precursores da capoeira em São Paulo, lança CD e DVD e faz batizado

Mestre Brasília, um dos precursores da capoeira em São Paulo, lança CD e DVD e faz batizado e troca de cordas

Mestre Brasília, ao lado de pouco mais de uma dúzia de mestres de capoeira, é um dos precursores dessa manifestação cultural na capital paulistana. O jogo/dança/luta ganhou força em São Paulo no início dos anos 70 quando Mestre Bimba, o pai da capoeira regional, veio da Bahia especialmente para entregar um certificado de reconhecimento ao trabalho de nove mestres. No sábado, 20, Mestre Brasília reúne nomes importantes da capoeira de São Paulo para lançamento do CD e DVD Vivências e Fundamentos de um Mestre de Capoeira e também para troca de cordas e batizado do seu grupo, o Ginga Brasília. O evento acontece das 14h às 18h na Escola Vera Cruz, na Vila Leopoldina.

O CD, produzido por Mestre Brasília, sob direção de Mestre Tiê, é uma coletânea de oito músicas de domínio público, exceto pela primeira faixa 3 Mestres, composta por Paulo dos Anjos. São clássicos das rodas de capoeira cantadas na voz de Mestre Brasília que toca também berimbau e pandeiro. Mestre Tié responde pela tumbadora, caxixi e agogô e Clóvis Venâncio faz o violão em uma homenagem do capoeirista Pedro Calasso, na faixa 4, aos mestres do Grupo dos 9 – Aílton Onça, Brasília, Joel, Limão, Gilvan, Pinatti, Silvestre, Suassuna e Zé de Freitas – e a Mestre Ananias, outra figura importante do início da capoeira na cidade de São Paulo.

O DVD, além de trazer uma rápida biografia de Mestre Brasília, baiano, nascido em Alagoinhas e discípulo de Mestre Canjiquinha, traz algumas apresentações como samba de roda e maculelê feitas pelo Mestre e seu grupo nos anos 80 em teatros da cidade de São Paulo. O DVD apresenta momentos de grande beleza como o que Mestre Brasília ensina a japoneses os fundamentos das Chamadas de Angola ou ainda em que, em um batizado nos Estados Unidos, faz um jogo memorável com Mestre Cobrinha Mansa.

Aulas, participações em batizados e apresentações pelo mundo – entre elas uma apresentação pelas ruas do Japão -, além de fundamentos da capoeira angola e também da regional, também dão um recheio saboroso ao DVD.

No sábado, além da troca de cordas e batizado do Grupo Ginga Brasília, estão previstas apresentações de maracutu, maculelê, samba e miudinho, este último um jogo de capoeira desenvolvido por Mestre Suassuna, de quem Mestre Brasília foi sócio em 1966, quando juntos abriram a Academia Cordão de Ouro. No ano seguinte, ele deixou a sociedade para abrir sua própria academia.

Serviço:

Lançamento de CD e DVD Vivências & Fundamentos de um Mestre de Capoeira – Mestre Brasília; batizado e troca de cordas e apresentações de maculelê, maracatu, samba de roda e miudinho de Mestre Suassuna

  • Local: Escola Vera Cruz
  • Rua Bauman, 73 – Vila Leopoldina´
  • Data: sábado, 20 de dezembro
  • Horário: 14h às 18h
  • Preço do kit com CD e DVD: R$ 35,00 (CD: 15,00 e DVD: 20,00)
  • Maiores Informações: (11) 9395-3907

Palmas-TO: Oficina de Capoeira Angola com Mestre Jogo de Dentro

Mestre Jogo de Dentro vem construindo ao longo de sua caminhada, respeito e reconhecimento por todos os lugares que tem ministrado workshops e oficinas, transmitindo a Capoeira Angola a essa nova geração de capoeiras, Mestre Jogo de Dentro tem em sua bagagem o privilégio de aprender e se formar com o Mestre João Pequeno (João Pereira dos Santos) um dos mais antigos capoeiristas ainda vivo, discípulo do eterno M. Pastinha.
 
O Tocantins será presenteado com a presença do Mestre Jogo de Dentro que ministrará Oficinas de Capoeira Angola em Palmas-TO, no dia 9 de junho, no clube dos Oficiais da PM, as 18 horas e dia 10 em Fortaleza do Tabocão, qualificando e ensinando um pouco dos fundamentos desta que é uma das maiores expressões da cultura popular brasileira aos capoeiristas da capital e interior do Tocantins.
 
Este evento contará com a presença de capoeiristas e mestres de todo o estado, dentre os quais: M. Fumaça (Arraias), M. Tambor(Palmas), M. Jean Surfista(Palmas), Mt. Geléia(Dianópolis), M. Zé Maria (Barreiras-BA), M. Bizorro(Palmas), Mt. Índio(Palmas) e M. Pombo de Ouro-DF (aluno do M. Bimba) que ministrará a PAPOEIRA, projeto idealizado por este, que tem como objetivo maior, alem de interagir os capoeiristas das mais diferentes linhagens, qualifica-los com palestras com profissionais das mais diferentes áreas (Juristas, fisioterapeutas etc) e atentar as novas gerações quanto a fundamentos da nossa capoeiragem que andam em desuso.
 
