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Semeando 2013/14 – VIII Encontro Internacional de Capoeira Angola

Semeando 2013/14 – VIII Encontro Internacional de Capoeira Angola

Evento realizado pelo Grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola vai reunir alunos, Contra Mestres e Mestres de vários países

Entre dezembro de 2013 e janeiro de 2014 acontece o Semeando – Encontro Internacional de Capoeira Angola, realizado pelo Grupo Semente do Jogo de Angola. O objetivo do evento é reunir alunos de vários estados brasileiros e de outros países, além de capoeiristas interessados em aprender e trocar informação sobre a história Afro-Brasileira. A programação vai incluir Capoeira Angola, Dança Afro, Samba de Roda, Maculelê, Oficinas de Berimbau, Caxixi, Atabaque, Percussão, Palestras, Mostras de Vídeo, Afoxé e Caminhada Ecológica.

O Encontro é realizado de 2 em 2 anos, desde 2004, em Salvador e na Ilha de Cacha Pregos (BA), onde está sendo construída a sede do Grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola. Em 2013, o evento vai ampliar as atividades para dois lugares históricos: Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, e Chapada Diamantina. A ideia não é só jogar Capoeira, mas levar todos os interessados para vivências em lugares históricos, tais como: Baixa do Sapateiro, Lagoa do Abaeté, Ilha de Itaparica, Santo Amaro, Cachoeira, São Félix, Lençóis e Vale do Capão. 

O Grupo de Estudos dos Núcleos Semente de Angola apresentará um trabalho teórico sobre História do Brasil até 1808/1810, data da chegada da Família Imperial no Rio de Janeiro. Este acontecimento histórico coincide com o começo da perseguição policial aos negros e capoeiristas. Este trabalho, o qual será apresentado por alunos do Grupo, permanecerá no Espaço na Ilha para estudos. As aulas de Capoeira durante o Encontro serão ministradas pelo Mestre Jogo de Dentro, Contramestres do Grupo Semente do Jogo de Angola e Mestres presentes. 

INFORMAÇÕES 

Site: http://www.sementedojogodeangola.org.br
Telefone: (71) 8727 7127 / 3319 0227

 

Fonte: http://www.iteia.org.br

Rampa do Mercado e Recôncavo são destaques no Forte de Santo Antônio

Salvador – A Academia de João Pequeno de Pastinha – Centro Esportivo de Capoeira Angola – promove nesta sexta-feira (30), às 19h, mais uma sessão do projeto Cinema, Capoeira e Samba, com entrada gratuita.

A academia é uma das sete residentes no Forte de Santo Antônio Além do Carmo, administrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), autarquia da Secretaria Estadual de Cultura (Secult).

O projeto, que acontece todas as últimas sextas-feiras do mês, exibe filmes e documentários em DVD sobre a capoeira e aspectos culturais e históricos da Bahia. Nesta sexta serão exibidos Um Dia na Rampa, de Luiz Paulino, e Cantador de Chula, de Marcelo Rabelo, sobre os antigos cantadores de chula do Recôncavo. Depois das exibições acontece a tradicional roda de samba com o Grupo Botequim, que co-realiza o projeto.

Bahia: 30 capoeiristas recebem certificado de “capoeirista-educador”

No próximo dia 03 de setembro, às 15h, será realizado no Forte de Santo Antônio Além do Carmo o encerramento da turma João Pequeno de Pastinha e aula inaugural da 2ª turma do curso "Capoeira – Educação para a Paz". Durante o evento 30 capoeiristas receberão o certificado de "capoeirista-educador".

Iniciativa da Superintendência da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SECULT), o curso se insere na ação de aplicação da Lei Federal Nº. 11.645/2008, que institui a obrigatoriedade do tema "História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena" no currículo oficial da rede de ensino no Brasil.

Durante 45 dias, os alunos participaram de 27 módulos que incluíram aulas de direitos humanos, educação das relações étnico-raciais, elaboração de projetos, aspectos históricos da violência racial e de gênero, arte e resistência negra na Bahia e outros conteúdos que aproximaram o caráter dialógico e inclusivo da capoeira, as vivências pedagógicas colaborativas a exemplo do "círculo de cultura", metodologia desenvolvida pelo educador Paulo Freire.

