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Obra-prima de Jacob Gorender ganha 5ª edição após 26 anos e tem lançamento em dezembro na USP

Obra-prima de Jacob Gorender ganha 5ª edição após 26 anos e tem lançamento no dia 01 de dezembro na USP

Relançada pela Editora Fundação Perseu Abramo, a polêmica tese “Escravismo colonial” reinterpreta o legado de Gilberto Freyre, renova o marxismo brasileiro e consolida-se como a mais notável contribuição contemporânea acerca deste período histórico.

Reconhecido como um dos registros mais notáveis da historiografia recente do Brasil, O escravismo colonial, de Jacob Gorender, ganha 5ª edição pela Editora Fundação Perseu Abramo (EFPA). Publicado anteriormente entre o final da década de 1970 e a primeira metade dos anos 1980, o livro – na época, considerado polêmico por contestar as teses defendidas por pensadores devotos de Gilberto Freyre – debate a concepção histórica sobre o modelo de escravismo implantado no país e propõe a inserção do fenômeno entre as possíveis considerações sobre a formação do modelo de socioeconomia brasileira. O lançamento ocorre no mês de novembro.

 

Passados 26 anos desde a sua última edição, “O escravismo colonial” afirma-se como a mais sólida análise contemporânea acerca da argumentação gilbertiana sobre o sistema escravocrata implantado no Brasil colonial e suas consequências que perpassam a ascensão do capitalismo, em meados do século XIX, até os dias de hoje.

 

Gorender reinterpreta os clássicos modelos derivados de Freyre e desconsidera a suposta existência de um regime feudal brasileiro, subsistente ou paralelo ao sistema escravista. Sua tese de escravismo colonial suscita outra via para o entendimento da formação econômica do país, ao admitir o fenômeno como o grande responsável pelo fortalecimento da unidade lusitana na América Latina, em contraponto à fragmentação observada no território hispânico.

 

O autor convida o leitor a refletir sobre a estrutura e o sistema de produção escravista vigente no Brasil e afirma que este foi um método novo, temporal e específico deste espaço geográfico, objetivado pela produção mercantil para atender principalmente a demanda europeia. Portanto, esta forma peculiar de regime é diferente dos moldes do escravismo clássico, feudalismo e, ainda, do capitalismo, colocando o país numa situação de exceção em relação às culturas ocidentais durante todo este período histórico.

 

Sendo Gorender marxista desde a adolescência, “O escravismo colonial” dá novo fôlego para o marxismo brasileiro, ao acrescentar novas categorias de análise nos mesmos modos de produção. A obra reforça o conceito de materialismo histórico, pois, incrementa variações à fórmula de Karl Marx e o torna mais aplicável como ferramenta de estudo de sistemas econômicos que destoem dos europeus.

 

O lançamento ocorre no dia 01 de dezembro, às 19h00,  na Escola de Comunicações e Artes da USP com a realização de um debate onde estarão presentes:

Alípio Freire – jornalista e escritor, integra o Conselho Editorial do Brasil de Fato e da Editora Expressão Popular.

Dennis de Oliveira – Professor da ECA/USP e do Programa de Pós Graduação em Direitos Humanos da USP, coordenador do Celacc (Centro de Estudos Latino Americanos sobre Cultura e Comunicação)

Eunice Prudente – Professora da Faculdade de Direito e do Programa de Pós Graduação em Direitos Humanos da USP e  coordenadora do Neinb (Núcleo de Apoio à Pesquisa e Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro)

Flávio Jorge – diretor da Fundação Perseu Abramo e dirigente da Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN)

Mario Maestri – professor titular do Programa de Pós- Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF), dirige a coleção Malungo da UPF Editora, especializada em trabalhos sobre escravidão colonial.

 

 

Jacob Gorender: intelectualidade excepcional

 

Nascido em Salvador, em 1923, Jacob Gorender é considerado hoje um dos mais importantes historiadores brasileiros. Filho de um judeu ucraniano socialista, frequentou a Faculdade de Direito de Salvador, onde militou na União de Estudantes da Bahia, durante o início de 1940.