Informações : 63- 9982-9241 c/Bira ou 8407-1425 c/ Asa Delta
 
asadelta_to@hotmail.com

FUNDAMENTOS DA CAPOEIRA

Os fundamentos da capoeira ou, como usam, incorretamente, alguns descuidados da nossa língua, suas “fundamentações“, vêm sendo discutidos com certa freqüência a partir do uso infeliz desta palavra pelo Mestre Noronha, que se disse conhecedor único dos seus mesmos, sem os enunciar nos seus obscuros “escritos”…
Em trabalho algum encontrei, nem ouvi, conceito, nem definição, do emprego deste vocábulo pelos autores, o que vem aumentando a confusão entre os mestres e capoeiristas dum modo geral. É que nos meios populares baianos, especialmente nos terreiros de candomblé e nas rodas boêmias, o termo adquire uma conotação bem diversa daquela encontrada nos clássicos e dicionários de nossa língua. Uma vez que nestes grupamentos sociais, esta palavra é usado em referência à parte mais secreta e profunda do culto ou prática, somente acessível as camadas mais elevadas da comunidade, adquirindo então um atributo de secreto, sagrado, inacessível aos não-iniciados, ensinamento esotérico, hermético, misterioso, mágico

 

 

“Hoje vejo reduzido, os capoeirista, perdeiram suas
forças de vontade, não procuram o fundamento,
só querem a prender a propria violencia.

 

O trecho acima, manuscrito pelo Mestre Pastinha, ilustra o emprego do termo “fundamento” pelos antigos capoeiristas no sentido de essência de conhecimentos sobre a capoeira, seus princípios morais, seu ritual, sua prática e seus efeitos sobre o comportamento de cada capoeirista, a razão de ser do seu ritual e do comportamento do jogador, bem como a sua origem, a influência relativa de cada um dos seus componentes, sua música, seu ritmo, seus cânticos, etc.

 

Concordando com Esdras “Damião” na estranheza do uso de Fundamento e Fundamentação no linguajar dos capoeiristas antigos e modernos (dialeto capoeirano?) vivo procurando porque tanto ênfase neste conceito.

 

Do longo convívio nos meios de capoeira, nos centros de candomblé e durante a prática médica nas classes menos favorecidas pela Deusa da Fortuna, posso extrair vários sentidos encontrados.
Inicialmente impõe-se o sentido de conhecimento teórico ou prático sobre assuntos de qualquer natureza, independente de estudos formais.
Quando se fala em idéia ou comportamento sem fundamento indica-se a falta de razão subjacente ou de base para tal.

 

Há uma nuança de mistério, de sacralização, quando empregada em referência a conhecimento reservado a certos grupos sociais como dos feitos do candomblé. Como no caso dos antigos mestres que se proclamavam detentores dos fundamentos da capoeira… somente eles o possuíam…
Ser conhecedor dos fundamentos da seita ou de qualquer outro ramo de atividade humana, social, científica ou artística é altamente valorizado nestes ambientes culturais baianos; motivo de orgulho e jactância, algo muito especial e envaidecedor.

 

É com admiração que se diz: “Fulano conhece muito bem os fundamento de samba!”, enquanto outros estufam o peito e se gabam de serem os únicos conhecedores disto ou daquilo… especialmente entre os menos favorecidos de inteligência, cultura e sobretudo, modéstia… apesar de bem providos de auto-estima e vaidade.
É freqüente e natural, o entitulado “de conhecedor dos fundamentos” desdenhosamente se recusar a transmitir aos não-iniciados aqueles mistérios sagrados, dotados de poder mágico.

 

A atrapalhação provocada pelo emprego descuidado desta palavra por alguns estudiosos pouco habituados ao linguajar popular baiano, especialmente do seu uso nas rodas boêmias e nos terreiros de candomblé, aumentou pelo aparecimento de divagações literárias em torno de assunto, cuja definição e conceito os autores sequer conheciam, sem se aperceberem da leviandade, nem da gravidade da falha da científica cometida… palavras bem entoadas, frases bem torneadas, porém vazias… diríamos “sem fundamento” num barzinho da rua do Julião!

 

A propósito de “FUNDAMENTO” o “Novo Dicionário Aurélio”arrola os seguintes significados:

 

  1. Base, alicerce.
  2. Razões ou argumentos em que se funda uma tese, concepção, ponto de vista, etc.; base, apoio.
  3. Razão, justificativa, motivo.
  4. Aquilo sobre o que se apoia quer um dado domínio do ser (e então o fundamento é garantia ou razão do ser), quer uma ordem ou conjunto de conhecimentos (e então o fundamento é o conjunto de proposições ou de idéias mais gerais ou mais simples de onde esses conhecimentos se deduzem).
Do acima transcrito entendo que devemos a aceitar por definição como “fundamentos da capoeira” a sua razão de ser e as justificativas de sua maneira de ser, isto é os elementos que a identificam como “SER” em nosso mundo conceptual.
A primeira indagação que surge em nossa mente ao analisar o assunto é:

 

QUE É O JOGO DE CAPOEIRA?

 

A resposta técnica é:
“A capoeira baiana é um processo dinâmico, coreográfico, desenvolvido por 2 (dois) parceiros, caracterizado pela associação de movimentos rituais, executados em sintonia com ritmo ijexá, regido pelo toque do berimbau, simulando intenções de ataque, defesa e esquiva, ao tempo em que exibe habilidade, força e autoconfiança, em colaboração com o parceiro do jogo, pretendendo cada qual demonstrar habilidade superior à do companheiro.
O complexo coreográfico se desenvolve a partir dum movimento básico denominado de gingado, do qual surgem os demais num desenrolar aparentemente espontâneo e natural, porém com um objetivo dissimulado de obrigar o seu parceiro a admitir a própria inferioridade.
Dentre as características mais importantes da capoeira destacamos a liberdade de criação, a estrita obediência aos rituais, a preservação das tradições, o culto dos antepassados e o respeito aos mais velhos como repositório da sabedoria comunitária.”
Ou poeticamente:

 

“A capoeira é uma luta…
ensinada e praticada como dança!

 

… pode ser usada como defesa…
e como ataque…
numa hora de “percisão”!
nas palavras dos Mestres
Bimba e Pastinha!