O curso "Capoeira – Educação para a Paz" será uma ação permanente do Forte de Santo Antônio Além do Carmo. O forte fica localizado na Praça Barão do Triunfo, mais conhecida como Largo de Santo Antônio, no bairro de Santo Antônio Além do Carmo – Centro Histórico de Salvador, e é o mais novo espaço administrado pelo Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), autarquia da Secult.

Geovan Adorno Bantu
Assessoria de projetos
do Forte de Santo Antônio Além do Carmo
(71) 8721-9265/3117-1492/3241-4695
msn: eueeumesmo_2@hotmail.com

Pela valorização da cultura negra

A história da capoeira e a linguagem usada nos cânticos estão agora em dicionário. A obra, que foi apresentada no Mindelo durante o 1.º Festival de Capoeira, é da autoria do jornalista e professor brasileiro Mano Lima.
 
Através de mais de mil verbetes, o Dicionário de Capoeira coloca à disposição de alunos e professores factos históricos sobre esta luta-dança, curiosidades e os dados mais recentes sobre a internacionalização da capoeira.
 
Editor da revista “Capoeira em Evidência”, que é publicada em Brasília, Mano Lima observou ao longo dos anos que “as novas gerações querem praticar capoeira, mas não se preocupam muito com a sua história e origem”. Lima decidiu, por isso, produzir um dicionário que servisse de material didáctico tanto para quem ensina como para quem aprende capoeira. São 1.600 verbetes relacionados com factos históricos, nomenclatura de blocos e grupos de capoeira, grandes figuras e gírias desta modalidade.
 
A primeira edição já está esgotada graças a vendas nos quatro cantos do mundo, mas permitiu a Mano Lima constatar um facto interessante: “A prática da capoeira está motivando o estudo da língua portuguesa”. Esta é uma aprendizagem que se faz primeiro de forma informal, através dos cânticos entoados nas rodas de capoeira, e depois em aulas formais. “Em muitos países, entre eles a Austrália e o Japão, há já classes com um professor a ensinar o português nas próprias escolas de capoeira”, afirma Mano Lima.
 
Mas, além de promover a língua portuguesa, a capoeira está também, de acordo com Mano Lima, a derrubar os preconceitos que ao longo dos séculos rodearam os negros e a sua cultura. “A semente da capoeira atravessou o oceano Atlântico a bordo dos navios negreiros e germinou no Brasil. Agora, a semente que foi levada para o Brasil está a ser replantada pelos brasileiros em África e outros cantos do mundo, divulgando e valorizando simultaneamente a cultura do continente negro”, declara o jornalista.
 
Valorização que começa no seio das comunidades negras e/ou mestiças, que passam a assumir as suas origens étnicas e culturais. Porque, alega Mano Lima, “uma das heranças malditas da escravidão é o preconceito não só dos brancos para com os negros, mas também destes contra si próprios. A consequência é uma série de comportamentos de negação da sua identidade”. Negação da cor da pele, textura do cabelo, tipo fisionómico, etc.
 
Um dos episódios mais recentes envolveu o jogador de futebol brasileiro Ronaldinho, quando de uma visita sua ao país natal. Mano Lima conta que “quando Ronaldinho foi questionado se se orgulhava da sua herança negra, ele foi extremamente ríspido com o repórter e respondeu que a pergunta era uma burrice. Ou seja, ele não assumiu as suas origens sociais e étnicas, negou-as”.
 