 

Muito jovem, lutou na 2ª Guerra Mundial pela Força Expedicionária Brasileira. Foi membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) – ao lado de personagens importantes, como Carlos Marighella – e trabalhou como jornalista nos principais veículos de esquerda daquele período. Em 1968, com o início dos anos de chumbo da ditadura militar, Gorender aproxima-se da militância armada e participa da fundação do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR).

 

Em janeiro de 1970, foi preso em São Paulo. Seguiram-se dois longos e traumatizantes anos de constantes torturas, mas também foi nesse período de Gorender teve forças para iniciar esta que atualmente é considerada a tese mais revolucionária sobre a formação socioeconômica brasileira, desde “Casa Grande & Senzala”. “O escravismo colonial” era publicado em 1978 pela editora Ática, com inesperado sucesso.

 

O preconceito contra seu autodidatismo intelectual o reservou à margem do campo acadêmico durante muitas décadas. Apenas em 1994, aos 71 anos, seu mérito foi reconhecido com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e passou a atuar como professor visitante no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP).

 

Atualmente, com 88 anos, vive entre livros e publicações, numa simpática casa de vila do bairro da Pompeia, na zona oeste da cidade de São Paulo.

 

A Editora Fundação Perseu Abramo registra sua homenagem a Jacob Gorender e reconhece a importância deste grande pensador brasileiro, com o lançamento da 5ª edição revisada de “O escravismo colonial”, marcada para novembro de 2011.

 

Sobre a EFPA

Fundada em 1997, a Editora Fundação Perseu Abramo é um espaço para o desenvolvimento de atividades de reflexão político-ideológica, estudos e pesquisas, destacando a pluralidade de opiniões, sem dogmatismos e com autonomia. Com mais de 180 livros em catálogo, a editora conta com autores importantes como Antonio Candido, Celso Furtado, Aloysio Biondi, Michael Löwy, Marilena Chaui, Lélia Abramo, Milton Santos, Maria da Conceição Tavares, Francisco de Oliveira, Maria Rita Kehl e Leandro Konder, entre outros. Para mais informações, acesse www.efpa.com.br e siga a EFPA no twitter (@editora_perseu).

 

 

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

 

O escravismo colonial, Jacob Gorender

Editora Fundação Perseu Abramo

ISBN 978-85-7643-082-7

650 p. – 5ª edição revisada – ano 2011

R$ 65,00

 

LOCAL: Auditório Paulo Emílio às 19h00

Escola de Comunicações e Artes –

Sala da Congregação, 1o. andar 

Avenida Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 – Cidade Universitária

São Paulo (SP)

 

 

Erika Alexandra Balbino

Baobá Comunicação, Cultura e Conteúdo

Rua Porangaba, nº 149, Bosque da Saúde

04136-020 – São Paulo – SP

+55 11 3482-2510+55 11 3482-6908

 

Foto Gorender: Alexandre Machado

O Cabra, nova HQ de Flávio Luiz, ganha trailer animado

Depois de um cachorro boxeur (Jab), uma versão feminina de Arnold Schwarzenegger (Jayne Mastodonte) e um mini herói da capoeira (Aú), o premiado quadrinista baiano Flávio Luiz traz à luz aquela que talvez seja sua criação mais bombástica: O Cabra, um divertido e (violento pra cacete) cruzamento entre Lampião e Mad Max.

Recém-lançado em São Paulo, aonde atualmente Flávio reside, esse cangaceiro futurista chega bonitão em um álbum de formato gigante, pela sua própria editora independente: a Papel A2, que ele fundou em parceria com sua esposa e produtora, Lica de Souza.

 

Bahia: berço esplêndido dos quadrinhos

A Bahia sempre foi berço esplêndido da cultura nacional. Música, dança e teatro, mas, o que muitos não sabem é que aqui também se produz quadrinhos de qualidade RECONHECIDOS nacionalmente.

Contrariando a lógica da falta de incentivo e das dificuldades em produzir quadrinhos na Bahia, os artistas se lançam no Mercado independente buscam suporte na internet e se consolidam entre os grandes de todo país, marcando presença nas maiores premiações nacionais


Ver: http://flavioluizcartum.fotoblog.uol.com.br/

 

Crônica: “Menino, qual é teu grupo?”

