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O Carimbó e o Mestre Verequete

Um homem simples, de chapéu na cabeça e voz firme se transforma em rei quando está em meio a tambores, numa roda de carimbó. Esse é Augusto Gomes Rodrigues, o Mestre Verequete, ícone da cultura paraense.

No próximo dia 15, nessa sexta feira, Tv capoeira (Instituto Jair Moura) exibirá o documentário chama Verequete falando sobre Carimbó com comentários do historiador Luis Augusto Leal….
 
Contamos com a presença de todos.

 

O CARIMBÓ E O MESTRE VEREQUETE

O termo "carimbó" aparece em seus primeiros registros como o nome de um instrumento musical de percussão. Sua definição mais antiga consta no Glossário Paraense de Vicente Chermont de Miranda, publicado em 1905. Conforme Chermont, o carimbó seria um “tambor feito de madeira oca e coberto, em uma de suas extremidades, por um couro de veado”. Tal definição, ainda hoje, serve para explicar o formato do instrumento e apresentar suas principais características.

No entanto, a palavra carimbó, na atualidade, significa muito mais do que apenas o nome do tambor. Abrange, na verdade, todo um conjunto musical que vai do instrumento à dança. Corresponde a um tipo de manifestação específica de algumas áreas do Pará e mesmo do Maranhão. Ele se caracteriza pela utilização de dois tambores (carimbós), que deram nome à música e à dança, além de outros instrumentos próprios como a onça (nome local dado à cuíca), o reco-reco (instrumento dentado feito de bambu), a viola, etc. Também se conhece uma variante musical do carimbó que possui o mesmo nome (chamado de “carimbó eletrônico”), mas que, ao invés da marcação rítmica com os tambores característicos, utiliza uma bateria eletrônica e guitarras.
 
Augusto Gomes Rodrigues – mestre Verequete nasceu em um lugar conhecido por "Careca" que fica localizado próximo à Vila de Quatipuru, no município de Bragança, em 26 de agosto de 1926. Seu pai, Antônio José Rodrigues, era oficial de justiça, marchante de gado e músico. Sua mãe, Maximiana Gomes Rodrigues, faleceu quando Verequete tinha apenas três anos de idade. Tal acontecimento antecedeu a primeira migração de Verequete para outro município. Ele, juntamente com seu pai, passou a residir no município de Ourém. Aos doze anos de idade mudou-se sozinho para Capanema, onde trabalhou como foguista, e em 1940 chegou a Belém, indo morar em Icoaraci (antiga Vila de Pinheiro). Neste período, Verequete trabalhou como ajudante de capataz na Base Aérea da cidade e subiu de posto até chegar a ser ajudante de agrimensor. Quando deixou de trabalhar na Base, Verequete exerceu outras atividades para garantir sua subsistência. Foi arremate de vísceras, açougueiro, marchante de porco e outros, no entanto a experiência de trabalho na Base Aérea marcaria para sempre sua vida, pois foi durante este trabalho que ele perdeu seu nome original (Augusto Gomes Rodrigues) e passou a ser identificado como Verequete. Por trás deste nome tão diferente existe uma história muito interessante que pode ser contada pelo próprio Augusto Gomes Rodrigues, ou Verequete. Uma história que ele não se cansa de contar:

 
Eu gostava de uma moça; então ela me convidou para ir ao batuque que eu nunca tinha visto. Umas certas horas da madrugada o Pai de Santo cantou "Chama Verequete". Eu era capataz da Base Aérea de Belém, na época da construção, cheguei na hora do almoço e contei a história do batuque… Quando acabei de contar, me chamaram de Verequete.

Chama Verequete, ê, ê, ê, ê
Chama Verequete, ô, ô, ô, ô
Chama Verequete, ruuuum
Chama Verequete…
Chama Verequete, oh! Verê
Oi, chama Verequete, oh! Verê
Ogum balailê, pelejar, pelejar
Ogum, Ogum, tatára com Deus
Guerreiro Ogum, tatára com Deus
Mamãe Ogum, tatára com Deus
Aruanda, aruanda, aruanda, aruanda ê
Mandei fazer meu terreiro
bem na beirinha do mar
mandei fazer meu terreiro
só pra mim brincar
 
Augusto Gomes Rodrigues - Mestre Verequete

 

Fonte: Instituto Jair Moura e Overmundo 

3 de Agosto: Dia do Capoeirista & Homenagens na Capital Paulista – Materia II

Matéria Publicada no Jornal do Capoeira em Agosto de 2005
Hoje, 03 de Agosto, comemora-se o Dia do Capoeirista. A Câmara Municipal da Cidade de São Paulo prestará homenagem solene aos Capoeiras da Terra da Garoa, com direito à Coquetel e Roda de Encerramento.
Sampa, 03.Agosto.2005
Corre Nacional e Internacionalmente a informação, e as comemorações, do Dia do Capoeirista. Nada mais justo comemorar. É no mínimo uma oportunidade política, quando os Capoeiras reúnem-se em auditórios governamentais para ouvir os representantes do poder falar:
o quão importante somos para a história do Brasil – o que já sabemos!;
que a Capoeira é o esporte que o Brasil precisa – mas não legislam eficientemente para isto;
que nossa arte promove inclusão social – principalmente inclusão a lá mensalões e exclusão dos mais necessitados; 

Dia do Capoeirista que se preze deveria ser um dia de reflexão inteligente sobre nosso real papel na sociedade, sobre como formar, principalmente na periferia, morros e guetos, jovens conscientes de seus direitos, dotados de extrema sensibilidade para o que vem ser, na prática, o sentido de cidadania.