 

A capoeira é uma arte…
a arte de bem viver…
DISPUTADA COMO LUTA…
“mata até sem querer!”
… dizia Mestres Bimba…
“e o bom da vida é não morrer!”
… completava Mestre Pastinha!

 

OS FUNDAMENTOS DA CAPOEIRA

 

A prática da capoeira se desenvolve obedecendo aos seguintes parâmetros:

 

  1. movimentos rituais ritmodependentes
  2. ritmo ijexá regido pelo berimbau
  3. disciplina e respeito à tradição, aos mais velhos e aos companheiros
  4. parceria
  5. movimentos em esquiva, circulares e descendentes
  6. dissimulação de intenção
  7. alerta, calma, relaxamento e autoconfiança permanentes
  8. estado de consciência modificado (transe capoeirano), que analisaremos a seguir.
MOVIMENTOS RITUAIS RITMODEPENDENTES

 

O conjunto dos movimentos dos participantes para ser reconhecido como jogo de capoeira deve ser ajustado ao ritmo/melodia do toque da orquestra e obedecer às regras tradicionais de cada estilo, especialmente àquelas que garantem a segurança da sua prática, i.e., a não-violência.
A capoeira baiana é, por definição e princípio, uma luta dissimulada sob forma de dança ou uma dança guerreira, ou ainda como declarou José Roberto“Pingo” (18 anos), aluno e filho pela capoeira de Mestre Canelão (Natal, RN):

 

“A capoeira não é violência, é um esporte, uma brincadeira sadia… a luta fica escondida.”

 

Além do enquadramento dos movimentos ao ritmo e à melodia, é indispensável a estrita adesão ao seu ritual, isto é, às regras tradicionais que regem sua prática e garantem a segurança dos participantes. Um acordo de cavaleiros, um código de honra, transmitido pela tradição oral entre as gerações, desde suas origens, como disse o Venerável Mestre Pastinha:

 

 

1.4.21 – …”aprender municiosamente ás regras da capoeira”…
“… todos aqueles que queira se dedicar a esse esporte, que como capoeirísta; quer como juiz? Deve procurar minuciosamente ás regras da capoeira de angola”; para que possa falar ou dicidir com autoridade. Infelizmente grande parte de nossos capoeiristas tem conhecimento muito incompleto das regras da capoeira, pois é o controle do jogo que protege aqueles que o praticam para que não discambe exesso do vale tudo,”…

 

(8a, 15-23; 8a, 20-23; 8b, 1-2)

 

Assim o Venerável Mestre Pastinha sabiamente reitera…
… é indispensável o código honra…
… a ser obedecido pelos capoeiristas, pois ..
… “é o controle do jogo”…
… pelo juiz… pelas regras… regulamentos…
… e pelo ritmo da orquestra…
… “que evita a violência e os acidentes”…
… vale a repetição!

 

RITMO IJEXÁ

 

Por ser uma manifestação coreográfica do ritmo africano ijexá o enquadramento dos movimentos da capoeira ao mesmo é fundamental à sua prática, conservando a continuidade da sua dinâmica, sem que se quebre a seqüência dos mesmos.
O andamento do toque ijexá leva uma estado transicional de consciência calmo, pacifico, prazeroso, possibilitando um jogo sem violência e bem cadenciado, permitindo aos parceiros estudo, análise, reflexão e criação de gestos rituais capazes de enriquecer o cabedal de reflexos de defesa, de esquiva e contra-ataques, que compõem o perfil do comportamento do verdadeiro capoeirista.
A aceleração excessiva do andamento provoca um estado de excitação incompatível com a calma indispensável à prática da capoeira, além de impossibilitar o gingado, transformando uma atividade lúdica em agressiva e potencialmente lesiva ou letal.
A observação dos movimentos rituais gerados pelos diferentes toques de atabaques, especialmente entre o ijexá dum lado e aqueles de alujá e adarrum, esclarecerá nitidamente a importância da cadência do toque da orquestra no desempenho dos parceiros do jogo de capoeira, do seu comportamento e estado mental.

 

DISCIPLINA E RESPEITO À TRADIÇÃO,
AOS MAIS VELHOS E AOS COMPANHEIROS

 

Nas sociedades de cultura oral, como as africanas, o liame entre as gerações é indispensável à sobrevivência do grupamento e dos indivíduos, valorizando os mais velhos como depositários confiáveis da sabedoria e da experiência, imprescindíveis à educação dos mais jovens e menos experientes.
Manifestação cultural pela sua própria natureza, a capoeira depende da aproximação das gerações, o que integra a sociedade transformando-a num monólito, capaz de resistir às influências externas e perdurar no tempo.
A postura de respeito aos mais velhos certamente conduz àquela de respeito, estima e consideração aos companheiros de geração, os seus parceiros, unindo o grupo social, transformando-o numa família, num clã, num agrupamento tribal, numa unidade fundamental indissolúvel (com “sprit de corps”, diria o Gal. Liauty) à qual todos se orgulham de pertencer, como todos fazemos com nossa roda de capoeira.

 

PARCERIA

 

Do respeito às tradições e aos mais velhos facilmente alcançamos a noção de parceria, indispensável ao aprendizado, ao ensino e à prática da capoeira.
A capoeira, atividade fundamentalmente guerreira, intrinsecamente belicosa, potencialmente lesiva e mortal, não pode ser praticada sem confiança recíproca, sem um compromisso de não-agressividade, de não-violência, de respeito mútuo, como são as suas tradicionais regras do jogo, o seu ritual.
A este elo de camaradagem e respeito mútuo chamamos de “parceria”, sem ele, morreriam todos os alunos no início do aprendizado ou desistiriam, tal a gravidade das suas lesões!
Sem a parceria, cada “volta do mundo” seria uma batalha, com morte do vencido e sem vencedor.
A Capoeira seria então o próprio Apocalipse e cada Mestre o seu Cavaleiro!