A vida consiste em mudanças. É ordem natural. Muda-se, às vezes, para adequações, sustentações de privilégios ou simplesmente para ir de encontro às imposições sociais. Mudar se torna sinônimo de evolução se o camarada leva em conta a escala humana. Na nossa Capoeira, mudar ganha um significado quase unânime: mudança significa acrescentar mais um número no censo dos grupos.
 
Diversos motivos são encontrados para tal fato: ideologias conflitantes, filosofias arranhadas, vergonhas à lama, inconsistências de caráter, inveja, incompreensão… Enfim, uma gama de motivos que separam o que antes parecia ser integrante, carta do mesmo baralho.
 
Não generalizo. Há casos em que o afastamento se dá por motivos nobres como uma continuação de um belo trabalho apenas com outra estampa na camisa. Mas, infelizmente, são raros casos. Quase lendários…
 
As mudanças atingem nossa arte-ginga em várias frentes. Seja num toque variado, um estilo novo de jogar, um evento com outros atributos afros… Fica a critério de cada grupo. Critérios, aliás, que variam sobremaneira de grupo para grupo… Outro ponto de eterna discussão… Pluralidade cultural ou "invencionice" de pessoas querendo aparecer mais do que as outras? Fica a resposta no ar…
 
"Montar um grupo" parece ter virado o hobbie de muitos candidatos a "mestres" oportunistas. Enchem o papo com palavras que nem eles entendem, pegam um punhado de alunos com lavagem cerebral, distribuem cordas nada merecidas, montam um símbolo no "paint" e pronto. Mais um grupo de Capoeira na área!
 
Filosofias? Comprometimento com a história? Vínculos com o fator social que a Capoeira carrega? Nada disso. O intuito é criar rixa com outros grupos e, de preferência, com o antigo Mestre… A bobagem e a inconseqüência são as palavras que carimbam o símbolo deste grupo…
 
Ressaltando que existem casos que merecem parágrafos por serem exceções!  Existem ótimos "suplentes" de Mestres que fazem mais do que os próprios. Mas quem ganha todo o mérito? Sim… ele…o "mestre" de mentirinha…
 
Esses que crescem e fazem a Capoeira crescer é que devem mesmo se desvencilhar desses maus mestres… Montem seus grupos e levantem suas bandeiras que tem no centro a essência insubstituível da Capoeira! Competência e vontade: atributos que não faltam para essas pessoas que não se acham acima da nossa arte!
 
Que os novos grupos ofereçam idéias para organizar nossa arte, mostrar que o amadorismo não domina a Roda! Comportar-se como profissionais para refletir respeito! Chamar a atenção tanto dos incentivos particulares como governamentais. Mas para isso, deve haver organização interna. Sem isso, nada feito! É soco em ponta de faca com ferrugem.
 
Axé e muita mandinga para o surgimento dos grupos que renovam com respeito a Capoeira com preceitos e resgate de fundamentos vitais para nossa arte. Declínio sem compaixão para os grupos que se acham donos de uma patente que leva o nome de Capoeira! Acordem!
 
A história exemplifica… Impérios ditos invencíveis caíram! Pois nada fincado em pés de barro garante consistência duradoura! E diante disso, vem o alívio para o bom Capoeira!
 
Shion 
Fundação Arte Brasil Capoeira – Parnaíba / Piauí
www.flogao.com.br/fundacaoartebrasil
        

Mestre Ananias

Aos 80 anos, Mestre Ananias é a síntese da herança africana do povo brasileiro. Vive a Capoeira, o Samba e o Candomblé sem dissociá-los, esclarecendo no seu comportamento questões sobre a ancestralidade do nosso povo. Nascido no ano de 1924, em São Félix, região do Recôncavo Baiano cuja fertilidade cultural merece estudo aprofundado. Absorve o contexto no qual está imerso e na metade do século XX vem para São Paulo a convite de produtores do teatro paulistano. Trabalha com Plínio Marcos, Solano Trindade e outras personalidades, em todos os teatros da cidade. Em 1953, ano de sua chegada, Mestre Ananias funda a roda de capoeira mais tradicional de São Paulo, a Roda da Praça da República. Essa ganha força com a chegada de seus conterrâneos e nesse ínterim a capoeira exerce de fato um dos seus principais fundamentos, integrar à sociedade, classes desfavorecidas frente às imposições e preconceitos raciais e sociais.