Mas esses preconceitos, afiança Mano Lima, estão sendo aos poucos dissipados, quanto mais não seja através da capoeira. E, aqui, o jornalista destaca o trabalho que o mestre Carlos Xéxeu está a fazer em Cabo Verde.
TSF
 
Fonte: A Semana Online

CÂNTICOS

O conteúdo dos cânticos exalta as qualidades do chefe da roda, relata a sua origem ou se refere a fato, personagem ou ocorrência notáveis, atuais ou históricos.
A forma de cantar valoriza o tom das vogais antes que a pronúncia correta das consoantes, adquirindo sonoridade mântrica, em harmonia com o tom do berimbau. O canto e som do berimbau se fundem, no estilo angola, numa toada monótona, em que a presença do refrão empresta semelhança à ladainha, dum caráter suave, pacífico, extremamente cativante, permitindo movimentos mais lentos, relaxados, controlados, de grande belez. Enquanto no estilo regional, o ritmo marcial, mais acelerado, impõe maior velocidade aos movimentos, tornando-os mais agressivos, de caráter reflexo, instintivos e obrigando a maior afastamento entre os parceiros. Cada mestre tem um estilo próprio de tocar e cantar, modificando tema e conteúdo dos cânticos, os quais passam então a identificar cada roda pelo seu fundo cultural litero-filosófico, destacando-se o curto improviso, a chula1, reliquat da dança popular portuguesa deste nome.
Além desta, encontramos como categorias de cânticos, o corrido2, as quadras3 e a ladainha4.
O conteúdo dos cânticos geralmente faz parte do repositório da comunidade a que pertence a roda ou repertório própria roda, tais como referências a fatos, personagens históricos, reverenciando-os consoante sua livre escolha, tecendo comentários de conteúdo filosófico ou ligados à sabedoria popular, ditos e axiomas. Destacamos o oriki (chamado de chula pelo Mestre Bimba nos primórdios da regional, conhecido como ladainha entre os atuais angoleiros), a louvação africana, saudação laudatória aos mestres, à terra natal, aos amigos, a Deus, aos Santos e aos orixás, que empresta caratér individual a cada grupamento ou roda.
O coro, ritornelo, refrém, estribilho ou refrão, une todos os presentes num canto orfeônico extremamente contagiante, criando uma atmosfera energética que transforma o grupamento social numa entidade global, capaz de geral um estado transional coletivo.

Consoante o estilo e o temperamento do mestre e, portanto, da roda, há uma nítida preferência pelo suavidade e lentidão da ladainha (predominante entre os angoleiros) ou pelo calor e velocidade do corrido (mais a gosto dos regionais).

1-Curto "improviso" de apresentação ou identificação entoado pelo cantador a título de abertura da sua composição. Geralmente faz a louvação dos seus mestres, da sua origem, da cidade, de fatos históricos, de algum outro elemento do fundo cultural da roda. Freqüentemente os cantadores usam uma chula como introdução aos corridos e às ladainhas, durante a qual é sugerido ou indicado refrão a ser entoado pelo coro.

2-A própria denominação já traduz, ou lembra, a aceleração do ritmo que o caracteriza, juntamente com o nexo entre o verso do cantador e o refrão do coro que o repete parcial ou totalmente. O cantador entoa versos de frases simples, curtas, freqüentemente repetidas, e cujo conjunto é usado como refrão pelo coro da roda. O conteúdo do trecho cantado pode ser retirado duma quadra, dum mote, duma ladainha, dum corrido, ou do fundo comunal litero-filosófico da roda ou grupo social. A diferenciação no entanto só aparece com nitidez durante a audição do conjunto, pois o mesmo conteúdo poderá ser cantado numa ou noutra categoria conforme a impostação da voz, ritmo, compasso e aceleração que o cantador, a orquestra, coro vocálico e o acompanhamento das palmas, além da própria estrutura, emprestam ao trecho.

3-Curta estrofe de quatro versos, sem interrupção, de conteúdo variável, algumas vezes fazendo sotaques ou advertências jocosas a algum companheiro ou a fatos ou lendas da roda. Geralmente termina com uma chamada ou advertência ao coro, como "Camará!", "Vorta du mundu!", "Aruandê!", "Aruandi!", "Iêê!", "Êêê!", entre tantas outras.

4-A ladainha é o ritmo dolente, lento, como na reza de mesmo nome na igreja católica, o coro repetindo o refrão independentemente do trecho entoado pelo cantador. O conteúdo da ladainha corresponde a uma oração longa, mensagem, desdobrada e relatada em curtas estrofes entrecortadas pelo refrão.