 

MOVIMENTOS EM ESQUIVA,
DESCENDÊNCIA E CIRCULARIDADE

 

Dizem os orientais que a esfera é a forma da perfeição e o círculo sua expressão mais autêntica.
Na dança ritual do candomblé os movimentos são circulares, manifestando em cada segmento e no conjunto o acoplamento ao toque (ritmo e andamento) de cada orixá.
Os movimentos circulares são os únicos que propiciam a esquiva, o escape da linha direta do ataque sem o afastamento para traz, que dificultaria ou impossibilitaria o contra-ataque.
Na capoeira, os movimentos, principalmente os deslocamentos, devem ser circulares ou melhor esféricos, girando em torno do centro de gravidade do parceiro, escapando ao seu ataque e contornando o seu flanco à procura dum ponto fraco ou abertura na guarda.
As esquivas descendentes, geram movimentos melhor apoiados no solo, portanto mais seguros, permitindo também a procura dos pontos mais baixos do corpo, habitualmente os mais vulneráveis, do adversário simulado.
Com a vantagem de que o jogador pode usar nesta postura os quatro membros e a cabeça como pontos de apoio no solo, além de dispor de maior amplitude de deslocamento, que pode aumentar a velocidade e força viva dos ataques e contra-ataques.
Sem falar que a rasteira, antigamente tão usada no jogo de capoeira e hoje tão raramente presenciada, é mais facilmente executada em posição mais agachada.
A atitude de esquiva é fundamental na capoeira, protegendo o praticante dos ataques, enquanto permite aproveitar a quebra da guarda, que sempre ocorre durante o movimento de ataque, para um contra-ataque oportuno.

 

DISSIMULAÇÃO DE INTENÇÃO

 

Decorrência da definição e conceito da capoeira baiana como uma dissimulação de luta sob forma de dança, adquire a simulação de intenção e a dissimulação de propósito ou de objetivos, um papel preponderante nesta vadiação dos mestiços do recôncavo baiano.
Joga melhor o mais inteligente, o mais manhoso, o mais malicioso, o mais enganador; o que conseguir convencer o companheiro de algo que jamais fará e se aproveitar do gesto em falso do parceiro para desferir o seu golpe verdadeiro.
É preciso “pegar” o parceiro desprevenido, depois de atraí-lo para o laço, para a armadilha em que o mesmo se enredará sem violência e sem maior esforço de parte do atacante.
O floreio, especialmente aqueles executados com os membros superiores, por não afetarem a postura e equilíbrio, nem exigir deslocamento espacial, é o instrumento mais adequado para simulação de ataques e/ou dissimulação de intenção ou objetivo. O floreio mais eficiente é aquele que traz no seu bojo potencial de ataque a ser desencadeado instantaneamente no momento propício.

 

ALERTA, CALMA, RELAXAMENTO
E AUTOCONFIANÇA PERMANENTES

 

O capoeirista necessita manter contínua sintonia com a mente do parceiro para detectar suas reais intenções e assim poder antecipar-se aos seus gestos e movimentos, seja de floreio, seja de ataque ou de esquiva.
Desta postura mental brota naturalmente o permanente acoplamento do indivíduo ao ambiente vizinha. Uma eterna vigilância. Um nexo inconsciente entre o indivíduo e o meio, que empresta ao capoeirista um ajustamento instantâneo às variáveis exteriores, sejam físicas ou espirituais, que o conduz à premunição dos perigos e às reações, defensivas ou de esquiva, adequadas.
Muitas vezes o contra-ataque surge, surpreendente como relâmpago em dia de sol, como bote de jararaca aparentemente adormecida.
Na minha opinião, esta é a razão maior da influência comportamental nos deficientes, da melhoria do rendimento intelectual concomitante e das suas condições psicológicas.
Somente a calma absoluta permite o relaxamento indispensável ao desencadeamento dos reflexos de defesa, ataque e contra-ataque com tempo mínimo de latência.
Apenas em perfeita tranqüilidade conseguimos manter o estado de alerta em relaxamento, capaz de liberar todas as vias neuroniais, aferentes e aferentes, para o trânsito dos estímulos periféricos e reações motoras reflexas, inconscientes e instantâneas, de esquiva, defesa, ataque e contra-ataque características do capoeirista durante o jogo ou em momento de perigo.
Podemos assim valorizar a advertência do Venerável Mestre Pastinha ao declamar:”Quanto mais calmo o capoeirista… melhor para o capoeirista…”
Com o passar do tempo, a repetição interminável de situações de perigo aparente ou real. O eterno suceder de imprevistos que desencadeiam reações instantâneas, algumas surpreendentes, porém sempre adequadas, gera uma atitude inconsciente de autoconfiança. A qual facilita mais ainda o desenvolvimento deste processo de preservação da integridade do SER, a jóia mais preciosa que a capoeira pode oferecer ao seu aficionado.
É a tranqüilidade dos fortes” ou, como prefere Esdras “Damião”, “a calma é a virtude dos fortes!

 

ESTADO DE CONSCIÊNCIA MODIFICADO
(TRANSE CAPOEIRANO)

 

Sob a influência do campo energético desenvolvido pelo ritmo-melodia ijexá e pelo ritual da capoeira, o seu praticante alcança um estado modificado de consciência em que o SER se comporta como parte integrante do conjunto harmonioso em se encontra inserido naquele momento.
O capoerista deixando de perceber a si mesmo como individualidade consciente, fusionando-se ao ambiente em que se desenvolve o jogo de capoeira. Passando a agir como parte integrante do quadro ambiental em desenvolvimento. Procedendo como se conhecesse ou apercebesse simultaneamente passado, presente e futuro (tudo que ocorreu, ocorre e ocorrerá a seguir) e se ajustando natural, insensível e instantaneamente ao processo atual.