Quando o saudoso Mestre Paulo Gomes, baiano formado na capoeira carioca pelo Mestre Artur Emídio, à frente da ABRACAP – Associação Brasileira de Capoeira -, alcançou transformar em Lei Estadual (válida, portanto, apenas para São Paulo) o Dia do Capoeira, certamente ele não estava pensando em ser apenas um “dia político”. Na época, Paulo Gomes era assessor do ex-Governador e também saudoso Mário Covas. Acredito que o que ele almejava mesmo era unir a classe – sempre fragmentada – em torno de uma causa única. Na época, Paulo Gomes lutava pela profissionalização da Capoeira.
Pois bem, o dia 3 de Agosto está, ano após ano, sendo consagrado como nosso Dia. O amigo Luciano Milani (www.lminani.com), inclusive, acaba de publicar uma crítica ao “Porque o Dia do Capoeirista? Se todos os dias são nossos dias!?”. Por e-mail, recebemos em nossa Redação um mensagem onde uma jovem identificada apenas por Viviane, questionou o “Porque 03 de Agosto?”. Sinceramente não encontramos, até o momento, uma justificativa plausível para tal.
Mas curiosamente, ao conversar com alguns mestres de renome da Capital Paulista, alguns envolvidos com as entidades de Administração  Capoeira, percebemos que existem diversas datas em que se comemora do Dia do Capoeirista. Segundo me foi passado, após o estabelecimento do dia 03 de Agosto como a data comemorativa para o Estado de São Paulo, houve um esforço de se adotar por lei a mesma data nos municípios. Aí virou comédia, pois cada município acabou adotando uma data diferente.
É, realmente é complicado estabelecer consenso entre nossos pares.


Sorocaba Shopping & Dia do Capoeirista
Um bom exemplo está dando hoje o Shopping de Sorocaba – www.sorocabashopping.com, que abriu espaço para três grupos da cidade (Cultura Brasileira, Associação Liberdade e Bem Brasil) para se apresentarem ao povo. Será logo mais a noite, a partir das 19h00. Relevem a repetição, mas a Administração do Sorocaba Shopping está de parabéns por ter incluído nossa Arte na agenda do dia, e por se lembrarem do Dia do Capoeirista.

Câmara Municipal da São Paulo Homenageia Mestres da Capoeira Paulistana
Por fax, e depois confirmada por telefone junto à própria Câmara Municipal, recebemos o seguinte comunicado:
A Câmara Municipal de São Paulo, convida a todos capoeiristas para a Cerimônia de Comemoração do Dia da Capoeira, a realizar-se no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo, Viaduto Jacareí, 100, 8º andar, as 19:00 horas do dia 03 de Agosto de 2005. Onde serão prestadas homenagens a personalidades do mundo da Capoeira e realizado um Coquetel de Comemoração.
Presença confirmada de grandes Mestres da Capoeira de São Paulo.
Segundo os assessores do vice-presidente da Câmara Municipal, senhor vereador Aurélio Miguel, dentre os mestres que receberão a homenagem estão: Mestre Ananias, Mestre Suassuna, Mestre Joel e Mestre Guilhermão. Certamente a lista é mais extensa, uma vez que eles almejam homenagear todos os mestres que já tinham tal título em 1980. Estamos aguardando a lista completa, para que possamos então divulgar a todos.
Por coincidência, Mestre Marquinhos entrou em contato solicitando algumas sugestões para o Congresso Estadual de Capoeira, a ser realizado em Setembro de 2005. Uma de nossas sugestões foi a de se prestar homenagens, com Carta e Placa de Agradecimento por relevantes serviços prestados à Capoeira em São Paulo. Em nossa lista preliminar sugerimos:  Mestre Toniquinho Batuqueiro, Mestre Damião, Mestre Ananias, Mestre Augusto Mário Guga, Mestre Zé de Freitas, Mestre Valdemar Angoleiro, Mestre Pinatti, Mestre Joel, Mestre Brasília, Mestre Suassuna,  Mestre Joel, Mestre Limãozinho, Mestre Natanael, Mestre Zumbi, Mestre Quilombo e Mestre Rudolf Hermanny.
Sugerimos ainda homenagens póstumas aos seguintes mestres: (sendo que a Carta e a Placa de Agradecimento deverão ser entregues à representantes ou familiares): Mestre Paulo dos Anjos, Mestre Caiçara, Mestre Paulo Gomes, Mestre Gilvan, Mestre Silvestre, Mestre Limão e Mestre Sinhozinho
Ano passado, a Câmara Municipal entregou à alguns Mestres da capital o título de Cidadão Paulistano, dentre eles Mestre Miguel Machado (Cativeiro), Mestre Dinho Nascimento – o Berimbau Blues, e Mestra Janja (NZINGA).

Fonte: Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br