 

Cursos de Formações em Capoeira por Educação à Distância

A todos os capoeiristas e simpetizantes
 
A Federação Internacional de Capoeira, em parceria com a GMGG/GTEC, vem pelo presente, informar a toda a comunidade que no período entre 10 de setembro e 10 de outubro estarão abertas as inscrições para os Cursos de Formações em Capoeira por Educação à Distância oferecidos pela Universidade Livre de Capoeira. O início dos Cursos ocorrerá no dia 11 de outubro próximo.
 
O início desta operação inaugurará a utilização das novas linguagens e tecnologias para a democratização de informações, rituais, fundamentos e tradições do Jogo da Capoeira e afins.
 
Estes Cursos serão ministrados através da Internet, tendo cada módulo a duração de 30 horas/aula. Poderão ser inscritos filiados ou não filiados de quaisquer cidades ou países, uma vez que toda a formação e certificação será feita à distância.
 
O valor de cada módulo será de R$ 50,00 (cinquenta reais) para filiados e R$ 60,00 (sessenta reais) para não filiados, depositáveis na própria conta-corrente da Federação Internacional de Capoeira.
 
Serão oferecidos inicialmente os seguintes Cursos:
 
1- Treinamento Desportivo na Capoeira – I
2- Fundamentos Filosóficos do Jogo da Capoeira – I
3- Fundamentos Sócio-Antropológicos do Jogo da Capoeira – I 
4- Fundamentos de Arbitragem e Competições – I
5- Gestão de Entidades Esportivas – I
 
Maiores informações serão fornecidas pelo portal da Federação Internacional de Capoeira www.capoeira-fica.org .  Aos que tiverem dificuldades de atualizações do portal, deverão entrar em "ferramentas/ opções de internet/excluir cookies".  
 
Solicitamos a todos redistribuirem esta mensagem para os endereços que possuírem. quaisquer contatos poderão serem efetuados também pelo endereço capoeira.fica@gmail.com .
 
Atenciosamente
 
Prof. Sergio Vieira – Ph.D.
Federação Internacional de Capoeira

Cursos de Formações em Capoeira por Educação à Distância

A todos os capoeiristas e simpetizantes
 
A Federação Internacional de Capoeira, em parceria com a GMGG/GTEC, vem pelo presente, informar a toda a comunidade que no período entre 10 de setembro e 10 de outubro estarão abertas as inscrições para os Cursos de Formações em Capoeira por Educação à Distância oferecidos pela Universidade Livre de Capoeira. O início dos Cursos ocorrerá no dia 11 de outubro próximo.
 
O início desta operação inaugurará a utilização das novas linguagens e tecnologias para a democratização de informações, rituais, fundamentos e tradições do Jogo da Capoeira e afins.
 
Estes Cursos serão ministrados através da Internet, tendo cada módulo a duração de 30 horas/aula. Poderão ser inscritos filiados ou não filiados de quaisquer cidades ou países, uma vez que toda a formação e certificação será feita à distância.
 
O valor de cada módulo será de R$ 50,00 (cinquenta reais) para filiados e R$ 60,00 (sessenta reais) para não filiados, depositáveis na própria conta-corrente da Federação Internacional de Capoeira.
 
Serão oferecidos inicialmente os seguintes Cursos:
 
1- Treinamento Desportivo na Capoeira – I
2- Fundamentos Filosóficos do Jogo da Capoeira – I
3- Fundamentos Sócio-Antropológicos do Jogo da Capoeira – I
4- Fundamentos de Arbitragem e Competições – I
5- Gestão de Entidades Esportivas – I
 
Maiores informações serão fornecidas pelo portal da Federação Internacional de Capoeira
www.capoeira-fica.org   Aos que tiverem dificuldades de atualizações do portal, deverão entrar em "ferramentas/ opções de internet/excluir cookies"
 
Solicitamos a todos redistribuirem esta mensagem para os endereços que possuírem. quaisquer contatos poderão serem efetuados também pelo endereço
capoeira.fica@gmail.com
 
Atenciosamente
 
Prof. Sergio Vieira – Ph.D.
Federação Internacional de Capoeira

Fundamentos Pedagógicos da Capoeira

 Curso de Difusão cultural – Fundamentos Pedagógicos da Capoeira
 
– Mestre Gladson de Oliveira
– Professor Vinícius Heine
 
Local: Módulo 04 do Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo ( CEPEUSP)
Pça 2, Prof. Rubião Meira, 61
Cidade Universitária / São Paulo – SP
 
11 e 12 de junho de 2005
das 08 às 18h
 
INSCRIÇÕES: de 09 de maio a 09 de junho
Sala 06 ( Velódromo ) – CEPEUSP
 
valor: 50 reais
 
Para quem vem de outras cidades a USP oferece um alojamento para os dias do curso.
 

Para obter mais informações: (11) 3091 – 3362
cepe@usp.br

FUNDAMENTOS DA CAPOEIRA

Os fundamentos da capoeira ou, como usam, incorretamente, alguns descuidados da nossa língua, suas "fundamentações", vêm sendo discutidos com certa freqüência a partir do uso infeliz desta palavra pelo Mestre Noronha, que se disse conhecedor único dos seus mesmos, sem os enunciar nos seus obscuros "escritos"…
Em trabalho algum encontrei, nem ouvi, conceito, nem definição, do emprego deste vocábulo pelos autores, o que vem aumentando a confusão entre os mestres e capoeiristas dum modo geral. É que nos meios populares baianos, especialmente nos terreiros de candomblé e nas rodas boêmias, o termo adquire uma conotação bem diversa daquela encontrada nos clássicos e dicionários de nossa língua. Uma vez que nestes grupamentos sociais, esta palavra é usado em referência à parte mais secreta e profunda do culto ou prática, somente acessível as camadas mais elevadas da comunidade, adquirindo então um atributo de secreto, sagrado, inacessível aos não-iniciados, ensinamento esotérico, hermético, misterioso, mágico

"Hoje vejo reduzido, os capoeirista, perdeiram suas
forças de vontade, não procuram o fundamento,
só querem a prender a propria violencia.

O trecho acima, manuscrito pelo Mestre Pastinha, ilustra o emprego do termo "fundamento" pelos antigos capoeiristas no sentido de essência de conhecimentos sobre a capoeira, seus princípios morais, seu ritual, sua prática e seus efeitos sobre o comportamento de cada capoeirista, a razão de ser do seu ritual e do comportamento do jogador, bem como a sua origem, a influência relativa de cada um dos seus componentes, sua música, seu ritmo, seus cânticos, etc.

Concordando com Esdras "Damião" na estranheza do uso de Fundamento e Fundamentação no linguajar dos capoeiristas antigos e modernos (dialeto capoeirano?) vivo procurando porque tanto ênfase neste conceito.

Do longo convívio nos meios de capoeira, nos centros de candomblé e durante a prática médica nas classes menos favorecidas pela Deusa da Fortuna, posso extrair vários sentidos encontrados.
Inicialmente impõe-se o sentido de conhecimento teórico ou prático sobre assuntos de qualquer natureza, independente de estudos formais.
Quando se fala em idéia ou comportamento sem fundamento indica-se a falta de razão subjacente ou de base para tal.

Há uma nuança de mistério, de sacralização, quando empregada em referência a conhecimento reservado a certos grupos sociais como dos feitos do candomblé. Como no caso dos antigos mestres que se proclamavam detentores dos fundamentos da capoeira… somente eles o possuíam…
 Ser conhecedor dos fundamentos da seita ou de qualquer outro ramo de atividade humana, social, científica ou artística é altamente valorizado nestes ambientes culturais baianos; motivo de orgulho e jactância, algo muito especial e envaidecedor.

 É com admiração que se diz: "Fulano conhece muito bem os fundamento de samba!", enquanto outros estufam o peito e se gabam de serem os únicos conhecedores disto ou daquilo… especialmente entre os menos favorecidos de inteligência, cultura e sobretudo, modéstia… apesar de bem providos de auto-estima e vaidade.
 É freqüente e natural, o entitulado "de conhecedor dos fundamentos" desdenhosamente se recusar a transmitir aos não-iniciados aqueles mistérios sagrados, dotados de poder mágico.

 A atrapalhação provocada pelo emprego descuidado desta palavra por alguns estudiosos pouco habituados ao linguajar popular baiano, especialmente do seu uso nas rodas boêmias e nos terreiros de candomblé, aumentou pelo aparecimento de divagações literárias em torno de assunto, cuja definição e conceito os autores sequer conheciam, sem se aperceberem da leviandade, nem da gravidade da falha da científica cometida… palavras bem entoadas, frases bem torneadas, porém vazias… diríamos "sem fundamento" num barzinho da rua do Julião!

A propósito de "FUNDAMENTO" o "Novo Dicionário Aurélio"arrola os seguintes significados:

  1. Base, alicerce.
  2. Razões ou argumentos em que se funda uma tese, concepção, ponto de vista, etc.; base, apoio.
  3. Razão, justificativa, motivo.
  4. Aquilo sobre o que se apoia quer um dado domínio do ser (e então o fundamento é garantia ou razão do ser), quer uma ordem ou conjunto de conhecimentos (e então o fundamento é o conjunto de proposições ou de idéias mais gerais ou mais simples de onde esses conhecimentos se deduzem).
Do acima transcrito entendo que devemos a aceitar por definição como "fundamentos da capoeira" a sua razão de ser e as justificativas de sua maneira de ser, isto é os elementos que a identificam como "SER" em nosso mundo conceptual.
A primeira indagação que surge em nossa mente ao analisar o assunto é:

QUE É O JOGO DE CAPOEIRA?

A resposta técnica é:
"A capoeira baiana é um processo dinâmico, coreográfico, desenvolvido por 2 (dois) parceiros, caracterizado pela associação de movimentos rituais, executados em sintonia com ritmo ijexá, regido pelo toque do berimbau, simulando intenções de ataque, defesa e esquiva, ao tempo em que exibe habilidade, força e autoconfiança, em colaboração com o parceiro do jogo, pretendendo cada qual demonstrar habilidade superior à do companheiro.
O complexo coreográfico se desenvolve a partir dum movimento básico denominado de gingado, do qual surgem os demais num desenrolar aparentemente espontâneo e natural, porém com um objetivo dissimulado de obrigar o seu parceiro a admitir a própria inferioridade.
Dentre as características mais importantes da capoeira destacamos a liberdade de criação, a estrita obediência aos rituais, a preservação das tradições, o culto dos antepassados e o respeito aos mais velhos como repositório da sabedoria comunitária."
 Ou poeticamente:

"A capoeira é uma luta…
ensinada e praticada como dança!

… pode ser usada como defesa…
e como ataque…
numa hora de "percisão"!
nas palavras dos Mestres
Bimba e Pastinha!

A capoeira é uma arte…
a arte de bem viver…
DISPUTADA COMO LUTA…
"mata até sem querer!"
… dizia Mestres Bimba…
"e o bom da vida é não morrer!"
… completava Mestre Pastinha!

OS FUNDAMENTOS DA CAPOEIRA

A prática da capoeira se desenvolve obedecendo aos seguintes parâmetros:

  1. movimentos rituais ritmodependentes
  2. ritmo ijexá regido pelo berimbau
  3. disciplina e respeito à tradição, aos mais velhos e aos companheiros
  4. parceria
  5. movimentos em esquiva, circulares e descendentes
  6. dissimulação de intenção
  7. alerta, calma, relaxamento e autoconfiança permanentes
  8. estado de consciência modificado (transe capoeirano), que analisaremos a seguir.
MOVIMENTOS RITUAIS RITMODEPENDENTES

O conjunto dos movimentos dos participantes para ser reconhecido como jogo de capoeira deve ser ajustado ao ritmo/melodia do toque da orquestra e obedecer às regras tradicionais de cada estilo, especialmente àquelas que garantem a segurança da sua prática, i.e., a não-violência.
A capoeira baiana é, por definição e princípio, uma luta dissimulada sob forma de dança ou uma dança guerreira, ou ainda como declarou José Roberto"Pingo" (18 anos), aluno e filho pela capoeira de Mestre Canelão (Natal, RN):

"A capoeira não é violência, é um esporte, uma brincadeira sadia… a luta fica escondida."

Além do enquadramento dos movimentos ao ritmo e à melodia, é indispensável a estrita adesão ao seu ritual, isto é, às regras tradicionais que regem sua prática e garantem a segurança dos participantes. Um acordo de cavaleiros, um código de honra, transmitido pela tradição oral entre as gerações, desde suas origens, como disse o Venerável Mestre Pastinha:

1.4.21 – …"aprender municiosamente ás regras da capoeira"…
"… todos aqueles que queira se dedicar a esse esporte, que como capoeirísta; quer como juiz? Deve procurar minuciosamente ás regras da capoeira de angola"; para que possa falar ou dicidir com autoridade. Infelizmente grande parte de nossos capoeiristas tem conhecimento muito incompleto das regras da capoeira, pois é o controle do jogo que protege aqueles que o praticam para que não discambe exesso do vale tudo,"…

(8a, 15-23; 8a, 20-23; 8b, 1-2)

Assim o Venerável Mestre Pastinha sabiamente reitera…
… é indispensável o código honra…
… a ser obedecido pelos capoeiristas, pois ..
… "é o controle do jogo"…
… pelo juiz… pelas regras… regulamentos…
… e pelo ritmo da orquestra…
… "que evita a violência e os acidentes"…
… vale a repetição!

RITMO IJEXÁ

Por ser uma manifestação coreográfica do ritmo africano ijexá o enquadramento dos movimentos da capoeira ao mesmo é fundamental à sua prática, conservando a continuidade da sua dinâmica, sem que se quebre a seqüência dos mesmos.
O andamento do toque ijexá leva uma estado transicional de consciência calmo, pacifico, prazeroso, possibilitando um jogo sem violência e bem cadenciado, permitindo aos parceiros estudo, análise, reflexão e criação de gestos rituais capazes de enriquecer o cabedal de reflexos de defesa, de esquiva e contra-ataques, que compõem o perfil do comportamento do verdadeiro capoeirista.
A aceleração excessiva do andamento provoca um estado de excitação incompatível com a calma indispensável à prática da capoeira, além de impossibilitar o gingado, transformando uma atividade lúdica em agressiva e potencialmente lesiva ou letal.
A observação dos movimentos rituais gerados pelos diferentes toques de atabaques, especialmente entre o ijexá dum lado e aqueles de alujá e adarrum, esclarecerá nitidamente a importância da cadência do toque da orquestra no desempenho dos parceiros do jogo de capoeira, do seu comportamento e estado mental.

DISCIPLINA E RESPEITO À TRADIÇÃO,
AOS MAIS VELHOS E AOS COMPANHEIROS

Nas sociedades de cultura oral, como as africanas, o liame entre as gerações é indispensável à sobrevivência do grupamento e dos indivíduos, valorizando os mais velhos como depositários confiáveis da sabedoria e da experiência, imprescindíveis à educação dos mais jovens e menos experientes.
Manifestação cultural pela sua própria natureza, a capoeira depende da aproximação das gerações, o que integra a sociedade transformando-a num monólito, capaz de resistir às influências externas e perdurar no tempo.
A postura de respeito aos mais velhos certamente conduz àquela de respeito, estima e consideração aos companheiros de geração, os seus parceiros, unindo o grupo social, transformando-o numa família, num clã, num agrupamento tribal, numa unidade fundamental indissolúvel (com "sprit de corps", diria o Gal. Liauty) à qual todos se orgulham de pertencer, como todos fazemos com nossa roda de capoeira.  

PARCERIA

Do respeito às tradições e aos mais velhos facilmente alcançamos a noção de parceria, indispensável ao aprendizado, ao ensino e à prática da capoeira.
A capoeira, atividade fundamentalmente guerreira, intrinsecamente belicosa, potencialmente lesiva e mortal, não pode ser praticada sem confiança recíproca, sem um compromisso de não-agressividade, de não-violência, de respeito mútuo, como são as suas tradicionais regras do jogo, o seu ritual.
A este elo de camaradagem e respeito mútuo chamamos de "parceria", sem ele, morreriam todos os alunos no início do aprendizado ou desistiriam, tal a gravidade das suas lesões!
Sem a parceria, cada "volta do mundo" seria uma batalha, com morte do vencido e sem vencedor.
A Capoeira seria então o próprio Apocalipse e cada Mestre o seu Cavaleiro!

MOVIMENTOS EM ESQUIVA,
DESCENDÊNCIA E CIRCULARIDADE

Dizem os orientais que a esfera é a forma da perfeição e o círculo sua expressão mais autêntica.
Na dança ritual do candomblé os movimentos são circulares, manifestando em cada segmento e no conjunto o acoplamento ao toque (ritmo e andamento) de cada orixá.
Os movimentos circulares são os únicos que propiciam a esquiva, o escape da linha direta do ataque sem o afastamento para traz, que dificultaria ou impossibilitaria o contra-ataque.
Na capoeira, os movimentos, principalmente os deslocamentos, devem ser circulares ou melhor esféricos, girando em torno do centro de gravidade do parceiro, escapando ao seu ataque e contornando o seu flanco à procura dum ponto fraco ou abertura na guarda.
As esquivas descendentes, geram movimentos melhor apoiados no solo, portanto mais seguros, permitindo também a procura dos pontos mais baixos do corpo, habitualmente os mais vulneráveis, do adversário simulado.
Com a vantagem de que o jogador pode usar nesta postura os quatro membros e a cabeça como pontos de apoio no solo, além de dispor de maior amplitude de deslocamento, que pode aumentar a velocidade e força viva dos ataques e contra-ataques.
Sem falar que a rasteira, antigamente tão usada no jogo de capoeira e hoje tão raramente presenciada, é mais facilmente executada em posição mais agachada.
A atitude de esquiva é fundamental na capoeira, protegendo o praticante dos ataques, enquanto permite aproveitar a quebra da guarda, que sempre ocorre durante o movimento de ataque, para um contra-ataque oportuno.

DISSIMULAÇÃO DE INTENÇÃO

Decorrência da definição e conceito da capoeira baiana como uma dissimulação de luta sob forma de dança, adquire a simulação de intenção e a dissimulação de propósito ou de objetivos, um papel preponderante nesta vadiação dos mestiços do recôncavo baiano.
Joga melhor o mais inteligente, o mais manhoso, o mais malicioso, o mais enganador; o que conseguir convencer o companheiro de algo que jamais fará e se aproveitar do gesto em falso do parceiro para desferir o seu golpe verdadeiro.
É preciso "pegar" o parceiro desprevenido, depois de atraí-lo para o laço, para a armadilha em que o mesmo se enredará sem violência e sem maior esforço de parte do atacante.
O floreio, especialmente aqueles executados com os membros superiores, por não afetarem a postura e equilíbrio, nem exigir deslocamento espacial, é o instrumento mais adequado para simulação de ataques e/ou dissimulação de intenção ou objetivo. O floreio mais eficiente é aquele que traz no seu bojo potencial de ataque a ser desencadeado instantaneamente no momento propício.

ALERTA, CALMA, RELAXAMENTO
E AUTOCONFIANÇA PERMANENTES

O capoeirista necessita manter contínua sintonia com a mente do parceiro para detectar suas reais intenções e assim poder antecipar-se aos seus gestos e movimentos, seja de floreio, seja de ataque ou de esquiva.
Desta postura mental brota naturalmente o permanente acoplamento do indivíduo ao ambiente vizinha. Uma eterna vigilância. Um nexo inconsciente entre o indivíduo e o meio, que empresta ao capoeirista um ajustamento instantâneo às variáveis exteriores, sejam físicas ou espirituais, que o conduz à premunição dos perigos e às reações, defensivas ou de esquiva, adequadas.
Muitas vezes o contra-ataque surge, surpreendente como relâmpago em dia de sol, como bote de jararaca aparentemente adormecida.
Na minha opinião, esta é a razão maior da influência comportamental nos deficientes, da melhoria do rendimento intelectual concomitante e das suas condições psicológicas.
Somente a calma absoluta permite o relaxamento indispensável ao desencadeamento dos reflexos de defesa, ataque e contra-ataque com tempo mínimo de latência.
Apenas em perfeita tranqüilidade conseguimos manter o estado de alerta em relaxamento, capaz de liberar todas as vias neuroniais, aferentes e aferentes, para o trânsito dos estímulos periféricos e reações motoras reflexas, inconscientes e instantâneas, de esquiva, defesa, ataque e contra-ataque características do capoeirista durante o jogo ou em momento de perigo.
Podemos assim valorizar a advertência do Venerável Mestre Pastinha ao declamar:"Quanto mais calmo o capoeirista… melhor para o capoeirista…"
Com o passar do tempo, a repetição interminável de situações de perigo aparente ou real. O eterno suceder de imprevistos que desencadeiam reações instantâneas, algumas surpreendentes, porém sempre adequadas, gera uma atitude inconsciente de autoconfiança. A qual facilita mais ainda o desenvolvimento deste processo de preservação da integridade do SER, a jóia mais preciosa que a capoeira pode oferecer ao seu aficionado.
É a tranqüilidade dos fortes" ou, como prefere Esdras "Damião", "a calma é a virtude dos fortes!

ESTADO DE CONSCIÊNCIA MODIFICADO
(TRANSE CAPOEIRANO)

 Sob a influência do campo energético desenvolvido pelo ritmo-melodia ijexá e pelo ritual da capoeira, o seu praticante alcança um estado modificado de consciência em que o SER se comporta como parte integrante do conjunto harmonioso em se encontra inserido naquele momento.
 O capoerista deixando de perceber a si mesmo como individualidade consciente, fusionando-se ao ambiente em que se desenvolve o jogo de capoeira. Passando a agir como parte integrante do quadro ambiental em desenvolvimento. Procedendo como se conhecesse ou apercebesse simultaneamente passado, presente e futuro (tudo que ocorreu, ocorre e ocorrerá a seguir) e se ajustando natural, insensível e instantaneamente ao processo atual.